Fortaleza, CE - domingo, 22 de agosto de 2010

AIRM – ASSESSORIA DE IMPRENSA E RELAÇÕES COM A MÍDIA - UNIDADE DE CLIPPING


FIEC
- Roberto Macêdo reconduzido à presidência da Fiec
- Alan Neto - MARCO HISTÓRICO
- HAP VIDA - Reeleição Roberto Macêdo

SESI
- Sesi está recrutando: Analista / Coordenador (a)
- Sesi recruta: Agente Administrativo Operacional
- Sesi recruta: Coordenador Pedagógico / Diretor Escolar
- Operários da construção civil recebem serviços

SENAI
- Cursos - SENAI - AABMS
- Cursos - SENAI-CETAFR

IEL
- Estágios - IEL
- Pop estágio - IEL

AGRICULTURA
- Plantio de uva transforma paisagem nos Inhamuns

BANCOS
- BNDES infla números, dizem críticos
- Editoriais - O papel do BNDES

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO - NORDESTE
- Nova Sudene está moribunda

EMPREENDEDORISMO
- Oficinas capacitam empreendedores

EMPRESAS
- Empresas digitais atraem investimentos

INDÚSTRIA DE JÓIAS
- O mundo das joias

INDÚSTRIA TÊXTIL
- Variedade de itens marca Febratex 2010, em Blumenau

INFRA-ESTRUTURA
- País tem de investir R$ 43 bi em portos
- O que o Estado ainda precisa tirar do papel para emplacar
- Situação dos empreendimentos
- Situação dos empreendimentos (II)
- Situação dos empreendimentos (III)

MEIO AMBIENTE
- Editorial - Devastação controlável

POLÍTICA
- Vantagem de Dilma faz Lula exigir ofensiva em SP
- Nova queda desanima aliados de Serra
- Com 47%, Dilma venceria no 1º turno
- Os candidatos dizem o que pensam de temas polêmicos
- Conheça o pensamento dos candidatos ao Governo
- Conheça o pensamento dos candidatos ao Governo (II)
- Conheça o pensamento dos candidatos ao Governo (III)

TRABALHO
- Tecnologia prolonga jornada de trabalho


VERNEWS - SILVEIRA ROCCHA

22 de agosto de 2010

 
ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA
Roberto Macêdo reconduzido à presidência da Fiec
O empresário Roberto Proença de Macêdo foi reconduzido ao cargo de presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), após eleição realizada nesta quinta-feira (19).
A principal novidade desta eleição foi a participação direta dos empresários filiados aos 39 sindicatos ligados à FIEC na escolha do presidente da entidade.
A inovação é pioneira no âmbito das federações de indústria do país e foi possível graças às reformas do estatuto social e do regulamento eleitoral implementadas no fim do ano passado.
Duas chapas disputaram o comando da maior entidade de classe do estado: a chapa 1 (FIEC 60 Anos) teve à frente o empresário Roberto Proença de Macêdo, que buscava a reeleição. A chapa 2 (Participação para Inovar) foi liderada por Orlando Carneiro de Siqueira, titular da OCS Minerais e Empreendimentos.
A nova diretoria comandará a intituição durante o quadriênio 2010-2014.
Postado por Antonio SILVEIRA ROCHA às 19:18

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O POVO

22 de agosto de 2010

 
ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA
Alan Neto - MARCO HISTÓRICO
Reeleição de Roberto Macedo, marco histórico na Fiec. Evento incomum se assistir a todos os industriais votando livremente, coisa que no passado era exercida por um delegado. Vitória esmagadora de Macedo, premio maior a uma gestão timbrada pela seriedade e grandes realizações. Respeite o timaço que se formou ao seu redor. Se já era bom, ficará muito melhor.
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O POVO E DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA
HAP VIDA - Reeleição Roberto Macêdo
HAP VIDA - Reeleição Roberto Macêdo

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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS
Sesi está recrutando: Analista / Coordenador (a)
Sesi está recrutando: Analista / Coordenador (a)

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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS
Sesi recruta: Agente Administrativo Operacional
Sesi recruta: Agente Administrativo Operacional

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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS
Sesi recruta: Coordenador Pedagógico / Diretor Escolar
Sesi recruta: Coordenador Pedagógico / Diretor Escolar

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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
DIA NACIONAL DA CONSTRUÇÃO - SINDUSCON
Operários da construção civil recebem serviços
Trabalhadores da construção civil de Fortaleza foram contemplados com um mutirão de serviços de saúde, cidadania e lazer. A programação, realizada neste sábado, no Serviço Social da Indústria (Sesi) da Parangaba, fez parte do Dia Nacional da Construção Social.

Promovido pelo Sindicato da Construção Civil do Ceará (Sinduscon/CE), o evento aconteceu simultaneamente em 24 cidades brasileiras. Nesta quarta edição, foram prestados cerca de 50 mil atendimentos. A nível nacional, a expectativa é de 500 mil pessoas atendidas.

Esse mutirão é uma das ações do programa Qualidade de Vida na Construção Civil, criado em 2003, numa iniciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceira com o Sinduscon-CE.

O objetivo do programa, segundo Paula Frota, vice-presidente da entidade, é valorizar os operários, elevando sua autoestima através de ações focadas na melhoria da qualidade de vida. "Além disso, queremos promover uma maior integração entre os trabalhadores e seus familiares", esclarece Paula Frota.

Com um estágio arranjado para trabalhar no setor de Telemarketing, Letícia Sabatela, estudante de 17 anos e filha de operário, residente no Montese, foi em busca da Carteira de Trabalho para viabilizar sua contratação no emprego.

Sem plano de saúde, Débora Jane, 32 anos, vendedora autônoma casada com um operário, aproveitou para fazer uma avaliação de sua saúde com o clínico geral e conferiu seu nível de glicose. "Essa é a segunda vez que participo do evento e gosto muito do atendimento porque acontece de forma rápida e, o melhor de tudo, é gratuito", avaliou a vendedora.
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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
CURSOS
Cursos - SENAI - AABMS
Av. João Pessoa, 6754, Parangaba
Tel.:(85)3421-6133

MECÂNICO DE MÁQUINA DE COSTURA
PERÍODO: 30/08 a 30/10/2010
INVESTIMENTO: R$ 650,00
INFORMAÇÕES: turma disponível de segunda-feira a sábado, das 13h às 17h. No sábado, aula das 7h30 às 11h30. É necessário ao candidato possuir o Ensino Fundamental e idade mínima de 16 anos.
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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
CURSOS
Cursos - SENAI-CETAFR
Tel.:(85) 3421-5001
www.senai-ce.org.br

COMANDOS PNEUMÁTICOS
PERÍODO: 23/08 a 03/09/2010 INVESTIMENTO: R$ 105,00 INFORMAÇÕES: oportunidade para candidatos a partir de 16 anos que tenham cursado o Ensino Fundamental completo. Turma das 13h às 17h. A carga total é de 40 horas/aula.

COMANDOS HIDRÁULICOS
PERÍODO: 23/08 a 03/09/2010 INVESTIMENTO: R$ 105,00 INFORMAÇÕES: oportunidade para candidatos a partir de 16 anos que tenham cursado o Ensino Fundamental completo. Turma das 13h às l7h ou das l8h às 21h.

CONTROLADORES LÓGICO PROGRAMÁVEL
PERÍODO: 23/08 a 03/09/2010 INVESTIMENTO: R$ 270,00 INFORMAÇÕES: oportunidade para candidatos a partir de 16 anos que tenham cursado o Ensino Fundamental completo, além de informática e Eletrônica Digital ou Comandos. Turma das 8h às 12h ou das 18h às 21h. A carga total é de 80 horas/aula.

ÍNFORMÁTÍCA BÁSICA
PERÍODO: 23/08 a 03/09/2010 INVESTIMENTO: R$ 190,00 INFORMAÇÕES: oportunidade para candidatos a partir de 16 anos que tenham cursado o Ensino Fundamental completo. Turma das 8h às l2h ou das 18h às 21h.

SOLDAGEM DE CHAPA COM ELETRODO REVESTIDO
PERÍODO: 30/08 a 03/09/2010 INVESTIMENTO: R$ 404,00 INFORMAÇÕES: chance para candidatos a partir de 18 anos e com Ensino Fundamental completo. Turma das 13h às 17h. A carga total é de 90 horas / aula.
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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
ESTÁGIOS
Estágios - IEL
Comércio Exterior

Vagas: 01

Remuneração: R$ 500,00

Seleção: IEL

Informações: é necessário ao candidato cursar a partir do 4º semestre, inglês avançado e ter conhecimento em planilhas do Excel. Ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 50,00 por mês.

Contábeis

Vagas: 01

Remuneração: R$ 500,00

Seleção: IEL

Informações: vaga para candidatos a partir do 4º semestre. A carga é de 30 horas semanais, das 8h às 14h. É necessário conhecimento avançado em Excel. Ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,80 por dia estagiado.

Técnico em Administração

Vagas: 02

Remuneração: R$ 400,00

Seleção: IEL

Informações: candidatos do 1º semestre já podem participar da seleção. É necessário conhecimento básico em informática. A carga é de 20 horas semanais; ainda dá direito a auxílio transporte de R$ 1,80 por dia estagiado.

Vagas: 01

Remuneração: R$ 350,00

Seleção: IEL

Informações: candidatos do 1º semestre, interessados na oportunidade, já podem participar da seleção. É necessário conhecimento básico em informática. Estágio das 8h às 12h. Ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,60.

Vagas: 01

Remuneração: R$ 350,00

Seleção: IEL

Informações: vaga para estudantes a partir do 2º semestre. É necessário conhecimento básico em informática. Aos interessados, a empresa é localizada em Maracanaú; ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,60 por dia estagiado.

Pedagogia

Vagas: 01

Remuneração: R$ 200,00

Seleção: IEL

Informações: vaga para quem cursa a partir do 3º semestre. É necessário conhecimentos em artes manuais. Estágio das 13h30 às 16h30; ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,80 por dia estagiado e lanche.

Psicologia

Vagas: 02

Remuneração: R$ 354,00

Seleção: IEL

Informações: estágio para estudantes a partir do 5º semestre. É necessário conhecimento intermediário em Excel e vivência em recrutamento e seleção. Vaga das 8h às 14h e das 12h às 18h; ainda dá direito a auxílio transporte, vale-alimentação e plano de saúde.

Técnico em Vestuário

Vagas: 10

Remuneração: IEL

Seleção: IEL

Informações: oportunidade para candidatos a partir do 2º semestre. É necessário conhecimento básico em informática. Ainda dá direito a auxílio transporte e almoço no local.

Vagas: 01

Remuneração: R$ 700,00

Seleção: IEL

Informações: vaga para candidatos a partir do 6º semestre. É necessário conhecimento intermediário em Excel e ter cursado a disciplina de controle de produção e logística. Ainda dá direito a auxílio transporte e outros benefícios.

Vagas: 01

Remuneração: R$ 400,00

Seleção: IEL

Informações: vaga para quem possui conhecimento no Cad Audaces e está no último semestre do curso. Vaga é das 8h às 12h ou das 13h às 17h.

Técnico em Enfermagem

Vagas: 01

Remuneração: R$ 300,00

Seleção: IEL

Informações: oportunidade para estudantes que residam próximo a bairros do município de Eusébio e que estejam a três semestres do final do curso.

Técnico em Mecânica

Vagas: 06

Remuneração: R$ 300,00

Seleção: IEL

Informações: candidato deve possuir conhecimento em freios, suspensões e fechos de molas (carretas e caminhões). Além do auxílio transporte, no valor de R$ 1,80 por dia estagiado, vaga ainda dá direito a almoço no local, café da manhã e premiação por meta. A carga é de 30 horas semanais, das 7h30 às 13h30.

Contatos

IEL

Tel.: (85) 3421-6514

www.iel.org.br/estagio
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O POVO

22 de agosto de 2010

 
ESTÁGIOS
Pop estágio - IEL
Área de Estágio e Novos Talentos Telefone: (85) 3421.6511 / (85) 34216510

> Técnico em Vestuário
Vagas: 10 – Requisito: a partir do 2º semestre e Informática básica
Horário: 20 h/Semanais – Local: Antônio Bezerra

> Técnico em Administração
Vagas: 2 – Requisito: a partir do 1º sem. e Informática básica – Horários: 16h às 20h – Remuneração: R$ 400 + Auxílio transporte R$: 1,80 por dia estagiado. – Local:Vila Manoel Sátiro

> Pedagogia e Letras
Vagas: 1 – Requisitos: a partir do 3º sem. e ter conhecimentos em artes manuais – Horários: 13h30min às 16h30min
15 h/semana – Remuneração: R$ 200 + Auxílio transporte R$: 1,80 por dia estagiado + lanche – Local: Álvaro Weyne

> Administração ou Psicologia
Vagas: 2 – Requisito: a partir do 5º sem. – Horários: uma vaga de 8h às 14h e outra de - 12h às 18h - 30h/semana Remuneração: R$ 354 + Auxílio transporte R$: 1,80 por dia estagiado + Vale alimentação no valor de R$: 220 + Plano de Saúde. – Local: Aldeota

> Engenharia de Produção
Vagas: 1 – Requisitos: a partir do 5º sem. e conhecimento em PCP – Horários: A combinar - 20 h/semana – Remuneração: R$ 600 + Auxílio transporte R$: 1,80 por dia estagiado + almoço
Local: Jardim das Oliveiras

> Técnico em Mecânica ou Manutenção Automotiva
Vagas: 6 – Semestre: Último Semestre – Horários: 7h30min às 13h30min - 30 h/semana – Remuneração: R$ 300 + Auxílio transporte R$ 1,80 por dia estagiado + Almoço no local + Café da manhã + Premiação por meta Requisitos: Conhecimento em freios, suspensões e fechos de molas (carretas e caminhões) – Local: Messejana

> Técnico em Administração
Vagas: 1 – Requisitos: A partir do 1º semestre e conhecimento em Informática básica – Horários: 8h às 12h - 20 h/semana Remuneração: R$ 350 + Ajuda de custo de R$ 1,60 para o transporte –Local: Aldeota

> Técnico em Enfermagem
Vagas: 1 – Requisitos: residir em bairros próximos ao Eusébio e estar no último trimestre do curso – Horários: 8h às 13h - 25h/semana – Remuneração : R$ 300 + Auxílio transporte R$ 100
Local: Tamatanduba

> Técnico em Administração ou Gestão
Vagas: 1 – Requisitos: a partir do 2º sem. e Informática básica – Horários: 8h às 12h - 20 h/Semanais – Remuneração: R$ 350 + Auxílio transporte R$: 1,60 por dia estagiado Local: Maracanaú

> Informática e afins
Vagas: 2 – Requisitos: a partir do 2º semestre. Manutenção e desenvolvimento de sites – Horários: uma vaga de 8h às 12h e outra vaga de 14h às 18h - 20 h/Semana Remuneração: R$ 420 + Auxílio transporte R$: 30 por mês – Local: Joaquim Távora

> Graduação em Administração e Graduação tecnologica em Processos Gerenciais e Gestão Empresarial
Vagas: 1 – Requisitos: a partir do 1º semestre Conhecimento na área de modas – Horários: 13h às 19h - 30 h/semana – Remuneração: R$ 400 + Auxílio transporte – Local: Aldeota

> Ciências Contábeis
Vagas: 1 – Requisito: A partir do 4º semestre e Excel Avançado – Horários: 8h às 14h - 30h/semana – Remuneração: R$ 500 + Auxílio transporte R$: 1,80 por dia estagiado Local: Parque Itamarati

> Técnico em Mecânica ou Manutenção Automotiva
Vagas: 2 – Requisito: Último Semestre e Conhecimento em solda elétrica com eletroldos, oxicorte e mig em chassis de caminhões em geral – Horários: 7h30min às 13h30min - 30 h/semana
Remuneração: R$ 300 + Auxílio transporte R$: 1,80 por dia estagiado + Almoço no local + Café da manhã + Premiação por meta – Local: Messejana

> Técnico em Vestuário
Vagas: 1 - Requisito: A partir do 6º semestre, Excel intermediário e ter cursado a disciplina de controle de produção e logística
Horários: A combinar - 30 h/semana
Remuneração: R$ 700 + Auxílio transporte R$: 1,80 por dia estagiado + almoço e café da manhã na empresa + transporte da empresa – Local: Maracanaú
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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
PLANTIO DE UVA
Plantio de uva transforma paisagem nos Inhamuns
Produtores da agricultura familiar do Município de Catarina estão investindo em uma nova plantação

Catarina A paisagem dos sertões dos Inhamuns aos poucos começa a mudar. Em vez das tradicionais culturas de milho e feijão, hortaliças e fruticulturas ocupam cada vez mais espaço em pequenas propriedades a partir de projetos irrigados. No Sítio Bom Lugar, zona rural deste Município, um plantio experimental de uva chama a atenção dos moradores e atrai curiosos de várias localidades que se mostram surpresos e admirados com a produção e a qualidade dos frutos.

Os técnicos responsáveis pelo cultivo de uva, da variedade Itália Moscato, também ficaram surpresos com a antecipação do ciclo de produção. Em dez meses, os cachos surgiram grandes e recheados de frutos de boa qualidade. "Em Petrolina, a produção só começa depois de 11 meses. Aqui usamos um plantio adensado, com espaçamento reduzido", observou o técnico agrícola, Abílio do Nascimento.

Os frutos que começam a ser colhidos são resultados da determinação e do esforço do produtor rural, Ronivon Cezário Ferreira. Depois da orientação dos técnicos da Ematerce, implantação de moderno sistema de irrigação e de novos tratos culturais, o agricultor resolveu, há dois anos, revolucionar a produção de sua propriedade.

Começou com o plantio de verduras, que foi ampliado. A renda familiar bruta mensal chega a R$ 3 mil. Implantou maracujá, goiaba, laranja e ampliou a área de tomate. A comercialização dos frutos é feita para o mercado local e para as cidades de Acopiara, Iguatu e Mombaça. No ano passado, resolveu inovar mais uma vez e decidiu implantar um parreiral. "No início foi difícil porque tentei plantar com sementes e não deu certo Não tinha conhecimento". Buscou orientação técnica da Ematerce e com recursos próprios investiu R$ 45 mil. "Tentei um financiamento, mas até hoje o BNB não deu resposta".

O projeto de Ronivon é implantar um parreiral de dois hectares. Inicialmente, o cultivo é feito numa área de meio hectare. "A expansão vai ocorrer em breve", disse o técnico agrícola, Ednaldo Soares. O plantio das mudas e a preparação da área já estão em andamento. Será cultivada também a variedade Benitaka Brasil (roxa).

O clima ameno da serra onde está localizado o Município de Catarina favorece o cultivo de hortaliças e de fruteiras. A parceria entre a Secretaria de Agricultura local e a Ematerce facilita o crescimento da fruticultura. "Os produtores estão motivados e cresce o interesse em eles", disse o secretário de Agricultura, Paulo Roberto da Silva.

Nesta primeira safra, os técnicos estimam a colheita de 16 mil quilos de uva. A renda obtida deverá ser de R$ 33 mil. Na segunda, a expectativa de renda é de R$ 38 mil e na terceira, quando ocorre a estabilidade produtiva, deverá ser de R$ 55 mil. Esses valores referem-se a área de um hectare.

A cultura da uva tem ciclo produtivo de quatro meses e com o intervalo de descanso garante ao produtor duas safras e meia por ano. "Estou satisfeito com os primeiros resultados", frisou Ronivon Ferreira. "O meu sonho é continuar investindo na agricultura familiar".

Além das frutas e verduras, Ferreira produz mel de abelha. Os frutos são comercializados na feira da agricultura familiar que acontece às sextas-feiras no Centro da cidade e para o programa de compra antecipada da Conab, destinada à merenda escolar, creches e hospitais. O excedente é vendido para municípios da região. Já a produção de uva será vendida para o produtor e distribuidor de frutas, em Iguatu, Francisco Ferreira de Souza. Recentemente, a Ematerce promoveu um Dia Especial da Cultura de Uva no Sítio Bom Lugar. Dezenas de técnicos e produtores visitaram a área e ficaram admirados com o êxito do plantio. "Só tinha visto plantio de uva em fotos e na televisão", disse o agricultor João Alves de Oliveira. A agricultora Maria Araújo Costa estava perplexa e não cansava de pegar e olhar para os cachos. "É muito bonito. É um sonho".

O chefe do escritório da Ematerce, em Acopiara, que assiste Catarina, Rubens Lima, disse que a parceria entre produtores e a Prefeitura caminha com êxito. "A adesão dos agricultores ao programa é crescente". O gerente regional da Ematerce, Joaquim Virgulino Neto, disse que a instituição investe na assistência técnica para a expansão da fruticultura e ampliação da renda da agricultura familiar.

PRODUÇÃO DO CEARÁ
Interior do Estado tem 50 hectares de área cultivada

Iguatu A produção de uva no Ceará é reduzida, limitada e praticamente restrita à região do Cariri, que responde por cerca de 90% da produção. O cultivo é feito em menos de dez municípios do Interior numa área total estimada em apenas 50 hectares (ha). O maior produtor hoje é Mauriti com 14ha implantados. A área cultivada já foi maior, cerca de 200ha, até a metade dessa década, mas fatores climáticos e a falta de apoio governamental contribuíram para a redução do cultivo.

Esses dados destoam das informações apresentadas na página do Instituto Agropolo na Internet. No site oficial, a estimativa de área cultivada de videira é de 216 hectares e de uma produção de 6,6 toneladas. Entretanto, o técnico agrícola, Paulo Cavalcante, que trabalha na região do Cariri, diretamente com os produtores de videira, confirma que nos últimos anos houve uma diminuição significativa do cultivo e abandono de várias unidades.

O quadro atual é de decadência da cultura em comparação com 2005, confirma José de Oliveira, o Petit, que no início da atual década trabalhava no Instituto Agropolo. "Havia apoio comercial e orientação técnica por parte do Estado, mas ocorreram mudanças no modelo de atuação das instituições governamentais", disse.

Paulo Cavalcante foi um dos técnicos responsáveis a partir de 2002 pela implantação do cultivo de uva no Cariri. Oriundo das extensas áreas de produção no Vale do São Francisco, Cavalcante foi contratado na época pela Secretaria da Agricultura Irrigada, hoje, SDA, e passou a dar assistência técnica aos produtores selecionados para o projeto de plantio de videira.

Liderança

Até 2006, Brejo Santo apresentava a maior área cultivada de uva, cerca de 150 hectares, mas hoje foi reduzida para apenas 10ha. Jati chegou a ter 12ha e Porteiras, três, mas nesses dois municípios não há mais cultivo de videira. Ainda segundo Paulo Cavalcante, quem lidera atualmente a produção no Ceará é Mauriti com 14 ha.

A produtividade média por hectare após o terceiro ano de colheita é de 35 toneladas. O campeão em rendimento médio é o município de Missão Velha que obtém 42 mil quilos por hectare e tem 7ha implantados.

Houve retração da cultura no município de Varjota, em unidades localizadas no Perímetro Irrigado Araras Norte, que totalizava 16ha e em Limoeiro do Norte, que experimentou o cultivo numa área de 6ha. Apesar da diminuição das áreas de cultivo, nesse último ano, novos produtores estão decidindo produzir uva, no Cariri e no Centro-Sul. Estima-se que o Ceará consome 40 toneladas de uva por semana. A produção atual é insignificante frente a demanda. "No Cariri, a safra só atende o consumo de Juazeiro. "O mercado é favorável, mas é preciso incentivo e logística de distribuição do produto", frisou Cavalcante.

A uva é uma cultura nobre e a venda atual em cachos nos supermercados e casas de frutas reduz o valor do produto. "O correto é ter frutos selecionados, embalados em caixas adequadas, para que o produtor agregue valor ao fruto". O custo de implantação de um hectare de uva está em torno de R$ 55 mil e de manutenção é de R$ 30 mil por ano. Nesse período, o produtor obtendo em duas safras uma colheita de 60 toneladas, terá uma renda bruta de R$ 120 mil. O lucro estimado seria de R$ 72 mil. Esse valor representa por mês R$ 6 mil. Esse cálculo estimado levou em consideração o valor de venda de R$ 2,00 o quilo. Os dados mostram a viabilidade da cultura, que exige aporte de capital significativo que se distancia da agricultura familiar. "Quem resistiu e enfrentou as dificuldades vai crescer e se dar bem", prevê ele. "No Cariri, os solos são férteis, há reserva de água e o clima favorece". No Centro-Sul, Iguatu tem 6ha implantados e uma produtividade média de 20 mil kg por ha. Esses números demonstram o andamento da c
olheita de acordo com a safra.

Honório Barbosa
Repórter

MAIS INFORMAÇÕES

Secretaria de Agricultura de Catarina: (88) 3556.1167/ Ramal 30
Ematerce de Acopiara
(88) 3565. 0316
regional@diariodonordeste.com.br
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FOLHA DE SÃO PAULO

22 de agosto de 2010

 
BNDES
BNDES infla números, dizem críticos
Critérios adotados em estudo sobre a atuação do banco valorizam os ganhos proporcionados por empréstimos

Trabalho realça benefícios sem calcular custo de subsídios que reforçaram cofres da instituição na crise

RICARDO BALTHAZAR
DE SÃO PAULO

Um estudo apresentado na semana passada para defender o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) contra os ataques que ele vem sofrendo foi recebido com ceticismo pelos críticos do banco.
Na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do banco, Luciano Coutinho, exibiram o trabalho como prova de que os benefícios gerados pelo BNDES superam o custo pago pelo país para subsidiar as empresas que ele financia.
Mas o estudo não oferece nenhuma estimativa desse custo e adota premissas que contribuem para inflar os ganhos obtidos com os projetos financiados pelo banco oficial, argumentam os críticos.
Desde o ano passado, o governo injetou R$ 180 bilhões nos cofres do BNDES, dinheiro que o Tesouro tomou emprestado na praça para que o banco o repassasse cobrando taxas de juros inferiores às das instituições comerciais.
O custo dessa operação para o governo é difícil de calcular, porque o BNDES levará décadas para devolver os recursos que recebeu do Tesouro e a conta final vai depender do comportamento das taxas de juros no futuro.
Um estudo preliminar publicado pelo banco em junho estimou esse custo em pelo menos R$ 30 bilhões. O economista Mansueto de Almeida, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), calcula que ele seja superior a R$ 10 bilhões neste ano.
O trabalho divulgado na semana passada deixa a questão em aberto. O BNDES afirma que preferiu fazer assim porque não há consenso entre os economistas do banco sobre a melhor maneira de calcular o custo do subsídio.
O estudo afirma que os empréstimos feitos pelo BNDES com o dinheiro do Tesouro proporcionarão ganhos de R$ 79 bilhões na forma de impostos que o governo vai arrecadar e lucros que o banco poderá repassar ao Tesouro.

HIPÓTESE HEROICA
Várias suposições foram feitas para que se chegasse a esse número. Um dos pressupostos é que 74% dos investimentos financiados pelo banco não teriam saído do papel se o governo tivesse ficado de braços cruzados durante a crise internacional.
"É uma hipótese heroica", diz o economista-chefe do Banco Santander, Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central. "A maior parte desses recursos foi liberada quando a oferta de crédito já estava se recuperando."
O BNDES também estima que cada R$ 1 investido com sua ajuda acrescentaria R$ 1,50 ao PIB (Produto Interno Bruto) do país, um efeito multiplicador que os críticos do banco acham exagerado para as condições atuais.
"Algo nessa escala pode ter ocorrido no auge da crise, quando a ociosidade na economia era maior, mas o efeito seria muito menor hoje, com a economia crescendo mais perto do limite", diz o professor Samuel Pessôa, da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Banco considera hipóteses adotadas conservadoras

DE SÃO PAULO

O BNDES rejeita a ideia de que tentou inflar os números do estudo divulgado na semana passada e afirma que adotou critérios conservadores ao calcular os benefícios gerados pelos empréstimos feitos de 2009 para cá.
Em resposta a questionamentos apresentados pela Folha, a assessoria de imprensa da instituição disse que o estudo desprezou estimativas feitas sobre os custos dos subsídios embutidos nessas operações para os cofres do Tesouro por considerá-las imprecisas demais.
"As premissas com as quais se trabalhou geraram resultados que não obtiveram consenso entre os economistas do BNDES que participaram das análises. Os benefícios são mais facilmente mensuráveis porque estão mais concentrados no curto prazo", informou.
Num cenário examinado pelos economistas do banco na preparação do estudo e depois descartado, o custo total dos subsídios às operações do BNDES foi estimado em R$ 48 bilhões, o que reduziria de R$ 79 bilhões para R$ 31 bilhões o valor dos ganhos obtidos pela ação do banco em termos líquidos.
Além do custo dos empréstimos do Tesouro para o BNDES, o cenário incluiu estimativa do custo dos subsídios previstos pelo PSI (Programa de Sustentação do Investimento), lançado na crise para financiar compras de máquinas e caminhões.
Segundo o banco, as hipóteses do estudo reproduzem as condições restritivas encontradas no mercado quando o governo decidiu reforçar os cofres do BNDES. "Essa restrição foi amenizada, mas o financiamento privado ao investimento tem se recuperado lentamente." (RB)
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FOLHA DE SÃO PAULO

22 de agosto de 2010

 
BNDES
Editoriais - O papel do BNDES
Ao receber recursos do Tesouro e investir em setores tradicionais da economia, banco aumenta riscos e falha na sua política industrial

O grande aumento da carteira de empréstimos do BNDES nos últimos anos e, mais recentemente, o controverso aporte de R$ 180 bilhões que recebeu do Tesouro precipitaram um saudável debate a respeito do papel do banco de fomento na economia brasileira.
É preciso salientar que o BNDES continua a ser o principal agente de financiamento de longo prazo no país. Vários de seus programas são elogiáveis, como, por exemplo, o Finame, que financia a aquisição de máquinas e equipamentos para um grande número de empresas -muitas delas de pequeno porte.
Uma parcela dos recursos do banco tem origem em repasses, determinados por lei, do Fundo de Amparo ao Trabalhador, a custos inferiores aos de mercado. O subsídio é, em parte, repassado para as empresas tomadoras, mas nesse caso a conta não vai para o Tesouro. E, como é recomendável, os lucros retidos vinham sendo, nos últimos anos, a grande fonte da instituição.
Já a injeção de R$ 180 bilhões e a concentração dos desembolsos num grupo menor de empresas, que se verifica desde 2009, merecem reparos.
Em primeiro lugar, a diferença entre a taxa de juros que o banco paga (hoje em 6%) e o custo de financiamento do Tesouro no mercado (pela taxa Selic, hoje em 10,75%) implica subsídio de R$ 8 bilhões ao ano, que não é aprovado, como deveria, pelo Congresso. Como trata-se de empréstimo de longo prazo, o subsídio pode mudar, provavelmente para menos, caso a taxa básica de juros continue a cair nos próximos anos. Entretanto, nas condições atuais, é um privilégio concedido às empresas receptoras.
Do montante que recebeu do Tesouro, o BNDES já desembolsou R$ 115 bilhões. O governo argumenta que não há custo expressivo nessa operação, pois o subsídio voltaria na forma de maior arrecadação de impostos e dividendos. O banco estima a criação ou manutenção de 4 milhões de empregos desde meados de 2009.
Mas se é verdade que não há custo, como argumenta o governo, por que não aumentar o empréstimo para R$ 500 bilhões, ou mesmo R$ 1 trilhão? Haveria mais crescimento e dispararia a arrecadação. Ora, se fosse esse o caso, teria sido descoberta a máquina do movimento perpétuo.
Trata-se de uma falácia, para dizer o menos. É evidente que há impactos positivos na economia, mas o fato é que os empréstimos aumentam os riscos assumidos pelo setor público, que precisam ser avaliados com cautela.
Outra objeção diz respeito aos critérios de escolha das empresas contempladas. Estudiosos de política industrial criticam com veemência o volume de dinheiro direcionado a setores nos quais o país já é competitivo. Essa linha de atuação do banco apenas reforça a estrutura econômica tradicional, deixando de estimular setores que precisam incorporar tecnologias mais avançadas.
Embora o BNDES ainda tenha um papel a desempenhar no desenvolvimento do país, já é hora de defini-lo com mais precisão. Não faz sentido que o banco estatal de fomento seja inflado como se a economia brasileira fosse débil e não dispusesse, a essa altura, de alternativas no mercado.
Além disso, em se tratando de benesses com dinheiro público, o governo tem o dever de revelar quem recebe o dinheiro, a que preço e com que objetivo. E, uma vez que se concede subsídio, é preciso explicitá-lo no Orçamento.
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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
SUDENE
Nova Sudene está moribunda
*economista do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE)

Ex-secretário de Política de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional, o economista Antonio Carlos Galvão dispara: "Em vez da nova Sudene, o correto teria sido criar uma Agência Nacional de Desenvolvimento Regional"

Por que o Nordeste continua sofrendo preconceito na hora da formulação das políticas de desenvolvimento regional e na divisão do bolo dos financiamentos?

Na realidade, a região nordestina enfrenta um problema que tem raiz histórica. Houve larga concentração dos esforços, originalmente, no núcleo mais dinâmico do País - São Paulo e Rio de Janeiro - a primeira universidade do Brasil foi a USP - e de certa forma um retardamento em constituir essas infraestruturas na região. O Nordeste tem avançado muito, é um fato, e obviamente corre contra essa tradição anterior, tentando ocupar espaço onde o mérito técnico-científico, o privilégio de quem construiu primeiro suas bases tende a predominar.

O que falta, então, para que o Nordeste possa superar as dificuldades. Mais força da liderança política regional?

Acho que alguns dos movimentos que faltam já estão acontecendo. Vou dar um dado fresco de um estudo que o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) fez, chamado Doutores 2010, que acabamos de publicar: o Nordeste sai de uma situação antiga de ter 1,4% dos doutores do País para ter quase 10% dos doutores, hoje. É uma mudança muito estrutural e rápida na região. Isso, certamente, vai pressionar os sistemas de fomento e financiamento à ciência e tecnologia a atenderem as demandas e a fazerem valer esse contingente maior de pesquisadores aptos a reivindicar recursos de C&T no Pais. Então, a região nordestina tem, por um lado, de seguir sua trilha recente, o que significa reforçar os processos de constituição dessas bases técnico-científicas e, por outro lado, intensificar suas demandas pelas fatias de recursos que estão disponíveis em várias frentes no sistema de Tecnologia e Inovação. O sistema cresceu muito, recentemente, em recursos, que igualmente avançaram bastante, e todas as regiões incrementaram seus
financiamentos em relação ao bolo geral, mas o Nordeste pode reivindicar uma fatia maior.

A teoria diz que 30% dos recursos dos fundos setoriais devem ser aplicados no Nordeste, que tem 30% da população do País. Mas na prática essa teoria é diferente.

Na verdade, vários dos fundos setoriais, que foram uma inovação recente, têm um dispositivo que estabelece que 30% dos seus recursos deveriam destinar-se às regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. O Fundo Setorial do Petróleo, o CTpetro, que é o mais importante deles, tem um dispositivo que estabelece 40%. Os 30% que você mencionou são o piso. Então, o que há na verdade é, de um lado, a velha questão de que não existem demandas suficientes, qualificadas na Região para acessarem os recursos disponíveis nos fundos a nível nacional.

Isso é vero?

Eu diria que é uma verdade parcial.

Por que parcial?

Porque muitos dos editais, muitas das formas de convocação da comunidade científica para participar desse processo de demanda são absolutamente nacionais, ou seja, não levam em conta, muitas vezes, as demandas que as regiões, separadas ou isoladamente, têm. E é fundamental que sofistiquemos esse processo ao longo dos próximos anos, descentralizando a formulação dos editais e criando condições para que fluam as necessidades das diversas regiões, que são distintas em cada caso.

Você fez parte de um Grupo de Trabalho de cuja tarefa redundou a criação da nova Sudene. A nova Sudene está moribunda. Por quê?

Eu acho, hoje, e não me sinto satisfeito em dizê-lo, que nós promovemos um movimento numa direção discutível. Por que? Porque, na prática, a gente olhou o passado da Sudene e tentou recria-la para um futuro que não mais demandava uma Sudene. Eu defendo a tese de que, talvez, o País tivesse ganhado mais com uma Agência Nacional de Desenvolvimento Regional, capaz de reintegrar, no espírito da Política Nacional de Desenvolvimento Regional, construída na época de Ciro Gomes no Ministério da Integração Nacional. Era uma ideia que caminhava na direção de reintegrar a discussão da questão regional como política de Estado, que interessa a todos, não só a uma região em particular, mas ao conjunto dos cidadãos brasileiros. De qualquer maneira, o desafio básico continua de pé: reduzir as desigualdades regionais, e para o fazer isso eu preciso ter unidade de medida, régua, e encarar os desafios de encetar agendas positivas de desenvolvimento nas regiões. E no Nordeste, certamente, é prioridade uma política como essa, com
o o Norte é também uma prioridade.

A Sudene, moribunda como está hoje, não o surpreende?

Não, porque houve dois obstáculos importantes nessa recriação da Sudene. Primeiro: não dotamos a Sudene de instrumentos novos. Ela padeceu de uma falta de ferramentas para lidar com problemas que deveria lidar. Segundo: de certa forma, parte expressiva das razões que nos levaram a fazer uma Sudene em 1959, o que nos colocou como protagonistas mundiais, foi dissipada ao longo dos últimos 30 anos. A problemática regional não é tratada mais da mesma maneira. Aquela problemática macroeconomicamente definida tem uma abordagem de múltiplas escalas capazes de trazer questões que antes ficavam embaixo do tapete.

Por exemplo?

Se eu pego os 44 anos de investimentos feitos pela Sudene até o momento em que ela foi extinta e substituída pelas agências regionais, eu não tenho muito medo de errar ao dizer que a maior parte do dinheiro ficou concentrada, dentro da região Nordeste, no entorno de suas capitais mais importantes - Salvador, Recife e Fortaleza. Então, grande parte das mazelas intrarregionais se reproduziu ao longo daqueles 44 anos. Há um longo acervo de história desse período, mas sobretudo há duas questões: a forma de abordagem era muito direcionada pela industrialização e, também, as dificuldades de engendrar iniciativas para transformar a economia agrária da região não foram pequenas. A gente sabe que, nos últimos anos da Sudene, o mito, o peso da ideia da Sudene virara uma caricatura dele mesmo. Quando, melancolicamente, a Sudene acabou - e acabou pelos episódios que aconteceram muito mais na região Norte, porque a Sudene já havia passado por uma limpeza - ela já não tinha mais muita razão de existir numa agenda que mudou
sensivelmente e que tende a mudar mais ainda daqui para a frente.

Onde estão as mudanças mais visíveis no Nordeste?

Pernambuco amargou muito anos de letargia. Mas Pernambuco hoje deslancha na agenda. Percebemos, nitidamente, que este é um momento muito importante da agenda pernambucana. Vemos estados como Sergipe e Rio Grande do Norte, muito em razão do petróleo, terem dado salto importante. Vemos, assim, na região um dinamismo que e muito mais diversificado do que aquele que existia antes. Precisamos repensar mesmo uma Agência Regional.

Para o desenvolvimento regional, qual é o melhor: Dilma ou Serra?

Esse é um falso dilema. Eu acho que qualquer que seja o Governo que vier a ganhar as eleições terá de lidar com essa agenda nordestina, que ganha novos ares. A transformação que o Governo Lula produziu na região não foi pequena.

Nordeste e seu futuro
Saída é a inovação

Para Antonio Galvão, 52, um economista apaixonado pelo desenvolvimento regional, com gabinete de trabalho instalado em Brasília, onde atua no Centro de Gestão Estratégica (CGEE), uma Organização Social abrigada no Ministério de Ciência e Tecnologia, o Nordeste - com o seu semiárido - teve três grandes agendas na história. A primeira durou um século e foi a da construção dos grandes açudes, da perfuração de poços, enfim, da infraestrutura hídrica. Essa agenda teve um problema, pois não encarou de frente as relações sociais. A segunda agenda foi agarrada pela unha e ganhou proeminência nos últimos anos por meio das políticas sociais, com suas respectivas transferências de renda, criando um colchão que mudou e preparou a base da sociedade para o desenvolvimento. "Mas há um limite, e aqui está a terceira agenda: isso tem dinamizado a economia, mas a tendência é que se dissipe, pois o impacto inicial começa a ser erodido", explica Galvão. Ele sugere: "Precisamos entrar em novas agendas, mas agendas ligadas à inova
ção, à ciência e tecnologia, Não podemos reproduzir apenas o que tínhamos. Temos de ser ousados e buscar novas alternativas. Quais são as apostas? Energia eólica, solar, fruticultura pesada com tecnologia, controle biológico de pragas, transgenia, pecuária de alto padrão? É por ai".
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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
OFICINAS - SDE
Oficinas capacitam empreendedores
Mais de 300 integrantes de grupos que trabalham com economia solidária, na Capital, participaram, durante a última semana, de oficinas de capacitação voltadas para a economia solidária. Promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) da Prefeitura de Fortaleza, a atividade buscou capacitar os empreendedores e conscientizá-los da importância de iniciativas do gênero.

Encerradas as oficinas, os empreendimentos receberão a visita de técnicos da Prefeitura que farão um diagnóstico de cada estabelecimento.

Entre as atividades desempenhadas nas oficinas, os participantes assistiram a palestras sobre finanças solidárias, direitos dos trabalhadores e cooperação sustentável, entre outros temas.

De acordo com a coordenadora da Célula de Economia Solidária da SDE, Márcia Pessoa, as oficinas fazem parte do projeto Trabalho Solidário, o qual há dois anos reúne empreendedores de diversos bairros de Fortaleza, que trabalham com economia solidária, na tentativa de fortalecer suas iniciativas. Entre as melhorias que o projeto tem proporcionado nos dois últimos anos, Márcia Pessoa cita a criação do Banco Comunitário Rio Sol, em 2008, no bairro Granja Portugal, periferia da cidade.

Ela explica que os empreendimentos que trabalham com essa forma de produção adotam determinadas posturas que se distinguem das tradicionais relações de trabalho capitalistas. "É um trabalho que é feito com muita consciência. Não é só aquela história do lucro pelo lucro", ilustra.

A coordenadora informa, ainda, que existem cerca de 300 empreendimentos do tipo no Ceará - número que tende a aumentar. No caso da Capital cearense, ela esclarece que pontos de economia solidária existem em todas as Secretarias Executivas Regionais, mas se concentram, principalmente, nas SERs V e VI. Em sua maioria, os estabelecimentos concentram serviços de confecção e de venda de gêneros alimentícios.
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FOLHA DE SÃO PAULO

22 de agosto de 2010

 
EMPRESAS DIGITAIS
Empresas digitais atraem investimentos
Pequenos empreendedores brasileiros chamam a atenção de universidades, clientes e fundos internacionais

Empresa de software de publicação de vídeos on-line recebe consultoria do MIT e eleva faturamento

CAMILA FUSCO
DE SÃO PAULO

O empresário mineiro Gustavo Caetano, 29, nunca acreditou em destino, mas foi um acaso que mudou os rumos de seu negócio, há três anos.
Criador da Samba Tech, do ramo de software de publicação de vídeos on-line, Caetano esperava a reabertura do aeroporto de Boston após um temporal quando um vizinho de poltrona, indiano, puxou conversa. Em minutos, a conversa tornou-se a maior oportunidade de sua vida.
O indiano era um dos diretores do MIT e, assim que conheceu o sistema, sugeriu que a Samba se candidatasse ao G-Lab, grupo de análise de empreendedorismo em que alunos do MBA estudam empresas iniciantes.
Caetano gostou da ideia, a Samba Tech foi aprovada e, desde 2007, recebe consultoria gratuita de pesos-pesados do MIT. O apoio ajudou a estruturar as operações.
Em 2009, a empresa -que conquistou aporte do fundo brasileiro FIR Capital- faturou R$ 5 milhões e hoje fornece para 8 dos 10 principais grupos de mídia do país.
"Em outubro, desbravaremos o mercado americano", disse Caetano à Folha.

NO RADAR
A Samba Tech é um dos exemplos das "startups" -empresas jovens com o espírito de inovação- que aproveitam o aquecimento econômico para crescer.
"Há alguns anos, era preciso apresentar o Brasil. Atingimos um nível de estabilidade em que isso não acontece mais", diz Marcus Regueira, sócio do FIR Capital.
Com isso, é cada vez mais comum ver grandes aportes internacionais. Em 2009, a participação de empresas brasileiras no total investido na América Latina por fundos de "venture capital" (que investem em capital de risco) e "private equity" (de participação em empresas) cresceu 40% e atingiu US$ 2 bilhões, de acordo com a Lavca (Associação Latino-Americana de Venture Capital).
Criada em 2001 pelo engenheiro Marcelo Condé, 36, a Spring Wireless, que desenvolve sistemas para interligar aplicações corporativas de vendas ou monitoramento a celulares ou computadores de mão, conquistou há dois anos quase US$ 70 milhões -R$ 123 milhões- de fundos internacionais.
Em maio, a Spring ganhou o braço de investimento da alemã SAP, do ramo de sistemas de gestão, como sócia. Uma alternativa futura é abrir o capital na Nasdaq.

TECNOLOGIA BRASILEIRA
Na esteira da projeção global da economia brasileira, apresentar-se como empresa nacional de tecnologia não é de estranhar.
A Predicta chamou a atenção do Google pela ferramenta que monitora o comportamento de internautas e permite às empresas adaptarem suas campanhas publicitárias em tempo real.
Em maio, a companhia se apresentou na conferência global do buscador, na Califórnia. Hoje, a Predicta tem clientes em 90 países.
"Muitas vezes sentimos mais preconceito de clientes do Brasil do que de empresas de fora", diz Marcelo Marzola, 33, presidente da Predicta.
Entre os investidores, há a percepção de profissionalização da gestão. "Os planos de negócios estão muito mais reais", diz Regueira, do FIR.
Como sócio do fundo, o executivo acompanhou o desenvolvimento da Akwan, empresa mineira de buscas vendida ao Google em 2005.
A transação fez com que o gigante americano criasse seu primeiro centro de desenvolvimento na América Latina, justamente sobre uma "startup" nacional. "Foi o primeiro de muitos movimentos que devem acontecer na mesma direção."


"Dores do crescimento" são os desafios para empreendedores

DE SÃO PAULO

Gustavo Caetano, 29, Marcelo Marzola, 33, e Marcelo Condé, 36, são três jovens executivos que precisaram aprender desde cedo a superar sucessivos desafios para sustentar os planos de empreendedorismo.
As primeiras batalhas vieram com a corrida por investimentos, prospectados em bancos e fundos de investimento. Em geral, foram várias tentativas em vão até conseguir um sócio. Na sequência, outras tarefas igualmente difíceis surgiram.
"Depois de conquistarmos o aporte, começamos a sofrer com as dores do crescimento", diz Caetano.
Nisso incluem-se a necessidade de lidar com a divisão das decisões e as exigências de fundos de investimento, com o crescimento explosivo do número de funcionários e da profissionalização da gestão da companhia.
Desde o fim de 2008, a Samba Tech, de Caetano, tem um conselho de administração, composto por dois sócios do fundo de investimento e um profissional de mercado. "O mais difícil é seguir, com 50 pessoas, regras de governança corporativa de grandes empresas", diz.

DESAPEGO
À frente da Spring Wireless desde a fundação, Condé afastou-se da presidência no ano passado para seguir o modelo profissional de gestão desejado pelos sócios New Enterprise Associates (NEA) e um fundo do banco americano Goldman Sachs.
O executivo assumiu então o papel de líder estratégico, enquanto a parte operacional ficou a cargo de Paulo Narcelio, 48, um veterano do setor financeiro.
Na Predicta, um dos maiores desafios foi crescer em tamanho e ainda manter a cultura das portas abertas, em que funcionários têm acesso livre aos gestores para propor ideias e sugestões.
"Nosso maior desafio é conseguir manter a mesma identidade", afirma Marzola.
Perante os olhos dos investidores, apesar de doloridas, as concessões são necessárias para o amadurecimento.
"A figura do dono fica cada vez menor. Queremos parceiros. É isso que faz a empresa continuar interessante", diz Marcus Regueira, sócio do FIR Capital.

Fundadores não querem vender seus negócios

DE SÃO PAULO

Em sua primeira entrevista à revista norte-americana "Time", em julho de 2007, Mark Zuckerberg, hoje com 26 anos, fundador do Facebook, foi questionado sobre a decisão de não vender a empresa para o Yahoo! meses antes pela cifra de US$ 1 bilhão.
À jornalista o jovem afirmou que seu time estava "focado naquilo em que está construindo, e não no momento da saída".
O desejo de permanecer no negócio de Zuckerberg é compartilhado por boa parte dos jovens líderes das "startups". A Samba Tech, por exemplo, já recebeu quase uma dezena de propostas de aquisição nos últimos meses, mas não cedeu.
"Ouvi certa vez um executivo dizer que a venda de uma empresa é interessante quando ela não sabe para onde ir ou os negócios não vão bem. Estamos longe do limite", afirmou Gustavo Caetano, o fundador da Samba Tech.
Fundos de investimento que aceitem manter os fundadores com participação ativa na operação também têm a preferência dos empreendedores.
"É prioridade hoje conversar com alguém que esteja disposto a aceitar nossa colaboração nos negócios futuros", diz Marcelo Marzola, da Predicta.
Se algum dia alguma dessas "startups" brasileiras chegará a projeções semelhantes à do Facebook, não se sabe. Mas disposição para seguir os conselhos de Zuckerberg os empreendedores daqui mostram que têm. (CF)
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O POVO

22 de agosto de 2010

 
MERCADO NACIONAL DE JOIAS
O mundo das joias
Norte e Nordeste respondem por cerca de 10% do consumo no mercado nacional de joias no Brasil. O Ceará, além de consumidor, participa da cadeia produtiva

Artumira Dutra

O consumo e produção de joias no Brasil este ano deve crescer cerca de 10%. Em termos de consumo, o Norte e Nordeste respondem por pouco mais de 10% do mercado nacional. O Ceará, além de grande consumidor, também participa da cadeia produtiva com produção e lapidação de pedras como quartzos e ametistas. Mas o segmento mais expressivo encontra-se em Juazeiro do Norte, um dos cinco maiores produtores de folheados - joias banhadas em prata e ouro - por causa da concentração de 20 indústrias.



O diretor executivo do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), Écio de Morais, explica que o mercado nordestino tem boas perspectivas de crescimento nos próximos anos. Explica que o comércio de joias está muito associado ao turismo que também está em ascensão. Observa que empresas como a H. Stern dão atendimento especial ao turista e muitos deles vêm ao Brasil conhecer as pedras coradas (água marinha, turmalinas, ametistas etc).

O Brasil hoje tem em torno de 1.500 indústrias de joias, basicamente todas de pequeno porte, incluindo ateliês. Segundo o IBGM, nos últimos cinco anos, a indústria joalheira tradicional começou a sofrer forte concorrência dos ateliês de design/ourives e das lojas de varejo, que passaram a produzir grande parte dos produtos expostos.

No Ceará, um dos representantes mais famosos desse tipo de negócio é o design de joias Cláudio Quinderé. Ele fabrica e revende em loja própria em Fortaleza e através de terceiros peças em prata e ouro com misturas naturais como pedras, renda de labirinto, couro, sementes e palhas de buriti. “As minhas peças ficaram conhecidas por conta das novelas da Rede Globo”, comenta, ressaltando que o trabalho é feito é feito à mão e algumas peças são únicas.

Joalheria promove troca de peças usadas por novas

O evento mais tradicional da H.Stern, o Trunk Show, que há 35 anos vem promovendo a troca de joias usadas como parte do pagamento para adquirir peças novas, foi realizado está semana em Fortaleza. A empresa tem o objetivo de atender os mercados com maiores vendas com esse tipo de iniciativa e, principalmente, o público feminino

Uma das joalherias mais famosas do mundo, a H.Stern, tem 150 lojas próprias (85 no Brasil e 65 em outros 14 países). Uma vez por ano ocorre em cada loja da rede, incluindo Fortaleza, ocorre o Trunk Show. Considerado o troca-troca de luxo mais tradicional da empresa, o evento vem promovendo a troca de joias usadas como parte do pagamento para adquirir peças nova e vem sendo realizado há 35 anos. Esta semana, ele foi realizado em Fortaleza e mais uma vez com sucesso, na capital cearense.



Fundada em 1945 no Brasil, a empresa está no Ceará há 18 anos. A H.Stern não divulga valores de investimentos/faturamentos e não tem dados regionais. Mesmo assim, O POVO apurou que a loja de Fortaleza se destaca entre entre as 12 do Nordeste.

O público é predominantemente feminino. No mercado de luxo mundial, que acompanha o crescimento da economia, o brasileiro se caracteriza pela facilidade de pagamento parcelado, o que facilita o acesso dos consumidores. Pioneira nos eventos de troca-troca, copiado por várias joalherias, a H.Stern coloca todos os produtos, de coleções antigas até lançamentos, a disposição dos clientes que podem parcelar o pagamento das novas joias adquiridas em até 10 vezes.

Só durante o Trunk Show, o ouro das peças em desuso é aceito como parte do pagamento de novas joias. O ouro é pesado e avaliado por preços acima do valor de mercado. Essa, talvez seja, uma das razões do sucesso do evento. Participam os clientes que passam pela loja durante todo o ano. Eles recebem convites ou são levados por amigos.

Começando com um pequeno negócio de compra e venda de pedras no centro do Rio de Janeiro, o fundador Hans Sten expandiu rapidamente para fabricação de joias e lapidação de pedras preciosas. Após 65 anos, a Joalheria H.Stern é a maior no Brasil e na América Latina, e uma das maiores e mais conhecidas marcas de joias no mundo. Hoje, as joias e os relógios da H.Stern estão presentes em 15 países, com lojas próprias e mais de 40 pontos de vendas operados por parceiros em 25 países (WHS). Suas peças têm preços diferenciados. No Brasil, os preços das peças da chamada linha econômica variam de R$ 2,5 mil a R$ 10 mil. (Artumira Dutra)



E-Mais



O Brasil é responsável pela produção de cerca de 1/3 do volume das gemas do mundo, excetuados o diamante, o rubi e a safira



O País também é um importante produtor de ouro. Em 2006, alcançou 50 toneladas, o que lhe assegurou o 12º lugar no ranking mundial, o segundo maior produtor de esmeraldas e o único de topázio imperial e até recentemente de turmalina Paraíba


O potencial de crescimento das exportações da indústria joalheira de ouro é enorme. Mas apesar dos progressos obtidos, o Brasil representa menos de 1% da produção mundial (27º produtor).



NÚMEROS



2

BILHÕES ANO É QUANTO MOVIMENTA AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE JOIAS, PEDRAS E OURO



134

MILHÕES DE US$ FOI QUANTO AS PEÇAS BRASILEIRAS DE FOLHEADOS VENDERAM NO ANO DE 2007

Investimento no design

O designer de joias Cláudio Quinderé diz que de cinco anos para cá os consumidores de joias tem fugido da massificação e procurado uma linha mais individual e próxima do homem e da natureza. Mesmo assim ele acha que falta valorização do design. Destaca que hoje esse profissional já pode se capacitar no Ceará. Conta que quando começou, em 1994, precisou ir para o Canadá estudar design e depois fazer um curso de ouroverisaria em São Paulo. Hoje a Universidade Federal do Ceará (UFC) oferece, no Campus do Cariri, o curso Design de Produtos, onde o profissional vai optar pela área de calçados ou joias.



Sobre as pedras do Ceará, Quinderé cita as de Quixeramobim, adiantando que dentre outras compra ametistas e quartzos rosa e fumê. Acrescenta que há cerca de 10 anos o Governo do Estado fez um trabalho para que as pessoas de lá e de outros municípios como Itapiuna mandassem para fora do Estado pedras lapidadas e depois peças prontas. “O valor da pedra lapidada e montada aumenta em muitas vezes”, diz. (AD).

Troca

A empresária Jeanny Vidal elogia o troca-troca da H.Stern. “Achei maravilhoso e me surpreendeu a cotação do ouro que eles dão”, disse acrescentando que é muito boa. Participando pela primeira vez do evento, ela teve as peças avaliadas em R$ 4 mil. “Eu trouxe várias peças (pulseiras, aros, brincos etc) que estavam quebrados ou fora de uso e estou levando um relógio todo de safira”, conta, ressaltando que gosta de comprar joias e que Fortaleza tem boas joalherias.

Faturamento de US$ 1,3 bilhão no País

Doutora em Marketing de Luxo e Mestre em Design, Kátia Faggiani, diz que o Brasil acompanha o crescimento do consumo por produtos de luxo e que o setor de joias está entre os mais disputados

Sobre o crescimento do consumo de produtos de luxo e das joias, mais especificamente, a doutora em Marketing de Luxo e Mestre em Design, Kátia Faggiani, afirma que essa é uma tendência mundial acompanhada pelo Brasil. Explica que isso ocorre na mesma medida em que crescem os setores da economia, como a indústria têxtil, cosmética, perfumaria, bebidas, hotelaria e tantos outros que atendem “o mercado do luxo”, como a joalheria.



Destaca que o Brasil é o 10º maior mercado comprador de joias do mundo graças a 30 milhões de brasileiros que alcançaram a classe média nos últimos anos. Na América só perde para os Estados Unidos.



A especialista em luxo lembra que em 2009 o segmento de joias faturou US$ 1,3 bilhão. E no primeiro semestre deste ano, a demanda por joias já avançou por volta de 20% em comparação ao mesmo período do ano passado. “Devido à crise mundial houve uma queda no Brasil em torno de 40,3%, entre 2008 e 2009”, comenta, ressaltando que mesmo assim, o mercado vendeu 30,9 toneladas em 2009. Para 2010, a expectativa é de 50 mil quilos em média.



Kátia Faggiani observa ainda que, este ano, os preços dispararam. O grama do ouro acumulou alta de 16% na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa). “De acordo com a inflação, as joias aumentaram em torno de 6,6% apenas no primeiro quadrimestre deste ano”, completa a especialista, considerando que o crescimento desse mercado baseia-se na motivação de “realizar sonhos e investir numa sofisticada imagem pessoal”.
Na avaliação da especialista, mesmo que não possa parecer, o Brasil é ideal para a venda de joias porque além de existirem pessoas de alto poder aquisitivo o potencial de consumo é enorme. “O brasileiro adquire produtos por impulso e se deixa levar pela emoção”. (Artumira Dutra)





NÚMEROS



525

MILHÕES DE R$ FOI O FATURAMENTO DAS SEMI-JOIAS NO MERCADO INTERNO



95 %

DOS FABRICANTES DE JOIAS SÃO MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

E-Mais
O Brasil apresentou crescimento de 35% nos últimos cinco anos dentro deste mercado.

Segundo Kátia Faggiani, as vendas da Cartier cresceram 49% no último ano e São Paulo é a única cidade do mundo a ter quatro butiques da Montblanc.

Kátia cita ainda que das 320 lojas mundiais da Louis Vuitton, a do shopping Iguatemi, em São Paulo, está na terceira posição entre as mais rentáveis por metro quadrado .

No ano passado, no eixo Rio-São Paulo, destacaram-se grifes como Tiffany e Fendi.

"Não importa como vai a economia, parece que as vendas só aumentam. Soa quase irreal mas são exemplos que comprovam a ascensão do mercado de luxo no País", afirna a doutora em Marketing de Luxo.

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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
FEBRATEX 2010
Variedade de itens marca Febratex 2010, em Blumenau
O evento reuniu produtos para atender desde a pequena empresa de camisetas até a grande indústria

Blumenau (SC) Desde uma máquina de costura caseira de R$ 230, com peso de menos de um quilo - e que cabe na palma da mão -, até uma de corte automático para tecido que pesa 4,5 toneladas e custa US$ 270 mil. Equipamentos para todos os bolsos e necessidades foram expostos e negociados na Feira Brasileira para a Indústria Têxtil (Febratex 2010), evento que ocorreu nos dias 10, 11 e 12 de agosto, no Parque Vila Germânica, em Blumenau, Santa Catarina, reunindo 1,9 mil marcas máquinas de costura e de corte, aviamentos, etiquetas, embalagens, equipamentos, acabamentos, beneficiamentos, fios, estamparias, automação industrial, informática, teares e matérias-primas.

De acordo com Hélvio Roberto Pompeo Madeira, diretor presidente do Grupo FCEM - empresa promotora e organizadora da Febratex 2010 - a feira reúne produtos para atender desde a pequena empresa de camisetas até a grande indústria, que trabalha com mercado internacional.

Além dos três pavilhões da Vila Germânica, o evento contou com mais um estande de lona, passando de dois mil para quatro mil metros quadrados. São quase 400 estandes, onde os visitantes, de Norte a Sul do País, entram em contato com equipamentos da mais alta tecnologia para o segmento têxtil.

Um dos expositores da Febratex 2010 é a Haco, líder na produção de etiquetas e que possui uma unidade fabril no município do Eusébio, a 17 quilômetros de Fortaleza (CE).

Lançamentos

A empresa apresentou os últimos lançamentos, como o Preview Change (produtos inéditos como cadarços, fitas e tecidos) e a Haute Étiquette, uma coleção de etiquetas que estão acima dos padrões, com características exclusivas e produzidas nos teares convencionais construídos pela própria empresa na década de 1940.

"O detalhe é o que faz a diferença no mundo da moda. Por isso, pensamos nos detalhes seguindo as tendências. Hoje, as pessoas querem mais do que um produto de qualidade, querem compor o seu próprio estilo. Para isso, opções criativas não podem faltar. Nosso último lançamento, ponteiras coloridas para cadarços, que podem estilizar tênis, sapatos casuais e jaquetas, entre outros, estão sendo bem aceitos no mercado, principalmente pelo público jovem e irreverente, que não quer nada além de um estilo personalizado e marcante", diz Alberto Conrad Lowndes, diretor da Haco.

Já a marca Lycra expôs aos visitantes as principais inovações tecnológicas para cada segmento de atuação, como moda praia, jeanswear, moda íntima e shapewear.

O foco foi o tecido Lycra Beauty, desenvolvido pela Invista com as mais novas tecnologias e alto desempenho para satisfazer a consumidora moderna.

Público feminino

As peças confeccionadas com este tecido são indicadas para todas as mulheres, de qualquer idade ou formato de corpo, que querem moldar a silhueta sem abrir mão do conforto para diferentes ocasiões. "A categoria shapewear está crescendo rápido, tanto em volume quanto em valor para a consumidora", analisa Fabiana Gutierrez, gerente de comunicação da Invista no Brasil. A coleção de tecidos Lycra Beauty poderá ser encontrada em ampla gama de produtos para diminuir, criar curvas, esculpir ou ainda modelar o corpo. Para consumidora final ,os produtos com esta tecnologia devem estar nas lojas a partir do próximo verão.A repórter viajou à convite da FCEM

SAMIRA DE CASTRO*
REPÓRTER
TOPO

FOLHA DE SÃO PAULO

22 de agosto de 2010

 
INVESTIMENTO EM PORTOS
País tem de investir R$ 43 bi em portos
Segundo Ipea, aplicação prevista no PAC representa apenas 23% dos recursos necessários para a modernização

Deficiência no sistema portuário do Norte obriga o Centro-Oeste a escoar a produção por Santos e Paranaguá

PEDRO SOARES
DO RIO

AGNALDO BRITO
DE SÃO PAULO

Os portos estão defasados, não têm capacidade para receber navios de maior porte e os investimentos no setor, apesar do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), são insuficientes.
Outro grande gargalo está nos acessos por rodovias e ferrovias, que precisam, em muitos casos, ser construídos ou duplicados.
O diagnóstico é do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado à Presidência da República, que estima em R$ 42,9 bilhões o valor necessário para tirar os entraves à expansão dos portos -e, portanto, ao comércio exterior. O PAC prevê R$ 9,8 bilhões até o fim deste ano -23% do necessário.
A falta de interligação ferroviária e rodoviária obriga a safra do Centro-Oeste a ser escoada pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), percorrendo distância maior.
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) afirma que falta investimento para escoar a safra do Centro-Oeste por Santarém, Vila do Conde (ambos no Pará) ou Itaqui, onde um projeto de expansão do porto de São Luís (MA) está atrasado há pelo menos três anos.
O problema da dragagem começa a ser resolvido e há projetos já em andamento para aprofundar os canais de navegação nos principais portos do país, como Santos.
Para Alexandre Mattos de Andrade, diretor da consultoria Macroplan, os investimentos são insuficientes diante da previsão de aumento da demanda por portos. Para a soja, por exemplo, a expectativa é que a produção cresça 130% até 2023.
TOPO

DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
OBRAS - CEARÁ
O que o Estado ainda precisa tirar do papel para emplacar
Em 2011, mais um governo se inicia. Com ele, a expectativa de tornar realidade as apostas para o Estado

Não é de hoje que o Ceará luta para tirar do papel uma série de projetos que prometem dinamizar a economia estadual. A lista é extensa e novas oportunidades não param de surgir. No início de 2009, o Diário do Nordeste apontou as frentes sobre as quais o governo trabalhava para fazer o Estado deslanchar.

À época, investimentos como a siderúrgica e a refinaria puxavam a lista de empreendimentos, ao lado da usina de Itataia, de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), de um estaleiro, dos resorts e ainda de projetos estruturantes de infraestrutura, a exemplo da ampliação do Porto do Pecém, da dragagem do Porto do Mucuripe, do Metrofor, do Centro de Eventos, dos aeroportos regionais, do sistema rodoviário e daqueles na área de energia. Um ano e meio depois, o Jornal revisita esses projetos, assim como aqueles adicionados a esse rol. O que se vê é que pouca coisa avançou. Alguns sequer saíram do papel, outros aguardam a captação de recursos, outros tantos ainda esperam um processo de licitação, sem falar naqueles que esbarram em questionamentos na Justiça, retardando o início das obras. O fato é que em 2011 mais um governo se inicia e com ele a expectativa de tornar realidade todas essas apostas, aliada ainda ao fato de Fortaleza vir a ser uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, o que só aumenta a re
sponsabilidade da futura gestão.

Mais do que aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado - um dos principais indicadores de uma economia e que revela o valor de toda a riqueza gerada em determinada região -, argumentam os especialistas, com esses investimentos se espera elevar a oferta de empregos, com salários de melhor qualidade e, acima de tudo, que os novos postos sejam ocupados pelos cearenses.

Infraestrutura

Nesse contexto, consolidar a infraestrutura prevista para o Ceará surge como o principal desafio. "É condição primordial para o crescimento sustentável do Estado, pois não adianta aumentar a produção se não tiver como escoar na velocidade desejada o que se produz para os mercados consumidores.

Não teríamos valor econômico agregado", afirma o economista Alcântara Macêdo, que também é consultor internacional. No caso do Ceará, expõe o especialista, para receber os principais investimentos - a siderúrgica e a refinaria -, os esforços foram concentrados no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), mas, ao mesmo tempo, o Estado ainda carece de infraestrutura rodoviária e, sobretudo de transporte urbano para atender às demandas da população e da Cidade de Fortaleza, que tendem a ser intensificadas com a realização Mundial de Futebol. "Falta infraestrutura de transportes, principalmente para a população. No ano passado, cerca de 60 mil carros novos passaram a circular em Fortaleza, com a mesma quantidade de ruas, que não são suficientes para suportar esse contingente. Ao mesmo tempo, as obras do Metrofor se arrastam por quase 12 anos", destaca. Ainda nessa direção, lembra o economista, o Aeroporto Pinto Martins também aguarda intervenções, com a duplicação do terminal de passageiros, e tanto o lito
ral como o Interior ainda precisam de melhorias, como no acesso e no saneamento, para garantir o fluxo turístico que se projeta.

"Tudo isso compromete o nível da produção e do emprego. Assim como o turismo, todos os grandes projetos previstos para o Ceará têm problemas relacionados à infraestrutura - viária, aeroportuária, de abastecimento de água e de saneamento. Precisamos ver as coisas saírem do papel", dispara.

ANCHIETA DANTAS JR.
REPÓRTER

Eleição de prioridades deve ser premissa

Na avaliação dos economistas consultados pelo Jornal, à medida que novos projetos ou oportunidades surgem, aumentando o volume de atenções, é natural que a lentidão passe a permear em todas as frentes e a eleição de prioridades, seguindo a premissa do melhor custo/benefício e de retorno para o Estado, deveria ser a linha mestra adotada pelo governo para garantir a execução das obras. O estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada surge ainda como alternativa para viabilizar os recursos e a celeridade necessários. Não só o crescimento da economia, mas a redução das desigualdades sociais também devem ser lembradas como foco das discussões.

"O governo deverá eleger prioridades, de acordo com o retorno para o Ceará. Isso em termos de empregos, melhores condições de vida e de pagamento de tributos para garantir a execução das políticas públicas", avalia o economista Alcântara Macêdo. Entre essas prioridades, emenda, aparecem infraestruturas como a ampliação do Porto do Pecém e a oferta de energia. O Estado precisa continuar garantindo vantagens comparativas para o seu território na atração de investimentos", destaca.

Infraestrutura social

Para o também economista Carlos Manso, pesquisador do Programa de Pós-graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (Caen/UFC), investimentos na chamada infraestrutura física - como os que o governo do Estado persegue - são, de fato, necessários, mas fortalecer também a chamada infraestrutura social, com políticas focadas no desenvolvimento humano, são ainda mais urgentes, dados os altos níveis de desigualdade e pobreza persistentes no Ceará.

"Nesse sentido, como tudo geralmente é importante e os recursos orçamentários são restritos, a solução é estabelecer prioridades. Um aquário, por exemplo, pode ser uma excelente iniciativa econômica, mas que depende de uma análise de viabilidade. Entretanto, seguramente, existem, ao mesmo tempo, ações ainda mais prioritárias como aquelas para a promoção do bem-estar social. É preciso compreender também que a redução das desigualdades é mais que uma questão de justiça social, é também uma questão econômica, pois, sinteticamente, torna a alocação de recursos mais eficiente, estimulando, assim, o aumento da produtividade", destaca.

Diagnóstico é necessário

"Tanto o novo governo estadual como o federal precisarão fazer um diagnóstico do andamento de todas as obras e necessidades para ter condições de avaliar as forças existentes e necessárias para fazer com que os projetos considerados prioritários sejam implantados", é o que defende o economista Alcântara Macêdo.

Isto porque, avalia, o dinheiro público nem sempre é suficiente para dar atenção aos empreendimentos e a pilares importantes para o Estado, como saúde, educação, abastecimento de água e saneamento, para citar alguns. "Assim, o futuro governo deveria estar comprometido com esse diagnóstico para garantir o ritmo de crescimento do Ceará, que vem sempre acontecendo em proporção superior ao do País", sinaliza.

Parcerias

Para garantir as verbas e a celeridades necessárias para o bom andamento desses projetos, Macêdo chama a atenção para o estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada. "O Estado pode e deve buscar mais recursos junto a investidores internacionais. As parcerias público-privadas estão aí e surgem como saída para que o dinheiro público sobre para a execução das políticas públicas. "Nada mais natural do que chamar a iniciativa privada para participar dos investimentos em infraestrutura", fala. (ADJ)

Dever de casa está em curso

O fato é que modificar o perfil socioeconômico de um Estado que até os anos 1960 era predominantemente agrário tem exigido vultosos investimentos em infraestrutura. Por isso, o atual governo do Ceará conduz a toque de caixa obras essenciais para dar suporte aos empreendimentos industriais atraídos e em prospecção.

Nesse sentido além de grandes obras como a ampliação do Porto do Pecém e do Metrô de Fortaleza, aparecem a viabilização de fontes complementares de energia, a melhoria e a construção de novos aeroportos regionais, o abastecimento de água, mas merecem destaque ainda a adequação de um sistema rodoviário e metroviário e a interiorização da distribuição de gás natural.

Obras que vêm ocupando destaque no portfólio de investimentos e que devem ficar como herança para serem continuadas pelas próxima gestões.

Estradas

Em 2007, de um total de 6.000 km de rodovias estaduais com pavimentação asfáltica, 1.500 km estavam danificadas. A meta governamental definida para até este ano era a de dotar a malha rodoviária cearense de 90% em bom estado de trafegabilidade. Para tanto foram adotados programas específicos de conservação, restauração e implantação de rodovias. Daquele ano até 2010, R$ 1,3 bilhão foram aplicados nesse quesito.

Segundo a Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra), os resultados parciais até julho deste ano apontam para a restauração de 1.400 km de rodovias concluídas ou em execução e a implantação de 900 km de novas estradas nas mesmas condições. Ao mesmo tempo, estão em processo de licitação as obras de restauração em 300 km e a implantação de outros 400 km. São trechos rodoviários de ligações regionais como a rodovia Padre Cícero, de Viçosa a Granja, de Itapipoca a Itapajé, Orós-Solonópole-Banabuiú, Canindé-Aratuba- Pai João-Capistrano e Quixeramobim-Madalena e a duplicação de rodovias como a CE 040, 060, 085 e o alargamento da CE 187. Entre os novos projetos encontra-se em concepção o Arco Rodoviário Metropolitano, uma alternativa de ligação das principais rodovias estaduais e federais de acesso à Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Sistema metroviário

Assim como para o Metrofor, esforços foram intensificados para colocar em operação o Metrô do Cariri e elaborar o mesmo sistema para o município de Sobral. A implantação desses equipamentos representa a consolidação da política pública de garantia de mobilidade urbana e acesso da população a serviços básicos e essenciais.

Gás natural

As diretrizes do governo estadual apontam também para a interiorização da distribuição de gás natural. Hoje a Seinfra e a Cegás (Companhia de Gás do Ceará), vinculada à Secretaria, atendem além da Capital, os municípios de Aquiraz, Aracati, Canindé, Caucaia, Eusébio, Horizonte, Itapajé, Itapipoca, Limoeiro do Norte, Maracanaú, Pacajús, Pacatuba, Quixadá, Russas, São Gonçalo, Sobral e Tabuleiro do Norte. Como metas futuras, a interiorização do combustível visa atender novos municípios, expandindo a rede de gasodutos, permitindo aumentar o atendimento dos segmentos residencial e comercial. Os investimentos projetados são de R$ 19 milhões.

Em 2009, o Ceará atingiu o consumo de 254 milhões de m³ de gás natural.

O abastecimento do Estado é de responsabilidade da Petrobras, mas a distribuição no Estado está a cargo da Cegás.

Turismo

Ao lado da duplicação e melhoria dos acessos ao destinos turísticos no Interior do Ceará, a Secretaria de Turismo (Setur) trabalha ainda em obras de saneamento , sinalização, iluminação e restauração de prédios históricos. (ADJ)

Maior ritmo nas obras é desafio para o Mundial

Uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, que vai ser realizada no Brasil, Fortaleza tem como tarefa se preparar para atender a demanda das seleções que aqui virão disputar os jogos assim como dos turistas que pretendem visitar a Capital do Ceará durante o Mundial. Com a proximidade do fim da atual gestão, também caberá ao futuro governante tirar do papel as obras necessárias. "No entanto, diante do tanto que se tem a fazer, parece que o Estado ainda não está enxergando com velocidade o ritmo das obras exigido pela Copa", alerta o economista Alcântara Macêdo.

Além da ampliação, da adequação, da operação e manutenção do Estádio Castelão, principal investimento no Estado para a que Fortaleza emplaque como cidade-sede - cuja licitação ainda enfrenta questões na Justiça mediante a acusação, de empresas participantes, de irregularidade no processo -, o governo estadual terá que garantir a construção do Centro de Eventos do Ceará, a edificação e reforma de equipamentos culturais, a pavimentação de vias, a operação do Metrofor, além de intervenções no Porto do Mucuripe e no Aeroporto Pinto Martins, obras que contam com recursos do governo federal.

No mês passado, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, assinou um termo aditivo à Matriz de Responsabilidades da Copa 2014, prevendo recursos de R$ 5,5 bilhões para os aeroportos e R$ 740,4 milhões para os portos das cidades-sedes ou próximos a elas. Desses valores, Fortaleza já tem garantidos R$ 385,4 milhões em investimentos a serem feitos no Porto do Mucuripe e no Aeroporto Pinto Martins, reforçando a estrutura de recebimento dos turistas.

O Porto do Mucuripe terá R$ 105,9 milhões, que serão alocados na construção do terminal de passageiros. A intervenção ampliará a possibilidade de hospedagem na capital cearense para o evento. Com a obra, o Porto do Mucuripe poderá oferecer mais espaço para navios, somando até cinco mil leitos. Atualmente, o máximo de navios atracados por dia no terminal é de duas embarcações, trazendo, em média, 907 passageiros cada. Já o Aeroporto Pinto Martins terá R$ 279,5 milhões. Com este recurso, será ampliada a capacidade de movimentação de passageiros, com a criação do Terminal 2. Com isso, o aeroporto, que hoje pode receber 6,2 milhões de passageiros passará a 14,2 milhões. (ADJ)

Cifras

385

Milhões de reais estão garantidos para Fortaleza pelo Ministério dos Esportes, por meio da Matriz de Responsabilidades da Copa, a fim de dotar a Cidade de infraestrutura necessária

279

Milhões de reais serão aplicados na ampliação da capacidade de movimentação de passageiros no Pinto Martins, com a criação do Terminal 2. Fluxo de visitantes poderá mais que duplicar

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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
SITUAÇÃO DOS EMPREENDIMENTOS
Situação dos empreendimentos
Situação dos empreendimentos

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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
SITUAÇÃO DOS EMPREENDIMENTOS
Situação dos empreendimentos (II)
Situação dos empreendimentos (II)

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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
SITUAÇÃO DOS EMPREENDIMENTOS
Situação dos empreendimentos (III)
Situação dos empreendimentos (III)

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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
ICID+18
Editorial - Devastação controlável
Um balanço da Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid+18) aponta a consolidação do bioma Caatinga na agenda internacional conduzida pela Organização das Nações Unidas.

As conferências, os debates e as informações difundidas no evento com duração de uma semana serviram, também, para um confronto sobre os avanços conseguidos nas questões da natureza e o infinito de problemas ainda pendentes.

De todo modo, não deixam de ser significativas as proposições incorporadas ao documento final da cúpula do meio ambiente, de modo especial, a ideia de formação de uma parceria entre os países dotados de grandes regiões semiáridas no Planeta.

A aliança, comprometendo os líderes governamentais engajados no esforço pelo desenvolvimento dessas áreas, visaria à geração de meios para a sobrevivência das populações submetidas às severas mudanças climáticas previstas para os próximos anos, com sinais antecipados visíveis.

Um estudo do Ministério do Meio Ambiente, difundido na Conferência, mostrou a devastação do semiárido brasileiro, da ordem de 0,4% de sua área, a cada ano. Como 11% do território nacional são constituídos por terras áridas, a destruição ganha proporções preocupantes.

Para os especialistas da Embrapa, há necessidade de se identificar quais são os reflexos causados do bioma Caatinga, seus fatores característicos, com baixos teores naturais, baixa capacidade de retenção de água e aumento dos efeitos da entropia nesses sistemas.

O processo de degradação das terras secas alcança mais de 20 milhões de hectares, 62% dos quais classificados como situados em intenso desmonte ambiental. O Ceará integra os núcleos mais afetados com Irauçuba; Pernambuco, com Cabrobó; o Piauí, com Gilbués; e o Rio Grande do Norte, com o Seridó. A reversão desse processo exige mudanças comportamentais, investimentos públicos constantes e modificação nos sistemas produtivos, a partir da recuperação dos solos.

A convenção internacional do clima, entre muitos ganhos, antecipou as preocupações dos especialistas com o futuro próximo. Para a comunidade científica, os efeitos das mudanças climáticas, embora afetem todas as regiões do mundo, serão mais graves nas terras áridas e semiáridas por atingirem a produção.

Com certeza, elas irão alimentar conflitos, aumentar os fluxos migratórios e provocar novas enfermidades.

O Ceará comprovou, na prática, como intervir nesse universo de incertezas. O Estado expôs uma proposta de formulação do Fundo Estadual de Combate à Desertificação, para congregar recursos de variadas fontes destinados a financiar ações no seu território, quase totalmente dominado pela aridez.

O certame internacional revelou perspectivas sombrias para o meio ambiente, começando pelas transformações ditadas pelo clima. Entretanto, a presença dos organismos multilaterais e das agências internacionais de financiamento sugere o emprego de recursos tecnológicos já desenvolvidos para mudar as feições das terras calcinadas. Agora, os governantes, a academia e os especialistas precisam colocar em prática as soluções para atenuar o agravamento das secas.
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FOLHA DE SÃO PAULO

22 de agosto de 2010

 
ELEIÇÕES 2010
Vantagem de Dilma faz Lula exigir ofensiva em SP
Presidente cobra "fatos políticos" para alavancar campanha de Mercadante

Em comício no ABC, candidata petista diz que eleição não está ganha e tenta estimular a militância da sigla

ANA FLOR
EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO

A pesquisa Datafolha que mostra Dilma Rousseff (PT) com 47% das intenções de voto contra 30% de José Serra (PSDB) permitirá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dedicar à campanha eleitoral em São Paulo -o maior temor dos tucanos.
Já na sexta à noite, em discurso em Osasco, Lula anunciou que sua prioridade na eleição é o Estado, governado há 16 anos pelo PSDB.
Ele cobrou da coordenação da campanha de Aloizio Mercadante a criação de "fatos políticos" para conquistar um triunfo no maior colégio eleitoral do país.
Apesar disso, em outro comício, realizado ontem em Mauá (SP), Dilma Rousseff minimizou a pesquisa e tentou estimular a militância.
"Pesquisa não ganha eleição para ninguém. Ganha uma eleição o povo votando no dia 3 de outubro", disse. "O que garante é a gente trabalhar de hoje até o dia 3, batalhar muito, perder muita voz e conversar com o povo."
Em discurso, a ex-ministra voltou a falar sobre o assunto: "Não podemos achar que o jogo acabou. Um bom jogador tem de jogar a partida inteira", disse. No entanto, pela primeira vez Dilma citou a perspectiva de triunfar no primeiro turno da eleição.
Lula disse acreditar que a ex-ministra tem menos votos entre as mulheres por preconceito, e elogiou a candidata. "Se eu tivesse um filho, e não tivesse a Marisa, eu dava para ela [Dilma] cuidar", disse Lula, ao falar da confiança que tem em Dilma.
Lula pediu que, até amanhã, a campanha de Mercadante crie uma lista de temas políticos para atacar a gestão tucana. No discurso, o presidente citou o primeiro deles: os pedágios. Disse que os valores cobrados nas estradas paulistas são "um roubo".
Na noite de sexta, Lula conversou com Mercadante, com o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, coordenador da campanha ao governo do Estado, e com o presidente do PT-SP, Edinho Silva.

VIRADA
Lula afirmou que suas participações na campanha no Estado, por meio da TV e de comícios, não são suficientes para virar a disputa. Segundo ele, é preciso "fatos políticos" para atacar os tucanos.
Mais tarde, ele criticou abertamente o discurso de se levar a disputa de São Paulo para o segundo turno. Ele cobrou que se defenda uma vitória no primeiro turno.
Com a vitória de Dilma no primeiro turno aparentemente encaminhada, tucanos temem que Lula se dedique a transferir seu prestígio para Mercadante, ameaçando a vitória até agora aparentemente fácil de Alckmin.
Além de São Paulo, Lula pretende concentrar sua participação na reta final da campanha em Minas Gerais, onde o pleito, apesar da vantagem do candidato lulista, Hélio Costa (PMDB), é considerado bastante acirrado.
Em São Paulo, segundo o último levantamento do Datafolha, Alckmin aparece com 54% das intenções contra 16% de Mercadante.
Uma maior participação de Lula na campanha do petista Aloizio Mercadante ao governo era a maior preocupação de tucanos ontem.
As campanhas não sabem avaliar o impacto que a nova estratégia petista pode ter na eleição em São Paulo.



ANÁLISE

Oposição corre risco de ser alijada do centro e ficar encurralada na direita

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

O futuro da oposição está próximo de uma tragédia com o avanço da candidatura de Dilma Rousseff (PT) a presidente. Também contribui para esse cenário o apetite de Lula por aumentar a bancada governista no Senado e reconquistar eleitores perdidos em São Paulo.
O PSDB e o Democratas, principais partidos anti-PT, correm o risco de serem alijados do centro e ficarem encurralados apenas no canto direito do espectro político.
Basta somar a chance de Dilma vencer no primeiro turno com as disputas estaduais para enxergar um desfecho plúmbeo a tucanos e democratas em 3 de outubro.
No caso do PSDB, o partido não está apenas prestes a perder nova chance de governar o Brasil, mas também de ficar sem dois dos mais emblemáticos Estados nos quais manda hoje: Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Se as pesquisas se confirmarem, o PSDB passará a ter como homem forte Geraldo Alckmin -favorito ao governo de São Paulo, mas rejeitado para ser presidente em 2006. Alckmin é hoje o representante principal das forças conservadoras no tucanato. É a direita da oposição.
Em Minas, mesmo se eleito, Aécio Neves vai virar um náufrago tucano no Senado se não conseguir eleger Antonio Anastasia ao governo.
No Rio Grande do Sul, Yeda Crusius sobreviveu à possibilidade de impeachment em 2009, mas aparece num constrangedor terceiro lugar ao tentar a reeleição.
Já Serra, se perder, terá sua segunda derrota numa corrida presidencial. Às vezes em política um fracasso pode representar forças para o futuro, como no caso de Lula.
Mas, para Serra, há perspectiva do inverso: ele pode ter neste ano menos votos do que na sua primeira tentativa, quando perdeu para o PT no segundo turno em 2002.
O Democratas, principal aliado tucano, segue os mesmos passos. Hoje, seus trunfos são possíveis vitórias aos governos de Santa Catarina e Rio Grande do Norte. Juntos, os dois Estados têm meros 5% do eleitorado nacional.
A sobrevivência da oposição num eventual governo Dilma dependerá de tucanos e de democratas terem capacidade para ampliar o público disposto a ouvi-los.
Com Alckmin, as chances podem ser razoáveis em São Paulo. Mas no restante do Brasil, PSDB e DEM terão de se reinventar. A percepção de que predomina um paulicentrismo conservador nas forças anti-PT só piora as coisas para quem deseja algum dia tirar os petistas do Planalto.
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FOLHA DE SÃO PAULO

22 de agosto de 2010

 
ELEIÇÕES 2010
Nova queda desanima aliados de Serra
Tucanos aumentam pressão por mudanças no programa de TV; senadora diz que só desiste "no último minuto"

"Isso impacta a gente", afirma Marisa Serrano; tucanos dizem esperar "fato novo", e candidato não comenta resultado

DE SÃO PAULO
DE BRASÍLIA
DO RIO

A disparada da presidenciável Dilma Rousseff (PT) na pesquisa Datafolha divulgada ontem abalou aliados e dirigentes da campanha de José Serra (PSDB).
O clima de desânimo marcou as reações dos tucanos, que agora dizem esperar um "fato novo" para levar a eleição ao segundo turno.
"Isso impacta a gente. Não é fácil, mas só podemos desistir no último minuto", disse a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). "É ruim esperar o imponderável, mas precisamos lutar até o fim."
O resultado ampliou a pressão por mudanças na propaganda eleitoral de Serra, que tem tentado colar sua imagem à de Lula.
"A estratégia do bom-mocismo está errada", disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que defende uma linha mais agressiva na TV. "Oposição só substitui quem está no poder quando é crítica."
"Temos que mudar o programa para mostrar que o PSDB e seus aliados construíram tudo que está aí", reforçou o presidente do PTB, Roberto Jefferson.
O ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) defendeu que a oposição se concentre agora na disputa pelo Senado. "Queremos evitar que aconteça o que ocorreu na Venezuela", disse, referindo-se a um eventual governo Dilma com ampla maioria na Casa.
O coordenador da campanha tucana, Sérgio Guerra, afirmou que já esperava o crescimento da petista, "talvez não desse tamanho". Ele defendeu a linha adotada na TV: "O caminho é manter o que está definido. Nossa estratégia de comunicação não pode ser errática".
No Rio, Serra não quis comentar a pesquisa. Disse que a invasão de um hotel em São Conrado reforça a necessidade de o governo federal atuar na segurança e afirmou que a ocupação policial de favelas é "positiva, mas insuficiente" para conter a violência.
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DIÁRIO DO NORDESTE

22 de agosto de 2010

 
ELEIÇÕES 2010
Com 47%, Dilma venceria no 1º turno
Brasília Na primeira pesquisa Datafolha depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, a candidata a presidente Dilma Rousseff (PT) dobrou sua vantagem sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), e seria eleita no primeiro turno, se a eleição fosse hoje.

Segundo pesquisa Datafolha realizada, na última sexta-feira, em todo o país, com 2.727 entrevistas, Dilma tem 47%, contra 30% de Serra. No levantamento anterior, feito entre os dias 9 e 12, a petista estava com 41% contra 33% do tucano.

A diferença de 8 pontos subiu para 17 pontos. Marina Silva (PV) oscilou negativamente um ponto e está com 9%. A margem de erro máxima do levantamento é de dois pontos percentuais. Os outros candidatos não pontuaram. Os que votam em branco, nulo ou nenhum são 4% e os indecisos, 8%.

Nos votos válidos (em que são distribuídos proporcionalmente os dos indecisos entre os candidatos e desconsiderados brancos e nulos), Dilma vai a 54%. Ou seja, teria acima de 50% e ganharia a disputa já em 3 de outubro.

Os que viram o horário eleitoral alguma vez desde que começou, na terça-feira passada, são 34%. Entre os que assistiram a propaganda, Dilma tem 53% e Serra, 29%. Nos primeiros programas, Dilma apostou na associação com Lula, que tem 77% de aprovação, segundo o último Datafolha. A petista cresceu ou oscilou positivamente em todos os segmentos, exceto entre os de maior renda (acima de dez salários mínimos).

Mais ricos

Dilma tinha 28% de intenção de voto entre os mais ricos e manteve esse percentual. Mas sua distância para Serra caiu porque o tucano recuou de 44% para 41% nesse grupo, que representa apenas 5% do eleitorado. Já entre as mulheres, Dilma lidera pela primeira vez. Na semana anterior, havia empate entre ela e Serra, em 35%. Agora, a petista abriu 12 pontos de frente nesse grupo: 43% contra 31% de Serra.

Marina tinha 11% e está com 10% entre as mulheres. A verde continua estável desde março no Datafolha. Tem mostrado alguma reação só entre os mais ricos, faixa em que tinha 14% há um mês, foi a 17% e agora atingiu 20%. A liderança de Dilma no eleitorado masculino é maior do que entre o feminino: tem 52% contra 30% de Serra. A candidata do PV tem 8%.

Outro número bom para Dilma é o empate técnico no Sul. Ela chegou a 38% contra 40% de Serra. Há um mês, ele vencia por 45% a 32%. Serra não lidera de forma isolada em nenhuma região. No Sudeste, perde de 42% a 33%. No Norte/Centro-Oeste, Dilma tem 50%, e ele, aparece com 27%.

No Nordeste a petista teve uma alta de 11 pontos e foi a 60% contra 22% do tucano. Houve também um distanciamento de Dilma na disputa de um eventual segundo turno. Se a eleição fosse hoje, ela teria 53% contra 39% de Serra. Há uma semana, ela tinha 49% e ele, 41% dos votos válidos.

Na pesquisa espontânea, em que eleitores declaram voto sem ver lista de candidatos, Dilma foi de 26% para 31%. Serra foi de 16% a 17%.

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O POVO

22 de agosto de 2010

 
ELEIÇÕES 2010 - SUCESSÃO ESTADUAL
Os candidatos dizem o que pensam de temas polêmicos
O POVO procurou os sete candidatos ao governo do Ceará, durante cerca de duas semanas, para saber como se manifestam diante de questões consideradas polêmicas da pauta político-administrativa. Veja o resultado nas próximas páginas

Não apenas lançar propostas ou críticas. A forma de se comportar sobre temas relevantes em curso no Estado pode dizer muito sobre os rumos a serem tomados por aquele que pode vir a ser o comandante do processo político-administrativo no Ceará a partir de 1º de janeiro do ano que vem. Agora, cabe ao leitor/eleitor buscar conhecer tais posições e verificar se está em conformidade com aquilo que ele quer para o Estado. Afinal, cada decisão do poder público – mesmo aquelas aparentemente sem importância - pode atingir diretamente a vida de cada um.

O POVO convidou os sete candidatos ao Governo do Estado a se posicionarem sobre assuntos considerados polêmicos, muitas vezes, mas que são de extrema importância para o Ceará. Foram escolhidos temas relacionados a setores variados, como segurança, saúde, economia, educação, servidores, ação social, turismo e esporte (este último, relacionado à Copa do Mundo de 2014).

Intertitulo
Todos, sem exceção, fizeram questão de demonstrar seus pontos de vistas. Algumas vezes dando pistas de como gostaria de gerir o Estado, em outras, apenas aproveitando para reforçar críticas à atual gestão.
É que na hora de buscar a simpatia do eleitor - de A a Z, na preferência dos candidatos - questões que dividem opiniões nem sempre são bem-vindas a um debate. Nem sempre posicionamentos são demonstrados claramente pelos que buscam cargos eletivos.

Temas polêmicos, entretanto, não o são pela mera divisão de opiniões. Mas pelo que representam para o Estado a partir daquela decisão. Grandes obras ou ações sociais? Repasse por desempenho? Meio ambiente ou emprego? Parar ou não uma obra sob suspeita sob risco de perder um evento do porte da Copa do Mundo? Eis as questões. Não são fáceis de responder, mas como você se posicionaria? Verifique e compare.

Mais importante que a divergência de opiniões é a oportunidade de se apresentar alternativas ou defender o peixe que se quer vender para os próximos quatro anos. É o que O POVO mostra, de maneira direta, nas próximas páginas.


NÚMEROS

7
É O NÚMERO DE CANDIDATOS AO GOVERNO DO CEARÁ, TODOS PROCURADOS PELO O POVO PARA RESPONDER AO QUESTIONÁRIO

11
FOI O NÚMERO DE PERGUNTAS ENCAMINHADAS AOS COMITÊS DE CAMPANHA, RELACIONADAS A ALGUNS DOS TEMAS MAIS P0LÊMICOS DA PAUTA ATUAL.

3
DE OUTUBRO, É O DIA DE REALIZAÇÃO DAS ELEIÇÕES GERAIS NO BRASIL, COM A ESCOLHA DE PRESIDENTE DA REPÚBLICA, GOVERNADORES, SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS E DEPUTADOS ESTADUAIS.

Todos, menos Cid, contra o Acquário

Prometido como grande investimento para o turismo pelo atual Governo, a construção de um aquário gigante na Praia de Iracema, em Fortaleza, não agradou muito aos adversários do governador e candidato à reeleição, Cid Gomes (PSB). Questionados se manteriam o projeto - chamado Acquário
Ceará, no valor de R$ 250 milhões - cinco candidatos se posicionaram contra e
apenas Marcelo Silva (PV) preferiu não responder objetivamente.

Marcelo afirmou que antes da instalação de um equipamento desse porte é necessário debater com a população.

Os candidatos Lúcio Alcântara (PR) e Marcos Cals (PSDB), avaliaram como uma obra não prioritária diante das carências que o Estado ainda possui.

Grande entusiasta do projeto, Cid Gomes, por sua vez, foi enfático na crítica àqueles que viram a face para o empreendimento. “Com essa mentalidade, o Dragão do Mar não existiria”, reforçou.

Para Cid, Fortaleza precisa de “novas atrações para trazer outro tipo de turista”. Pelos cálculos dele, o Acquário pode atrair mais de 1,2 milhão de visitantes por ano e gerar “milhares de empregos”.(GD)

Fecop em debate, das mudanças ao uso específico

Criado em 2003, ainda no Governo Lúcio Alcântara (ex-PSDB, atual PR), o Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop) já nasceu polêmico. E a forma de geri-lo é uma das orientações sobre políticas de erradicação da pobreza para os próximos quatro anos. Observe as respostas e avalie: qual candidato está mais perto do que considera ideal para o assunto?

O POVO questionou: o Fecop deve ser mais específico ou mais amplo? Quatro votaram pela especificidade da utilização dos recursos, enquanto outros três preferiam não dar uma resposta objetiva.

Na época de sua criação, a bancada da oposição – que hoje integra o Governo – foi contra o Fundo, que seria alimentado com aumento de 2% sobre a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) cobrados sobre produtos “supérfluos”.

Sob protestos, o Fecop foi aprovado pela Assembleia Legislativa. Conforme o site da Secretaria de Planejamento do Estado, conta hoje em caixa com mais de R$ 423 milhões.

Em maio de 2009, o Fecop foi transformado em fundo de “natureza contábil”, tornando-se uma rubrica no Orçamento do Estado, o que possibilitou a ampliação de sua utilização por parte do Estado. E o assunto continua dividindo opiniões.

Lúcio questiona a “abertura” dada pelo atual Governo, retirando dispositivos que vedavam o uso mais amplo dos recursos. O governador e candidato à reeleição,

Cid Gomes (PSB), por sua vez, avalia que “o importante é ver se a aplicação dos recursos está atingindo o objetivo”.


Marcos Cals, do PSDB, foi além. Assumindo-se como “crítico da pulverização dos recursos do Fecop”, ele quer criar o “Programa Vida Melhor”, uma espécie de Bolsa Família nos moldes estaduais.

Soraya Tupinambá (Psol) e Francisco Gonzaga (PSTU) apresentaram críticas ao que consideram pernicioso no combate à pobreza. Já Marcelo Silva (PV) e Maria da Natividade (PCB) optaram pela opção mais específica da utilização dos recursos. Marcelo quer

usar os recursos para gerar emprego e renda, enquanto Nati propõe a criação de conselhos populares. (GD).

Todos prometem aumentos reais
Boa notícia para os servidores públicos. Dos sete candidatos ao Governo do Estado questionados pelo O POVO, apenas um respondeu que seria necessário avaliar antes de se comprometer com reajuste acima da inflação. Os demais garantem conceder ganho real

Essa promessa é para guardar e cobrar depois do dia 1º de janeiro de 2011: seis dos sete candidatos ao Governo afirmaram que sim, vão garantir ganho real – ou seja, acima da inflação – para os servidores públicos, caso sejam eleitos. Ninguém especificou, no entanto, de quanto seria o reajuste pretendido para o próximo ano.

Dentre os candidatos, apenas Marcelo Silva (PV) teve ‘coragem de dizer’ que essa questão “depende de vários aspectos”. Ele defendeu a instalação de uma “gestão pública moderna” com um “instrumento de medição de resultados” para nortear a política salarial dos servidores.

Embora tenha sido o segundo a não marcar nenhuma das opções objetivas, o governador e candidato à reeleição, Cid Gomes (PSB), disse ter “assumido o compromisso” com os sindicatos dos servidores estaduais de dar aumento real de salários, aumento no valor das diárias e do vale-refeição e antecipação da data-base para janeiro – este ano foi em 1º de julho.

Ao contrário do tom ameno com que vem adotando na campanha, o atual governador não deixou de atacar seu antecessor, Lúcio Alcântara (PR), com quem disputa novamente a direção do Executivo estadual.

Cid ressaltou que, em seu Governo, nenhuma categoria teve aumento menor que a inflação. No caso de professores, médicos e policiais, lembra, o aumento já foi real, acima da inflação. E não disse só isso. “Isso não acontecia nos governos anteriores”.

Já Lúcio respondeu ao O POVO que “certamente”, vai garantir ganho real, “como fez no primeiro governo”. O candidato do PR prometeu ainda dar prioridade ao tema, com um plano de valorização dos servidores.


Lúcio também não deixou por menos ao reforçar que vai “cumprir a legislação no tocante aos pisos salariais”. É que Cid faz parte de um dos cinco governadores que questionam aspectos da Lei Nacional do Piso dos Professores no Supremo Tribunal Federal (STF).

Marcos Cals (PSDB) sugeriu prêmios por desempenho, como ocorre na iniciativa privada. Ele garantiu ser a favor do ganho real “por princípio” e prometeu concedê-lo baseado numa “negociação transparente e possível dentro dos limites do Estado”.

Demais candidatos também defenderam ganho real e valorização dos servidores.

Números
Este ano, o governo concedeu 4,8% de reajuste, referente à reposição da inflação do período de julho de 2009 a junho de 2010. O gasto com servidores passou de R$ 4,6 bilhões para R$ 4,8 bilhões mensais.

A polêmica do Castelão

Manter os processos questionados de licitação da obra de reforma do Castelão ou correr o risco de perder o prazo para participar da Copa do Mundo de 2014?

De sete candidatos, quatro suspenderiam a licitação.
Para o governador e candidato à reeleição, Cid Gomes (PSB), não há razão para parar o processo licitatório. Ele alega que o que existe é uma “grande disputa” entre empreiteiras.

Lúcio Alcântara (PR) reconhece que os processos referente à Copa não podem parar para não prejudicar o evento, mas diante das denúncias, deve-se parar e fazer uma auditoria no processo. Para Marcos Cals (PSDB), se a licitação está sob suspeita já deveria estar suspensa.

Maria da Natividade (PCB) e Francisco Gonzaga (PSTU) criticam a obra, mas são contra suspender a licitação.

A polêmica paira sobre as obras do Castelão, após a revista Veja apontar suposta irregularidade no processo licitatório. A obra está orçada em R$ 486 milhões e o

Governo já conseguiu autorização para contratar empréstimo R$ 352 milhões.(GD)

Ronda do Quarteirão, o futuro que às urnas pertence
Adversários de Cid não falam em extinção, mas adiantam que haverá uma ampla reformação. O atual governador, que idealizou o programa, reforma sua importância dentro de uma estratégia de segurança pública, mesmo admitindo que ele ''não resolve tudo''. Lúcio fala em requalificação, Cals diz que sentido ''complementar'' seria resgatado

Se divide opinião nas ruas, o programa Ronda do Quarteirão é ponto de concordância entre a maioria dos candidatos ao Governo do Estado. À pergunta - “o programa Ronda do Quarteirão deve continuar a ser o carro-chefe da polícia?” – seis, de sete candidatos optaram pela alternativa “não”, com exceção apenas do governador e candidato à reeleição, Cid Gomes (PSB).

Mas, apesar das críticas, ninguém se prontificou a extinguir o programa, que se tornou alvo de questionamento por parte da população após ações, no mínimo, desastradas. Reformulações seriam suficientes, na opinião da maioria dos postulantes ao Executivo estadual.

Lançado como principal projeto para a área de Segurança Pública, em 2007, o Ronda do Quarteirão já foi alvo de denúncias escandalosas, conforme O POVO mostrou no ano passado, de policiais fazendo sexo em viaturas, cometendo abuso de poder e recebendo alimento gratuitamente em troca de proteção. Mas o estopim para uma crise com a sociedade foi a morte do jovem Bruce Cristian, no final de julho último.

Em defesa
Idealizador do Ronda, Cid optou por não marcar nenhuma das opções objetivas, se manteria ou não o projeto como carro-chefe da polícia. Mas fez questão de defender o programa como uma das ações de seu Governo.
No entanto, o governador acrescentou que “é importante, mas não foi feito para resolver tudo”. Fora isso, ele não se prendeu a apenas defender o Ronda. Optou por divulgar os investimentos na área de Segurança que, destaca, teve orçamento “dobrado” em sua gestão. “Contratei mais de 4 mil policiais, construí e reformei delegacias, nomeei mais de 100 delegados, renovei armamento e munição. E não parei nisso”.

O ex-governador Lúcio Alcântara, que agora busca voltar ao cargo pelo PR, afirmou que o Ronda do Quarteirão continuará, caso vença as eleições de outubro. Mas, enfatizou, “será requalificado” e será retirada a “ênfase nas ações cosméticas”. “A prioridade não será dada a equipamentos e sim ao profissional da segurança”, disse, em indireta ao principal adversário, Cid Gomes.

O candidato do PSDB, Marcos Cals, avaliou o Ronda como um “programa complementar”, que necessita de “reajustes”. Fora isso, não disparou críticas mais duras ao principal programa de policiamento ostensivo do Ceará. Preferiu dizer o que faria: polícia trabalhando com inteligência 24 horas e um “comando forte”.

Já os candidatos Marcelo Silva (PV), Francisco Gonzaga (PSTU) e Maria da Natividade (PCB), apostam na unificação das polícias como forma mais eficaz de combate ao crime. Soraya Tupinambá (Psol), por sua vez, defende um maior controle social sobre a polícia. Para isso, ela afirma que deve haver um corregedor único para as polícias, escolhido por meio de concurso público e não poderia integrar a corporação policial. (Giselle Dutra – giselledutra@opovo.com.br)

Rigor recebe críticas, mas é defendido

Alvo de críticas por parte de candidatos, a fiscalização rigorosa da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) foi, no entanto, defendida pela maioria deles. Mas respondendo de forma objetiva, o placar ficou equilibrado: três se colocaram a favor do rigor na fiscalização, um se posicionou contra e três se abstiveram de marcar o questionário.

Principais críticos nos palanques, os candidatos Lúcio Alcântara (PR) e Marcos (PSDB) enviaram respostas bem parecidas com palavras diferentes. Ambos disseram ser a favor do cumprimento da lei. Mas Lúcio disse questionar a “repressão e processos intimidatórios aos donos de motos”. Já Cals, afirmou que rigor na fiscalização “não quer dizer autoritarismo e arrogância”.

Lúcio alegou que se deve criar mecanismos que facilitem o acesso à carteira de motorista e prometeu ações mais educativas no trânsito. Já Cals, afirmou que vai perdoar multas e criar um refis para dívidas por Imposto de Propriedade Sobre Veículo Automotor (IPVA), além de uma auto escola pública.

Candidato criticado, o governador Cid Gomes (PSB) rebate dizendo que a grande maioria dos motociclistas possui habilitação em dia, mas “uma minoria não tem”, colocando em risco a vida dos outros. “Para que todos se regularizem, anistiamos as multas atrasadas e criamos a Carteira Popular. Mais de 45 mil cearenses fizeram o curso e tiraram habilitação de graça”, disse Cid.

Apenas a candidata do Psol, Soraya Tupinambá, se disse contra o rigor na atuação da PRE, antiga CPRV (Companhia de Policiamento Rodoviário Estadual). “Não podemos descontextualizar uma medida”, alegou.

Maria da Natividade (PCB) alegou que tal questão está “servindo de palanque eleitoreiro”, enquanto o candidato do PSTU, Francisco Gonzaga, questiona a atuação do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).(GD)

Preservação de presos em debate

A exoneração de três delegados em setembro de 2009 chamou a atenção para um assunto que, até então, não era levado em conta pela sociedade – a permissão dada pela polícia para que programas de TV fizessem exposição da imagem de presos, muitas vezes em tom de chacota.

A saída dos delegados foi em decorrência de descumprimento de norma baixada pelo secretário de Segurança Pública, Roberto Monteiro. O fato causou alvoroço tanto entre a categoria dos delegados – pela exoneração -, como entre os apresentadores de televisão que ganhavam audiência com a espetacularização da imagem dos supostos delinquentes.

As respostas dos candidatos demonstram o quanto o assunto divide opiniões. Foram três contra, três abstenções e um a favor da exposição da figura dos sujeitos encarcerados. Apenas o candidato do PR, Lúcio Alcântara, se mostrou favorável que se mostre a face dos suspeitos justificando que é “para que a população se defenda”.

Os candidatos Marcos Cals (PSDB), Soraya Tupinambá (Psol) e Marcelo Silva (PV), posicionaram-se objetivamente, alegando existir leis que proíbem tal prática. Já os candidatos Cid Gomes (PSB) – responsável pela atual política -, Francisco Gonzaga (PSTU) e Maria da Natividade (PCB) não marcaram respostas, mas defenderam o mesmo princípio da presunção da inocência e, por isso, tais exposições não poderiam ser feitas. (GD)
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22 de agosto de 2010

 
ELEIÇÕES 2010- SUCESSÃO ESTADUAL
Conheça o pensamento dos candidatos ao Governo
Conheça o pensamento dos candidatos ao Governo

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22 de agosto de 2010

 
ELEIÇÕES 2010 - SUCESSÃO ESTADUAL
Conheça o pensamento dos candidatos ao Governo (II)
Conheça o pensamento dos candidatos ao Governo (II)

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ELEIÇÕES 2010 - SUCESSÃO ESTADUAL
Conheça o pensamento dos candidatos ao Governo (III)
Conheça o pensamento dos candidatos ao Governo (III)

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FOLHA DE SÃO PAULO

22 de agosto de 2010

 
JORNADA DE TRABALHO
Tecnologia prolonga jornada de trabalho
Uso de smartphone, iPad, computador portátil e intranet provoca debate sobre efeitos na vida dos trabalhadores

Para economista da PUC-RJ, jornada fora do ambiente do escritório aumenta o bem-estar de profissionais

VERENA FORNETTI
DO RIO

Enquanto amamenta o bebê, Beatriz responde aos e-mails do trabalho.
O marido se aborrece: "Você é explorada". Ela dá de ombros. "Se o trabalho é flexível, posso ficar mais tempo com as crianças." Fora do escritório, a publicitária Beatriz Magalhães, 32, gerente de uma agência em São Paulo, não fica nem meia hora sem acessar a internet no telefone celular.
"Minha caixa de entrada parece um gremlin. Brota e-mail na tela. E é tudo trabalho. Minha vida pessoal não é tão agitada", diverte-se.
Smartphone, iPad, computador portátil e intranets que permitem acessar ambientes corporativos remotamente tornaram-se instrumentos fundamentais para os que têm cargo de liderança, profissionais liberais ou para quem está em ramos em que é preciso estar disponível e ser ágil.
Mas esses "gadgets" -palavra da moda para se referir a esses aparelhos- têm o efeito de prolongar a jornada dos trabalhadores.
Sociólogos e juristas a firmam que essa nova dimensão do trabalho ainda não foi percebida com clareza nem pelas empresas nem pelos profissionais.
"Esse trabalho não é reconhecido, não é remunerado e não há consciência crítica sobre ele", diz Marcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e especialista em políticas de trabalho.
Para Pochmann, o modo como se organiza a jornada de trabalho de profissionais ligados ao conhecimento -que realizam o chamado "trabalho imaterial"- coloca em xeque a legislação.
"Existem doenças que ainda não são percebidas como doenças do trabalho, como a depressão, que são decorrentes desse ritmo frenético."
O economista José Márcio Camargo, professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro, discorda.
Segundo ele, a possibilidade de completar uma parte da jornada fora do escritório aumenta o bem-estar do trabalhador, embora de fato possa elevar também o número de horas dedicadas ao emprego.
"Há efeitos positivos e negativos das novas tecnologias, mas não tenho dúvida de que os efeitos positivos são maiores", diz ele.
Para o pesquisador, seria um "desastre" se a legislação trabalhista limitasse as possibilidades das novas tecnologias. "Nesse caso, o trabalhador e a empresa perderiam toda a liberdade e a flexibilidade."

AÇÕES JUDICIAIS
O juiz do trabalho Wilson Pirotta, titular da 3ª Vara de Guarulhos (SP), relata já ter julgado casos em que funcionários pedem pagamento de hora extra pelo tempo trabalhado via internet. Segundo ele, a reclamação é comum entre empregados de bancos. Pirotta diz que a legislação não faz distinção sobre o lugar em que o trabalho é feito e que as leis atuais podem ser interpretadas a favor dos trabalhadores nesses casos.

Empresa deve se precaver, diz especialista

Empresa deve se precaver, diz especialista

DO RIO

O advogado Cássio Mesquita Barros, especialista em direito do trabalho, afirma que as empresas devem começar a se precaver para evitar reclamações na Justiça. Para ele, por enquanto, lida-se com a tecnologia como "uma coisa solta no espaço".

Folha - O tempo que o funcionário passa em casa respondendo ao e-mail corporativo ou acessando a intranet da empresa pode ser considerado como parte da jornada?
Cássio Mesquita Barros - É considerado tempo de trabalho, sim. Considera-se tempo de trabalho aquele em que o cidadão se encontra à disposição do empregador.

Como as empresas devem lidar com o trabalho feito remotamente?
A empresa pode evitar reclamações de hora extra desde que, quando conceda os aparelhos, diga que o funcionário os recebe para acessar o e-mail e saber o que está lá [na caixa de entrada], mas que as providências, o desenvolvimento do trabalho em relação a esse assunto terão de ser feitos no expediente. Tem de prevenir que o uso fora do expediente não vai ser considerado.

O sr. acha que a legislação atual regula essa nova relação de trabalho?
Como essa utilização ampla da tecnologia é uma coisa mais moderna, enquanto não se consolida o entendimento [jurídico], fica uma coisa solta no espaço.

Aparelhos são "escravização digitalizada", afirma sociólogo

DO RIO

O sociólogo da Unicamp Ricardo Antunes, especializado em relações de trabalho, afirma que a liberdade da jornada à distância é apenas aparente.
"Se você ganha um equipamento quando entra na empresa, não é a libertação, mas a sua escravização, ainda que digitalizada.

Folha - O que muda na relação de trabalho com a extensão digital da jornada?
Ricardo Antunes - O processo combina salto tecnológico com intensificação do trabalho. E com um envolvimento maior do trabalhador.

Com isso, o tempo do trabalho e o tempo do lazer começam a se imiscuir?
Eles se embaralharam completamente. A partir da era digital, o tempo de trabalho e o tempo de não trabalho não estão mais claramente demarcados.
Significa que, estando na empresa ou fora dela, esse mundo digitalizado nos envolve durante as 24 horas [do dia] com o trabalho.

E o que isso muda para o trabalhador?
Ele perde o sentido da vida fora do trabalho. Aumentam os adoecimentos e o estresse. A aparência da liberdade do trabalho em casa é contraditada por um trabalho que se esparrama por todas as horas do dia e da noite.

É viável que se faça a contagem do trabalho imaterial [que produz conhecimento] por horas, como na fábrica?
Não. Mas hoje o controle não é mais por tempo estrito de trabalho, e, sim, por produção. Se não realizou as metas [que eram previstas], você deixa de ser interessante para a empresa.
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