:: 30.01.03 ::
Consolidar, avançar e melhorar


Francisco José de lima Matos é economista. ex-secretário da Fazenda e atual diretor de Ciência e Tecnologia da FIEC.

A ciência e tecnologia no Brasil tiveram significativos avanços no Governo FHC, o qual reconheceu I que dentro da nova ordem mundial de crescimento econômico o carro chefe é a área do conhecimento e da inovação tecnológica, deixando importantes legados para a atual gestão, onde podemos destacar: criação dos fundos setoriais com R$ 1 bilhão anual de recursos para pesquisas, com ênfase para o Nordeste, com até 30% deste valor, a remessa ao Congresso de projeto de Lei da inovação, o qual, se aprovado, neste governo vai revolucionar o sistema de pesquisa e geração de conhecimentos.

O que devemos, então, esperar do Governo Lula para prosseguir este caminho? O primeiro passo é o fortalecimento dos fundos setoriais, e a reestruturação de nossas Universidades estimulando a formação de novos doutores.

Contudo, o grande gargalo do Brasil é a falta de foco por ausência de um planejamento estratégico, de forma macro, definindo-se horizonte e metas para a Indústria, Agricultura e serviços, por região. A partir daí poderíamos direcionar a criação e/ou fortalecimento de pesquisas regionais de acordo com as relações econômicas entre Estados.

Em nível de Nordeste deveríamos ter a Sudene como catalisadora deste processo, planejando e induzindo o crescimento da região a partir de suas vocações naturais e áreas de concentração do conhecimento. Para fortalecer este modelo de ciência e tecnologia no País é primordial, também, o fortalecimento do fórum de Secretários de Planejamento e de Ciência e Tecnologia dos Estados, com subdivisões por região de forma a que o Brasil, que tem dimensões continentais, possa estar sempre ajustando o foco regionalmente, coadjuvado por um ousado plano de geração de conhecimento produzidos, de preferência, com concentração nas instituições de pesquisas regionais, produzindo-se forte crescimento na formação de doutores nas regiões mais carentes.

Dentro deste cenário, o Ceará já participa com uma razoável estrutura, sendo seu grande desafio a vinculação concomitante entre o seu crescimento e a produção de conhecimento respectivo, já que importantes empreendimentos, industriais e agrícolas não têm interagido com nossas Universidades e meios científicos.

“O grande gargalo do Brasil é a falta de foco por ausência de um planejamento estratégico, de forma macro, definindo-se horizontes e metas para indústria”

O governador Lúcio Alcântara, neste sentido, deu uma de mestre ao trazer Hélio Barros para gerenciar a Secretaria de Ciência e Tecnologia, por ser ele um profundo conhecedor da área, além de possuir intimidade com as instituições em Brasília, devendo contribuir para melhorar nossa performance e para a consecução de maiores captações de recursos, principalmente dos fundos setoriais.

Finalmente será fundamental que o Ceará dê segmento à definição anual de áreas de interesse de pesquisas, continuando o lançamento de editais para as 10 áreas prioritárias, a exemplo do que foi feito nos últimos 2 anos, através da Funcap. Assim é que conseguirá definir os caminhos que o Estado quer trilhar.

Fonte: O Povo

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