Fortaleza, CE - domingo, 31 de janeiro de 2010

AIRM - ASSESSORIA DE IMPRENSA E RELAÇÕES COM A MÍDIA - UNIDADE DE CLIPPING


FIEC
- Edilmar Norões - CIC comemora

SESI
- Sesi recruta: Analista
- Sesi recruta: Analista

SENAI
- Correios abre 4.355 vagas para jovens aprendizes
- Pop Cursos - SENAI- CETAFR
- Pop Cursos - SENAI - CFP AUA
- Senai recruta: Assistente Técnico
- Senai recruta: Advogado
- Cursos - Senai - Cetafr
- Cursos - Senai Certrem
- Cursos - Senai - Cetae
- Cursos - SENAI - CFP AUA

IEL
- Estágios - IEL

AGRONEGÓCIO
- Instituto Agropolos certifica fruta cearense

CNI
- Bolsa S/A - De mãos dadas

COMBUSTÍVEL
- Petrobras reconhece vazamento de licitação

EMPREENDEDORISMO
- Como ser um empreendedor de sucesso

EMPRESAS
- Burocracia e corporativismo atrasam progresso do Ceará

FONTES ALTERNATIVAS DE ENERGIA
- Brasil deve substituir térmicas por eólicas

INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS
- Padetec descobre massa pré-pronta

INDÚSTRIA DE SORVETE
- Lêda Maria - Adocicando a vida e o calor...

INFRA-ESTRUTURA
- Política - Debater é preciso
- Presidente pede ação do Governo
- Projetos no Pecém já estimulam a economia

MEIO AMBIENTE
- Aguapés evidenciam poluição no Cocó
- Abraço simbólico contra a poluição do riacho Maceió

SEBRAE
- Alan Neto - ALTO ASTRAL

TRIBUTAÇÃO
- Ceará é mais autônomo em relação às transferências

TURISMO
- O novo Centro de Turismo


DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
CIC - PALESTRA COM MAÍLSON DA NOBREGA
Edilmar Norões - CIC comemora
O calendário de eventos para as comemorações dos 90 anos do CIC será encerrado com a palestra do economista e ex-ministro Maílson da Nóbrega, que abordará o tema: "Perspectivas da Economia Brasileira". Nesta segunda-feira, 18h30, na Fiec.
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS
Sesi recruta: Analista
Sesi recruta: Analista

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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS
Sesi recruta: Analista
Sesi recruta: Analista

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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
JOVEM APRENDIZ
Correios abre 4.355 vagas para jovens aprendizes
Esse é o número de vagas abertas para todo o País. Do total, 80 são destinadas a Fortaleza e 17 para Juazeiro do Norte. Podem se inscrever pessoas entre 14 e 21 anos completos, cursando ou com Ensino Fundamental completo

A partir do dia 8 de fevereiro, os Correios vão receber inscrições para o processo seletivo nacional que vai preencher as 4.355 vagas do Programa Jovem Aprendiz. Para participar da seleção, que vai até o dia 26 de fevereiro, é preciso ter idade entre 14 e 21 anos completos, ter concluído ou estar cursando o Ensino Fundamental e pagar uma taxa de R$ 10. Segundo informa a assessoria, 5% das vagas são destinadas a portadores de deficiência, não havendo para eles limite máximo de idade para participar do processo seletivo.

A inscrição deve ser no site www.correios.com.br/institucional/concursos/correios ou nas agências de Correios listadas no edital (também disponível no site citado). No ato da inscrição, o candidato deve apresentar original do documento de identidade e declaração assinada pelo pai ou responsável autorizando a participação, se menor de 18 anos. A data e os locais das provas serão divulgados no Diário Oficial da União, no site dos Correios e nas agências onde foram realizadas as inscrições.

Os aprovados serão contratados por um período de dois anos, com jornada de quatro horas diárias ou 20 horas semanais, das quais oito serão destinadas à formação técnico-profissional em Auxiliar Administrativo, com aulas ministradas nas escolas do Senai. Nas horas semanais restantes, serão feitas atividades de iniciação profissional desenvolvidas nas unidades administrativas dos Correios.

O aprendiz terá direito a um salário mínimo-hora (aproximadamente metade de um salário mínimo, o que, neste mês de janeiro, equivale a R$ 282,50); vale-transporte (de acordo com a legislação vigente); vale-alimentação ou refeição (atualmente R$ 240,35) e atendimento médico e odontológico em ambulatórios internos da empresa.

SERVIÇO
Em Fortaleza, as inscrições podem ser feitas na Agência Central, que fica na rua Senador Alencar, nº 38, Centro. E, em Juazeiro do Norte, na agência da rua da Conceição, nº 354, Centro.


E-MAIS

> Na etapa de comprovação de requisitos, se aprovado e convocado para contratação, o candidato que completou o ensino fundamental deve apresentar o original do certificado ou diploma de conclusão.

> Caso ainda esteja cursando o ensino fundamental, o candidato deve apresentar declaração original, emitida dentro de um prazo de 30 dias, que comprove estar matriculado e frequentando a escola.
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
CURSOS
Pop Cursos - SENAI- CETAFR
Av. do Contorno, 1395 - Distrito Industrial de Maracanaú. Telefone: 3421.5005/ 5001

> Pneumática (40h)
Período: 1 a 12/fev - Horário: 8h as 12h ou Período: 1 a 23/fev - Horário: 18h as 21h -
Investimento: R$ 103 - Requisitos: A partir de 16 anos, Ensino Fundamental Completo.

> Eletricidade Básica (60h)
Período: 1 a 24/fev - Horário: 8h as 12h ou Período: 1 a 24/fev - Horário: 14h30 as 17h30 - Investimento: R$ 160 - Requisitos: A partir de 16 anos, Ensino Fundamental Completo.

> Comandos Elétricos (80h)
Período: 22/fev a 29/mar - Horário: 18h as 21h - Investimento: R$ 300 - Requisitos: A partir de 16 anos, Ensino Fundamental Completo e Eletricidade Básica.

> Eletrônica Linear (80h)
Período: 1/fev a 3/mar - Horário: 8h as 12h ou Período: 1/fev a 11/mar - Horário: 18h as 21h - Investimento: R$ 290 - Requisitos: A partir de 16 anos, Ensino Fundamental Completo e ter cursado Eletricidade Básica

> Eletrônica Digital (80h)
Período: 15/mar a 13/abr - Horário: 8h as 12h ou Período: 15/mar a 22/abr - Horário: 18h as 21h - Investimento: R$ 340 - Requisitos: A partir de 16 anos, Ensino Fundamental Completo e ter cursado Eletrônica Linear.

> CLP - Controladores Lógico Programáveis (60h)
Período: 22/fev a 12/mar - Horário: 8h as 12h ou Período: 22/fev a 19/mar - Horário: 18h as 21h - Investimento: R$ 270 - Requisitos: A partir de 16 anos, Ensino Fundamental Completo.

> Metrologia Dimensional (40h)
Período: 1 a 12/fev - Horário: 8h as 12h ou Período: 1 a 22/fev - Horário: 18h as 21h - ou Período: 1 a 17/mar - Horário: 18h as 21h - Investimento: R$ 118 - Requisitos: A partir de 16 anos, Ensino Fundamental Completo

> Desenho Técnico (60h)
Período: 1 a 19/mar - Horário: 8h as 12h ou Período: 22/mar a 12/abr - Horário: 18h as 21h - Investimento: R$ 115 - Requisitos: A partir de 16 anos, Ensino Fundamental Completo.
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
CURSOS
Pop Cursos - SENAI - CFP AUA
Av. Padre Ibiapina, 1280 - Jacarecanga. Telefone: (85) 3421.5300/ 3421.5303 - Fax: (85) 3421.5314

> Soldador – (Solda elétrica e Oxiacetileno) (160 h)
Período: 3/fev a 6/abr - Horário: 13h as 17h - Investimento: R$ 640

> Comandos Pneumáticos (40h)
Período: 22/fev a 11/mar - Horário: 18h30 as 21h30 - Investimento: R$ 105

> Informática Básica (60h)
Período: 1 a 29/mar - Horário: 18h30 as 21h30 - Investimento: R$ 190
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS
Senai recruta: Assistente Técnico
Senai recruta: Assistente Técnico

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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS
Senai recruta: Advogado
Senai recruta: Advogado

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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
CURSOS
Cursos - Senai - Cetafr
Avenida do Contorno, 1395, Distrito Industrial, Maracanaú
Tel.: (85) 3421-5005

Pneumática

Período: 01/02 a 12/02/2010
Investimento: R$ 103,00
Informações: é requisito ter, no mínimo, 16 anos e Ensino Fundamental completo. Turma das 8h às 12h; carga de 40 horas / aula.

Eletricidade Básica

Período: 01/02 a 24/02/2010
Investimento: R$ 160,00
Informações: é requisito ao candidato interessado ter, no mínimo, 16 anos e Ensino Fundamental completo. Turma das 8h às 12h; carga de 60 horas / aula.

Comandos Elétricos

Período: 22/02 a 29/03/2010
Investimento: R$ 300,00
Informações: é requisito ter, no mínimo, 16 anos, Ensino Fundamental completo e curso de Eletricidade Básica. Turma das 18h às 21h; carga de 80 horas / aula.

Eletrônica Linear

Período: 01/02 a 03/03/2010
Investimento: R$ 290,00
Informações: é requisito ter, no mínimo, 16 anos, Ensino Fundamental completo e curso de Eletricidade Básica. Turma das 8h às 12h; carga de 80 horas / aula.
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS
Cursos - Senai Certrem
Núcleo de Atendimento ao Cliente (NAC) - Tel.: (85) 3421-5104

Boas Práticas de Fabricação (BPF)

Período: 08/02 a 11/02/2010
Investimento: R$ 65,00
Informações: é requisito ser profissional ou acadêmico dos cursos de Nutrição, Engenharia de Alimentos, Economia Doméstica ou áreas afins. Turma das 13h às 17h; carga de 16 horas / aula.

Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC)

Período: 22/02 a 26/02/2010
Investimento: R$ 75,00
Informações: é requisito ao candidato curso de Boas Práticas de Fabricação (BPF). O horário da turma é de 13h às 17h; carga de 20 horas / aula.
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
CURSOS
Cursos - Senai - Cetae
Rua Júlio Pinto, 1873, Jacarecanga
Tel.: (85) 3421-5200

Treinamento de Cipa
Período: 01/02 a 05/02/2010
Investimento: R$ 80,00
Informações: aos interessados, turma das 13h às 17h. A carga total é de 20 horas / aula.

Interpretação da NBR ISO 9001
Período: 01/02 a 05/02/2010
Investimento: R$ 145,00
Informações: aos interessados, turma das 18h às 22h. A carga total é de 20 horas / aula.
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS
Cursos - SENAI - CFP AUA
Av. Padre Ibiapina, 1280, Jacarecanga Tel.: (85) 34215300 / 34215303

Montagem e Manutenção de Computadores
Período: 02/02 a 16/03/2010
Investimento: R$ 264,00
Informações: aos candidatos interessados, turma disponível das 13h às 17h ou das 18h30 às 21h30, às terças e quintas-feiras. A carga total é de 45 horas / aula.

Informática Básica

Período: 01/03 a 29/03/2010
Investimento: R$ 190,00
Informações: aos candidatos interessados, turmas das 18h30 às 21h30. A carga total do curso é de 60 horas / aula.

Soldador

Período: 03/02 a 06/04/2010
Investimento: R$ 640,00
Informações: aos candidatos interessados, turma disponível das 13h às 17h. O curso possui carga de 160 horas / aula e tem foco na solda elétrica e oxiacetileno.
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
ESTÁGIOS
Estágios - IEL
Administração

Vagas: 01
Remuneração: R$ 400,00
Seleção: IEL
Informações: é requisito conhecimento intermediário em Excel e Word, já ter cursado as disciplinas de Contabilidade Geral e Matemática Financeira, além de conhecimento na HP12C. Oportunidade ainda oferece auxílio transporte no valor de R$ 1,60.

Biblioteconomia

Vagas: 01
Remuneração: R$ 400,00
Seleção: IEL
Informações: é requisito ao candidato conhecimento comprovado em informática e cursar a partir do 7º semestre. A carga é de 20 horas semanais, das 8h30 às 12h30.

Ciências Atuariais

Vagas: 01
Remuneração: R$ 543,00
Seleção: IEL
Informações: candidato interessado na oportunidade deve possuir conhecimento intermediário em Excel e SPSS. Vaga ainda dá direito a auxílio transporte e almoço no local. Empresa localizada no Eusébio.

Pedagogia

Vagas: 01
Remuneração: R$ 150,00
Seleção: IEL
Informações: é requisito conhecimento em expressão corporal, postura e habilidade em trabalhos comunitários. Estágio das 8h às 11h, com direito a auxílio transporte e lanche.

Psicologia

Vagas: 01
Remuneração: R$ 354,00
Seleção: IEL
Informações: para concorrer a vaga, candidato deve ter concluído as disciplinas de Testes Psicológicos II, Técnicas de Dinâmicas de Grupo e Seleção por Competência. Ainda dá direito a auxílio transporte, vale-alimentação no valor de R$ 220,00, além de plano de saúde e odontológico.

Direito

Vagas: 02
Remuneração: R$ 581,00
Seleção: IEL
Informações: vaga para estudantes do ProUni. Estágio das 7h30 às 11h30 ou das 13h30 às 17h30, ainda dá direito a auxílio transporte no valor de R$ 66,00. É requisito conhecimento básico de informática.

Educação Física

Vagas: 02
Remuneração: R$ 200,00
Seleção: IEL
Informações: oportunidade requer conhecimento em danças folclóricas e habilidade em trabalhos comunitários. O horário do estágio é das 8h às 11h e das 13h30 às 16h30. Ainda dá direito a auxílio transporte e lanche.

Arquitetura

Vagas: 02

Remuneração: R$ 5,00*
Seleção: IEL
Informações: *valor por hora estagiada. A oportunidade exige conhecimento em Autocad e Corel Draw, além de estar cursando a partir do 2º semestre. O estágio tem carga de 25 horas semanais e auxílio transporte.

Técnico em Edificações

Vagas: 01
Remuneração: R$ 400,00
Seleção: IEL
Informações: é requisito ao candidato interessado conhecimento avançado em Autocad. Estudantes do 1º semestre já podem participar da seleção. Vaga ainda oferece auxílio transporte.

IEL
Av. Barão de Studart, 1980, Sobreloja, Aldeota - Tel: (85) 3421- 6511
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
AGROPOLOS - FRUTICULTURA
Instituto Agropolos certifica fruta cearense
Melões produzidos pela Agrícola Famosa no Ceará têm selo de qualidade para o mercado europeu

Com oito unidades de produção que ocupam 12 mil hectares no Ceará e no Rio Grande do Norte, a Agrícola Famosa, uma das maiores exportadoras brasileiras de frutas, acaba de conquistar a certificação de qualidade do Instituto Agropolos do Ceará, que desde 2008 é parceira da famosa certificadora holandesa MPS-ECAS, uma das mais acreditadas do mundo, com representantes em 50 países. O melão produzido pela Famosa e exportado para a Europa e os EUA têm, assim, o selo de qualidade que lhe garante trânsito livre nos mercados europeus. "A certificação, além de ser um diferencial no mercado, implica melhoria da qualidade do produto, diminuição dos impactos ambientais e redução de custos", explica a agrônoma Maria Tereza Albuquerque, da Agrícola Famosa, cuja produção de melão alcançou, na safra de 2009, a marca de 86 mil toneladas, das quais 85% destinadas à exportação. A importância da certificação na conquista de novos mercados, segundo ela, deve-se ao fato de o selo de qualidade ter uma forte imagem, tanto no âmbito
interno quanto no externo, "já que os consumidores buscam produtos de boa qualidade e preço justo". Assim, desde 2003 as exportações de melancia e banana da Agrícola Famosa têm o atestado de que todas as etapas do processo de produção cumprem rigorosamente as normas definidas pelo mercado internacional.

O processo de certificação inclui a etapa inicial de orientação dos produtores para o correto cultivo das frutas, cujo procedimento é auditado na fase seguinte. Os relatórios são encaminhados à matriz da MPS na Holanda. Se tudo estiver conforme as severas exigências da MPS, a certificação é emitida. "O acompanhamento das etapas do processo de produção confere ao produtor um registro do cumprimento dos padrões da certificadora e garante ao importador a certeza de que os produtos - flores, frutas, camarões ou tomates - foram cultivados de acordo com os requisitos estabelecidos pelo mercado comprador", diz o presidente do Instituto Agropolos, Marcelo Pinheiro.
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
SONDAGEM INDUSTRIAL
Bolsa S/A - De mãos dadas
Por Lisiane Mossman

O Brasil venceu várias etapas. O País se transformou em uma economia industrializada e recentemente foi incluído em todas as listas das futuras potências mundiais. Na abertura do 40º Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, aparece como a bola da vez. A percepção dos especialistas é que os países em desenvolvimento apresentam hoje menos problemas do que as nações desenvolvidas.

O reflexo desta conjuntura foi confirmada por uma pesquisa da PriceWaterhouseCoopers em que aponta o executivo brasileiro como o mais disposto a contratar mão de obra em 2010. Pelo levantamento, 61% dos empresários disseram que vão expandir o quadro de funcionários, contra 40% da média mundial.

Num cenário de crescimento econômico de 5% para este ano, a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra também otimismo no setor no início de 2010 e atinge o maior valor da série histórica com 62,9 pontos. O índice supera em 23,2 pontos o valor registrado em janeiro do ano passado, quando o indicador atingiu seu menor valor por causa da crise internacional.

O boom das commodities, a expansão da classe média e a descoberta de petróleo no pré-sal também favorecem o salto brasileiro. No entanto, o sistema educacional fraco mina sua capacidade de competir no longo prazo. E já se sente falta de mão de obra qualificada. Pesquisa da Unesco, um braço da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgada recentemente, mostra que o Brasil perdeu 12 posições no índice de educação. A queda, do 76º para o 88º lugar entre 128 países, ocorreu em razão da piora no índice de crianças que chegam até a quarta série. Segundo a Unesco, de 80,5%, em 2005, o percentual caiu em 2007 para 75,6%. Índices que revelam que a formação básica brasileira não anda bem. E para garantir avanço e desenvolvimento sustentável, economia e educação precisam estar de mãos dadas.
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
PETROBRÁS
Petrobras reconhece vazamento de licitação
A Petrobras reconheceu, oficialmente, que houve vazamento das três primeiras colocadas -e potenciais vencedoras- na disputa pela conta publicitária da estatal, de R$ 250 milhões anuais.

Em nota, a estatal admite que um site especializado antecipou o nome das três agências -Heads, Dentsu e Quê- no final da manhã de ontem e que o anúncio oficial estava programado para a tarde do mesmo dia.

A estatal alega, porém, que a divulgação ``não altera nem invalida o processo licitatório``, sob o argumento de que a análise das propostas técnicas aconteceu três dias antes do vazamento. A nota não esclarece como o nome das agências foi divulgado, já que as propostas técnicas eram apócrifas e identificadas por números.

``A análise técnica das propostas foi concluída no dia 25/ 1. Os convites para as agências foram emitidos no dia 26/1 para o anúncio das notas na tarde do dia 28/1. Um site especializado publicou no final da manhã do dia 28/1 as três agências mais bem colocadas. A Petrobras ressalta que esta divulgação foi posterior à conclusão da análise técnica``, justifica.

O processo de escolha foi alvo de protesto já na tarde de ontem: 15 das 18 agências concorrentes registraram em ata que o resultado foi publicado por um site especializado às 11h51m, duas horas antes do horário previsto para o anúncio. ``Esse fato indica que houve identificação das licitantes anteriormente à realização do presente ato, em desacordo com as regras do edital e o modelo apócrifo nele previsto``, registrou-se em ata.

``Outro ponto de muita importância é que a abertura do envelope contendo as propostas técnicas não se deu em sessão pública, não tendo sido dada oportunidade para que os representantes das licitantes conhecessem e rubricassem o conteúdo de cada proposta apócrifa anteriormente ao seu julgamento``, diz.

Hoje mesmo, agências derrotadas acionaram seus departamentos jurídicos e ameaçam recorrer administrativa e judicialmente. Uma das hipóteses é acionar o TCU (Tribunal de Contas da União), a exemplo do que que aconteceu no Ministério da Previdência.

As propostas técnicas foram elaboradas segundo o mesmo padrão tipográfico e entregues num saco fornecido pela Petrobras. Pelo modelo, o número do lacre, sob a guarda do representante da agência, seria a única forma de atestar sua autoria.

A própria Petrobras afirma, na nota, ``que o número do lacre era de conhecimento exclusivo de cada agência``. A Petrobras diz que ``o certame prossegue com a análise da capacidade de atendimento e dos cases apresentados pelas agências participantes da licitação (valendo 30 pontos)``.
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
COMO SER UM EMPREENDEDOR DE SUCESSO
Como ser um empreendedor de sucesso
Além de ter boas ideias, é importante que o empresário entenda como gerenciar seus negócios. Aprenda ao longo das próximas páginas estratégias para se tornar um empreendedor de sucesso

Várias mulheres com trajetórias de vida diferentes. Em comum, o gosto pela moda e o perfil empreendedor. A elas não falta talento. Entre máquinas de costuras, moldes e muitos tipos de linhas e tecidos, as microempresárias do bairro Bom Jardim produzem e comercializam peças como blusas, calças, vestidos, shorts, saídas de banho, biquínis, bolsas infantis, redes, roupas de cama e até mortalhas.

Criativas e empreendedoras elas são, mas faltava o apoio técnico para tornar suas ideias em negócios sustentáveis. ``Nós não sabíamos calcular os preços dos nossos produtos. Antes nós tínhamos prejuízo``, explica a produtora de blusas masculinas, Gerusa de Sousa Coelho.

Juntas na associação denominada Confecciune, ``uma mistura de confecção e união``, como explica Gerusa, também presidente da entidade, as vinte e duas pessoas participantes se distribuem entre dez pequenas fábricas que funcionam em suas próprias casas.

Cada uma delas tinha sua pequena empresa e há um ano resolveram se unir para potencializar seus negócios. ``Nosso objetivo é que a gente se organize, se capacite. O que nós queremos é nos fortalecer``, destacou Gerusa. Ela lembrou que as empresárias pretendem criar uma Central de Vendas onde possam ser encontrados os produtos comercializados por todas.

Apoio para crescer
As empreendedoras buscaram assistência do Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas do Ceará (Sebrae-CE) e estão sendo acompanhadas pelo programa Sebrae nos Bairros. Elas foram capacitadas e aprenderam técnicas de empreendedorismo, associativismo e gestão comercial e começaram a entender como se tornar empreendedoras de sucesso.

O acompanhamento deve se estender por mais dois anos. ``O pequeno se juntando se torna grande``, completou Maria de Fátima Lopes, que confecciona shorts masculinos.

A primeira lição que as empreendedoras aprenderam com a associação foi a união. Elas começaram a se ajudar mostrando e recomendando o produto umas das outras. ``Passamos a encarar as outras confecções não como concorrentes, mas como aliadas``, acrescentou Gerusa.

Outro ponto positivo, segundo elas, é que foi possível sair do anonimato, além de conseguirem se posicionar melhor na empresa. ``Aprendi que eu não posso querer fazer tudo só. Agora eu dou mais responsabilidades aos funcionários e vou me capacitar``, destacou a produtora de modinhas, Antonia Albuquerque. ``Eu não sabia vender direito, cuidar bem do cliente``, completou Maria de Fátima.

Depois da criação da associação, elas já fizeram desfiles de moda e conseguiram desenvolver ações para beneficiar a sociedade, como arrecadação de alimentos e brinquedos e consultas médicas. ``E nós não fizemos nenhum empréstimo ainda. Estamos caminhando com nossas próprias pernas. Quando nós estamos tendo algum problema sabemos que há algo errado e vamos lá consertar``, disse orgulhosa Gerusa.

Para crescer
Como as empresárias da associação no começo da história, muitas micro e pequenas empresas no Ceará não têm noção de gestão e empreendedorismo sustentável. Dos 123.296 empreendimentos desse tipo no Ceará, segundo dados da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (Sefaz-CE), muitas fecham antes dos cinco anos.

As principais causas das dificuldades e razões para o fechamento das empresas, apontadas na pesquisa ``Fatores Condicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil``, realizada pelo Sebrae em 2004, são em primeiro lugar com 42% dos votos, a falta de capital de giro.

Em segundo aparece a falta de clientes (25%), os problemas financeiros (21%) e maus pagadores (16%).


SUCESSO EMPRESARIAL
Não existe fórmula mágica para alcançar o sucesso empresarial. É importante analisar o mercado, o público-alvo e, nos casos dos micro e pequenos empresários, buscar apoio para se desenvolver.

Sebrae nos Bairros

Para cumprir a missão de ``promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável das MPE (micro e pequenas empresas) e fomentar o empreendedorismo``, o Sebrae dispõe de um portfólio de ações, para atender de forma segmentada o potencial empreendedor, o candidato a empresário, empresas de 0 a 2 anos e empresas com mais de 2 anos, com a oferta de produtos/serviços específicos, de acordo com a realidade de cada categoria. Segundo a articuladora da Unidade de Atendimento Integrado do Sebrae, Juniar Ellyan, para atender associações de moradores como a Confecciune, a instituição conta com o Programa Sebrae nos Bairros. O objetivo é fomentar o empreendedorismo e estimular o associativismo empresarial.

``O Programa Sebrae nos Bairros visa promover o desenvolvimento local e territorial, considerando os fatores sociais, econômicos, ambientais e político-institucionais``, destacou.

Será que eu posso?

``Antes eu pensava: será que eu posso? Hoje eu sei que eu posso``. A frase entusiasmada da produtora de modinha Antonia Albuquerque mostra que hoje ela se considera muito mais capacitada para enfrentar o mercado e se estabelecer.

Antonia produz as peças exclusivas por encomenda e chega a confeccionar mais de 2 mil itens por mês. Ela vende seus produtos a duas fábricas de confecção na cidade, além de comercializar para pessoas físicas do próprio bairro.

Ela começou fazendo roupinhas para a filha e hoje mantém a casa sozinha e sustenta dois filhos com o dinheiro que arrecada. Suas duas fábricas têm seis funcionários e dez máquinas de costura.

Investimento na qualidade
Para se estabelecer no concorrido mercado de imóveis, a rede cearense Viva Imóveis investiu em capacitação dos funcionários e em campanhas de publicidade

Vender imóveis não é o principal compromisso que a empresa cearense Viva Imóveis tem com seu público. ``Nosso foco é na qualidade dos serviços prestados. Queremos ser percebidos como uma empresa de qualidade``, completou o sócio majoritário da empresa, Paulo Angelim.

O empresário explicou que se um cliente procurar a empresa e entre os imóveis disponíveis não houver nenhum que o agrade, os cerca de 150 corretores estão preparados para buscar outras opções nas demais imobiliárias. ``É preferível perder uma venda que um cliente. Perder uma venda por falta de atendimento, isso sim é inadmissível``, explicou.

A Viva é a segunda maior do mercado de imóveis em Fortaleza e congrega em torno de 10% do volume de lançamentos. A empresa faz parte de associações como Ceará Rede Imóveis, Rede Imobiliária Cearense (Ric) e Rede de Corretores Autônomos do Ceará (RCA). Angelim explicou que essa prática de indicar outras imobiliárias caso o cliente não se satisfaça com os bens oferecidos é comum no setor. ``É cada vez mais forte a necessidade de que a gente se componha. Quanto mais rápido vendermos, mais rápido teremos novos lançamentos``, explicou.

O mercado de imóveis está crescendo muito pelo aquecimento do nível de atividade e facilidade de crédito. Todas as classes sociais são beneficiadas. O crescimento chega a 40% ao ano e não se vislumbram turbulências para os próximos seis ou sete anos.

Para ter qualidade e se diferenciar das demais, segundo Angelim, é necessário que os profissionais conheçam os produtos, o mercado e o público-alvo. Por isso, os colaboradores passam por dois treinamentos semanais nas áreas de motivação, produtos e vendas. A empresa investe ainda em estratégias de divulgação através de mala direta, telemarketing, além de distribuição de folders e panfletos e sorteios.

Os clientes em geral não sabem exatamente o que procuram em um imóvel. ``A única coisa que o cliente sabe é o que ele não quer e isso ainda é frágil``, destacou Angelim. Ele explicou que o perfil do comprador vai sendo descoberto a partir do atendimento e das opções que lhe são colocadas.

O começo
A empresa surgiu há seis anos. Apesar do pouco tempo de existência, um diferencial para o crescimento da Viva, segundo Angelim foi a experiência de mercado do corpo gerencial. Os quatro diretores e sócios tomam decisões conjuntas e têm em média 20 anos de mercado.

Angelim começou a trabalhar com marketing antes de criar a Viva. Ele atuava como consultor nas áreas de vendas e motivação e com sua experiência identificou que o consumidor demandava corretores mais preparados e que pudessem agregar valor com conhecimento sobre mercado, produto e vendas, estando preparados para responder perguntas sobre financiamento e documentação necessária, por exemplo. (Teresa Fernandes)


RELACIONAMENTO
É importante ter stakeholders ou redes de relacionamento firmes para que os objetivos possam ser alcançados.


E-Mais

Passos para ser um empreendedor de sucesso

> 1º passo: Como consultor de marketing, Paulo Angelim explicou que é necessário gostar muito do mercado em que se quer atuar e entender desse setor.

> 2º passo: Além disso, é preciso ousadia para fazer algo diferenciado. ``As empresas que se estabeleceram e ganharam mercado foi pela inovação. A própria fonte de inspiração é o cliente``, completou. Ele disse ainda que é necessário pautar as decisões muito mais pelas necessidades dos clientes do que pela concorrência.

> 3º passo: Contar com uma equipe qualificada é muito importante porque ``não dá para crescer sozinho``.

> 4º passo: Ter como pilares os clientes e os colaboradores.

>5º passo: Ter valores e cultura para que as pessoas possam se identificar.

Sem fórmula certa
Não existe fórmula mágica para alcançar o sucesso dos negócios. O segredo do bom empreendedor ainda é escolher em que área atuar e conhecer bem o mercado e as necessidades dos seus consumidores

Criar um negócio e ser seu próprio patrão é o sonho de muitas pessoas. No entanto, além do medo de se arriscar e perder dinheiro, a falta de conhecimento de mercado faz com que muitas pequenas empresas fechem antes de cinco anos de existência. Existe fórmula mágica para se estabelecer no mercado e continuar fazendo sucesso mesmo depois de vários anos? Os estudiosos da área dizem que não. O segredo é escolher em que área atuar e conhecer bem o mercado e as necessidades dos consumidores.

Para o professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), agente de mercado do Sebrae e consultor, Wilson Lins, todos podem ser empreendedores, mas ainda não há uma orientação para isso. ``As pessoas não são orientadas a arriscar. As famílias estão sempre procurando segurança``, afirmou. Ele criticou que a educação familiar e a escolar muitas vezes impulsionam as pessoas a serem empregadas e não empreendedoras.

No entanto, segundo Lins, a solução para o emprego no Brasil é de fato o investimento em ideias empreendedoras e bem estruturadas. ``O empreendedorismo vai ser tão forte para o século XXI como a Revolução Industrial foi para o século XIX``, afirmou.

Observação
O principal na hora de escolher o melhor negócio em que trabalhar é observar as características pessoais e as vocações. ``Fazemos melhor aquilo que gostamos de fazer``, destacou o empresário Erisvaldo Melo Lima. Segundo ele, à medida que se descobre suas próprias potencialidades, é necessário fazer um estudo de marketing para identificar necessidades ainda não satisfeitas e criar desejos. ``O empreendedor encontra no problema uma oportunidade para desenvolver um grande projeto``, acrescentou.

Além de ter uma vocação empreendedora, o grande desafio é ``transformar um produto em algo viável comercialmente``, apontou Lins. Para isso, de acordo com o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do grupo de estudos de empreendedorismo e inovação, Fernando Sabóia, é necessário conhecer bem o mercado em que quer atuar e saber se de fato há um público-alvo para absorver o produto.

É importante ainda ter stakeholders ou redes de relacionamento firmes para que os objetivos possam ser alcançados. Acreditar no que faz e ter persistência, ensina Lins. ``Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima``, brincou lembrando o dito popular. É importante ainda definir as necessidades do público-alvo e ser persuasivo para buscar o financiamento da ideia.

Visão Gerencial
``Muitas vezes o empreendedor é criativo, mas não tem uma visão de negócio``, lembrou o professor Lins. Por isso, mesmo os donos das melhores ideias precisam buscar ajuda estratégica no caso de não ter experiência na área de gestão do negócio. O Sebrae, segundo ele, orienta a fazer o produto, a produzir, fornecer e atuar na área comercial. Ele acrescentou que é necessário ser orientado para uma formação comercial e de gestão.

O baixo nível de informação é também um entrave para os pequenos negócios, que não podem identificar adequadamente informações gerenciais sobre o seu público-alvo. Como normalmente não têm recursos para a compra de softwares específicos, a criação de simples bancos de dados já minimizam o problema.


LEIA AMANHÃ
Conheça a história de sucesso da lanchonete Top& # 39;s, que conquistou um novo nicho de mercado.


SETORES QUE MAIS CRESCEM
> Novas mídias, agronegócio e turismo são algumas das áreas que mais crescem no Brasil, segundo o professor Fernando Sabóia. Ele explicou que é necessário observar essas áreas para encontrar necessidades ainda não atendidas. O professor lembrou que no Ceará as fronteiras agrícolas ainda estão pouco exploradas.

> O econegócio, que leva em consideração a relação sustentável com o meio ambiente, e o empreendedorismo social são outras vertentes em crescimento. O aspecto social é observado em negócios como Organizações Não-Governamentais (ONGs). ``Temos empreendedores que têm um papel importante a fazer nessa linha``, destacou.

> A evolução do turismo também tem trazido muitas oportunidades interessantes para o Ceará. A infraestrutura hoteleira e de eventos, a Copa 2014, o Centro de Feiras e o Geopark são alguns exemplos.


Visão de negócios
Mesmo os donos das melhores ideias precisam buscar ajuda estratégica
no caso de não terem experiência na área de gestão do negócio.


E-Mais

>A discussão sobre o tema crescimento empresarial com sustentabilidade é pauta principal do Empreender 2010. Durante o seminário, previsto para acontecer no dia 25 de junho no Centro de Negócios do Sebrae.

> A iniciativa é do Grupo de Comunicação O POVO em parceria com instituições como o Sebrae, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF).

Conheça o perfil do empreendedor

O empreendedorismo no Brasil na maior parte das vezes é por necessidade, quando o dono do negócio estava desempregado e tem que se estabelecer rapidamente no mercado sem ter tempo para estudar adequadamente o mercado. O outro tipo é o por oportunidade, que monta um negócio porque identificou uma necessidade ainda não satisfeita.

O empreendedor tem um modelo mental diferenciado, segundo o professor Fernando Sabóia. ``O indivíduo empreendedor pensa diferente. Ele tem um quadro valorativo muito forte. Ele busca uma função de utilidade``, apontou.

Sabóia explicou que o empreendedor quando se lança a fazer um negócio, ele planeja o que vai acontecer e tem uma autoconfiança muito grande. Além disso, em geral, é uma pessoa criativa, inovadora, convincente de que a ideia é rentável, determinada e independente. ``Quer ser seu próprio patrão``. Outra característica importante é que ele não busca apenas o retorno de seu investimento, mas sim ``o benefício de bem estar social das pessoas``, acrescentou.

``Ele consegue ver uma oportunidade onde muitos não enxergam``, destacou o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Freitas Cordeiro. Além dessa criatividade, segundo ele, é necessário ter competências e estar qualificado e possuir habilidades para o negócio que pretende gerenciar. É importante ainda, segundo ele, assumir riscos e reconhecer o erro. ``O projeto às vezes não é bom. O empreendedor de sucesso às vezes aprende com o insucesso``, apontou lembrando que muitos grandes empresários tiveram que mudar de negócio.

Visões distintas

Três amigos fisioterapeutas e visões distintas sobre seu posicionamento de mercado. Francisete Queiroz (primeira) presa muito pelo atendimento e admite que há empresas demais surgindo, mas isso nem sempre é sinônimo de qualidade. ``Quem não quer ser dono do seu próprio negócio?``, interrogou. O amigo Extênio Bezerra (meio) explicou que decide por comprar em um lugar ou em outro através de indicações de amigos e de publicidade. Bamara Pereira (última) diz que não é fiel a nenhuma marca. ``Sou fiel ao preço e à qualidade``, disse..
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
CEARÁ - VANTAGENS COMPARATIVAS
Burocracia e corporativismo atrasam progresso do Ceará
Consultor de grandes empresas nacionais, o economista cearense Célio Fernando Bezerra de Melo, 44, afirma que o Ceará tem grandes vantagens comparativas que precisam transformar-se em competitivas. Mas o Estado carece de uma sociedade solidária e de um Governo enxuto, sem burocracia e sem corporativismo.

O Ceará tem sol, mar, vento, arte e ciência. Isso representa alguma vantagem?

Com certeza! Todos esses recursos são vantagens comparativas de que dispõe o Ceará. No passado recente vivíamos o Estado da precariedade, da escassez absoluta. Hoje, estes recursos naturais se mostram abundantes.

E daí?

Precisamos transformar essas vantagens comparativas em vantagens competitivas.

Como é que se faz isso?

Isso se faz por meio do conhecimento. A tecnologia é o elemento essencial de ligação, de transformação das vantagens comparativas em vantagens competitivas. É por meio do capital tecnológico que podemos transformar o sol em energia solar, o vento em energia eólica, o mar em uma fonte inesgotável de produção de alimentos e outras riquezas.

E a arte?

A arte mostra a vocação natural e criativa do povo cearense, cantada em verso e prosa para além de nossas fronteiras. Isso se manifesta na música do violão do Nonato Luiz; nas canções de Humberto Teixeira, Evaldo Gouveia, Raimundo Fagner e Fausto Nilo; na pintura genial de Aldemir Martins, Estrigas, Nice, Raimundo Cela e muitos outros; na moda de Lino Villaventura; na poesia de Patativa do Assaré; na literatura de José de Alencar, Rachel de Queiroz e Capistrano de Abreu. Todo esse conjunto de genialidades demonstra claramente o manancial de capital humano disponível no Ceará e que pode ser transformado.

De que maneira?

Pela busca e pelo estímulo às artes, acrescentando técnicas e conhecimentos específicos que projetem esses talentos. A arte deve ser colocada como uma ocupação essencial deste mundo pós industrial, uma vez que oferece qualidade de vida aos que a praticam e, ao mesmo tempo, satisfação e prazer aos que a apreciam. Por exemplo: a vocação natural do cearense para a pintura foi em grande parte, no século passado, estimulada pela chegada do francês Chablotz, que trouxe para cá técnicas e tintas até então desconhecidas.

E a ciência?

Da mesma maneira que na arte, acontece na ciência. Veja só: os cearenses são os campeões dos vestibulares anuais do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), um centro de excelência mundial. Isto quer dizer que, se bem preparado e dispondo de políticas adequadas o nosso capital humano certamente alcançará altas tecnologias. Se o Estado se dispuser a canalizar seus recursos para a educação e a pesquisa, não há dúvida de que a ciência se tornará uma vantagem competitiva. Expoentes como os professores e pesquisadores Expedito Parente, no biodiesel, José Nunes, no aproveitamento diverso da água de coco, e Osvaldo Carioca, na identificação de micro algas para a produção de biocombustíveis, e muitos outros são prova de que o Ceará tem um banco de talentos capaz de criar - e inovar - tecnologia de ponta, economia das ideias.

Então nós temos perdido tempo e oportunidades para desenvolver o Ceará?

Sim. É preciso olhar com novas lentes para uma sociedade em profunda transformação. Precisamos, claramente, vivenciar muito mais do que uma crise mesmo que de repercussões mundiais. Devemos pensar um novo modelo econômico para o desenvolvimento local. Devemos entender que este momento traz uma mudança de época que necessita de novos conceitos e valores. Individualidade e coletividade terão de andar lado a lado.

O que isto quer dizer?

A economia de mercado é claramente individualista e perversa. Desde os meios de produção. O lucro é o objetivo central na maximização da riqueza do acionista. E o altruísmo produzido nos jargões da responsabilidade social tem de criar valor para a empresa. O modelo é esse e é dessa forma que se acumula o capital. Mas o indivíduo não é mais capaz de sustentar-se sozinho; ele necessita da cooperação pelas incertezas do mundo moderno. Ser coletivo é ser solidário. E o coletivo deve ser entendido como uma grande aliança estratégica para a manutenção, consolidação e ampliação das vantagens competitivas. Vale repetir o ensinamento popular: uma andorinha só na faz verão. A solidariedade não busca somente os lucros. Ela cria novos valores, todos sustentáveis, seja pelo respeito à natureza, seja pela busca da dignidade do homem. Solidariedade não é bondade, é dever, é estar disponível para ajudar; não é dar esmola, é preocupar-se em buscar soluções para o bem estar humano em todas as suas dimensões, entendendo nossos
limites.

O desenvolvimento econômico e social do Ceará depende da solidariedade?

Sim, substancialmente. O Estado deve ser pautado pela sociedade. As mobilizações sociais, não apenas as populares, mas as de professores, cientistas e empresários devem ter como objetivo reduzir os hiatos entre a riqueza e a pobreza que são gigantescos aqui. Exemplo: a atração de investimentos para a indústria e o serviço para gerar mais postos de trabalho, direta ou indiretamente, deve ser facilitada pela cooperação de todos os atores da sociedade. Afinal, o Governo não é um fim em si mesmo; ele representa a sociedade dentro do processo democrático.

Nesse processo solidário, onde entra a vantagem competitiva?

Ao dispormos de uma sociedade solidária, preocupada com o outro, reduzimos a marginalidade, ampliamos os princípios e valores morais e éticos e de transparência, ampliamos a base do nosso exército de capital humano e avançamos para a construção do bem estar da sociedade. Quando alcançarmos esse paraíso, teremos reduzido os gastos correntes com segurança pública, incluindo presídios, com o assistencialismo, com o clientelismo e teremos colocado um novo termo às práticas viciadas das políticas públicas, cuja origem está na ausência da solidariedade e da cooperação. Quando isso for feito, o Estado se tornará mais eficiente na alocação dos seus recursos, com reflexo direto e imediato no aumento de sua competitividade. Solidariedade passa a ser o maior capital de uma economia.

Qual é o papel do Governo do Estado nesse modelo?

Governar é por em prática estas reflexões, livrando-as da demagogia. Governar é excluir as questões ideológicas e as vaidades. Ou seja, o projeto bom não tem heróis, é coordenado por líderes e se destina a todos. A gestão, obrigatoriamente, tem de ser eficiente. A discussão não é se o Estado deve ser mínimo ou máximo. Ele deve ser ágil, com processos e estruturas claros e transparentes e de fácil fiscalização pelo povo e por suas instituições. E liderar a construção do capital solidário.

Como está o Governo do Ceará nesse modelo da competitividade com solidariedade?

O Estado ainda não alcançou a competitividade, sem embargo do esforço e da credibilidade do seu atual governador. As estruturas burocráticas e corporativistas ainda representam sérias restrições ao novo modelo, sem falar dos grupos de interesse que pressionam, por todos os lados, a máquina pública. Não é fácil livrar-se desse emaranhado complexo que envolve o poder e a riqueza. Quanto à solidariedade - que nada tem a ver com a hospitalidade própria do cearense e do nordestino - o Governo do Estado deveria, na minha opinião, emular esse sentimento. Para começar, deveria já convocar a iniciativa privada, tornando-a co-responsável pelo desenvolvimento do Estado. Ela se encontra distante desse processo. Grandes grupos estrangeiros chegam aqui, sem que os grupos locais vencedores, que tem ampliado seus mercados, sequer participem do processo.

Mas a culpa é só do Governo?

Não. O governador tem convocado os empresários para o debate sobre os novos investimentos. Eles comparecem, mas, ao sair das reuniões, mostram-se descomprometidos. A cultura, que não é só do cearense, é a de que o empresário, ao quitar seu tributo, cumpriu a sua parte. Temos de transformar os caminhos do Ceará, mudando esse paradigma fortalecendo a ideia do capital solidário.

Será fácil?

Se entendermos que o novo modelo é bom para todos, estará criado um princípio de solidariedade diferenciando, nações de outras nações, o Ceará de outros estados. O empresário terá de sentir-se partícipe das mudanças e perceber seus benefícios - mais emprego, mais renda, mais segurança, menos policia, mais paraíso, um local ótimo de se viver.

Que papel tem a sociedade nesse modelo?

Inicialmente, fortalecer nossas instituições. O segmento da política deve fazer uma auto crítica sobre o que está sendo feito para a alteração dos regramentos da competitividade e sobre os esforços para o aculturamento da solidariedade para uma sociedade mais justa e menos desigual. A Justiça, por sua vez, deve prover, de forma expedita, o apoio às iniciativas pelo desenvolvimento e ritos sumários quando a questão for a solidariedade. As comunidades devem priorizar ações que ressaltem a dignidade humana. Uma pessoa dormindo no chão ou pedindo comida é responsabilidade de todos, assim como um pai de família desempregado. A estes lançamos um olhar, temos pena e, em muitas vezes, não tomamos atitude e seguimos adiante, como se aquilo não fosse conosco.

Essas transformações são possíveis em um Estado com vícios seculares?

São. Para isso, precisamos de um Estado enxuto, com menos instâncias de decisão, com uma revisão da lógica fiscal, tributária e previdenciária, com impostos desburocratizados, com previdência fundada e com acesso democrático ao serviço público, escolas, principalmente, com educação biocêntrica. Um Estado assim será competitivo, pois otimizará seus gastos e ampliará suas receitas, inclusive por meio dos organismos multilaterais. E, para alcançarmos o capital solidário é necessário uma reflexão bem maior sobre o outro, todos teremos de fazer a nossa parte e nos mobilizarmos, somente juntos superaremos a inércia da precariedade. Desenvolvimento (D) econômico com bem estar é função de capital tecnológico (Kt) , capital humano preparado (Ka), capital financeiro (Kf), capital institucional (Ki) e sobretudo, nos tempos de hoje, capital solidário (Ks).
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
ENERGIA EÓLICA
Brasil deve substituir térmicas por eólicas
Especialista diz que o Brasil utiliza apenas 2,5% de seu potencial eólico e que essa matriz precisa ser ampliada

Salvador. O Brasil deve substituir as termelétricas por energia eólica e fotovoltaica na complementação de sua matriz energética para mantê-la limpa. Essa foi a ideia defendida pelo ambientalista Rubens Born, coordenador-executivo da organização não governamental Vitae Civilis, no Fórum Social Mundial Temático da Bahia.

Após participar de debate sobre mudanças climáticas, Born disse que o Brasil utiliza apenas cerca de 2,5% de seu potencial eólico e que essa matriz precisa ser ampliada, mesmo que no início custe mais caro.

"Existe uma coisa chamada curva de aprendizado. No início custa mais, mas, à medida que vai sendo produzido em larga escala, aquilo se torna mais barato. Foi assim com os aparelhos celulares, com a televisão, com o computador. E o Brasil agora está baixando suas emissões espontaneamente, mas vai chegar a hora que ele vai ser obrigado a fazer isso e é melhor que o país esteja preparado", disse.

Segundo Born, a instalação de equipamentos que geram energias alternativas pode ser mais cara, mas o baixo consumo, depois, compensa o preço.

Ao lembrar que as termelétricas têm tido maior participação nos leilões de energia, o ambientalista classificou de hipócrita o argumento comumente usado para justificar o uso das térmicas, o de que faltam licenças ambientais para as usinas hidrelétricas. E critica os projetos das hidrelétricas.

"Os projetos para as usinas hidrelétricas são mal feitos, não levam em consideração a questão ambiental e, por isso, têm problemas com as licenças. E depois, você pode complementar com eólica ou fotovoltaica. Não precisa ser térmica", defendeu. Ele ainda elogiou a iniciativa do governo de baixar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os produtos com baixo consumo de energia. Segundo Born, ações de eficiência no consumo poderiam reduzir em 43% a demanda por energia. "É de ações como essas que nós precisamos", afirmou.

Protestos

O Fórum Social Mundial Temático da Bahia também foi palco de protestos contra a presença militar brasileira no Haiti. Ativistas do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) organizaram uma manifestação em frente à praça Campo Grande, em Salvador.

De acordo com o secretário-executivo da Conlutas, Paulo Barela, o ato foi realizado em defesa da autodeterminação do povo haitiano e contra o envio de tropas ao país. "A reconstrução do Haiti deve ser entregue ao povo haitiano, às organizações de trabalhadores e de classes", explicou.

Segundo ele, os ativistas que fizeram o protesto já eram contra a presença militar brasileira e de qualquer outro país no Haiti antes das catástrofes naturais.

"Eles não precisam de tropas, precisam de médicos, remédios, comida", alegou o secretário-executivo da Conlutas. A manifestação em Salvador teve a participação de jovens estudantes e provocou congestionamentos no centro da capital baiana, já que ocorreu no horário de maior trânsito.
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
MASSA PRÉ-PRONTA - PADETEC
Padetec descobre massa pré-pronta
Fazer bolo com sabor de frutas ou sem sabor ficará mais fácil. Bastará adicionar suco ou água, anuncia o Sebrae/CE

Pesquisas já desenvolvidas e em desenvolvimento pelo Parque Tecnológico do Ceará (Padetec) serão aproveitadas por pequenas e médias empresas cearenses dos diferentes setores da atividade econômica.

O superintendente do Sebrae do Ceará, Carlos Cruz, revelou a este colunista que uma das pesquisas do Padetec a serem aproveitadas pela indústria é a que resultou em uma massa pré pronta para bolo, cuja patente já foi registrada. A ideia do Sebrae é, com o apoio de financiamentos do Banco do Nordeste, incentivar a indústria a apropriar-se dessa tecnologia. Essa massa pré pronta, informou Carlos Cruz, é hidratada com o suco da preferência do consumidor, que, porém, se a preferir sem qualquer sabor, apenas adicionará água potável a ela, levando-a ao forno por alguns minutos até que se transforme em bolo de maracujá, de laranja ou de caju ou cajá. O Padetec concluiu outras pesquisas, incluindo a que transforma em farinha o ovo desidratado e também verduras - pimentão, tomate, alfaces etc. "O mais importante de tudo é que o Padetec já patenteou sua tecnologia", esclareceu o superintende do Sebrae. Na próxima quarta-feira, 3, Carlos Cruz reunirá no seu gabinete o Comitê Gestor da Panificação do Ceará, cujos integra
ntes provavelmente se interessarão pela pesquisa do Padetec.
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
SORVETE
Lêda Maria - Adocicando a vida e o calor...
..., nativos de Fortaleza e os muitos turistas também adocicam a produção de sorvete das fábricas locais. Neste janeiro, tem unidades ampliando até lista de sabores. Nessa inovação surge um contendo dose extra de cachaça, que dizem ficar saborosíssimo, e outros acréscimos ao preferido do turista: o de tapioca.
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
ESTALEIRO
Política - Debater é preciso
Por Kamila Fernandes

Fala-se tanto em democracia, mas ainda a praticamos tão pouco. O caso do estaleiro no Titanzinho é só mais um em que a discussão de um tema tão importante para a cidade, que pode interferir na vida de tanta gente, se concentra apenas entre os detentores do poder, excluindo-se uma enorme parcela da população que até tenta falar, mas não é ouvida. É estranho como ideias que poderiam potencializar a prática da democracia, como um plebiscito, sugerido pela vereadora Eliane Novais (PSB) ainda em meados do ano passado, sejam vistas como propostas inviáveis, pouco legítimas ou até irrelevantes, e, com isso, logo são deixadas de lado. Por que não abrir a discussão para o público, expondo e debatendo ao máximo todos os prós e contras do projeto, para deixar nas mãos de quem vive na cidade a decisão final?

E a decisão não seria fácil. Afinal, de um lado, ninguém é contra a busca pelo desenvolvimento econômico da cidade, mas de outro, também não dá para ignorar as potenciais consequências da instalação de um estaleiro numa área como o Titanzinho, bem no coração do litoral de Fortaleza, tanto ambientais como sociais. Sim, porque não é possível dizer ainda, por mais que o governador Cid Gomes (PSB) garanta que a expansão do quebra-mar em 700 metros para viabilizar o empreendimento não trará qualquer sequela para o restante do litoral nem vai acabar com as ondas dali, que, na prática, tudo se confirme. Também não dá para dizer que não haverá qualquer resíduo industrial, só porque o principal insumo para a construção de navios é o aço, que não polui. O estaleiro é uma indústria pesada e estudos para estimar possíveis interferências nos movimentos da maré e riscos de poluição devem ser feitos com isenção e expostos da maneira mais transparente possível à população antes que qualquer decisão seja tomada. Sem isso, ser
ia como apostar no escuro.

EMPREGOS PARA QUEM?
Sobre as consequências sociais, nem se fale. Serão gerados 1.200 empregos, mas quem será empregado? E por quanto tempo? O bairro não tem sequer uma escola de ensino médio - o que em si já indica defasagem da capacitação do pessoal local. E a grande massa de crianças e jovens dali, sem muitas perspectivas de vida, tem no surf a principal esperança. Ah, ``mas é só andar mais 700 metros que as ondas estarão ali``, como disse o governador. Não sei se é tão simples assim. É preciso, antes de chegar a qualquer conclusão, conversar com a população local, tentar entender a relação das pessoas dali com o mar, onde algumas famílias estão há quase 60 anos, e não desconsiderá-las, apresentando soluções prontas que não há como saber se serão bem apropriadas.

Agora, só uma curiosidade: por que será que sempre são escolhidas para a instalação de grandes projetos áreas onde vive uma população pobre? Não faz muito tempo que se falava da retirada dos moradores do Poço da Draga para a construção do Centro de Convenções. Desconfio que não é mera coincidência.
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
ESTALEIRO
Presidente pede ação do Governo
Os vereadores que se encontraram com Cid Gomes assumiram o compromisso de apoiar o projeto no Titanzinho

O empenho pessoal do governador Cid Gomes (PSB) na construção de um estaleiro em Fortaleza atende a uma solicitação do presidente Lula, segundo ele próprio comunicou a alguns vereadores da Capital cearense, quando do polêmico encontro que ele teve com os edis, arregimentado pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Salmito Filho (PT).

Além do pedido do presidente, o governador também ressaltou a importância do empreendimento para o Ceará e, em especial, para a comunidade da área conhecida como Praia do Titanzinho, local projetado para a instalação do equipamento.

O assunto estaleiro foi tratado no último encontro do governador do Ceará com o presidente, em Brasília. Não era tema da pauta, pois a audiência havia sido pedida pelo chefe do Executivo cearense para reivindicar, dentre outros, investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento - PAC, para continuação das obras do cinturão das águas, projeto tocado pelo Estado para garantir uma melhor distribuição de água nas várias regiões cearenses. O presidente atendeu ao pleito do governador e pediu que ele se empenhasse na construção do estaleiro.

Encontro

Cid, além de se comprometer, disse do seu empenho para a efetivação da obra, relatando as providências efetivadas e um encontro que havia promovido com o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, empresários, técnicos e um representante da Prefeitura de Fortaleza, Waldemir Catanho. Disse também que, embora naquela reunião o representante da Prefeitura não houvesse manifestado qualquer oposição do Município de Fortaleza à obra e ao local em discussão, posteriormente, nos meios de comunicação, afirmações supostamente feitas pela prefeita Luizianne Lins davam conta de uma oposição à obra naquele local. O presidente Lula ficou de designar um seu assessor para falar com a prefeita.

Os vereadores que foram ao gabinete do governador, pelas manifestações ali expostas, ficaram convencidos que o estaleiro não prejudica aquela área de Fortaleza, disse-me um deles, reconhecendo, porém, que ainda haverá muita discussão sobre a localização daquele equipamento, muito mais pela falta de informação sobre o projeto que só conheceram em sua plenitude após o detalhamento feito pelo próprio governador e as respostas aos questionamentos que fizeram quanto à penalização da população do local, a degradação da área e a parte legal que envolve o Plano Diretor de Fortaleza.

A propósito, há quem diga não haver nenhuma relação entre a construção do estaleiro e o Plano Diretor, visto que a obra será feita dentro do mar, espaço totalmente fora da abrangência da importante Lei municipal. É questionável esse entendimento posto que intervenções importantes hão de ser empreendidas no espaço territorial daquela zona para viabilizar o tal estaleiro.

A Câmara Municipal de Fortaleza retoma suas atividades normais a partir de amanhã. A construção do estaleiro será um dos temas a dominar os debates naquela Casa, não apenas pelo empreendimento em si, mas, sobretudo, pelas consequências políticas que o debate público está a demonstrar. A prefeita Luizianne Lins, ainda de férias, está sendo ansiosamente aguardada, na próxima semana, por aliados e adversários, pois sua manifestação, qualquer que seja, acrescentará elementos novos à discussão, tanto em relação à obra quanto no campo político.

Edison Silva
Editor de Política
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DIÁRIO DO NORDESTE

31 de janeiro de 2010

 
PORTO DO PECÉM
Projetos no Pecém já estimulam a economia
Cerca de R$ 8 bi estão sendo investidos no Pecém e em seu entorno, gerando empregos na construção e serviços

O crescimento industrial até tardou, mas agora parece ter puxado a marcha. O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) possui hoje apenas oito indústrias, mas a quantidade de tratores, caminhões e operários de construção presentes no local mostra que essa realidade deve mudar em alguns anos.

Após garantida a vinda dos dois principais projetos estruturantes esperados desde a criação do complexo, a siderúrgica e a refinaria, vão surgindo, então, inúmeras obras de infraestrutura e de instalação de novos empreendimentos nos arredores do porto, gerando empregos e mobilizando a economia local. "A inércia do Pecém foi vencida. Não temos mais como falar que o Pecém é uma estrutura ociosa", afirma o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece), Antônio Balhmann. Segundo ele, não é possível comparar a realidade do complexo com a de Suape, em Pernambuco, por exemplo. "Lá, eles têm 30 anos. Nós temos sete (levando em consideração a criação do porto), ainda estamos começando, e agora é pra valer", diz.

Localização

"O Pecém é uma das macro localizações mais importantes do Brasil, pela infraestrutura disponível e pela localização estratégica, próxima dos polos consumidores da Europa e Estados Unidos", defende. Balhmann esclarece que a arrancada do complexo industrial se deu, especialmente, pelos investimentos realizados em sua "espinha dorsal", que é o porto, em ampliação, e que já se posiciona de maneira forte perante outros portos do Brasil.

O Terminal Portuário do Pecém é o maior exportador de frutas do Brasil. O porto passa pelo maior projeto de ampliação desde sua fundação, em 2002. Com a criação do Terminal de Múltiplo Uso (Tmut), a expectativa é elevar o número de operações, dotando-o de estrutura para trabalhar com outros produtos. A obra, em andamento, envolve grandes investimentos que atraem fornecedores, além de centenas de operários que vão mexendo com a economia de cidades próximas.

Investimentos

Assim como no porto, em seu entorno as inúmeras obras dão uma nova vida ao local. São cerca de US$ 8 bilhões sendo investidos atualmente com todas as indústrias e infraestruturas que estão sendo criadas no complexo, segundo aponta o presidente da Adece. Pontos de entrega de gás, uma nova subestação de energia, a instalação de esteiras para carregamento de minério, termelétricas, uma nova cimenteira são equipamentos que já começam a ser implantados no CIPP. A quantidade de obras reflete-se, diretamente, na de empregos gerados na região. Com mais emprego, mais renda circula nas cidades do entorno, movimentando inúmeros comércios e serviços que vão se fortalecendo por lá, iniciando uma nova fase econômica para os municípios de Caucaia e São Gonçalo, em especial. O reflexo, entretanto, repercute em todo o estado.

SÉRGIO DE SOUSA
REPÓRTER

Hospedagem e alimentação são oportunidades

Se antes as roupas de banho, hoje são os macacões que vão ganhando cada vez mais espaço nas ruas do distrito de Pecém, em São Gonçalo do Amarante. O turismo, que antes era a principal economia do local, vai dando espaço à movimentação financeira puxada por um recente crescimento industrial. O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), que engloba distritos deste município e de Caucaia, já mobiliza economicamente a região, que, entretanto, ainda não acompanha à mesma velocidade, com a oferta de serviços, a nova procura.

Agora, não são mais somente aqueles turistas de fim-de-semana. Novos operários e funcionários de empresas que se instalam ou que pretendem se instalar no CIPP vão chegando aos arredores, e buscam locais para se hospedar. A oferta, entretanto, ainda não é suficiente, mas a população local já começa a perceber o novo filão. "A procura aqui é grande. Tem gente alugando casa a R$ 2 mil por mês. É preço de apartamento na Beira-mar", informa um funcionário da Cearáportos, empresa que administra o Porto do Pecém.

Quem percebeu essa oportunidade e vem auferindo bons lucros é a conhecida Dona Raimundinha. Em cima do comércio que possui, construiu quartos e hoje aluga para os novos frequentadores da cidade. "Antes, eram só os turistas, e somente no fim de semana. A semana ficava perdida. Só que depois, foram chegando as empresas e agora a gente só aluga para os empresários, que alugam os quartos por mês", explica.

Nos distritos

Mas as oportunidades de geração de renda não ficam somente no Pecém. Todas os distritos envolvidos no CIPP acabam também sendo beneficiados. Gilmária de Oliveira possui uma pousada em Pitombeira, distrito da cidade de Caucaia. O estabelecimento fica na rodovia Estruturante (CE-085), principal via de acesso ao porto e ao complexo industrial, localização privilegiada para os novos negócios. Mas a pousada de Gilmária ainda é pequena e não dá conta da demanda atual.

"Eu possuo aqui sete chalés, todos ocupados. Se tivesse mais, com certeza estariam lotados. Entretanto, ainda falta recurso para ampliar", explica. "A procura por hospedagem é grande. Tem gente que tem dificuldade de encontrar pousadas", aponta a micro-empresária. Na falta de hotéis, empresários acabam alugando casas por lá. O progresso econômico da região, por mais que esperado, não conseguiu ser planejado pela população local, e, de repente, esses arranjos vão sendo formados pela comunidade na tentativa de obter uma nova renda.

Mais restaurantes

Assim como a hospedagem, empresários e novos trabalhadores passam a elevar consideravelmente também a demanda por alimentação. E é nesse ramo que as duas microempresárias acabam gerando mais divisas. Dona Raimundinha já é conhecida no Pecém, e fornece pra boa parte das empresas que surgem por lá. "Nós temos contratos com várias empresas: Normatel, Skanska, Integral... e ainda estamos fechando várias novas. Todos os empresários que vêm chegando procuram a gente", afirma a empreendedora.

O pequeno comércio ganhou mais espaço e hoje é um dos principais restaurantes da região. Por volta de meio-dia, trabalhadores das obras lotam, o local, fazendo filas e ocupando praticamente todas as mesas. "Tem crescido muito o movimento. Tanto que temos que fazer mais investimentos em melhoria. Nós montamos uma cozinha industrial e estamos construindo uma outra", informa.

Dona Raimundinha também fornece quentinhas para os canteiros de obra e prepara alimentação também em refeitórios de empresas no local. "Se não fossem as obras, Ave Maria! Tem dado muito emprego para a região", diz, lembrando que já contratou mais pessoal, como lavadeiras, cozinheiras e auxiliares, para dar conta de tanta procura.

Clientela

Já Gilmária está à frente do também conhecido restaurante Abençoado. "A maioria do pessoal que vem aqui são os chefes, engenheiros, os executivos das empresas que se instalam no Pecém", aponta. "Antes era só o povo que ia pra praia, agora, com esses novos projetos industriais, tem vindo bem mais gente. E o crescimento é cada dia maior. Desde setembro, aumentamos 50% a 60%", diz. (SS)

MAIOR OBRA
Tmut gera 650 empregos

Após um ano desempregado, o carpinteiro Hilmo Sampaio encontrou, há cerca de 7 meses, através do Sine/IDT, sua nova oportunidade de emprego. Ele foi atrás da chance e hoje é um dos 650 trabalhadores que atualmente estão envolvidos, diretamente ou em empresas fornecedoras, na construção da maior obra de ampliação do Terminal Portuário do Pecém desde a sua criação: o Terminal de Múltiplo Uso (Tmut). Hoje, 20% da obra está concluída, envolvendo profissionais nas mais diversas atividades. A previsão é de que a obra esteja pronta em dezembro deste ano.

Hilmo trabalha fazendo os guarda-corpos para as obras de ampliação da ponte de acesso ao novo píer em criação. Ele, que é casado e tem cinco filhos, é habitante do próprio município, e afirma que vários conterrâneos têm sido beneficiados com a instalação do novo equipamento. "Esta obra, assim como outras no complexo, tem resolvido a questão de emprego", garante.

Segundo Luiz Hernani Júnior, diretor de Implantação e Expansão da Cearáportos, empresa que administra o porto, as obras de implantação do Tmut, estão sendo realizadas em três turnos, em ritmo acelerado para que se possa cumprir o prazo firmado. O consórcio formado pela cearense Marquise e pela paranaense Ivaí Engenharia iniciou as obras civis há um ano.

A ampliação do quebra-mar, que permitirá as operações no novo píer, já que trata-se de um porto off-shore (fora da costa), já está 40% concluída, ou seja, cerca de 400 metros já estão colocados. Quando terminada a ampliação, o quebra-mar contará com 2.770 metros. Mais avançados estão os trabalhos de construção da ponte de acesso ao novo píer, que ainda será construído. A nova ponte, que é uma continuação da existente, já conta com 70% de sua obra concluídos. Ela terá 363 metros de extensão, com pista dupla, passeio, guarda-rodas e sistema de iluminação, instalação de energia elétrica, abrangendo geração de energia, alimentadores, subestação, distribuição de media e baixa tensão, tomadas, para contêineres frigorificados, água tratada, telefonia, telemática, sistema de combate a incêndio e sistema de controle automatizado das instalações.

O Tmut possuirá dois berços de atracação contínuos, com extensão de 760 metros de comprimento, sendo 700,00 metros de cais acostável.(SS)

REFINARIA VAI DEMANDAR
Porto terá nova ampliação

A nova etapa de ampliação do Porto do Pecém ainda possui seu projeto em conclusão, mas as linhas gerais do que será feito no terminal já estão traçadas.

O objetivo principal é dotar o porto da infraestrutura suficiente para permitir as atividades da refinaria Premium II, a ser instalada no complexo, e o escoamento dos produtos que chegarão pela Transnordestina. De acordo com o presidente da Adece, serão construídos quatro píeres novos, mais um petroleiro. Um píer deverá, segundo ele, servir para a área de tancagem da Petrobras, hoje instalada no Mucuripe e que irá, como se planeja, ser transferida para o Pecém. O valor dos investimentos nessa nova expansão ainda não estão mensurados. Uma outra ampliação que poderá ocorrer no terminal diz respeito à mais nova operação que será realizada pelo porto, a partir de fevereiro: a exportação de minério de ferro. No pátio do porto já se encontram montanhas do minério esperando para serem escoadas para a China. Na 2ª quinzena de fevereiro, 70 mil toneladas serão exportadas ao país asiático. "Precisamos de toda uma estrutura de carregar navio. A que existe para o minério hoje é provisória. Mas, o Pecém será um dos únicos
portos do País onde tanto exporta como importa minério", diz. Balhmann explica que duas opções são estudadas. Uma é usar o que o porto já oferece, adicionando esteiras transportadoras ou transformando as existentes em reversíveis, levando e trazendo minério. Outra é construir um novo terminal para carregar navios, capacitando a região a exportar 12 milhões de toneladas. (SS)

Moradores investem em construção civil

Investir em comércio e serviços nas áreas que compõem o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), para quem resolveu tomar essa iniciativa, tem se mostrado um auspicioso negócio. Uma nova população, ainda que provisória, multiplica-se pelo local, trazendo um novo potencial econômico para a região. Além disso, alguns distritos começam a se desenvolver, mobilizando atividades como, especialmente, a da pequena construção civil.

Quem percebeu as novas oportunidades que iam surgindo no local desde algum tempo foi Bosco Linhares. Ele se deslocou de Nova Russas para o Pecém há 14 anos, para ajudar na construção do Porto do Pecém. Naquela época, a região possuía apenas uma movimentação turística razoável, mas ele resolveu investir no local. "Decidi ficar e construir no Pecém. Percebi que estava começando a chegar muita firma, e vi que daria", explica. De início, construiu um prédio com 21 salas, que ele aluga para escritórios e dormitórios de funcionários das empresas que vão chegando. Todas as salas estão hoje ocupadas, e ele está ampliando esse número. Mas Linhares não parou por aí: há dois anos, ele decidiu investir em um depósito, tendo em mente bem claro o potencial do novo negócio.

"A procura tem crescido demais. Nós estamos hoje fornecendo material de construção para várias firmas", informa. O negócio está localizado em Caucaia, na rodovia Estruturante, que dá acesso ao Porto do Pecém. "A localização é boa, e esse ano devemos crescer mais ainda. Não sei precisar quanto, mas tenho certeza de que será um bom ano", espera.

Oportunidade

Próximo ao comércio de Linhares também se encontram outros depósitos, como o de Antônio Carlos, mais conhecido como Sassá. Há sete anos ele montou o depósito e, há cerca de dois, percebe um ´boom´ nas suas vendas. "A gente não está parando mais de vender, a demanda está muito grande. O ano passado foi muito positivo, e esse vai crescer mais ainda", prevê. Sassá possui dois caminhões que, afirma, não param dentro da loja. "Tudo é para aqui no Pecém. São casas e escritórios que estão sendo construídos por aqui", explica. Sassá começou na região com uma mercearia, depois passando para uma churrascaria, até chegar a montar o seu depósito. "Esse último foi melhor. A gente tem que dançar conforme a música. Se aparecer coisa melhor, a gente muda, mas por enquanto está dando certo", garante. (SS)

Obras geram nova ocupação

As recentes desapropriações que vêm sendo realizadas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) para preparar os terrenos de empreendimentos como siderúrgica e refinaria vêm gerando uma espécie de "jogo de cadeiras" nos distritos do complexo. Famílias saem de seus terrenos de origem e vão construindo suas residências em outros locais, gerando novas ocupações urbanas.

Essa realidade começa a ser percebida no distrito de Barra do Cauípe. Na rua chamada Planalto do Cauípe, várias casas começam a ser erguidas. Junto com a nova população, vêm chegando também novos pequenos empreendedores, como João Gomes. Ele morava no terreno que abrigará a futura Companhia Siderúrgica de Pecém. Com sua área desapropriada e indenizada pelo governo estadual, ele se deslocou para a Barra do Cauípe, e começa a montar uma padaria para servir à população.

A padaria irá se juntar a pequenos comércios, como bares, restaurantes e mercearias, que já se encontram no local. João Abençoado, proprietário do principal restaurante da região, que atrai turistas que deslocam ao Pecém e, principalmente, funcionários das novas empresas que iniciam negócios por lá, atesta as mudanças no distrito. "Não existia nada por aqui. Há um ano, o pessoal começou a vir chegando", informa.

Ainda há muita área verde e baldia no local, mas os moradores garantem que são lotes já vendidos, e que ainda não começaram s ser construídos. "Além disso, tem vários terrenos que já estão desmatados, e devem entrar em obras em breve", afirma João Abençoado.

A vila pode até não abrigar um forte desenvolvimento econômico, e ainda não há evidências claras disso, mas percebe-se que se torna um novo ponto de concentração populacional, de pessoas que já habitavam a área compreendida pelo complexo industrial. (SS)

Fique por dentro
CIPP data de 1996

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) foi criado por meio de um decreto de 1996, quando foi considerada de utilidade pública uma área envolvendo os municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, no litoral oeste do Estado.

Em 2007, esse terreno foi atualizado, fixando uma área de 1 mil hectares, o que equivale a 330 quilômetros quadrados.

Hoje, encontram-se em operação no complexo as seguintes empresas: Petróleo Brasileiro S/A - Petrobras S/A; Termoceará, Termofortaleza; Votorantim Cimento N/NE S/A; Wobben Windpower Indústria e Comércio LTDA, no município de Caucaia, e Hydrostec Tecnologia de Equipamentos Ltda; Jotadois Pré-Moldados e Tortuga Companhia Zootécnica Agrária, em São Gonçalo do Amarante.

Já o Porto do Pecém, denominado Terminal Portuário Governador Mário Covas, data de 1995, quando iniciaram os estudos para sua implantação.

Grandes grupos hoteleiros já o miram a região

A atual falta de infraestrutura hoteleira no CIPP não significa que investidores ainda não perceberam o potencial do local para este tipo de negócio. Segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece), Antônio Balhmann, vários grupos já apresentaram propostas para a instalação de empreendimentos hoteleiros entre Taíba e Pecém. "Existem propostas pesadas nessa área de vários grupos, pequenos e médios, já prevendo o mercado dos executivos que vão chegar. São projetos de instalação de residências, hotéis, pousadas e flats", informa Balhmann. De acordo com ele, os empresários estão em fase de aquisição de terrenos, alguns com áreas já disponíveis.

Enquanto estes empreendimentos ainda não são disponibilizados, a população local vai dando conta da atual demanda, que já é crescente. Sem saber ainda dos planos dos grupos hoteleiros para o entorno do Pecém, Bosco Linhares, empreendedor local, afirma: "Os empresários de Fortaleza ainda não perceberam o potencial para negócios que essa área está oferecendo". Linhares mora em Caucaia, na região do CIPP, e investe na área de construção civil e em alojamentos. Ele afirma que só não amplia seus negócios por falta de recursos para investir.

"O Pecém inchou e não tem como suportar", diz, referindo-se, especialmente, ao segmento de alojamentos. "Se tivessem mais empresários, daria. Hoje, tem muita gente de empresa que vem pra cá e não tem onde ficar", garante.

O pensamento de Linhares é acompanhado por vários outros micro e pequenos empresários da região. No restaurante Abençoado, onde também foi instalada uma pousada para abrigar clientes e empresários do comércio, os chalés sempre se encontram ocupados.

"Esse fim de semana, eu deixei de alugar para cinco pessoas. Não tem mais espaço", afirma o proprietário, que ainda não ampliou seu empreendimento por falta de recursos. Ele explica que a pousada foi criada a pedido de clientes que iam para o restaurante e queriam passar a noite antes de pegar a estrada. "Nós não esperávamos pelos empresários que estão chegando, e que hoje são os principais hóspedes", explica.

Jonas Girão, um dos principais empreendedores da vila de Pecém, distrito de São Gonçalo do Amarante, mostra-se à espera da chegada de novos investidores em hospedagem. Sua pousada foi construída em 1992, e hoje conta com 22 quartos, com área de lazer e lanchonete. Com o aumento da demanda, ele está prestes inaugurar um anexo, em meados desse ano, com mais 17 quartos e uma piscina.

Entretanto, depois de vários anos de trabalho, ele pretende terceirizar o seu negócio. "Os empresários aos poucos vão percebendo o potencial que temos no município. E isso apenas está começando", afirma. Em junho de 2008, Girão concedeu entrevista ao Diário do Nordeste já destacando a melhoria das condições para os negócios: "O Pecém é a terra prometida. O futuro aqui é promissor", afirmara. Agora, confirmando, ele diz que a cidade já se encontra bem mais movimentada. (SS)

MERCADO DE TRABALHO
Pescadores trocam mar por canteiros

Sentado em sua jangada, com alguns poucos peixes recém-trazidos do mar, Antônio Evandro, 51 anos, conversava com colegas de profissão sobre a nova realidade da vila onde sempre morou. Ele é pescador, assim como era a maioria de seus vizinhos há algum tempo.

Agora, cada vez que vai ao mar, mais jangadas vão ficando ancoradas na praia, fazendo contraste aos grandes navios que atracam no porto logo ali em frente, criado em 2002 no município. Com este, vieram empresas. E continuam vindo. E mais pessoas vão trocando as redes por capacete e o macacão.

"O número de pescadores aqui diminuiu muito. Os mais novos estão em busca de emprego nas obras. Tem muita embarcação encostada", explica o pescador, que começou na atividade quando ainda tinha 13 anos.

O ofício é ainda o seu único ganha-pão, e deverá continuar a ser, segundo suas pretensões. Os peixes maiores que traz, vende aos atravessadores, que por sua vez revendem para restaurantes do local. "Trazemos muita cavala e pargo. Os maiores, vendemos por R$ 10", diz. Os menores, leva ao frigorífico, ou vende ali mesmo da jangada.

Contudo, a profissão que aprendeu do pai, não foi repassada aos seus filhos. "Eles já estão atrás de outra coisa", aponta. E têm encontrado, como boa parte da população do Pecém, distrito de São Gonçalo que antes do desenvolvimento que começa a experimentar tinha na pesca uma das principais atividades de sua população.

Nova geração

Um nova geração de pescadores pode ser representada por Reginaldo Ferreira, 27 anos. Ele começou a pescar aos nove, mas hoje é um "pescador de fim de semana", como muitos outros. "Eu trabalho agora de eletricista à noite na termelétrica que está sendo construída (Energia Pecém). Então, empresto minha jangada para um colega. O que ele trouxer, a gente divide no meio. Pescar mesmo, só vou agora no sábado e no domingo", conta o rapaz.

Reginaldo diz que, assim como ele, muitos de seus colegas têm feito a mesma coisa. na construção civil, a renda é certa, garantida. A pescaria passa a ser um "bico". O que vem passa a ser lucro. "Eu perdi o seguro do pescador, que é dado pelo governo. São R$ 1.400 por ano. Mas foi uma escolha que fiz", completa o rapaz. (SS)

Infraestrutura atrai empresas

Entre os fatores que mais pesam na hora de uma empresa decidir onde irá instalar uma nova unidade, estão, sem dúvida, a logística oferecida no ambiente para transporte e escoamento de seus produtos e a oferta de água e infraestrutura energética para as operações de seu parque fabril. Obras que deverão dotar o Complexo Industrial e Portuário do Pecém já vêm sendo realizadas e ainda mobilizarão muitos recursos e mão-de-obra no local nos próximos anos.

O presidente da Adece, Antônio Balhmann, destaca a importância da instalação do Terminal de Regaseificação do Pecém, pertencente à Petrobras e operado pelo navio Golar Spirit, primeira embarcação adaptada para realizar esse processo no mundo. "O Ceará tinha disponíveis dois milhões de metros cúbicos de gás. Com esse volume, nós não poderíamos ampliar, com alternativa gás, a estratégia de geração de energia elétrica. Com a chegada do novo terminal, são mais sete milhões de metros cúbicos de gás", destaca.

Distribuição de gás

A distribuição desse gás está sendo resolvida no momento, com a construção de dois pontos de entrega (PE Pecém e PE José de Alencar), em curso pela Petrobras. A construção da modernização do PE Pecém, por exemplo, que liga o GNL (gás natural liquefeito) do Pecém ao Gasfor, está em obras desde julho do ano passado, indo até maio deste ano, e empregando cerca de 70 pessoas.

Energia

A construção de mais uma subestação de energia no complexo também contribuirá para gerar uma maior segurança energética para as empresas que se instalarem no local. A Subestação Pecém II, com capacidade de transformação de 3.600 Mega Volts Amper (MVA) e tensão de 500/230 kV, deve somar investimentos de R$ 140 milhões, e deve iniciar suas obras em abril ou maio.

Água

Além da energia, a oferta de água está sendo garantida com a construção do trecho 5 do Eixão das Águas, trazendo cinco metros cúbicos de água bruta por segundo ao complexo.

A ordem de serviço do trecho foi assinada em dezembro passado, e as obras deverão ser concluídas em um prazo de 15 meses contando da assinatura do documento.

Balhmann ressalta também a construção da Transnordestina, que integrará a estrutura produtiva do Nordeste com as demais regiões brasileiras, criando acesso direto aos portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém. No Ceará, as obras ainda não começaram, entretanto, os recursos já estão garantidos. (SS)

TENDÊNCIA É AUMENTAR
Preço de terreno valoriza

Seja para compra ou aluguel, o valor dos imóveis no complexo industrial garante renda extra para os moradores

Antônio Carlos, morador de Caucaia, dentro do complexo industrial, possui quatro lotes de terra nas imediações, mas não quer vender. O motivo é mais que justificável: "O lote de 15 por 30 metros, que estava sendo vendido por R$ 500, hoje vale cerca de cerca de R$ 5 mil.

"Comprei os quatro lotes há quatro anos, mas não vendo, a tendência é valorizar", explica. A visão estratégica de Carlos já se torna comum entre os proprietários de terra do CIPP.

Antônio Carlos diz que já comprou os terrenos pensando em construir casas para alugar. De lá pra cá, o valor de suas terras já valorizou mais de 200%, ou seja, o preço para venda mais que triplicou.

"Se eu abrir a boca para vender, eu vendo ligeiro, mas não quero", garante. Segundo ele, boa parte dos lotes nos arredores de onde mora, na rodovia Estruturante, estrada para o porto, está vendida. Entretanto, ainda é possível encontrar áreas sendo ofertadas pela estrada. Faixas oferecendo lotes de frente para o asfalto podem ainda ser encontradas na estrada.

João Abençoado, pequeno empresário local, e que acompanha as mudanças que vão ocorrendo por lá, comprova a valorização dos terrenos. "Tem muita gente comprando lote, e tem que comprar logo, porque vai valorizar ainda mais", diz.

"Nossos terrenos, há alguns anos, não valiam nada. Agora, venderam um terreno de 12 por 100, só comprimento, por R$ 18 mil. Isso porque fica no beiço da pista", aponta.

E quem não pretende vender terreno, também está aproveitando para alugar. "Tem casa aqui no Pecém sendo alugada a R$ 2 mil por mês. É preço de apartamento na Beira-mar", conta um funcionário da Cearáportos, que administra o Porto do Pecém.

Casas de veraneio, que antes eram alugadas para turistas, já são alugadas agora por temporada para empresários. Enquanto não chegam novas estruturas hoteleiras na região, a população vai assim já garantindo uma nova renda. (SS)

ZPE vai incorporar o conceito de Eco-Parque

Um dos mais antigos projetos industriais esperados no Estado deve começar a virar realidade no Pecém a partir de março. No referido mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá aprovar a Zona de Processamento de Exportações (ZPE) do Pecém, que, de acordo com os planos estaduais, irá operar já no primeiro semestre de 2011.

A zona irá englobar indústrias voltadas para exportação, que contarão com liberdade fiscal em suas operações no comércio exterior. Este modelo, já existente em várias partes do mundo, gera resultados positivos com a forte atração de empresas e, aqui, o governo já configurou um conceito que deverá dar ainda mais peso à ZPE cearense: o "Eco-Parque Industrial".

Estrutura

"O Eco-Parque é uma estrutura de distrito industrial especial em que todas as questões em meio ambiente são tratadas de forma mais completa e integrada", explica o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece), Antônio Balhmann. Esse modelo trabalha a recirculação dos materiais utilizados nas indústrias. Na prática, um cluster de atividades inter-relacionadas entre si seria o objetivo desse tipo de conceito.

De acordo com o presidente da Adece, este é um conceito novo no mundo, e fará um diferencial na ZPE do Ceará. "As empresas que estiverem na ZPE do Ceará vão institucionalmente incorporar essa característica, valorizando a sua marca. Nós queremos diferenciar os produtos da ZPE com esse conceito de eco-parque", diz.

A definição, como explica Balhmann, funciona como um estratégia para atração de investimentos. "Devemos atrair, por exemplo, empresas de alimentos exportadoras só por causa desse conceito. Isso porque esse segmento tem controles maiores de qualidade no comércio exterior, exige mais marcas com mais peso. Essa questão (do ecologicamente correto) hoje já é uma exigência mundial".

Valorização

A decisão por esse modelo, aponta, vai valorizar a localização do Pecém. "O Porto do Pecém é um terminal portuário muito novo, e o fato de ter uma ZPE dentro da área, nesse conceito de eco-parque, certamente vai favorecer as empresas que exportam, que precisam hoje agregar à sua marca e a seus processos produtivos esse conceito, já por exigência do mercado mundial", diz.

O presidente da Adece informa que já existem mais de 30 empresas que demonstraram interesse em se instalar na zona de processamento do Pecém. Entre os segmentos que devem direcionar suas unidades de produção e exportação para lá, Balhmann destaca as empresas de frutas, em especial as ´packing houses´, que são as unidades de embalagem dos produtos.

"Quem opera fruta certamente vai ter packing house dentro das proximidades da fazenda, e uma outra parte, a de embalagem final, e outros processos de beneficiamento da fruta, deverá ser dentro da ZPE", informa. A indústria de calçados, que é uma das principais exportadoras do Estado, também deve ter unidades fabris na zona, assim como as confecções, em especial a de jeans, e a área de eletroeletrônicos. "As que já estão no Estado não devem fazer uma nova planta dentro da ZPE. Elas vão pegar a fase final e colocar lá", esclarece.

Atraso

As ZPEs são distritos industriais incentivados, onde as empresas nelas localizadas operam com suspensão de impostos, liberdade cambial (não são obrigadas a converter em reais as divisas obtidas nas exportações), além de procedimentos administrativos simplificados - com a condição de destinarem pelo menos 80% de suas produções ao mercado externo.

A parcela de até 20% da produção vendida no mercado doméstico paga integralmente os impostos normalmente cobrados sobre as importações.

A ZPE é uma alternativa de desenvolvimento econômico em várias partes do mundo, sobretudo em países asiáticos, e o Brasil está atrasado, segundo avaliam os especialistas. Com a nova legislação e com o empenho do Governo Federal e dos Estados, espera-se conseguir superar o atraso. (SS)

Empregos já atraem mão-de-obra

"Eu trabalhava em uma fábrica de sal mineral para alimentação de animais, aqui mesmo no Pecém, mas resolvi entrar na equipe das obras da esteira como auxiliar de topógrafo porque o salário é melhor. E acredito que a gente tem que procurar sempre o melhor. Estou decidido disto, mesmo este emprego sendo temporário. É porque, com tantas obras, quando terminar essa, logo deve surgir outra. Sei que terão mais emprego depois, eu estou tranquilo. Hoje, a gente vê que boa parte do pessoal do município de São Gonçalo do Amarante está trabalhando nesses grandes projetos do Porto do Pecém. Não existe mais aquela dificuldade de encontrar emprego."

GILMAR FARIAS, 28, AUXILIAR DE TOPÓGRAFO

"Há duas semanas eu comecei a trabalhar nas obras da siderúrgica como pedreiro. Estamos, no momento, construindo o refeitório, e outras estruturas aqui. Estava há seis meses desempregado, então cheguei aqui, e arranjei este emprego. Estou feliz com o trabalho, e quero continuar nas obras até o fim. Sou do distrito de Siupé, em São Gonçalo, e lá também tem muita gente trabalhando nas obras do Pecém. Antes, eu estava trabalhando na construção de um resort lá em Taíba. Agora, no Pecém. Espero que daqui pra frente o trabalho não vá parar. Lembro que antes era uma dificuldade medonha conseguir emprego; agora, todo mundo tem, é emprego de todo lado."

GASTÃO FREITAS, 48, PEDREIRO

"Já estamos sentindo bastante dificuldade para conseguir mão-de-obra por aqui pelo Pecém e nas localidades vizinhas. Antes, assim que eu precisava, bastava "dar um grito" e apareciam mais de 50 pessoas prontas para trabalhar. Os moradores daqui eram, na maioria, pessoas desempregadas. Mas, percebemos que esta realidade mudou, com a recente chegada de todas essas obras no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, que já começaram a gerar muitas vagas de emprego. Atualmente, para arranjar poucos trabalhadores pra fazerem um simples serviço para o meu a minha empresa, não tem. As coisas mudaram."

JOÃO CARLOS, "SASSÁ", EMPREENDEDOR

Área deverá inchar em 2012

Em 2012, o Pecém já deverá se aproximar da sua capacidade total para instalação de novas empresas. É o que prevê o presidente da Adece, Antônio Balhmann. Desta forma, já se pensa, dentro do governo, em ampliar o espaço reservado ao complexo industrial, permitindo que se continue o processo de atração de empreendimentos ao local.

"O Pecém vai se acelerar muito com a siderúrgica, que já está em obra. O efeito dela é muito forte em atração de investimento. Acredito que em 2012 esteja em um processo muito veloz de ocupação. O complexo, então, começa a ter um problema de espaço", explica Balhmann.

O CIPP hoje possui área de 11 mil hectares, dos quais cerca de mil já estão reservados à siderúrgica, dois mil para refinaria e outros 4,3 mil para a ZPE. "Esses projetos tomam grande espaço e os espaços que vão ficar, então, são os necessários para as empresas que serão complementares desses complexos maiores", esclarece Balhmann.

O complexo, diz, Balhmann, é uma área "nobre demais", e que agora vem sendo bastante disputada pelos investidores. "Estamos sendo muito seletivos nas escolhas das empresas do Pecém. As empresas que vão pra lá são empresas que tem necessidade de estar perto do porto, ou porque é muito importadora, ou porque é muito exportadora".

Desta forma, informa o presidente da Adece, vários empreendimentos que poderiam se instalar lá, estão sendo remanejados para outras áreas, evitando o precoce "inchamento" do Complexo. "Estamos repassando investimentos para Aquiraz, Camocim, outros lugares. De toda forma, isso é importante para que possamos espalhar a renda", explica.

Atualmente, a siderúrgica ainda está em fase inicial de implantação. Em dezembro, foi assinada a ordem de serviço para as obras de macrodrenagem do setor 1 do complexo, onde a usina se localiza. Logo após, inicia-se a terraplanagem. Atualmente, operários trabalham na construção de edificações do canteiro de obras. O número de operários ainda é pequeno, mas o potencial gerador de emprego é o maior entre todos os empreendimentos industriais já instalados no Estado até agora.

Só na primeira fase do projeto, que deverá estar concluída até 2013, serão criados mais de 15 mil empregos diretos, priorizando a mão-de-obra local. Na operação, serão mais de 4 mil. "Daqui a 25 anos, o Ceará terá a sua história contada em antes e depois da construção da siderúrgica", declarou o governador Cid Gomes quando da cerimônia do início das obras da usina, em dezembro passado.

Outro grande projeto em curso no CIPP é a termelétrica Energia Pecém. Já com obras em estágio avançado, a usina, quando pronta, terá capacidade de produzir 720 megawatts de energia elétrica. Atualmente, mais de 600 pessoas trabalham no empreendimento. A usina está sendo erguida através de um consórcio entre as empresas MPX Energia e EDP - Energias do Brasil. (SS)

CORREIA TRANSPORTADORA
Terraplanagem já tem 160 empregados

Para receber grandes projetos, como a siderúrgica e a termelétrica Energia Pecém, o Complexo Industrial e portuário do Pecém (CIPP) precisa se dotar da infraestrutura necessária. A liberação e adaptação do Píer 1 do porto para as movimentações desses empreendimentos é uma das etapas desse trabalho, que vem sendo feito com a implantação do Tmut. Mas para que os insumos das usinas possa fazer o trajeto entre elas e o porto, estão sendo instaladas as correias transportadores de minérios. A primeira etapa, que é a terraplanagem, está em curso e deve ser concluída em março.

Hoje, existem cerca de 160 pessoas trabalhando na obra, das 7h às 17h, segundo informa Francisco Guedes, engenheiro civil da Normatel, que, juntamente com a Koch do Brasil, forma o consórcio realizador do trabalho. "São tratoristas, engenheiros, encarregados de obra, serventes, seguranças, entre outros", explica Guedes, afirmando que a quase totalidade dos trabalhadores vêm de Caucaia ou São Gonçalo do Amarante.

No canteiro de obras, que se localiza próximo às futuras instalações da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), já se encontram os equipamentos estocados. As correias, que terão 12 quilômetros de extensão, possuem capacidade de transportar 2.400 toneladas de carvão mineral - que será utilizado para gerar energia nas usinas - por hora, e contam com tecnologia de baixo impacto ambiental.

De acordo com o engenheiro, na hora do desmatamento da área, é feito um corte de 60 centímetros da terra, a chamada camada vegetal, para que se possa, após a terraplanagem, ser lançada sobre o solo, permitindo que a vegetação volte a crescer sobre o local.

As medições do solo são feitas por topógrafos e auxiliares, como José Carvalho. Solteiro, de 45 anos, ele afirma que já trabalhava na atividade em outras obras no complexo. "Mas eu estava desempregado. Agora, pelo menos até terminar a obra, eu tenho o emprego garantido", comenta. Após a terraplanagem, será iniciado o processo de montagem da esteira, que durará cerca de oito meses. A previsão é de que o equipamento esteja em atividade no primeiro semestre de 2011. A correia sairá do Píer 1 do porto, indo até a siderúrgica e a termelétrica. O valor total do sistema de transporte de minério é de R$ 148,3 milhões. (SS)
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
PARQUE DO COCÓ
Aguapés evidenciam poluição no Cocó
Às portas da quadra chuvosa, as águas do rio Cocó estão repletas de aguapés, que se reproduzem em ambiente poluído

É terça-feira, 19 de janeiro. O instrumentista Francisco Adriano Reis dos Santos, 26 anos, viaja logo mais, às 18 horas. Sax debaixo do braço, vai a São Paulo. Retorna em três dias. Antes de embarcar no avião, porém, Adriano, casado, pai de uma menina, saiu de casa, no Papicu, em direção à ponte da avenida Murilo Borges, na Aerolândia. Às 10 horas, já estava com a água do Rio Cocó pela cintura. Às 15 horas, acocorado e protegido contra o sol, eviscerava pequenas tilápias. Para ele, a manhã teria rendido mais peixes se as águas do Cocó não estivessem repletas de aguapés. ``Está muito suja``.

O POVO esteve em pontos diferentes do Parque Ecológico do Rio Cocó. Verificou que, embora a gerência do parque indique que a limpeza de parte dos 50 quilômetros do rio seja feita semanalmente, ``entre segunda e quarta-feira``, o volume de aguapés é grande. Às margens da avenida Governador Raul Barbosa, por exemplo, há apenas uma estreita passagem permitindo que pescadores se desloquem. Aqueles que ainda se arriscam lançando tarrafas veem o náilon das redes se enroscar nas plantas.

Lá, mora José Francisco Sobrinho, 49 anos. Francisco é pedreiro, tem quatro filhos e está de férias, aproveitando um pouco da paisagem do mangue. Francisco explica que, quando chove bastante, e o espelho do rio está coalhado de aguapés, como agora, basta esperar: a água tem endereço certo. ``Aqui fica tudo coberto``, fala, apontando para a Raul Barbosa. Pergunto se a água já atingiu sua casa. ``Não, mas chegou perto.`` Francisco espera que, neste ano, ela passe mais longe.

Para o geógrafo e ecólogo Inácio Prata, gerente do Parque do Cocó, os aguapés são uma peleja constante. ``Limpamos o rio toda semana, entre segunda-feira e quarta-feira. Temos uma equipe com um barqueiro e homens para retirar o material``. Mas, convém calcular: um barqueiro e alguns homens & ainda que cinco ou seis & não representam ameaça a um mundo inteiro de aguapés. O pescador Juraci Torquato sabe que não. O senhor de 51 anos vai além: acredita que, ``quanto mais poluída a água, mais dessa planta tem``. Juraci também repara na coloração estranha do rio. ``Está verde. Normalmente, é bem clarinho``.

Prata diz que, com o equipamento de que dispõe, retira os aguapés apenas das áreas centrais, liberando o fluxo da água. Entretanto, os flancos do rio permanecem crespos da planta daninha. ``Se fosse para limpar tudo, precisaríamos de um barco maior, com uma balsa acoplada, e uma máquina para fazer dragagem``. Prata explica porque a água do Cocó tem essa cor em alguns períodos do ano.

O responsável é o fitoplâncton liberado pela matéria orgânica vegetal. Assim, quanto mais fitoplâncton, mais verde o rio se torna. Juraci diz que o fitoplâncton pode até conferir a cor esverdeada à água, mas que ela está suja, está. ``Os peixes até diminuem, e os que sobram ficam se escondendo debaixo das plantas``, queixa-se.


EMAIS

11,8 KM SERÃO URBANIZADOS

- Segundo a Secretaria de Cidades do Estado do Ceará, 11,8 quilômetros serão urbanizados ao longo das margens do rio Cocó. No total, serão 7,5 na margem direita e 4,3 na esquerda.

- Com o projeto destinado à área, duas mil famílias devem ser reassentadas. Uma barragem deverá ser construída. As obras, informou a assessoria de imprensa da secretaria, terão início no segundo semestre de 2010.

- Por telefone, Inácio Prata, gerente do Parque Ecológico do Rio Cocó, explicou o que era um aguapé. Segundo ele, a planta se aproveita da salinidade da água.

- Ela, ensina Prata, consome bastante oxigênio e se alimenta de material orgânico. Trocando em miúdos: o pescador Juraci Torquato da Silva, 51, está mesmo certo. A plantinha se alimenta mesmo de sujeira.


NÚMEROS

11,8
QUILÔMETROS SERÃO URBANIZADOS AO LONGO DO RIO COCÓ

7,5
KM SERÃO NA MARGEM DIREITA E 4,3 NA ESQUERDA

Projeto de urbanização

Ao O POVO, a Secretaria de Cidades do Estado do Ceará afirmou haver um projeto destinado à área que cobre o rio Cocó. O projeto, que segue os mesmos moldes do que começou a ser executado na bacia do Maranguapinho ainda no ano passado, prevê a construção de uma barragem de cerca de 390 hectares; dragagem de 488.261,18 m³; reassentamento de 2.000 famílias; urbanização de 11,8 km de margens e implantação de sistema viário.

O total de recursos investidos será de R$ 275.700.000, provenientes dos governos Federal e do Estado. Porém, no horizonte de expectativas de quem vive nas proximidades do Cocó ou apenas trafega de carro nas avenidas do entorno, as intervenções podem parecer distantes. De acordo com a Secretaria de Cidades, o projeto destinado ao Parque deverá ter início apenas no segundo semestre de 2010. Até lá, a equipe reduzida mantida pela Semace continuará encarregada da limpeza de um dos mais importantes recursos hídricos do Ceará. É um trabalho de Dom Quixote, sim.
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
RIACHO MACEIÓ
Abraço simbólico contra a poluição do riacho Maceió
Moradores da Varjota e representantes da SER II se unem em abraço simbólico para alertar sobre a necessidade de não poluir o riacho Maceió. A falta de conscientização dos próprios moradores é apontada como a principal causa para a sujeira

Crianças, donas de casa, aposentados e representantes da Secretaria Executiva Regional (SER) II se reuniram neste sábado de manhã para um abraço coletivo no Riacho Maceió. A iniciativa serviu para alertar aos moradores da Varjota sobre a necessidade de não poluir o riacho e seu entorno. O cruzamento das ruas Coronel Manoel Jesuíno com Álvaro Correia é considerado um dos mais críticos. Imóveis antigos, sacos de lixo e animais mortos são facilmente encontrados. A quantidade de entulho impede o fluxo do riacho e aumenta a incidência de casos de dengue.

O abraço simbólico, organizado pela SER II, marcou o início da programação de educação ambiental no bairro, que segue até o fim de fevereiro. No sábado, houve vacinação, apresentação de grupos de dança e visitas dos agentes sanitaristas. Segundo a chefe da equipe de Meio Ambiente da SER II, Eugenia Tigre, a limpeza no riacho Maceió é feita mensalmente. Já a retirada de entulhos no entorno é realizada todos os dias. ``O que está faltando é a participação da população``.

No caminho para a escola, a estudante Lara Monteiro, 10, flagra muitas pessoas jogando lixo próximo ao riacho. ``Quando eu saio de manhã vejo trabalhadores retirando o lixo, mas é só andar um pouco mais que vejo também gente colocando lixo``, afirma. O cenário é o mesmo para a administradora Oswaldina Carneiro, 52, que mora no bairro há quase 30 anos. ``São os próprios moradores do bairro que não colaboram``, reclama. Uma das alternativas para mudar a situação é respeitar o dia da coleta de lixo ou colocar o entulho de construção no Ecoponto, entre as ruas Meruoca e Antônio Justa.

Segundo a SER II, o trecho até a avenida Abolição foi limpo e, nesta segunda-feira, será realizada a retirada de lixo no trecho da avenida Jangadeiros. (Viviane Gonçalves)
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
JORGE PARENTE
Alan Neto - ALTO ASTRAL
Jorge Parente não para. Entra 2010 em alto estral. Conseguiu, na presidência do Sebrae-Ce, ampliar de 20 para 40 agentes locais de inovação. Boa nova lançada em 2009. Vem a ser a ferramenta fundamental para a competitividade das empresas. Bingo!.
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
TRANSFERÊNCIAS CONSTITUCIONAIS
Ceará é mais autônomo em relação às transferências
Para complementar a renda dos estados e municípios, o Governo Federal precisa redistribuir parte do que arrecada por meio das Transferências Constitucionais

Que os estados e municípios arrecadam com impostos todo cidadão sabe. A pergunta é: é possível manter os estados funcionando apenas com as receitas vindas de tributos próprios? O Governo Federal faz alguns repasses para complementar a arrecadação? Você sabe o que é FPE, Cide ou royalties? A terceira parte do Observatório Fiscal vai discutir esses temas e tirar algumas dúvidas sobre transferências constitucionais.

Com a finalidade de complementar as rendas dos Estados, a União redistribui parte do arrecada através das transferências constitucionais. No ano passado, o Ceará recebeu da União o repasse de R$ 3,42 bilhões. O montante representa uma redução de 4,90% na comparação com o recebido em 2008 (R$ 3,59 bilhões).

A redução no repasse dos recursos, decorrente da menor arrecadação do Governo Federal não alterou o nível de investimentos do Estado, que cresceu consideravelmente no ano passado, passando dos R$ 1,07 bilhão aplicados em 2008, 13,67% da Receita Corrente Líquida (R$ 7,88 bilhões) para R$ 1,98 bilhões investidos no ano passado, 23,71% da Receita Corrente Líquida de 2009 (R$ 8,37 bilhões).

``O Estado está ficando mais autônomo porque a sua arrecadação própria tem crescido mais do que as transferências``, explicou o titular da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (Sefaz), Mauro Filho. Ele lembrou que a arrecadação própria chegou a R$ 5,48 bilhões, um crescimento de 9,5% em relação a 2008 (R$ 5,008 bilhões). A receita própria responde por 61,58% dos recursos totais do Estado, enquanto as transferências representam 38,42%.

O Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) é a principal das receitas transferidas. No ano passado, foram repassados ao Ceará R$ 3,32 bilhões, uma redução de 3,62% na comparação com 2008 (R$ 3,44 bilhões). O Fundo representa 97,04% do total das transferências constitucionais (R$ 3,42 bilhões).

Outro destaque é para a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) que contabilizou R$ 25,26 milhões em 2009. O valor foi 39,10% menor em relação a 2008 (R$ 41,47 milhões). A contribuição participa com 0,74% do total das contribuições.

As compensações financeiras ou royalties representaram um repasse de R$ 20,20 milhões em 2009, retração de 30,67% em relação ao ano anterior (R$ 29,13 milhões). Os royalties representam uma participação de 0,59%.Outras receitas são o IPI Exportação (R$ 25,09 milhões), a Lei Kandir (23,82 milhões) e o Fundo de Exportação (R$ 7,02 milhões).


NÚMEROS

38,42%
é a participação das Transferências Constitucionais na receita total do estado do Ceará.

3,32
bilhões de reais foi o recurso repassado por meio do FPE.

3,42
bilhões de reais foi o montante recebido via Transferências.

Utilização

Conceitos como FPE e FPM não são estranhos aos ouvidos do vendedor Robson Bezerra. Ele sabe que são repasses do Governo Federal, mas não entende de que forma o recurso chega aos cofres do Estado e como é utilizado. ``Saber o que é a gente sabe. Só não sabe em que é aplicado... Mas eu acho que é em saúde, educação, estrada``, destacou.

O segundo estado mais beneficiado com FPE
A multiplicidade e a diversidade das várias espécies de transferências faz com que cada uma delas tenha seus critérios próprios de partilha entre estados e municípios. Pelos critérios do FPE, por exemplo, o Ceará é um dos mais beneficiados

Os repasses do Governo Federal não são lineares e iguais para todos os estados e municípios. Dependem de critérios variáveis como população, renda e investimentos em certas áreas específicas. Pelos critérios do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE), o Ceará é o segundo estado que mais recebe repasses (coeficiente 7,3369), atrás apenas da Bahia (9,3962).

Outros estados de destaque no FPE são o Maranhão (7,2182) e Pernambuco (6,9002). O único estado no ranking dos cinco maiores repasses que não é nordestino é o Pará (6,1120). Os coeficientes foram definidos pela Lei Complementar nº 62, de 28 de dezembro de 1989 a partir de critérios como o número de habitantes e a renda per capita (por cada indivíduo).

O FPE é um importante instrumento de redistribuição de renda nacional, já que promove a transferência de parcela dos recursos em áreas mais desenvolvidas para áreas menos desenvolvidas do País: 85% do montante é destinado aos estados da Região Norte (25,37%), Nordeste (52,46%) e Centro-Oeste (7,17%) e 15% aos Estados das Regiões Sul (6,52%) e Sudeste (8,48%).

Segundo Mauro Filho, o objetivo do Fundo é melhorar os níveis de investimentos dos diversos estados. ``Na verdade, é um fundo de equalização fiscal. Foi desenvolvido para que os estados que tivessem menos impostos pudessem ter uma equalização com os outros estados, conseguindo resolver os problemas da população``, explicou.

Como uma modalidade de repartição tributária, é regido pelo artigo 159, inciso I, alínea A, da Constituição Federal. Segundo o texto, o Fundo compreende 21,5% da arrecadação líquida (arrecadação bruta deduzida de restituições e incentivos fiscais) do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O valor é arrecadado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), contabilizado e comandado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e creditado pelo Banco do Brasil.

O percentual de 21,5% destinado ao repasse não é distribuído de forma igualitária entre as unidades da Federação, conforme demonstrado. Para cada distribuição, o Governo utiliza o coeficiente individual de participação de cada Estado (ver tabela).


O QUE DIZ LEI

> Art.159 inciso I, alínea A, da Constituição Federal rege as transferências constitucionais

A União entregará:

I- do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e sobre produtos industrializados, 47% da seguinte forma:
a) vinte e um inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal.

II - do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializado, 10% aos Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos industrializados.


Saiba mais

OS ROYALTIES
> As compensações financeiras ou royalties foram estabelecidas pela Constituição Federal para assegurar aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios e aos órgãos administrativos da própria União participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva ou compensação financeira por essa exploração.

> Os royalties do Petróleo e do Gás Natural são uma compensação financeira de pagamento obrigatório ao Estado pelo resultado da exploração de petróleo, xisto betuminoso e gás natural, extraídos de bacia sedimentar terrestre e da plataforma continental, devida pelas empresas concessionárias exploradas.

> A distribuição dos royalties é fruto de dois critérios: a alíquota e a localização da lavra (produção). A alíquota básica para distribuição dos royalties, estabelecida em até 10% da produção de petróleo ou gás natural, é subdividida em duas componentes: uma primeira de 5% (fixa) e outra (variável) também conhecida como ``parcela acima dos 5%``. A legislação prevê formas diferenciadas de distribuição quando a lavra ocorre em terra (ou em lagos, rios, ilhas fluviais e lacustres) e quando a lavra ocorre na plataforma continental (mar).

IPI- EXPORTAÇÃO
> O repasse conhecido como IPI- Exportação compreende 10% da arrecadação líquida do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) obtida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), contabilizada pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e distribuída pelo Banco do Brasil sob o comando da STN. A transferência é prevista pelo artigo 159, inciso II, da Constituição Federal.

> O nome do imposto é devido ao tipo de transferência. O coeficiente de cada estado é proporcional ao valor das respectivas exportações de produtos industrializados nos doze meses antecedentes a 1º de julho do ano imediatamente anterior ao do exercício de referência. É considerado apenas o valor dos produtos industrializados exportados para o exterior na proporção do ICMS que deixou de ser exigido por cada estado.

FUNDEB
> A educação é uma das prioridades nas transferências constitucionais. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) é constituído em boa parte através de recursos vindos do FPE e do FPM, além de ICMS e Imposto sobre Produtos Industrializados, Proporcional às Exportações (IPI exp). Constitucionalmente, 20% dos recursos das transferências constitucionais são destinados ao Fundo. IPVA e ITCD também têm essa vinculação constitucional.

> A distribuição de recursos que compõem o Fundo é feita no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal entre o governo federal e os municípios. A proporção é referente ao número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação pública presencial, consideradas exclusivamente as matrículas presenciais efetivas, conforme os dados do censo escolar mais atualizado.

FPM
> Além das transferências feitas aos estados via FPE, o Governo Federal tem outra obrigação constitucional com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O montante é constituído de 23,5% da arrecadação líquida do IR e do IPI. Um por cento do valor será entregue no primeiro decênio do mês de dezembro de cada ano de acordo com a Emenda Constitucional nº 55/2007.

> Do montante do FPM, 10% pertence às Capitais, 86,4% é destinado aos Municípios do interior e o restante, 3,6%, constituem o Fundo de Reserva, para distribuição entre os Municípios do interior com mais de 142.633 habitantes

> Diferente do que acontece com o FPE, não há uma tabela fixa para definir os coeficientes individuais. Esses percentuais são definidos com base nas populações de cada Município e na renda per capita de cada Estado enviadas ao Tribunal de Contas da União pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até o dia 31 de outubro de cada exercício.

Conservação de estradas

Quem pensava que os recursos do IPVA eram destinados à conservação de estradas, já sabe que se enganou. Os impostos, como vimos em cadernos anteriores, são vinculados às políticas públicas. Os programas de financiamento de infra-estrutura estaduais, por outro lado, ficam a cargo da transferência constitucional conhecida como Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

A Cide é referente à importação e à comercialização de petróleo e de seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool etílico combustível. Diferente do FPE, em que não há vinculação direta para os recursos, a Cide é regida nos termos da Lei nº 10.336/2001.

O recurso precisa necessariamente ser destinado ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, de gás natural e seus derivados e de derivados de petróleo. Outra vinculação é com o financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás.

O artigo 159, inciso III, da Constituição Federal estabelece que a União deverá entregar aos estados e ao Distrito Federal 29% do total dos recursos arrecadados da Cide para aplicação obrigatória em programas de infra-estrutura de transportes (colocar em negrito).

O valor inclui os adicionais, juros e multas moratórias cobrados administrativa ou judicialmente, além da parcela de 20% relativa à Desvinculação de Receitas da União. Do montante que cabe aos estados, 25% é destinado a seus respectivos municípios.

Os recursos serão destinados pela União aos estados e ao Distrito Federal, trimestralmente, até o quinto dia útil do mês subsequente ao do encerramento de cada trimestre, mediante crédito em conta aberta para essa finalidade.
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O POVO

31 de janeiro de 2010

 
NOVO CENTRO DE TURISMO
O novo Centro de Turismo
Como nem sempre a boa intenção dos governos é garantia de uma execução efetiva, pairava no ar a dúvida sobre o futuro do Centro de Turismo

Criada em 1973 na gestão do então governador César Cals, a Empresa Cearense de Turismo (Emcetur), hoje Centro de Turismo, foi durante muito tempo espaço referencial para o vistante que passava por Fortaleza. Patrimônio histórico do Estado, tombado em 1982, o local, instalado em área central da cidade, antes de servir como destino comercial sediou a cadeia pública, o que o tornava um atrativo a mais.

Nos seus áureos tempos, mais do que um centro de compras, onde se podia apreciar o artesanato cearense em lojas com peças de renda, barro, couro, entre outros produtos, funcionava ainda como centro de arte, contando com museu onde estavam expostas obras características dos mais diversos aspectos da cultura cearense. O passar dos anos e o surgimento de outras opções na cidade, no entanto, tiraram da antiga Emcetur a primazia do oferecimento aos visitantes do nosso mais genuíno artesanato e da nossa arte.

O resultado é que o local não só perdeu frequentadores como também foi se desgastando estruturalmente, tornando-se quase que inacessível em termos de atrativo para os visitantes. O que parecia um fato consumado quanto ao futuro daquele equipamento, que seria sua extinção, todavia, foi revertido pela assinatura no fim de 2008 de uma ordem de serviço pelo Governo do Estado no sentido de promover uma reforma completa no Centro de Turismo, buscando recolocá-lo no devido contexto da nossa cidade.

Mas como nem sempre a boa intenção dos governos é garantia de uma execução efetiva pairava no ar a dúvida sobre o futuro do estabelecimento. Em vista disso deve ser comemorada a possibilidade da reinauguração do local vir a acontecer ainda no primeiro semestre deste ano como estima a Secretaria de Turismo. Como parte desse esforço o Estado publicou na última semana no Diário Oficial decreto do governador Cid Gomes declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação, seis imóveis da área próxima ao local.

A desapropriação dos imóveis será feita na intenção de se criar espaços para estacionamento de ônibus turísticos e veículos particulares, que normalmente tomam as ruas do entorno. Para além da questão do conforto do vistante, a desapropriação abriria a possibilidade de uma melhor visualização do prédio histórico da Emcetur, como elemento complementar ao projeto de valorização do centro histórico de Fortaleza.

Resta aguardar portanto que o Centro de Turismo venha a ter sua reforma concretizada e volte a ser um espaço de referência não só para quem nos visita como para o próprio fortalezense.
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