Jorge Parente Frota Jr.
Presidente da Federação das Indústrias do
Estado do Ceará - FIEC.
Membro do Conselho Nacional de C&T - CCTe do Conselho Superior
da
Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior - CAPES |
Embora ainda sejam muitos os desafios
a serem vencidos para o Brasil se colocar de maneira afirmativa
no cenário global da C&T, há um rumo a ser seguido,
a partir da criação dos 14 Fundos Setoriais de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico. Em 1999, o orçamento
do Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT foi de
R$ 1,1 bilhão, sendo o de 2003 da ordem de R$ 2,8 bilhões.
Atualmente, o Brasil investe cerca de 1,2% do seu PIB em P&D,
sendo 80% provenientes de recursos públicos. A meta do
presidente Lula é chegar a 2% do PIB até 2012 e
elevar a participação do setor privado nos investimentos
em P&D dos atuais 20 para 50%.
Coloca-se, pois, um desafio para a iniciativa privada
brasileira, como parte da comunidade de C&T&I, e, em especial,
para o Estado do Ceará, no sentido de tornar efetiva a
interação do setor produtivo e do meio acadêmico.
É preciso que todos tenhamos consciência de que nenhum
país alcançou índices satisfatórios
de desenvolvimento sem o investimento devido em C&T e essa
consciência é construída a partir do esforço
conjunto.
As empresas precisam passar a investir, progressiva
e sistematicamente, em P&D, pois o conhecimento, a eficiência
e a rapidez, no processo de inovação, são
elementos decisivos para a competitividade das mesmas. É
preciso inovar. O caminho da inovação amplia significativamente
as oportunidades de ganhos econômicos e sociais. Os governos
estaduais também necessitam dar sua parcela de contribuição,
através das suas fundações de amparo à
pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, aumentando,
inclusive, o número de bolsas destinadas à realização
de pesquisas cooperativas entre indústria-universidade,
além da elevação de cotas de bolsas para
projetos voltados à redução das desigualdades
regionais e à potencialização das vocações
do Estado. Também as universidades privadas, concentrando,
hoje, 70% do alunato brasileiro, devem investir com recursos próprios,
em áreas de conhecimento específico. |
| O Nordeste precisa avançar
na defesa de seus interesses junto à Capes e ao CNPq, no
sentido de aumentar sua participação na destinação
de bolsas daquelas instituições, visivelmente concentrada
no Sudeste do País. A Lei de Inovação abrirá
novas portas para parcerias entre instituições públicas
de pesquisa e empresas e facilitará a mobilização
de pesquisadores em direção à indústria
e desta para as universidades e instituições de pesquisa.
Esse intercâmbio levará, efetivamente, à inovação.
Se empresários e poder público não se unirem
nessa aliança estratégica, se a iniciativa privada
não entender a importância de seu investimento, dificilmente
ultrapassaremos a condição de importadores e dependentes
de tecnologia, ou seja, periféricos. |