:: 08.10.03 ::
Iniciativa privada e desenvolvimento tecnológico

Jorge Parente Frota Jr.
Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará - FIEC.
Membro do Conselho Nacional de C&T - CCTe do Conselho Superior da
Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES

Embora ainda sejam muitos os desafios a serem vencidos para o Brasil se colocar de maneira afirmativa no cenário global da C&T, há um rumo a ser seguido, a partir da criação dos 14 Fundos Setoriais de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Em 1999, o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT foi de R$ 1,1 bilhão, sendo o de 2003 da ordem de R$ 2,8 bilhões. Atualmente, o Brasil investe cerca de 1,2% do seu PIB em P&D, sendo 80% provenientes de recursos públicos. A meta do presidente Lula é chegar a 2% do PIB até 2012 e elevar a participação do setor privado nos investimentos em P&D dos atuais 20 para 50%.

Coloca-se, pois, um desafio para a iniciativa privada brasileira, como parte da comunidade de C&T&I, e, em especial, para o Estado do Ceará, no sentido de tornar efetiva a interação do setor produtivo e do meio acadêmico. É preciso que todos tenhamos consciência de que nenhum país alcançou índices satisfatórios de desenvolvimento sem o investimento devido em C&T e essa consciência é construída a partir do esforço conjunto.

As empresas precisam passar a investir, progressiva e sistematicamente, em P&D, pois o conhecimento, a eficiência e a rapidez, no processo de inovação, são elementos decisivos para a competitividade das mesmas. É preciso inovar. O caminho da inovação amplia significativamente as oportunidades de ganhos econômicos e sociais. Os governos estaduais também necessitam dar sua parcela de contribuição, através das suas fundações de amparo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, aumentando, inclusive, o número de bolsas destinadas à realização de pesquisas cooperativas entre indústria-universidade, além da elevação de cotas de bolsas para projetos voltados à redução das desigualdades regionais e à potencialização das vocações do Estado. Também as universidades privadas, concentrando, hoje, 70% do alunato brasileiro, devem investir com recursos próprios, em áreas de conhecimento específico.

O Nordeste precisa avançar na defesa de seus interesses junto à Capes e ao CNPq, no sentido de aumentar sua participação na destinação de bolsas daquelas instituições, visivelmente concentrada no Sudeste do País. A Lei de Inovação abrirá novas portas para parcerias entre instituições públicas de pesquisa e empresas e facilitará a mobilização de pesquisadores em direção à indústria e desta para as universidades e instituições de pesquisa. Esse intercâmbio levará, efetivamente, à inovação. Se empresários e poder público não se unirem nessa aliança estratégica, se a iniciativa privada não entender a importância de seu investimento, dificilmente ultrapassaremos a condição de importadores e dependentes de tecnologia, ou seja, periféricos.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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