:: 30.10.03 :: |
Seqüestro de carbono |
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JOELMIR BETING ''A ausência de alternativa torna a mente dos governantes espantosamente clara.' Henry Kissinger, consultor político Nova York - Como é que é? Estão seqüestrando carbono? Não falta seqüestrar mais nada, exclamaria José Maria de Jesus, taxista perplexo. Nada disso. Seqüestro de carbono, vulgo crédito carbono, é invenção do tecnocratês que informa o dialeto ambientalês. Que está agora na moda também nos bares de Wall Street. Yes, vem aí um megamercado de crédito carbono ou de carbono seqüestrado, já com crachá de primeiro ''derivativo verde'' deste nosso Século da Bioeconomia. Assunto que deve estar empolgando, por aí, os participantes da conferência regional da América Latina sobre energia renovável, instalada, ontem, em Brasília. Encontro preparatório à conferência mundial de Bonn, em 2004. Seqüestrar carbono é não deixar a queima de combustíveis fósseis e sujos, basicamente petróleo e carvão, estocar dióxido de carbono na atmosfera terrestre, gatilho do efeito estufa - elevação lenta e gradual da temperatura média deste nosso planeta sem juízo. País (ou empresa) que mais contribuir para essa redução ou seqüestro ficará com crédito carbono no banco virtual do tratado global que deve reger a matéria, a partir de 2008, vulgo Protocolo de Kyoto. Quem não puder fazer a respectiva limpeza em casa terá de pagar por esses créditos pela faxina de terceiros. Haverá mercado secundário para esse esquisito derivativo financeiro. Sociedade energívora como nenhuma outra, os Estados Unidos não têm como rebaixar as emissões de 2008 a 2012 para menos de 5% dos níveis de 1990, como manda o Protocolo de Kyoto, parido pela Rio 92. Eles entrariam no mercado como devedores líquidos. Movidos a carvão e petróleo, Rússia, China e Leste Europeu igualmente estão nessa sinuca de bico e também não pretendem endossar o Protocolo de Kyoto. Quem vai nadar de braçada é o Brasil tropical. Do alto de até 16 bilhões de litros de etanol de cana por ano/safra, capacidade já instalada, o Brasil espera liderar o mercado mundial de crédito carbono. Foi o que sustentou, empolgado, o empresário Maurílio Biagi Filho, produtor de álcool, em seu discurso no jantar de gala do Plaza Hotel, terça-feira. No qual recebeu o título de Personalidade do Ano, da Brazilian-American Chamber of Commerce, de Nova York. Os países poluidores ou compram da gente o crédito carbono ou seqüestram o próprio carbono utilizando em futura mistura carburante o álcool de cana made in Brazil. Os Estados Unidos já realizam a mistura de até 5% com etanol de milho, duas vezes mais caro que o nosso de cana. O Japão acaba de assumir mistura de 3% (1,8 bilhão de litros/ano). E a China, em superaquecimento econômico, emite sinais de que vai precisar de álcool anidro para a mistura e de álcool hidratado para a nova geração dos motores bicombustível. Já nas ruas do Brasil.
Trabalheira Diversidade Mecanismo |
| Fonte: O Povo |