Estrada Beneficia Escoamento da Produção do Melão
01/10/2002
- DIÁRIO DO NORDESTE
O título
do Ceará de segundo maior produtor de melão no Brasil tem
tudo para se expandir a partir de outubro, com a inauguração
da Estrada do Melão, no Baixo Jaguaribe, o que deve acontecer em
20 dias. O trecho de 41,8 quilômetros que liga a área de
produção entre Quixeré e Rio Grande do Norte, o maior
produtor brasileiro, é responsável pelo tráfego de
80% da mercadoria local.
A estrada já existia, mas era de piçarra, o que provocava
trepidações que prejudicavam o fruto no transporte. Durante
o percurso, a poeira sujava o melão e os tremores causados por
pedras e cascalhos faziam as sementes se desligarem da polpa.
Com a via asfaltada, os carros que transportam mercadoria vão chegar
mais rápido aos portos e às CEs e BRs, no caso das frutas
destinadas a estados do Nordeste e Sudeste.
De acordo com o titular da Secretaria da Agricultura Irrigada do Estado
(Seagri), Carlos Matos Lima, foram investidos R$ 4 milhões na obras.
"É a avenida do desenvolvimento no semi-árido",
conceitua o secretário. Segundo ele, o trecho desvia das maiores
cidades entre Quixeré e Baraúna, no Rio Grande Norte, para
evitar impactos ambientais e sociais nas comunidades.
Isso porque o maior fluxo é de veículos de grande porte,
como os caminhões transportadores e os ônibus que conduzem
os 5.532 trabalhadores diretos e 11.065 indiretos, no Agropolo Baixo Jaguaribe.
Conforme adianta o engenheiro responsável pela obra, Jean Gadelha,
em 20 dias deve ser colocado o asfalto que resta nos oito quilômetros
finais. Feito isso, ficam faltando a sinalização vertical
e horizontal e acostamentos.
"A verba foi liberada em novembro do ano passado, mas houve muita
chuva até maio. Por isso só intensificamos as obras a partir
de junho", observa o gerente do Distrito Operacional de Limoeiro
do Norte do Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes
(Dert), Francisco Batista. Ele acrescenta que a estrada é a única,
no perímetro entre Mossoró e Quixeré, que liga o
município potiguar ao Ceará pela BR-116.
A expectativa agora é pela construção de outra estrada
que ligará Ceará e Rio Grande do Norte saindo de Russas.
Segundo Francisco Batista, diferente da Estrada do Melão, que é
mais destinada aos produtores locais, a de Russas passará por fora
das plantações, pelo Rio Jaguaribe. "As duas estradas
vão se encontrar no Rio Grande do Norte". Como informa Batista,
o processo já foi licitado e as obras devem iniciar nos três
primeiros meses de 2003.
SAIBA MAIS
O melão cearense
• O Agropólo Baixo Jaguaribe gera 5.532 empregos diretos
e 11.065 indiretos;
• Os maiores produtores estão em Acaraú, Icapuí,
Itaiçaba, Jaguaruana e Quixeré;
• No ano passado, o Estado exportou 28 mil toneladas do fruto, com
valor superior a US$ 12 milhões, mas a idéia é atingir
os US$ 30 milhões anuais;
• A temperatura média cearense de 27 graus centígrados,
a baixa umidade relativa do ar, alta luminosidade e o solo arejado, solto
e de baixa acidez favorecem o plantio;
• A área plantada é de 4.000 hectares, sendo 85% de
melão amarelo, mas a área prevista para produção
é de 7.200 hectares;
• A produtividade de melão amarelo é de 30 toneladas;
do cantaloupe, 35; e, do 'orange flesh', 25 toneladas por safra;
• Normalmente são obtidas duas safras por ano, mas o número
pode chegar a três, sendo que o melhor período é de
setembro a fevereiro;
• O custo médio do melão mais comum no Ceará,
o amarelo, é de US$ 2.500 por safra e hectare.
Fonte:Seagri
ESPAÇO
Agropólo do Baixo Jaguaribe abrange 15 municípios
Pelo menos 80% dos trabalhadores do Agropólo Baixo Jaguaribe nem
fazem idéia de que o espaço que abrange 15 municípios
possui 63 mil quilômetros quadrados de área irrigável.
É que muitos dos empregados na produção de melão,
melancia, mamão, abacaxi, banana, uva e manga são analfabetos
e só trabalharam informalmente.
É o caso dos irmãos Raimundo Nonato e Cícero Brito
Lima. O primeiro chegou a morar em São Paulo, como carpinteiro,
mas voltou para o Ceará por conta da falta de oportunidade. "Lá
é difícil pra quem não tem estudo. E por aqui a gente
fica perto da família e tem a esperança de melhorar de vida",
admite.
Diante dessa realidade, Nonato incentivou o irmão a também
trabalhar no cultivo de melão para exportar. Os dois são
embaladores. "É melhor e gente tá empregado todo dia
do que trabalhar no dia que aparece alguma coisa", explica Cícero,
que está há menos de uma semana na função.
Com a Estrada do Melão, eles esperam que o trabalho seja facilitado,
já que o percurso entre a empresa e Quixeré, onde moram,
fica mais rápido. "Quando chovia era um sofrimento, muito
buraco, lama, uma hora pra chegar em casa", diz Nonato.
QUIXERÉ
Tecnologia de Israel
O município de Quixeré abriga a maior empresa produtora
de melão no Estado, que usa tecnologia de Israel na produção.
Entre os 2.620 hectares plantados no Município, a maior parte da
última safra foi destinada ao mercado externo: 31.440 toneladas
contra 27.248 toneladas que ficaram no País.
Só a Del Monte congrega cerca de 1.800 dos 5.532 trabalhadores
diretos no cultivo de melão no Baixo Jaguaribe, em 1.800 hectares.
Entre as pedras soterradas no típico solo semi-árido, concentram-se
as fileiras de terra a serem plantadas ou já produzindo.
Além dos melões, a empresa começa a produzir melancia.
As variedades do fruto vão desde a rajada, comum no Ceará,
à de casca branca e até mesmo preta. Todas com ou sem semente.
Para isso, a unidade usa tecnologia importada. Antes da plantação,
as áreas de cultivo são cobertas por plásticos, protegidas
por mantas e irrigadas de forma subterrânea.
"Da preparação do solo à embalagem do fruto,
nossa intenção é fazer o melão sofrer o menor
impacto possível", explica o gerente de produção
da empresa, David Levy.
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