:: 10.04.2011 ::

Inovar ou inovar

Augusto Guimarães
Coordenador de Inovação da Funcap

A sociedade do conhecimento altera significativamente as bases econômicas. O capital e a mão de obra cedem espaço a um novo atributo, o conhecimento. Neste novo contexto, o sistema educacional assume papel fundamental.
 
A inovação é um fenômeno ubíquo na economia moderna. Para alguns, representa oportunidade, para outros, ameaça; alguns veem-na como uma aventura atraente, outros como uma tábua de salvação. Qualquer que seja o ponto de vista, não se pode ignorar o seu impacto, nem os dilemas morais, sociais e econômicos que nos coloca. Pode-se maldizê-la ou bendizê-la, mas não se pode ignorá-la".
 
Inovar exige, também, a capacidade de prever as necessidades e antecipar o futuro. Esta capacidade de antevisão em relação ao ambiente de incerteza e à globalização da economia foi aflorada, com um toque de intuição, por Marx e Engel em 1848. Portanto, a inovação não é algo recente. Um desafio-chave no ambiente dos dias atuais, e igualmente antevisto por Marx e Engels, é o de que o campo em que se joga, a inovação está agora muito mais alargado e não confinado a um ou outro país. O mundo atual divide-se em três grandes blocos, onde existem países que se empenham, sobretudo, na produção de ideias, alguns contentam-se em produzir bens materiais e outros são obrigados a ceder seus recursos materiais em troca da sobrevivência.
 
O Ceará precisa estar entre os primeiros! Mas não se pode deixar enganar pelas armadilhas de percurso nas quais perde-se de vista o objetivo primordial da inovação que é gerar competitividade duradoura, estratégica e sustentável. A inovação é mais filha do trabalho do que do lampejo do gênio.
 
Como em qualquer outra atividade humana na inovação deve existir talento, engenho e conhecimento operando diligente e sistematicamente. É preciso reconhecer, sobretudo, que a inovação precisa ser entendida como ação estratégica implementada em favor dos mais nobres desafios humanos: a superação das desigualdades e da pobreza, saúde, educação e meio ambiente.
 
O Brasil avançou muito na criação de um aparato institucional para estimular a inovação empresarial. O estado do Ceará tem participado ativamente destas ações e tornou-se, nos últimos anos, player importante. As Leis de Inovação, federal e estadual, Lei do Bem, Subvenção Econômica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Fundo de Inovação Tecnológica do sistema da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) são mecanismos importantes que precisam ser ampliados. Contudo, as barreiras educacionais precisam ser superadas.
 
A colocação do Brasil no IDH é a 73ª entre 169 países. A população brasileira adulta registra 7,2 anos de estudo, enquanto a do Chile tem 9,7 e a do Peru 9,6. A intensidade do P&D (pesquisa e desenvolvimento) de 1,1% no Brasil em 2008 ainda é muito baixa em comparação com a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), embora superior a da Índia, África do Sul e Rússia.
 
A participação do Brasil nas publicações mundiais de artigos científicos (1,6% em 2008) supera a de vários países desenvolvidos, como Suécia. Porém, está muito aquém da China. Portanto, a decisão de investir em educação é o desafio base.
    
Fonte: opovo.com.br

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