:: 10.04.2011 ::

O novo sempre vem

Tarcisio Pequeno
Professor de Lógica e Inteligência Artificial e presidente da Funcap

"Não há nada mais difícil de realizar, mais arriscado e de sucesso mais duvidoso do que a mudança", advertia Maquiavel, em O Príncipe. Tinha razão, mudanças são complicadas. Todavia, mudar é preciso, nem que seja, segundo dito conservador, "para que tudo permaneça como está". O tempo atual é, por excelência, o tempo do movimento e do novo. Com risco ou sem risco, o tempo é, como decretou Schumpeter, para quem empreender e inovar são sinônimos, tempo da inovação. E, pelo menos no mundo corporativo, é melhor ser protagonista da inovação do que vê-la ocorrer por obra do concorrente.
 
A questão que aqui nos importa, e à qual dedicamos o resto desta reflexão, é como criar uma cultura e, mais que isso, uma efetiva prática de inovação no Brasil e, mais especificamente, no Estado do Ceará. A inovação pode ocorrer de muitas e variadas formas mas, no ponto da história em que vivemos, a
 
sua realização de forma sistemática se dá em estreita associação com a ciência e é uma consequência direta desta. Assim, mui simplesmente, para que haja inovação há de haver ciência.
 
Temos ciência. Esta entre nós já atinge patamares, senão excelentes, razoáveis. O Brasil é o 13º país em produção científica e o 4º cuja ciência mais cresce no mundo. No Ceará, nossa ciência cresceu na última década muito mais acentuadamente do que a do Brasil. Hoje produzimos aqui um pouco menos que 3% da ciência nacional.
 
Não é muito e temos por desafio, a comunidade científica do Estado e as políticas estatais de ciência e tecnologia, manter alta a taxa de crescimento para atingirmos um índice de ciência per capita na média do País, o que equivale a produzir 4,3% da ciência nacional. Trata-se de meta ao mesmo tempo ambiciosa e alcançável, e a perseguiremos com determinação.
 
Isto dito, duas observações se impõem: 1) Não temos que esperar atingirmos esses índice nacionais para empreendermos a tarefa de promover a inovação entre nós. A competência científica de que já dispomos, que atinge inclusive níveis de excelência em algumas poucas áreas e de razoável qualidade em muitas outras, nos dá a base necessária para a inovação tecnológica; 2) A ciência, todavia, não é por si só elemento suficiente. Há que empreender a partir dela a complexa alquimia que permite transformar conhecimento em riqueza e desenvolvimento social; saber em felicidade. É a essa operação a que se dá o nome de inovação. É esse o verdadeiro desafio de uma política de ciência e tecnologia para o Estado. É o desafio que abraçamos.
 
Assim, entra em cena um terceiro ator, a aliar-se à comunidade científica e ao Estado para que a inovação e seus benefícios se realizem entre nós: o empresário, o investidor, o empreendedor. Muitas etapas já foram superadas na tarefa de unir estes três atores na mesma cena, mas ainda há outras a superar.
 
Existem vários casos de sucesso na associação entre pesquisadores e empresários estimulada por políticas públicas bem concebidas e aplicadas. Entretanto, esses exemplos ainda não permeiam uma grande parcela da comunidade científica ou do empresariado, são restritos a uma espécie de vanguarda em ambos os setores.
 
Ampliar e difundir estas ações, fazer da bem sucedida exceção a regra, do excepcional o costumeiro, eis o significado de implantarmos a inovação na cultura científica e empresarial de nossa sociedade.
    
Fonte: opovo.com.br

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