Fortaleza, CE - quarta-feira, 18 de agosto de 2010

AIRM – ASSESSORIA DE IMPRENSA E RELAÇÕES COM A MÍDIA - UNIDADE DE CLIPPING


FIEC
- Industriais escolhem nova diretoria da Fiec
- Sônia Pinheiro - CLIC
- Duas chapas disputam a preferência dos industriais nas eleições da FIEC
- Diário Político - Suspense
- Exportações cearenses crescem 20% de janeiro a julho
- Roberto Macêdo quer dar continuidade a projetos na Federação das Indústrias
- O joio do trigo
- Sonia Pinheiro - MUNDO MELHOR

SENAI
- Cariri lança Feira de Tecnologia e Calçados

ADMINISTRAÇÃO FEDERAL
- Governo arrecadou R$ 2,1 bi por dia em impostos de janeiro a julho

AGRICULTURA
- Vaivém - Produtividade do trigo cresce 25% em 30 anos

BANCOS
- BNDES investe 353% a mais no Estado
- Financiamentos do BNDES têm crescimento de 353% no Ceará

CIÊNCIA E TECNOLOGIA
- Vertical S/A - CNPQ LANÇA EDITAL DE R$ 12,5 MILHÕES PARA SEMIÁRIDO

COMÉRCIO EXTERIOR
- Vertical - Horizontais

COMÉRCIO EXTERIOR - CEARÁ
- Vertical S/A - CEARÁ IMPORTA MAIS

ECONOMIA
- Desigualdade impede que PIB do CE cresça 7,2%
- 60 anos de crescimento
- BC estuda regulamentação das tarifas de cartões de crédito
- Indicadores Econômicos

FONTES ALTERNATIVAS DE ENERGIA
- Egídio Serpa - Na ICID, o sonho e o real da eólica

INDÚSTRIA
- Indústria aumenta importação de insumos

INDÚSTRIA TÊXTIL
- Vicunha investe no Equador e negocia ativo na Argentina

INDUSTRIALIZAÇÃO - NORDESTE
- NE concentra 80% dos empregos

INFRA-ESTRUTURA
- Ferrovia: trecho terá R$ 163 mi

MEIO AMBIENTE
- Desponta um novo Semiárido a partir do enfoque social
- Vamos conviver com extremo
- Área de proteção será regulamentada
- ONU quer ações conjuntas e efetivas

PESQUISA
- Capes destaca o Ceará em pesquisa científica

POLÍTICA
- Lula diz que terá papel ativo em eventual governo Dilma
- Na TV, Dilma se apoia em Lula, e Serra foca saúde
- Curtas - Ciro

TRABALHO
- Governo pode preservar acordos nas empresas

TRANSPORTES
- O desafio da logística


DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA
Industriais escolhem nova diretoria da Fiec
Disputam a Presidência da Fiec, os industriais Roberto Macêdo, que busca a reeleição, e Orlando Carneiro

Responsável por 23,5% da soma de todas as riquezas produzidas no Estado, ou seja, do Produto Interno Bruto (PIB) cearense, e por empregar quase 310 mil pessoas, em cerca de 12 mil estabelecimentos na Capital e no Interior, o setor industrial vai eleger no próximo dia 19, a nova diretoria que comandará a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), para o quadriênio 2010-2014. Na disputa pela presidência da entidade estão os industriais Roberto Proença de Macêdo, que busca a reeleição, à frente da chapa 1, e o empresário Orlando Carneiro de Siqueira, titular da OCS Mineração e Empreendimentos, à frente da chapa 2.

Segundo a presidente da comissão eleitoral, Vivian Nicolle Barbosa de Alcântara, cerca de 1.500, de um total de 3.000 empresários associados aos 39 sindicatos filiados à Fiec, estão aptos a votar. Conforme disse, poderão votar os empresários com seis meses de filiação e que estejam em dias com as obrigações sindicais.

Pioneira no âmbito das federações de indústria do Brasil, a Fiec irá adotar um novo modelo de eleição. Dividida em duas etapas, a nova forma vai permitir, segundo Nicolle, que cerca de 1.500 empresários escolham o presidente da entidade que compõem. Para tanto, o estatuto social e o regulamento eleitoral foram reformados e as alterações implementadas no fim do ano passado.

Em relação aos pleitos anteriores, a eleição atual difere na forma como serão escolhidos os candidatos. Até a última disputa, o presidente da Casa era apontado pelos presidentes dos 39 sindicatos filiados à Fiec. Agora, o novo presidente da Casa da Indústria será definido com a participação direta dos empresários sindicalizados e ligados à Fiec.

Conforme explicou Nicolle Alcântara, no primeiro momento, as empresas associadas aos 39 sindicatos filiados e aptas a votarem apontam para qual chapa irá o voto do seu respectivo sindicato. Em um segundo momento, no mesmo dia 19 de agosto, o nome vitorioso na urna de cada unidade classista será levado à Assembleia Geral do Conselho de Representantes, pelo delegado do sindicato, quando serão apurados os votos e conhecido o novo presidente. "Se a Fiec é dos industriais, nada mais natural que eles escolham quem vai presidi-la", defende o presidente das comissões de reforma do estatuto e do regulamento eleitoral da Fiec, Affonso Taboza. Para ele, a adoção do voto direto consolida a instituição, de fato e de direito, como legítima representante da indústria cearense.

Nos sindicatos localizados no interior (Juazeiro, Crato e Sobral), a votação ocorreu ontem. As urnas dessas cidades serão transportadas para Fortaleza e abertas no dia 19.

Uma das principais funções da entidade é promover o desenvolvimento e a competitividade das empresas.

No Ceará, atualmente, 95% do setor é formado por micros e pequenas. Já as grandes indústrias, apesar de representarem menos de 1% do setor, respondem por mais de 40% dos empregos formais.

Nove industriais já ocuparam o cargo de presidente da Federação, ao longo dos 60 anos de história da entidade. O primeiro foi Waldyr Diogo de Siqueira.

CHAPA 1
Elevar exportações para R$ 2 bi em 2014

Expansão das exportações cearenses este ano para R$ 1,2 bilhão e para R$ 2 bilhões, em 2014, é uma das metas do atual presidente da Federação das Indústrias do Ceará e candidato à reeleição, Roberto Proença de Macedo, para quem o fortalecimento das vendas externas pode ser alcançado mesmo com o dólar no atual patamar.

Para driblar esse cenário, favorável às importações e nem tanto às exportações, Macedo defende maior apoio aos micro e pequenos empresários, como forma de quebrar o "gelo", romper com o medo do pequeno industrial de comprar e vender lá fora. "Queremos que o pequeno empresário perca o medo de cruzar o Atlântico para fazer negócios, seja para comprar insumos e máquinas para aumentar a produção, seja para vender", destacou Macedo, ao apontar o incremento das promoções de feiras e exposições no exterior, com outra meta sua à frente da Fiec. "Esse trabalho já foi iniciado, mas precisa ser fortalecido", defende o empresário, que concorre à reeleição pela chapa 1, "Fiec 60 anos".

Macedo sinaliza ainda com novas ações para avançar no processo de fortalecimento dos 39 sindicatos que compõem a Fiec e com a renovação dos quadros da diretoria, como forma de dar ritmo e dinamismo novos à entidade. A ações se dão em parceria com o Senac, Senai, Sesi, CIN, Indi e IEL, organismos que compõem a atual estrutura da Casa das Indústrias.

Maior disseminação e promoção do programa Inova, que busca estimular iniciativas inovadoras no segundo setor, é outra meta de Macedo, para dinamizar o crescimento das 12 mil indústrias cearenses.

CHAPA 2
Estrutura como sociedade anônima

Romper com o atual modelo administrativo, ampliar e fortalecer os sindicatos, descentralizar a forma de gestão e instalar a estrutura de uma empresa de sociedade anônima na Federação das Indústrias do Ceará são alguns dos pilares que formam a plataforma de campanha do industrial, titular da OCS Minerais e Empreendimentos, Orlando Carneiro de Siqueira, à presidência da Fiec. Candidato pela segunda vez, pela chapa 2 (Participação para Inovar), Siqueira diz que o atual sistema de gestão das federações das indústrias no País remete à época de Getúlio Vargas e que portanto, precisa ser renovado.

"O atual modelo de gestão é centralizador, é concentrado na presidência, já que o conselho (administrativo) só serve para referendar as contas da Federação", protesta o industrial do setor mineral. Segundo ele, a concentração excessiva de poderes na mão do presidente está minando a força e reduzindo a iniciativa dos sindicatos filiados à Fiec de participarem do processo decisório da entidade.

"O Ceará conta com cerca de 12 mil indústrias (entre pequenas, médias e grandes), mas apenas 1.280 são filiadas à Fiec", alerta o industrial, para quem os empresários precisam ser mais motivados a participar das reuniões e decisões dos sindicatos e da Federação. "O que pretendemos é mudar a estrutura e a forma de gestão", reitera, ao sugerir o modelo de sociedade anônima à Fiec.

Ele propõe a criação de um conselho de administração "forte", que teria os industriais como acionistas e os presidentes dos 39 sindicatos, que hoje compõem a Casa da Indústria, como membros natos.

CARLOS EUGÊNIO
REPÓRTER

TOPO

O POVO

18 de agosto de 2010

 
MEDALHA ADVOGADO PADRÃO
Sônia Pinheiro - CLIC
O deputado federal Mauro Benevides quando recebeu a Medalha Advogado Padrão da OAB-CE. No flash, ocasião em que discursava em nome dos agraciados

TOPO

CEARÁ AGORA

18 de agosto de 2010

 
ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA
Duas chapas disputam a preferência dos industriais nas eleições da FIEC
Por: Márcio Dornelles

A votação acontece na próxima quinta-feira e os empresários devem comparecer à sede da FIEC.

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) se prepara para as eleições que definirão o presidente da instituição pelos próximos quatro anos. Duas chapas disputam a preferência dos sindicalizados, que hoje somam 1273 votos em todo o Estado. Roberto Macêdo, chapa 1, busca a reeleição, e Orlando Siqueira, chapa 2, deseja assumir o posto no quadriênio 2010-2014.

A votação no interior foi encerrada nesta terça-feira (17). Os industriais puderam votar em Sobral (Região Norte), Crato e Juazeiro (Região do Cariri). Em Fortaleza, a votação acontece na próxima quinta-feira (19) e os empresários devem comparecer à sede da FIEC, na avenida Barão de Studart, 1980, no edifício Casa da Indústria.

Anteriormente, só podiam votar os representantes de sindicatos, o que restringia o universo de votantes a 33. Nas eleições de 2010, após a implantação, pela atual gestão, da chamada Reforma do Orlando, o pleito tornou-se democrático, a campanha ganhou as ruas e, por isso, espera-se uma participação expressiva dos industriais cearenses.

TOPO

O ESTADO

18 de agosto de 2010

 
SETOR DA PANIFICAÇÃO DO NE
Diário Político - Suspense
Por Fernando Maia

Da reunião hoje, na FIEC, de lideranças do setor da panificação do NE sobre preço da farinha de trigo. tem cheiro de aumento para o pão.
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AGÊNCIA CNI

18 de agosto de 2010

 
EXPORTAÇÕES CEARENSES
Exportações cearenses crescem 20% de janeiro a julho
Fortaleza - O acumulado das exportações cearenses de janeiro a julho deste ano apresentou crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do desempenho, a balança comercial local segue deficitária em US$ 232,5 milhões, enquanto a balança comercial brasileira permanece superavitária em US$ 9,2 bilhões. O percentual das vendas do estado é também inferior às taxas de crescimento das exportações brasileiras (27,1%) e nordestinas (43,9%). Os dados são do estudo Ceará em Comex, realizado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) daFederação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).

Pelo levantamento, o número de produtos exportados pelo Ceará em julho deste ano apresentou queda de 38,3% em relação a mesmo mês de 2009. Com esses resultados, o Ceará manteve sua posição de 14º lugar no ranking dos estados exportadores. Em relação ao Nordeste, o estado é o terceiro colocado. A região apresenta a maior taxa de crescimento nas exportações brasileiras no período janeiro-julho de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado.

No Ceará, os principais setores exportadores em julho foram os de ceras vegetais (75,8%) e couros (62,7%). As exportações de rochas ornamentais também apresentam crescimento considerável de 58,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O principal destaque quanto ao destino dos produtos cearenses foi a República Tcheca, com aumento de 843,1% na compra de couro bovino. As exportações pelo porto de Salvador (BA) apresentam crescimento de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos exportados por lá foram castanha de caju e calçados.

Quanto às importações de julho de 2010, o resultado foi 29,7% maior ante o mesmo período do ano anterior. Entre os principais setores compradores destacam-se combustíveis e óleos minerais, com um crescimento de 150,6% em relação ao período janeiro-julho de 2009. Destacam-se, entre os principais países-origem, Nigéria (gás natural liquefeito) e Rússia (laminados de ferro e aço).

Mais informações pelos telefones (85) 3421-5419 / 3421-5420.
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O ESTADO

18 de agosto de 2010

 
ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA
Roberto Macêdo quer dar continuidade a projetos na Federação das Indústrias
O presidente da Fiec (Federação das Indústrias do Ceará), Roberto Proença de Macêdo (foto), afirmou que decidiu postular a reeleição nas eleições que começaram ontem (17) nas cidades de Sobral, Crato e Juazeiro do Norte, e continuam amanhã (19), em Fortaleza, para dar continuidade aos projetos em andamento na atual gestão. “A expectativa é muito boa e vamos continuar trabalhando as ações que encontram-se em andamento, fortalecendo os sindicatos e tornando nossos produtos mais competitivos”, destacou.

Macêdo informou que foi implantada uma nova modalidade de eleição na entidade (voto direto do empresário), como forma de tornar o processo mais transparente. “Estamos também implantando na federação um projeto de marketing como forma de agilizar nossas ações e consolidar o que vem dando certo”, disse.
Sobre o atual cenário econômico cearense, o industrial avalia que o Estado vive um bom momento, com o governo Cid Gomes implantando uma boa infraestrutura. “A nós, empresários, cabe continuar investindo, capacitando a mão de obra na qualidade e quantidade que o mercado está exigindo, e buscar o mercado externo. Feito isso, acreditamos que a PIB cearense deve crescer entre 9% e 10% em 2010”, completou.

Em Fortaleza
A eleição de amanhã, em Fortaleza, ocorrerá das 8 horas às 14 horas. A apuração terá início às 15 horas. Além de Roberto Macêdo (chapa Fiec 60 anos), concorre também à presidência da entidade o industrial Orlando Carneiro de Siqueira (chapa Participação para inovar).

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BLOG ELIOMAR DE LIMA

18 de agosto de 2010

 
SINDPAN
O joio do trigo
O Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Ceará (Sindpan) e o Sindicato das Indústrias do Trigo nos Estados do Pará, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte (Sindtrigo) darão entrevista coletiva, a partir das 9 horas desta quarta-feira, na cobertura da Federação das Indústrias do Estado (Fiec).

O presidente do Sindpan, Lauro Martins de Oliveira Filho, e do Sindtrigo, Luiz Eugênio, falarão sobre os constantes aumentos da farinha de trigo e suas consequências na ponta. Ou seja, no preço do pão, massas, biscoitos e outros produtos fabricados à base da farinha de trigo.

Será que vem aumento por aí?
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O POVO

18 de agosto de 2010

 
ICID + 18
Sonia Pinheiro - MUNDO MELHOR
Neta do presidente da FIEC, Roberto Macêdo, a princesinha Bianca Macêdo, 10, tomou parte da abertura da ICID + 18, em realização na cidade até depois de amanhã. E disse muitas coisas bonitas.
Em sua fala, Bianca ressaltou que o encontro é super importante para que as crianças possam sonhar com um mundo melhor.
Declarou ainda que “não representava apenas as crianças, jovens, adultos e idosos que habitam as regiões semiáridas, mas todas as pessoas que, assim como eu, acreditam que o mundo é um só; que a terra é o endereço de todos nós e que cuidar direitinho dela é dever de todos nós”.
Fez também um alerta: - O nosso planeta está precisando de ajuda; se ele pudesse falar, talvez pedisse socorro; se fosse uma criança, como eu, talvez estivesse com a mão estendida, esperando ser ajudado por alguém, mas por ser tão grande e parecer tão forte, as pessoas pensam que ele pode se proteger sozinho.
Acrescentando: - Eu sei que o planeta não pode; sei que ele precisa de ajuda se quiser ser vencedor. Acho que eu não preciso ser grande para ajudar também. Acho que ninguém precisa esperar nada; o planeta Terra é nosso amigo e eu aprendi que não podemos deixar um amigo esperando.
E fez o apelo: - Quero pedir a todos vocês, gente grande e pessoas importantes, que nessa reunião encontrem um jeito de cuidar melhor do mundo, dos bichos, das florestas, dos rios, do mar, da caatinga e das pessoas para que o futuro que eu vejo para mim e para as outras crianças possa acontecer.

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O ESTADO

18 de agosto de 2010

 
SINDINDÚSTRIA
Cariri lança Feira de Tecnologia e Calçados
Estão filiadas mais de 90 fabricantes das áreas de vestuários e calçados

Lançada a XIII Feira de Tecnologia e Calçados do Cariri, que será reeditada no próximo ano, em Juazeiro do Norte. Por dois anos consecutivos, o evento deixou de realizado, a apesar de ser a maior promoção na área de negócios e de ter se consolidado no calendário de turismo de negócios da região, além de ampliar a divulgação do pólo de fabricação de calçados de Juazeiro para o Brasil e vários países do mundo. Como forma de fortalecer o mercado calçadista, também foi lançada a I Feira Itinerante de Calçados do Cariri, com a finalidade de levar empresários da região para promoverem seus produtos em outros estados do País.

A nova logomarca da Feira de Tecnologia foi apresentada durante a posse da nova diretoria do Sindicato das Indústrias de Calçados e Vestuários do Cariri (Sindindústria), que tem como presidente o empresário Antônio Barbosa Mendonça, reeleito para o quatriênio 2010/2014. Na oportunidade, aconteceu a entrega da comenda “Mérito Sindindústria 2010” a quatro personalidades cearenses que contribuíram para o progresso da região do Cariri.

Segundo o presidente Antônio Mendonça, a reedição da feira representa a retomada no processo de divulgação do setor. Desde que foi iniciada, na cidade, a iniciativa foi responsável pelo fortalecimento e abertura de mercado para os empresários, além de fazer parte do calendário de eventos em Juazeiro do Norte.

Sucesso de público em seu lançamento, a feira trouxe para o Cariri as últimas tendências de mercado, principalmente na área de insumos e máquinas. “A intenção era dar oportunidade ao empresário de qualificar os seus serviços”, diz Mendonça. E esse processo tem tido um resultado ao longo da última década com o crescimento do setor.

Conquistas
Estão filiadas ao Sindicato mais de 90 fabricantes das áreas de vestuários e calçados. São mais de 16 mil empregos diretos gerados e oito milhões de pares de calçados vendidos em praticamente todos os estados brasileiros e exportados para países como a Argentina, África, Índia e China. Mas, a novidade, mesmo nos últimos anos, tem sido a abertura para países como a Itália e Estados Unidos.

De acordo com Mendonça, esses dois países representam uma grande conquista, porque a Itália dita tendências para o mundo inteiro, em termos de moda nesse setor. Já nos Estados Unidos, existe uma concorrência comercial e ganhar espaço num mercado exigente não é muito fácil. “Porém, aos poucos, estamos abrindo portas no mercado externo”, diz ele, ao constatar a visão empresarial no sentido de buscar uma maior qualificação do setor.
Qualificação
Ele afirma que o processo de qualificação tem se fortalecido por meio de parcerias com instituições como o Senai e o Sebrae, no sentido de possibilitar também cursos para os funcionários da empresas e até o acesso à universidade para os empresários. Nesse sentido, foi assinado um convênio com a Faculdade Leão Sampaio, de Juazeiro, visando o aprimoramento da mão-de-obra do setor calçadista, com oferta de vários cursos para empresários e também colaboradores.

No caso da feira itinerante, que vem sendo articulada por meio do Sebrae e Sindindústria, será uma oportunidade, conforme Mendonça, que concentrará empresas do setor num só lugar para negociar os lançamentos diretamente com lojistas, representantes e distribuidores. O evento será realizado em diversas capitais no Norte e Nordeste, começando em Fortaleza ainda neste semestre.
A comenda “Mérito Sindindústria” homenageou este ano personalidades cearenses que participam do crescimento da região do Cariri. Foram condecorados o governador do Estado, Cid Gomes; o presidente do BIC Banco, Adauto Bezerra; o ex-prefeito de Juazeiro do Norte, Mauro Sampaio; e o superintendente estadual do BNB, Isidro de Moraes de Siqueira. (Amaury Alencar, especial para O Estado)
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FOLHA DE SÃO PAULO

18 de agosto de 2010

 
ARRECADAÇÃO DE TRIBUTOS - IMPOSTOS
Governo arrecadou R$ 2,1 bi por dia em impostos de janeiro a julho
TRIBUTAÇÃO


DE BRASÍLIA - O governo federal arrecadou R$ 2,1 bilhões por dia, em média, nos sete primeiros meses deste ano. Julho registrou, pelo sétimo mês consecutivo, arrecadação recorde de tributos, que somaram R$ 67,973 bilhões. O acumulado no ano chega a R$ 450 bilhões. Na comparação com julho do ano passado houve um aumento de 10,76%, e, no semestre, de 12,22%.
Os dados, divulgados pela Receita Federal, mostraram que a arrecadação continuou com fôlego, apesar de dados econômicos indicarem um desaquecimento da economia a partir do segundo trimestre.
Para o subsecretário de Tributação e Contencioso da Receita, Sandro Serpa, fatores como maior fiscalização e mudanças de legislação explicam o ritmo da coleta de tributos.
"A arrecadação responde diretamente aos fatores econômicos, mas não só a eles." Serpa afirmou ainda que a Receita espera que a arrecadação mantenha alta de 10% a 12% até o fim do ano. (MÁRIO SÉRGIO LIMA E THAIS BILENKY)
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FOLHA DE SÃO PAULO

18 de agosto de 2010

 
PRODUTIVIDADE DO TRIGO
Vaivém - Produtividade do trigo cresce 25% em 30 anos
A produtividade do trigo cresceu 25% no Paraná nos últimos 30 anos. Isso ocorreu devido aos programas brasileiros de melhoramento genético, que permitiram a elevação da produtividade em 700 quilos por hectare no período no Estado.
É o que mostra levantamento realizado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
O resultado desse levantamento será apresentado hoje pelo pesquisador Manoel Bassoi, da Embrapa Soja, durante o Dia de Campo de trigo que a entidade realiza na cidade de Londrina, no norte do Paraná.
Para mostrar esse aumento de produtividade, Bassoi voltou no tempo. Em 2008 e 2009, replantou 20 das principais cultivares de trigo que eram utilizadas nos anos de 1970 a 1990.
As cidades paranaenses escolhidas pelo pesquisador da Embrapa foram Londrina, Ponta Grossa e Cascavel.
Esse plantio foi possível porque a Embrapa mantém um banco de germoplasma com cultivares antigas tanto de soja como de trigo.
Foram avaliadas cultivares da Embrapa, do Instituto Agronômico do Paraná, do Instituto Agronômico de Campinas, da Coodetec, da Fundacep e do extinto Instituto Agronômico do Sul.
"Todas as cultivares estão semeadas na vitrine de tecnologias da Embrapa para que os participantes do Dia de Campo possam visualizar a evolução desses materiais genéticos", diz Bassoi.
Os dados verificados se referem apenas ao potencial de aumento na produção do cereal, mas é preciso enfatizar que há outros ganhos obtidos pela melhoria da sanidade das cultivares, diz o pesquisador.
Bassoi avaliou também a qualidade do trigo produzido atualmente. Os dados indicaram que de 1990 a 2010 o valor do W subiu 28% -o W é o parâmetro que determina a qualidade do trigo para a panificação.
"Esse aumento de qualidade reforça a importância dos programas de melhoramento genético", diz o pesquisador.
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DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
BNDES
BNDES investe 353% a mais no Estado
Entidade injetou R$ 1,8 bilhão nos sete primeiros meses do ano no Estado. Pernambuco recebeu R$ 13 bi em 2009

Com uma nova política de pulverização na aplicação dos recursos, o que permite atender a um maior número de empresas e reduzir riscos à instituição, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investiu nos sete primeiros meses deste ano, no Ceará, R$ 1,822 bilhão, valor 353% superior aos R$ 402 milhões desembolsados em igual período de 2009. O valor total desembolsado este ano corresponde a 92,5% do liberado em 2009.

De janeiro a julho último, o banco fechou 6.379 operações, sendo 6.040, o equivalente a 94,6%, com micros, pequenas e médias empresas (MPEs), com quem contratou R$ 279,9 milhões, ou 15,36%, do total aplicado no Estado.

Em comparação com o ano passado, o número total de operações até julho último foi 111% maior, do que os 3.022 contratos celebrados em 2009.

Com o valor total aplicado este ano, o Ceará passa a ocupar o segundo lugar no ranking dos Estados do Nordeste, atrás apenas da Bahia, que já recebeu desembolsos de R$ 2,21 bilhões, para financiamento de 11.886 operações, volume 86,33% superiores às registradas mercado cearense. Em 2009, o Ceará encerrou o ano na terceira colocação, atrás de Pernambuco e Bahia, nessa ordem.

No ano passado, o Estado de Pernambuco, que até agora ocupa a terceira posição, recebeu R$ 13 bilhões, sendo R$ 9,8 bilhões, ou 75,3% dos recursos, somente à refinaria de Petróleo da Petróleo Abreu e Lima, em Suape. Os números constam no balanço de desembolsos realizados pelo banco nos últimos anos, no País e divulgados na tarde de ontem. "O ano passado foi atípico, por conta de uma operação especial do BNDES com a Petrobras, no valor de R$ 25 bilhões, sendo R$ 15,2 bilhões para o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e R$ 9,8 bilhões, à refinaria de Pernambuco", explicou o chefe do Departamento Regional Nordeste do BNDES, Paulo Ferraz Guimarães. Em visita à redação do jornal, na tarde de ontem, Guimarães antecipou que até o fim do ano, o Ceará deverá receber cerca de R$ 3 bilhões, em desembolsos.

Setores

Segundo Guimarães, o incremento registrado nas liberações para a economia do Ceará foi influenciado, principalmente, pelos desembolsos feitos para os setores de comércio e serviços, que tiveram crescimento de 387% e totalizaram R$ 1,511 bilhão, o corresponde a 83% do total desembolsado este ano pelo BNDES no Ceará. Nos primeiros sete meses de 2009, os dois setores foram contemplados com R$ 310 milhões, ou 20,5%, do aplicado este ano.

Na divisão do bolo de financiamentos do BNDES no período em análise, as MPEs cearenses receberam desembolsos de R$ 279,9 milhões, valor 156% maior do que o percebido em 2009; enquanto as médias empresas tiveram acesso a R$ 139,9 milhões. Já as grandes, que, "naturalmente", abocanham o maior pedaço, receberam R$ 1,377 bilhão, um incremento de 475%, ante os meses de janeiro a julho de 2009.

A pouco mais de três meses do fim do ano, Guimarães alerta que "a hora para buscar os recursos é agora". Ele lembra que as taxas de juros para aquisição de bens de capital (máquina e equipamentos) continuarão atraentes, abaixo de 10%, ao ano, somente até dezembro próximo. No próximo ano, avisa, "a tendência é a de que as taxas subam para 11% ou 12%, ao ano".

R$ 550 MILHÕES
Energia e gás ganharam fatia de 30%

Do total do "bolo" de R$ 1,822 bilhão, desembolsado pelo BNDES para clientes cearenses nos primeiros sete meses deste ano, R$ 550 milhões, o corresponde a 30%, foram repassados aos setores de energia e gás, notadamente à construção da Termelétrica do Pecém, dos grupos EDP (português) e MPX, de Eike Batista; à Bons Ventos e demais parques eólicos.

Somente a Termelétrica do Pecém, irá receber financiamentos do banco da ordem de R$ 1,4 bilhão, dos quais 70%, o correspondente a R$ 980 milhões, já foram repassados.

Além desses dois setores, o segmento de transportes terrestres receberam no período de janeiro a julho últimos R$ 312 milhões, desempenho 211% superior ao do mesmo período de 200. Segundo Paulo Ferraz Guimarães, parte desses recursos foram emprestados ao governo do Estado do Ceará, para aplicação no programa Caminho da Escola, à compra de coletivos escolares, e para financiamentos privados à renovação de frota de caminhões e ônibus. As atividades auxiliares de logística, também teve acesso a R$ 186,6 milhões, 355% a mais do que no mesmo período do ano passado e o comércio recebeu R$ 87,8 milhões.

À construção civil foram desembolsados, segundo o relatório do BNDES, R$ 69,8 milhões e a administração pública, recebeu R$ 191,5 milhões. Para a indústria de transformação, os desembolsos do BNDES cresceram 234%, chegando à cifra de R$ 282,8 milhões, com destaques para os segmentos: produtos alimentícios (R$ 147,5 milhões); têxtil (R$ 37,8 milhões); couro, artefato e calçado (R$ 19,7 milhões) e os segmentos de confecções, vestuário e acessórios, R$ 12,3 milhões.

Do valor total, R$ 634,4 milhões - ou uma fatia de 35% foi destinada à abertura de novos negócios; R$ 475,5 milhões, foram para financiar a compra de máquinas e equipamentos nacionais; R$ 231,3 milhões, para capital de giro; e R$ 172 milhões, para ampliação de empreendimento.

CARTA CONSULTA
Banco separa R$ 352 mi para o Castelão

Os recursos à reforma do Castelão já estão separados, mas até a liberação, ainda há muito "jogo de cintura" à frente

Com uma carteira de novos projetos já aprovados para o Ceará, no valor de R$ 2,3 bilhões, o BNDES já disponibilizou R$ 352 milhões às reformas do Castelão, por meio da Linha ProCopa Turismo. Segundo o executivo do BNDES, Ferraz Guimarães, a carta consulta para o empréstimo, apresentada pelo governo do Estado, já está "enquadrada" no perfil de financiamentos do ProCopa. Até a liberação dos recursos, porém, o Estado ainda terá que "driblar" uma série de obstáculos, ou seja, apresentar as licenças ambientais prévias e de instalação, os projetos, os cronogramas de execução física e financeira da obra, dentre outros documentos exigidos.

"O pedido (do financiamento) já foi enquadrado, mas ainda precisa ser analisada pelos técnicos e autorizado pela diretoria colegiada", explicou Guimarães. Segundo ele, ainda não há prazo estimado para que os recursos comecem a "pingar na á rea do Estado".

Enquanto isso, o Hotel Glória, comprado em 2008 pelo empresário Eike Batista, receberá R$ 146,5 milhões, e a GB Copacabana Administração Hoteleira, R$ 11,6 milhões, para a construção de um hotel da rede Ibis em Copacabana, no Rio de Janeiro.

CARLOS EUGÊNIO
REPÓRTER
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O POVO

18 de agosto de 2010

 
BNDES
Financiamentos do BNDES têm crescimento de 353% no Ceará
Balanço referente aos sete primeiros meses aponta financiamento total de R$ 1,8 bilhão no Ceará. Em 2009, o volume havia sido de R$ 402 milhões. Banco projeta terminar o ano em R$ 3 bilhões

O volume de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar projetos no Ceará registrou crescimento de 353,24%. O resultado foi apresentado pelo chefe do Departamento Regional no Nordeste, Paulo Guimarães, ontem, em visita ao O POVO.

De acordo com o balanço do BNDES, o Ceará tem este ano um volume R$ 1,8 bilhão, entre janeiro e julho. Já em 2009, no mesmo período, o valor foi de R$ 402 milhões. O banco contabiliza também uma elevação no número de operações de financiamento. Foram 6.379 operações este ano, também nos sete meses iniciais, contra 3.022 do ano passado, no mesmo período.

O resultado coloca o Ceará na vice-liderança no ranking da região Nordeste sobre o volume de financiamentos por parte do BNDES. A Bahia lidera, com R$ 2,2 bilhões. O terceiro lugar é Pernambuco, com R$ 1,6 bilhão. Em termos percentuais a maior elevação foi verificada no Rio Grande do Norte, com 478%.

Em número de operações o Ceará também é vice-líder, atrás também da Bahia.

Paulo Guimarães explica que, no Ceará, três fatores contribuíram para a elevação no volume de financiamento: o bom momento do setor de comércio e serviços, o setor industrial e, também, a atual conjuntura da economia, que favoreceu o crescimento da renda e, consequentemente, do consumo.

No setor de comércio e serviços, conforme Paulo, os investimentos em energia e gás tiveram resultado acima da média. Um dos motivos é o financiamento para a usina termelétrica Porto do Pecém I, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). Somente do BNDES a usina tem um financiamento total de R$ 1,4 bilhão.

O chefe regional citou ainda, no setor de comércio e serviços, os investimentos públicos para a compra de transporte escolar e, ainda, a renovação da frota veicular com auxílios do BNDES.

Na indústria, por sua vez, tiveram destaque os setores têxtil, produtos alimentícios e cores e calçados. O chefe apontou ainda um destaque para os financiamentos ao Governo do Estado. Entre as ações financiadas pelo banco ao Palácio Iracema estão a construção do Metrofor e do Terminal Multiuso (Tmut) do Porto do Pecém.

Expectativa
“Tanto no Brasil como no Nordeste a gente teve uma dinâmica (resultado) muito forte”, ressaltou Paulo. “A gente deve terminar esse ano (no Ceará) com R$ 3 bilhões (em financiamentos), em 10 mil operações. Esta a minha estimativa”, completou.

O histórico de volumes do BNDES destinados ao Ceará segue ritmo de crescimento. O valor investido em 2003, por exemplo, totalizou R$ 691 milhões. Cinco anos depois, em 2008, a soma chegou a R$ 960 milhões. Em 2009 o volume verificado foi de R$ 1,9 bilhão - quase o mesmo valor este ano, de janeiro a julho.
E-MAIS
>O volume de financiamentos do Banco do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em todo o Brasil totalizam este ano, entre janeiro e julho, R$ 72,6 bilhões. O montante é inferior ao mesmo período do ano passado, de R$ 74 bilhões.
>O chefe do Departamento Regional no Nordeste, Paulo Guimarães, explica que o fato se deve a dois investimentos de alto porte feitos ainda no ano passado. Ele lembrou que foram investimentos R$ 10 bilhões na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, R$ 15 bilhões no no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Este dois investimentos elevaram bastante os financiamentos do BNDES ainda do ano passado.
>Paulo exemplificou que o volume financiado no ano passado chegaria seria de aproximadamente R$ 60 bilhões sem os investimentos na refinaria e no Comperj, contra o total de R$ 72 bilhões este ano. >O maior volume de financiamentos este ano por parte do BNDES está em São Paulo, com R$ 24 bilhões.
>Um dos destaques no ranking de financiamentos é Rondônia, com R$ 2,02 bilhões. Uma das ações que puxaram o resultado positivo foi a usina hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira. O banco deve financiar em Jirau o total de R$ 7,2 bilhões, valor que representa 68,5% do volume necessário para a obra.
NÚMEROS
550
MILHÕES DE REAIS FORAM FINANCIADOS PELO BANCO NACIONAL DE BNDES NO CEARÁ EM ENERGIA E GÁS ESTE ANO

1,4
BILHÃO DE REAIS DEVE SER O INVESTIMENTO DO BNDES NA USINA TERMELÉTRICA PORTO DO PECÉM I. OUTROS DESTAQUES SÃO AS USINAS EÓLICAS DABONS VENTOS

420
MILHÕES DE REAIS FOI O INVESTIMENTO TOTAL DO BNDES EM MICROS, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS ESTE ANO, NO CEARÁ, ENTRE JANEIRO E JULHO

Operações diversificadas

O número de operações financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Ceará é dominado por micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). O balanço da instituição aponta que estes três portes totalizam 6.040 das 6.379 operações no Estado, entre janeiro e julho. O percentual é de 94,6%.

Por outro lado, no volume de financiamentos, prevalecem no Ceará as grandes empresas. De acordo com o balanço, referente ao período de janeiro a julho, os grandes projetos receberam R$ 1,377 bilhão do BNDES, de um total de R$ 1,8 bilhão.

O chefe do Departamento Regional no Nordeste do BNDES, Paulo Guimarães, explica que o Governo do Estado também está na lista de possíveis novos investimentos em volume alto. Um dos exemplos é a obra de modernização do estádio Governador Plácido Aderaldo Castelo (Castelão).

Paulo detalha que o projeto do Estado, orçado em R$ 350 milhões, está sob a análise do banco. A avaliação, geralmente, dura cerca de dois meses.

Outra obra de alto porte do Estado que pode receber financiamento do BNDES é o Centro de Eventos. (DL)
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O POVO

18 de agosto de 2010

 
CNPQ - IFCE - CITS
Vertical S/A - CNPQ LANÇA EDITAL DE R$ 12,5 MILHÕES PARA SEMIÁRIDO
Por Jocélio Leal

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Carlos Aragão, dará palestra às 9h30min de sexta-feira na Unifor. Vem a convite do Instituto Federal de Educação (IFCE) numa articulação do deputado Ariosto Holanda (PSB), que levou ao CNPq o projeto Ciência para todos os Cearenses. À tarde, Aragão dá aula inaugural do curso a distância de inglês instrumental no IFCE para os sete Centros de Inclusão Tecnológica e Social (CITS) em Fortaleza. Aragão vem ao tempo em que sai o edital do Conselho com R$ 12,5 milhões para pesquisa no semiárido durante a ICID+18. Vai selecionar propostas que desenvolvam tecnologias e inovações para a conservação, recuperação e utilização dos recursos naturais do bioma.
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O POVO

18 de agosto de 2010

 
EMBAIXADOR DA BÉLGICA NO BRASIL
Vertical - Horizontais
O Embaixador da Bélgica no Brasil, Claude Mison, visita Fortaleza. Na agenda dele, ida ao Cuca da Barra do Ceará.
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O POVO

18 de agosto de 2010

 
EMPRESA DE CARGA EXPRESSA TNT
Vertical S/A - CEARÁ IMPORTA MAIS
Por Jocélio Leal

A TNT, que se declara líder no transporte de carga expressa, alega aumento de 60% no transporte de mercadorias importadas de outros países, entre os cinco primeiros meses do ano, em todo o Ceará. Isso na comparação com o mesmo período de 2009. As companhias que mais importaram no Estado são ligadas aos setores petrolífero e têxtil. Já os países que mais exportaram para o Ceará foram China, Estados Unidos, Argentina, Rússia e Alemanha.
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DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
PIB - CEARÁ
Desigualdade impede que PIB do CE cresça 7,2%
Economia do Ceará poderia movimentar R$ 4,2 bilhões por ano a mais se renda fosse dividida mais igualmente

O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará poderia ser 7,2% superior, caso o Estado tivesse índice de desigualdade semelhante ao de Santa Catarina. Ou seja, a economia cearense poderia movimentar R$ 4,2 bilhões a mais por ano, e a renda de cada indivíduo poderia ser acrescida em R$ 41 por mês. Essas são estimativas que constam no estudo "O Custo da Desigualdade no Ceará", do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (Caen-UFC), que foi divulgado ontem.

Os cálculos levam em conta dados de 2008, quando o Ceará era o 11º Estado com maior desigualdade de renda. Se chegasse ao nível de Santa Catarina, que era o 26º, a desigualdade cearense seria reduzida em 14,5% e a renda cresceria 11,64%.

Segundo o economista Flávio Ataliba, coordenador do LEP/Caen, se o Ceará conseguir reduzir a desigualdade em 10%, a renda média deve subir 8% no Estado. "Os dois têm relação inversa. Um Estado com maior desigualdade tende a ter menor renda", explica.

A renda média do cearense era de aproximadamente R$ 352 em 2008 e estava entre as três mais baixas do Brasil. Além disso, o PIB do Estado não chega a 2% do PIB nacional.

O estudo aponta que o Ceará poderia ter um nível de produção mais alto com a mesma mão-de-obra e o mesmo capital disponíveis hoje, desde que a desigualdade fosse menor. "O nível de desigualdade que temos prejudica a eficiência econômica do Ceará", diz Flávio Ataliba.

Para o economista, é preciso chamar atenção à redução da desigualdade não só pelas questões humanísticas, sociais e éticas que a envolvem, mas também pelo impacto econômico que ela traz.

Consequências

Entre outros problemas causados pelo elevado índice de desigualdade, o estudo aponta o surgimento de atividades ilícitas, o aumento nas despesas improdutivas (como segurança pública), a restrição de crédito, a presença de maior carga tributária, a criação de instabilidade político-institucional e o tamanho do mercado interno. "Desenhar e implementar políticas que possam incrementar a renda dos mais pobres é uma questão fundamental no processo, pois, além de propiciar de forma direta o aumento da renda da economia, gera também ganhos indiretos pela queda da desigualdade", diz o estudo.

O objetivo do LEP é que o estudo integre um documento que será entregue em setembro aos candidatos a governador do Ceará. "O ponto central dessa agenda é chamar a atenção para a importância da queda da desigualdade", explica Ataliba.

CRISTIANE BONFIM
REPÓRTER

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FOLHA DE SÃO PAULO

18 de agosto de 2010

 
CRESCIMENTO BRASILEIRO
60 anos de crescimento
ANTONIO DELFIM NETTO


Nos últimos 60 anos, o crescimento brasileiro pode ser dividido em dois períodos distintos. No primeiro (1948-1980), com crises políticas importantes, uma grave crise cambial e um choque do petróleo que levou a uma excessiva, mas incontornável, acumulação de dívida externa, crescemos à taxa média de 7,5% ao ano.
O segundo (1981-2010), com um crescimento iniciado com o alto endividamento, um fantástico aumento dos preços do petróleo e a supressão do financiamento externo, exigiu um ajuste que em dois anos eliminou o deficit em conta corrente à custa de uma queda acumulada do PIB da ordem de 2,9% e da desintegração das finanças públicas.
Voltamos a crescer 5,4% em 1984, com uma taxa de inflação muito alta -211% ao ano.
Após a desordem produzida pelo abandono desajeitado do Plano Cruzado, o crescimento nunca mais foi o mesmo.
Com a Constituição de 1988, fizemos avanços institucionais muito importantes, complementados com o Plano Real e com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Fomos, entretanto, acompanhados por políticas cambiais deploráveis, que quebraram o Brasil duas vezes (1998 e 2002). Nestes 30 anos, crescemos à taxa média de 2,6%.
A diferença entre os períodos pode ser assim sintetizada: a taxa de crescimento do PIB foi reduzida a pouco mais de 1/3, e a sua variabilidade cresceu em cerca de 210%.
Temos que comemorar que nos últimos 15 anos conseguimos o que parecia impossível: organizar as finanças públicas dos três níveis de governo, melhorar a qualidade da política monetária e colocar um ponto final aos desequilíbrios inflacionários que vivemos nos 45 anos iniciais.
Houve uma mudança importante a partir de 2006, com a reeleição do presidente Lula e a "invenção" do PAC.
Com ele reconheceu-se que sem a cooptação do setor privado seria impossível voltar ao crescimento. Foi a ousadia do presidente, reafirmada na crise importada de 2008, que reacendeu o "espírito animal" do empresariado.
Isso foi possível com as finanças públicas em ordem, relação dívida pública/PIB em declínio, expectativa de inflação bem ancorada, sistema bancário hígido e, tão importante como tudo, uma política redistributiva que ampliou a demanda interna. A prova foi a vigorosa resposta do setor privado aos estímulos do governo para superar a quebra de confiança gerada na crise.
Cresceremos em 2010 cerca de 7%. É evidente que podemos crescer no futuro 5% ou 6%, sem desequilíbrios internos ou externos, desde que calibremos bem as políticas fiscal, monetária e cambial e selecionemos os investimentos induzidos pelo governo com base nas suas taxas de retorno, e não no efeito "vitrine".



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ANTONIO DELFIM NETTO escreve às quartas-feiras nesta coluna. contatodelfimnetto@uol.com.br
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O POVO

18 de agosto de 2010

 
TARIFAS DE CARTÕES DE CRÉDITO
BC estuda regulamentação das tarifas de cartões de crédito
Os abusos cometidos pelas operadoras de cartões de crédito encabeçam as listas de reclamações dos consumidores de Fortaleza com 1.062. O Banco Central estuda regulamentar as tarifas dos cartões

Com a segunda posição entre as reclamações dos consumidores de Fortaleza, os abusos cometidos pelas operadoras de cartão de crédito foram responsáveis por 1.062 reclamações este ano. Segundo dados da Secretaria de Defesa do Consumidor/Procon Fortaleza, no mês de julho foram 228 reivindicações. Em agosto, até ontem, foram 81 reclamações.

Para fiscalizar as tarifas dos cartões de crédito, o Banco Central (BC) estuda regulamentar as taxas cobradas ao consumidor a exemplo do que ocorre com as tarifas bancárias. Segundo a assessoria de imprensa do BC, uma proposta para o modelo de regulamentação ainda está sendo estudada e deverá ficar pronto até a reunião do Conselho Monetário Nacional na última semana de setembro.

Depois da possibilidade de uma mesma máquina processar cartões de crédito de todas as bandeiras, os lojistas e consumidores que utilizam o “dinheiro de plástico” poderão receber mais este benefício. A expectativa é de que as cerca de 50 tarifas cobradas pelas empresas de cartões de crédito sejam reduzidas para uma média de 20 a 30. Além disso, todas as taxas deverão ter nomes padronizados para facilitar que o consumidor possa comparar os valores pagos.

Segundo a assessoria de comunicação da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), as regras da regulamentação ainda estão sendo discutidas entre as partes.

Benefícios
Os benefícios da regulamentação do BC vão ser sentidos tanto pelos lojistas quanto pelos consumidores, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, Freitas Cordeiro. “Você dificilmente encontra um estabelecimento que não possua ao menos uma alternativa de cartão de crédito. Com a padronização, o órgão regulador vai poder controlar e esse vai ser um benefício direto ao consumidor”, disse.

Segundo ele, qualquer redução de custos que o lojista tenha pode ser repassada diretamente para o consumidor. “Qualquer benefício o lojista agrega diretamente na composição dos custos. O cliente quer um bom produto e um bom serviço por um preço menor”, explicou.

A auxiliar administrativa Jaqueline Santos, 28 anos, em geral “compra, mas não acompanha” as tarifas que paga em seu cartão de crédito. Com isso, já teve sérios problemas. Uma das bandeiras de cartão que utiliza cobrou a mesma tarifa duas vezes. “Foi complicado, tive que mandar e-mail para a central deles, mas acabou dando certo”, destacou.

A vendedora Fabiana Santos lembrou que a regulamentação vai se somar à possibilidade de possuir apenas uma máquina de cartão de crédito dentro da loja. “Antes nós só operávamos com uma bandeira e agora com a mesma máquina temos duas”, disse.
E-MAIS
>Desde o mês de julho, as máquinas de cartão de crédito passaram a processar cartões de todas as bandeiras. A medida é para possibilitar que os lojistas possam optar por uma única máquina para atender todos os clientes.
> A mudança era uma reivindicação dos comerciantes, que pagam aluguel das máquinas.
> Segundo o presidente da CDL Fortaleza, a medida deve possibilitar que os lojistas possam negociar com as operadoras as melhores tarifas.“As operadoras já estão sinalizando vários benefícios para o lojista poder optar por uma das marcas e as possibilidades de negociação não se esgotaram”.
> Segundo a vendedora Fabiana Santos, ainda é vantajoso manter várias maquininhas. “Se der problema em uma, você não fica sem passar os cartões de crédito. Além disso, tem os dias com mais movimento, como o natal”.

Decisão

Embora sempre controle seu orçamento e mantenha suas contas em dia, a dentista Nataly Martins, 24 anos, não sabe quanto gasta com os juros do cartão de crédito. Ela utiliza o “dinheiro de plástico” para comprar roupas e gasolina e só utiliza uma bandeira de cartão. Nataly disse que gostaria de saber as taxas cobradas para decidir se deveria se manter com o mesmo cartão.
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UOL ÚLTIMAS NOTÍCIAS

18 de agosto de 2010

 
COTAÇÃO
Indicadores Econômicos
Dólar (17/08 - 15h31)

Comercial
Compra 1,7530
Venda 1,7550

Turismo
Compra 1,6700
Venda 1,8100

Paralelo
Compra 1,7000
Venda 1,8000

Dólar (18/08 - 10h13)

Comercial
Compra 1,7480
Venda 1,7500

Turismo
Compra 1,6700
Venda 1,8100

Paralelo
Compra 1,7000
Venda 1,8000

Outros indicadores
TR 0,099%
CDI 10,630%
SELIC 10,75%
IPCA 0,01%
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DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
ENERGIA EÓLICA
Egídio Serpa - Na ICID, o sonho e o real da eólica
No Brasil, 84% da matriz energética originam-se da hidreletricidade; nos Estados Unidos, locomotiva da economia mundial, 44% da mesma matriz são gerados pelo carvão mineral. Ao contrário da norte-americana, a matriz brasileira, do ponto de vista ambiental, é limpa graças ao aproveitamento de seus recursos hídricos. Mas, agora, por pressão política de ONGs ambientalistas nacionais e estrangeiras, de organizações indígenas, de entidades religiosas e de partidos políticos, será quase impossível a construção de novas grandes barragens, principalmente na Amazônia. As que já estão autorizadas, como a de Belo Monte, por exemplo, utilizarão o modelo do "fio dágua". Ou seja, elas não acumularão gigantescos volumes de água, mas o suficiente para mover o conjunto de seus geradores. Em linguagem rasteira: se o rio baixar por falta de chuva, a usina deixará de gerar energia. O licenciamento ambiental de projetos de geração de energia elétrica - mesmo o das alternativas, como a eólica - tem-se tornado difícil, sendo hoje u
m dos gargalos com que se defrontam o Governo e a iniciativa privada. Cientistas e autoridades de mais de 100 países que se reúnem em Fortaleza na II ICID, tomaram conhecimento de que o Ceará, sozinho, tem potencial de geração de mais de 50 mil MW de energia eólica. E ficaram sabendo que, por mil e uma causas, incluindo essa licença, só gera 0,5% disso.
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VALOR ECONÔMICO

18 de agosto de 2010

 
IMPORTAÇÃO DE INSUMOS
Indústria aumenta importação de insumos
Murillo Camarotto, Júlia Pitthan e Marta Watanabe, de Recife, Florianópolis e São Paulo

O aumento da importação de matérias-primas, componentes e peças pela própria indústria ajuda a explicar o forte aumento da importação em 2010. Fabricantes de eletroeletrônicos, bens de informática e têxteis, entre outros setores, ampliaram a compra de insumos de outros países como um mecanismo de compensação de custos e também pela própria dependência do seu produto do insumo ou peça importada. Nos últimos meses, explicam os empresários, a importação cresceu ainda mais para formar estoques para a produção destinada às vendas de fim de ano.

Em Pernambuco, a fabricante de computadores Elcoma já está importando 30% mais componentes do que no segundo trimestre. Parte da alta é explicada pelo ritmo de produção, que cresce 20% no mesmo período, puxado pelas encomendas de fim de ano. Cerca de 60% dos componentes utilizados pela empresa vêm de fora, especialmente da China.

Um estoque de componentes acima do considerado normal para o período foi justamente o que acusou a sondagem do mês de julho da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Esse estoque foi verificado em 25% das empresas pesquisadas. Segundo o gerente do departamento econômico da associação, Luiz Cezar Rochel, trata-se de uma "tendência discreta" e que não causa preocupação. Segundo Rochel, o estoque pode ter sido ocasionado por bons preços ou talvez seja apenas a preparação para a continuidade da produção. O setor, informa, mantém a perspectiva de aumento do nível de produção, com ampliação de 12% de faturamento em relação a 2009, a mesma estimativa que se tinha no começo do ano.

O diretor executivo da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, Flávio Dutra, também enxerga um segundo semestre com produção crescente na Zona Franca de Manaus. Segundo ele, as encomendas de agosto para o abastecimento do comércio para o fim do ano já se iniciaram e prometem fazer o setor cumprir a meta de faturamento de US$ 32 bilhões ou "até US$ 33 bilhões" em 2010. No ano passado, a receita bruta foi de US$ 28 bilhões. No primeiro semestre, diz, a Copa do Mundo impulsionou o mercado interno e a indústria não foi capaz de atender todos os pedidos.

No Piauí, a fabricante de bicicletas Houston também está importando mais: 40% em relação a 2009. A alta está em linha com o crescimento da atividade industrial e com o volume de encomendas para o segundo semestre, que concentra 70% do faturamento. De acordo com seu diretor comercial, Adilson Custódio, a Houston traz da China pouco mais da metade de todos os componentes que utiliza na fábrica de Teresina, Piauí, de onde saem 5,5 mil bicicletas por dia. Os principais itens importados são freios, correntes, cubos e câmbios.

Apesar do aumento de importações de produtos têxteis, o setor ainda não sente impacto nos níveis de produção. "O aumento da presença de produtos acabados preocupa, mas não chega a machucar", avalia o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região (Sintex), Ulrich Kuhn. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Associação Brasileira de Indústrias Têxteis e de Confecção (ABIT), de janeiro a junho deste ano entraram no país US$ 2,28 bilhões de produtos têxteis no Brasil contra US$ 1,8 bilhão no mesmo período de 2009.

O presidente destaca que mesmo com o crescimento das importações a indústria têxtil local atravessa um bom momento. "Nunca estivemos tão aquecidos", diz. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) foram gerados 67 mil empregos no setor na primeira metade do ano. Segundo Ulrich, a importação também se tornou uma estratégia da indústria brasileira para compor portfólio e buscar maior competitividade no mercado. "Toda a grande e média indústria importa matéria-prima para equilibrar o câmbio ou para complementar mix e ser competitiva", diz o presidente.

Para Sonia Hess, presidente da indústria de camisas Dudalina, de Brusque, o importado ainda não é um competidor forte no segmento em que ela atua. "As nossas três marcas estão focadas no público A e B. A camisa importada é, em maior volume, um produto mais barato que não concorre com o nosso", diz.

Sonia diz que a Dudalina vai ao exterior em busca de matérias-primas para complementar o mix e muitas vezes elas são mais baratas. Ela avalia que o segmento de tecidos planos, que demanda grandes investimentos, ficou defasado na comparação com o competidor estrangeiro. Para a Dudalina, o primeiro semestre deste ano foi melhor do que o de 2009. A empresa contratou 150 funcionários até agora e trabalha com 100% de ocupação. "O segundo semestre começou meio de lado, mas está reagindo", disse. A presidente espera atingir R$ 170 milhões de faturamento em 2010, um crescimento entre 17% e 20% na comparação com o ano passado.

A pernambucana Elcoma também elevou substancialmente a importação de peças para revenda, como HDs, processadores, memórias e leitores e cartão. Seu presidente, Júlio Gil Freire, afirma que as condições de mercado para essas operações estão muito boas.
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VALOR ECONÔMICO

18 de agosto de 2010

 
VICUNHA TÊXTIL
Vicunha investe no Equador e negocia ativo na Argentina
A Vicunha Têxtil, comandada pelo empresário Ricardo Steinbruch, garante estar pronta para levar avante seu plano de crescimento, com foco de investimento em novas bases de produção e comerciais na América Latina. A empresa está prestes a fechar a compra de uma unidade de produção na Argentina, onde só atua comercialmente com produto do Brasil, vai investir US$ 25 milhões na fábrica do Equador, para duplicar sua produção, e abrir um centro de distribuição no México, próximo ao polo de confecção do país para atender melhor o mercado americano.

Esses movimentos só se tornaram viáveis após o equacionamento da dívida de quase R$ 500 milhões, boa parte oriunda de operações de derivativos já resolvidas.. Foi feito um aporte de R$ 250 milhões pelo BTG Pactual em junho, por meio de um fundo, o Nala. O banco de André Esteves passou a ter 37,5% do capital total da Têxtília, holding que controla a fabricante têxtil da família Steinbruch.

A fábrica do Equador, que será a grande base de produção fora do Brasil, a partir de julho passou ao controle direto da Vicunha. Antes, pertencia à Textilia. Essa operação situada na capital Quito passará a produzir 24 milhões de metros quadrados de tecidos por ano a partir de abril de 2011. "Com tributação incentivada poderá , com mix premium de produtos, até disputar o mercado europeu", explicou José Mauricio D'Isep, diretor financeiro e de relações com investidores da Vicunha Têxtil. Hoje, com muita dificuldade, as vendas nesse mercado são feitas a partir do Brasil. Além do real valorizado, o executivo aponta imposto de proteção ao tecido brasileiro.

D'Isep informou que o Banco do Brasil está financiando US$ 15 milhões do investimento no Equador. O restante está sendo negociado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Hoje, essa unidade fabril atende o mercado local e o da Colômbia. Com a expansão, poderá também suprir o centro de distribuição a ser montado no México.

A recuperação do mercado argentino, segundo o diretor, já justifica a aquisição de um ativo produtivo no país. Segundo ele, a Vicunha é dona de 12% desse mercado, mas quer ter presença maior com operações próprias. "Analisamos vários ativos e esperamos fechar a aquisição de um em breve", informou.

Ricardo Steinbruch, presidente da companhia, afirmou que "o plano é se consolidar produtivamente na América do Sul e garantir um posicionamento estratégico da Vicunha na América Latina. A partir daí, ganhar competitividade para atender os mercados americano e europeu". A dificuldade para entrar na Europa pelo Brasil é a taxa de 12%, ante zero para o material de Egito, Paquistão, Índia e Marrocos. "Só ganhamos com produtos premium". O Equador também usufrui desse benefício, informa D'Isep.

"Nossa atuação, a partir de 1º de julho, está centrada apenas no negócio de tecidos de índigo e brim, nas fábricas do Nordeste, que já respondiam por 70% da receita e pela totalidade dos resultados positivos", informou o diretor financeiro. A unidade de viscose, deficitária, foi transferida à holding Vicunha Participações pela bagatela de R$ 10,7 milhões. Operada pela Texfibra, fica em Americana (SP).

Para sustentar o plano de investimento, que envolve uma nova fábrica em Mato Grosso (R$ 350 milhões, em dez anos) e a modernização das três unidades do Nordeste (R$ 240 milhões), a empresa espera contar com recursos do BNDES, do fundo FNDE, que tem gestão do Banco do Nordeste, e do fundo da região Norte gerido pelo Basa. Mas isso não será suficiente, informa Steinbruch. Ele admite a entrada de um novo sócio estratégico no capital da Vicunha Têxtil - fundo de private equity ou de investimentos. "Alguém que queira participar do crescimento da empresa, hoje a terceira maior fabricante de índigo e brim do mundo", diz.

Essa capitalização a mais, afirma, vai robustecer a empresa. A Textília tem 87% do capital total da Vicunha, portanto, com espaço para abrigar novo acionista.

Por conta da melhoria da dívida e da demanda no mercado interno, para onde destinou 85% das vendas, a Vicunha fechou o primeiro semestre com lucro de R$ 40,2 milhões, comparado a um prejuízo de R$ 226 milhões no mesmo trimestre de 2009. O segundo trimestre contribuiu com R$ 34 milhões. O desempenho foi superior ao planejado, diz D'Isep. A receita bruta foi de R$ 470 milhões no trimestre, comparado a R$ 420 milhões previstos e acima dos R$ 390 milhões de um ano atrás. O lucro operacional (lajida) passou de R$ 53 milhões para R$ 83 milhões no período.

"Com investimentos, vamos adicionar 1,8 milhão de metros quadrados/mês no Nordeste", diz Steinbruch, lembrando que a Vicunha hoje opera no limite. "E teremos mais 1 milhão no Equador".
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DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
VULCABRAS/AZALEIA
NE concentra 80% dos empregos
Empresa comemora crescimento da receita líquida no 2º trimestre de 24% e de 23,7% no volume de pares vendidos

Com 26 unidades fabris e produção diária de 190 mil pares de calçados em quatro Estados do Brasil, Ceará inclusive, e na Argentina, a Vulcabras/azaleia comemora crescimento da receita líquida no segundo trimestre de 24% e de 23,7% no volume de pares vendidos em relação a igual período de 2009.

A receita líquida passou de R$ 383,5 milhões no segundo trimestre de 2009 para R$ 475,6 milhões no mesmo período deste ano. A receita bruta da empresa fechou em R$ 1.025,9 bilhão no primeiro semestre deste ano, dos quais R$ 562, milhões no segundo trimestre.

"Seguimos nos preparando para um novo ciclo de crescimento acentuado. Acreditamos que podemos aumentar o ritmo de crescimento nos próximos trimestres e encerrar o ano com um excelente desempenho. Nos últimos 12 meses, geramos nove mil empregos, ratificando a posição da Vulcabras|azaleia como a maior empregadora do setor no país, com 44,1 mil colaboradores", explica o presidente Milton Cardoso.

Cerca de 80% do total de funcionários trabalham nas fábricas do Nordeste.

O resultado financeiro tem a ver com o aumento das vendas no mercado interno (23,6% a mais). A empresa também cresceu no mercado externo, onde a receita bruta no primeiro trimestre foi superior em 19,2% ante igual período do ano anterior.

Foram lançados no último trimestre 380 modelos de calçados. Diz a empresa, isso é parte da explicação do crescimento do lucro em 2010. Os resultados devem-se também à sincronia entre vendas e produção, evolução dos preços médios, fortalecimento das marcas.
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DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
FERROVIA TRANSNORDESTINA
Ferrovia: trecho terá R$ 163 mi
Com o presidente Lula da Silva na solenidade, ministro dos Transportes autorizou início da construção no trecho

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos assinou, ontem, em Missão Velha, no Cariri, a ordem de serviços para o início da construção dos primeiros 50 km da Ferrovia Transnordestina no trecho Missão Velha-Aurora, que terá investimentos de R$ 163 milhões e empregará 1,2 mil trabalhadores. A solenidade foi transmitida simultaneamente de Missão e Salgueiro, onde se encontrava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O discurso de Lula transmitido para um telão instalado no canteiro de obras da Transnordestina, a 3 km de Missão Velha, era intercalado com palmas de operários, agricultores e autoridades presentes. O agricultor Manoel Amaro da Silva desabafou: "É Deus no céu e Lula na terra. Melhor do que Lula, só Deus". Manoel justifica que foi o único presidente que se preocupou com os pobres.

Missão Velha agradece

O elogio do agricultor foi reforçado pelo prefeito de Missão Velha Washington Fechine, que destacou a importância econômica da ferrovia para o Nordeste e, particularmente, para Missão Velha, onde ficará o entroncamento da via férrea. A Ferrovia, segundo o prefeito, permitirá a integração da estrutura produtiva do Nordeste com as demais regiões brasileiras, unindo três pontos do sistema ferroviário do Nordeste - Missão Velha (CE), Salgueiro (PE) e Petrolina (PE), possibilitando, assim, o desenvolvimento econômico de diversos setores em sua área de abrangência, especialmente o polo gesseiro do Araripe e o polo agroindustrial de Petrolina e Juazeiro.

Além disso, de acordo com o projeto, integrará o sistema hidroviário do São Francisco o sistema rodoviário sertanejo e o sistema ferroviário já existente, tornando mais eficiente à logística do transporte de cargas.

O Ministro Passos disse que a obra emprega cerca de oito mil trabalhadores. O investimento é de 5,4 bilhões de reais, na construção de 1.728 km de ferrovias. Só no Ceará são mais de 600 quilômetros. O primeiro trecho, que começa em Eliseu Martins, no Piauí, será concluído em 2012. Para o Ceará, não ainda não há previsão.

O projeto prevê a interligação com a Ferrovia Norte-Sul, a partir de Eliseu Martins (PI) até o município de Estreito (MA). A obra irá remodelar 550 km de ferrovia entre os municípios de Cabo (PE) e Porto Real do Colégio (AL), fazendo conexão com a malha ferroviária que desce ao sudeste. Serão 1.728 km de ferrovia, dos quais 823 km estão em execução. Os trechos com as obras mais avançadas, entre Missão Velha e Salgueiro, com 96 km, e entre Salgueiro (PE) e Trindade (PE), com 163 km, serão concluídos em dezembro de 2010. A ferrovia deve gerar 550 mil empregos (diretos e indiretos) e terá capacidade de transportar 30 milhões de toneladas de carga por ano.

Obras em Salgueiro

O ministro Passos, que acompanhou a solenidade num palanque instalado no canteiro de obras, em Missão Velha - ao lado do Secretário da Infraestrutura do Estado, Adail Fontenele e do presidente do Metrofor, Rômulo Fortes - destacou as obras que foram inauguradas ontem em Salgueiro: uma fábrica capaz de produzir 4.800 dormentes por dia, uma usina de britagem com capacidade de produzir 4.250 metros cúbicos de brita diariamente e um estaleiro de solda.

ANTÔNIO VICELMO
REPÓRTER
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DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
ICID+18
Desponta um novo Semiárido a partir do enfoque social
Os programas sociais trouxeram o homem para o centro da discussão em torno das políticas voltadas ao Semiárido

O sertão não virou mar, mas esboça-se uma nova realidade para a vida do sertanejo, em especial, das regiões do Semiárido. Com otimismo, isso mesmo, é dessa forma que Tânia Bacelar, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), enxerga um novo horizonte para o Semiárido, "onde não se vê mais o drama da seca como se via até os anos 1980", diz, apontando como um dos principais fatores para a transformação, a criação de programas sociais, citando a Previdência Rural, o Bolsa Família e o crédito, proporcionando a entrada desta população na cadeia do consumo. "Até os coronéis estão desaparecendo", brincou, justificando seu otimismo em relação ao novo Semiárido.

Ressalva, no entanto, que é preciso investir em educação e políticas sociais voltadas para as cidades do Semiárido com a ênfase que estas precisam. "Não existe uma solução e nem uma política única para o Semiárido", diz, fazendo referência às tecnologias sociais, defendendo a construção de um milhão de cisternas. É enfática quanto ao projeto de transposição das águas: "Não vai resolver o problema", justificando ser cara e destinada aos grandes adensamentos. "Vale lembrar que o Semiárido concentra comunidades difusas", observa.

Enquanto apocalípticos pintam um Semiárido ainda pior do que está hoje, a estudiosa prefere ir pela contramão dessas previsões. "A migração que tinha que acontecer já houve", diz, completando que "estamos num momento melhor para discutir do que durante a realização da primeira Icid, em 1992". Um dos marcos para a virada de página no cenário do Semiárido, apontado por Tânia Bacelar, foi o "desmonte da velha estrutura econômica", sustentada pelo tripé latifúndio, agricultura e algodão. Essa estrutura produtiva servia para reproduzir a miséria no Semiárido, disse.

"Até que ela produzia, mas quem ficava com a fatia dessa produção não era o povo, que ficava sempre à mercê da chuva. Caso o ano fosse ruim, sofria com os efeitos da seca, que acabava ganhando conotação social", avaliou.

A quebra deste ciclo consolidou-se nos anos 1990, com o bicudo, tornando o algodão inviável, colocando em xeque a produção baseada no latifúndio. "O trauma poderia ter sido uma tragédia", admitiu, caso não tivessem entrando em cena os programas sociais, um dos principais a Previdência Rural. "Essa mudança abriu outras possibilidades", disse, citando a transformação sofrida pelo próprio conceito de desenvolvimento que passa pela distribuição de riqueza e respeito aos recursos naturais.

Desmonte

A estrutura do latifúndio era bastante disseminada, abrangendo também a pecuária bovina, atividade que requer grande quantidade de terra. A cultura do caprino era vista como "coisa de pobre", lembra Tânia Bacelar, reconhecendo ser tão importante quanto a do gado. A ovinocaprinocultura requer menos espaço, sendo os animais menores, adequada ao Semiárido.

Apesar do otimismo da professora, observa dois pontos que não avançaram: o nível de educação e a estrutura fundiária, sendo necessária uma repartição melhor dos grandes latifúndios e agregação de minifúndios.

Outro aspecto importante a ser destacado neste novo Semiárido é o fenômeno das migrações. Caso sejam concretizadas as projeções de aumento na temperatura na Região, variando entre dois e até cinco graus, é melhor que ele esteja menos povoado, sobretudo, nas zonas rurais.

Tânia Bacelar aposta na criação de cidades médias no Semiárido. "Elas precisam de políticas", diz, alertando que é preciso primeiro cuidar dessas cidades, no sentido de dar infraestrutura socioeconômica, com ênfase no setor terciário. O setor primário não pesa tanto nas atividades do meio urbano que concentra 60% das populações do semiárido.

EFEITOS NAS REGIÕES ÁRIDAS
Faltam pesquisas sobre degradação

Na América Latina, os impactos econômicos da degradação ambiental podem variar entre US$ 8 e 11 bilhões

Os efeitos da degradação ambiental constituem uma ameaça real à vida no Planeta. Porém, faltam ações para quantificar os impactos, principalmente, econômicos dessas catástrofes naturais. No Brasil, estes impactos ainda estão sendo avaliados, explica Walter Vergara, especialista em Mudanças Climáticas do Banco Mundial (Bird), chamando a atenção para a savanização da Amazônia. Estima que "os impactos serão da ordem de bilhões de dólares".

Mas o especialista avisa: Os prejuízos não serão sentidos apenas nas regiões de florestas, mas também nas áreas costeiras e os corais, considerados como "as florestas dos oceanos". Algumas espécies estão desaparecendo, afirmando que 65% de outras formas de vida na região dos oceanos dependem dos corais para sobreviverem.

Walter Vergara informa ser esta uma preocupação do Bird, que realiza estudo sobre estes animais marinhos. "Os corais poderão desaparecer dentro de 100 anos, caso nada seja feito", projeta. Walter Vergara atenta, ainda, para a degradação das montanhas geladas. "As consequências econômicas são significativas", diz.

Na América Latina, estima que o impacto causado pela degradação ambiental varie entre US$ 8 e 11 bilhões, atingindo atividades como piscicultura, turismo, biodiversidade e o fornecimento de matéria prima para a indústria farmacêutica. Destaca o impacto sofrido na Cordilheira dos Andes, no que diz respeito ao suprimento de água. O especialista do Bird calcula o investimento de US$ 100 milhões para compensar os efeitos da falta do fornecimento de água nas baciais glaciais. "Com relação ao Semiárido Nordestino, afirma não existir previsão sobre o impactos econômicos". O tema foi um dos discutidos na sessão plenária "Sinergias entre as convenções das Nações Unidas", ontem, na Icid + 18, cobrando maior interação das instituições.

COOPERAÇÃO
Governos ajudam países pobres

No Brasil, existem 20 pesquisadores do IRD, instituição francesa que firmou convênio com a Fiocruz

Com o objetivo de trocar experiência técnicas e científicas com vistas à melhorias do meio ambiente, pesquisadores franceses, brasileiros e africanos estiveram reunidos ontem, durante o segundo dia da Icid + 18. A mesa-reunião, organizada pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), instituição francesa que trabalha com trocas de experiências em países em desenvolvimento, resultou na celebração de um convênio com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na área de saúde ambiental.

O representante do IRD no Brasil, Jean-Loup Guyot, disse que a instituição está presente na África, sobretudo na África do Norte. O objetivo foi propiciar maior interação entre representantes de países africanos, no sentido de aumentar a cooperação e criar um grupo de reflexão entre França, Brasil e África. No Brasil, a principal área de atuação do IRD é a Amazônia. "Concentramos a maior parte dos projetos", afirma.

No Ceará, o IRD conta com um pesquisador que realiza trabalho na área de oceanografia na Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Jean-Loup Guyot aposta numa maior interação entre o Brasil no que diz respeito ajudar aos países mais pobres do mundo. "O governo Lula tem dado um forte apoio", reconhece. Com relação à França, esclarece que o país tem uma história "colonial antiga", há mais de 80 anos. Agora, o trabalho é feito mediante a cooperação e troca de experiências.

Educação deve ser repensada

A reversão do quadro de degradação ambiental depende da transformação do conhecimento em prática

Num País em que 42% das pessoas ocupadas estão no setor informal e pelo menos 4 bilhões estão fora do mercado de consumo, as agendas social, econômica e de sustentabilidade ambiental têm de repensar a questão da educação das populações. Pelo menos essa é a avaliação do economista Ladislau Dowbor, um dos debatedores da Segunda Conferência Internacional : Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento para Regiões Semi-Áridas (Icid+18).

Para ele, reverter as questões da degradação ambiental e da desertificação no Semiárido depende, em boa medida, da mudança de paradigma da sociedade civil e dos governos em relação ao acesso à informação e à educação, transforma-os em conhecimento e prática.

De acordo com o economista, a escola é agente de transformação na medida em que o seu conteúdo dialoga com a realidade local do município, do Estado e da região, contribuindo para a redução das desigualdades sociais.

"Há um alto índice de evasão escolar porque os alunos estão de saco cheio de estudar a história de Carlota Joaquina", brincou. Para ele, a educação tem de trabalhar numa visão articuladora dos conhecimentos necessários e não lecionadora de conteúdos. "Não dá para reduzir a educação à lousa e giz, conteúdo escolar e o que está na cabeça da professora", ironizou.

O economista citou o exemplo do município de Pintadas (BA), com 12 mil habitantes e que passou a incluir o Semiárido como disciplina na rede pública de ensino.

"A prefeita eleita não agradava ao poder estadual. Fecharam a agência do banco local, que só servia para passar aspirador de pó, e criaram uma cooperativa de crédito, que financiou a recuperação de solos nas pequenas propriedades". Com as medidas adotadas, cerca de três mil trabalhadores deixaram de migrar de Pintadas para São Paulo, onde iam trabalhar no cote da cana-de-açúcar.

Internet sem pedágio

Na era pós-Revolução Industrial, o conhecimento é que conta, ­ diz Dowbor. Hoje, quando você pega qualquer produto, como uma caneta, 95% do valor dela é conhecimento incorporado - pesquisa tecnológica, design, comunicação etc. E, apenas 5%, trabalho físico e matéria prima. "Estamos na era da economia do conhecimento. Todas as nossas atividades estão se tornando muito mais densas em conhecimento e democratizá-lo é vital. A educação tem um papel chave nisso porque as empresas querem colocar pedágio para impedir o acesso a esse conhecimento", destacou.

Para o economista, "a comunicação do conhecimento deve ser leve, gratuita e aberta". Por isso, defende que além de uma agenda de redistribuição de renda e inclusão produtiva, sempre em sintonia com a sustentabilidade ambiental, é preciso defender o acesso ao conhecimento. "O acesso à banda larga para Internet é uma batalha mundial", disse.

Dowbor enfatizou que, sob a justificativa de combater a pirataria, não é legítimo que as empresas queiram "cobrar pedágio" pelo uso da rede mundial. "O que estamos fazendo hoje no Brasil ainda está na pré-história", resumiu.

Investir em pesquisas

O diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Antônio Galvão, destacou a necessidade de investimento em pesquisas para o desenvolvimento do social do Semiárido.

Ele destacou que a região possui uma história de cem anos na luta contra a escassez de água. "Era preciso construir açudes e barragens naquele momento", disse. Hoje, afirma que o Semiárido vive um novo capítulo nessa história: o olhar para o social que constitui o instante presente, mas que o passado não pode ser esquecido.

Antônio Galvão destacou, ainda, os programas sociais de distribuição de renda e de crédito aos pequenos produtores, mas sem perder de vista os grandes empreendimentos, como a transposição de água, a Transnordestina e outras iniciativas para mudar a logística e a produção na região semiárido. "É preciso desenvolver a pesquisa científica e dinamizar a economia", propôs.

CAATINGA
Ceará com mais três áreas de proteção ambiental

Previsão é de aproximadamente dois anos para que sejam realizados os estudos e reservadas as terras

O protocolo de intenções para a criação de três novas áreas de proteção ambiental, dentro do bioma Caatinga, no Estado do Ceará, foi assinado na tarde de ontem, entre representantes do Conselho de Políticas Públicas e Gestão do Meio Ambiente do Ceará (Conpam), Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace), Secretaria da Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a ONG Associação Caatinga.

"Dessas três áreas, uma vai ficar com o governo do Estado, que já está trabalhando, e as outras duas vão ficar com o Ministério do Meio Ambiente e a Associação Caatinga", declarou a secretária executiva do Conpam, Tereza Farias.

De acordo com ela, a área próxima à nascente do Rio Jaguaribe, nos Inhamuns, é uma das três estudadas no protocolo e já está sob coordenação do Conpam. Lá, segundo Tereza, com recursos do GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente, da sigla em inglês) e do Banco Mundial, o trabalho do conselho se dá para formar um corredor ecológico próximo à nascente do Rio Jaguaribe. A segunda região incluída no protocolo é próxima à Bacia do Banabuiú e terceira é nos arredores do município de Monsenhor Tabosa.

A expectativa é de que essas regiões do Ceará se tornem áreas de proteção ambiental em cerca de dois anos (seis meses de estudo e um ano para criação dos parques). "Parece muito tempo, mas não é, considerando que o estudo não é só sobre fauna e flora. Há um estudo socioeconômico para ver que tipo de unidade é mais viável e qual o custo", garante.

O representante da Associação Caatinga, Rodrigo Castro, se entusiasma: "Pode ser um parque nacional ou estadual, será uma nova unidade para garantir a preservação da reservas hídricas na Caatinga".

ECONEGÓCIOS 2010
Feira mostra casa de plástico reciclado

Já imaginou uma casa feita de plástico reciclado que pode ser montada e desmontada como um brinquedo de encaixar gigante? Pois ela existe, ou pelo menos um protótipo dela, e está em exposição na EcoNegócios 2010, que reúne 80 expositores, paralela à Icid+18, no Centro de Convenções Edson Queiroz.

Resultando da joint venture entre a Impacto Protensão e a Ceplal, a empresa Tecplast desenvolveu um sistema de reutilização de plásticos recicláveis de altíssima resistência. A aplicabilidade dos produtos atende a diversas áreas. E assim surgiu a casa 100% ecológica, que está passando por ensaios de estanqueidade, resistência ao calor e acústica, na Universidade Federal do Ceará (UFC).

Segundo George Cabral, técnico da Impacto Protensão, por enquanto, a casa de plástico vem sendo utilizada em canteiros de obras. "Ela está, por exemplo, na obra do Centro de Eventos do Ceará. A vantagem é que, após concluído o empreendimento, a casa pode ser desmontada e levada a outro local", disse o expositor.

Também na EcoNegócios o visitante pode conferir a produção dos principais perímetros irrigados do Estado. Além de frutas, a feira reúne, produtores de artesanato, órgão de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, como o Padetec, estandes das Universidades de Fortaleza (Unifor) e UFC, e de empresas privadas, como a Coelce e a Moscamed Brasil.

Programação de hoje

A1- 8h30: Estratégias de financiamento para o desenvolvimento sustentável em regiões semiáridas / 10h30: Segurança alimentar, alterações climáticas e desenvolvimento / 13h30: Cenários de mudanças climáticas para as regiões semiáridas / 15h30: Alterações climáticas e de adaptação em terras áridas

A2 - 8h30: Lições de políticas públicas para regiões secas do México e da Bacia do Nilo / 10h30: Atribuição de informação sobre água: lições do Ceará, BRA / 13h30: Retiradas de carbono em regiões semiáridas / 15h30: Evolução do clima na África Ocidental

A3 - 8h30: Transposição de águas nas regiões Semiáridas / 10h30: Vulnerabilidade, adaptação e desenvolvimento da A. Latina / 13h30: Adaptação estratégica no oeste da China / 15h30: Impacto das alterações globais sobre a hidrologia do semiárido

A4 - 8h30: Mesa Redonda: Direitos, representação e governança / 10h30: Biodiversidade, mudanças climáticas e desenvolvimento em terras áridas /13h30: Formas de gestão adaptada no âmbito das alterações climáticas / 15h30: Aprendizagem social e: o desenvolvimento de processos educativos para a mudança climática na África

A5 - 8h30: Conservação e uso sustentável de espécies nativas / 10h30: Vulnerabilidade e adaptação: implicações das alterações climáticas na China / 13h30: Vulnerabilidade e enfrentamento em áreas rurais / 15h30: Combate à seca para enfrentar a desertificação no Nordeste

A6 - 8h30: Clima e sociedade: ciência e aplicação 2 / 10h30: Clima e sociedade: ciência e aplicação / 13h30: Uso sustentável dos recursos florestais da caatinga / 15h30: Rede global de institutos de pesquisa de terras áridas

SAMIRA DE CASTRO, IRACEMA SALES E ARMANDO DE OLIVEIRA LIMA
REPÓRTERES E ESPECIAL PARA ECONOMIA
TOPO

DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
ICID+18
Vamos conviver com extremo
Um dos meteorologista mais conceituados do Brasil, Carlos Nobre, participa, hoje, às 13h30, do painel Cenários de Mudanças Climáticas para as Regiões Semiáridas, na Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICid +18)

Quais são as principais consequências do aquecimento global no Brasil, país que tem graves problemas a serem resolvidos, como a pobreza, falta de emprego, saúde e educação? Esse contexto de pobreza dificulta a realização de políticas capazes de enfrentar o problema?

No Brasil, as temperaturas continuarão a subir e podem estar 1 a 2 º C mais quentes até 2050. Provavelmente teremos mais eventos climáticos extremos, como secas, inundações e tempestades severas. Como nosso litoral é extenso, também devemos nos preocupar com o aumento do nível do mar causado pelo derretimento de mantos de gelo em continentes e pela expansão térmica da água do mar mais aquecida. No Nordeste, a disponibilidade hídrica pode ficar ainda mais reduzida na região semiárida devido a secas mais intensas e maiores temperaturas do ar, que causam maior evaporação da água do solo. A megadiversidade de espécies da flora e fauna brasileiras igualmente estará ameaçada porque plantas e animais podem não conseguir migrar em resposta às rápidas mudanças dos padrões climáticos. De modo geral, a maior parte das culturas agrícolas brasileiras será impactada negativamente, em função das maiores temperaturas e extremos climáticos.

A maior parte da diversidade biológica terrestre é encontrada em países em desenvolvimento, porém, estes países têm seguido uma trajetória de substituição de ecossistemas naturais por agricultura, pecuária ou extração madeireira a taxas insustentáveis para a manutenção da máxima biodiversidade do planeta. Alterar esta trajetória passa por uma nova e inovadora concepção de desenvolvimento principalmente para os países tropicais. A qualidade de vida de suas populações e seu desenvolvimento acelerado, com redução da pobreza, terão que ser obtidos a partir da riqueza dos recursos naturais, principalmente da biodiversidade. Este modelo de desenvolvimento ainda está para ser inventado e depende de investimentos em ciência e tecnologia.

O que efetivamente está sendo feito pelo governo no sentido de enfrentar o problema?

O Brasil é um dos poucos países com metas claras para reduzir suas emissões. Em relação ao desmatamento da Amazônia, uma queda substancial e consistente do desmatamento vem sendo verificada desde 2004, quando foi criado, pelo governo federal, o Plano para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAM). Um elemento muito importante deste Plano - o monitoramento em tempo quase real de desmatamentos (DETER) - se deve à iniciativa do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que naquele ano criou este novo sistema de detecção de desmatamento, permitindo aos órgãos de fiscalização tomar ações rápidas e eficazes de combate ao corte ilegal. Deve-se dizer, por outro lado, que, ainda que estas ferramentas observacionais sejam eficazes instrumentos para uma correta gestão ambiental, elas por si só não asseguram o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Para tanto, devemos inventar um novo paradigma para as regiões tropicais, obtendo valor econômico da riqueza da floresta, da biodiversidade e dos rec
ursos energéticos renováveis, além dos serviços dos ecossistemas. Do lado da adaptação às mudanças climáticas que já se tornaram inevitáveis, pouco tem sido feito no Brasil. Em particular, para o semiárido, considerando as projeções de maior escassez de água, há que se pensar não somente em mais soluções no terreno do armazenamento hídrico, mas principalmente um novo modelo de desenvolvimento deve ser buscado que dependa menos da disponibilidade hídrica.

O desmatamento e as tecnologias empregadas para a agricultura de produção em massa, assim como a pecuária moderna estão na contramão dessa política de conter ou enfrentar as mudanças climáticas?

Os desmatamentos na Amazônica e do Cerrado são a principal fonte de emissões no Brasil, seguida pela produção agropecuária. Ou seja, nossas emissões de gases de efeito estufa estão direta ou indiretamente relacionadas à agricultura.

Secas, ondas de calor, como o verão europeu deste ano, e cheias podem ser consideradas sinais do aquecimento global?

Fenômenos climáticos e meteorológicos extremos - que provocam chuvas torrenciais, por exemplo - acontecem regularmente e fazem parte da variabilidade natural do Planeta. Porém, como resultado do aquecimento global antropogênico, espera-se um aumento da variabilidade do clima, com aumento da ocorrência de eventos extremos de precipitação e secas muito severas, além de ondas de calor. É importante destacar que um evento extremo analisado isoladamente não pode, normalmente, ser atribuído ao aquecimento global. Num planeta mais quente, devemos esperar mais eventos extremos. No que concerne a ondas de calor, deve-se apontar que o que hoje consideramos um verão excepcionalmente quente (como, por exemplo, 2003 na Europa Ocidental e 2010 na Rússia), será um verão normal daqui a 30 a 40 anos.

As principais fontes de emissão de gases de efeito estufa na América Latina são o desmatamento, a agropecuária moderna e o petróleo. Como conciliar desenvolvimento socioeconômico e sustentabilidade?

O mundo precisará mudar seus valores e hábitos de consumo. Um ponto positivo para o Brasil é que nosso país seja dos poucos do mundo que poderia ter, no futuro, uma matriz energética quase que 100% limpa na escala de poucas décadas. O Brasil tem condições de se projetar mundialmente como uma potência ambiental tropical. Temos abundância de recursos naturais renováveis: água, extensão territorial e costeira, áreas agriculturáveis, florestas e inigualável biodiversidade, mas precisamos usar nossas vantagens naturais com responsabilidade. Um sistema de Ciência e Tecnologia de excelência, para conhecer e acompanhar a evolução de nosso território, certamente nos levará ao posto de primeiro país tropical desenvolvido da História.

A corrida ao petróleo, no caso do Brasil, pelo pré-sal, é incompatível com a luta contra o aquecimento global?

Se todo o combustível fóssil armazenado no sub-solo do Planeta (petróleo, gás natural, carvão) acabar na atmosfera após combustão para gerar energia, o aquecimento global atingirá um valor insustentável. Por outro lado, não seria realístico imaginar que países detentores de reservas de petróleo irão voluntariamente deixá-lo no sub-solo permanentemente. É o grande paradoxo dos riscos do aquecimento global versus a segurança energética do mundo, construída em cima dos combustíveis fósseis. A maneira de efetuar a transição para um modelo de uso predominante de energias renováveis é o grande desafio das próximas duas décadas.

Considerando que as metrópoles e megalópoles necessitam de mobilidade, o senhor acha que os biocombustíveis seriam uma saída?

Os países da América Latina têm coletivamente grande potencial de produção de biocombustíveis para substituir combustíveis fósseis. Cerca de 200 mil quilômetros quadrados utilizados para a produção de bioetanol a partir da cana-de-açúcar seriam suficientes para substituir 15% do uso de gasolina atual. No seu conjunto, é factível utilizar esta área sem afetar significativamente a produção de alimentos ou ameaçar ecossistemas, ainda que isto somente possa ser conseguido com políticas públicas que limitem a produção de biocombustíveis em áreas já alteradas e que servem à agricultura e à pecuária. O potencial de uso de outras energias renováveis (energia solar, eólica, entre outras) é igualmente extremamente alto em toda América Latina, ainda que seu aproveitamento atual seja bem modesto. Grande parte do atendimento à demanda de energia futura do continente latino-americano pode vir exatamente destas fontes de energia, trazendo a possibilidade concreta de a região tornar-se a mais "limpa" do Planeta.

Perfil
Vida de pesquisador

Carlos Afonso Nobre

Graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e doutor em Meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology, é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre. Foi coordenador geral do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec-Inpe) e representante da área Multidisciplinar da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Atualmente é presidente do Comitê Científico do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP). Exerce a secretaria executiva da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas (Rede Clima) e a coordenação executiva do Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais. É presidente do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Formulou, há 20 anos, a hipótese da savanização da Amazônia e foi um dos autores do 4º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
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O POVO

18 de agosto de 2010

 
SABIAGUABA
Área de proteção será regulamentada
Equipes da Habitafor e Semam visitam hoje Área de Proteção Ambiental (APA) da Sabiaguaba para levantamento fundiário e do número de famílias do local. Ainda em agosto, plano que regulamenta uso e ocupação da área deve começar a ser elaborado

Quase cinco anos após ter sido criada, em 20 de fevereiro de 2006, a Área de Proteção Ambiental (APA) das Dunas da Sabiaguaba finalmente deve ganhar um plano de manejo e ocupação. Hoje, equipes da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor) e da Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) visitam a unidade de conservação e o Parque Natural Municipal das dunas, instituído pelo mesmo decreto responsável pela criação da APA. O objetivo é realizar levantamento fundiário e do número de famílias que vivem no local.

Segundo informações da Semam, as famílias que estão morando na área das dunas devem ser indenizadas e reassentadas. A ação integra o processo de construção do documento que resultará no plano de manejo da APA, que tem 1.009 hectares. Ainda em agosto, de acordo com a secretaria, um grupo multidisciplinar, formado por agrônomo, geólogo, geógrafo, biólogo e arquiteto da Universidade Federal do Ceará, Fundação Cepema e da própria Semam, dará início à confecção do plano. O prazo para execução do documento é de sete meses.


Janilson Ferreira Lima é consultor técnico da Coordenadoria de Políticas Ambientais da Semam. Ele explica que o plano de manejo de uma unidade de conservação destina-se a regulamentar seu uso e a ocupação. Janilson diz que, “na realidade brasileira, as unidades são criadas, mas não são criados os planos”. A APA da Sabiaguaba é um exemplo. Decorridos quatro anos de sua concepção, que atende a demandas de movimentos sociais e demais setores interessados na preservação dos recursos naturais, ainda não tem plano. Entretanto, o consultor esclarece que a Prefeitura de Fortaleza tinha prazo máximo de cinco anos para a elaboração do documento.

Fiscalização
Com a elaboração do plano de manejo da APA da Sabiaguaba, restaurantes, barracas de praia e casas de veraneio deverão ser retirados da área compreendida pela unidade de conservação. O tráfego de veículos tracionáveis também deve ser finalmente encerrado. Na manhã de ontem, O POVO visitou o Parque Municipal das Dunas. Segundo moradores do entorno, grupos de condutores de quadriciclos costumam transformar as dunas em pista de corrida durante a noite.

“Tem uma turma que chega às dez e meia (da noite) e vai até de madrugada. O barulho é horrível”, lamentou o comerciante Francisco da Silva Bezerra, 39.

BLITZE MENSAIS NAS DUNAS
De acordo com informações da Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano, há somente uma equipe de fiscais, em um carro, para percorrer toda a Área de Proteção Ambiental das dunas da Sabiaguaba. Os fiscais visitam a APA em dias alternados, sempre nos mesmos horários, e somente durante a semana.

Segundo Janilson Ferreira Lima, consultor técnico da Coordenadoria de Políticas Ambientais da Semam, a primeira grande blitz na área foi realizada no último dia 31 de julho. Ela integrou agentes da Companhia de Policiamento do Meio Ambiente, PMTUR, Detran e Guarda Municipal. Entretanto, nenhuma autuação foi feita.

O consultor informa que as blitze integradas deverão ocorrer todos os meses. Mesmo precária, a fiscalização já vem surtindo resultados. Segundo moradores, o tráfego de veículos 4x4 na área tem diminuído drasticamente. > A APA e o Parque Municipal das Dunas da Sabiaguaba foram criadas pelo decreto 11987/2006, no dia 20 de fevereiro. A APA, que tem 1.009 hectares, engloba o Parque, que tem 467 hectares.
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O POVO

18 de agosto de 2010

 
ICID+18
ONU quer ações conjuntas e efetivas
Se sinergia é necessária em qualquer organização para alcançar resultados, contra a desertificação e as consequências das alterações climáticas ela é essencial. Representantes das mais importantes entidades discutiram como encontrar sinergia entre as três principais convenções climáticas

Como unir todas as instituições governamentais, não-governamentais e sociedade civil que tem o mesmo interesse, em ações efetivas para determinada causa? A sinergia entre as convenções das Nações Unidas foi o tema da plenária no segundo dia do ICID+18, a Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas, que começou na segunda-feira em Fortaleza. O evento reúne aproximadamente dois mil participantes de mais de 100 países.

Para a plenária, que foi coordenada pelo Ministro de Assuntos Estrangeiros, o embaixador Luis Alberto Figueiredo Machado, estiveram presentes o representante do Banco Mundial, Walter Vergara; da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Nora Berrahmouni; do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Margarita Astralaga; do United Nations Convention on Biological Diversity (Uncbd), Jaime Webbe; e o secretário-executivo da Convenção de Combate à Desertificação da ONU (Unccd), Luc Gnacadja.

Entre a primeira e a segunda edição da ICID, três convenções foram aprovadas e entraram em operação: a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (Unocd); a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (Unfcc) e o Protocolo de Kyoto; e a Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (Uncbd). Apesar de todas contribuírem para fortalecer o combate à desertificação e preservar a biodiversidade presente nas regiões áridas e semiáridas em todo o planeta, ainda há dificuldades em alinhar algumas ações. Para Machado, é preciso uma atuação mais harmoniosa, com otimização de recursos humanos e materiais. “São todos filhos do mesmo movimento, que tem como conceito o desenvolvimento sustentável”, lembra.

“Nós temos diferentes aproximações setoriais e isso não é fácil. Mas temos diversos parceiros e isso cria muitos mecanismos no nível regional”, aponta Margarida Astralaga. Ela acredita que é necessário tornar os processos de governanças estaduais mais claros para todos. “É preciso haver coerência para que as instituições que ajudam o meio ambiente possam trabalhar”. De acordo com Nora Berrahmouni, da FAO, é importante reconhecer cada vez mais os valores das áreas áridas. “Por outro lado é preciso haver de fato suporte e comprometimento das várias partes”, ressalta.

Walter Vergara, do Banco Mundial, diz que tem que ser considerado o contexto de emergência no problema climático. “A sinergia deve trazer as coisas para um nível mais prático”, aposta. Já Luc Gnacadja é mais severo. Ele falou da importância dos objetivos finais em mitigar os efeitos da desertificação.
SAIBA MAIS
VALOR DOS DESERTOS E DAS TERRAS SECAS
> 2.1 bilhões de pessoas, cerca de 40% da população mundial, habita os desertos e terras secas do mundo;
> 90% dessa população vive em países em desenvolvimento;
> 50% da pecuária do mundo é sustentada por pastagens;
> 46% do carbono global é armazenado em terras áridas;
> 44% de todas as terras cultivadas estão em zonas áridas;
> 30% de todas as plantas cultivadas são provenientes de terras secas.
AMEAÇAS DA DESERTIFICAÇÃO
> A desertificação afeta 3,6 bilhões de hectares de terra no mundo inteiro - ou 25% da massa terrestre;
> 110 países estão em risco de degradação dos solos;
> 12 milhões de hectares de terra são perdidos a cada ano;
> A terra perdida anualmente poderia produzir 20 milhões de toneladas de grãos;
> Anualmente, US$ 42 bilhões são perdidos em renda devido à desertificação e à degradação dos solos.

Dinheiro é insuficiente para os trabalhos

A necessidade de unir forças para combater os efeitos das mudanças climáticas nos trópicos foi discutida durante uma mesa redonda sobre a Tríplice Cooperação Brasil-África-França, ontem pela manhã, no ICID+18. Na ocasião, os países envolvidos na tríplice reforçaram a necessidade de partilhar experiências, ciência e tecnologia. “Para todos os países do mundo, dinheiro não é suficiente. O desejo de mudar a situação é maior do que o nosso dinheiro. Não podemos fazer isso sem a ciência”, explica o representante do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, Gilberto Câmara.

Uma das ações que resultam da sinergia entre os três países é o projeto espacial que emite imagens por satélites de diversas áreas do mundo, oferecendo informações sobre o desenvolvimento sustentável

O objetivo é preparar os satélites, tratar as imagens captadas e fazer o gerenciamento das informações, orientando políticas voltadas para os efeitos das mudanças climáticas.

Para o ministro do Ensino Superior e da Pesquisa de Senegal, Amadou Tidiane Bâ, não é necessário desenvolver muitos argumentos para mostrar que as mudanças climáticas afetam os
meios de subsistência da população.


Por isso, ele destaca a importância de pensar em políticas de desenvolvimento que contemplem a segurança alimentar, a gestão e a administração dos recursos hídricos. “Os programas alimentares reduzem a vulnerabilidade das populações pobres diante das mudanças climáticas”, afirma.

Um dos desafios dos gestores, na avaliação dele, é a ausência de atualização dos dados pelo governo. (Lucinthya Gomes)

Em busca de novas ideias e práticas
Apesar do público pequeno, o segundo dia do ICID %2b 18 atraiu a atenção de vários estudantes interessados em participar das discussões e conhecer propostas para a questão da desertificação

Poucas pessoas acompanharam o segundo dia da Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICID + 18), que acontece até a próxima sexta-feira no Centro de Convenções. O evento reúne representantes e estudiosos de várias partes do mundo, principalmente das regiões mais atingidas pela desertificação, para discutir as causas e consequências das aceleradas mudanças climáticas.

Mesmo funcionando em paralelo com uma feira de econegócios, foram poucas as pessoas que circularam pelos estandes e acompanharam as palestras na tarde desta terça-feira. Mas, quem acompanhou, elogiou o nível das conversas. É o caso da arquiteta e urbanista Thaís Callou que destacou os alertas para a desertificação e vulnerabilidade. “Só senti falta de falarem mais em soluções. Por exemplo, ninguém falou em permacultura”, lamentou ela lembrando no método australiano, criado na década de 1970, que propunha uma maior relação do homem com a natureza.
Mundo
“Essas palestras são importantes paras as pessoas saberem o que está acontecendo pelo mundo e, principalmente, aqui no Nordeste”, comentou a estudante do Curso Técnico de Meio Ambiente Hinna Samire. Mestrando em geografia, o paraibano Iaponan Cardins também vê no ICID + 18 um espaço importante para o encontro das ideias. “Se o resultado vai ser algo palpável, é outra história. Afinal, Copenhague já foi um fiasco”, lembra ele. Já a palestrante e expositora baiana Tereza Flores, convidada para participar do Econegócios, só lamentou o fato de não poder conferir a programação do ICID + 18 por não ter feito previamente sua inscrição. “Vim para tentar fazer negócios por que aqui tem um ótimo potencial, mas não pude ir lá. Se quem está na feira não participa do ICID, como dialoga?”
Desconexo
Enquanto os estudiosos debatiam nos auditórios, do lado de fora visitantes sentiram falta de ações mais concretas voltadas para a educação ambiental. “Eu acho que os organizadores deveriam ter mais atenção ao que passam para nós. A utilização de copos descartáveis, por exemplo, é inaceitável. Deveriam ter dado uma caneca para cada visitante ou ao menos um aviso pedindo que cada um adotasse um copo descartável”, reclamou a funcionária pública Francelina dos Santos.
Além dela, os alunos de gestão ambiental do Instituto Federal do Ceará (IFCE) visitaram o evento e também observaram pontos negativos com relação à educação ambiental no local. “O evento visou muito a questão do semiárido, a falta de água, mas esqueceram que cuidar do meio ambiente requer ações mais simples, como reduzir a geração de resíduos sólidos. Tem gente aqui que recebe os panfletos e joga no lixo, não existe uma distribuição somente para quem está interessado no negócio apresentado”, destacou o estudante Phylippe Santos, 19.

Segundo o diretor do ICID +18, Antônio Rocha Magalhães, as observações dos visitante são positivas. “É importante receber estes questionamentos. Só temos que crescer com isso. Já plantamos 400 mudas na Mata Atlântica antes do evento começar e uma ONG cearense fica responsável pela coleta dos resíduos sólidos. Nós nos preocupamos com a educação ambiental mas estamos sempre aprendendo. Serve de amadurecimento para o Rio +20, em 2012”, explicou Magalhães.
BASTIDORES
> Copos descartáveis.
No Centro de Convenções o que se viu a todo momento foi a formação de resíduos sólidos, como copos descartáveis no lixo. Ao lado de cada bebedouro, um saco com cerca de 50 copos descartáveis, que eram utilizados indiscriminadamente pelos visitantes. Também não havia cartazes ou avisos incentivando a utilização de apenas um copo descartável
>Exemplo ao lado.
Já no bloco ao lado, ainda no Centro de Convenções, um outro evento (Econegócios) mostrava iniciativas simples de educação ambiental, como a colocação de cestos de coleta seletiva ao lado dos bebedouros.
>Programação.
Alguns visitantes reclamaram sobre mudanças na programação feitas de última hora. Quem buscava saber o que acontecia durante o evento procurava cartazes na entrada do Centro de Convenções. Durante a tarde, a programação impressa em português já não estava mais disponível, apenas a versão em inglês.
>Falha na tradução.
A língua utilizada em algumas mesas redondas era o francês. Quem não compreendia o idioma contou com a ajuda de tradutores disponibilizados pela organização do evento. Diante de termos tão específicos e da fala apressada dos debatedores, os tradutores tiveram dificuldades de acompanhar a discussão, o que interferia na compreensão dos assuntos por quem não compreende francês. A tradução de várias falas ficava incompleta.
>Gastos.
Segundo o diretor do ICID+18, Antônio Rocha Magalhães, foram investidos R$ 5 milhões para a realização do evento, sendo R$ 1,5 milhão somente do Ministério do Meio Ambiente e o restante de cerca de 30 instituições apoiadoras.
>Papéis.
Nos estandes da feira, os visitantes recebiam panfletos indiscriminadamente, bem como a programação que estava impressa em apenas um lado da folha.
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DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
PESQUISA CIENTÍFICA - CEARÁ
Capes destaca o Ceará em pesquisa científica
A Unifor é citada como exemplo na realização de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado

Para o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, a pesquisa no Ceará vem acompanhando a posição de destaque que o Brasil ocupa atualmente no ranking mundial da produção científica e tecnológica, que é de 13º. Segundo ele, o Estado está entre os 11 que mais se destacam nessa área no Brasil. "O País estará no grupo dos dez maiores produtores de pesquisa até 2020", garantiu.

Jorge Guimarães disse, na tarde de ontem, em palestra realizada na Universidade de Fortaleza (Unifor), que as instituições brasileiras têm investido além da graduação: em pesquisa e pós-graduação. "Apesar de esse tipo de ação ser mais difícil para as universidades particulares, elas o fazem", ressaltou.

Ele apontou, como exemplo, a Unifor, que tem como diferencial uma grande quantidade de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado nas áreas do Direito, Administração e Informática. "Isso é um fato raro entre as instituições não públicas. A universidade está investindo em áreas de muita importância que serão essenciais para um futuro próximo", colocou.

O presidente aproveitou a passagem por Fortaleza para assinar, com a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico (Funcap), convênio para repasse de R$ 10 milhões a serem investidos em ações que serão desenvolvidas, entre 2011 e 2014, na produção científica cearense.

Guimarães destacou o papel da Capes no desenvolvimento do sistema brasileiro de produção científica, que é bem estruturado, com processos que fomentam a formação de recursos humanos. O presidente disse que os avanços na área científica no Brasil foram muitos e salientou a necessidade de se criar patentes com produção de conhecimento. "Cerca de 30% das patentes brasileiras vêm da academia. É preciso transformar conhecimento em produto".

Porém, Guimarães considera que a educação básica no Brasil ainda seja de má qualidade. "Esse é um grande desafio que precisa de esforço". Além disso, ele lembrou a importância de desenvolvimento da área tecnológica, em que o País só forma 11% de alunos. "Estamos formando pouco e criando pouca demanda nessa área. Isso reporta ao fato de a educação básica ser fraca", frisou.

Outro problema é que 60% dos jovens que entram nos cursos de engenharia das universidades públicas não concluem. "Isso se deve, muitas vezes, ao assédio das empresas a esses jovens", explica. Mas, Jorge Guimarães informa que até 2014 o número de engenheiros formados no País será duplicado. "Precisamos dar apoio aos estudantes de graduação, como uma bolsa especial de fixação dos estudantes. O projeto está pronto. Falta apenas o mecanismo".

Fora isso, destacou o investimento em mestrados profissionais e o avanço na qualidade da produção científica como ações a serem desenvolvidas. "Estamos trabalhando o plano nacional de pós-graduação para projetar mudanças até 2020. Um dos desafios é duplicar o número de doutores", ressaltou.

NÍVEL DE ENSINO
Unifor é referência no Brasil

"A Universidade de Fortaleza (Unifor) é uma instituição educacional de referência, não só para o Nordeste brasileiro, mas também para todo o Brasil". Foi com essas palavras que o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, resumiu o nível de ensino da Unifor em visita feita, na manhã de ontem, à instituição de ensino.

Juntamente com o chanceler Airton Queiroz; a reitora da Unifor, Fátima Maria Fernandes Veras, e outros convidados, Jorge Almeida Guimarães participou de reuniões envolvendo a equipe de Gestão Superior, coordenadores e professores dos programas de pós-graduação da universidade. O presidente da Capes ficou impressionado com o que a Unifor oferece, no momento, em termos de educação.

"A imagem que tenho da Universidade de Fortaleza é muito positiva. Acho que entre as instituições particulares, ela se destaca das demais, pois cuida muito bem da sua infraestrutura e do conteúdo dos seus cursos de graduação, o que acaba por refletir nos de pós-graduação", disse.

Já a reitora da Universidade de Fortaleza, Fátima Veras, ressaltou que a reunião serviu para a Unifor traçar planos futuros dirigidos a diversas áreas do conhecimento, principalmente na pós-graduação, mestrado e doutorado. "O nosso objetivo é que possamos realmente contribuir para o mercado de trabalho. Nesse aspecto, posso assegurar que a Unifor vai formar, sem a menor dúvida, bons profissionais que ajudarão a alavancar ainda mais o nosso Estado", afirmou Fátima Veras.

De acordo com o vice-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Unifor, Roberto Ney Ciarlini, a universidade tem se desenvolvido muito bem em pesquisa e apresenta crescimento na área ano a ano. "Temos consolidado programas de stricto sensu na área de Biotecnologia e estamos montando uma equipe de pesquisadores que vai gerar resultados", finalizou.

GIORAS XEREZ E LINA MOSCOSO
ESPECIAL PARA CIDADE E REPÓRTER
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FOLHA DE SÃO PAULO

18 de agosto de 2010

 
SUCESSÃO PRESIDENCIAL
Lula diz que terá papel ativo em eventual governo Dilma
Presidente muda tom e afirma que percorrerá "país inteiro" para apontar erros

Até agora, Lula disse que não se envolveria; mudança tem objetivo de ser garantia de que Dilma não oferece riscos

SIMONE IGLESIAS
ENVIADA ESPECIAL A PETROLINA (PE)
FÁBIO GUIBU
ENVIADO ESPECIAL A SALGUEIRO (PE)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem pela primeira vez que vai ter um papel ativo em um eventual governo da sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff (PT), chamada por ele de "minha presidenta".
Ao fazer uma provocação ao antecessor Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em entrevista a rádios do Nordeste, Lula disse que ao deixar o cargo percorrerá o país e dará palpites em caso de "alguma coisa errada".
Até ontem, Lula adotava o discurso de que jamais se envolveria no próximo governo porque, dizia, a melhor contribuição que um ex-presidente pode dar ao país é não incomodar ou dar palpites no governo do sucessor.
A Folha apurou que a mudança de tom tem objetivo de funcionar como uma garantia dada por Lula aos eleitores de que a escolha de Dilma não oferece riscos. Trata-se de uma contraposição ao discurso da oposição de que a ex-ministra é inexperiente.
"Quem pensa que vou deixar a Presidência e vou para Paris [FHC viajou após deixar o cargo], para Harvard, vou não sei para onde... Não, eu vou vir para o sertão brasileiro, vou viajar este país inteiro para ver o que eu fiz e o que eu não fiz", disse Lula em Petrolina (PE), onde visitou a Universidade Federal do Vale do São Francisco.
Lula complementou: "Se tiver alguma coisa errada vou pegar o telefone e ligar para minha presidenta e dizer: "Olha, tem uma coisa aqui errada. Pode fazer, minha filha, que eu não consegui fazer". Essa é a contribuição que um político tem que dar para o Brasil".
Em fevereiro, declarou: "Minha tese é a seguinte: rei morto, rei posto. A Dilma tem de criar o estilo dela, a cara dela e fazer as coisas dela".

"EU QUERO GANHAR"
Ontem à tarde, ao discursar para uma plateia formada basicamente por operários, em Salgueiro (532 km de Recife), Lula falou como se disputasse a própria sucessão e comparou duas vezes o governo aos cuidados de uma mãe com os filhos.
"A palavra não é governar", disse ele. "A palavra deste país é cuidar. Eu quero ganhar as eleições para cuidar do meu povo como uma mãe cuida do seu filho, daqueles que mais necessitam", afirmou.
Em nenhum momento da solenidade Lula citou Dilma.
O presidente declarou também que seu governo não fazia "uma coisa para um Estado tirando outra coisa de outro".
Ele completou: "Na hora em que coloca os filhos na mesa e vai fritar os bifinhos, se tiver cinco filhos, é um bifinho para cada um. O que nós estamos fazendo é distribuir esses bifes em igualdade".
Lula usou o slogan de campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para dizer que isso era possível.
"O Obama disse: "Nós podemos", e eu digo para vocês: nós não apenas podemos, como gostamos e queremos continuar governando este país", declarou.
Em Petrolina, Lula também comentou o desempenho do candidato do PSDB, José Serra. Disse que o tucano "está com dificuldade" de enfrentar o seu governo.
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FOLHA DE SÃO PAULO

18 de agosto de 2010

 
SUCESSÃO PRESIDENCIAL
Na TV, Dilma se apoia em Lula, e Serra foca saúde
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010


Petista se mostra continuadora, e tucano fixa sua bandeira de campanha

Candidatos ao Planalto evitam críticas e tentam aparar os seus pontos fracos na estreia da propaganda eleitoral

DE SÃO PAULO

No primeiro dia da propaganda gratuita na TV, ontem, Dilma Rousseff (PT) procurou mostrar que tem biografia suficiente para suceder o presidente Lula, enquanto José Serra (PSDB) fixou o tema da saúde como bandeira de campanha.
O programa de Dilma à tarde ressaltou sua trajetória profissional, para combater a crítica de que ela não tem experiência. O de Serra, cuja campanha busca amenizar uma imagem muito paulista e mais elitizada, mostrou o tucano integrado à diversidade regional do país e suas origens "de homem do povo".
À noite, ambas as campanhas alteraram o conteúdo do programa de TV. Lula apareceu muito mais ao lado de Dilma, dialogando com ela e dividindo realizações.
O presidente gravou depoimento no Palácio da Alvorada, residência oficial do governo, em que diz: "Tem pessoas a quem a gente confia um trabalho, e elas fazem tudo certo. Estes são os bons. E há pessoas a quem a gente dá uma missão, e elas se superam. Estes são os especiais. Dilma é assim".
A propaganda noturna de Serra ampliou a ênfase em saúde, listando ações do tucano no setor quando foi ministro, prefeito e governador e propostas como "Mãe Brasileira" (atendimento a gestantes e recém-nascidos) e a criação de uma rede de hospitais para deficientes.
"Comigo saúde vai ser assunto do presidente da República, porque, se não for, não melhora", afirmou.
Como antecipara a Folha, Dilma mencionou a sua prisão durante a ditadura.
Também foi explorada a experiência administrativa da petista em cargos nos governos municipal e estadual gaúchos e na gestão Lula.
Marina Silva (PV) manteve à noite o programa da tarde, com discurso ambientalista e frases empoladas como: "O uso de combustíveis fósseis bombeia nossas esperanças e nossas ilusões".
Segundo a ONG Contas Abertas, o horário eleitoral custará R$ 856,3 milhões aos cofres públicos, valor de isenção de IR às emissoras. (FABIO VICTOR)
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VALOR ECONÔMICO

18 de agosto de 2010

 
ELEIÇÕES 2010 - CIRO GOMES
Curtas - Ciro
O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) apresentou o programa eleitoral dos candidatos a deputado no horário gratuito da televisão, que estreou ontem, fazendo referência ao frustrado desejo de disputar a Presidência da República. Mas mostrou estar ao lado da candidata do PT para presidente, Dilma Rousseff. Após lembrar ter sido o deputado federal mais bem votado da história do Estado, afirmou: "Você sabe que nestas eleições eu gostaria de ter sido candidato a presidente. Não consegui, portanto não sou candidato a nada. Mas gostaria muito de pedir ao povo cearense, a vocês eleitores que me honraram com seu voto, que agora votem nos deputados de nossa coligação. Os deputados que estão apoiando Cid governador, Dilma presidente".
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DIÁRIO DO NORDESTE

18 de agosto de 2010

 
NOVO PONTO ELETRÔNICO
Governo pode preservar acordos nas empresas
Carlos Lupi negocia com centrais sindicais a manutenção de ajustes que flexibilizam controle das horas trabalhadas

Brasília - Depois de dar mais 90 dias para as empresas implantarem o novo ponto eletrônico, o governo agora negocia com centrais sindicais a manutenção de acordos que flexibilizam o controle das horas trabalhadas.

As novas regras entrariam em vigor no dia 21 de agosto, mas o governo concedeu o prazo extra, antes de começar a autuar os empregadores que adotam inadequadamente o sistema eletrônico. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse, após reunião com lideranças sindicais, que vai estudar se manterá a possibilidade de negociações dos trabalhadores com as empresas. Algumas categorias industriais, por exemplo, conseguiram livrar a hora do almoço do ponto. Outras apenas anotam ponto quando atrasam, faltam ou cumprem hora extra.

Sérgio Leite, 42, primeiro-secretário da Força Sindical, disse ser um "desperdício" acabar com esses acordos. O problema é que as negociações poderiam esvaziar a regra que regulamenta o ponto eletrônico. Mas o ministro ainda não sabe se haverá equipamentos de ponto eletrônico suficientes quando a medida entrar em vigor.

Sem obrigatoriedade

"Nenhuma empresa será obrigada a usar ponto eletrônico, independente do tamanho e da quantidade de trabalhadores que tenha. Apenas as empresas que usam este equipamento terão que se adequar; e se não quiserem se adequar, também poderão optar por usar manual ou mecânico", disse Lupi. Segundo o ministro, a intenção é dar ao trabalhador o poder de conferir seu horário de trabalho. "O empregado passará a ter o controle do seu ponto".
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O POVO

18 de agosto de 2010

 
LOGÍSTICA
O desafio da logística
O poder de competição de um país depende do potencial para movimentar seus produtos. Quanto mais distante for possível levá-los, de maneira mais competitiva, maior será o mercado conquistado. Não é por acaso que os países responsáveis por 50% do comércio mundial controlam 72% da frota de navios.

Competitividade requer logística adequada. No Brasil, no entanto, o alto custo da logística ainda é um desafio. Nosso país gasta US$ 16 bilhões por ano em transporte marítimo, e menos de 4% ficam com empresas brasileiras.


A interiorização do desenvolvimento, com a expansão da fronteira agrícola e o surgimento de novos polos industriais, aumenta a urgência da mudança na matriz de transportes. Especialistas em agronegócio sempre enfatizam que o Brasil é imbatível da porteira da fazenda para dentro, e frágil da porteira para fora. Dependendo do produto, o acréscimo de custo pelo transporte chega a 40%, sem contar o desperdício.

Precisamos mudar a matriz de transportes, que hoje depende excessivamente do modal rodoviário. Enquanto nos Estados Unidos o custo de logística representa 8% do Produto Interno Bruto (PIB), aqui alcança 16%, ou seja, o dobro. Como em nosso país, as distâncias são longas, essa concentração onera ainda mais o custo, já que o caminhão deixa de ser competitivo em distâncias superiores a 500 km. Mudar a nossa matriz de transportes representa, assim, reduzir o custo da logística no preço final do produto.


O Governo Federal vem dando passos importantes para lograr esse objetivo. O Plano Nacional de Logística e Transportes prevê o aumento de 13% para 29% da fatia do modal aquaviário na movimentação de cargas no País nos próximos anos. O objetivo é justamente incentivar a navegação hidroviária e de cabotagem (ao longo da costa).


O Programa de Logística Integrada de Escoamento do Etanol, da Petrobras,
tem como um dos seus principais projetos a construção de 20 comboios, com 80 barcaças e 20 empurradores, para transportar etanol através da Hidrovia Tietê-Paraná. Em fase de licitação, o projeto, a cargo da Transpetro – que vai operar os comboios – prevê que a nova frota será entregue a partir de 2011.


As vantagens comparativas do modal hidroviário são evidentes: ele emite
um quarto de CO² e consome um quinto do combustível utilizado pelo modal rodoviário. O uso maior da hidrovia vai permitir uma redução considerável do custo da logística do etanol, tornando o produto mais competitivo.


É uma importante mudança de paradigma na política de transportes, sem falar nos dois mil novos empregos, entre diretos e indiretos, proporcionados pelo projeto. Tudo de acordo com a linha mestra de desenvolver o Brasil, em novas bases competitivas, para melhorar a vida dos brasileiros.


Sérgio Machado - Presidente da Transpetro
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