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Apontadas opções para reduzir pobreza no Ceará
Diminuir
os índices de pobreza e de concentração de renda
no Interior passa pela criação de novos agropólos,
que começam a adotar um novo modelo de gestão e de ação,
para que ampliem seu impacto na economia local e diminuam a dependência
no setor agrícola
Laurisa
Nutting da Redação
Como resolver o problema de 40% da população economicamente
ativa que vive da agricultura e responde por apenas 6% do Produto Interno
Bruto (PIB) cearense? Esta foi a indagação feita pela secretária
do Planejamento e Coordenação (Seplan), Mônica Clark,
durante reunião do Pacto de Cooperação da Agropecuária
Cearense, na última terça-feira, dia 22. Ela admitiu que
''ainda há muito a ser feito para enfrentar o desafio, que é
muito grande, da concentração de renda e dos índices
de pobreza'', na zona rural do Estado.
Para a secretária,
um dos fatores que agravam este quadro é que o Interior apresentou
o menor índice de distribuição da população
no espaço territorial do Estado. No período de 1980 a 2000,
a ocupação da Região Metropolitana de Fortaleza teve
uma variação anual de 3,23%, enquanto no Sertão Central
e Inhamuns atingiram apenas 0,34% e 0,45%, respectivamente. O Litoral
Leste e a área compreendida como Sobral/Ibiapaba tiveram ocupação
maior, depois da Capital, com 1,40% e 1,26%.
Mônica
Clark disse que a saída é diminuir o contingente de pessoas
que vivem da agricultura, devido à sua pequena participação
no PIB. Para isso, segundo ela, é preciso que haja o alinhamento
estratégico das políticas nos âmbitos local, estadual
e regional. Na esfera local, é necessário a promoção
do aumento da produtividade da agropecuária e facilitar o desenvolvimento
de atividades não-agrícolas, com a capacitação
de mão-de-obra, acesso a financiamentos e conhecimentos técnicos
e apoio gerencial.
A questão
em nível regional, de acordo com a secretária, seria a instalação
de novos agropólos, como em Russas e Iguatu, que iriam se juntar
aos sete já existentes. Mônica defendeu, ainda, a idéia
de se criar Centros Secundários, para áreas com funções
urbanas mais desenvolvidas e com forte capacidade de polarização,
em cidades como Quixadá e Quixeramobim.
Arrematando
estes cenários, e como conseqüência deles, a política
de âmbito estadual englobaria a reestruturação espacial,
com a descontração do processo de urbanização
e distribuição mais equilibrada da população
cearense. Para isso, em nível local, seria a criação
de novos pólos de desenvolvimento espalhados pelo Estado, em regiões
como Quixadá/Quixeramobim.
A secretária
disse que este modelo ajudaria a resolver a questão da enorme discrepância
entre a renda mensal rural e a urbana. De acordo com dados do Iplance
relativos a 1999 apresentados por Mônica, enquanto a renda mensal
média na Região Metropolitana de Fortaleza era de R$ 258,
a rural no Interior era de apenas R$ 74.
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