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QUO VADIS LULA
04/06/2005
Agora, Luiz Inácio Lula da Silva
deve encarar o fato
de que seus aliados de ocasião jogam para as costas
do
governo o preço político dos vícios
do sistema
partidário tradicional
Alexandre Pereira
O governo tem sérios problemas. É melhor que
não os
minimize. O desgaste de parecer enfraquecido perante a
opinião pública, depois de sucessivas derrotas
parlamentares, não é nada perto do preço
que paga
pelas mazelas dos partidos aliados.
Já na sua origem, o Executivo petista lida com uma
contradição fundamental, de ser o governo de
um
partido de esquerda em coalizão com a direita. O
centro parlamentar foi esterilizado pela oposição,
que
gravita em torno do PSDB. Agora, Luiz Inácio Lula
da
Silva deve encarar o fato de que seus aliados de
ocasião jogam para as costas do governo o preço
político dos vícios do sistema partidário
tradicional:
o clientelismo, o favor e a corrupção.
Premido pela necessidade de maiorias,
o Planalto faz acordo nos termos tradicionais, usando as
armas do
clientelismo e dos favores, que condenava. Consegue
maiorias difusas e vira refém de um jogo político
movido a chantagens: o governo ameaça os partidos
com
demissões e os ''aliados'' o chantageiam com votos
contrários no Congresso, se não ceder mais
espaço em
cargos de primeiro e segundo escalões - ou se,
simplesmente, não acobertar os seus pecados.
Nessa queda de braço, o Planalto ganha uma, perde
outras. O País só perde, com o espaço à corrupção
e
com as incertezas políticas advindas da dúvida
que
fica no ar: o governo escolhido nas urnas é, afinal,
honesto ou não? O Executivo, por seu lado, vira alvo
constante de chantagens abertas ou veladas.
Um exemplo disso é o próprio presidente do
PTB,
Roberto Jefferson (RJ), denunciado como um dos
beneficiários de um esquema de corrupção
nos Correios,
onde mantém nomeados, exigiu proteção
do governo.
Lembrou que defendeu o ministro José Dirceu, quando
das denúncias contra seu assessor Waldomiro Diniz.
O
deputado estadual Campos Machado, um dos
vice-presidentes do partido, foi mais claro: o
Planalto tem que proteger Jefferson porque o partido
defendeu Dirceu ''em situação muito mais grave''.
Outro presidente de um partido aliado,
Pedro Correia (PP), foi denunciado no relatório
final da CPI que investigou a pirataria.
E tem o PMDB. O pedaço do partido que apóia
o ministro
Romero Jucá (RO) - uma das alas, que nunca se junta
a
outra - ameaça - retaliar o governo caso ''abandone''
o ministro, cravejado por denúncias quase diárias
de
improbidade administrativa e mau uso de dinheiro
público.
O governo deve assumir suas culpas.
Curvou-se a chantagens - inclusive para evitar a apuração
das
denúncias envolvendo Waldomiro Diniz, então
assessor
do ministro José Dirceu. É melhor zerar o jogo:
apure-se todas as mazelas, do governo e de seus
aliados, livre-se das chantagens e restitua-se às
instituições a compostura.
ALEXANDRE PEREIRA é Presidente
do Centro Industrial do
Ceará
Fonte: O
Povo
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