:: 20.07.03 :: |
| Biodiesel na Uece |
O Brasil perdeu a dianteira do biodiesel na década de 80, e só a partir de 2002 retomou seu programa, apesar de a primeira patente depositada pertencer ao professor Expedito Parente, cabeça-chata José Neiva Santos Júnior Pouca gente sabe o que é o biodiesel. Pois agora graças à Universidade Estadual do Ceará (Uece), que perguntou sobre esse biocombustível em sua questão nº 60 do vestibular 2003.2, na prova de Química, a maioria dos jovens deste Estado passou a conhecê-lo. Felizes foram os membros da comissão do vestibular por terem escolhido tão importante tema, cuja invenção se deve a um cearense e cujo processo de obtenção hoje é dominado publicamente. Sua produção está disseminada nos principais países europeus e nos EUA. Trata-se de um combustível renovável, substituto do diesel do petróleo e que traz enormes vantagens na sua utilização. Não contém enxofre, reduz os índices de fumaça negra nas emissões, é obtido de óleos vegetais, como da mamona, do babaçu, da soja e até de gorduras animais. E a grande vantagem é que não há necessidade de qualquer modificação nos motores diesel para usar o biodiesel. No exterior é usado como aditivo ao diesel do petróleo, em proporções que variam de 5% a 30%, como na França, EUA, Argentina e Austrália. A Alemanha é o único país que oferece em bombas públicas o biodiesel puro 100%, cuja cadeia produtiva é incentivada e desonerada de impostos. O Brasil perdeu a dianteira na década de 80, e só a partir de 2002 retomou seu programa, demonstrando incompetência e falta de memória tecnológica, já que a primeira patente depositada mundialmente pertenceu ao professor Expedito Parente, cabeça-chata. É enorme o impacto social, ambiental e econômico que o programa do biodiesel deverá trazer ao Ceará e ao Nordeste do Brasil. Em nosso Estado quem está à frente do projeto é a Tecbio-Tecnologias Bioenergéticas Ltda e a Fundação Núcleo de Tecnologia do Ceará-Parque Tecnológico (Nutec/Par-Tec), cuja unidade piloto de produção de biodiesel deverá estar operando em agosto próximo. Também foi montada uma outra unidade na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, em parceria com aquela universidade e com a Companhia Energética do Piauí (Cepisa). A extensão que o programa do biodiesel pode levar ao Nordeste é compatível com o programa Fome Zero do presidente Lula, possuindo enormes vantagens em relação a esse programa. Gera ocupação, renda, eliminando a necessidade de doações, podendo incrementar uma renda complementar a uma família nordestina de até R$ 700,00, anualmente, desde que seja adotada a cultura de mamona consorciada com o feijão, como preconiza o Programa do Agronegócio da Mamona do Ceará, coordenado pela Secretaria de Agricultura e a Plataforma da Mamona, liderada pelo Ministério da Agricultura. O biodiesel e a mamona fazem o contraponto das agriculturas mecanizadas, com enfoque na agricultura familiar, mostrando que há soluções ainda viáveis para o sequeiro nordestino. Há condições de se gerar ocupação para cerca de dois milhões de famílias, plantando quatro milhões de hectares de mamona e produzindo dois bilhões de litros de biodiesel por ano, reduzindo os índices de pobreza no semi-árido nordestino. Pois não só felizes foram os gestores da Uece, como também visionários e no mínimo bem informados na tecnologia mundial, ao formular essa pergunta tão insólita e importante para a vida de todo o planeta. Curiosamente, duas pessoas de minha relação próxima erraram a questão: minha filha de 17 anos e minha secretária que lida com biodiesel toda hora. José Neiva Santos Júnior é diretor da Tecbio-Tecnologias Bioenergéticas Ltda |
| Source: Jornal O Povo |