:: 15.05.03 ::

CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Ceará pode ter pólo de microeletrônica


O Ceará pode ganhar um pólo de desenvolvimento de microeletrônica e hardware. A idéia foi apresentada ontem pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, ao governador Lúcio Alcântara. Após a audiência no Palácio Iracema, o Ministro proferiu palestra, no auditório da Fiec, sobre política do setor no país

O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, anunciou ontem, em Fortaleza, a idéia de construir no Ceará um pólo de desenvolvimento de microeletrônica e hardware. A informação foi dada durante visita ao governador Lúcio Alcântara, no Palácio Iracema. A proposta ainda deverá ser analisada pelo próprio governador e pelo secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Hélio Barros. O ministro, que é cearense, disse que ainda não tem nada definido e que a implantação do pólo dependerá de projetos. Mas ressaltou que os recursos para a sua instalação podem ser incluídos no Plano Plurianual (metas de investimento para os próximos quatro anos) do Governo Federal.

Amaral participou, no final da manhã, da conferência ''Política de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do País, realizada no auditório da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec). ''A elite brasileira conseguiu na área do ensino a sofisticação da perversidade'', acusou o Ministro. Ele criticou as políticas dos governos anteriores para o setor educacional. Disse que as três últimas administrações sucatearam as universidades e acabaram com os recursos laboratoriais.

Roberto Amaral falou durante cerca de 40 minutos na Fiec. Ele defendeu a descentralização dos recursos para a pesquisa e tecnologia e maior investimento do setor empresarial na área. O ministro alertou que se não houver investimento em tecnologia, o setor produtivo brasileiro estará aceitando o papel subalterno no mercado internacional e futuramente as empresas brasileiras vão perder competitividade no mercado interno.

Os investimentos estão centralizados na região Sudeste, segundo o ministro. Amaral aponta que dos 22 institutos de tecnologia do Brasil, 16 estão no Rio de Janeiro e São Paulo. Só o Estado de Minas Gerais tem 13 universidades federais, contra apenas uma do Ceará. ''Nosso projeto é a universalização da ciência e tecnologia, no sentido de torná-la acessível a todo o brasileiro''.

Proposta semelhante tem a presidente da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), Wrana Pannizi. Na abertura do encontro na Fiec, a professora gaúcha disse que o combate às desigualdades sociais passa pela política de ciência e tecnologia e defendeu a universalização do conhecimento.

Durante a conferência, o ministro informou que algumas de suas propostas estão sofrendo resistências. ''O Brasil é pornograficamente o melhor exemplo de concentração. Há concentração de renda, de desenvolvimento e política. E alguns querem continuar nessa situação. Para eles, mudança é não mudar'', observou.

Após a conferência, Roberto Amaral almoçou com empresários e, à tarde reuniu-se com os reitores das universidades federais do Nordeste. Durante o encontro, na reitoria da UFC, os reitores voltaram a citar a concentração de investimentos na região Sudeste, apontando algumas soluções para o problema, como o uso de fundos de infra-estrutura, a retomada da Rede Nacional de Pesquisa, apoio ao Projeto Nordeste desenvolvido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), reforçar a criação de Fundações de Apoio à Pesquisa (FAPs) em cada Estado, entre outras.

''Entendemos que a superação das desigualdades deve ser através de um projeto nacional e não algo de conotação regionalista e corporativista. A nação, para existir, precisa superar essas desigualdades'', afirma o reitor da UFC, Roberto Cláudio Frota Bezerra. Segundo ele, ficou acertado para o próximo dia 20 uma reunião do diretório nacional da Associação de Docentes de Ensino Superior (Andes), quando deverão ser apresentadas sugestões nacionais para esse problema.

Fonte: Jornal O Povo

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