:: 28.12.02 ::
A T L A S
Ceará é Estado que mais elevou o IDH

Do total de 5.507 municípios, apenas sete deixaram de melhorar seus índices de 1991 a 2000. Só 23 municípios que tinham baixos níveis de desenvolvimento humano mantiveram a posição

Todos os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal melhoraram o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 1991 a 2000 e o Ceará, que ocupava a 23ª colocação entre as 27 unidades da Federação, foi o Estado que mais elevou seu índice, passando para a 19ª posição.

É o que revela o novo Atlas do Desenvolvimento Humano, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado ontem, em Brasília. A publicação foi elaborada com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, e o anterior, de 1991. Roraima, Amazonas e Acre também melhoraram, mas não tanto quanto os outros e, portanto, foram os que mais caíram no ranking.

Dos 5.507 municípios brasileiros, apenas sete deixaram de melhorar seus índices. No geral, o País melhorou. Só 23 municípios que tinham baixos níveis de desenvolvimento mantiveram a posição. Outros 972 melhoraram, passando para o nível médio e 555 alcançaram a escala alta. Em 1991, havia 19 municípios brasileiros com IDH alto. São agora 574, segundo o novo atlas. Aqueles com baixo IDH são atualmente 23. Eram 995.

Para o diretor de Estudos Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes de Barros, o Brasil ''experimentou uma revolução educacional'' na última década. Entre os três indicadores analisados no IDH, a educação foi responsável por 60,78% dos avanços; a renda, por 25,78%, e a longevidade, por 13,44%.

No novo atlas, a cidade de São Paulo perdeu 51 posições no ranking, passando da 18ª colocação para a 61ª, embora seu IDH tenha aumentado de 0,804, em 1991, para 0,841 em 2000. O Rio caiu da 25ª para a 61ª posição, embora registre aumento de IDH, de 0,797 para 0,842.

''Isso mostra que os municípios com índices já elevados têm maior dificuldade de evoluir no IDH, enquanto os piores, através de ações às vezes simples e de boa vontade, acabam tendo um crescimento mais acentuado'' - explicou a assessora do Ipea e da Fundação João Pinheiro, Maria Luiza Marques.

O IDH é baseado no cálculo de três indicadores: educação, que inclui as taxas de alfabetização e de matrícula, renda (PIB per capita) e longevidade. O ranking de 1991 foi refeito, segundo a nova metodologia de cálculo de renda e o mapa atual, com 5.507 municípios. Eram 4.449 em 1991. O novo atlas estará disponível no site www.undp.org.br, a partir de janeiro.

Fonte: Jornal “O Povo”



:: 31.12.02 ::
IDH revela avanços nos municípios


Fortaleza, Maracanaú e Caucaia ficaram com os melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado. Entre os piores, estão Barroquinha, Granja e Croatá. Os números mostram o desafio do próximo governo, disse o diretor do Iplance, Alex Araújo

Daniella Cronemberger
da Redação

O relatório com o Índice de Desenvolvimento Humano 2000 (IDH) de todos os municípios do Ceará revela avanços, mas também a persistente desigualdade entre regiões. No topo da lista, a Capital Fortaleza não surpreende com o maior IDH do Estado, de 0,786. Mais a oeste do litoral, Barroquinha despenca ao último lugar, com 0,551.

O Governo do Estado fez sua análise ontem da pesquisa, realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e divulgada na última sexta-feira, em Brasília. ''Os números nos mostram que um dos maiores desafios do próximo governo será aumentar o acesso à renda e ao mercado de trabalho'', disse o diretor da Fundação Instituto de Pesquisa e Informação do Ceará (Iplance), Alex Araújo, futuro secretário do Desenvolvimento Local e Regional do Estado.

Ao lado dos secretários da Saúde, Anastácio Queiroz, e da Educação, Jaime Cavalcante, Alex Araújo festejou o resultado da pesquisa. O Ceará foi o Estado que mais elevou o IDH desde 1991, passando de 0,699 para 0,597. O bom desempenho fez com que o Estado saísse da 23ª para a 19ª colocação nacional.

A melhora dos indicadores deu ao Ceará o segundo melhor IDH do Nordeste, atrás do Rio Grande do Norte. Em 1991, o Estado ainda era ultrapassado por Bahia, Pernambuco e Sergipe. ''Esse resultado é o reconhecimento dos esforços do governo estadual na ampliação da cobertura e melhoria da qualidade dos serviços de saúde e educação'', afirmou Araújo.

Destrinchando os números do Estado, dois municípios da Região Metropolitana de Fortaleza figuram em segundo e terceiro lugar entre os mais bem colocados: Maracanaú e Caucaia, respectivamente. A lista dos 10 melhores é completada por Pacatuba, Crato, Limoeiro do Norte, Sobral, Russas, Taboleiro do Norte e Juazeiro do Norte.

Lançado em julho deste ano, o Anuário do Ceará - uma publicação do O POVO e Fundação Demócrito Rocha - revelou os 10 melhores municípios cearenses, incluindo seis nomes coincidentes com o IDH das Nações Unidas: Fortaleza, Maracanaú, Limoeiro do Norte, Crato, Juazeiro do Norte e Sobral. O IDH leva em conta três indicadores (educação, renda e longevidade), enquanto o Anuário baseou-se no estudo de uma série de dados sociais, econômicos e de infra-estrutura.

Já entre os piores do Estado, estão Granja, Croatá, Salitre e Saboreiro, além de Barroquinha. ''A intenção é desenvolver um esforço concentrado de projetos nesses locais'', disse Araújo. Mesmo entre os melhores, a diferença com outras regiões do País é ainda enorme. Fortaleza, o primeiro colocado no Ceará, foi o número 927 da lista de todos os municípios brasileiros.

Dentro do Estado, outras diferenças. Em Fortaleza, a esperança de vida ao nascer é de 69,6 anos. Em Barroquinha, espera-se viver dez anos a menos: 59,2. No município com pior IDH do Estado, a taxa de alfabetização de adultos é de 0,52 e a renda per capita, de R$ 60. Na Capital, a taxa de alfabetização bate os 0,88 e a renda, R$ 306. Dois mundos em um só Estado.

SAIBA MAIS

O IDH é uma medida criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e bastante utilizada para comparar o nível de desenvolvimento entre países. O índice é calculado com base em três indicadores: educação (taxas de alfabetização e de matrícula escolar), renda (PIB per capita) e longevidade (esperança de vida ao nascer). No Brasil, o trabalho é realizado conjunto entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e a Fundação João Pinheiro, de Minas Gerais, com o IDH de todos os municípios e estados brasileiros. O estudo foi batizado de Atlas de Desenvolvimento Humano.

Secretários destacam investimentos

Além da queda na mortalidade infantil, o secretário da Saúde, Anastácio Queiroz, apontou o investimento no Programa de Saúde da Família (PSF) como essencial para o desempenho do Ceará. O número de equipes do PSF passou de 84, em 1994, para 1.446. ''A pesquisa nos deixa a certeza de que estamos no caminho certo'', disse Anastácio Queiroz.

Na área da educação, foram citadas a capacitação de professores e o maior acesso à escola. Hoje, 98% das cearenses entre 7 e 14 anos de idade estão matriculados na escola. ''Preparamos o terreno para o grande desafio de Lúcio Alcântara, que é a escola de qualidade'', afirmou o secretário da Educação. Jaime Cavalcante.

Apesar dos avanços, o diretor do Iplance lembrou que o Nordeste ainda possui problemas estruturais graves. ''Em 2000, nenhum estado do Nordeste alcançou o IDH médiodo Brasil de 1991'', disse Alex Araújo. ''Temos pelo menos uma década de atraso em relação ao Brasil''.

Em entrevista ao O POVO, publicada ontem, o ex-governador Tasso Jereissati (PSDB) afirmou que a evolução do IDH cearense foi a melhor notícia de sua carreira política. Tasso disse ainda que, nos próximos 10 anos, o Ceará poderá chegar a índice semelhante a São Paulo - segundo colocado no ranking nacional. Os dados do Pnud, no entanto, mostram que se os investimentos forem mantidos, o Ceará vai precisar de 17 anos para chegar apenas à média do Brasil, que é de 0,769. (DC)

Fonte: Jornal “O Povo”

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