:: 02.06.03 :: |
Crédito de carbono impulsiona usinas |
Gás carbônico como subproduto. A viabilidade do projeto da Sasa está ligado à venda de créditos de carbono. O metano, no processo de produção de energia elétrica, tem como subproduto o gás carbônico. Como o CO² é 23 vezes menos nocivo ao meio ambiente do que o metano, a Sasa garante as condições para a venda dos créditos ao governo holandês. "Não posso falar nos valores que envolvem a negociação com o governo da Holanda, mas é esta venda que viabiliza o projeto de geração de energia com biogás", afirma. Segundo Palma, no mercado a tonelada de créditos está sendo avaliada entre US$ 2 e US$ 5. Pelo acordo com o governo holandês, a Sasa vai vender 700 mil toneladas de créditos de carbono em dez anos. Apesar da falta de clareza nas regras do Proinfa, o projeto da Qualix para instalar uma usina no aterro São João deve sair do papel ainda neste segundo semestre. Segundo o presidente da Qualix, Newton Albuquerque, a empresa está negociando com um parceiro europeu, com experiência na área, que entraria com parte dos US$ 20 milhões necessários para a construção da usina. A idéia é que os primeiros 10 MW comecem a ser gerados em 2004. A usina operaria em plena carga - 20 MW - a partir de 2006. O aterro deve ser fechado em cinco anos, mas o lixo depositado continua gerando metano suficiente para abastecer a usina por mais 15 anos. Pelo projeto elaborado, a Qualix trabalha com dois possíveis cenários: venda da energia para a Eletrobrás, dentro das regras do Proinfa, ou direto para o mercado. As incertezas que afetam o setor de energia não assustam a empresa. "Consideramos a energia produzida com o biogás um bom produto de venda, é como uma grife", justifica Albuquerque. "Acreditamos que as empresas vão querer ter a sua imagem associada a uma energia ecologicamente limpa." Também faz parte do projeto, a venda de créditos de carbono. "Com a redução da emissão de gases poluentes pelo aterro poderemos vender crédito como uma fonte adicional de recursos." Licitação no Rio de Janeiro. No
aterro de Gramacho, no Rio, foi escolhido outro modelo para possibilitar
o aproveitamento do metano gerado pelo lixo. A Comlurb vai licitar a
área ainda este ano. Pelo edital, que está sendo elaborado,
a empresa vencedora, além de administrar o aterro - tratamento
do chorume, controle da emissão de gases etc. - terá direito
de uso do biogás para gerar energia e, com isso, entrar no mercado
de venda de créditos de carbono. Segundo o assessor de diretoria
técnica e industrial da Comlurb, José Henrique Penido,
o aterro tem potencial para gerar entre 12 MW e 15 MW. Além da
venda de carbono e da geração de energia elétrica,
o metano tem outras utilidades que podem ser exploradas pela empresa
vencedora da licitação. A própria Comlurb, lembra
Penido, já utilizou o biogás, depois de tratado, para
o abastecimento de residências. "Mais recentemente, a Comlurb
chegou a captar, tratar e comprimir o metano para uso como combustível
pelos veículos da empresa, com um custo 10% menor que o do álcool",
diz. |
| Fonte: Gazeta Mercantil |