:: 05.03 :: |
O Porque da Responsabilidade Social Empresarial - RSE |
André Moura Xavier
As práticas sociais já são desenvolvidas há muitos anos tanto por pessoas físicas quanto por empresas. Em uma análise antropológica, tudo começa com o surgimento da propriedade privada, que logo em seguida traz as práticas de acumulação de riquezas e a divisão da sociedade em duas classes: os que possuíam capital e os que possuíam a força de trabalho. As cidades foram se desenvolvendo, criando um ambiente de concorrência e ameaça do patrimônio da minoria abastada. Nos últimos anos, espelhados no “sucesso” dos Estados Unidos, muitos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento adotaram o modelo neoliberal. Tal modelo, defendido/imposto pelos organismos de financiamento internacionais como o FMI, serviu para acentuar o dilaceramento das relações sociais e criar uma sociedade que norteia suas ações pelas relações de mercado, não se preocupando com suas conseqüências. Como resultado deste modelo de “sucesso”, os países do primeiro mundo sentem o esgotamento de suas reservas naturais e o declínio da qualidade de vida das pessoas. É neste ambiente que a RSE ganha espaço e também muita responsabilidade, pois é encarregada da difícil tarefa de reparar e prevenir. É certo que ela tem importância e um gigantesco poder de transformação. No entanto, dentro da cadeia das relações humanas/empresariais, a RSE está em uma área intermediária. A grande mudança, a grande transformação acontecerá quando for feita a “intervenção” no homem nas suas formas de relacionamento com a natureza, com os homens. E esta transformação só ocorrerá através da educação. Não se pretende afirmar, porém, que as ações de RSE são inválidas; ao contrário, muitos frutos podem ser colhidos e as transformações ocorrem em todas as partes do planeta. Além disso, a RSE também traz consigo uma função educativa. Percebe-se que a solidariedade ganha espaço em um mundo regido pelas relações mercantis. A própria tecnologia tem permitido a integração de organismos (como as ONGs), multiplicando suas práticas de sucesso. Os trabalhadores comuns, detentores de parcos recursos, contribuem com dinheiro e doam parte de seu tempo para causas sociais e o Brasil é um dos primeiros colocados e mais bem articulados em atividades voluntárias. As próprias empresas desenvolvem ações concretas e vencedoras. Um grupo de panificadores, apoiados pelo sindicato da Panificação (SINDPAN) em conjunto com o Grupo de Ação de Responsabilidade Social (GARS) da Federação das Indústrias do Estado Ceará (FIEC) participam do projeto “Pão, Educação e Arte” o qual leva à crianças carentes aulas de esportes e de música. Desprezar estas ações seria no mínimo irresponsável! O que se propõe é uma ação integrada em duas frentes: a RSE imediata e a (re)educação do homem. E para tal o único caminho é a educação. A RSE será uma conseqüência natural, uma vez que o homem (re)educado construirá suas relações através de valores éticos e de respeito ao próximo. André Moura Xavier, professor universitário,
especialista em marketing, mestrando em Administração
pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - pesquisador da responsabilidade
social empresarial e seus temas correlatos. |