:: 20.04.04 :: |
| Universidades têm papel-chave na reflexão
sobre o desenvolvimento sustentável |
O candidato derrotado na última eleição
da SBPC, Renato Janine Ribeiro, professor da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da USP, escreve em seu livro Por uma
nova política – Uma campanha na SBPC (Ateliê Editorial)
que falta aos cientistas uma maior preocupação social.
“A responsabilidade social do pesquisador deve ser colocada em
discussão. Você faz pesquisa para quê? Se faço
uma tese em filosofia grega, o que é muito importante, tenho
que saber explicar por quê. Direi, por exemplo, que uma universidade
sem bons estudos de filosofia grega está limitada em sua compreensão
geral do mundo. Esta é a justificação, e ela tem
de ser dada. Não devemos ter medo do escrutínio público”. Para ele, tais atividades e discussões transmitem ao aluno a possibilidade de exercitar valores depois de formado. “As universidades passam por um momento de séria reflexão. O pensamento da responsabilidade social e da sustentabilidade são uma base teórica que tem sido colocada na grade curricular e na administração das instituições e isso é, de certa forma, uma demanda que parte dos jovens”, defende Boechat. O vice-diretor administrativo da Escola de Administração de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp), Jacob Jacques Gelman, afirma que o debate sobre a administração socialmente responsável ainda está no início, mas já tem influência e atrai os interesses do setor privado. “As instituições de ponta já organizam cursos e procuram capacitar as pessoas a gerir seus negócios com responsabilidade social. O primeiro papel da universidade é reunir informações sobre o assunto e disseminar o que vem sendo feito”, explica. A opinião também é defendida por Ricardo Young, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos. “Responsabilidade social implica uma nova cultura de gestão. A preocupação de formar lideranças empresariais que tenham a administração socialmente responsável como sua visão primeira é fundamental para o aprofundamento do movimento pelo desenvolvimento sustentável”. Segundo ele, o crescimento da participação anual em prêmios como o Ethos-Valor atestam o aumento do interesse dos universitários. “No entanto, ainda são poucas instituições de ensino com expertise sobre o papel da responsabilidade social corporativa”, defende. Por esse motivo, o Instituto Ethos concebeu uma nova organização, o UniEthos, que irá produzir conteúdos didáticos e capacitar multiplicadores para atuar em empresas, universidades e consultorias para o ensino, pesquisa e produção de conhecimento nos temas da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável. “Nosso objetivo é levar o debate de forma mais sistematizada para as universidades e estimular as empresas, entidades e governos a promover a gestão socialmente responsável com mais qualidade”, defende Ricardo Young. “O papel das universidades nesse contexto é fundamental, uma vez que elas produzem cultura, profissionais e, principalmente cidadãos”. Na Conferência Nacional
2004, este assunto será um dos temas abordados no Painel Temático
2 “Últimas tendências mundiais na área acadêmica
em gestão socialmente responsável”, a ser realizado
no dia 30 de junho, das 17h30 às 19h30. |
| Fonte: Ethos |