O ser humano em busca da maturidade social


‘Plantando o futuro’, ‘Cidadãos do amanhã’, ‘Despertando a ação sustentável’, ‘Aprender mais para ensinar melhor’, ‘Saúde e cidadania’ e dezenas de outros refrões simbolizaram o fortalecimento de um crescente movimento em torno da responsabilidade social durante a V Conferência Nacional realizada em São Paulo, no período de 10 a 13 de Junho.


Mais do que títulos de Programas e Projetos desenvolvidos pelas empresas participantes, estas frases têm um impacto incalculável na vida das pessoas que se envolvem com trabalhos voltados para o desenvolvimento humano. E por falar em programas e projetos algo ficou muito evidente nos debates: ELES NÃO DEVEM SER UM FIM EM SI MESMOS E SIM, MEIOS PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL.


Finalmente, estão percebendo que o ser humano é o grande agente de tudo: da paz ou da guerra; que empresa, Estado, organização, são conceitos abstratos, é o homem o criador das coisas, responsável por exemplo, pelos diversos modelos de instituições: as que oprimem e abafam a criatividade, e as que vêem o homem como criador e não como criatura.


Quanto a ÉTICA, palavra fácil nas reuniões de hoje, “é um processo interno do sujeito, uma visão de mundo, uma forma de conduzir a vida, a organização e, não simplesmente, um conjunto de ações”, afirmava Victor Pinedo, diretor-presidente da Corporate Transitions International . Segundo ele, o comportamento ético é resultado da maturidade individual e coletiva. Maturidade com relação ao respeito ao outro, ao diferente, independente de classe social, raça, cor ou religião. Ele finalizou sua palestra resumindo: “ou as organizações iniciam um novo processo, baseado no estímulo a criatividade e no fortalecimento dos potenciais das pessoas, ou continuaremos produzindo guerras”.


Oded Grajew, assessor especial do presidente Lula e um dos responsáveis pelo movimento da responsabilidade social nas empresas, abriu o evento com um grande questionamento considerado um dos grandes desafios desse movimento: “Estamos conseguindo alcançar a transformação social? Está havendo mudanças nas estatísticas sociais?”


Estas perguntas devem estar nas agendas de todos que atuam na área social. E as respostas devem ser buscadas nos nossos sonhos; pois é a partir deles que admitimos a possibilidade de vivermos em um mundo sem violência, sem fome e sem desigualdades.


Ressalto uma linda observação feita por alguém muito especial quando discutíamos o papel social da nossa organização: “o foco de qualquer ação de vocês deve estar voltado para a FELICIDADE das pessoas.” Utopia? Segundo ele, um sonho a ser perseguido!


Porém, como também precisamos mesclar, dialeticamente, a visão de futuro com os dados da realidade, retomo alguns indicadores apresentados pela socióloga e pesquisadora da USP, Drª Rosa Maria Fischer, a partir de uma pesquisa a ser lançada em breve, com mais de 2000 (duas mil) empresas nacionais com atuação social:



Certamente, muito se erra tentando acertar, mas decididamente, precisamos aproveitar o excelente momento político vivido em nosso País, pegar o bonde da cidadania e continuar a busca coletiva da participação social e garantia dos direitos humanos.



Cybelle Borges

Socióloga e Assessora Técnica do Grupo de Ação de Responsabilidade Social da FIEC


11 de Junho de 2003