:: 11.06.03 ::

Impactos econômicos da CPLP para o CE


Paulo Henrique G. Portela
Professor universitário

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização internacional formada pelos oito países que têm como idioma oficial o Português: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Loro Sae. Sediada em Lisboa, a CPLP tem como objetivos fundamentais a concertação político-diplomática, a cooperação entre seus membros nos campos econômico, cultural, jurídico e técnico-científico e promoção e difusão da língua portuguesa. A propósito, a prioridade da CPLP é a valorização do idioma português, que é falado por mais de duzentos milhões de pessoas no mundo.

As primeiras propostas de criação de instituições semelhantes à CPLP datam de mais de cem anos e foram defendidas, em sua época, por personalidades como Gilberto Freyre. Entretanto, somente a partir dos anos 70 e 80 e do início dos anos 90, intensificaram-se as vozes em favor da criação de uma comunidade que aproximasse os países de língua portuguesa. Esse fato deveu-se, especialmente, a certas condições favoráveis, a exemplo da aproximação do Brasil com a África e da manutenção da língua portuguesa nas antigas colônias africanas. No Brasil, o principal promotor da idéia foi o Ministro da Cultura e Embaixador José Aparecido de Oliveira. Após longo processo de articulação política, a CPLP foi oficialmente fundada em 17 de julho de 1996.

Em seu início, a organização destacou-se sobremaneira pelas ações em prol da língua portuguesa. Entretanto, a partir do momento em que os países da Comunidade consolidam seus processos de estabilização política e podem avançar de forma mais fluida na luta pelo desenvolvimento sustentável, a CPLP começa a olhar mais para outros campos. É nesse sentido que, mais recentemente, a organização vem começando a priorizar as relações econômico-comerciais entre seus membros.

Experiências com o adensamento das relações econômicas e diplomáticas na América Latina, bem-sucedidas não obstante problemas conjunturais, demonstram as vantagens advindas do estreitamento dos vínculos com países vizinhos e/ou afins que não necessariamente estejam dentre os chamados países ''centrais''. Com isso, não foi surpresa o êxito do primeiro Fórum Empresarial da CPLP, ocorrido em Lisboa, no ano passado.

Com base no sucesso anterior da iniciativa, a CPLP realiza em Fortaleza, no dia 10 de junho próximo, o II Fórum Empresarial da CPLP. Junto com o Fórum Brasil-África, que se realizará no mesmo período, esse evento contribui para reforçar a projeção internacional de nosso Estado e para consolidá-lo como destino do turismo de eventos. Lança também luzes sobre a importância das relações do Ceará com Portugal e sobre as possibilidades existentes no relacionamento com a África, como bem demonstrado pela aproximação com Cabo Verde. Certamente, o Fórum Empresarial da CPLP, ao reunir empresários dos países da CPLP, deverá também abrir novas oportunidades de negócios e de intercâmbio para o Ceará com outros parceiros africanos.

Para o Brasil como um todo, o evento é mais um passo no sentido de promover a diversificação de parcerias internacionais, o que é compatível com nossas melhores tradições diplomáticas e que em muito convém aos interesses nacionais. Com a intensificação das relações econômico-comerciais que iniciativas como essa podem produzir, contribui-se também para a geração de emprego e renda e, em última instância, para o desenvolvimento aqui e entre povos com os quais compartilhamos tantas afinidades. Dessa forma, o Fórum Empresarial da CPLP adquire enorme importância, na medida em que é mais um instrumento que pode cooperar para o progresso de nossos povos.

Paulo Henrique Gonçalves Portela é professor universitário e integra a Assessoria Internacional do Governo do Estado do Ceará.

Fonte: O Povo

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