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Fortaleza, CE - domingo, 29 de agosto de 2010 |
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| AIRM – ASSESSORIA DE IMPRENSA E RELAÇÕES COM A MÍDIA - UNIDADE DE CLIPPING | |
| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Fiec recruta: Analista de Inteligência de Mercado | |
Fiec recruta: Analista de Inteligência de Mercado
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| TOPO | |
| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Sesi Maracanaú recruta: Assistente Técnico Administrativo | |
Sesi Maracanaú recruta: Assistente Técnico Administrativo
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| TOPO | |
| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Sesi está recrutando: Coordenador | |
Sesi está recrutando: Coordenador
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| TOPO | |
| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Sesi recruta: Professor | |
Sesi recruta: Professor
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Senai recruta: Instrutor (a) Educacional | |
Senai recruta: Instrutor (a) Educacional
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Cursos - SENAI - CFP AUA | |
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SENAI - CFP AUA
Tel.:(85) 3421-5300 http://www.senai-ce.org.br Montagem e manutenção de computadores Período: 20/09 a 05/10/2010 Investimento: R$ 264,00 Informações: candidato deve ter, no mínimo, a 6ª série do Ensino Fundamental, ter acima de 16 anos e conhecimentos básicos em informática. Turma das 13h às 17h. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Cursos - SENAI - CERTREM | |
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Rua Benedito Macedo, 77, Cais do Porto - Tel.: (85) 3421-5100
Interpretando a Norma ISO 22.000:2006 Período: 31/08 a 03/09/2010 Investimento: R$ 98,00 Informações: é necessário ao candidato possuir curso de BPF e APPCC. A carga total é de 16 horas / aula; turma das 17h às 21h. Boas Práticas de Fabricação (BPF) Período: 14/09 a 17/09/2010 Investimento: R$ 65,00 Informações: é necessário ao candidato ser profissional ou acadêmico na área de alimentos ou afins. Fabricação de Pães Artesanais Período: 15/09 a 24/09/2010 Investimento: R$ 198,00 Informações: a carga total do curso é de 32 horas / aula; turma das 13h às 17h. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| CURSOS | |
| Cursos - SENAI-AABMS | |
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Av. João Pessoa,6754 , Parangaba
- Tel.: (85) 3421-6133 MECÂNICO DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINA DE COSTURA PERÍODO: 30/08 a 30/10/2010 INVESTIMENTO: R$650,00 INFORMAÇÕES: turma disponível de segunda-feira a sábado, das 13h às 17h. No sábado, aula das 7h30 às 11h30. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| ESTÁGIOS | |
| Estágios - IEL | |
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Ensino Médio
Vagas: 04 Remuneração: R$ 255,00 Seleção: IEL Informações: candidatos devem cursar entre o 1º e 2º ano. Vagas para o horário de 7h às 11h ou das 15h às 19h. É necessário conhecimento básico em informática. Ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,80 por dia estagiado e lanche. Vagas: 01 Remuneração: R$ 255,00 Seleção: IEL Informações: candidatos devem cursar entre o 1º e 2º ano. É necessário conhecimento básico em informática. Ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,80 por dia estagiado. A carga é de 20 horas semanais. Vagas: 01 Remuneração: R$ 520,00 Seleção: IEL Informações: vaga para candidatos a partir do 4º semestre. É necessário conhecimento intermediário no pacote Office. Ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,80 por dia estagiado. Contábeis Vagas: 01 Remuneração: R$ 568,00 Seleção: IEL Informações: é necessário conhecimento em cálculo de impostos, faturamento, contas a receber, cobrança e cancelamento de notas fiscais. Ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 3,60 por dia e vale-alimentação. Artes Cênicas Vagas: 01 Remuneração: R$ 400,00 Seleção: IEL Informações: vaga para estudantes a partir do 3º semestre. É necessário conhecimento básico em informática. Aos interessados, estágio das 9h às 13h. Letras Vagas: 01 Remuneração: R$ 200,00 Seleção: IEL Informações: é necessário ao candidato possuir conhecimento em artes manuais e cursar a partir do 3º semestre. Estágio das 13h30 às 16h30. Ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,80 por dia estagiado e lanche. Vagas: 01 Remuneração: R$ 400,00 Seleção: IEL Informações: vaga para estudantes a partir do 5º semestre. É necessário conhecimento básico em informática e redação própria. Vaga ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,60. Publicidade e Propaganda Vagas: 01 Remuneração: R$ 700,00 Seleção: IEL Informações: candidato precisa ter conhecimento intermediário em Corel e avançado em Photoshop, além de Word e Excel. Vaga ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,80. Técnico em Vestuário Vagas: 10 Remuneração: não informada Seleção: IEL Informações: vaga para candidatos a partir do 2º semestre. É necessário conhecimento básico em informática. Vagas: 01 Remuneração: R$ 400,00 Seleção: IEL Informações: é necessário possuir conhecimento no programa Cad Audaces. Vaga das 8h às 12h ou das 13h às 17h. Empresa localizada no Centro; ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 1,80 por dia estagiado. Educação Física Vagas: 01 Remuneração: R$ 400,00 Seleção: IEL Informações: candidato deve ter conhecimento em ginástica localizada, hidroginástica, voleibol e futsal. Oportunidade para estudantes a partir do 5º semestre. Ainda dá direito a auxílio transporte. Vaga das 13h às 17h. Técnico em Enfermagem Vagas: 01 Remuneração: R$ 300,00 Seleção: IEL Informações: vaga para candidatos a partir do último trimestre do curso. É necessário residir próximo ao município de Eusébio. Estágio das 8h às 13h. Aos interessados, ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 100,00. Engenharia de Produção Vagas: 02 Remuneração: R$ 700,00 Seleção: IEL Informações: vaga para candidatos com conhecimento intermediário em Excel e cursando a partir do 6º semestre. É necessário ter cursado a disciplina de Controle de Produção e Logística. Ainda dá direito a café da manhã, almoço na empresa, auxílio transporte e transporte na empresa. | |
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| O POVO |
29 de agosto de 2010 |
| ESTÁGIOS | |
| Pop estágio - IEL | |
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Telefone: (85) 3421.6511 / 3421.6510
E-mail: estagio-iel@sfiec.org.br Site: www.iel.org.br/estagio >Técnico em Vestuário Vagas: 10 - Horários: a combinar – 20 H/Semanais - Remuneração: Aux. transporte + almoço no local - Requisitos: a partir do 2º + Informática básica – Local: Antônio Bezerra >Técnico em Eletrônica ou Mecatrônica Vagas: 1 - Horários: 9h às 15h - 30 H/Semanais - Remuneração: R$ 400 + Aux. transporte R$: 1,80 por dia estagiado + Almoço no local - Requisitos: a partir do 1º - Local: Rodolfo Teófilo >Administração ou Secretariado Executivo Vagas: 1 - Horários: 8h às 14h - 30 H/Semanais - Remuneração: R$ 520 + Aux. transporte R$: 1,80 por dia estagiado - Requisitos: a partir do 4º e Pacote office intermediário - Local: Aldeota >Ciências Contábeis Vagas: 1 - Horários: 11h às 17h - 30 H/Semanais - Remuneração: R$ 586 + Aux. transporte R$: 3,60 por dia + Vale Alimentação no valor de R$: 6,35 por dia - Requisitos: a partir do 5º e Noções de contabilidade (cálculo de impostos, faturamento, contas a receber, cobrança, cancelamento de notas fiscais) . Na Aldeota >Pedagogia e Letras Vagas: 1 - Horários: 13:30h às 16:30h – 15 H/Semanais - Remuneração: R$ 200 + Aux. transporte R$: 1,80 por dia estagiado + lanche - Requisitos: a partir do 3º e ter conhecimentos em artes manuais. - Local: Álvaro Weyne >Ensino Médio Vagas: 4 - Horários: duas vagas 7h às 11h e duas 15h às 19h - 20 H/Semanais Remuneração: R$ 255 + Aux. transporte R$: 1,80 por dia estagiado + lanche - Requisitos: 1º ou 2º Ano e Informática básica. - Local: Meireles >Técnico em Administração Vagas: 2 - Horários: uma vaga 7h às 13h e uma 14h às 20h - 30 H/Semanais - Remuneração: R$ 350 + Aux. transporte R$: 1,80 por dia estagiado + lanche - Requisitos: a partir do 1º e Informática básica. - Local: Meireles >Ensino Médio Vagas: 1 - Horários: A combinar - 20 H/Semanais - Remuneração: R$ 255 + Aux. transporte R$: 1,80 por dia estagiado - Requisitos: 1º ou 2º Ano e Informática básica. - Local: Papicu > Administração ou Economia e/ou Graduação tecnológica em Processos gerenciais ou Gestão empresarial Vagas: 1 – Horários: 9h às 15h - 30 H/Semanais - Remuneração: R$ 430 + Aux. transporte R$: 1,80 + Vale Alimentação no valor de R$: 5 por dia. - Requisitos: a partir do 3º Semestre e Informática básica. - Local: Centro | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| ORÇAMENTO PARTICIPATIVO | |
| Orçamento participativo: população à frente das decisões | |
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O Diário do Nordeste inicia hoje uma série de reportagens sobre orçamento público e a participação do cidadão
Como atender por um ano uma população de 2,5 milhões de habitantes com um orçamento de R$ 3,4 bilhões? Esta foi a questão-desafio que a gestão da Capital cearense teve que responder - ou tentar responder - ao final de 2008, quando elaborava a Lei Orçamentária Anual (LOA). O documento define, anualmente, como serão utilizados os recursos previstos para o caixa da Prefeitura no exercício fiscal do ano seguinte. Missão complicada, mas que contou com o reforço de quem mais entende das necessidades da cidade: a sua própria população. Desde 2005, os fortalezenses, através de assembleias realizadas em cada uma das seis regionais, têm apresentado à Prefeitura quais são as necessidades que querem ver atendidas pela gestão. Compreensão da máquina O instrumento para isso é o programa chamado Orçamento Participativo (OP), que chegou aqui após experiências bem sucedidas em outras cidades do País, como as capitais do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Para decidir sobre as contas da Prefeitura, a população precisava compreender como funciona a máquina. Que o dinheiro que chega à Prefeitura através da arrecadação de impostos e de transferências constitucionais deve voltar aos contribuintes através de políticas públicas, isso a população já entendia antes de chegar aos encontros. Entretanto, entre as necessidades da Cidade e as condições práticas de solucioná-las, nem sempre há uma correlação direta. Existem fatores que são relevados na hora de definir os gastos, e isso teve que ser entendido. Como uma das cidade de maior concentração de renda do País, Fortaleza acumula uma série de problemas históricos, que vieram se agravando com o passar do tempo. Estes problemas apareceram listados na voz das comunidades, exigindo melhoria de vida. Não foi à toa que, de 2005 a 2008, quase 1.500 reivindicações foram escolhidas como prioritárias para execução pela gestão. Vozes nas assembleias O número é alto, mas representa apenas uma parcela de tudo aquilo que foi levantado pelas vozes nas assembleias. Financiar os gastos correntes da cidade, como folha de pagamento de servidores, manutenção da máquina pública, cumprir os percentuais mínimos determinados por lei para áreas, e ainda construir a "Fortaleza que se quer", apontada por seus próprios moradores, não é uma tarefa fácil. Talvez até inexequível, dentro das condições orçamentárias que a cidade oferece. "Independentemente de que governo esteja, na sociedade que temos de concentração de renda e poder, as demandas não serão resolvidas no orçamento do Município. Então, nós temos que definir prioridades. O número de demandas que a população tem não é suportável pelo orçamento de Fortaleza. Não é possível resolver todos os problemas de educação, de saúde, de moradia, de saneamento básico, trabalho... não é! Não adianta a gente se enganar. O que podemos fazer com o orçamento de Fortaleza - e o Orçamento Participativo é pra isso - é, dentro dessas ´multidemandas´, definir qual delas vamos priorizar no governo", admite o coordenador da Comissão de Participação Popular - ligada ao gabinete da prefeita -, Elmano Freitas. Segundo ele, contudo, apesar de o "ideal" não ser possível dentro do "real", a participação popular na definição do orçamento municipal surgiu como um avanço, e garantiu muitas conquistas. Ouvindo as seis regionais O Diário do Nordeste percorreu as seis regionais nas quais a cidade é dividida e, nelas, ouviu diversas reivindicações, das mais básicas, como a cobertura de esgotos a céu aberto, às mais complexas, como a busca de uma solução para a marginalidade e o desemprego. Mas uma coisa foi defendida em coro: a população já não abre mão de poder intervir nas decisões da municipalidade, e acredita que, assim, é possível conquistar muitas das melhorias almejadas. EM FORTALEZA Investimentos alcançaram R$ 123,93 milhões neste ano O montante, que não inclui despesas com a folha de pagamento, já se aproxima daquele investido em 2009 Neste ano, um total de R$ 132,93 milhões foi investido, em Fortaleza, em demandas advindas do Orçamento Participativo e em outras que, apesar de não terem sido deliberadas nas assembleias das comunidades, seguem as mesmas linhas das reivindicações da população. "O OP solicitou a criação de quatro creches, por exemplo. Tinha uma previsão do orçamento de recursos para construção de creches, além das quatro, e estas estão incluídas nesse valor", explica o coordenador de Participação Popular da Prefeitura, Elmano Freitas. O montante acima, que não inclui despesas com folha de pagamento, representa os investimentos contados até o dia 13 de agosto, e já se aproxima daquele investido em 2009, que ficou em R$ 164,65 milhões. Em 2008, este valor foi ainda maior, chegando a R$ 169,17 milhões. Desta forma, a Prefeitura contabiliza R$ 466 milhões investidos nestas demandas de forte apelo da população. "Qual é a cidade do Estado que permitiu que o povo deliberasse onde iam ser gastos quase R$ 500 milhões do orçamento em dois anos e meio?", defende Freitas. Contudo, apesar de estes números estarem fechados, não é possível, esclarece, estabelecer uma relação entre o investimento total da Prefeitura do período e aquele feito em demandas do OP ou similares a elas. O motivo é que, diferente do método utilizado pela Secretaria de Planejamento e Orçamento de Fortaleza (Sepla), para os cálculos do Orçamento Participativo, outra conta é levada em consideração: o gasto com serviços. Diferencial no modelo Este, segundo o coordenador, é um dos diferenciais do modelo de OP utilizado em Fortaleza. Em outras cidades do País, a população delibera, através do Orçamento Participativo, obras que devem ser realizadas pela gestão. Por aqui, além destas, as comunidades também exigem serviços. "Isso significa que a população nos demanda, por exemplo, sobre aumento de equipe do Programa de Saúde da Família. Isso tem um custo", explica Freitas. Levando em consideração Lei Orçamentária Anual de 2009, que previa um orçamento de 3,4 bilhões, pode-se afirmar que as demandas ligadas direta ou indiretamente ao OP representaram, naquele período, 4,8% do total de receita projetada pela Prefeitura de Fortaleza. Em 2008, o porcentual foi um pouco maior: 5,7%. Diferentemente de algumas cidades que trabalham com participação popular, a capital cearense, garante Freitas, não determina limite de participação das demandas do OP no orçamento geral do Município. Segundo ele, as demandas são agregadas à peça orçamentária e, entre obras e serviços, podem representar qualquer porcentual, contanto que não desrespeitem os limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) em alguns setores. REIVINDICAÇÕES E INVESTIMENTO 1.500 Reivindicações da população de Fortaleza foram escolhidas como prioritárias para a execução pela gestão municipal no período compreendido entre os anos de 2005 a 2008 466 Milhões de reais é o valor contabilizado pela Prefeitura da Capital cearense, de 2008 até este ano, em investimentos voltados para atender às demandas de forte apelo da população SÉRGIO DE SOUSA REPÓRTER 79% das obras estão em execução ou foram entregues Hoje, em processo licitatório, existem 16 projetos. O restante, que soma 72, está em análise técnica De um total de 1.491 demandas eleitas como prioritárias pela população das seis regionais de Fortaleza, 1.094 foram concluídas, ou seja, 73,3% do total. Juntando-se a outras em andamento, os resultados do Orçamento Participativo da Capital apontam para um total de 79% de obras em execução, contra 21% ainda a executar. Ou seja, de cada 10 reivindicações, duas ainda não foram atendidas. Atualmente, existem 86 obras em andamento, que representam 5,7% do total. A maior parte das reivindicações ainda não entregues encontra-se na fase de projeto: 223 obras estão nesta situação. Nesta etapa, as demandas são trabalhadas através de projetos técnicos, de engenharia, e prevendo os custos, para que possam passar para a fase anterior ao início de sua execução: a licitação. Em processo licitatório, existem hoje 16 projetos. O restante, que somam 72, estão em análise técnica. Entre as obras e serviços realizados e oferecidos à população neste período, destacam-se a construção do primeiro Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca), chamado Cuca Che Guevara, na Regional I (Barra do Ceará). O projeto, que ganhou seu perfil através das assembleias do OP, é reivindicado também nas outras regionais, e está em construção, no momento, na regional V. Demanda bastante comum entre a população de todas as áreas de Fortaleza, a construção de novas creches e postos de saúde teve um incremento após o OP. Entre os projetos ainda em execução, o grande destaque é para o Hospital da Mulher, na regional III. Na parte dos serviços, as demandas em destaque são a implantação da Coordenadoria de Combate à Discriminação Social, a acessibilidade aos equipamentos públicos e casas construídas pela Prefeitura a pessoas com necessidades especiais, além de mais ônibus com adaptação para pessoas com deficiência, a melhoria da merenda e do fardamento escolares. Os resultados são razoáveis, mas, para que chegassem a estes percentuais, a população teve que ficar um ano sem aprovar novas demandas. Prestação de contas Com o acúmulo de reivindicações a serem atendidas, algumas aprovadas ainda em 2005, a Prefeitura optou por fazer apenas uma prestação de contas com a população, no ano passado, das obras que estavam paradas e em andamento. "Decidimos, no ano passado, fazer um ciclo devolutivo, apresentando o status de todas as demandas dos anos anteriores, para que pudéssemos dar uma resposta à população. A ideia era agilizar a resolução das reivindicações viáveis, e esclarecer porque algumas se tornaram inviáveis", esclarece o coordenador-geral do Orçamento Participativo de Fortaleza, David Ferreira. Juntamente com esse ciclo devolutivo, destaca Ferreira, também foi discutido, junto com a população, o Plano Plurianual, que prevê investimentos e metas a serem alcançadas no período de 2010 a 2013. TÉCNICAS OU FINANCEIRAS Dificuldades inviabilizaram 11% do total das demandas Desde o início, 1.672 demandas foram aprovadas, mas, depois, 181, ou 10,8% do total, foram retiradas Demandas de 2005 aprovadas como prioritárias no OP e que, até hoje, ainda não foram iniciadas não são casos raros. Várias reivindicações acumulam atrasos em seus cronogramas. Boa parte deles nem devem mais ser realizados. Desde o início do OP, 1.672 demandas foram aprovadas, mas, depois, 181, ou 10,8% do total, foram retiradas. Dois motivos, geralmente, explicam esta situação: os projetos encontram-se em inviabilidade técnica ou financeira. Como nos anos anteriores demandas eram aprovadas sem antes haver uma análise técnica, muitos deles depararam-se com a falta de condições para que se tornassem exequíveis. Exemplo: a população aprovava a demanda de construção de um posto de saúde em um bairro. Contudo, percebe-se depois que não existe terreno propício e disponível para recebê-lo. O projeto, portanto, fica inviável. Esta situação é presente em vários bairros, em solicitações de novas creches, escolas, entre outros. Outro problema é que o Município não possui condições financeiras de dar conta de todos os pedidos da população vindos do OP. Algumas demandas, por si só, já extrapolavam os limites orçamentários da máquina pública municipal. Desta forma, os secretários fizeram acordos com a população: comprometeram-se em buscar recursos de outras fontes, através da União, do Governo do Estado, ou com instituições de fomento internacionais, para garantir a execução de determinados projetos de maior monta. Resultado: muitas vezes, não conseguiam estes recursos. Ou, quando conseguiam, estes não vinham do tamanho da necessidade. "Então, tem várias dessas demandas que não foram realizadas porque não foi possível acessar recursos", pontua o coordenador da Comissão de Participação Popular da Prefeitura, Elmano de Freitas. "Não vamos mais aprovar aquelas demandas que dependem de recursos externos. As que dependem deles transformam-se, pra mim, em ideia. Só aprovamos se, no mínimo, o secretario tenha tido alguma confirmação de aprovação do projeto", informa. Além destas questões, ainda existe um outro fator que pode atuar de forma a gerar morosidade na realização de todas as pelejas da comunidade, que é o processo licitatório. "Muitas vezes, as obras têm problemas de licitação, problema judicial, ou seja, não depende apenas de nós o tempo", destaca. População se desmotiva Os atrasos em obras escolhidas como prioritárias pela população, ocasionados por estes problemas, têm uma consequência direta: a desmotivação da população. De acordo com o Márcio Martins, que vem sendo escolhido delegado e conselheiro do OP pela Regional IV desde 2005, afirma que o número de pessoas nas assembleias vem caindo a cada ano. Um outro motivo que contribui para a desmotivação, diz, é a falta de informação sobre o que é realizado no OP. "Tem obras que são inauguradas no OP e não é informado que aquilo foi demanda da comunidade. Era preciso haver maior divulgação, ter uma placa informando que aquilo surgiu do Orçamento Participativo", defende o coordenador da Prefeitura. SÉRGIO DE SOUSA Repórter Opinião do especialista Instrumento de planejamento e democracia Há registros que informam sobre experiências de gestão participativa no âmbito local, como foi o caso de Lages, Vila Velha, dentre outras, a partir dos anos 70 e 80 do século passado. No entanto, com o formato considerado hoje como Orçamento Participativo, ou seja, como este importante instrumento de planejamento público e de democratização dos processos de tomada de decisão governamentais, registros acadêmicos consideram que o OP se desenvolveu no Brasil no final de 1980. Considerado por gestores públicos, especialistas, pesquisadores e dirigentes de movimentos sociais como uma prática inovadora de gestão democrática, o OP rompeu com as ações tradicionais de elaboração dos orçamentos públicos ao incluir os moradores nos processos de decisão e planejamento, até então inacessíveis aos cidadãos. Porto Alegre (RS) é o expoente máximo, mas cidades como Santo André (SP), Ipatinga, Timóteo e João Molevade (MG) e Icapuí (CE) também implantam esse modelo de gestão. Assim, o OP vem sendo implantado e aperfeiçoado em c idades brasileiras e inspirando outras no mundo a adotar esse modelo de gestão. Segundo especialistas, tem mais de 1000 experiências de OP no mundo, 300 destas no Brasil. Verônica Campos Sales Coord. da Rede Brasileira de OP Modelo foi alterado em 2010 Algumas práticas de orçamento participativo da Capital precisarão mudar para emplacar resultados satisfatórios Experiências de outros estados em orçamento participativo influenciaram no modelo utilizado em Fortaleza para o programa. Entretanto, como cada cidade possui sua própria realidade, seus problemas peculiares, o desenvolvimento do OP na Capital cearense se deu por outras vias. Algumas práticas deram certo, e serão continuadas. Já outras, não tanto, e terão de ser modificadas neste ano. "Antes, se tinha uma incompreensão do método. A população se reunia em assembleia e a cada 15 pessoas era eleita uma demanda. Se eu tenho um grupo grande de pessoas eu vou ter um numero enorme de demandas aprovadas. Se tenho 15 mil pessoas no OP, tenho mil demandas. E uma pode ser um hospital uma rua, um posto de saude, drenagem. É evidente que essas demandadas todas não cabem no orçamento da Prefeitura", esclarece o coordenador de Participação Popular da Prefeitura, Elmano Freitas. Segundo ele, esse número de demandas era reduzido a um menor, de maior viabilidade, através das reuniões entre os conselheiros escolhidos pela população e os secretários. Essa metodologia muda para 2010. De acordo com a coordenadora-geral do OP, Evenice Neta, neste ano, a definição das prioridades, daquilo que realmente chegará ao orçamento anual do Município, será feito agora nas próprias assembleias. "Antes, elegiam-se representantes, os conselheiros. Agora, todo mundo vai decidir. Isso é importante, porque o processo se torna mais transparente. A população vai entender porque tais demandas são possíveis e outras não. Vai entender melhor os limites orçamentários do Município", explica. "Antes, a deliberação não estava amarrada à limitação orçamentária. Porque isso ia se dar no conselho do OP com os secretários. Só que, para a população, a demanda aprovada era como se tivesse recurso pra fazer. Quando não entrava, gerava, claro, uma desmotivação. Esse foi um aprendizado. É importante para a população saber que, na hora de deliberar, tem ou não capacidade de execução. É por isso que estamos alterando a metodologia", completa Freitas. Neste ano, 542 propostas já foram classificadas na Assembleia Eletiva (onde se escolhem as obras e serviços prioritários de cada área). No momento, os técnicos da Prefeitura estão realizando uma análise da viabilidade técnica das propostas e o valor aproximado delas. "Não vamos fazer uma avaliação precisa de valor. Até porque não tem razoabilidade técnica pra fazer isso. Não vamos pagar um arquiteto pra fazer o projeto sem saber nem se terei dinheiro. Vou fazer o valor aproximado, nós já temos alguma experiência na estrutura administrativa pra fazer essa avaliação", diz o coordenador da Prefeitura. Assim, entre novembro e dezembro, a população voltará a se reunir na Assembleia Decisiva, onde serão votadas as demandas a serem realizadas pela Prefeitura, com base no Orçamento do Município e no valor das obras ou serviços. Freitas explica que, desta vez, a escolha das áreas beneficiadas com a aprovação demandas não se dará somente pela mobilização dos moradores de uma ou de outra região. "Não necessariamente a comunidade que mais se mobilizar para ter determinada demanda é aquela que mais precisa dela. Nós estamos tentando compatibilizar o que são dados técnicos de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), de uso de equipamentos daquela demanda na região, com a participação. Nós queremos estimular a participação, mas não podemos perder de vista aqueles que mais precisam", destaca. Para isso, ele adianta que algumas áreas terão peso diferenciado no voto. SÉRGIO DE SOUSA Repórter ´Só não falta a necessidade´ "Tudo falta, só não falta necessidade", dispara José Maria, apontando os problemas da região em que mora Carregando mais de 70 anos de longas vivências, José Maria Tabosa tem a história de sua vida confundida com aquela da fundação do bairro onde sempre viveu: o Cristo Redentor. A localidade (que acaba absorvida, juntamente com vários outros bairros, pelo conhecido Grande Pirambu) acumula diversos problemas sociais, mas é conhecida pela sua forte e histórica mobilização popular. E José Maria entende muito bem disso. Sempre envolvido em lutas pela comunidade, já foi preso político, por discordar do regime militar. Hoje, discute junto a outros populares o futuro da região onde mora, como um dos mais ativos integrantes do Orçamento Participativo (OP) daquela área. "Tudo falta, só não falta necessidade", dispara José Maria, apontando os problemas da região em que mora. "Nasci e me criei aqui, e sempre lutei pela urbanização. Este sempre foi um bairro esquecido", comenta ele, que tem na ponta da língua vários indicadores do bairro e conhece de cor as demandas da população local. A Secretaria Executiva Regional I (SER I) é, de acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que datam de 2002, a região de maior densidade demográfica da Capital, com 134 habitantes por hectare. Uma projeção mais recente da Fundação IBGE aponta para uma população de 405,8 mil habitantes neste ano de 2010, o que representa 15,8% do total de habitantes em Fortaleza. Com 15 bairros, a Regional I responde por apenas 7,5% da área da cidade, sendo, assim, a menor regional de Fortaleza, em tamanho. Contudo, mesmo pequena, é uma das que maior participação vem tendo no Orçamento Participativo, e que, consequentemente, mais respostas vem recebendo às demandas. Segundo José Maria, um diferencial da regional é que boa parte das obras que vêm sendo realizadas por lá são de grande porte, de maior impacto aos moradores. "Antes, tinham reivindicações mirabolantes. Às vezes, pedem drenagem só da rua, e não pensam no bairro. Não tem que pedir calçamento para rua, mas para o bairro. As pessoas pensam só no ´meu´", aponta ele, que anualmente é eleito delegado e conselheiro do OP pela região. E, assim, ele vai enumerando as conquistas. Muitas, entretanto, ainda estão a ser conquistadas, afinal, a Regional I abriga muitos dos bairros mais pobres da cidade. Entre a população, a preocupação com a segurança urbana e com a falta de saneamento básico é uma constante. Demanda por emprego Oportunidades de emprego também são uma demanda forte das comunidades. José Maria destaca o problema das drogas no local. "Queremos reivindicar uma clínica geral para dependentes químicos. Mas não só com desintoxicação, e sim com profissionalização, tudo no mesmo lugar. O jovem tem que sair de lá livre das drogas e com possibilidades de conseguir um emprego", defende. E vai além: "também queremos trazer para cá um liceu, ou uma faculdade". Para o delegado do OP, o programa ainda é uma ferramenta que está sendo lapidada. "Ainda há muito o que melhorar, mas é uma das maiores conquistas que o fortalezense tem. A população precisa assimilar mais como funciona, mas estamos no caminho certo. Fomos educados a pagar o outro para resolver os nossos problemas, mas a sociedade representativa está sujeita a morrer. Vai surgir a sociedade participativa". DA MARINHA À BARRA Área costeira acumula reclamações Entre as demandas, está o Vila do Mar, o maior projeto para a área, com investimento de R$ 142 milhões "São 350 mil habitantes da Marinha à Barra do Ceará e são estes que contabilizam a maior parte dos problemas", afirma o conselheiro José Maria Tabosa, da Regional I. Segundo ele, boa parte das demandas para a região está concentrada nesta área, entre elas, o projeto Vila do Mar, o maior programado para aquela área, com investimento orçado em R$ 142 milhões. Apesar de ser um projeto antigo, que vinha de uma reivindicação de décadas da população local, a urbanização da orla foi reclamada pelas comunidades por meio do OP e foi assumida pela Prefeitura como projeto de gestão, modificando o antigo nome de Projeto Costa Oeste para Vila do Mar. "Do Rio Ceará à Marinha são 5,5 quilômetros de urbanização. Vai ficar melhor que a Beira Mar. Será uma via só, com calçamento e equipamentos, campo de vôlei, skate, campo de futebol, memorial do bairro", explica José Maria, que acompanha de perto o projeto, e caminhou com a reportagem pelo local. Ele destaca que haverá ainda o assentamento de 1.500 famílias. "Já foram 600 da área de risco, da beira da praia. Será feito em quatro etapas, para concluir em 2012, 2013, 2014...". O projeto engloba os bairros Barra do Ceará, Cristo Redentor e Pirambu. De acordo com a Coordenação de Projetos Especiais da Prefeitura, o Vila do Mar inclui-se na lista de obras programadas pelo Município para a Copa 2014. "O projeto compreende uma série de ações que vão requalificar o meio ambiente, urbanizar comunidades e encaminhar soluções habitacionais e socioeconômicas", disse a coordenação em nota. Algumas das intervenções já vêm mudando a rotina das comunidades, como a construção do novo espigão na área, que também conta com ancoradouro para as jangadas dos pescadores. O espigão já tornou-se uma nova área de lazer para a população local. Outra conquista, destaca José Maria, é a regularização fundiária de 15 mil famílias, que passarão a ter o papel da terra. "Recebemos 72 papéis. Os donos de cartórios cobravam R$ 50 mil pela escritura. Onde ia arranjar dinheiro? Conseguimos pelo OP, com recursos do Ministério de Cidades. Demora um pouco: fazem duas escrituras por dia. Vão entregar em 2014". Outros bairros da regional também foram contemplados no OP. A Vila Velha recebeu o Centro de Educação Infantil Luís Carlos Albuquerque de Brito (Creche Vila Velha), antiga reivindicação da comunidade. O Álvaro Weyne garantiu a tanto almejada reurbanização da lagoa do Urubu e a regularização fundiária da área. Contudo, apesar de aprovada e iniciada, a obra, orçada em R$ 14 milhões, tem sido alvo de críticas dos moradores por conta da morosidade das ações. Outro projeto esperado para a região é o Mercado das Marias, uma fábrica desativada na Jacarecanga, e que será transformada em mercado para mulheres empreendedoras, onde terá oficinas e espaço para venda dos produtos artesanais. A reativação da área de lazer da avenida Sargento Hermínio é também demanda aprovada que a população espera. Cuca Che Guevara A Regional I também foi a primeira a receber o primeiro Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte, o Cuca Che Guevara, que é um dos equipamentos que encabeçaram as principais promessas da atual administração. Apesar de ser projeto de gestão, a população se envolveu fazendo demandas que como queriam este novo equipamento. Com um investimento de R$ 11,2 milhões, o Cuca Che Guevara foi inaugurado em setembro do ano passado, e oferece cursos nas áreas de dança, teatro, cinema, fotografia, informática, música, além de língua estrangeira. Além deste, estão previstos outros cinco Cucas na cidade, um em cada regional. Reivindicações Cidadão quer saúde, segurança e lazer Francisco Cardoso Comerciante Carlito Pamplona Principal problema é a segurança. A gente fecha o comércio por medo. Além disso, tem problema nos postos de saúde. Cleyton Chaves Estudante Pirambu Precisa investir para tirar gente da rua. E também não tem áreas de lazer, não tem praça, nenhum campo paras crianças. Natália Quintela Estudante Vila Velha A questão do assalto é muito séria aqui. Polícia tem, mas quando precisa, não aparece, e precisa de policia competente. SÉRGIO DE SOUSA REPÓRTER Comunidade vive entre o luxo e o lixo A promissora região, de bairros como Meireles, também é cenário das maiores desigualdades da Capital Praia de Iracema, Beira Mar, Mucuripe, Praia do Futuro. As praias mais visitadas de Fortaleza e principais cartões-postais da cidade se encontram, todas, dentro de uma única área, a regional II. E mais: além de ser a região que mais atrai turistas, abriga também uma das principais localidades de negócios da cidade, responsável por fatia importante da arrecadação municipal: o bairro Aldeota. Entretanto, apesar deste perfil claro de desenvolvimento, a regional II traz um outro lado, menos auspicioso: agrega as principais disparidades sociais da capital. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Planejamento e Orçamento (Sepla), datados de 2000 (os mais recentes), a regional II é a que possui o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Fortaleza. É a única área que abriga bairros caracterizados como de alto IDH: são sete, dos 20 que compõem a região. Outros 10 ficam com médio IDHM e três possuem o índice baixo. Também é a única regional que possui bairros cuja renda média do chefe de família é considerada alta: são quatro nesta situação. A quase totalidade dos bairros de Fortaleza tem este índice considerado baixo. Apenas dez estão fora: os quatro de alto patamar e seis com patamar médio - dos quais cinco também ficam na regional II. As informações gerais podem dar uma visão bastante promissora da região, mas olhando de perto, as desigualdades são muitas. A Fundação IBGE mostra que, mesmo em bairros considerados "elitizados", há famílias morando em domicílios improvisados. Na Aldeota, por exemplo, eram 99 no ano de 2000; Meireles possuía 68. Já passando para a Praia do Futuro, esta realidade se amplifica: eram 341 moradias deste tipo. Estas disparidades podem ser percebidas após descer, por exemplo, de um automóvel na avenida Dioguinho, no bairro Praia do Futuro. Lá, o transeunte terá duas opções bem distintas: descer para a praia e encontrar a principal área de lazer e serviços para banhistas da cidade, ou subir e encontrar uma área quase que esquecida de Fortaleza, onde várias favelas brotam dos morros. E é deste lado que Edmilson Martins de Sousa se mobiliza em busca de melhorias para o bairro. Ele, desde 2005, é delegado e conselheiro do OP pela regional II, e afirma que a área necessita de cuidados urgentes. "A regional II é uma das regionais mais contraditórias: tem mansões e barracos. É muito desigual", reforça. Ao redor da associação de moradores onde atua, a maior parte da comunidade mora em terrenos de invasão. Daí, surgem os problemas de infraestrutura, saneamento básico, entre outros. Segundo ele, a violência é outro grande problema que marca o dia a dia do bairro. E o combate a este problema acaba sendo reverberado na maioria das demandas da localidade dentro do OP. "Aqui, a gente tem grandes problemas de segurança. Adolescentes na criminalidade. Falta ação do poder público que garanta atividade a eles", reclama. Próximo dali, encontra-se o área do Serviluz, cujo nome oficial é Cais do Porto. A região teve, nos últimos meses, evidenciados os seus problemas de moradia e desemprego após o imbróglio que se criou com a escolha da Praia do Titanzinho como local para receber um estaleiro. O principal argumento a favor era exatamente a criação de empregos. O estaleiro não ficou. As necessidades, sim. E estas vêm sendo reclamadas pelos moradores através do OP. FALTA LAZER Cuca é uma das maiores esperanças Para a comunidade, esta pode ser uma solução para tirar a juventude das drogas e da marginalidade A criação de espaços de lazer e aprendizado para os jovens são apontados, na regional II, como as principais demandas da população para a região. E a explicação para isso é simples: as comunidades entendem que esta pode ser uma solução para tirar a juventude das drogas e da marginalidade, que são vistos como os maiores problemas daqueles bairros. "A nossa principal demanda é o Cuca (Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte) na Praia do Futuro. Ele foi discutido, inclusive, na Câmara, em audiência pública. Seria uma das principais obras do OP aqui. Ela é uma das demandas mais votadas de 2006, principalmente pela juventude. A população hoje ainda sonha com a concretização desse projeto aqui. Mas a gente não tem tido muitas informações sobre isso", aponta Edmilson Martins de Sousa, conselheiro do OP na regional II. Segundo ele, este projeto poderá mudar a realidade do local. "Mais polícia não vai resolver o problema, tem que investir no ser humano, em politicas públicas para jovens. Terá, assim, um resultado a médio e longo prazo", acredita. Turismo em declínio Estas medidas mitigadoras da violência urbana são apontadas por ele como necessárias, especialmente, para os bairros mais próximos da Praia do Futuro. Ele diz que a marginalidade tem feito com que o fluxo de turistas venha caindo nas barracas da praia, o que é visto como algo bastante grave para as populações locais. "Não pode deixar a praia morrer, a maioria das pessoas daqui vive dela: seja com a venda de coco, de camarão, do serviço das barracas, entre outros". Carência de urbanização A urbanização da área também é sempre demanda recorrente no OP, já que muitas famílias da região, entre os bairros da Praia do Futuro e Cais do Porto, principalmente, vivem em ruas não pavimentadas. Entre as demandas em concretização, destacam-se a Creche Menino Maluquinho e a Escola Dom Aluísio Lorscheider, na Praia do Futuro, que são antigas reivindicações dos moradores. "Vínhamos tratando disso desde antes deste governo. Tínhamos uma demanda de mais de 700 crianças e adolescentes fora da escola, por um levantamento feito em 2001", informa Edmilson. A construção de uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) também está em realização por lá, próximo à escola e à creche. "Havíamos pedido em 2005 o posto de saúde, e agora estão começando a construir o UPA", diz. No bairro da Praia de Iracema, a principal demanda, diz, é a construção de um posto de saúde e de uma creche. Entretanto, a falta de terrenos ou o alto valor destes naquela área apresentam-se como obstáculos para a concretização destas obras. ENQUETE Praia do Futuro Francisca da Silva 30 anos Comerciante O maior problema aqui é o esgoto aberto. Fica água correndo direto, prejudicando a todos. Aqui se usa água clandestina. José Pereira 27 anos Garçom Os jovens não têm do que se ocupar. Não há quadra de esportes, não tem o Cuca, que pedimos. Daí, o jovem vai se drogar Eduardo Gowing Padre A moradia é a maior dificuldade. É preciso garantir condições para se viver com dignidade. É preciso saneamento nessa área Problemas estão espalhados nos bairros Com diferentes problemas espalhados pelos bairros, comunidade da Regional clama por soluções Ao todo, 16 bairros compõem a Regional III, área que vem apresentando forte participação popular através do Orçamento Participativo e, como resposta disso, é também uma das mais beneficiadas com o programa. A maior parte de seus bairros (11) possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio, e, como todas as regionais de Fortaleza, acumula uma série de problemas cujas soluções vêm sendo, cada vez mais, reclamadas pela comunidade. Os problemas vêm espalhados por cada um dos bairros. Em relação à moradia, a Fundação IBGE aponta que os bairros Antônio Bezerra e Bonsucesso são os que encontram as condições mais adversas, de acordo com os dados do último censo realizado pelo instituto, em 2000. No primeiro, o número de domicílios improvisados é de 107 e, no segundo, a quantidade dobra, chegando a 2013. O domicílio improvisado, pelo conceito do IBGE, é toda instalação fixa que não deveria, em tese, servir de moradia - como prédios em construção, postos de saúde, vagões de trem, buracos, carroças, tendas, grutas etc. Em relação a isso, os bairros Bela Vista e Dom Lustosa são os menos precários, com apenas um domicílio do tipo cada um. Já em relação á escolaridade, o mesmo censo aponta como o mais problemático o bairro Autran Nunes, que possuía, naquele período, 20,8% da população com idade igual ou maior a 15 anos não alfabetizada. E é neste bairro que Lúcia Elenilde mobiliza a população para reclamar melhorias para a regional. Ela, que é moradora do Autran Nunes, diz que o bairro é um dos mais pobres da cidade: "o Autran Nunes é um dos bairros com o menor IDH de Fortaleza. A renda aqui é muito baixa. Tem muitos catadores de lixo, costureiras em facção". Por outro lado, ela diz também que é um dos bairros mais beneficiados com o OP. Apesar disso, a demora na concretização das demandas é apontada como um desmotivador para parte dos participantes do OP na região. "Infelizmente, tem demora. E o OP não é 100%, nem todas as demandas vão ser realizadas, porque, às vezes, tem alguns problemas para a execução, de terreno, licitação, vários motivos para a demora. Com isso, tem a angústia dos delegados, uns compreendem, outros, não", diz. Segundo ela, desde o início do OP, a população da regional III resolveu priorizar certas áreas por ano. "Em 2005, priorizamos saúde e educação. Pedimos ampliação do posto de saúde do Autran Nunes e a Escola Autran Nunes (atualmente chamada de Bergson Gurjão). Em 2006, começamos a gostar do negócio e pedimos obras de infraestrutura, como asfalto nas ruas e demandas para crianças e jovens, como pista de skate, áreas de lazer, quadra de esporte, praça com parque", explica.O desemprego também é visto como grande dificuldade. "Não tem balcão de emprego aqui. Só no Sine, e o desemprego é muito grande", diz. Enquete Insegurança está entre maiores preocupações Luciana da Silva 25 anos Manicure A falta de policiamento é o maior problema do bairro. Os vagabundos tomam de conta. Além disso, tem também a limpeza. Zilma Alves 50 anos Diarista Moro na beira do Rio Maranguapinho, em área de risco, e o problema é que a Prefeitura não indeniza direito as famílias. João Alberto 65 anos Comerciante Sempre me preocupo com a comunidade. Fui eu que lutei pelo calçamento da rua e pedi a fiação elétrica dela. SÉRGIO DE SOUSA Repórter Pouca participação redunda em menor número de obras Desde 2005, Francisco Elói tem se envolvido na busca de melhorias para o seu bairro e para os vizinhos através do Orçamento Participativo. Morador do Montese, ele se engaja também na busca por solução dos problemas dos outros 18 bairros que compõem a regional IV. Apesar de acreditar que o OP tem garantido espaço para mudança de realidades na região, ele reclama que a área tem sido pouco beneficiada com o programa de participação popular. "Acho que população não tem participado tanto. As pessoas imaginam que é pedir e, em seis meses, pronto, e não é. Isso desmotiva", tenta explicar. Ele também acredita que, às vezes, demandas falhas, com inconsistências técnicas, são o motivo da não realização de obras solicitadas pela população em assembleias, fato que também é comum em várias outras regionais. "Às vezes, pedem posto de saúde e não indicam terreno. Em outras, os terrenos são muito valorizados", aponta. A regional engloba bairros com realidades bastante diferentes. O Benfica, por exemplo, é conhecido por ser um bairro universitário, e possuía, de acordo com a Fundação IBGE (dados de 2000), um porcentual de 2,86% analfabetos, entre pessoas com idade igual ou superior a 15 anos. Por outro lado, o Aeroporto acumulava, na época, 17,7% de não alfabetizados, seguido de Couto Fernandes (16,7%) e Serrinha (14,5%). Habitação O bairro onde Elói mora, o Montese, é o que enfrenta os maiores problemas com habitação na região, com 87 domicílios improvisados. Normalmente, junto a este problema habitacional, há o de saneamento, e é um dos principais enfrentados na Serrinha, segundo apontam os moradores. Segundo Elói, este bairro ainda não foi beneficiado com o OP. "Nós pedimos um posto de saúde em 2005, e uma usina de resíduos sólidos para lá, mas ainda não foram executadas estas demandas", disse. NA PARANGABA Urbanização de lagoas ainda é esperada A urbanização das lagoas de Parangaba e de Itaperaoba figuram entre as maiores demandas da Regional IV, segundo aponta o conselheiro da regional, Francisco Elói. A de Parangaba já teve início, com a limpeza da lagoa. Já a de Itaperaoba, que se localiza na Serrinha, por trás do campus da Universidade Estadual do Ceará (Uece), ainda é esperada pela comunidade. A despoluição e urbanização da Lagoa de Itaperaoba e seu entorno é demanda da comunidade em 2005, e teve iniciadas as suas ações em 2006, mas não foi concluída ainda. A obra está prevista no Plano de Obras e Serviços do Orçamento Participativo, e foi orçada em R$ 250 mil. Entre os serviços previstos, estão a construção de um calçadão, a limpeza do canal do sangradouro, a estruturação de uma via de acesso à comunidade Garibaldi e a drenagem de esgotos da área. Entretanto, aponta Elói, novas pessoas começaram a invadir o entorno, somando 375 famílias, o que ampliou a área de risco por lá. Daí, foram orçados mais R$ 12 milhões para retirada das famílias e para construir casas. A obra está incluída no PAC 2, com R$ 6 milhões da União e R$ 6 milhões do Município. SÓ 46% PRONTOS Hospital da Mulher é o mais aguardado Fruto de muita polêmica envolvendo a administração atual, o hospital ainda não tem prazo de conclusão Talvez a obra mais esperada e divulgada da atual gestão se encontra na regional III, e é fruto das assembleias do Orçamento Participativo. Saída das reuniões em 2005, a mensagem para a criação do equipamento foi levada à Câmara de Vereadores em 2006, mas, até agora, ele ainda não foi concluído. Até agora, 46% das obras estão concluídas, e ainda não há prazo definido para sua inauguração. Orçado em R$ 69,1 milhões, o equipamento teve as suas obras iniciadas em maio de 2008. O valor, antes fixado em R$ 57,6 milhões, já foi revisto, em função de problemas de engenharia posteriormente identificados. A mudança no cronograma, segundo a Prefeitura, deu-se por conta dos atrasos nos repasses federais para a implementação da unidade. Na última entrevista que falou sobre o assunto, em abril deste ano, a prefeita Luizianne Lins afirmou que o primeiro bloco da unidade, que contempla os serviços ambulatoriais, será entregue antes do restante. "Não vou mais definir datas. O prazo é o fim do meu mandato, mas o hospital fica pronto antes", afirmara na ocasião. O Hospital da Mulher terá uma área 26.465,00 m² e será equipado com 184 leitos, ambulatórios especializados, um centro de tecnologias complementares, apoio diagnóstico - laboratórios de análises clínicas e centro de imagens. De acordo com a conselheira do OP da regional III, Lucia Elenilde, o Hospital da Mulher já vinha sendo discutido há muito tempo. "Ele surgiu depois como reforço no OP", explica. Mas além do equipamento de saúde pública, a região também espera outras obras na regional, também na mesma área. É o caso da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), que é uma demanda do OP de 2006. "Pedimos uma policlínica, e não saiu. Agora, foi definido que virá uma UPA". As UPAs contam com recursos do Governo do Estado e da União. Ao todo, serão construídas 32 unidades do tipo no Ceará. Além da Escola Bergson Gurjão, que já foi entregue, outra demanda do OP na região é a instalação de uma biblioteca na região, como demanda proveniente do OP Criança. "Hoje, eu vejo resultados. É possível conseguir o que queremos, mas é preciso fazer pressão", opina Elenilde. Enquete Faltam opções de lazer Perla Sampaio 15 anos Estudante Vila Betânia É preciso melhorar as praças aqui. Não tem área de lazer. A praça está quebrada, arrancaram as grades da quadra. Edvaldo Souza 57 anos Pedreiro Serrinha O mais importante é o saneamento. Aqui, no inverno, a gente sofre com a água que entra nas nossas casas, com a lagoa. SÉRGIO DE SOUSA Repórter Área mais populosa quer melhorar periferia Moradores da região anseiam por todos os serviços, do transporte urbano bem servido ao posto de saúde A regional mais populosa de Fortaleza, de bairros periféricos que costumam evidenciar-se nos jornais por notícias, em grande parte, de teor negativo, tem muito a reclamar. E tem reclamado e, muitas vezes, conseguido uma resposta positiva às reivindicações. Emprego, áreas de lazer, saúde e educação, saneamento básico e infraestrutura: todas estas áreas são lembradas pela população em forma de demandas através do Orçamento Participativo. Os dados da Fundação IBGE mostram que, com uma estimativa para 2010 de 540,7 mil habitantes em seus 18 bairros, a regional V absorve 21% da população fortalezense. O Mondubim, com 1,6 mil hectares, acumula a maior parte dessa população, com 17,7% do total da regional. A região também traz bairros estigmatizados por uma imagem negativa, construída, em especial, pelos casos de violência. O Bom Jardim é um deles. O bairro costuma ser o mais lembrado quando se fala em criminalidade, apesar de Jangurussu e Messejana, ambos na Regional VI, registrarem mais dados de violência, segundo estudo referente a 2009 realizado pela UFC e Uece. Mas não é só a violência que preocupa os moradores do Bom Jardim e dos demais bairros daquela região. "A gente queria tudo: ônibus, posto de saúde, calçamento. Desse lado da periferia não tem nada", afirma Maria Conceição Celestino, que mora na localidade conhecida por Jardim Fluminense, em uma área que fica entre os domínios do Bom Jardim, Canindezinho e Presidente Vargas. Ceiça, como é chamada por lá, é conselheira do OP, e desde 2005 luta por melhorias em seu entorno. E há muito pelo que lutar, especialmente contra a pobreza e os males que surgem por consequência. A Fundação IBGE aponta, nos dados mais recentes (2000), que a regional V era a que possuía a menor renda média mensal dos chefes de família de Fortaleza. Em salários mínimos, a média era de apenas 2,78, enquanto que a regional II, em contraponto, possuía uma média de 14,32. Apesar de desatualizados - entretanto, os mais recentes -, os dados da Fundação também tratam das taxas de analfabetismo, e mostram que 11 dos 17 bairros (o Planalto Ayrton Senna ainda não havia sido criado) possuíam índice de pessoas não alfabetizadas acima de 10%. Genibaú, Presidente Vargas e Prefeito José Walter, por exemplo, tinham índices de 20,29%, 20,43% e 20,39%, respectivamente."São muitos problemas: falta de segurança, droga, prostituição. Eu aprendi a ser parteira, já que não tem hospital aqui perto", conta Ceiça. Mas ela acredita que algumas coisas têm sido melhoradas, e parte da responsabilidade por isso é da própria comunidade, que tem se engajado, através do OP, para reivindicar melhorias. "A população, no inicio, não acreditava. Eu entrei (no OP) sem acreditar, mas hoje o pessoal está se engajando, aprendendo mais. Tem dado resultado por aqui, sim". CARÊNCIAS Cuca e centro de saúde marcam OP na região Comunidade sonha com a chance de ter atendimento em serviços públicos para famílias e cerca de 135 jovens Quando chovia muito, Maria Conceição Celestino já se preocupava. É que ela já sabia o que estava por vir. "Nós sempre ficávamos ilhados aqui. Pra sair, era de barco, ou os bombeiros tiravam a gente", conta ela sobre a situação no Jardim Fluminense. Mas este problema ela, e o restante da comunidade local, não enfrenta mais. Uma ponte sobre o braço do Rio Maranguapinho, antiga luta da população de lá, foi construída no ano passado. Esta, aponta, foi uma das grandes vitórias conquistadas por meio do OP. Outras obras de maior porte também vem sendo realizadas na regional V como resposta ás demandas da comunidade. É o caso do Cuca, que irá proporcionar um espaço de lazer e alternativas de desenvolvimento sócio-cultural e econômico para cerca de 135 jovens da área. Este é o segundo equipamento do tipo a ser construído na cidade (o Cuca da regional I já foi entregue), tendo suas obras sido iniciadas em janeiro desde ano. Hoje, pouco mais de 20% da obra estão concluídos. O Cuca da regional V está localizado em frente à lagoa do Mondubim. Outra obra importante para a região é o Centro de Saúde da Família (CSF) do Parque São José, entregue em novembro do ano passado. Antes do surgimento do centro, os moradores dessa localidade precisavam se deslocar ao CSF Viviane Benevides, no bairro Vila Manoel Sátiro, para ter atendimento médico. Algumas das demandas da população, na verdade, acabam sendo atendidas por projetos ora da competência da Prefeitura. É o caso do posto de saúde solicitado no Canindezinho em 2007. O posto virou Unidade de Pronto Atendimento - UPA 24 horas, que será construído com recursos do Governo do Estado e do Ministério da Saúde. A ordem de serviço foi dada no último dia 9. Para as demandas de 2010, Maria Conceição afirma que será solicitado um espaço para o idoso, onde haja alimentação, atividades físicas, entre outros serviços. "Vários bairros já tem isso, e nós queremos um", diz. Um projeto de lazer e esporte também está planejado. "Vamos querer um campo de futebol, com alambrado, iluminação, gramado", aponta. O aumento de linhas de ônibus também será reclamado. "Aqui, no Novo Fluminense, só tem uma linha, que tende dois bairros", conta. Entrarão ainda nas reivindicações um mercado artesanal para as mulheres e um centro profissionalizante no Planalto Vitória, com cursos de pintura, computação, artes, entre outros", observa. Enquete Atendimento em saúde é fundamental Cíntia Helena 21 anos Cabeleireira Precisa de um posto de saúde aqui. A população tem que ir pro Conjunto Esperança, Mondubim, para ter atendimento. Felipe Alves 15 anos Estudante Queremos uma quadra de esportes, com estrutura. Não tem parque, a praça é longe, fica no Conjunto Esperança. José Hermínio 63 anos Dono de casa Pra começar, precisa de uma fiscalização para a lagoa (do Mondubim). Ela é suja, a população polui. A lagoa é muito importante SÉRGIO DE SOUSA Repórter Indicadores econômicos e sociais são negativos A Região, que ocupa 40% da área da Capital, tem índices baixos em relação à moradia, renda e educação Nada menos que 27 bairros formam a regional VI de Fortaleza, ocupando 40,2% da área total da capital. Em uma regional tão grande, localizada à periferia, já era de se esperar que as demandas da comunidade fossem muitas. E razões para isso não faltam: a área é carregada de indicadores negativos, ligados à moradia, renda e alfabetização, gerando baixo índice de desenvolvimento humano nos bairros. A Fundação IBGE mostra que a área é a que possui a menor densidade demográfica (habitantes por hectare) da cidade, com 32 moradores a cada hectare (na regional I, são 134), apesar de agrupar a segunda maior população de Fortaleza, com 520,5 mil habitantes, segundo previsão para 2010 da Fundação. É a regional que possui o maior número de domicílios improvisados: eram 1.596 no último levantamento do IBGE, datado de 2000. Este número representa mais do que o somatório do número de moradias do tipo nas regionais III, IV e V. Somente o bairro Edson Queiroz acumulava 382 domicílios nestas condições. Jangurussu, com 245, e Jardim das Oliveiras, com 231, também enfrentam gravemente o problema. É também a regional VI que mais apresenta índices de analfabetismo. Entre aqueles com idade igual ou superior a 15 anos, a taxa é de 14,46%, enquanto que a média de Fortaleza era, à época, de 11,21%. Bairros como Curió (28,8%), Boa Vista (28,75%) e Pedras (26,53%) são as que mais contribuem para o resultado negativo. Com estes dados, possui o maior número de bairros na condição de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo: 15, ao todo. Os outros 12 são caracterizados de médio IDH. Em meio a estes problemas, Dona Albenir de Melo, que mora no Passaré, vê-se na obrigação de se mobilizar pela mitigação destas mazelas sociais. Mas a tarefa não é fácil, mesmo com boa vontade: "para ir às reuniões do Orçamento Participativo eu pego três ônibus. E as reuniões, às vezes, terminam depois das nove da noite", reclama ela, que é conselheira desde o início do programa. "Existe uma necessidade muito grande de transporte no bairro", explica. "A regional VI é muito grande, são muitos bairros. Mas tem área em que ainda não foi feito nada", reclama. 27 BAIRROS Faltam educação e infraestrutura Obras de infraestrutura e ligadas à educação estão entre as principais reivindicações das comunidades da regional VI. Asfaltamento de ruas e construção de escolas e creches são demandas comuns entre os 27 bairros que compõem a área. "Agora, estamos conseguindo fazer algo por estes bairros. Os vereadores fazem projetos para onde tem voto. Aqui não tinha nada. E agora, com o Orçamento Participativo, começa a ter", opina a conselheira Maria Albenir. Em frente à sua casa, no Passaré, ela vê construída a escola Professor Maria José Macário Coelho, que comemora como uma vitória do OP. "Desde 1993, a gente queria a escola. Se não tivesse o OP, ela não teria sido construída", afirma. Além desta, ela aponta o calçamento da rua onde mora como uma outra demanda atendida através do OP. "Aqui parecia córrego no inverno, a gente ficava ilhado, até conseguirmos o calçamento", lembra. Segundo ela, a pavimentação de ruas e a construção de praças estão entre os maiores pedidos no OP. Creches também estão sempre presentes nas demandas, assim como postos de saúde. É o caso do Posto de saúde Maria de Lurdes Jereissati, que já foi entregue no Tancredo Neves. Além da implantação de novos equipamentos como este, a população também solicita o terceiro turno nos postos. No bairro Sumaré, o pedido de asfaltamento de várias ruas foi realizado, assim como a construção de escola. Segundo ela, é preciso agora melhorar, tecnicamente, as demandas no OP. "Já aconteceu de pedirem natação em colégio que não tem nem piscina. As pessoas não sabem o que pedem", diz. Enquete Saneamento Antônia Alves 34 anos Dona de Casa O maior problema é a buraqueira e o lamaçal, principalmente nos cruzamentos, que é uma buraqueira medonha. Alberto Ferreira 72 anos Aposentado O problema é o saneamento. E falta abrir estrada, alagar a via que leva até a BR 116, saindo do José Walter. Edna Freitas 36 anos Dona de casa Não tem esgoto, não tem asfalto por aqui, ou pelo menos a limpeza das ruas. Este é um conjunto novo, tem uns dois anos. SÉRGIO DE SOUSA Repórter Continuidade do programa é esperada Habitantes defendem que Orçamento Participativo vire projeto de lei para não perder conquistas Uma preocupação recorrente entre os fortalezenses que se envolvem ativamente nas discussões do Orçamento Participativo (OP) é de que o programa não tenha continuidade na cidade com as futuras mudanças na gestão da Capital. E isso tem motivo: algumas cidades do País já tiveram sua experiência de participação popular na definição de seu orçamento interrompida após a troca de gestão, como é o caso de São Paulo, Florianópolis, Goiânia e Manaus, que já não possuem mais o programa, segundo a Rede Brasileira de Orçamento Participativo. Para evitar que isso ocorra em Fortaleza, conselheiros do OP querem que o programa agora seja transformado em lei. "Queremos nos reunir com a prefeita e saber o que ela acha dessa ideia, se ela simpatiza", diz Márcio Martins, um dos representantes das comunidades da Regional IV. "Para que isso ocorra, era preciso que um projeto de lei fosse aprovado na Câmara dos Vereadores. Nós poderíamos fazer uma audiência pública e ver se sensibilizávamos algum vereador a propor o projeto. Mas a prefeita tem maioria na Câmara, e ela poderia solicitar a criação do projeto", defende. O desejo de continuidade desta ferramenta é reforçado nas diversas regionais da cidade. "O OP tem que continuar independente deste governo. Ele é uma das principais ações desse governo para a população", defende Edmilson Martins de Sousa, que desde 2005 participa do programa como delegado e conselheiro, pela Regional II. "No Orçamento Participativo, a população tem o direito de dizer o que quer com a área. Antes, a população estava acostumada com a troca de votos. São velhos vícios que aos poucos vem sendo retirados pelo OP", completa Edmilson, que é mora no bairro Praia do Futuro. Francisco Elói, que também participa do OP desde o início do programa, faz coro com Edmilson, e afirma: "Mesmo quando mudar o governo, a população vai exigir continuidade". Segundo ele, que é morador do Montese (Regional IV), ainda há muito o que aperfeiçoar nessa ferramenta, mas não se pode mais prescindir dela. Dona Albenir de Melo, moradora do Passaré, que vem sendo delegada do OP desde 2005 pela Regional VI, concorda com Elói: "Não sei se vai continuar após a gestão, mas eu acho que o povo vai reagir para continuar". De acordo com a coordenadora da Rede Brasileira de OP, Verônica Campos Sales, ainda com os casos de interrupção no programa com mudança de governo, há uma expectativa de que os novos programas de OP instalados nas cidades tenham continuidade. "Não temos ainda pesquisa sobre (a continuidade do programa com a mudança nas prefeituras) ou o recenseamento, mas acredito atualmente ser uma tendência, diferentemente das últimas gestões. Belo Horizonte pode ser considerado um destes casos. Passamos por diversas gestões de governo e o OP não foi interrompido até a presente data", informa ela, que também é gerente do Orçamento Participativo da capital mineira. Belo Horizonte realiza o OP há 14 anos, desde 1994. Hoje, cerca de 300 cidades no País possuem implantadas em sua gestão o projeto de Orçamento Participativo, segundo estima a Rede. "Segundo censo realizado em 2008, por meio de um projeto de cooperação entre América Latina e África, com recursos do Banco Mundial, havia 203 cidades que implementavam o OP. A Rede Brasileira de Orçamento Participativo deverá atualizar esse censo futuramente", informa coordenadora da Rede Brasileira de OP. RESTRIÇÕES Orçamento ainda impõe limites para participação Não é sobre tudo que a população pode opinar dentro do orçamento: existem limites para esta participação popular. Alguns de ordem legal, outros por restrições orçamentárias. De acordo com a Constituição Federal, os municípios têm de aplicar, pelo menos, 25% das receitas resultantes de impostos em educação e 15% do mesmo valor em saúde. "Eu não posso permitir que a população permita gastar de tal maneira o orçamento que resulte num gasto menor do que estas cotas", destaca o coordenador de Participação Popular da Prefeitura, Elmano Freitas. Além disso, não é possível utilizar recursos de um fundo criado por uma lei municipal para gastar em uma outra finalidade que não seja a daquele fundo. "Nós temos que conciliar a legalidade estabelecida para o poder público municipal com a deliberação popular". Uma outra restrição, pontua Freitas, é que a assembleia do OP não delibera sobre a política salarial dos servidores. A decisão sobre o aumento dos salários dos funcionários públicos estaduais é definido em negociação com a classe, puxada pelos sindicatos de trabalhadores, em negociação direta com a administração municipal. SÉRGIO DE SOUSA Repórter | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| FLORICULTURA | |
| A incrível tecnologia da rosa | |
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Paulo Selbach, produtor e exportador de rosas na Ibiapaba
A floricultura do Ceará já se apropriou da moderna tecnologia. Na Ibiapaba, o empresário Paulo Selbach produz e exporta 30 variedades de rosas e tem, em estufas, mais de 300 em testes, todas com cores diferentes Há 15 anos, o senhor vendia calçados da Azaleia. Hoje, é produtor e exportador de rosas. O apelo da rosa é maior do que o do calçado? Nós já plantávamos rosas havia muito tempo, desde o meu avô e meu pai. Eu, antes de vender sapato, também trabalhei com rosa até os 28 anos de idade. Foi aí que minha vida mudou, porque parei de trabalhar com flores e fui trabalhar numa fábrica de sapatos com o nome de flor, Azaleia. Mas essa coisa nunca sai da gente. O agricultor sempre será agricultor. O cheio de terra jamais nos deixa. Eu sempre quis um dia voltar, e acabei voltando aos 50 anos. Hoje, estou com 63. As coisas são assim mesmo. Como foi apropriar-se da tecnologia de cultivar rosa? Isso é um fato interessante e de extrema relevância. Primeiro, cada vez mais a tecnologia no plantio de flores tem se configurado algo muito importante. Hoje, você trabalha com irrigação, com sistema de água muito rígido, ninguém mais pode estar esbanjar água, e eu sou um dos grandes batalhadores por água na Serra da Ibiapaba. Hoje, me ponho como um cara que está na Ibiapaba para defendê-la, para preservar seu ecossistema. Antes, as coisas não eram assim. A tecnologia das flores veio extremamente forte. Você hoje tem empresas trabalhando com tecnologias fantásticas. Nós trabalhamos com pessoal de Israel, que cuida de toda a parte de irrigação; toda a parte de filme plástico para as nossas estufas também vem de Israel. Hoje, há faculdade na Colômbia com cadeiras específicas para a floricultura; nosso engenheiro, por exemplo, é colombiano; no Brasil, nós ainda não temos, mas vamos ter com a Unilab (Universiade Luso-Afro-Brasileira) que se instalará aqui no Ceará, na cidade de Redenção; teremos lá uma cadeira es pecífica para flores. Eu vejo a tecnologia chegando ao Ceará, exatamente por causa desses empreendimentos. Agora, persuadir um comprador de sapato (risos) é algo assim... Sapato é algo que trabalha talvez com uma moda mais abrangente. O sapato pede só o sentido da visão, enquanto a rosa exige também o olfato, não é? Exige o olfato, a visão e a emoção. A rosa tem algo emocional. Por isso que os grandes consumidores de flores, no mundo, são pessoas que vivem emocionalmente algum momento, seja ele agradável ou não. A rosa existe para celebrar a felicidade. Quando eu era menino, as rosas eram vermelhas, amarelas ou brancas. Hoje, elas têm dezenas de cores. Isso é segredo ou pode ser revelado? Essa é uma das grandes mudanças tecnológicas. Há 30 anos, quando eu vendia flor, as cores das rosas eram mesmo só aquelas três. Não havia outras cores, e a vermelha era, como ainda é hoje, a que mais se vendia, principalmente em dias de festas. Mas tem uma coisa: a tecnologia fez com que o "breeder" - que é o melhorista, ou seja, o especialista que trabalha com a genética das flores - revolucionasse a floricultura. Foram mudanças fantásticas registradas nos últimos 20 anos. Hoje, você tem, em uma única pétala de rosa, até três cores diferentes. Isso tudo é avanço genético. Isso é trabalho dos melhoristas, é ação dos "breeders", é uma coisa muito técnica. Eu conheço os principais "breeders" do mundo, que são alemães, holandeses, franceses e italianos. Eu conheço cada uma das empresas de "breeders". Quando você entra lá é como se você entrasse em um grande farmacêutico mundial. No seu roseiral, na Serra da Ibiapaba, quantas variedades de rosas são cultivadas hoje? Hoje, em produção instalada para o mercado, isto é, em escala, estamos com umas 30 variedades. Mas no nosso laboratório de testes - uma estufa com 5 mil m² - temos mais de 300 variedades em testes. São variedades que os "breeders" nos mandam. Cada variedade tem uma cor, tem nome, tem registro e tem DNA. Por isso é que uma variedade, criada em clima frio, pode chegar aqui no nosso clima tropical e experimentar uma mutação genética, natural. Não é, porém, com essa mutação que vou chegar lá na Europa e dizer aos "breeders" que eu melhorei a planta. Nada disso, a genética dela, o seu DNA segue sendo o mesmo. A única coisa que pode mudar é a coloração. Você pode ter uma cor diferente aqui, outra ali. O plástico que você usa na estufa pode causar mudança na cor da variedade, porque a tecnologia do plástico também mudou. Você pode tornar mais vermelha uma flor vermelha, usando a fértil irrigação. Na Europa, usa-se a rosa para presentear. Aqui no Brasil esse hábito já chegou? Repare: um russo, por exemplo, quando vai receber um amigo no aeroporto, leva uma flor para lhe dar de presente. Isso faz parte da cultura deles. Uma dona de casa alemã ou francesa, quando vai ao supermercado, inclui flores na lista de compras. Aliás, o supermercado é o lugar que mais se vende flores no mundo. O Walmart é o maior comprador - e, obviamente, vendedor - de flores do planeta. Disparado. Por que essa febre pelas flores? Porque você está embelezando sua casa. Na Europa, nos Estados Unidos, onde se consome muito, a flor faz parte da cesta básica do consumidor. No Ceará, isso tem mudado bastante. Hoje, já se vendem rosas nos supermercados de Fortaleza. O senhor e o Ceará eram os maiores exportadores de rosas do Brasil. Por que não o são mais? Por causa do câmbio. O real valorizou-se muito e isso prejudicou enormemente as exportações. Mantemos apenas as vendas que são importantes do ponto de vista estratégico. Depois, por causa da péssima logística de transporte. Rosa é um produto perecível. Não pode ser tratada como uma caixa de vinho. Rosa você tem de mandar de avião. Para dentro do Brasil, ainda se pode usar o caminhão refrigerado, mas correndo sérios riscos pela precariedade das rodovias. Este é o maior gargalo com que se defronta a floricultura no Ceará. Como assim? O Ceará já deveria ter 300 a 400 hectares de roseiras plantados. Só temos 70 por causa do gargalo da logística. O aeroporto Pinto Martins não comporta um avião tipo Jumbo, que possa sair daqui, lotado de carga e de combustível, direto para Amsterdam ou Paris. Faltam 500 metros de pista. O aeroporto de Jericoacoara poderia resolver isso? Não acredito. Os aviões que trarão turistas para Jericoacoara não farão voos regulares. O voo de transporte de carga tem de ser algo exclusivo. O Kênia, que tem 4 mil hectares plantados de rosa, instalou uma logística impressionante: o Jumbo entra direto na câmara fria, abre o seu bico e os contêineres são embarcados por esteiras. Todo dia, quatro Boeing 747 decolam do Kênia carregados de rosas para a Holanda. O Kênia fica na África. Por que o Ceará não pode dispor de algo eficiente assim? Se essa logística melhorar, outros empresários investirão no que o senhor tem investido? Os EUA importam flores da Colômbia, do Equador e do México. A floricultura nos EUA acabou porque é caro o custo de produzir lá. Rosa você produz em países pobres, porque a mão de obra que se usa por hectare é em torno de 15 a 18 pessoas. Em 10 hectares, você terá 150 a 180 funcionários. Na Holanda, por causa desse custo, não se cultivam mais flores. O holandês as produz na África. Eles poderiam vir para cá, mas teríamos de oferecer-lhe algo mais, além de uma boa logística, como a entrada de material vegetal. Dos calçados às rosas Solo e clima a favor Plantar flores é cultivar a semente do amor. Plantar rosas é mais do que isso - é fazer desabrochar o amor em estado puro. Quem o diz é o empresário gaúcho Paulo Selbach, ex-campeão de venda dos calçados Azaleia e hoje o maior produtor de rosas do Estado. Quando o câmbio ajuda, ele se torna o maior exportador, também. No Ceará há 30 anos, Selbach, seu forte sotaque sulista e sua vocação para os negócios conquistaram a amizade e a confiança dos cearenses, cujo Governo lhe ofereceu - ainda no segundo mandato do governador Tasso Jereissati - os incentivos de que precisou para a implantação de sua empresa - a Cearosa - em São Benedito, na Serra da Ibiapaba, onde o solo e o clima são ideais para a floricultura de alto padrão. O roseiral da Cearosa ocupa cerca de 100 hectares, dos quais 70 produzem em estufas modernas com a mão de obra de 250 pessoas, 95% das quais arrebanhadas na região. Se o Ceará dispusesse de uma logística de transporte eficiente - boas estradas, aeroporto com pista de 3 mil metros, por exemplo - a Ibiapaba já estaria abrigando as grandes empresas internacionais da floricultura e concorrendo com os maiores produtores mundiais de rosas - Colômbia, Equador, México e Kenia. Na Europa e nos EUA, o custo da mão de obra tornou impossível a produção em escala de rosas. Então, a saída é investir em países pobres. É o que Selbach tem feito. Sua produção, que era quase toda destinada ao mercado europeu, está agora dirigida ao mercado interno brasileiro, que cresce cada vez mais. Por causa da valorização do real - que onera a produção e reduz o lucro - as vendas para a Europa estão reduzidas aos clientes estratégicos, pois o câmbio pode mudar a qualquer hora. Selbach é otimista: "O futuro da floricultura cearense é promissor, multicolorido e perfumado", diz ele. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| FRUTICULTURA | |
| Produtores do Centro-Sul investem no cultivo de frutas | |
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Cada produtor que faz um plantio experimental de fruteiras ou de hortaliças é motivo de festa no Município
Jucás. Este município localizado na região Centro-Sul do Ceará vem investindo no apoio aos pequenos produtores rurais para implantação de frutíferas e hortaliças. Em apenas três anos, cresceu o número de agricultores que, sem abandonar o cultivo de culturas tradicionais de subsistência, passaram a cultivar goiaba, maracujá, acerola, banana e melancia. Cada produtor que faz um plantio experimental de fruteiras ou de hortaliças é motivo de festa e de encontro em Jucás. Na colheita, a área é usada como unidade demonstrativa. O objetivo é incentivar, também, outros agricultores. Por enquanto, a ideia tem dado certo. A meta da administração municipal é audaciosa. "Em dois anos, vamos ser o maior produtor de fruteiras da região", disse o secretário de Agricultura, José Teixeira Neto. A Prefeitura dá apoio para o desenvolvimento do projeto de fruticultura. A Secretaria de Agricultura adquiriu carros, motos e contratou técnicos rurais que visitam as comunidades, divulgando o projeto e dando apoio e orientação aos produtores. "É um trabalho de conquista, de adesão", disse Teixeira. "Mostramos a viabilidade econômica e, quando os produtores conhecem os números, ficam animados", contou. O exemplo mais recente vem da localidade de Alto da Areia, zona rural de Jucás, que faz limite com o Município de Iguatu. O produtor rural, Dorisvaldo Vieira, implantou uma área de 0,6 hectare de melancia e depois de 75 dias começou a colher os primeiros frutos do trabalho. Sempre com as informações em mente, mostra que investiu R$ 1 mil no plantio e tem a expectativa de obter R$ 3,6 mil de renda, o que lhe garante um lucro livre de R$ 2,6 mil. Os números deixaram o produtor satisfeito, mas inquieto. "Na próxima vez, quero melhorar a produtividade", disse. A área produziu 12 toneladas. Alguns frutos chegam a pesar 12kg. O quilo é vendido por R$ 0,30 no mercado local. Essa foi a primeira experiência de Dorisvaldo Vieira com melancia. Ele já tem uma área de produção de banana, com moderno sistema de irrigação, financiado pelo Banco do Nordeste. A ideia é diversificar as culturas. "A melancia é de ciclo curto e dá um bom retorno", disse. "Estou pensando também em plantar maracujá". Numa área ao lado, um trator já faz o preparo de terra para o plantio de feijão irrigado. Vieira é um incentivador do cultivo de fruteiras. "Dá mais lucro do que milho e feijão. Quem planta banana, por exemplo, toda semana tem renda certa". Para ele, é preciso acreditar e ter coragem de enfrentar o trabalho. "Infelizmente, a maioria dos jovens não quer dar continuidade ao trabalho do pai e cultivar novas culturas". Honório Barbosa Repórter Satisfação "O cultivo de melancia dá um excelente lucro e a diversificação melhora a renda" José Teixeira Neto Secretário de Agricultura "Os jovens precisam acreditar que a produção de frutíferas dá lucro e renda" Marcos Jacinto Coordenador do Instituto Elo Amigo "Estou satisfeito com o resultado obtido com esse primeiro cultivo" Dorisvaldo Vieira Produtor MAIS INFORMAÇÕES Secretaria de Agricultura do Município de Jucás, na região Centro-Sul do Estado do Ceará Contato: (88) 3517. 1410 SOLO FÉRTIL Unidades são incentivos para jovens Jucás .O coordenador executivo da ONG Instituto Elo Amigo, Marcos Jacinto, observou que as unidades experimentais são verdadeiros incentivos para os jovens. "Temos solo fértil e água em abundância e o cultivo de frutas tem lucro assegurado", frisou. "É preciso tirar a ideia de que a agricultura familiar não gera renda". O trabalho da Secretaria de Agricultura do Município de Jucás tem por objetivo ampliar a renda da agricultura familiar, diversificar a produção, mostrar alternativas de culturas economicamente viáveis e incentivar a permanência do jovem no campo. A ideia é que os filhos continuem trabalhando ao lado do pai e percebam que cultivar frutas e verduras gera renda. Jacinto lamenta que, apesar dos esforços do Instituto Elo Amigo na última década, os jovens resistem em trabalhar no campo e preferem migrar para a área rural em busca de trabalho no comércio, em alguma indústria ou em empresas prestadoras de serviço. "Não é fácil manter e incentivar o jovem para a produção rural", disse. "É um trabalho pesado, cansativo, mas que têm vantagens". Muitos produtores conseguem obter renda superior à maioria do trabalho realizado na área urbana, sem qualificação do trabalhador. "São raros os jovens que querem ficar no campo e trabalhar na agricultura", reconhece o secretário de Agricultura de Jucás, José Teixeira Neto. "Se houver dedicação é possível ter uma renda acima da média da realidade do mercado local, cultivando frutas e hortaliças". Financiamento O gerente do Banco do Nordeste, Eugênio Augusto, disse que a instituição vem investindo no financiamento da agricultura familiar por meio do Pronaf e também de pequenos e médios produtores rurais. "Houve um desenvolvimento significativo no plantio de fruteiras na região, mas ainda há muito espaço para crescimento porque a demanda é maior do que a oferta atual". O secretário Teixeira lembrou que no Município o cultivo de cebola que começou com apenas meio hectare, no ano passado, hoje totalizam quatro. A melancia é uma fruta de ciclo rápido e, há quatro anos, houve dois cultivos na bacia do Açude Orós, próximo ao Rio Jaguaribe, no Município de Iguatu. A produtividade chamou a atenção dos agricultores. A cultura foi vendida com facilidade para Fortaleza e deixou bons lucros para os produtores. Apesar do êxito do plantio experimental nas várzeas do Açude Orós, a maioria desistiu. Um dos fatores é que o plantio nesta área depende do nível de água do reservatório a cada ano. Há períodos em que as terras férteis ficam encobertas, por dois ou três anos seguidos, ou até mais. Quando o açude está cerca da metade de sua capacidade facilita o plantio das várzeas, localizadas em seu entorno, nos municípios de Iguatu e de Quixelô. Na região Centro-Sul, nos últimos seis anos, houve um crescimento do cultivo de fruteiras. O destaque é para a goiaba. Há vários experimentos isolados. O êxito de produção e de renda influencia outros produtores rurais. Observa-se, entretanto, que nesse período ocorre avanços e recuos nas áreas de cultivo. Alguns agricultores desistem e outros começam, mas a tendência é de expansão do cultivo de frutas. O secretário de Agricultura, José Teixeira, com dados em mãos, assegura que o mercado é muito favorável, pois a produção local de goiaba, maracujá e uva, por exemplo, está muito aquém de atender sequer a demanda regional. "Temos o mercado de Fortaleza a espera dos nossos produtos", disse. "Não há o que temer, mas precisamos ter frutos de qualidade e produção regular, contínua". Área cultivada 20 Hectares de goiaba já foram plantados no Município de Jucás e mais seis estão aguardando liberação de projeto de financiamento pelo Banco do Nordeste (BNB) MAIS INFORMAÇÕES Organização Não Governamental Instituto Elo Amigo Rua 21 de abril, S/N, Bairro Prado (88) 3581.6575 | |
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| O POVO |
29 de agosto de 2010 |
| DADOS E VELOCIDADE DE CONEXÃO | |
| Empresas necessitam de mais dados | |
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Em um ambiente empresarial o número de arquivos enviados e recebidos pela Internet é alto, o que significa a necessidade de mais dados e velocidade de conexão
Enviar arquivos pesados, fotos, vídeos, armazenar dados através de um servidor virtual. Todos estes serviços são feitos pela Internet na empresa de marketing do empresário Elias Hissa. Para garantir a velocidade do envio e recebimento de informações, ele utiliza serviços de provedores de Internet. “Como trabalhamos com sites de clientes, dependendo do tipo de arquivo e da utilização de bancos de dados, a gente utiliza de 1 Gbps (Gigabits por segundo) até 100 Gbps. São grandes capacidades, que nos proporciona a garantia de que o processo de envio e recebimento de arquivos não seja prejudicado”, explica. Elias recomenda aos empresários pesquisar o tipo de serviço oferecido. “Já tivemos alguns problemas com relação aos serviços fornecidos, mas agora estamos mais satisfeitos. Acredito que o consumidor deve sim pesquisar sobre o serviço que quer e buscar sempre a qualidade, com suporte acessível e garantia de velocidade dos dados vendidos no contrato”, comenta. De acordo com pesquisa Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) Empresas 2010, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.br) de 3.700 empresas pesquisadas, 93% utilizam a Internet. As empresas que oferecem aos funcionários acesso remoto ao seu sistema de informações saltaram de 15% em 2006, para 25% em 2009; isso significa que houve um crescimento da modalidade de trabalho remoto no País, possivelmente como uma opção de redução de custos operacionais (água, luz, aluguel etc.). Pelo celular Cerca de 61% das empresas de pequeno porte utilizam celulares corporativos, e 22% destas oferecem acesso à Internet através do telefone celular. O Comitê aponta ainda que uma política pública para reduzir as tarifas de conversação e de acesso à Internet poderia incentivar essa prática nas pequenas empresas, visto que quase a totalidade das empresas de grande porte oferece celulares corporativos (90%) e 53% oferece acesso à Internet. De acordo com Maurício Brito, presidente do Sindicato das Empresas de Informática, Telecomunicações e Automação do Ceará (Seitac), as empresas devem analisar criteriosamente as cláusulas de nível de serviço do contrato. “Estas cláusulas irão garantir o serviço ao cliente, como a disponibilidade do serviço, a largura da banda (velocidade), suporte técnico. Para as empresas que precisam que o problema seja resolvido logo e checar online o uso da banda larga, tirando estatísticas de fluxo, os horários de mais pico de uso, relatórios oferecidos pelas operadoras”, explica. Ele critica que muitos contratos possuem termos técnicos. “Os contratos são extensos, complexos, mas para o usuário leigo isso é complicado de entender. Por exemplo, se a banda larga durante um ano falha 0,1% é um índice aceitável, mas para algumas empresas isso não é, porque em um ano isso representa algumas horas. Se você contrata uma velocidade de 2 Mbps e precisa disso para apenas um computador, deve verificar se não será uma banda compartilhada, porque pode ser utilizada por mais de um computador e a velocidade vai diminuindo. São detalhes que os consumidores não conhecem que aparecem somente quando o cliente começa a sentir na pele”, destaca. (HO) E-MAIS > O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) foi criado pela Portaria Interministerial nº 147, de 31 de maio de 1995, para coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. > É composto por membros do governo, do setor empresarial, do terceiro setor e da comunidade acadêmica. No site www.cgi.br o consumidor pode encontrar resoluções, portarias e decretos voltados para a internet. | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
29 de agosto de 2010 |
| MAIORES EXPORTADORAS | |
| Pela 1ª vez, 40 maiores exportadoras têm mais da metade das vendas | |
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MÁRIO SÉRGIO LIMA
DE BRASÍLIA Pela primeira vez na história, o grupo das 40 maiores empresas exportadoras do país concentrou mais da metade de todo o volume de vendas para o exterior. No acumulado do ano até julho, segundo o Ministério do Desenvolvimento, essas companhias responderam por 51,1% de tudo o que o país vendeu para fora. Elas foram responsáveis por exportações de US$ 54,6 bilhões. No período, as vendas totais para o exterior somaram US$ 106,86 bilhões. O melhor resultado do grupo de 40 maiores empresas havia sido observado em 2008, quando ficaram com 47,4% das exportações. A concentração fica ainda mais evidente ao notar que, somadas as vendas externas das dez maiores empresas, o volume representa quase um terço de tudo o que o país exporta. Vale e Petrobras, as duas maiores, pela ordem, somam quase 20% do total. O aumento da concentração das exportações nos últimos anos vem passando por um processo contínuo. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, as 40 principais empresas eram responsáveis por 40,6% das vendas ao exterior. Esse total chegou a 35,8% ao final de 1999. Ao mesmo tempo, desde 2007, o país vem reduzindo o número de empresas que vendem para o exterior. De 2009 para os primeiros seis meses de 2010, esse número caiu de 16.041 para 15.640. O vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, diz que essa concentração é preocupante. "Isso é ruim, ainda mais levando em conta que o país é um grande exportador de matérias-primas." Além de as principais exportadoras atuarem no ramo de venda de commodities, outro fator colabora para que a competitividade no mercado externo fique restrita a grandes empresas. "As companhias manufatureiras que conseguem exportar são aquelas que renovaram o parque industrial recentemente", afirma Roberto Segatto, presidente da Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior). | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
29 de agosto de 2010 |
| ECONOMIA BRASILEIRA | |
| Lula descumpre meta de abrir economia | |
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Peso do comércio exterior no PIB é quase o mesmo do início da década; país é o mais fechado dos emergentes
Mesmo com retomada da economia, volume físico vendido hoje ao mercado externo é semelhante ao de 2005 GUSTAVO PATU DE BRASÍLIA O comércio exterior brasileiro fechará o ano muito distante da meta para a abertura da economia estabelecida no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que isola ainda mais o país na posição de mais fechado entre os principais mercados emergentes. Somadas, exportações e importações deverão chegar a algo entre 17% e 18% do Produto Interno Bruto, praticamente o mesmo percentual do início da década. Apenas cinco anos atrás, anunciava-se a duplicação da taxa de abertura nacional. "Nosso fluxo de comércio passou do patamar histórico de 15% do PIB, até meados dos anos 1990, para 30% hoje", discursava, em outubro de 2005, por exemplo, o então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, em conferência da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Vivia-se a maior expansão do comércio global desde os anos 1970, e Palocci, graças a um arredondamento generoso, já dava como cumprido o objetivo fixado para o ano seguinte por seu colega Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e considerado estratégico para o aumento da eficiência empresarial e da renda do país. De lá para cá, no entanto, a escalada das exportações, que alimentava o otimismo oficial, foi estancada -mesmo antes do colapso provocado pela crise financeira de 2008 e do ano passado. Mesmo com a recuperação em curso, os volumes físicos vendidos ao exterior permanecem semelhantes aos de 2005, a despeito da expansão da economia. Além disso, um efeito estatístico tornou a taxa de abertura atual inferior até mesmo aos 21% herdados do governo FHC, embora os fluxos de comércio tenham crescido desde então. DÓLAR A forte queda das cotações do dólar inflou o valor do PIB em moeda norte-americana, empregado no cálculo da taxa de abertura nacional. Com o aumento do denominador, os percentuais ficaram mais modestos. O IBGE ainda revisou para cima o cálculo do PIB em real dos últimos anos. E o governo não trabalha mais com metas vinculadas ao PIB. As idas e vindas do câmbio tornam mais difícil avaliar a evolução da abertura econômica -afinal, os patamares baixos dos anos 1990 também foram calculados com dólar barato. Numa conta grosseira, a corrente de comércio brasileira não passaria hoje dos 25% de um PIB calculado com um dólar hipotético a R$ 2,60 -cotação apontada em estudo do banco de investimento Goldman Sachs como a de equilíbrio no país. | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
29 de agosto de 2010 |
| ECONOMIA BRASILEIRA | |
| Brasil é lanterna entre os Brics em abertura econômica | |
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Enquanto no país comércio com o exterior representa 24% do PIB, nos demais gigantes chega a ser mais que o dobro
Carga tributária, infraestrutura falha, câmbio e retomada do mercado interno travam exportação, diz analista DE BRASÍLIA Iniciadas há 20 anos, as políticas de liberalização do comércio exterior proporcionaram avanços reconhecidos pelos analistas, mas ainda não produziram indicadores capazes de destacar o Brasil no panorama mundial. "O resumo é que o Brasil ainda é uma economia muito fechada", diz Fernando Ribeiro, economista da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior). Basta a comparação com os demais países emergentes: no Sudeste Asiático, Malásia e Tailândia têm comércio superior ao PIB; os gigantes geográficos Rússia, Índia e China -que, com o Brasil, compõem a sigla Bric- ficam na faixa entre 40% e 60%. No Brasil, eram 24% em 2008. O Chile, país latino-americano mais aberto, passava dos 76% em 2008. Na argumentação de seus defensores, a abertura amplia o mercado, a rentabilidade, o acesso à tecnologia, a competitividade e os investimentos das empresas. FECHAMENTO E CRISE A economia fechada foi apontada como um dos fatores que evitaram uma crise maior no país no ano passado, mas economias mais abertas como a chinesa e a indiana também se saíram bem -ou melhor. Nos últimos anos, a compra de produtos do exterior tem avançado com o aumento da renda e do consumo, mas as exportações enfrentam obstáculos conhecidos. "O Brasil tem competitividade nas commodities [produtos básicos, como minério de ferro], mas a indústria de transformação tem perdido espaço no mercado internacional", afirma Rogério Souza, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial). OBSTÁCULOS Carga tributária alta e infraestrutura deficiente, fora o câmbio, prejudicam os produtos brasileiros, aponta o economista. Mas, com a recuperação da economia internacional e a agenda de obras em andamento, as perspectivas para o futuro são, acredita, favoráveis. Ribeiro aponta outro motivo para a estagnação das exportações: a recuperação do mercado interno a partir da metade da década. "Historicamente, exportação e mercado interno seguem trajetórias opostas: quando um sobe, o outro cai." (GP) | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
29 de agosto de 2010 |
| DESINDUSTRIALIZAÇÃO | |
| Brasil vive desindustrialização | |
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LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
-------------------------------------------------------------------------------- Mesmo com economistas negando, fatia da indústria no PIB nacional é bem menor do que há 25 anos -------------------------------------------------------------------------------- NO FINAL DOS anos 1940, a indústria representava 20% do PIB brasileiro, em 1985 chegou a 36%, em 2008 havia baixado para 16%! Não obstante, ainda existem economistas que negam que o país venha sofrendo desindustrialização. Argumentam que a desindustrialização não seria apenas brasileira, mas de todos os países. Com o desenvolvimento econômico, a participação dos serviços sofisticados aumenta, e, em consequência, a participação da indústria de transformação cai. Em 1970, a participação da indústria no PIB mundial era de 25%, em 2007 havia caído para 17%. Mas isto acontece aos países ricos que, a partir de certo ponto, passam a deslocar sua mão de obra da indústria para setores de serviços com valor adicionado per capita maior. Não é o caso do Brasil. Nossa desindustrialização é para produzir mais commodities. O Brasil está se desindustrializando desde 1992. Foi em dezembro do ano anterior, no quadro de acordo com o FMI, que o Brasil fez a abertura financeira e, assim, perdeu a possibilidade de neutralizar a tendência estrutural à sobreapreciação cíclica da taxa de câmbio. Em consequência, a moeda nacional se apreciou, as oportunidades de investimentos lucrativos voltados para a exportação diminuíram, a poupança caiu, o mercado interno foi inundado por bens importados, e, assim, muitas empresas nacionais eficientes deixaram de crescer ou mesmo quebraram. Estava desencadeada a desindustrialização prematura da economia brasileira. Se a desindustrialização é evidente, por que economistas brasileiros insistem em procurar argumentos para negá-la? Porque são ortodoxos, porque pensam de acordo com o Consenso de Washington, e, por isso, apoiam a política macroeconômica instaurada desde 1992. Não obstante critiquem o deficit público (como também eu critico), propõem juros altos (para combater a inflação e atrair capitais), deficit altos em conta-corrente (para "crescer com poupança externa"), deficit público compatível com o deficit em conta-corrente, e câmbio apreciado. Em outras palavras, em nome da ortodoxia, defendem irresponsabilidade cambial, e, não obstante a retórica, a irresponsabilidade fiscal (considerada a hipótese dos deficits gêmeos). E condenam o país a taxas de poupança e investimento baixas. Quando a ortodoxia percebe que a taxa resultante do mercado é sobreapreciada, defende-se afirmando que administrar a taxa de câmbio é "impossível". Não é o que mostra a história. Para administrá-la é necessário (1) impor imposto na exportação de bens que dão origem à doença holandesa; (2) usar os recursos fiscais decorrentes para zerar o deficit público; (3) baixar a taxa de juros real para o nível internacional; e (4) estabelecer barreiras às entradas de capitais não desejados. Neste quadro, a renda dos exportadores de bens primários será mantida porque o imposto poderá e deverá ser compensado centavo por centavo pela desvalorização. O Brasil já praticou essa política no passado. Outros países a estão aplicando no presente. Se a adotarmos, o Brasil poderá voltar a ter taxas de crescimento pelo menos duas vezes maiores do que aquelas que prevaleceram desde 1992. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| CONJUNTO DE REATOR NUCLEAR | |
| Países avançam em cooperação | |
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Técnicos brasileiros e argentinos discutem projeto conjunto de reator nuclear; custo será de R$ 150 milhões
Brasília. Técnicos do Brasil e da Argentina avançaram na discussão sobre o projeto conjunto de construção de um reator nuclear, no encerramento de uma série de reuniões em Buenos Aires. Cada país construirá o seu reator para atender as suas necessidades, mas eles terão praticamente as mesmas especificações técnicas. Em entrevista na Embaixada do Brasil na capital argentina, Buenos Aires, a subsecretária-geral do Itamaraty, Vera Machado, afirmou que os técnicos dos dois países concluíram que a viabilidade do projeto é grande. "A cooperação que estamos discutindo pode ser ampliada para vários outros campos, de acordo com as oportunidades que as pesquisas vão oferecer quando os reatores estiverem prontos. Do ponto de vista político, há o comprometimento pela continuidade na cooperação nuclear", explicou. O reator brasileiro, de responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), será construído a um custo de R$ 150 milhões - já alocados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia - nas imediações do Centro Experimental Aramar, em Iperó (SP), e deverá entrar em operação em 2016. O centro de Aramar é responsável pelo desenvolvimento de pesquisas nucleares da Marinha do Brasil. O local de construção do reator argentino ainda não foi definido pelo governo. Para o Brasil, os acordos são vistos como garantia de transparência do seu programa atômico. Além disso, os dois países veem chances de negócios num possível boom da energia nuclear, com a queda do uso de combustíveis fósseis devido ao aquecimento global. De acordo com o presidente da Cnen, Odair Dias Gonçalves, os reatores permitirão a realização de testes de materiais. "Para poder avançar, a indústria nuclear precisa testar materiais sob radiação intensa e esse é um dos objetivos dos reatores. Com eles também poderão ser realizadas pesquisas básicas e aplicadas", afirmou. O projeto de construção dos reatores deverá ter continuidade em 2011. Especialistas da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle (Abac), Comissão Binacional de Energia Nuclear (Coben) e do Comitê Permanente de Política Nuclear (CPPN) participaram das reuniões em Buenos Aires. O próximo encontro para debater o projeto conjunto ocorrerá em outubro, no Rio de Janeiro. O reator foi anunciado originalmente em 2008. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| POLÍTICA DE RESÍDUOS SÓLIDOS | |
| Política de resíduos | |
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A problemática do lixo no Brasil é apontada pelos gestores e técnicos como grave na atualidade, o fato de ter-se tornado alvo de discussão política e objeto para o reaproveitamento geral desses para a reciclagem. A responsabilidade da gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos-RSUs deve ser compartilhada pelos gestores governamentais. O Senado aprovou a Lei depois de 21 anos no legislativo. A lei obriga a logística reservada - como retorno das embalagens e materiais diversos a produção industrial após o consumo e desova desses pela população.
As normas obedecem a princípios de responsabilidade compartilhada entre os diferentes elos da cadeia, desde a produção, manufaturas e destino final adequado. O retardamento dessa gerou danos ambientais significativos, a multiplicação dos lixões, impactos, deslizamentos de encostas, cheias, poluição hídricas, paisagem, solos e conflitos diversos. Proíbe importação de qualquer tipologia de lixos, residir em aterros sanitários/lixões. Tem princípios objetivos, instrumentos e diretrizes para gestão dos RSUs. Os 5561 municípios brasileiros são obrigados a implantar sistemas integrados para a coleta seletiva/reciclagem dos materiais nas residências; cerca de 7% das prefeituras realizam esta prática. A destinação final dos RSUs é um problema de vultosas dimensões, apenas 38,6% (2158) dos municípios dão tratamento adequado aos resíduos, os 62% (3406) com destinos inadequados. O que se torna ainda mais complexo quando observadas as altas concentrações de municípios situados nas macro-regiões, norte, nordeste e centro- oeste, que, destinam quantidades expressivas desses com condições inadequadas, os municípios possuem lixões/aterros, precisa otimizar a conscientização do problema e facilitar a educação ambiental para solucioná-lo. Pós a sanção da Lei, o País passa a ter um marco regulatório para os RSUs, refere-se a uma diversidade de resíduos: domésticos, industrial, construções civil, madeireiros, eletroeletrônicos, hospitalares, perigosos, lâmpadas/mercuriais, sucatas, baterias, agrosilvopastoril, podas urbanas dentre outros. BENÍCIO DE MELO FILHO doutor em Ciências Florestais | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
29 de agosto de 2010 |
| SUCESSÃO PRESIDENCIAL | |
| Eleitor vê Dilma como mais preparada | |
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PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Candidata do PT ultrapassa José Serra na sondagem sobre quem reúne maior número de habilidades para governar Petista é tida como mais capacitada para tratar de violência, educação, emprego e economia; tucano lidera na saúde SILVIO NAVARRO DE SÃO PAULO Em três meses, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, passou a ser vista pelo eleitorado como a "mais preparada" para governar o país e administrar áreas como educação, economia e segurança. É o que aponta o detalhamento da última pesquisa Datafolha. O levantamento feito nos dias 23 e 24 deste mês mostra que a exposição da petista gerou mudanças significativas na visão do eleitor. Dilma hoje é considerada "mais preparada" para ser presidente por 42% dos entrevistados, contra 38% de José Serra (PSDB). Na última pesquisa a incluir essa questão, em maio, Serra tinha 45%, ante 29% dela. Seu desempenho evoluiu no Sudeste (+ 14 pontos), no Nordeste (+ 18 pontos) e entre os mais jovens, de 16 a 24 anos (+ 17 pontos). Ela passou o tucano nos quesitos de melhor nome para combater a violência (38% a 30%), cuidar da educação (41% a 31%), manter a estabilidade econômica (49% a 28%) e lutar contra o desemprego (46% a 28%). Serra mantém a dianteira (47% a 33%) na saúde, área em que concentra sua propaganda eleitoral e da qual foi ministro no governo FHC. O salto nos índices de Dilma está ligado à TV: 71% dos que acham a propaganda dela melhor a têm como mais habilitada para o cargo. Apesar da subida de Dilma em todos os quesitos, Serra é apontado como mais experiente (51% a 31%) e inteligente (36% a 34%). Mas ele perdeu 13 pontos em "experiência", e ela ganhou 14. Dilma é avaliada como mais autoritária (37% a 30%), porém mais simpática (37% a 26%) do que Serra. Para 41% dos eleitores, Serra defenderá mais os ricos, ante 17% de Dilma. Já 45% dizem que ela governará mais para os pobres, contra 20% do tucano. Marina Silva (PV) perdeu pontos em todas as áreas. Seu melhor desempenho é sobre defesa dos pobres (13%) e simpatia (14%). | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
29 de agosto de 2010 |
| SUCESSÃO PRESIDENCIAL | |
| Imagem de Dilma perante o eleitor mostra avanço além da tutela de Lula | |
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ANÁLISE
MAURO PAULINO DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA ALESSANDRO JANONI DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA Na última pesquisa Datafolha, Dilma Rousseff (PT) abriu 20 pontos de vantagem sobre José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência. Ela ampliou seu alcance a todos os segmentos sociais, tornou-se mais conhecida, cristalizou o vínculo com Lula e começa a transmitir, de acordo com os dados publicados hoje, que tem luz própria. A simpatia pela candidatura petista espraiou-se inclusive em redutos sagrados do tucanato, como o Estado de São Paulo, sua capital e os segmentos mais elitizados do eleitorado. E essa evolução, principalmente em território inimigo, dá-se mais pela imagem da criatura do que pela tutela de seu criador. O grupo de eleitores que quer votar na candidata de Lula, mas não o faz por desconhecer Dilma, é hoje residual. Dos oito pontos que a ex-ministra ganhou no último mês, apenas três vieram do estrato fiel ao presidente. A maior parte chegou de subconjuntos que não são totalmente favoráveis a Lula. A petista conseguiu, nesse espaço de tempo, comunicar a segurança da continuidade e associar sua imagem à capacidade técnica necessária para assumir o cargo que pleiteia, sem o contraponto de uma oposição clara e contundente a essas mensagens. Sem considerar a cobertura jornalística, com entrevistas e agenda em horário nobre, e projetando-se apenas os 35% de brasileiros que dizem ter visto a propaganda petista na TV, tem-se cerca de 47 milhões de eleitores. Eles viram a petista em seu momento mais confortável, sem o ruído negativo de, por exemplo, alguma pergunta incômoda. E para a maioria, segundo o Datafolha, Dilma é a candidata com melhor desempenho na TV. O saldo é a percepção predominante, neste momento, de que a petista é a mais preparada para manter a estabilidade econômica, defender os pobres, combater a violência, cuidar da educação, combater o desemprego e até a mais simpática. Sobraram a Serra, até aqui, o alento de sua experiência política, o recall da área da saúde e a pecha de defensor dos ricos. Dizer que Dilma não é Lula é insuficiente. Neste momento, pode até ser positivo para a petista. A Dilma, por outro lado, basta manter a aura conquistada. A ex-ministra deve provar que não é efêmera, como qualquer moda impulsionada pelo marketing. | |
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| O POVO |
29 de agosto de 2010 |
| ELEIÇÕES 2010 | |
| O que os candidatos ao Senado dizem sobre os temas mais polêmicos da República | |
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O que os candidatos ao Senado dizem sobre os temas mais polêmicos da República
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29 de agosto de 2010 |
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| O que os candidatos ao Senado dizem sobre os temas mais polêmicos da República | |
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29 de agosto de 2010 |
| ELEIÇÕES 2010 | |
| O que os candidatos pensam a respeito dos temas polêmicos | |
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Como numa votação real, aqueles que buscam uma das duas vagas disponíveis para o Ceará nestas eleições no Senado foram provocados a se posicionarem sobre temas que mexem com a vida da população
Onze perguntas foram suficientes para se ter noção do que esperar dos representantes cearenses quando forem revelados os resultados das votações no painel eletrônico do Senado, quando dois dos 10 candidatos pelo Ceará forem os responsáveis por decidir algumas propostas polêmicas que hoje tramitam no Congresso Nacional. Oito candidatos responderam à sabatina feita pelo O POVO - que envolvia questões comportamentais, trabalhistas, tributos e reforma política. A exemplo do que foi feito com os candidatos ao Governo do Estado, há uma semana, foram apresentadas questões com opções de marcar objetivas e a possibilidade para que cada um desenvolvesse seu ponto de vista em comentários de até cinco linhas. Curiosamente, alguns assuntos que já causaram rebuliço no Congresso, parecem ser quase unanimidade entre os que buscam representar o Ceará. Ainda que valha lembrar a diferença entre simulação e a prática. Sete candidatos se disseram a favor, por exemplo da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução do salário. Houve apenas uma divergência. Além de prever a diminuição da carga horária, a proposta de emenda constitucional (PEC) 231/95 aumenta o valor do adicional da hora extra de 50% para 75% sobre o valor da hora trabalhada. Já a PEC 300 - que cria o piso nacional para Corpo de Bombeiros, policiais civis e militares - recebeu apoio ainda mais expressivo. Todos os candidatos que responderam se disseram a favor. Mas quando o assunto é tributar mais ainda o povo brasileiro, que já tem nas costas a terceira maior carga tributária do mundo, nem todos os candidatos são tão incisivos. Ninguém se disse a favor da Emenda Constitucional 29, que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS) - novo tributo nos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF). No entanto, de oito candidatos que responderam, quatro evitaram a resposta objetiva. Reforma política Mas se quer apertar o calo de um candidato a parlamentar, a palavra é reforma política. O tema, que já causou discussões na Câmara dos Deputados e no Senado, também divide opiniões de concorrentes até dentro do mesmo partido - até na esquerda radical. Um exemplo disso é quando se fala em lista fechada para eleição parlamentar - proposta pela qual o eleitor não mais votaria em uma pessoa, mas no partido, cujos representantes seriam previamente definidos pela legenda, a partir de uma lista. Os dois candidatos do PSTU, Raquel Dias e Reginaldo Araújo, discordam. Ele contra, ela a favor. Do PCB, Benedito Oliveira se mostrou contra, enquanto seu correligionário, Tarcísio Leitão, optou por não marcar resposta objetiva. Também o financiamento público exclusivo para campanhas eleitorais divide os postulantes ao Senado. Cinco se mostraram a favor, dois contra e um preferiu não responder objetivamente. Fim do Senado? A pergunta não era sobre o fim do Senado e sim, sobre redução de mandato de senadores. Mas, no que parece incoerência, três dos que buscam uma vaga na Câmara Alta do Congresso - Raquel Dias, Reginaldo Araújo e Marilene Torres (Psol) - defenderam a extinção da Casa. Quanto à pergunta proposta, quatro candidatos se mostraram a favor e outros quatro evitaram resposta objetiva. (Giselle Dutra) ENTENDA OS TEMAS POLÊMICOS COMPORTAMENTO 1. Aborto Talvez um dos temas mais polêmicos da atualidade, por envolver não apenas política, mas também religião e saúde. Portanto, dizer-se a favor ou contra a descriminalização do aborto é se colocar em um dos lados de uma trincheira. Segundo informação da Agência Senado, há na Casa três projetos de lei (PLS) em tramitação que permitem o aborto em casos específicos: 183/04; 227/04; e 312/04. Também há o projeto de decreto legislativo (PDL 1.494/04) do senador Gerson Camata (PMDB-ES), que prevê a realização de plebiscito sobre seis temas, dentre eles a legalização do aborto. 2. Maconha Ao defender a revisão da Lei 11.343/06 - a Lei das drogas, que regulamenta punição para o tráfico de entorpecentes -, o deputado federal, Paulo Teixeira (PT-SP) comprou uma enorme briga. Ele quer permitir o plantio de maconha para o usuário e estabelecer penas alternativas para o pequeno traficante. A matéria causa arrepios em diversos setores e causou tanta polêmica que até hoje não saiu do lugar. 3. União civil de pessoas do mesmo sexo O Brasil pode vir a seguir os passos dos países que já regulamentaram a união civil entre casais homossexuais. Na América Latina, Argentina e México partiram na frente. Mas o que parece uma tendência no mundo, aqui ainda se configura em mera hipótese. Proposto pela então deputada federal Marta Suplicy (PT-SP), o projeto de lei 1.151 de 1995, que regulamenta a união entre homossexuais, tramita há 15 anos no Congresso e também não deverá ser votado este ano. Entre outras questões, trata-se de garantir direitos de cônjuge com a morte de um companheiro e até adoção de filhos como casal. TRABALHO 4. Jornada de trabalho Tramita no Congresso Nacional a proposta de emenda à Constituição 231/95, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução correspondente no salário, e aumenta o valor do adicional da hora extra de 50% para 75% sobre o valor da hora trabalhada. A matéria tem forte lobby a favor do meio sindical, e forte oposição da classe empresarial. 5. PEC 300 A Câmara dos Deputados aprovou no dia 7 de julho último a proposta de emenda constitucional (PEC) 300, que cria o piso nacional para Corpo de Bombeiros, Policiais Civis e Militares. A PEC precisa passar por mais um turno de votação para, então, seguir ao Senado. CARGA TRIBUTÁRIA 6. Nova CPMF Depois de rejeitar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), em dezembro de 2007, o Senado agora se prepara para apreciar matéria que envolve o mesmo tema. O assunto agora envolve a emenda constitucional 29. Tal emenda, aprovada em 2000, aguarda regulamentação para entrar em vigor. Ela define o montante de recursos que União, estados e municípios devem investir na Saúde. Proíbe que recursos sejam utilizados para outros fins, como saneamento. O texto já passou pelo Senado e foi encaminhado à Câmara, onde a base aliada do Governo Federal introduziu a proposta de recriar a CPMF, dessa vez com o nome de Contribuição Social para a Saúde (CSS). A nova contribuição também incide sobre movimentações financeiras, mas com uma alíquota menor: 0,1% - a CPMF tinha alíquota de 0,38%. O DEM apresentou proposta para retirar do texto esse percentual - sem explicitar a origem dos recursos, não há como novo imposto ser implanta do. REFORMA POLÍTICA 7. Voto distrital Pelas regras atuais, o voto é proporcional. Um deputado pode se eleger com votos de qualquer lugar do seu estado. O que determina quantas cadeiras cada partido terá é a soma da votação de legenda e da votação nominal dos candidatos do partido ou coligação. Os mais votados ocupam as vagas. No sistema distrital, cada estado é dividido em um número de distritos equivalente ao de cadeiras no Legislativo. Os partidos apresentam seus candidatos e ganha o mais votado em cada distrito. A condição básica para dividir o mapa é que cada área tenha um número equivalente de eleitores. Os distritos do podem abranger vários municípios pequenos ou grandes municípios podem ser divididos em vários distritos. 8. Lista fechada A proposta de emenda constitucional (PEC) 61/07 - senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) - prevê que o eleitor deve ter o direito a dois votos distintos para eleger deputados federais, estaduais e vereadores. Um desses votos servirá para a escolha de um representante distrital e o outro para o partido da preferência do eleitor, já que metade das vagas em cada casa legislativa seria ocupada por políticos que integrem uma lista fechada de candidatos definida pelos partidos. Metade dos integrantes seria eleita pelo voto da maioria nos distritos. A outra metade sairia das listas partidárias, de forma proporcional. Como já acontece hoje, também seria primeiro necessário apurar o número de votos correspondente a cada cadeira, para se saber qual o número de vagas de cada partido. As vagas ficam com os candidatos que estivessem no alto da lista, até o limite das vagas conquistadas pelos partidos, isoladamente. 9. Redução do mandato dos senadores Encontra-se arquivada, desde 2001, a proposta de emenda à Constituição 56/1999 – de autoria do então senador Maguito Vilela (PMDB-GO). A medida propõe alterar a Constituição Federal para reduzir de oito para quatro anos o mandato de senador e estabelecer a idade mínima de vinte e oito anos como condição de elegibilidade para os cargos de presidente, vice-presidente e senador. 10. Financiamento público exclusivo para campanhas O financiamento público exclusivo para as campanhas eleitorais está previsto no projeto de lei 4634/09, uma das propostas apresentadas pelo Executivo ao Congresso, em fevereiro de 2009, para a reforma do sistema político e eleitoral. Não entrou, porém, na pauta de votação. Atualmente, além dos recursos do fundo partidário, financiado pelo Orçamento e multas eleitorais, os partidos e candidatos podem receber contribuições de eleitores ou empresas. No caso de pessoas físicas, o montante é limitado a 10% dos rendimentos brutos e, para as pessoas jurídicas, a 2% do faturamento bruto no ano anterior à eleição. Pela legislação atual, a dotação orçamentária da União para financiar o fundo partidário é calculada a partir do número de eleitores inscritos em 31 de dezembro do ano anterior ao da proposta orçamentária, multiplicado por R$0,35. O projeto do governo revoga essa sistemática e passa a ser a Justiça Eleitoral a definir a quantidade de recursos a serem destinados a cada eleição, conforme a dotação orçamentária prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA). | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| ELEIÇÕES 2010 | |
| Dilma aumenta vantagem sobre Serra | |
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Segundo pesquisa que dá a Dilma 24 pontos à frente de José Serra, candidata já venceria eleição no primeiro turno
São Paulo. A candidata Dilma Rousseff (PT) aparece na frente na corrida pela Presidência da República, segundo pesquisa Ibope de intenção de voto divulgada ontem. A candidata petista tem 51% das intenções de voto, contra 27% do adversário José Serra (PSDB). De acordo com o Ibope, em terceiro lugar está Marina Silva (PV), com 7%. No levantamento anterior do Ibope, realizado dos dias 12 a 15 de agosto, Dilma tinha 43%, Serra, 32%, e Marina, 8%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos para mais ou menos. Isso indica que Dilma Rousseff pode ter entre 49% e 53% e José Serra, entre 25% e 29%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal "O Estado de S. Paulo". O desempenho de Dilma já se equipara ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2006. Na época, no primeiro turno, o então candidato do PT teve 59% dos votos válidos como teto nas pesquisas. Dilma ultrapassou Serra em São Paulo (42% a 35%) e tem o dobro de votos do adversário (51% a 25%) em Minas Gerais - respectivamente primeiro e segundo maiores colégios eleitorais do País. No Rio de Janeiro, terceiro Estado com a maior concentração de eleitores, a candidata do PT abriu nada menos do que 41 pontos de vantagem em relação ao tucano (57% a 16%). Folga no Nordeste Na divisão do eleitorado por regiões, Dilma registra a liderança mais folgada no Nordeste, onde tem mais que o triplo de votos do rival (66% a 20%%). No Sudeste, ela vence por 44% a 30%, e no Norte/Centro-Oeste, por 56% a 24%. A Região Sul é a única em que há empate técnico: Dilma tem 40% e Serra, 35%. A margem de erro específica para a amostra de eleitores dessa região chega a cinco pontos porcentuais. Mas também entre os sulistas se verifica a tendência de crescimento da petista: ela subiu cinco pontos porcentuais na região, e o tucano caiu nove. Dos demais candidatos à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU), nenhum alcançou 1% das intenções de voto. Em um eventual segundo turno entre a candidata petista e o tucano, o Ibope apurou que a petista teria 55% e Serra, 32%. Na pesquisa anterior, as taxas de Dilma Rousseff e José Serra eram de 48% e 37%.
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| O POVO |
29 de agosto de 2010 |
| POBREZA NO CEARÁ | |
| Do coronelismo ao clientelismo | |
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O período da política cearense conhecido como “mudancista”, com todos os avanços, arrolados pelo professor André Haguette em seu artigo no O POVO de 15/8/2010, “Presidente Lula e Tasso”, foi incapaz de minimizar o quadro de pobreza existente no Estado, numa prova inconteste de que estas gestões estiveram voltadas para atender os interesses das classes abastadas da nossa sociedade.
Os dados referentes à queda da indigência e da pobreza, levantados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Laboratório da Pobreza da Universidade Federal do Ceará, demonstram, claramente, que a melhora destes indicadores não se efetivou com os investimentos realizados pelos “governos das mudanças” mas, sim, com o acesso das pessoas pobres e indigentes aos programas sociais de transferência de renda. A universalização das políticas públicas, através do programas como o Bolsa Família, Programa Nacional de Alimentação Escolar e Programa Nacional de Apoio a Agricultura Familiar, etc. inverteu o quadro de exclusão, nos últimos oito anos, inserindo os pobres no consumo, este sim, é um projeto que muda as estruturas, a partir do circuito inferior da sociedade. Partindo deste argumento, fruto dos estudos realizados em 2010, pelas instituições citadas, pergunta-se a quem serviram as obras da modernidade tassista, que concentrou ainda mais a renda de um estado secularmente afogado numa situação de pobreza e miséria? O Banco do Nordeste, na época dos representantes da modernidade, estava a serviço de poucos empresários, a partir de 2003, prioriza com mais ênfase linhas crédito, para atender o pequeno e médio empresariado. O que dizer do setor primário em que os projetos implementados neste período, beneficiaram, principalmente, o agronegócio, deixando a agricultura familiar relegada a segundo plano. Cabe ressaltar que, a partir dos novos mandatários, aconteceu o esvaziamento e a extinção de dois órgãos fundamentais ao desenvolvimento do setor primário, que foram a Ematerce (empresa que prestava assistência técnica ao pequeno produtor) e a Cepa – Comissão Estadual de Planejamento Agrícola. A tão propalada universalização do ensino médio veio acompanhada da extinção dos cursos profisssionalizantes, da baixa qualidade do ensino e dos baixos salários dos professores, cujo modelo, sacrificou a escola secundária, deixando-a de fora das exigências do século XXI, que é a incorporação do conhecimento técnico, facilitando a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Para o professor Teixeira, restou apenas, a “promessa de libertar o Estado das péias do atraso econômico-social e do conservadorismo político clientelista, embalados pelas ideias das utopias libertárias...libertando a sociedade cearense do mando do poder coronelístico, que fazia da coisa pública,s uma rede privada para a prática da vassalagem política e da troca de favores”. O que na realidade observou-se, nas duas décadas da hegemonia tassista, foi a reprodução de um Estado que concentrou renda e poder, com relações de apadrinhamento e de fidelidade sustentadas pelos defensores do uso racional da máquina estatal. Portanto, diante do contexto em que esteve presente o “governo das mudanças”, resta apenas colocar uma questão pertinente: o caminho perseguido pelos jovens empresários cearenses do Centro Industrial do Ceará, através do seu maior representante, efetivou as mudanças estruturais e sociais de efeitos multiplicadores, como coloca o professor André? As necessárias mudanças estruturais estão para além de um modelo baseado em práticas neoliberais de privatização, concentração de poder, que fortalecem o clientelismo adotadas nestes anos no estado, não contribuindo para um projeto que leve adiante, a realização das reformas agrária, tributária e social. MARINALDO CLEMENTINO BRAGA Economistamarinaldo cbraga@gmail.com | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| EMPREGO | |
| Editorial - Emprego em expansão | |
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Os reflexos da acomodação na produção econômica estão se refletindo, agora, na oferta de empregos. Embora o ritmo tenha sido atenuado, de janeiro a julho deste ano foi criado 1,6 milhão de postos de trabalho formal no País e as projeções asseguram o alcance da meta anual de 2,5 milhões de novas oportunidades de trabalho. O saldo acumulado nos últimos 12 meses corresponde a 2,2 milhões de postos com carteira assinada.
Este resultado é fruto do desempenho da economia, concorrendo para amadurecer o mercado interno e, por essa via, estimular o consumo, escoando a produção industrial e gerando encomendas pela cadeia de comercialização. Essa tendência positiva se faz sentir, ainda, na arrecadação federal, acumulando recordes mês a mês. Nos Estados, a receita do ICMS mantém idêntico comportamento. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, tem sido o melhor termômetro para acompanhar a evolução do mercado ocupacional, especialmente as variações setoriais. O setor de serviços liderou, em julho, a abertura de chances de trabalho formal, com a criação de 61,6 mil vagas, em decorrência do período de férias e a dinamização dos serviços de hotelaria, bares, restaurantes e transporte urbano. A indústria de transformação, em que há predomínio dos melhores salários, concorreu com 41,5 mil vagas. Este segmento sempre lidera a oferta, mas, naquele mês, houve uma inversão, ganhando os serviços. A maior remuneração na indústria decorre da exigência de mão-de-obra especializada. Só a construção civil foi responsável pela oferta de 38,4 mil empregos diretos. Esse aquecimento do segmento imobiliário resulta da vasta oferta de financiamento para a produção e a aquisição de imóveis novos. Uma particularidade extraída dos registros do Caged comprova o ciclo favorável na oferta de trabalho alcançando todas as regiões. No Sudeste, com 90,9 mil postos, seguido pelo Nordeste, com 40,7 mil. No Sul, a oferta foi a melhor para a temporada, com 27,7 mil vagas. O Norte registrou a abertura de 12 mil empregos e o Centro-Oeste, de 10,6 mil. Essa variedade observa a tendência dos investimentos públicos e dos empreendimentos privados em curso. Efeito dessa conjuntura favorável no mercado de trabalho, a taxa de desemprego, em julho, na Região Metropolitana de Fortaleza caiu. A ocupação cresceu, pela terceira vez consecutiva, contabilizando 81 mil novos empregos. Os serviços e a construção civil lideram essa oferta. Ainda assim, a taxa de desemprego se fixou em 10,2%. Aos poucos, a questão estrutural de emprego formal no Ceará começa a ser mitigada, embora a falta de qualificação adequada à demanda leve o Estado a recorrer ao mercado externo em busca de profissionais altamente qualificados. Entre 2006 e 2010, aportaram no Ceará 1.454 trabalhadores especializados vindos de todos os continentes. Vieram suprir a mão-de-obra técnica ainda inexistente, procedentes sobretudo da Itália, Portugal, França, Espanha e da América do Norte. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
29 de agosto de 2010 |
| TRANSPORTE FERROVIÁRIO E RODOVIÁRIO | |
| Transportes | |
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O Brasil caiu no erro de substituir totalmente o transporte ferroviário pelo rodoviário. Hoje, trafegam pelas nossas estradas carretas transportando toneladas de produtos diversos arrebentando os respectivos asfaltos a ponto de deixarem-nos aos frangalhos. Em consequência, não dispõe o governo de verbas para estar sempre reparando as nossas rodovias, e, em vista de se acharem quase em petição de miséria, acidentes e mais acidentes se dão quase todos os dias, deixando sempre centenas de mortos e feridos. Seria bom voltássemos ao sistema misto, ou seja, de trens, caminhões e até mesmo de navios. Só assim os acidentes, as mortes, e os estragos em nossas estradas, não seriam tantos, com a vantagem de fretes mais baratos. O bom senso recomenda que fosse dado prioridade ao transporte ferroviário, restaurando os velhos caminhos. Agora, apenas terá sentido se tudo partir da iniciativa privada, pois, antes era estatal. E por isso mesmo, superlotaram de empregados a ponto de a nossa RVC ter, nos seus quadros, nada meno
s de três mil servidores, sendo que só dispunha de uns 10 comboios ferroviários. E o mar? Ah! essa imensidão d´água que encantava as nossas vistas, da qual ainda hoje temos saudade, é uma estrada natural que dispensa quaisquer despesas com reparos. O Lloyd dispunha de vários navios, e também, por ser estatal, cada um tinha uma superlotação. Por isso mesmo faliu. Ademais, tínhamos a classe ITA, constituída de navios mistos, ou seja, conduziam passageiros e cargas. Saíam de Belém e iam até Porto Alegre. Era até divertido para quem quisesse fazer turismo interno. Isto é, como sempre passeava pelas principais capitais do País, quem quisesse embarcava em Fortaleza, e podia ir até a capital que pretendia desembarcar, visitando aquelas por onde teria que passar com uma demora de dois dias, tendo o navio como hotel, posto que na passagem estava incluído tudo. Esses navios seguiam as nossas costas, por isso a empresa era chamada costeira. Veio a II Guerra Mundial, tendo os submarinos de Hitler começado a torpedear os nossos navios. E, por isso, acabou. Por que os nossos empresários não se dispõem a reiniciar tudo? Edgar Carlos Amorim - escritor e jurista | |
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