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Fortaleza, CE - domingo, 07 de março de 2010 |
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| AIRM – ASSESSORIA DE IMPRENSA E RELAÇÕES COM A MÍDIA - UNIDADE DE CLIPPING | |
| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| CIC - ROSEANE MEDEIROS | |
| Pompeu Vasconcelos - Roseane Medeiros | |
Guerreiras, destemidas e cheias de planos para o futuro, Roseane Medeiros e Luizianne Lins engataram demorado bate-papo, na Fiec. Mas uma coisa deixou a gente com uma pulga atrás da orelha, na noite em que a filha de Mariléa e Marcilio Browne tomou posse como presidente do CIC. Sobre o que será que Roseane e a prefeita conversavam tanto? Estaleiro?
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| O POVO |
07 de março de 2010 |
| CIC - ROSEANE MEDEIROS | |
| Acontecendo - Roseane Medeiros | |
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Por Lúcio Brasileiro
Posse de Roseane Medeiros no Centro das Indústrias, gesto de Jorge Parente, cedendo seu lugar preferencial à prefeita Luizianne Lins que se perdera no caminho da Fiec calou ainda mais fundo por não ser contumaz, ao contrário, raramente acontece por várias razões, tais pouca sensibilidade, carência da iniciativa, desinteresse em cooperar ou até mesmo falta de educação, grossura pura e simplesmente. | |
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| O POVO |
07 de março de 2010 |
| QUALIFICAÇÃO DA MÃO DE OBRA | |
| Qualificação: futuro da indústria | |
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O Estado do Ceará está entrando em um novo ciclo de desenvolvimento. Sonhos antigos como a siderúrgica e a refinaria, os investimentos para a Copa de 2014 e os novos projetos na área de energia alternativa serão realidade em menos de cinco anos. É um cenário gerador de otimismo em relação ao futuro, mas que nos traz grandes responsabilidades no presente. Um dos principais desafios é a qualificação da mão de obra.
Setores da nossa indústria como construção civil, metal-mecânico e confecções já possuem necessidade imediata de profissionais especializados. Não há tempo a perder. Empresários, governo e instituições de ensino temos de superar as deficiências no que se refere à qualidade da educação e à qualificação da mão de obra. É oportuno salientar, nessa perspectiva, que a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) está agindo fortemente, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi) inclusive ampliando suas unidades de ensino. Apenas em 2010, o Senai-CE planeja realizar 35.996 matrículas em cursos de educação profissional, ampliando a oferta de mão de obra qualificada para a indústria. Nossos cursos são formatados a partir de uma metodologia com base em competências, onde são montados comitês técnicos setoriais compostos por representantes de empresas, universidades, sindicatos e profissionais da própria entidade para identificar as demandas da indústria e o perfil dos profissionais requeridos pelo mercado. O objetivo é assegurar a eficiência da nossa atuação. Somos uma instituição do setor industrial que há 66 anos busca constantemente corresponder ao padrão de excelência que as empresas demandam. Nesse sentido, as unidades do Senai cearense e dos demais estados adotam um sistema diferenciado para avaliar e propiciar melhorias à qualidade da educação que desenvolvem: a Olimpíada do Conhecimento. Trata-se do maior torneio de educação profissional das Américas, ocasião em que alunos das escolas do Senai em todo o país disputam provas práticas que simulam situações semelhantes às do ambiente de trabalho. Entre os dias 8 e 14 deste mês, 12 alunos do Senai do Ceará participarão da sexta edição da Olimpíada, que ocorrerá no Rio de Janeiro. Nossos representantes foram selecionados entre mais de 60 jovens na etapa estadual da competição e passaram por um período intenso de preparação. Apesar das características competitivas, a Olimpíada do Conhecimento é uma disputa em que não há perdedores. Mais do que as medalhas, o resultado real da competição é o aprimoramento profissional dos participantes, que treinam intensamente em busca da perfeição. Representa, portanto, uma maneira inovadora para estimular nossos jovens alunos a alcançarem um nível extra de qualificação. Algo imprescindível para o futuro da indústria e do País. ROBERTO PROENÇA DE MACÊDO Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| CIC - ROSEANE MEDEIROS | |
| Passarela - CIC | |
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Passarela - CIC
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Sesi recruta: Professor | |
Sesi recruta: Professor
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Sesi recruta: Engenheiro (a) | |
Sesi recruta: Engenheiro (a)
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Sesi recruta: Coordenador | |
Sesi recruta: Coordenador
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Sesi recruta: Coordenador | |
Sesi recruta: Coordenador
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| SELEÇÃO - RECURSOS HUMANOS | |
| Sesi recruta: Professor | |
Sesi recruta: Professor
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| CURSOS | |
| Cursos - SENAI - CFP AUA | |
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Av. Padre Ibiapina, 1280, Jacarecanga - Tel.: (85) 3421-5300
www.senai-ce.org.br Impressor Off-Set Período: 15/03 a 12/05/2010 Investimento: R$ 600,00 Informações: turma disponível das 13h às 17h. Aos interessados no curso, a carga total é de 160 horas / aula. Controladores Lógicos Programáveis Período: 22/03 a 29/04/2010 Investimento: R$ 270,00 Informações: turma disponível das 18h30 às 21h30. Aos interessados no curso, a carga total é de 80 horas / aula. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| CURSOS | |
| Cursos - SENAI | |
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Av. Fco. Sá, 7221, Barra do Ceara
Tel.: (85) 3421-5500 www.senai-ce.org.br Instalação e Gerenciador de Redes Wireless Período: 22/03 a 19/05/2010 Investimento: R$ 540,00 Informações: aos candidatos interessados, turma disponível das 18h30 às 21h45. A carga total é de 160 horas / aula. Informática Básica Período: 15/03 a 06/04/2010 Investimento: R$ 190,00 Informações: aos candidatos interessados, turma disponível das 18h30 às 21h45. Montagem e manutenção de computadores Período: 15/03 a 30/03/2010 Investimento: R$ 265,00 Informações: aos candidatos interessados, turma disponível das 18h30 às 21h45. A carga total é de 45 horas / aula. Mecânica para iniciantes Período: 15/03 a 24/03/2010 Investimento: R$ 185,00 Informações: aos candidatos interessados na oportunidade, turma disponível das 18h30 às 21h45. A carga total do curso é de 32 horas / aula. Reparador de circuitos eletrônicos Período: 22/03 a 19/05/2010 Investimento: R$ 695,00 Informações: aos candidatos interessados, turma disponível das 18h30 às 21h45. A carga total é de 160 horas / aula. | |
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| O POVO |
07 de março de 2010 |
| SINDCONFECÇÕES | |
| Cadeia produtiva da moda: do desenho ao produto final | |
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O setor de moda do Ceará é amplo e envolve várias cadeias produtivas. Das costureira ao estilista, o segmento tem procurado se profissionalizar e criar diferenciais no mercado local
Daiana Godoy Especial para O POVO daianagodoy@opovo.com.br Desenvolver coleções, organizar desfiles ou disponibilizar consultoria. A graduação em moda oferece um leque de opções para os profissionais trabalharem. O mercado não está reduzido apenas para a criação de vestimentas, mas atende acessórios, como calçados, bolsas e jóias. Marcos Vinícius, presidente do Sindconfecções, afirma que a demanda para os estilistas está muito grande. ``Está mais acessível e essa profissão vai abastecer o mercado``, destaca. Araguacy Filgueira, coordenadora do curso de Estilismo e Moda da UFC, também afirma que o mercado para esses profissionais está em alta. ``Não está saturado, creio que existe mercado sim. A competência é que vai propiciar o status do profissional``, pontua. Outra instituição que oferece graduação é a Faculdade Católica do Ceará (Marista), com o curso tecnológico Design de Moda, com duração de dois anos e meio. A coordenadora do curso, Ana Cláudia Farias, também destaca a indústria têxtil como possibilidade de trabalho. ``As pessoas só pensam no produto final. Mas a indústria têxtil é um grande filão para se explorar``, destaca. Os cursos de graduação ensinam desde a costura, corte, modelagem até os processos de criação e desenvolvimento de peças. Para Ana Cláudia, o profissional precisa entender o resultado final do produto durante a criação. ``Não adianta fazer um desenho maravilhoso se não souber como fazer. Se não tiver conhecimento fica difícil. Precisa de um treinamento maior em costura, saber como que monta uma peça, saber o funcionamento, criar algo compatível, que possa existir``, pontua. Entre os assuntos que são abordados no curso, comportamento do consumidor, estudo de mercado, formas e texturas do tecido entram na grade curricular. Outras funções que um graduado pode ocupar são de styling, que presta consultoria de guarda roupa ou faz seleção das peças a participarem de um desfile, produtor de moda, que é quem organiza o desfile, que desenvolve campanha, além de coordenadores de moda no varejo e nas indústrias, comprador de moda em loja de departamentos, desenvolvedor de produtos, consultor, ou abrir o próprio negócio. A alagoana Cristiane Gomes se formou em Design de Moda em 2009 e assina as peças de uma marca de lingerie. Antes de se formar, já trabalhava com moda, pois fez um curso no Senai de técnico de vestuário. Apostou na graduação para aprimorar os conhecimentos. ``O profissional precisa estar se reciclando. Fazer a faculdade foi muito importante, a gente conhece outras pessoas``, relata. Iury Costa, de apenas 21 anos, já tem a sua própria loja que leva seu nome. Ele se formou no final de 2009 no curso de Design de Moda, na Faculdade Católica do Ceará. ``Eu acho que é uma coisa que já está no sangue. Minha família sempre trabalhou com confecção. Quando comecei a trabalhar em eventos de moda descobri que era isso o que eu queria``, relata o jovem, que se formou no final de 2009 pela Faculdade Católica do Ceará. E-MAIS >Para ser estilista, o conhecimento técnico adquirido na faculdade é fundamental, mas não existe a obrigatoriedade do diploma. > Para Araguacy Filgueira, coordenadora do curso de Estilismo e Moda da Universidade Federal do Ceará (UFC), a formação faz toda a diferença. “Tem pessoas que nunca estudaram moda e se destacam demais - isso é talento. Imagina com conhecimento”, pontua.. A cidadã Ajuda da internet Adriana Piorski entrou no mercado da moda por acaso, aos 17 anos vendendo camisetas customizadas para colegas através do Fotolog. Decidiu entrar na faculdade e, depois de formada, participou de eventos, como o Dragão Fashion, onde conseguiu mais visibilidade. Hoje tem sua loja, que funciona há dois anos e meio e continua com o endereço no blog de fotos, além do site da sua loja. ``A internet é uma ferramenta que me ajuda muito. Quando eu participava de eventos eu divulgava para pessoas de fora, turistas, que passaram a conhecer as roupas``, destaca. Indústrias e confecções no Ceará empregam 60 mil pessoas De acordo com profissionais da área, o mercado de trabalho na moda está aberto para profissionais em várias áreas. Desde a área de modelismo até a produção, como costureiras e modelistas Aproximadamente seis mil indústrias e cinco mil confecções estão sediadas no Ceará, empregando diretamente cerca de 60 mil pessoas. Com esse cenário no mercado da moda, tanto confecções como indústrias estão absorvendo ainda mais profissionais, desde aqueles com graduação e conhecimento em produção, como estilistas e designers, até aqueles que não têm nível superior, mas que são fundamentais para o resultado final do produto, como costureiras e modelistas. O presidente do Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas e Chapéus de Senhoras no Estado do Ceará (Sindconfecções), Marcos Vinícios, afirma que aproximadamente 105 mil pessoas estão empregadas direta ou indiretamente no mercado da moda. De acordo com Eveline Costa, consultora técnica de moda do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), o mercado em Fortaleza está em expansão já há algum tempo e, por isso, precisando de mais mão de obra. ``Quando se pensa em moda, se fala muito em estilista, mas vai além disso. Costureira e modelista estão muito em falta no mercado``, destaca. O Senac oferta os dois cursos. Para modelista são oferecidos quatro cursos por ano, formando 80 profissionais, o que, de acordo com Eveline, ainda não é o suficiente. Quem trabalha com modelagem tem a tarefa de adequar o modelo criado pelo estilista ao tecido escolhido, fazendo com que a roupa tenha um bom caimento. A faixa salarial para essa função é de R$ 800 a R$ 1.200 O presidente do Sindicato das Confecções no Ceará (Sindconfecções) Marcos Vinícius, também aposta na função de modelista como oportunidade de trabalho no segmento. ``Temos poucas modelistas, principalmente que trabalhem com sistema automatizado de modelagem``. Já a função de costureira, que está em alta tanto para indústrias, como para confecção, é quem dá vida àquele projeto no papel. O Senac também oferece quatro cursos por ano. Em parceria com o Serviço Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (Sebrae), a Escola Profissionalizante Berta Cruz oferece cursos de costura industrial, modelagem e corte. Berta Cruz, coordenadora dos cursos, afirma que sempre lhe requisitam costureiras, mas nunca tem o suficiente. ``Está faltando costureiras, sempre me pedem indicação, mas não temos o suficiente. Todas que fizeram o curso já foram encaminhadas para o mercado de trabalho``, explica. O curso forma de 20 a 30 costureiras por mês, sendo que quatro ou cinco partem para o empreendedorismo, montando o seu ateliê e as demais seguem para o emprego com carteira assinada. Apesar de acreditar que tem mais vagas para costureiras, Berta também assegura que faltam modelistas no mercado da moda. Já corte é uma função mais completa, onde são necessários conhecimentos em costura e modelagem, e muitas dessas profissionais buscam mais trabalhar em casa. Já o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial oferece cursos de capacitação de forma bem segmentada, para costura há cursos de costura em tecido plano, em malha em jeans, moda íntima, moda praia. ``Até porque varia o modelo da máquina e o próprio manuseio do tecido``, destaca Oirta Vasconcelos, gerente na área de confecção e têxtil do Senai. Para modelistas, os cursos também são segmentados, da mesma forma que os de costura. De acordo com Oirta, aproximadamente 2 mil pessoas são capacitadas por ano nesses cursos, e ainda assim o mercado precisa de mais gente. ``Desde o ano passado atendemos a indústria têxtil e confecções e a procura continua grande``, relata. Através do Plano Setorial de Qualificação e Inserção Profissional (Planseq), o Senai deve capacitar 1.000 costureiras, 100 modelistas, 125 cortadores e 60 mecânicos de máquina de costura. Consultoria O Sindiconfecções, conforme explicou Marcos Vinícius, faz um trabalho de consultoria em algumas confecções do Estado. 270 empresas cadastradas no Ceará são assistidas por técnicos do Sebrae e Senai que fazem um trabalho de acompanhamento, diagnosticando o que pode ser feito para inovar e fazer com que o empresário tenha mais estrutura. (Daiana Godoy). SERVIÇO SENAC Endereço: rua Boris, 90 C - Centro (próximo ao Centro Dragão do Mar) Telefone: (85) 3452 1242 www.ce.senac.br SENAI Endereço: avenida. João Pessoa, 6754 - Parangaba Telefone: (85) 3421.6133 www.senai-ce.org.br Escola Profissionalizante Berta Cruz Endereço: rua Oscar Leitão, 455, Messejana Telefone: (85) 3276.9164 | |
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| O POVO |
07 de março de 2010 |
| CURSOS | |
| Pop Cursos - SENAI- CETAFR | |
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Avenida do Contorno, 1395, Distrito Industrial - Maracanaú. Telefone: 3421 5005/ 5001
> Eletrônica Digital (80h) Período: 15/3 a 13/4 - Horário: 8 às 12 horas ou Período: 15/3 a 22/4 - Horário: 18 às 21 horas - Investimento: R$ 340 - Requisitos: a partir de 16 anos, ensino fundamental completo e ter cursado Eletrônica Linear. > Desenho Técnico (60h) Período: 22/3 a 12/4 - Horário: 18 às 21 horas - Investimento: R$ 115 - Requisitos: A partir de 16 anos, ensino fundamental completo. > Lubrificação (21h) Período: 8/3 a 12/3 - Horário: 8 às 12 horas ou Período: 8 /3 a 16/3 - Horário: 18 às 21 horas ou Período: 15/3 a 24/3 - Horário: 18 às 21 horas - Investimento: R$ 45 - Requisitos: A partir de 16 anos, ensino fundamental. > Instrumentação Básica (80h) Período: 22/3 a 13/4 - Horário: 18h as 21h - Investimento: R$ 132 - Requisitos: A partir de 16 anos, Ensino Fundamental Completo e ter cursado Eletricidade Básica. > Excel Avançado (30h) Período: 15/3 a 24/3 - Horário: 8 as 12 horas ou Período: 22/3 a 13/4 - Horário: 18 as 21 horas - Investimento: R$ 132 - Requisitos: A partir de 16 anos, ensino fundamental completo e ter cursado o curso de Excel Básico. | |
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| O POVO |
07 de março de 2010 |
| CURSOS | |
| Pop Cursos - SENAI - CFP AUA | |
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Avenida Padre Ibiapina, 1.280 - Jacarecanga. Teleone: (85) 3421 5300/ 3421 5303 - Email: senai-aua@sfiec.org.br - Site: www.senai-ce.org.br
> Controladores Lógicos Programáveis (80h) Período: 22/3 a 29/4 - Horário: 18h30min às 21h30min - Investimento: R$ 270 > Impressor Off-Set (160h) Período: 15/3 a 12/5 - Horário: 13 às 17 horas - Investimento: R$ 600 CAP RH Rua Carlos Vasconcelos, n° 1.774 - Aldeota. Telefone: 3457 6500/ 3457 6508 > Libras (Língua Brasileira de Sinais) (60h) Período: 6/3 a 8/4 - Investimento: 1+2 de R$ 80 > Matemática Financeira com Excel e Calculadora HP 12 C-0 (20h) Período: 8/3 a 12/3 - Investimento: 1+2 de R$ 70 > Excel Avançado (24h) Período: 6/3 a 20/4 - Investimento: 1+2 de R$ 60 > Preparatório para o mestrado em Administração/ Prova ANPAD 2010 Período: 2/4 a 30/5 - Investimento: 1+3 de R$ 90 | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| MERCADO DE TRABALHO - MULHER | |
| Consumo maior, salário menor | |
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Mulheres decidem as compras, ditam padrões de consumo e assumem profissões tidas como masculinas
No ano em que a data completa 100 anos, o que as mulheres têm para comemorar no dia 8 de março? Para o mercado consumidor, elas têm maior poder de decisão nas compras domésticas. Para o mercado de trabalho, elas ampliaram sua inserção e, principalmente, passaram a atuar mais em atividades antes eminentemente masculinas. Por outro lado, são mais endividadas e têm salários inferiores, na mesma função, em relação aos homens. De acordo com o superintendente da Federação do Comércio no Ceará (Fecomércio-CE), Alex Araújo, a participação das mulheres é preponderante no mercado consumidor. "A mulher tem uma importância grande naquilo que a família consome e maior capacidade de planejamento", afirma. Ele destaca que, por isso, nos últimos anos, o mercado dirige produtos para o gosto feminino. "A indústria automobilística, por exemplo, já faz ajustes para se adaptar às mulheres, como o espelho retrovisor, a maçaneta que não quebra unha, porta-objetos". São estratégias que garantem a venda para um público exigente e que racionaliza as compras, embora se tenha a ideia de que elas consomem por pura emoção. Apesar desta importância no consumo, Araújo ressalta que o mercado de trabalho ainda é desigual. "Há uma desvantagem para as mulheres. Elas ganham menos que o homem com igual preparo e na mesma função". Um efeito desta diferença é que elas são as mais endividadas. "Comprometem mais o orçamento com dívida que o homem", afirma Araújo. "Dão mais importância ao cuidado da família". Nesta luta com o orçamento doméstico, as mulheres têm alcançado vitórias no mercado de trabalho em relação a diversificar sua atuação. Atividades com ampla participação de homens têm aceitado o desempenho feminino. "Elas têm avançado em ramos tipicamente masculino", comenta. Segundo ele, no comércio e serviços, elas já têm mostrado competência em revenda de automóvel, atendimento de oficina mecânica. "São detalhistas, cuidadosas; o perfil feminino se adequa mais a atendimento ao público, a manuseio de dinheiro, mas permanece o salário desigual". Para ele, falta confiança patronal. "É uma luta de sindicato trabalhar por equiparação salarial. Elas trabalham, cuidam de casa, marido, filhos. Não faz sentido penaliza-las". Lugar de mulher é no canteiro Elas estão, literalmente, botando a mão na massa na construção civil. Na Capital cearense, alguns canteiros de obras já absorvem mulheres no quadro funcional. Assim acontece na construção do Hospital da Mulher de Fortaleza, no Jóquei Clube. Nesta obra, foi lançado o programa Mulheres Pedreiras no dia 24 de abril de 2009. É, segundo a Prefeitura, uma ação afirmativa sobre a inserção das mulheres no mundo do trabalho, rompendo com a segregação ocupacional. À época, 13 mulheres já haviam sido cadastradas na obra para aguardar frentes de serviço - as primeiras seis iniciaram os trabalhos um pouco antes - no dia 7 de abril. Por lá, inicialmente, chegaram Liduína, Veroneide, Cátia, Maria Vieira, Rosilene e Maria Aparecida. Depois foi a vez de outras quatro trabalhadoras, como Maria de Sousa Lima, a mais velha do grupo formado por nada menos do que10 pedreiras. Dona Darte, como é conhecida, já trabalhou como auxiliar de cabeleireira, doméstica e zeladora. No entanto, se diz mais realizada com o seu atual emprego. Aos 47 anos, casada com outro trabalhador da construção, mãe de cinco filhos - todos homens com idades que variam entre 17 e 27 - e avó de três crianças, ela conseguiu vencer a barreira do preconceito e se inserir em um mercado, predominantemente masculino. "Eu gosto de ser pedreira, me identifico com a profissão. Como passei tempo demais sendo dona de casa, foi uma grande vitória eu ter tido coragem de sair para trabalhar, mesmo depois dos 40 anos", afirma. Mas, ainda existe o preconceito, segundo ela. "Os homens sempre querem diminuir a gente, dizendo que lugar de mulher é na cozinha. Só pode ser é medo da concorrência. O meu próprio marido já me disse coisas desse tipo, que um canteiro de obras não era lugar para mim. Já as mulheres ficam admiradas da coragem que eu tive de vir trabalhar em meio a tantos homens", revela Dona Darte. Moradora do Conjunto Habitacional João Paulo II, sua rotina de trabalho é puxada. "Todo dia preciso pegar três ônibus para ir ao trabalho e outros três para voltar para casa. O primeiro turno é das 7h às 12h, e o segundo turno, das 13h às 15h45. Só em saber que estou tendo essa oportunidade, é muito bom. Vale muito a pena", afirma a pedreira. Profissionalização Para adentrar o mercado de trabalho, Dona Darte buscou a profissionalização através dos cursos de instalações hidro sanitárias e de assentamento de cerâmica (pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai), e de diálogo e gestão (pelo Centro de Referência de Assistência Social - CRAS). Ainda na sala de aula, Dona Darte começou a colocar em prática o conhecimento teórico, sendo estagiária em uma obra de construção de casas populares, no Bairro Álvaro Weine. Em seguida, veio a oportunidade na obra do Hospital da Mulher. O salário de R$ 730,00 ajudou a melhorar a condição de vida das 10 pessoas que residem em sua casa. "Hoje, graças a Deus a alimentação da minha família melhorou. Mas, por enquanto, só eu e meu marido trabalhamos e ele ganha o mesmo que eu. Apenas os meus dois filhos mais velhos estão estagiando", comenta a trabalhadora. Ao fim da conversa, Dona Darte, deixa um recado de estímulo para outras mulheres que estão em casa, com vontade de enfrentar o mercado de trabalho em áreas ditas masculinas, mas não tem coragem: "Eu diria que elas saiam de casa para ver como é bom lutar pelo que a gente quer e ignorem os comentários". Na obra do Hospital da Mulher, são 140 trabalhadores. O Programa Mulheres Pedreiras mantém 10 mulheres na obra atualmente. LÍVIA BARREIRA REPÓRTER Ceará já conta com mais de mil investidoras Não apenas no mercado de trabalho, na política e nos esportes. Elas também vem conquistando mais espaço no mundo das ações. Administrar o lar, educar os filhos, investir na carreira profissional e se programar para a aposentadoria. É nesse contexto que surge o interesse em adentrar um universo que vem deixando de ser predominantemente masculino. Atualmente, a cada cinco novos investidores, três são mulheres. Dados da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apontam que, de 2002 para 2010 a participação de investidoras do sexo feminino cresceu 809% no Brasil - saltando de tímidos 15.030 para 136.626 mulheres. A maioria tem idade entre 26 e 35 anos. No Ceará, já são mais de mil investidoras, que movimentam cerca de R$ 280 milhões e representam 27% do total de aplicadores nessa modalidade de investimento. "No Estado vem crescendo o número de pessoas aplicando em Bolsa, sobretudo mulheres. Elas estão entrando no mercado mais do que os homens e acabam puxando a família", diz o consultor Memória Júnior, da Senso Corretora. Clubes de investimento compostos somente por mulheres têm se tornado mais frequentes em Fortaleza. "Muitas mulheres acabaram percebendo que a rentabilidade na Bolsa é bem melhor a longo prazo", completa o corretor. Sua esposa, a pedagoga Ana Carolina Montenegro Memória, 31 anos, é uma das 98 cotistas de um clube de investimento, que está em operação há um ano. "Em setembro de 2008, comecei comprando e vendendo ações da Vale, Petrobras, Usiminas, Gerdau e outras. Entrei com R$ 15 mil", recorda ela, que já havia investido em ovinos e caprinos. Em novembro de 2009, começou a integrar o clube Mulheres Balão. "Minha mãe e minhas irmãs já entraram no clube", conta. Ela já faz planos para a vinda do primeiro filho e da aposentadoria. Desde 2009, a Bovespa reforçou o programa Mulheres em Ação, que surgiu depois de a instituição atentar para o maior interesse do público feminino. Caiu o mito de que apenas os homens aplicam no mercado de capitais e que é preciso ter um grande montante de dinheiro. Se a pessoa quiser comprar um lote (100 ações) da Petrobras, despenderá cerca de R$ 3.500. Se optar por comprar no fracionário (10 ações), investe R$ 350, mais a corretagem. (LB) Compra feminina é racional As consumidoras, sobretudo as brasileiras, têm um conjunto de características que ultrapassam as fronteiras dos estereótipos apregoados, segundo Stella Kochen Susskind, pioneira no Brasil na avaliação do atendimento ao consumidor por meio do "cliente secreto" e presidente da empresa de pesquisa Shopper Experience. Em levantamento recente com mulheres de 35 anos a 60 anos, realizada pela Shopper Experience em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a especialista colocou em debate os motivos que determinam a compra. "Embora o emocional seja extremamente relevante no consumo feminino, o elemento determinante é a presença dos quatro "Ps" - paquera, pesquisa, pechincha e prazer", afirma. A paquera - explica Stella - é aquele espaço no qual a sedução que o produto exerce sobre a mulher envolve elementos como apresentação da loja, abordagem de venda e adrenalina da novidade. Já na pesquisa, a mulher se certifica do custo-benefício do produto; questiona se a paquera tem potencial para se tornar "algo mais". "A pechincha é o momento em que põe em xeque o valor, a qualidade de uma relação embrionária. No prazer, a conclusão de um ritual sedutor que envolve emoções complexas e extremamente femininas. Embora o emocional esteja presente em cada um dos "Ps", há muito do racional em cada etapa", diz. Em todas as pesquisas, o atendimento de excelência determina e direciona uma venda de qualidade, peça-chave para a construção de uma relação duradoura entre consumidoras e marcas. "As mulheres já equivalem a 51% da população brasileira, além de influenciar e inspirar o consumo masculino. E como nada indica que o contrário seja pertinente, é essencial para o sucesso do negócio entender quais são os elementos que compõem o que as mulheres associam a um bom atendimento. É nesse contexto que entra um quinto P - o pré-atendimento". As entrevistadas pela Shopper Experience não economizaram elogios ao pré-atendimento, ou seja, aos vendedores que se apresentam com cortesia, colocando-se à disposição para ajudar. "A partir dessa apresentação simples e eficaz, esse profissional cede espaço para a "paquera", para aquele primeiro "P" que desencadeará todo o encantamento que envolve uma experiência de compra perfeita; uma experiência que envolve conquista, prazer, alegria, surpresa". Para Stella, é preciso abrir mão da lógica cartesiana para entender que o aspiracional feminino pode ser objetivo e prático, sem perder a emoção que permeia cada etapa da compra. Essa é a singularidade feminina, mostrando que o prazer não é inerente a ou um atributo de todo tipo de compra. "As mulheres são mais elaboradas do que a visão simplista. A mulher que está paquerando a vitrine pode desistir do namoro a qualquer momento, se associar o atendimento ao descaso do objeto de desejo. Elas sabem que as paixões são efêmeras". Elas são 45,9% dos ocupados As mulheres representam 46,8% da população economicamente ativa na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e 45,9% do total de ocupados. Em números absolutos, são 694 mil mulheres trabalhando. Por outro lado, elas também figuram nas estatísticas de desemprego, com uma taxa de 12,9% - quase três pontos percentuais acima da taxa masculina de 10%. A taxa de desemprego feminina da Grande Fortaleza é a segunda mais baixa entre as regiões metropolitanas pesquisadas. Já a proporção de mulheres no contingente de desempregados é de 53,1% - a menor inserção entre as áreas. A situação é pior em Recife e Salvador. A precarização no mercado de trabalho é uma realidade brasileira, mas se faz sentir ainda mais forte entre as mulheres. E mais ainda entre as trabalhadoras domésticas da RMF. O rendimento médio por hora trabalhada aqui é de R$ 1,72, na média. Mensalistas ganham em média R$ 1,64 e diaristas, R$ 2,42. Ainda assim, são os menores ganhos entre as áreas da pesquisa, que abrange Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e o Distrito Federal. Cargos de chefia Carregada de significados relacionados à luta pela igualdade, este ano o Dia Internacional da Mulher marca também a consolidação de uma grande conquista: de acordo com levantamento realizado pela Catho Online em fevereiro deste ano, as mulheres já representam 21,88% dos cargos mais elevados (presidentes e CEOs). Ou seja, avaliando os números e considerando o patamar alcançado há 13 anos, quando a participação feminina era de apenas 10,39%, o espaço ocupado pelas mulheres desde então deu um salto expressivo. Já o porcentual de mulheres ocupando espaço como diretoras saiu de 11,60%, em 1996, para 25,45%, em 2009. Em empresas de pequeno porte, mulheres ocupam cargos mais altos, enquanto nas empresas de grande porte, elas representam a maioria em cargos como os de coordenadores e encarregados. Em relação às áreas de atuação, elas preferem Recursos Humanos, com 72,90% de mulheres trabalhando no setor. A área de Tecnologia tem a menor participação feminina: 16,15%. Setor dá oportunidade a elas Empresas privadas que operam no transporte coletivo de Fortaleza já começam a oferecer oportunidades de emprego para o sexo feminino. Quem entra em um dos ônibus da Timbira que faz a linha João XXIII, na periferia de Fortaleza, logo se admira com a motorista Nádila Ferreira Coelho, 43 anos, ao volante. "Sempre tem quem acha novidade uma mulher dirigindo. Ainda existe algum preconceito, mais por parte das próprias mulheres. Mas, a maioria delas dá os parabéns", comenta Nádila, que dirige coletivos há oito anos. E já conduziu as linhas Paranjana, Castelão, Parangaba/Papicu, Padre Andrade e Igreja São Raimundo. Determinação Conversando com Nádila logo percebe-se a sua garra e determinação no trabalho e na vida. Com um salário de R$ 1.120 para um turno, a motorista costuma fazer hora extra para complementar a renda mensal. Mas, ela não reclama. "Gosto do que eu faço. Antes de dirigir coletivos, conduzi transporte escolar por 10 anos, juntamente com meu ex-marido", diz. Moradora do Bairro Jardim Guanabara, ela desperta todo dia às 4 horas, chegando à empresa ainda com os primeiros raios de sol. "De segunda-feira à sexta-feira, minha rotina de trabalho começa às 5h15 e vai até às 13h14. Quando faço extra estico até às 20h30 ou 21 horas. Tem a demanda da empresa e eu sempre me coloco disponível", informa Nádila. Dos colegas de trabalho, ela também já conquistou o respeito e manda até um recado para os patrões: "Nós, mulheres, podemos fazer muita diferença. Levamos algumas vantagens em relação aos homens, como não ter o hábito de beber e ficar de ressaca. Dirigimos na defensiva. Os homens até dizem que é medo, mas não é. Somos precavidas e mais zelosas com o carro da empresa. Também somos mais pontuais e menos grosseiras com os passageiros". Orgulho Vaidosa assumida, ela não dispensa o batom, o cabelo solto, a unha feita e um anel no dedo. Necessidades femininas típicas. Sua única filha, de 20 anos, apesar de não ter escolhido o mesmo rumo profissional - está na faculdade de enfermagem - mantém o orgulho pela mãe. "Ela estudava em um colégio e as amigas perguntavam: tu não tem vergonha da tua mãe ser motorista? E ela sempre respondia que não, que é um trabalho como outro qualquer", conta. A inspiração e a vontade de vencer na vida vem de família. "Minha irmã também é uma guerreira. Vira a noite vendendo lanche na porta das festas. Ela sempre me dá muita força", revela Nádila. (LB) COM DETERMINAÇÃO Responsabilidade no dia-a-dia de um táxi Em um ponto de táxi na Praia de Iracema, entre o hotel Holliday Inn e o Ideal Clube, lá está ela. A rotina de Maria Edineusa Boaventura Barbosa, 43 anos, é puxada e cheia de responsabilidades. Taxista há 18 anos, durante o dia ela cuida da casa, dos filhos e do marido, que há seis anos sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). À noite, quando o esposo - que também já foi taxista - está se preparando para dormir, por volta das 21h é que, começa a ganhar as ruas de Fortaleza no volante de seu táxi. "Eu faço meu horário. Passo a noite fora trabalhando e só volto para casa por volta de 4h da manhã", relata a taxista. Exemplo de determinação e dedicação ao trabalho e à família, com o dinheiro que ganhou fruto de seu trabalho, Edineusa conta que já conseguiu colocar os dois filhos mais velhos na faculdade - de Engenharia de Informática e Matemática - e levantar sua casa em um terreno adquirido no Conjunto Ceará. Sua renda mensal varia de acordo com a época do ano. "Se trabalhar 15 horas por dia, consigo tirar entre R$ 5 mil e R$ 6 mil", diz. No começo ela lembra que sentiu na pele o preconceito. "Era mais por parte dos companheiros de trabalho. Mas, hoje eles estão mais abertos a essa realidade da mulher no mercado de trabalho". A clientela que formou ao longo dos anos é ampla e diversificada. "Tenho desde turistas, onde muitos acabam indicando para outros amigos que vem de férias para a cidade; a mães que confiam em mim para ir buscar a filha numa festa. Isso é o que me realiza profissionalmente, porque é gratificante saber que o meu trabalho é reconhecido, comenta Edineusa, que nunca teve medo de ralar para valer, tendo sido até motorista de ônibus, durante quatro anos. Na cidade mexicana de Puebla, uma frota exclusiva de táxi dirigido por mulheres opera desde o ano passado. É a única do tipo que se tem notícia na América Latina. Chamados de "Pink Taxi", 35 carros cor-de-rosa são voltados para clientela feminina, sobretudo donas de casa, universitárias e idosas. (LB) Adaptação também no comando da construção Em meio a tijolos, cimento, vigas sendo erguidas e barulho de brocas, lá estão elas. Apesar de a construção civil ser historicamente um reduto de homens, no século XXI o setor começa a enxergar melhor a competência das mulheres. Engenheira Civil há 10 anos, Denise Soares, 38 anos, é um bom exemplo disso. Já tendo morado por 5 anos no exterior, acabou adquirindo mais experiência para exercer a profissão. O último trabalho fora do Brasil foi supervisionando a construção de um resort em São Tomé e Príncipe (na África), onde ficou por um ano. Acompanhando o marido, que é administrador de empresas, ela também passou por Portugal, Inglaterra, Alemanha e Zâmbia. "Dentro da obra, os funcionários têm muito respeito pela mulher. Fazem o serviço com boa vontade. Comigo as pessoas tem menos resistência do que com homens. Eu acho a mulher mais fácil de negociar. Tem o jeito mais dócil, mas sempre muito firme", ressalta Denise. Na obra que ela trabalha atualmente (a construção de um condomínio horizontal, em Messejana), ainda não existem funcionárias mulheres. "Mas já estamos pensando em admitir, porque a mulher é mais centrada, mais responsável. Pega uma função e logo desempenha. Projetos do Sinduscon (Sindicato das Indústrias da Construção Civil) já colocam mulheres e está dando muito certo. É uma tendência que está começando, mas vai pegar. Mulher é mais caprichosa, mais detalhista. Onde ela chega no mercado de trabalho conquista", comenta a engenheira. De uma família de duas irmãs a outra seguiu a carreira do Direito, Denise conta que resolveu seguir a Engenharia porque gostava muito de matemática. "Hoje, não me vejo fazendo outra coisa", ressalta. Dividida entre o trabalho e a família, ela que passa o dia inteiro longe de casa, coordena os afazeres domésticos de longe, via celular. "Acordo muito cedo e só retorno a noite. Ser dona de casa e estar no mercado de trabalho requer muita dedicação e disposição. Mas, sempre consegui conciliar tudo", observa a trabalhadora. (LB) A opinião do especialista A arte de liderar Dezzé Mineiro Há algumas diferenças significativas entre homens e mulhe- res que ocupam cargos de liderança. A que me chama mais a atenção é a sensibilidade, que nós, mulheres, podemos ter e usar sem medo no dia a dia. Os homens, mesmo os sensíveis, têm receio de demonstrar essa característica por a considerarem muito feminina. Mas a sensibilidade é fundamental para um líder. Os homens ainda convivem com o velho preconceito que não po- dem chorar, demonstrar fraqueza. Li um artigo de Mariana Ara- guaia, graduada em Biologia, da Equipe Brasil Escola, que dizia: "aproximadamente 75% dos homens e 85% das mulheres sen- tem-se melhor depois de chorar: e isso não é por acaso. Em deter- minadas situações, nosso cérebro produz certas substâncias, co- mo a prolactina, que ativam a ação das glândulas lacrimais. Esta, cujas concentrações aumentam em momentos de estresse, reduz novamente sua quantidade quando começamos a chorar; tal como a adrenalina. Este fator, aliado à liberação de substâncias como a leucina-encefalina, noradrenali na e serotonina, nos proporciona uma sensação anestésica e de calma, aliviando a angústia e libe- rando a tensão". Portanto, esse fator cultural que "proíbe" os ho- mens de serem sensíveis coloca a mulher numa condição de van- tagem. Se eles dessem um pouco mais de atenção à sensibi- lidade, talvez tivessem o mesmo êxito que nós no que as pessoas costu- mam chamar de "sexto sentido". Outro ponto a favor das mulhe- res é a facilidade de tomar decisões mais difíceis. Em sua maioria, os homens sofrem mais com isso, empurram decisões para frente e, muitas vezes, penalizam a empresa com essa postura. Trabalhei com um que, durante anos, aturou pessoas sem competência por- que achava que teria dificuldade para encontrar profissionais. Dezée Mineiro é CEO da DQS do Brasil e América do Sul e já ganhou prêmios de liderança Conciliar atividades é desafio De cada três postos de trabalho criados no mundo, a partir da década de 70, dois são ocupados por mulheres. Em algumas economias, elas já representam mais da metade da mão-de-obra empregada. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, sua participação no mercado passa de 60%. No Brasil, os dados apontam que a presença feminina já equivale à dos homens. No alto escalão das empresas, elas ainda são minoria, mas as estatísticas mostram que estão ocupando mais postos na hierarquia. Para Joji Ueno, ginecologista, doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP, o avanço feminino nas empresas vem acompanhado de uma evidente contradição: elas estão menos satisfeitas do que seus colegas do sexo masculino. "No levantamento realizado pela consultoria Hay Group no qual 15% dos 1.161 profissionais entrevistados eram mulheres, as executivas afirmaram se sentir mais injustiçadas nas promoções e indicaram estar menos contentes com seus salários", comenta. No Brasil, acrescenta ele, um levantamento realizado pela consultoria Watson Wyatt com 109 empresas mostrou que a defasagem salarial das mulheres em cargos executivos é, em média, de 5%. Nos postos de direção, a diferença chega a 7%. "A insatisfação feminina é algo presente mesmo em economias mais maduras, como a americana. Um estudo feito pela Universidade Radford, nos Estados Unidos, apontou que, quanto mais alta a posição e maior o nível educacional exigido para o cargo, a mulher, mesmo tendo a mesma formação e ocupando o mesmo posto, invariavelmente ganha menos", diz. Para o especialista, o ambiente de trabalho ainda não contempla as necessidades da mulher. "São necessárias muitas mudanças para que a maternidade e o sucesso profissional possam caminhar lado a lado: jornadas flexíveis, possibilidade de trabalhar à distância, oferta disseminada de benefícios, como creches", argumenta. Segundo ele, a maior pressão sentida hoje pela mulher não é a de provar sua competência, mas sim o próprio desejo de conciliar o trabalho com a família. "O difícil balanço entre a vida profissional e a pessoal está na raiz de grande parte da insatisfação manifestada pelas mulheres no mercado de trabalho", diz. Ele acrescenta que, estudos mostram, por exemplo, que a maternidade pode causar grandes prejuízos à carreira. "A maternidade no início da carreira é o principal fator de desigualdade salarial entre homens e mulheres, segundo pesquisa do instituto inglês Women and Work Commission. O estudo aponta que as mulheres britânicas ganham, em média, 17% menos que os homens. Uma das justificativas é o fato de elas optarem por trabalhar meio período, após o nascimento do bebê. De acordo com o Institute for Fiscal Studies, a inglesa que se torna mãe aos 24 anos e decide encurtar a jornada pode deixar de ganhar 1 milhão de dólares ao longo da carreira", informa. No ano em que sai de licença-maternidade é praticamente certo que a executiva não receba aumento por mérito. Mulheres que decidem deixar o trabalho por mais tempo para cuidar dos bebês, por um ou dois anos, sofrem penalidades ainda maiores. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, pelas empresas Ernst & Young, Goldman Sachs e Lehman Brothers mostrou que, nesses casos, a perda salarial é, em média, de 28%. PARTICIPAÇÃO DELAS Seguro de vida vira foco de investimento As mulheres já são 42% dos clientes de seguro de vida, conforme o resultado da pesquisa Target Group Index, do Ibope, com base em 19.456 entrevistas realizadas com pessoas de ambos os sexos das classes AB, C e DE, entre 12 e 64 anos, que representam 45% da população brasileira, ou 64 milhões de pessoas. A pesquisa foi feita nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Brasília e nos interiores de São Paulo e das regiões Sul e Sudeste. Segundo o diretor de Marketing da Mongeral Aegon, Luiz Claudio Friedheim, uma explicação para essa tendência é o fato de que, de uma maneira geral, a expectativa de vida da mulher é mais alta que a do homem e, por isso, o seguro de vida é mais barato. Além disso, a mulher muitas vezes se preocupa mais com a família e de que forma seus dependentes vão ficar, caso um dia ela falte. "O aumento da participação da mulher no cenário econômico nacional, o crescimento do número de famílias tendo a mulher como principal responsável pelo sustento e o próprio interesse da mulher por produtos que proporcionem proteção financeira aos seus dependentes, são fatores que desencadeiam o crescimento delas no mercado", afirma o diretor. A seguradora já sente o aumento da procura por este tipo de benefício. Hoje, 49% da carteira total de clientes da empresa são mulheres. A companhia possui um seguro voltado especialmente para o público feminino, o Vida Toda Mulher. Desde 2005, quando foi lançado, até o ano passado, cerca de 71% das clientes que buscaram a companhia para adquirir produtos, contrataram o benefício. Entre as coberturas mais solicitadas dentro do seguro estão as mortes acidental e natural. A publicitária Valéria Borges contratou um seguro em 2006. Para ela, que é casada e tem dois filhos, o investimento é um dinheiro bem aplicado. "Eu trabalho muito na rua. Sempre estou em reuniões, em gráficas, ando muito de carro. Só em saber que, se algo acontecer comigo, os meus filhos vão receber um dinheiro, sem ficarem desamparados, é um alívio", afirma. Já a funcionária pública Edilce Sousa resolveu fazer o seguro depois do falecimento dos pais. "Meus pais tinham seguro e, depois que eles faleceram é que eu percebi o quanto é importante. Não tenho filhos, mas deixei os meus sobrinhos como beneficiários. Nunca se sabe o que pode acontecer", finaliza. | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
07 de março de 2010 |
| ESTÁGIO | |
| Colégios não regulamentam estágio | |
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Estudantes do ensino médio são impedidos de estagiar por falta de adequação das escolas
ANDRÉ LOBATO DA REPORTAGEM LOCAL Escolas de todo o país ainda não fizeram a tarefa de inserir o estágio em seu projeto político-pedagógico. Sem esse dever cumprido, cabe aos alunos voltar para casa depois da aula, pois não podem estagiar. O problema está na Lei do Estágio (nº 11.788), de setembro de 2008, a primeira a especificar claramente a possibilidade de estágio no ensino médio. Segundo o texto, o Termo de Compromisso do Estágio -um contrato entre escola, estudante e empresa- só é válido se constar do PPP (projeto político-pedagógico) do colégio. A rigor, uma frase nesse documento garante a conformidade com a lei. Mas grande parte das escolas brasileiras ainda não fez essa modificação, apontam agentes locais de integração entre empresas e estudantes, delegacias regionais do trabalho e membros de conselhos estaduais de educação ouvidos pela Folha. Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Rondônia estão entre os Estados que apresentam problemas. A maioria, entretanto, avança na adequação. Fraude Mesmo que todas as demais exigências, como supervisão por professores, sejam cumpridas, sem a alteração no PPP o estágio é considerado fraude trabalhista, explica Cássio Casagrande, membro da Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho, do Ministério Público do Trabalho. Ele afirma que, em todo o país, há denúncias de termos de estágio assinados sem que o PPP esteja adaptado. O IEL (Instituto Euvaldo Lodi) e o Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola) afirmam que fazem ações em diversos Estados para estimular a adequação à lei. Para o superintendente nacional de operações do Ciee, Eduardo de Oliveira, há um aumento do interesse das escolas e das secretarias nesse ajuste. "A oferta [de estágio] estimula as escolas a aderirem à lei. Até porque o aluno cobra." Ou troca de escola, como fez Ully Evelyn da Costa Ayres, 19. Ela mudou para colégio adequado à lei para poder depois de perder uma vaga de estágio. "Preciso ajudar minha mãe em casa. O estágio dá mais responsabilidade e ajuda a escolher o que quero fazer na faculdade." Matheus do Brasil, 19, do Maranhão, também ficou sem atividade. "Se estivesse numa escola particular não teria perdido meu estágio. Foi só com os alunos das públicas", diz. Estados avançam, mas poucos resolvem o problema na totalidade das unidades DA REPORTAGEM LOCAL Alguns Estados afirmam ter resolvido o problema da inserção do estágio no PPP (projeto político-pedagógico) da escola por meio de um texto para toda a rede estadual de ensino. É o caso de Minas Gerais e São Paulo. A Secretaria de Educação do primeiro o fez pelo decreto nº 45.036/ 09, e, a do segundo, pela resolução SE-40. A Secretaria de Educação do Rio de Janeiro também assegura contar com texto estadual, mas reconhece que ele não isenta as escolas da necessidade de incluir o estágio no PPP. No Paraná, as escolas públicas e privadas foram regulamentadas no ano passado. Outros Estados progridem, mas boa parte não resolveu o problema na totalidade das escolas. A Secretaria de Educação do Ceará, por exemplo, prevê que os colégios estarão adaptados neste ano. No Rio Grande do Sul, 95% dos colégios incluíram a possibilidade de estágio no PPP, diz a secretaria de Educação. Parte do avanço nesses Estados -e em outros, como Acre, Amazonas e Rondônia- deveu-se a encontros entre agentes de integração de estágio, diretores de escola e secretarias estaduais de educação. Juntos, debateram fórmulas e estimularam escolas a se adaptar e supervisionar os estudantes. A fiscalização também tende a gerar resultados. Na Bahia, a Superintendência Regional do Trabalho afirma que cobra os centros integradores para que permitam que apenas estudantes de escolas adaptadas estagiem. No Maranhão, os estágios foram suspensos por ordem da Procuradoria Regional do Trabalho. A Folha não obteve resposta das demais secretarias estaduais de Educação. Gestor deve analisar se finalidade é educacional Diretores vetam experiências que não envolvem orientação de aluno DA REPORTAGEM LOCAL Após o estágio ser inserido no projeto político-pedagógico, o diretor da escola é quem assina o Termo de Compromisso de Estágio -feito entre colégio, empresa e estudante. A função, contudo, não é tão burocrática quanto gostariam alguns alunos. Cabe ao gestor da escola avaliar se as condições propostas pela companhia permitem algum tipo de desenvolvimento do jovem. Isso porque muitas empresas utilizam o contrato de estágio para trabalhos sem nenhuma orientação, afirma o procurador do Ministério Público do Trabalho Cássio Casagrande. "Temos o caso de uma rede de fast food que contratava estagiários para fritar hambúrgueres", exemplifica. Para estudantes de baixa renda, no entanto, o estágio é encarado como um trabalho. Joana (nome fictício), 16, conta que a remuneração recebida iria para as despesas de casa e suas próprias e para a compra de livros quando fosse aprovada na universidade. A jovem até foi selecionada para atuar na área de cobrança por telefone de uma firma, mas a diretora de seu colégio se negou a assinar o termo. Justificativa: não se tratava de estágio. Para o procurador, aprender a se relacionar com o chefe e com os colegas, ter disciplina e adquirir experiência são ganhos "simplesmente acidentais" quando o jovem está inserido no mercado de trabalho. Ele argumenta que estudantes como Joana devem considerar que, como empregados ou aprendizes, receberiam mais e ainda contribuiriam para a Previdência Social. Jaqueline Teixeira da Silva, 16, teve uma experiência parecida à de Joana. A diretora de seu colégio, em São Paulo, vetou a proposta para que a jovem trabalhasse em um restaurante cinco horas por dia, inclusive nos fins de semana. "Ela explicou que não era estágio. Chamou a minha mãe para conversar e nos convenceu", diz Silva, que continua em busca de uma oportunidade. PERMITIDO Estudantes de escolas que não incluíram o estágio em seu PPP podem recorrer a instituições: A Secretaria de Educação pode orientar o diretor sobre como fazer a mudança Os centros de integração de estágio têm interesse na regulação e podem ajudar Caso haja pessoas na escola estagiando em situação irregular, uma saída é pedir para que a Delegacia Regional do Trabalho oriente a instituição Fontes: especialistas Questionado, ministério reagenda a publicação de nova cartilha para este mês DA REPORTAGEM LOCAL Publicada em outubro de 2008, a Cartilha do Estágio foi desenvolvida pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e pelo MEC (Ministério da Educação) para melhorar o entendimento da lei nº 11.788, que regula o estágio em todos os níveis e modalidades de ensino público e privado no Brasil. Agora, uma nova cartilha será lançada ainda neste mês, afirmou Ezequiel Nascimento, secretário de Políticas Públicas de Emprego, do MTE. Em 25 de outubro do ano passado, a Folha antecipou o novo texto e apontou deslizes, como a falta de clareza sobre o recesso proporcional ao tempo estagiado. A publicação, que seria lançada dias após a veiculação da matéria, foi adiada. Nesta semana, questionado pela reportagem, Nascimento afirmou que reagendaria a data de lançamento com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Em um novo contato, o secretário declarou que o texto estaria disponível ainda neste mês. A data, segundo ele, será decidida em uma reunião na próxima terça-feira. Pela lei, o estágio é matéria educacional, cabendo ao MTE fiscalizar esta relação quando for considerada fraude de trabalho. Ao MEC compete analisar o caráter educacional trazido por essa experiência. O MEC afirmou não ter nenhuma ação com foco em estágio prevista em seu projeto Ensino Médio Inovador. O programa trataria do trabalho, "não apenas no sentido profissionalizante mas também em seu sentido ontológico", segundo o diretor de formulação de políticas de educação profissional e tecnológica, Luiz Caldas. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| ESTÁGIOS | |
| Estágios - IEL | |
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Administração
Vagas: 01 Remuneração: R$ 354,00 Seleção: IEL Informações: candidato deve estar entre o 3º e 4º semestre, possuir conhecimentos em informática e vivência na área administrativa. Vaga das 13h às 19h com direito a auxílio transporte (R$ 1,80 por dia), vale-alimentação (R$ 220,00), plano de saúde e odontológico. Vagas: 20 Remuneração: R$ 390,00 Seleção: IEL Informações: candidatos do 1º semestre já podem participar da seleção; estágio das 8h às 14h ou das 14h às 20h. Vaga ainda oferece auxílio transporte. Ciências Contábeis Vagas: 01 Remuneração: R$ 440,39 Seleção: IEL Informações: candidato deve possuir conhecimento em Word e Excel em nível intermediário, além de matemática financeira e estatística. Estágio das 8h30 às 12h30 ou das 13h30 às 17h30. Oportunidade dá direito a auxílio transporte e plano de saúde. Secretariado Vagas: 02 Remuneração: R$ 364,00 Seleção: IEL Informações: interessados na oportunidade devem possuir conhecimento básico em informática e 50% dos créditos já cursados. Estágio das 7h30 às 11h30, com direito a auxílio transporte no valor de R$ 6,00 por dia. Engenharia de Produção Vagas: 01 Remuneração: R$ 650,00 Seleção: IEL Informações: candidato deve possuir conhecimento em Word e Excel em nível intermediário. Interessado também deve cursar a partir do 5º semestre. IEL Av. Barão de Studart, 1980, Sobreloja, Aldeota - Tel: (85) 3421- 6511 | |
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| O POVO |
07 de março de 2010 |
| ESTÁGIOS | |
| Pop Estágios - IEL | |
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Telefones: (85) 3421.6511/ 3421.6510/ 3421.6514 - Site: www.iel.org.br/estagio e www.mundoiel.org.br
> Administração Código: 6.010 - Vaga: 1 - Semestre: 4º ao 6º semestre - Carga horária: 30h/semana - Bolsa: R$ 500 + Aux. Transporte - Requisitos: Vivência na área financeira (contas a pagar e receber) e pacote office > Téc. em Mecânica, Elétrica e Mecatrônica Código: 6.024 - Vaga: 1 - Semestre: A partir do 2º semestre - Carga horária: 30h/semana - Bolsa: R$ 460 + Aux. Transporte - Enviar currículo para o estagio-iel@sfiec.org.br, colocando no assunto o código da vaga > Secretariado Executivo Código: 6.047 - Vagas: 2 - Semestre: 50%¨dos créditos já cursados - Carga horária: 25h/semana - Horário: 7h30min às 11h30min - Bolsa: R$ 364 + Aux. Transporte (R$ 6 por dia) - Requisitos: Informática Básica > Administração Código: 6048 - Vaga: 1 - Semestre: A partir do 1º semestre - Carga horária: 30h/semana - Horário: 14 às 20 horas - Bolsa: R$ 430 + Aux. Transporte - Requisitos: Informática Básica - Enviar currículos para o estagio-iel@sfiec.org.br, colocando no assunto o código da vaga > Administração Código: 6.049 - Vaga: 1 - Semestre: A partir do 1º semestre - Carga horária: 30h/semana - Horário: 14 às 20 horas - Bolsa: R$ 430 + Aux. Transporte - Requisitos: Informática Básica - Enviar currículos para o estagio-iel@sfiec.org.br - Colocando no assunto o código da vaga > Administração ou Contábeis Código: 6.088 - Vagas: 20 - Semestre: A partir do 1º semestre - Carga horária: 30h/semana - Horário: 8 às 14 horas ou 14 as 20 horas - Bolsa: R$ 390 + auxílio transporte > Administração, Contábeis, Direito e Engenharia Civil | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| AEDI | |
| Aedi quer juntar os distritos | |
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* Presidente da Associação das Empresas dos Distritos Industriais do Ceará
Há um ano, o empresário Edilson Teixeira Júnior, 45, tomou posse do comando da Aedi. Atuando no ramo de refeições coletivas, ele está dedicado ao esforço de transformar sua entidade no manto empresarial dos distritos industriais do Ceará Que números tem a AEDI, que, havia 30 anos, era a Associação das Empresas do Distrito Industrial de Maracanaú e agora é a Associação das Empresas dos Distritos Industriais do Ceará? Nós temos, aproximadamente, 90 empresas associadas. Temos hoje parceria com diversas instituições de grande porte, como a Federação das Indústrias, o Banco do Nordeste, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza, a Cegás, o IEL e a Coelce. É com elas que pretendemos executar diversos projetos que temos. Por exemplo: temos com a Cegás, ainda em fase de assinatura, uma iniciativa de responsabilidade social que, quando implementada, beneficiará 30 famílias engajadas em um projeto de horta comunitária orgânica. Ele se desenvolverá em Maracanaú, cuja Prefeitura está associada à AEDI nesse empreendimento. Há outros números da AEDI? Bem, as empresas industriais associadas à AEDI representam 40% do PIB estadual cearense. Temos, então, um quadro de associados bem qualificado. Essas empresas, vale lembrar, dão emprego direto hoje a mais de 10 mil pessoas. Mas só a Grendene, no Distrito Industrial de Sobral, emprega 26 mil pessoas! É, mas a Grendene não faz parte da AEDI. Nós não estamos falando sobre as ações da Associação das Empresas dos Distritos Industriais do Estado do Ceará? Até o ano passado, a AEDI estava restrita ao Distrito Industrial de Maracanaú. Neste ano, ela passou a ter um projeto de amplitude estadual, mas, neste momento, a AEDI, sob a minha gestão, está a consolidar-se, primeiro, na área da Região Metropolitana de Fortaleza. Nós temos hoje uma diretoria regional para Caucaia e São Gonçalo do Amarante, outra diretoria regional para Horizonte e Pacajus. A nossa sede, que se localiza na cidade de Maracanaú, abrange Pacatuba e Maranguape. Estamos em fase de negociação para a criação de uma diretoria regional para Eusébio e Aquiraz, onde há grandes empresas industriais já instaladas e a instalar-se. E no interior do Estado? Bem, nós estamos muito focados na consolidação do nosso trabalho na Região Metropolitana. O interior, com certeza, será a segunda etapa do nosso planejamento estratégico. Se não fosse a guerra fiscal, existiria a AEDI? A guerra fiscal existe no âmbito estadual. A AEDI busca atender à demanda do empresariado. Quando o empresário chega, ele nos solicita apoio para a aquisição de terreno em determinado município. Nós procuramos prestar a ele a melhor consultoria, assistindo-o na aquisição do terreno, na oferta da mão de obra qualificada, nos contatos com as autoridades municipais. É importante deixar claro que a AEDI busca a interlocução municipal, assim como a Fiec faz a interlocução estadual e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) faz a interlocução com a área federal. Do ponto de vista do presidente da AEDI, qual é o Distrito Industrial de futuro mais promissor no Ceará? Hoje, como promessa de desenvolvimento, nós temos o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, que é um distrito industrial estadual. Ele deverá ser, sem dúvida e no curto prazo, a maior área industrial do Ceará, a partir de quando estiverem implantados os grandes projetos estruturantes, como a refinaria de petróleo e a siderúrgica. Há algum Distrito Industrial Federal? Quando passar a existir, a Zona de Processamento para a Exportação (ZPE) será o primeiro Distrito Industrial Federal do Estado do Ceará. Como é, do ponto de vista da AEDI, a convivência das prefeituras dos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza diante da guerra fiscal por atração de empresas? De fato, há algum acirramento entre algumas prefeituras municipais, mas temos buscado amenizar isso por meio da definição da melhor vocação para o perfil de cada um dos municípios. Recentemente, tivemos o caso da Mawee, que acabou optando por Pacajus porque entendeu que lá ela teria as melhores condições para se instalar. Como é o processo de intermediação da AEDI? Ela tenta sensibilizar o empresário que está chegando ou a Prefeitura que tem o terreno? Nós fazemos isso juntos. Ora é o empresário que nos procura, e nós o apresentamos às autoridades da Secretaria de Desenvolvimento do Município; ora é o empresário que procura a autoridade municipal e esta vem até nós para que o recebamos e, em seguida, façamos a apresentação da empresa a outras entidades. Qual é a interferência política no trabalho da AEDI nessa intermediação? Na realidade, o nosso papel é de construir pontes, conduzindo a empresa à Federação das Indústrias, aos sindicatos, ao Senai em busca de capacitação de sua mão de obra. É um trabalho político sadio. Reformulando a pergunta: há deputados federais, estaduais, vereadores que tentam influenciar o trabalho da AEDI? Não, não! Temos uma relação com o Poder Público e com os deputados e vereadores que se desenvolve de forma extremamente sadia. Não há pressão política nem interferência política no nosso trabalho. Empresas do Sul que se implantam aqui com incentivos do Governo do Estado e das prefeituras preferem, em muitos casos, construtoras também do Sul para a implantação de suas fábricas, em detrimento das cearenses. Qual a posição da AEDI a respeito? A AEDI acredita que o Ceará tem empresas de altíssima categoria e em condições de atender, com competência e qualidade, qualquer que seja a atividade. Temos algumas dificuldades com questões tecnológicas mais avançadas, como a cadeia do petróleo e gás. Mas entendemos que a empresa que vem instalar-se no Ceará com incentivos tem a obrigação de promover o desenvolvimento local por meio do processo de sua instalação aqui, dando preferência aos produtos e aos serviços de empresas cearenses. Isso, aliás, está previsto nos protocolos de intenção que as empresas celebram com os governos do Estado e dos municípios. Como vai a inovação nas empresas associadas à AEDI? Temos alguns "cases". O Ceará tem um universo de empresas com talento inovador muito forte e muitas vezes não reconhecido. Exemplo: a empresa Impacto e Protensão, por exemplo, já é dona de algumas patentes, uma das quais - a que permite o uso de paredes de plástico reciclado não inflamado na construção de casas e escolas - já é utilizada na construção de novas unidades de ensino da Prefeitura de Maracanaú. No segmento de alimentos, temos o caso da Serlares, que faz refeições coletivas e que utiliza uma tecnologia que garante a alta qualidade do que serve e, ainda, faz economia de energia elétrica pelo uso de fontes alternativas. A AEDI pensa em desenvolver o Projeto Condomínio Industrial. O que isso? É uma iniciativa concebida pela AEDI na gestão passada da ex-presidente Ana Lúcia. O projeto contempla o uso de diversos equipamentos não só urbanos, que agreguem a comunidade, mas também de apoio à atividade industrial, como um porto seco, um terminal intermodal, um operador logístico, uma área de convivência para motoristas, acessibilidade etc. O projeto foi desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas por encomenda da Prefeitura de Maracanaú e está agora na fase de captação de recursos. Mas há também o Projeto Cores da Cidade. De que se trata? É outra iniciativa da AEDI. Esse projeto vai transformar o Distrito Industrial de Maracanaú por meio da arborização e da melhoria dos espaços urbanos e da acessibilidade. Vamos criar equipamentos urbanos de sinalização para integrar a comunidade ao Distrito Industrial, que deixará de ter a aridez de hoje e se transformará em uma área agradável do ponto de vista urbano e ambiental. Esse projeto será estendido aos outros distritos industriais da área de atuação da AEDI? Sim. Esse será um projeto piloto. Desejamos implanta-lo, inicialmente, nos dois distritos industriais de Maracanaú. Posteriormente, vamos leva-lo também para os distritos industriais de Pacajus, de Horizonte, de Caucaia, de São Gonçalo do Amarante, de Pecém e de Pacatuba. Para terminar: Serra ou Dilma? Eu preferiria o Aécio, mas quero dizer que qualquer que venha a ser o presidente eleito ele só terá êxito se der continuidade às políticas de desenvolvimento e de distribuição de renda. Se isso acontecer, o Brasil terá um crescimento extraordinário. Nossa democracia consolidou-se a tal ponto que um câmbio no comando político não terá problema. | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
07 de março de 2010 |
| BANCO DO BRASIL | |
| Crédito sustentável no Banco do Brasil | |
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O resultado apresentado pelo BB em 2009 demonstra que estavam corretas as ações adotadas pelos bancos públicos ao enfrentar a crise
O RESULTADO de 2009 do Banco do Brasil retoma debate que começou no segundo trimestre daquele ano, quando o Banco voltou a ser a maior instituição no país em ativos financeiros: a expansão do crédito pelo Banco do Brasil seria sustentável ou a instituição enfrentaria um abalo na qualidade de sua carteira logo adiante? Prudência, bom conservadorismo e qualidade do crédito são prioritários na indústria bancária. Sem abrir mão dessas exigências, o BB casou-as com medidas consistentes de expansão do crédito e de parceria com os grandes movimentos indutores da economia do país. O BB trilhou esse caminho e os indicadores da sustentabilidade de sua expansão são evidentes. Os índices de inadimplência do BB mantiveram-se abaixo dos registrados pela indústria financeira. Ampliamos o crédito em linhas de menor risco, que ofereciam melhores condições de prazo e de custo financeiro. Priorizamos clientes com cadastro positivo e bom histórico de relacionamento. Adotamos medidas para manter o índice de Basileia em patamares adequados ao crescimento do crédito. Durante a crise, o nível de formação bruta de capital fixo foi maior do que a média verificada nos últimos dez anos. À época, a redução do crédito disponível fez a capacidade produtiva do país baixar aos 80%, embora os empresários continuassem dispostos a manter seus investimentos no Brasil. Vimos ali oportunidades imensas de negócios. Revisamos nosso processo de crédito para ganhar agilidade e financiar a compra de bens de capital por clientes de pequeno e médio porte, grandes geradores de emprego no Brasil. Tivemos recorde de liberação de recursos em programas como Caminho da Escola e o Pró-Vias, destinados a aquisições de ônibus e de obras viárias em municípios. O resultado apresentado pelo BB em 2009 demonstra que estavam corretas as ações adotadas pelos bancos públicos no enfrentamento da crise mundial e no estímulo ao setor produtivo na condição de agentes anticíclicos. Embora qualquer medida anticíclica, por sua própria natureza, tenha prazo certo para acabar, nosso movimento de expansão do crédito mirou um país com duradouras e amplas perspectivas de crescimento. O Banco do Brasil é, agora, a imagem refletida no espelho de um país que tem no horizonte grandes obras de infraestrutura (Copa, Olimpíada, pré-sal), movimentos consistentes de internacionalização das empresas nacionais, crescente inclusão da população de menor renda e outros indicativos que apontam para novas oportunidades de negócios e crescimento. Portanto, a estratégia adotada pelo BB não foi fruto de alquimias premonitórias, mas um projeto assentado sobre bases de crescimento que hoje se tornaram mais claras para todos os setores da economia. A redução do debate à dicotomia "Estado x mercado" em nada contribui para a compreensão do papel que os bancos públicos podem desempenhar. O Estado que induz o desenvolvimento não é novidade no mundo. Mesmo países que se tornaram ícones do liberalismo econômico tiveram a presença ativa do Estado em sua economia. Não há contradição entre apoiar políticas públicas e gerar resultados para os acionistas. Hoje, por exemplo, há grandes perspectivas para o comércio exterior, principalmente com as novas descobertas do petróleo. A realidade do pré-sal influenciará setores industriais que dependem muito do comércio exterior para se fortalecer. O BB sempre foi líder no financiamento desse segmento, manteve a posição em 2009 e acompanha de perto o movimento de internacionalização das empresas brasileiras. Manter posições de liderança é um propósito que vai demandar grande empenho do Banco do Brasil, pois o sistema financeiro é dinâmico e competitivo, e as oportunidades que surgem aparecem em ambientes cada vez mais desafiadores. O BB está preparado para participar desse cenário, pois consagrou uma forma de gestão que concilia eficiência e rentabilidade sem abrir mão de seu papel como empresa pública e de contribuir para o desenvolvimento e crescimento do país. O resultado que obtivemos não permite ufanismo, mas vislumbrar, entre o passado e o futuro, uma realidade que favorece ousados projetos de investimento e de expansão. Alguns duvidam, outros ficam esperando pelo amanhã. Mas quem prefere viver plenamente o presente antecipa-se ao futuro. ALDEMIR BENDINE , 46, administrador de empresas, é presidente do Banco do Brasil. Foi diretor-executivo da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
07 de março de 2010 |
| BNDES | |
| O BNDES vai parar de crescer? | |
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De FHC a Lula, fatia do banco no PIB quadruplicou. Mas, além do crédito oficial barato, fonte de recursos escasseia
O DINHEIRO liberado pelo BNDES, os chamados desembolsos, deve ter sido equivalente a 4,5% do PIB em 2009. Mais que o dobro do início do governo Lula (vide gráfico). O número é excepcional, pois a economia não cresceu nada. O governo federal emprestou R$ 100 bilhões ao banco. Note-se que a fatia do banco no total do crédito da economia até caiu em relação aos 24% de 2003-04. Foram anos de crédito privado escasso, decerto. Em 2008, o banco tinha 17% do crédito. Em 2009, 19,9%, salto também devido à retranca dos bancos privados na crise. O tamanho do banco nos próximos anos dependerá do próximo presidente. Em 2011, o financiamento do BNDES ainda pode ser definido por Lula. O governo estima em cerca de R$ 70 bilhões os fundos disponíveis para o ano que vem. Para que o caixa do banco seja similar ao de 2008, serão necessários uns R$ 25 bilhões extras. De onde virão? O governo ainda não sabe. Considera que de fato 2009 foi um ano extraordinário, de crise feia, quando o governo compareceu com muito dinheiro. O governo considera ainda que as empresas podem agora buscar mais dinheiro no mercado de capitais doméstico e internacional. Mas o governo não quer deixar a peteca cair. O BNDES vai desinflar em relação a 2009, mas não deve encolher em relação a 2008. Um estudo dos economistas Fabio Giambiagi, Fernando Rieche e Manoel Amorim, na "Revista do BNDES", aponta os empecilhos de médio prazo para o banco. Uma fonte de financiamento, o FAT, diminui cada vez mais, pois esse fundo financia também o seguro-desemprego. Com mais formalização do trabalho, como vem ocorrendo, mais despesa. Os juros que o banco recebe caem; cresce o prazo dos financiamentos: volta menos dinheiro, e mais devagar. Os ganhos proporcionados pela carteira de ações do banco foram excepcionais nos últimos anos. Tal resultado não deve se repetir. De resto é uma fonte incerta de recursos. O BNDES pode ir ao mercado doméstico e externo captar recursos. Mas talvez a custo maior que o de seus fundos tradicionais e num prazo inadequado para um banco que por vezes financia investimentos de dezena de anos para cima. Enfim, trata-se de fonte de dinheiro sujeita ao humor do mercado, que pode tornar os custos proibitivos para o banco, em certos períodos. Mais empréstimos do Tesouro, a juros de pai para filho, significam mais dívida pública e mais subsídios a empresas, subsídio na prática bancado por dinheiro de impostos (e significam também, em última análise, uma mordida nos recursos do setor privado). O banco vai bem, com lucros maiores e inadimplência muito baixa. A economia brasileira ainda não tem fontes privadas grandes e estáveis de capital de longo prazo. Mas parece difícil manter o crescimento do BNDES. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| ROSEANE MEDEIROS | |
| Novo comando | |
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Roseane Medeiros no CIC.
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
07 de março de 2010 |
| PROPRIEDADE INTELECTUAL | |
| Patentes de invenção e monopólio | |
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A Suprema Corte prepara-se para decidir um caso que deverá dar conformação nova à proteção conferida à propriedade intelectual
LOGO CHEGARÁ ao Brasil um assunto que suscita grande interesse nos meios jurídicos e econômicos norte-americanos. A Suprema Corte prepara-se para decidir um caso que deverá dar conformação nova à proteção que tradicionalmente é conferida à propriedade intelectual, redefinindo aquilo que pode ou não ser objeto de patente de invenção. Dois empresários, Bernard Bilski e Rand Warsaw, requereram o registro de patente de um método pelo qual as empresas, os particulares e inclusive os fornecedores poderiam elaborar previsão mais acurada dos custos de energia, até mesmo em condições de variações climáticas extraordinárias. A negativa desse registro pelo Departamento de Patentes e Marcas Registradas desencadeou a ação que agora alcança o mais alto grau de jurisdição. O direito de requerer uma patente de invenção está previsto na Constituição norte-americana, que estabelece a proteção de autores e inventores de modo a "promover o progresso da ciência e das artes", atribuindo-lhes o monopólio da exploração comercial como forma de retribuição de sua iniciativa e criatividade. Essa proteção deve prevalecer durante um período limitado de tempo, após o que a invenção cai no domínio público. No entanto, algo que, em sua origem, foi altamente positivo, estimulando efetivamente a inovação, tem assumido em tempos recentes aspectos abusivos, como é o caso de patentes novas requeridas tão somente para prorrogar o monopólio de produtos farmacêuticos meramente "maquiados", aos quais nada de efetivamente novo foi agregado. Além disso, inicialmente os pedidos diziam respeito a objetos tangíveis, tais como novas máquinas ou componentes químicos. Ao longo do tempo, todavia, as regras relativas ao que poderia ser patenteado passaram a incluir cada vez mais métodos de trabalho abstratos ("business methods") -vale dizer, maneiras novas de realizar determinada tarefa. O divisor de águas ocorreu em 1998, numa decisão da US Court of Appeals for the Federal Circuit (a única corte federal de apelação com competência sobre matéria de patentes). Nela ficou estabelecido que um método para processamento de dados referentes a fundos mútuos de investimento poderia ser patenteado. A solução dada ao caso State Street Bank vs Signature Financial Group resultou na expedição de milhares de patentes relativas a métodos de trabalho. O "Financial Times" rotulou essa onda de deferimentos de "pandemia de patentes". No caso Bilski, entretanto, o Departamento de Patentes denegou o registro e o mesmo tribunal (US Court of Appeals for the Federal Circuit) manteve essa negativa ao afirmar que as patentes devem estar "vinculadas a alguma máquina ou aparato determinado" ou transformar algo "em outra coisa ou alterar-lhe o estado" (""machine-or-transformation" test"). O caso despertou enorme interesse e perto de 70 "amici curiae" (terceiros sem interesse direto no desate da controvérsia, mas, sim, no esclarecimento da matéria) apresentaram memoriais à Suprema Corte. Entre eles, Microsoft, Google, Bank of America, inúmeras universidades e associações dedicadas ao direito da propriedade intelectual. Empresas de biotecnologia, a indústria farmacêutica e outros que utilizam tecnologia de ponta advogam uma interpretação ampliada da lei, para que ela abranja os instrumentos de engenharia financeira e outros métodos em desenvolvimento. Mas há também quem pense que já é hora para que a Suprema Corte desestimule a corrida por patentes em áreas em que elas não são necessárias, como no caso de meros métodos de trabalho. A inclinação do tribunal nesse sentido pareceu ficar evidenciada nos questionamentos feitos ao advogado dos requerentes pelos ministros, durante a sessão de 9/11/09. O ministro Antonin Scalia sugeriu que, a partir do raciocínio defendido pelos autores, dever-se-ia conceder patente a quem escrevesse um livro sobre "o método de fazer amigos e influenciar pessoas". O ministro Stephen G. Breyer fez o auditório cair na gargalhada quando indagou se, de acordo com os mesmos parâmetros, seu método infalível de ensinar as sutilezas da Lei Antitruste, evitando que 80% dos alunos dormissem em sala de aula, também seria patenteável. Raras vezes uma obscura questão de patentes desperta tanta atenção, afirma a professora Pamela Samuelson, da Faculdade de Direito da Universidade da Califórnia, Berkeley. E o professor John F. Duffy, da Faculdade de Direito da Universidade George Washington, por sua vez, considera essa a questão do século em matéria de direito de patentes, reporta John Schwartz, do "New York Times". Aguardemos os resultados, pois eles certamente terão reflexos em outras jurisdições e no comércio internacional de bens imateriais, a grande "commodity" do século 21. ELLEN GRACIE NORTHFLEET é ministra e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| PRÉ-SAL | |
| Votação de projetos deve ocorrer esta semana | |
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A expectativa dos deputados cearenses é de que os projetos da exploração do pré-sal sejam votados até dia 10
Brasília A bancada nordestina na Câmara dos Deputados se mobiliza para tentar garantir a aprovação da chamada Emenda Ibsen-Souto aos PLs 5938/09 e 2502/07, que estabelecem o regime de partilha para a exploração do petróleo do pré-sal e redefinem a distribuição dos royalties. A bancada esteve reunida na última semana, em Brasília. A aprovação da emenda se tornou prioridade para os parlamentares nordestinos e em especial para os deputados da bancada do Ceará, que têm se empenhado para garantir uma distribuição igualitária dos recursos da exploração desta nova área petrolífera. O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas no fundo do mar com potencial para acúmulo de petróleo localizadas abaixo de uma extensa camada de sal. Os reservatórios brasileiros nessa camada estão a aproximadamente 7 mil metros de profundidade, em uma faixa que se estende por cerca de 800 km entre o Espírito Santo e Santa Catarina. A expectativa dos deputados cearenses é de que, apesar da polêmica envolvendo a Emenda Ibsen-Souto, todos os projetos que tratam da exploração do pré-sal estejam votados até o dia 10 de março, como quer o governo. "Vai estar tudo aprovado. Já está tudo encaminhado. A Emenda Ibsen vai ser aprovada, não tem como não ser. Ela não está tirando dinheiro de ninguém. Não está remanejando dinheiro velho. Está distribuindo equitativamente o dinheiro novo. Não é um direto adquirido dos Estados produtores, é um direito presumido e por ser presumido, é de toda a sociedade brasileira", avalia o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), que integrou a comissão especial da Câmara que tratou da distribuição dos royalties. O deputado cita o caso do Ceará. "Sem a Emenda Ibsen, o Ceará deve receber algo entre R$ 30 milhões a R$ 40 milhões dos recursos do pré-sal. Com a emenda, este valor passa para R$ 800 milhões. Assim como eu, como cearense, não posso deixar de aprovar uma emenda que beneficia o meu Estado, todos os demais parlamentares dos chamados Estados não produtores também vão apoiar a emenda", disse Eunício. Bem menos otimista, o coordenador da bancada do Ceará no Congresso, deputado José Guimarães (PT) acredita que será necessário muito diálogo com os Estados produtores para garantir a aprovação. Guimarães também acredita na votação até dia 10, mas duvida do sucesso na aprovação. "É fundamental aprovar esta emenda, mas já foi muito difícil negociar o acordo anterior fechado com os governos dos estados produtores e não produtores. A emenda, apesar de mais justa, coloca todo o acordo fechado antes por terra. Ela tem o critério correto do ponto de vista social, mas só será votada se houver um amplo entendimento", analisa. CAPACIDADE DE EXPLORAÇÃO Projeto viabiliza a nova capitalização da Petrobras Dentre os temas em votação relacionados ao marco do pré-sal na Câmara está o projeto que trata da capitalização da Petrobras, PL 5941/09. O projeto autoriza a União a ceder à Petrobras a pesquisa e a lavra de áreas contíguas aos blocos operados pela companhia, mas que não foram licitados. A área deverá ter volume máximo de petróleo recuperável equivalente a cinco bilhões de barris e poderá ser explorada por 12 meses. Pelo projeto, a Petrobras terá a titularidade de todo o petróleo e gás extraídos, mas terá que pagar à União pela transferência, podendo usar títulos públicos. As condições de pagamento serão definidas pelo Ministério da Fazenda. O contrato de cessão deverá identificar a área de extração, o volume de barris recuperáveis e o valor do pagamento à União. "Aqui é mais um embate entre governo e oposição e a forma de encarar o Brasil. Nós do governo queremos o fortalecimento da Petrobras. O que está em discussão? Regime de concessão ou regime de partilha? O governo quer concessão. Ela fortalece a Petrobras. Já a oposição não defende o fortalecimento da Petrobras. Defende o livre mercado. Para o mercado tudo!", diz o coordenador da bancada cearense, José Guimarães. Considerado o mais polêmico dos projetos quando o marco do pré-sal deu entrada o Congresso, a matéria perdeu espaço para a distribuição dos royalties entre estados produtores ou não produtores. Segundo Guimarães, mais de 80% deste projeto já está acordado. O projeto fortalece a Petrobras na exploração do pré-sal. O texto permite à empresa abocanhar campos de petróleo que estão ao lado de blocos operados por ela, mas que não foram formalmente concedidos pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nas rodadas de licitação. Na prática, as áreas que serão transferidas já têm o seu potencial mapeado pela empresa. Ela apenas vai incorporá-las ao bloco que opera. A matéria foi relatada pelo deputado João Maia que rejeitou as emendas apresentadas e conseguiu aprovar na íntegra o seu parecer na comissão especial que analisou o projeto 5941. Maia, apesar de otimista sobre a aprovação nesta semana do seu parecer, continua a criticar a oposição: "O texto aprovado possibilita à Petrobras captar recursos no mercado financeiro por meio de emissão de ações, para que a empresa petrolífera possa começar a investir na infra-estrutura necessária para exploração do pré-sal". A União pagaria por essas ações com títulos de dívida pública. Acionistas minoritários também poderiam comprar essas ações, mas apenas com dinheiro. Numa segunda etapa, a União também poderia aportar reservas na empresa. João Maia acredita que o esforço da oposição tinha origens políticas. "A oposição tem uma posição política clara contra votar qualquer projeto que trata do pré-sal", entende o relator. "Muito embora este projeto tenha um efeito imediato, porque a Petrobras, para explorar o pré-sal, precisa encomendar plataformas, navios, e portanto ele é um projeto gerador de empregos de imediato, quer dizer, para o próximo ano, a partir do próximo ano". O projeto também autoriza a União a aumentar a sua participação no capital total da Petrobras, atualmente de 32,2% - o restante está nas mãos de investidores nacionais e estrangeiros. O objetivo é injetar recursos no caixa da companhia, que precisa aumentar a sua capacidade de financiamento para explorar o pré-sal. O aumento da participação da Petrobras será feito mediante entrega de títulos públicos para a empresa. FUNDO SOCIAL Aposentados podem se beneficiar dos recursos Ao apagar das luzes na votação do projeto que cria o fundo social, a oposição impôs uma espinhosa derrota ao governo, ao aprovar a emenda que destina 5% dos recursos de combate à pobreza para recompor as perdas das aposentadorias superiores a um salário mínimo. A matéria dividiu partidos e também a bancada cearense. O deputado Eunício Oliveira foi favorável à emenda e votou pela aprovação. "Acho super natural a inclusão da questão dos aposentados no pré-sal. É uma questão de foco. Os aposentados têm direito na partilha das riquezas nacionais. Se o governo vetar a emenda? Eu vou votar contra o veto", disse o deputado. Enquanto Eunício e os deputados cearenses da oposição ao governo defendem a emenda dos aposentados, a bancada de apoio ao governo, da qual Eunício faz parte, defende que uma solução seja encontrada para a recomposição das perdas das aposentadorias e que a emenda seja retirada já no Senado, sem a necessidade de um veto presidencial. "Não se pode meter aposentadorias na questão do pré-sal. O governo já mandou ao Congresso uma proposta de recomposição das aposentadorias. Esta emenda vai ser vetada. Temos que discutir a questão dos aposentados no momento certo", afirma José Guimarães. DEFESA PELOS RECURSOS Partilha dos royalties mobiliza Estados Ainda sem acordo, a proposta em tramitação na Câmara para a distribuição dos royalties do pré-sal prevê uma distribuição igualitária para todos Estados e municípios, produtores ou não de petróleo. A emenda Ibsen-Souto propõe a redivisão das riquezas com estados não produtores, pelos critérios dos Fundos de Participação dos Municípios e dos Estados (FPM e FPE). Estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo prometem impedir a aprovação da emenda Ibensen-Souto. O governador do Rio manteve sua posição nesta semana e classificou como loucura a ideia de aprovação da emenda. A bancada fluminense esteve reunida mais uma vez na semana passada e promete continuar articulada na próxima semana, sob o comando do governador Sérgio Cabral, para impedir a aprovação da emenda que classifica como "um assalto ao Rio de Janeiro". A briga promete ser boa. Integrante do mesmo partido do governador carioca, o deputado cearense Eunício Oliveira afirma que o Rio não está sendo lesado sob hipótese alguma. "Não estamos mexendo com a atual distribuição do royalties. Estamos falando de recursos nacionais, que estão no mar, não em plataforma terrestre. Vale lembrar que alguns municípios do Rio de Janeiro já recebem, a título de royalties, mais dinheiro do que vários Estados nordestinos em toda a sua dotação orçamentária". A mobilização sobre a emenda Ibsen-Souto já extrapolou a discussão Executivo/Legislativo. A Confederação Nacional dos Municípios se colocou a favor da emenda. "São 193 municípios que vão arrecadar menos, menos do que recebem hoje. Mas cerca de 5.380 municípios vão ter um aumento substancial", justificou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. PROTAGONISTAS Bancada cearense defende emenda Deputado Chico Lopes (PCdoB-CE) Para Chico Lopes, o governo vai pressionar muito para evitar a aprovação da emenda Ibsen-Souto. "É a emenda mais democrática e melhor para o Nordeste. Não é uma questão local ou regional. É nacional", diz. Deputado José Guimarães (PT-CE) Coordenador da bancada cearense, Guimarães diz ser favorável à aprovação da emenda Ibsen-Souto, apesar de prever dificuldades em sua aprovação. "Sua proposta é mais justa, melhor? Sim, é! Mas não será fácil aprová-la". Deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) "Não há como a Emenda Ibsen não ser aprovada", diz Eunício. "Alguns municípios produtores, como os do Rio de Janeiro, já têm dinheiro demais. Muitos deles ganham mais dinheiro do que Ceará e Piauí o ano todo". Capital aberto 32% é a participação da União no capital da Petrobras. O projeto autoriza um aumento nesse percentual, bem como a ampliação dos acionistas que já têm recursos aplicados do FGTS ROSE ANE CASTILHO SUCURSAL
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
07 de março de 2010 |
| ENTREVISTA - GUIDO MANTEGA | |
| Mais exportadoras terão benefício | |
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Pacote prevê redução no percentual obrigatório de exportação para que empresa possa obter vantagens fiscais
MARIA CRISTINA FRIAS COLUNISTA DA FOLHA VINICIUS MOTA SECRETÁRIO DE REDAÇÃO O ministro Guido Mantega (Fazenda) adiantou com exclusividade para a Folha medidas para o pacote cambial que deverá ser anunciado até o final do mês, depois de ser aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Elas estendem benefícios fiscais a um maior número de exportadores e estimulam pequenos e médios empresários que estão no Simples a exportar mais. Mantega diz que, se Henrique Meirelles sair do Banco Central, a autoridade monetária manterá a mesma política, assim como a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se eleita, "manteria o [superavit] fiscal, a política monetária, portanto, a inflação sob controle". Seria "burrice" mudar a política inflacionária, afirma. "Essa história de mais à esquerda, mais à direita não faz o menor sentido. Por que alguém ia mudar algo que está funcionando bem?" Depois de alfinetar o prefeito Gilberto Kassab pelo aumento de tarifa de ônibus e do IPTU, diz que não pensa em ir para nenhum banco no exterior depois do governo Lula. "Pretendo ficar no Brasil. Meu lugar está reservado na FGV." A seguir, trechos da entrevista. FOLHA - Que tipo de medida o governo prepara para os exportadores, além do novo fundo para exportações (Eximbank), já adiantado? GUIDO MANTEGA - São medidas que estão em fase final, sendo discutidas com o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento), e todas têm que passar pela aprovação de Lula. A primeira é ampliar o conceito de empresa preponderantemente exportadora, que tem vantagens fiscais. Hoje, para ser empresa preponderantemente exportadora, a empresa tem que exportar 60% [da produção]. Baixamos para 40% a obrigatoriedade de exportar e mais empresas terão os benefícios, isenções etc. A segunda medida é isentar as empresas enquadradas no Simples, com renda bruta anual de até R$ 2,4 milhões. Se além desse valor elas exportarem, não serão desenquadradas. Até certo limite vão continuar a se beneficiar do Simples. É um estímulo para que pequenas e médias possam exportar e gozar dos privilégios. A terceira é isentar remessas de serviços do Imposto de Renda, se estiverem ligadas a operação de comércio exterior. Uma empresa exportadora que vai expor em uma feira, por exemplo, tem que pagar pelos serviços. Essa remessa será isenta de IR por estar ligada ao comércio exterior. Outra: criar apólice de seguro usando como base o FGE (Fundo Garantidor de Exportação), que já existe. Exportador recebe apólice e com isso vai baratear o custo, pois baixa o risco. Vamos incluir no PSI (Programa de Sustentação do Investimento), que tem taxa de juros de 4,5% ao ano -as mais baratas do mercado-, para financiamento, os manufaturados, não só bens de capital [como atualmente], para se beneficiarem dessas linhas de crédito. FOLHA - E em relação à modernização da legislação cambial? MANTEGA - Fizemos a medida mais vantajosa para o exportador: permitir que o resultado da exportação fique no exterior. FOLHA - Nada mais? MANTEGA - Estão em estudo outras medidas para o crédito. Uma demanda forte é que a gente devolva créditos de exportação. Essa é mais complicada, porque esbarra na disponibilidade do Tesouro. FOLHA - Avançou a desoneração da folha de pagamento das empresas? MANTEGA - Neste momento, eu diria que não temos condições. Daqui a três, quatro meses, vai depender da arrecadação. Se houver espaço, faremos mais medidas de desoneração para exportação e investimento. FOLHA - Como foi a arrecadação até fevereiro? MANTEGA - Dentro das expectativas, janeiro um pouquinho a mais, fevereiro dentro das expectativas. FOLHA - O governo deixará uma dependência de capital financeiro externo crescente. Isso já ajudou a abortar ciclos de crescimento. Por que seria diferente agora? MANTEGA - Não foi isso que abortou nossos ciclos de crescimento. Foi a dívida externa, e não o deficit em transações correntes. A dívida externa hoje é de US$ 200 bilhões, a privada e a pública, sendo que a pública é de cerca de US$ 70 bilhões. E temos US$ 240 bilhões de reservas. A situação que vamos deixar para o próximo governo é maravilhosa, mesmo com o deficit em transações correntes maior do que eu gostaria. Mas esse deficit está sendo coberto pelos investimentos externos. Não está indo para o consumo. Essa é a diferença. FOLHA - Que medidas vai tomar para conter o deficit? MANTEGA - Aquilo de que falamos agora são medidas para estimular o setor externo. Em parte, esse deficit se deve também à crise. Quando houver a recuperação da economia internacional, poderemos aumentar nossa exportação. Com esse deficit em transações correntes, a tendência é que não haja tanta valorização do real. O real poderá até sofrer alguma desvalorização. FOLHA - Empresários reclamam da falta de política industrial. MANTEGA - Temos uma política industrial. Retiramos o IPI da maioria dos bens de capital. Fizemos o PSI, uma linha de financiamento de R$ 42 bilhões. Reduzimos o tempo de utilização do crédito de PIS/Cofins de 24 para 12 meses. Isso é política industrial. FOLHA - Que garantia há de que que fundos públicos são bem aplicados nesses conglomerados? MANTEGA - Existem setores, dominados por grandes empresas, em que ou você entrega para uma empresa estrangeira ou fortalece uma nacional. Não há problema para o recurso do contribuinte porque, se é um empréstimo do BNDES, posso garantir que é o mais criterioso que você possa imaginar. FOLHA - Quais são os critérios para escolher os grupos favorecidos? MANTEGA - Qualquer grupo que chegue ao BNDES, que apresente um projeto de expansão sólido, bem fundamentado. Tem que mostrar o projeto inteiro, o fluxo de caixa. Ele é checado, virado do avesso. O grupo tem que ter solidez, não pode ter nenhum tipo de insolvência, porque isso são regras do sistema financeiro, que o BNDES tem que seguir. O nível de inadimplência do BNDES é muito próximo a zero. FOLHA - O senhor acha inevitável a alta de juros? MANTEGA - Todo janeiro a inflação é mais alta. Neste ano foi um pouquinho maior por causa das chuvas, que afetaram o item alimentação e o álcool. Além disso, o prefeito [de São Paulo, Gilberto] Kassab elevou em 17% a tarifa de ônibus, um pouco salgada, e, depois, subiu o IPTU. Também as mensalidades escolares sobem em janeiro. Em março, todos esses índices estarão para baixo. FOLHA - O sr. continua não vendo rugas na testa de Meirelles, como disse em Davos? MANTEGA - Não, eu não vejo, ele é muito bem conservado e não sei o que ele faz, mas tem uma aparência... FOLHA - Se Meirelles sair do BC, parte do mercado teme pela independência das decisões. Como o sr. vê essa questão? MANTEGA - Em primeiro lugar, ele não deu nenhum sinal de que vai sair. Não sei se vai sair ou não. Se ele sair, não deve haver nenhuma preocupação pelo seguinte: a mesma política do BC continuará a ser praticada. A mesma coisa aconteceria se eu saísse da Fazenda. A política é do governo, não do ministro. Nem do Meirelles nem minha. FOLHA - Então, o Banco Central não precisa ser independente? MANTEGA - O Banco Central vai continuar com a mesma política, que toma decisão de forma técnica. É isso o que interessa, ou seja, qual é o medo? Vamos baixar os juros independentemente da inflação... Isso não acontece. Ele vai subir a taxa, independentemente de ser ano eleitoral. Você lembra que, em 2006, ele subiu os juros? Se ele sair, continua a mesma política, porque a política não é pessoal dele. É do governo. FOLHA - O sr. acha que ele deve ficar ou sair? MANTEGA - Acho que essa é uma decisão de foro íntimo. Se ele tem pretensões políticas, deve cumprir aquilo que ele acha melhor para ele. Para o governo, era melhor que ele ficasse porque para a equipe econômica, vamos dizer assim, está funcionando, está indo bem. FOLHA - O sr. acha que um governo Dilma, que poderia ser mais à esquerda que o atual, poderia alterar a política de meta de inflação? MANTEGA - Acho que uma possível administração Dilma seguiria a política econômica de hoje. Portanto, manter o sistema de metas, o câmbio flutuante, o combate à inflação e, sobretudo, a prioridade do crescimento, que é a grande marca deste governo. É o desenvolvimento, com solidez macroeconômica. Ela manteria o fiscal, a política monetária, portanto, a inflação sob controle, não é? Por uma razão muito simples: porque à população não interessa a inflação. A inflação corrói o poder aquisitivo. Então, é burrice. A Dilma não quer a volta da inflação. Essa história de mais à esquerda, mais à direita não faz o menor sentido, não é nem mais à esquerda nem mais à direita. É continuar aquilo que está dando certo, que é uma política testada na crise e que continua obtendo excelentes resultados. Por que alguém ia mudar algo que está funcionando bem? FOLHA - Pensando no futuro, o sr. tem pretensões de ser, por exemplo, presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)? MANTEGA - Minha preocupação é fechar com chave de ouro esse mandato de Lula. Ficarei muito satisfeito em fechar com a economia crescendo 5%, 5,5% e inflação sob controle. Com um superavit firmado em 3,3%. O emprego crescendo no país, respeitabilidade internacional. Não pretendo ir para o BID nem para o Banco Mundial. Pretendo ficar no Brasil. Em princípio, o meu lugar está lá reservado na Fundação Getulio Vargas. Portanto, não vou ficar desempregado. | |
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
07 de março de 2010 |
| GLOBALIZAÇÃO | |
| Mudanças tecnológicas | |
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O Norte continuará a ter muito a oferecer; seria um erro ignorar a globalização e as vantagens da integração
A ECONOMIA nos países desenvolvidos continua a se recuperar, mais lenta e erraticamente do que todos desejaríamos, mas ao menos evitando uma nova crise -por enquanto. A reversão que muitos temiam parece ter sido postergada, ao menos até que surja uma nova leva de más notícias. Nos EUA, o nível de desemprego não subiu como muitos observadores vinham esperando. Outros indicadores foram ainda mais positivos. O setor manufatureiro uma vez mais avançou, em uma recuperação em forma de "V", e o mais importante talvez seja o fato de que o Congresso dos EUA conseguiu aprovar algumas medidas modestas com relação ao seguro-desemprego. Talvez a neve que derrete rapidamente em Washington sinalize mudanças mais que climáticas. Depois de duas semanas de dúvidas com relação ao futuro da Grécia como membro da União Europeia, uma nova emissão de bônus com prazo de dez anos e juros de 6,4% anuais atraiu três vezes mais interessados do que havia papéis. Há raros -se algum- casos em que a ameaça de recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional) foi usada para induzir a apoio financeiro, mas foi o que aconteceu, nessa ocasião. As instituições financeiras alemãs e de outros países se apresentaram. A UE fez uma promessa implícita de apoio aos seus países-membros. A Grécia precisará de mais financiamento ao longo do ano, e a juros mais baixos. O primeiro-ministro George Papandreou foi a Berlim e a Paris e voará a Washington nesta semana em busca de um compromisso quanto a isso. Deixa para trás um país enfurecido por reduções de salários e aumentos de impostos aprovados pelo Legislativo. Há raiva quanto ao fardo súbito imposto aos gregos. Afinal, as instituições financeiras internacionais e os exportadores alemães também se beneficiaram dos arranjos anteriores. Até mesmo o Japão dá indicações de modestos avanços neste ano. A moeda supervalorizada e os problemas da Toyota não ajudarão. A despeito da forte rejeição do eleitorado ao Partido Liberal Democrata, que comandava o país até recentemente, o Partido Socialista parece incapaz de definir uma estratégia sustentável para o futuro. A rápida expansão na Ásia e as exportações continuam a ser o gatilho. A virada no dinamismo em benefício da China, da Índia e de outros países é real. As previsões para 2010 sublinham essa nova situação. O Morgan Stanley elevou para 8,8% a expectativa de expansão da região -excluindo o Japão-, ou duas vezes mais que a média mundial projetada. Países que detêm 30% de participação na renda global responderão por 60% de sua expansão. Os mercados emergentes como um todo responderão por 75% da expansão. Será que a teoria do descolamento fica, com isso, validada, e teremos um futuro orientado primordialmente a transações Sul-Sul? Essa é uma tradução indevida dos números em questão. A atividade econômica mundial muda continuamente. Os mercados emergentes estão se tornando progressivamente mais importantes no setor manufatureiro. Mas os países desenvolvidos continuam a ser os principais e mais atraentes mercados para suas vendas. Além disso, os avanços de produtividade -que servem como fonte de ganhos de renda em longo prazo- dependem de mudanças tecnológicas. Quanto a isso, o Norte continuará a ter muito a oferecer, nos anos vindouros. Seria um grande erro ignorar a globalização e as vantagens da integração, de preferência à separação. Em meio a toda a retórica política e a todo o agito quanto a taxas de câmbio desequilibradas, essa importante mensagem não deveria ser esquecida, nem pelo Sul nem pelo Norte. Tradução de PAULO MIGLIACCI | |
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| O POVO |
07 de março de 2010 |
| JOSÉ MACÊDO | |
| Parece que foi amanhã - José Macêdo | |
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Parece que foi amanhã - José Macêdo
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| JOSÉ MACÊDO - ROBERTO MACÊDO | |
| Passarela - José Macêdo | |
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Passarela - José Macêdo
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
07 de março de 2010 |
| COPA DO MUNDO 2014 | |
| Sob os olhos do planeta | |
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O BRASIL FOI escolhido para organizar, nos próximos seis anos, a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016.
Trata-se de um claro sinal do reconhecimento mundial ao nosso estágio de desenvolvimento geral e à nossa capacidade de realizar. Agora nos cabe demonstrar que estamos à altura desse voto de confiança. Para isso, temos que começar a trabalhar já. Cada minuto que se perde pode ser fatal, porque ainda não estamos à altura do que eventos dessa natureza exigem, por exemplo, em qualidade de transportes, mobilidade urbana, telecomunicações, segurança pública e instalações esportivas. São gargalos dramáticos, que somente serão resolvidos se planejarmos com competência, se investirmos com ousadia e se mobilizarmos com urgência o que temos de melhor em conhecimento, tecnologia e pessoas qualificadas. Se fizermos bem feito, olhando para a frente e pensando em nossas potencialidades, teremos criado, como um efeito importante, novas bases para a nossa caminhada rumo a um futuro melhor. Há outros dois desafios. O primeiro deles é obtermos um bom desempenho nas competições. Também ainda não estamos preparados para isso, com exceção de algumas poucas modalidades. A boa preparação exige bons treinadores. Investir na capacitação de técnicos desportivos é a prioridade, para que possam identificar os nossos talentos e, no saldo de tempo que temos, transformá-los em competidores de alto nível e atletas exemplares que, com maturidade, saibam ganhar e saibam perder -servindo de exemplo e atraindo seguidores, para que também no esporte sejamos sustentáveis. O segundo desafio será justamente organizarmos os jogos com um padrão de qualidade que alcance a excelência. Porém não devemos fazê-lo copiando o que já se fez. A grandiosidade das solenidades de abertura e encerramento tem sido a marca das últimas Olimpíadas e Copas do Mundo. Mas o sucesso do passado deve servir de estímulo, nunca de orientação. Podemos surpreender, saindo da vala comum dos megaespetáculos, com originalidade e criatividade que façam diferença, distinguindo o Brasil dentre os países organizadores. Receberemos milhares de visitantes e seremos vistos, com atenção e interesse, por bilhões de pessoas. Não há fenômeno de comunicação similar no planeta. Serão, portanto, extraordinárias oportunidades de mostrarmos para o mundo capacidade de gestão e pujança econômica; riqueza ambiental e potencial como destino turístico. Não podemos desperdiçá-las, porque seremos julgados pelas gerações futuras. EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingos nesta coluna | |
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| O POVO |
07 de março de 2010 |
| ESTALEIRO | |
| Política - Diferenças não só retóricas | |
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Por Kamila Fernandes
O caso do estaleiro no Titanzinho tem sido um exercício interessante do uso da retórica. Tanto do lado dos que são favoráveis ao empreendimento naquele local, como entre o que são contra, são fartos os argumentos plausíveis e bem embasados em justificativas legais e técnicas. Como o O POVO mostrou nos últimos dias, de um lado a Prefeitura alega que aquele trecho de praia é uma Zona de Proteção Ambiental (ZPA), o que inviabilizaria a instalação do estaleiro ali; de outro, o Governo do Estado apresenta uma resolução federal que inclui aquela área como zona portuária, de âmbito da União, o que a livraria do jugo do Município. Tudo bem explicado, mas que não resolve o impasse, até porque, aparentemente, os dois lados podem ter razão. O que torna essa discussão ainda mais confusa, porém, é que ela acontece num ambiente em que as duas instâncias de poder, a Prefeitura Municipal de Fortaleza e o Governo do Estado, são geridas por aliados. O que os impede, então, de sentar e buscar uma solução para esse embate? Levan do em conta tudo o que tem acontecido nas últimas semanas, não dá para descartar o elemento político, que, no fim, expõe fissuras que vão além do Titanzinho. Nesse episódio, fica evidente a forte oposição que sempre existiu entre os projetos políticos e de gestão de Luizianne Lins (PT) e Cid Gomes (PSB), e que, de certo modo, afasta Cid do PT e o aproxima do PSDB, por mais que o governador sempre diga o contrário. Sim, há petistas apoiando o estaleiro, mas só aqueles bem ligados ao Palácio Iracema & alguns exemplos são Nelson Martins, Joaquim Cartaxo e Salmito Filho. De resto, quem passou a fazer a defesa do projeto foram os tucanos, buscando provar que são aliados de verdade do governador, e não o PT. Ainda que Luizianne tenha ajudado a eleger Cid em 2006 e, dois anos depois, Cid tenha até se afastado da família para apoiá-la à reeleição, fica claro que tal aliança não superou as diferenças político-ideológicas. Foi uma aliança forte para as eleições, mas limitada pela visão de mundo totalmente oposta que os dois têm. Cid acredita numa eficiência similar à das empresas privadas, com soluções rápidas, efeitos objetivos e poucas discussões. Luizianne prefere processos mais longos, com debates à moda de plenárias, em que as soluções são construídas e os efeitos são mais subjetivos. NO FIO DA NAVALHA Não sei até que ponto esse problema pode comprometer a coligação em torno da candidatura de Cid nas eleições de outubro, mas pode deixar feridas difíceis de serem cicatrizadas, pela forma como tudo isso tem sido conduzido. Como na última sexta-feira, quando quase houve um encontro entre Cid e lideranças do Serviluz, mediado por Salmito Filho & reunião que só não aconteceu porque o grupo não foi ao Palácio Iracema. É evidente que o governador tem todo o direito de chamar vereadores, lideranças e quem mais quiser para conversar sobre o projeto, mas ao fazer isso sem chamar ninguém da Prefeitura, sabendo previamente o posicionamento da prefeita, o ato pode ser entendido como um início de confronto bem menos educado do que se espera entre aliados. Cid tem pressa para dar uma solução ao assunto, mas num caso como esse, não dá para querer colocar os carros na frente dos bois. Se não quer mesmo um rompimento com Luizianne - e não acredito que queira -, é preciso buscar uma forma de conciliar, não de ampliar o mal-estar. E isso não meramente pela manutenção da aliança entre os dois - que deve ser discutida no fórum adequado, o das convenções partidárias -, mas pelo bem da localidade e do restante da cidade. Afinal, se existem as divisões institucionais, é para que se possa pensar no bem social da forma mais completa possível. Uma última observação: excelente o artigo do arquiteto, urbanista e compositor Fausto Nilo, publicado na quinta-feira no O POVO. Para quem não leu, vale a pena conferir. No link http://opovo.uol.com.br/opovo/politica/959144.html, do O POVO Online, está na íntegra. | |
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| DIÁRIO DO NORDESTE |
07 de março de 2010 |
| PERIGO SÍSMICO | |
| Nordeste em perigo | |
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*Coordenador do Laboratório Sismológico da UFRN
Doutor em Sismologia pela Universidade de São Paulo, o professor Joaquim Ferreira alerta: "A avaliação de perigo sísmico no Haiti era semelhante à do Nordeste" Em 2008, tremor de 4,2 graus na Escala Richter atingiu Sobral. Em 1980 Pacajus sofreu abalo de 5,2 graus. Fatos assim podem se repetir ou serem superados em intensidade? Em princípio, sim. No entanto, qual é o tempo de retorno de um tremor dessa magnitude? A gente não tem o conhecimento de toda a atividade sísmica no Estado. O que a gente sabe é que a região que tem a maior atividade sísmica do Brasil é a chamada borda da Bacia Potiguar, que vai do Ceará - de Fortaleza, Pacajus, Palhano, dessa região - até João Câmara, no Rio Grande do Norte. Outra região bastante ativa é o norte do Ceará - de Sobral, Granja... Essa região já teve magnitude de 4,9 (graus), em Irauçuba (1991). Existe risco de acontecer um terremoto de proporções tão grandes no Nordeste, como os do Haiti e os do Chile? Teoricamente, não, principalmente (como) o do Chile, pois as condições de lá são de zona de placa (tectônica), onde ocorrem os maiores tremores. Em regiões intraplaca (no meio de uma placa tectônica, como o Brasil), é difícil acontecer. No entanto, (terremotos) de magnitude como a do Haiti já aconteceram em regiões intraplaca. Isso não está fora de cogitação, embora a gente não possa afirmar que possa acontecer ou não, pois não se sabe em quais condições isso efetivamente possa acontecer. Um tremor de magnitude 7 aqui pode causar que tipo de danos? Depende de muitos fatores: da profundidade focal, da distância ao epicentro (do terremoto), do solo e das edificações. Estamos melhorando o sistema de monitoramento (dos tremores). O que falta é a preparação, educação, que é o que acontece no Chile. Eles são treinados (para essas situações). É o problema das edificações, dos Códigos de Obras e Posturas. Essas coisas só se falam quando há tremor de terra. A população é alertada sobre como agir nesse tipo de situação? Não adianta. Você alerta durante aquele período, conversa com a população, tanto nós quanto a Defesa Civil, mas ninguém fica permanentemente, mesmo porque a Defesa Civil tem vários outros problemas, como cheias, seca, coisas do tipo. Esse é um problema para a educação. As escolas é que têm enfocar. Aliás, às vezes, os livros de Geografia até dizem que o Brasil não tem terremoto nem tufão... Por que se costuma dizer que o Brasil não corre perigo? Começou na década de 1930. Num certo momento, criou-se uma filosofia de que, no Brasil, os tremores eram todos do tipo que os sismólogos chamam de colapso ou caverna de calcário (fenômeno geológico também chamado de acomodação, em que há um efeito local muito grande, mas não é sentido a cerca de 1 a 2 km da origem). Essa teoria permaneceu durante muito tempo. Até hoje, se discute se (um tremor) é uma acomodação, se não é. Isso reflete ainda essa teoria. Acho que as pessoas ainda não "pegaram" que têm sismos de natureza tectônica no Brasil. Você pode ter essas magnitudes como 5,2 aí no Ceará, 5,1 aqui no Rio Grande do Norte. Essas coisas são reais, elas existem, já causaram os seus efeitos. Mas isso não entra nos livros ou, quando é falado, é como uma curiosidade, não como problema real. As nossas edificações são preparadas para resistir a tremores? Não sou engenheiro, não posso responder que parâmetros usados nos edifícios são corretos, mas é uma questão a se colocar. Estão levando em conta que pode ter acelerações horizontais máximas até da ordem de quanto (quantos graus)? Essa questão não é discutida nos Códigos de Obras e Posturas? Ela é discutida pela comunidade (acadêmica) toda vez que acontece (um tremor). Os engenheiros, o Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia)... Agora daí para a prática são outros 500, porque isso envolve outros tipos de interesse. Dependendo dos parâmetros que utilizar, vai encarecer as obras e isso, evidentemente, tem repercussão. Faltam pesquisas nessa área? Não é que falte pesquisa, faltam dados. Ninguém sabe o que aconteceu no passado. A gente não sabe se em 1500 aconteceu um tremor no Ceará porque não tinha ninguém para descrever. A história é muito recente. Há pontos de monitoramento suficientes para detectar? Deve haver uma mudança muito grande porque a partir de meados deste ano vamos começar a instalar a Rede Sismográfica do Nordeste, um projeto financiado pela Petrobras. Numa primeira fase, a gente pretende implantar 15 estações a uma distância aproximada de 250km, do sul da Bahia ao Piauí. O Ceará vai ter quatro estações, em Morrinhos, Pedra Branca, Mauriti e Cascavel. No Brasil, existe risco de haver um terremoto no mar, levando à formação de tsunamis? Para haver formação de tsunami, você tem dois tipos de falhamentos (geológicos): falha normal ou falha de empurrão. Tem alguns tipos de falha de empurrão na costa brasileira. Mas até agora o máximo de magnitude que aconteceu na plataforma brasileira foi 6,3 (no Espírito Santo, em 1955). E para falar em tsunami tem que ter magnitude acima de 7. Então não há possibilidade? Você nunca pode dizer que não. Estou dizendo que, dificilmente, vai acontecer, porque aqui você não está em borda de placa (tectônica), mas no interior da placa da América do Sul. Sobral continua registrando tremores com frequência. Por que o movimento sísmico é tão intenso naquela região? Essa é uma característica do Nordeste. Ela (a atividade sísmica) se desenvolve na forma de enxame. Inicia o processo, tem muitos tremores durante um período, e a atividade pode durar por até mais de dez anos. Qual é a explicação técnica? Tem uma correlação com as próprias estruturas, a própria formação da Serra de Meruoca. O início da Serra da Meruoca é uma secção que indica (que ali há) uma falha (geológica). Que ensinamentos deixam tragédias como as do Haiti e do Chile? O primeiro, no caso o do Haiti, é que tudo o que nós sabemos é nada. A avaliação de perigo sísmico no Haiti era semelhante à do Nordeste. O trabalho de avaliação do mapa mundial do perigo sísmico mostrava que o perigo lá estava todo na República Dominicana (país vizinho ao Haiti). Mesmo o Haiti, que é um país antigo, ainda não se conhecia direito. Ou seja: todas as nossas avaliações de risco podem estar subestimadas. Segundo: se você sabe que pode ter um risco maior do que você calcula, com os dados que tem, você tem que se preparar. Essa é a grande lição. E, mesmo assim, no Chile, com o pessoal preparado, veja o que aconteceu. Então imagine aqui? Ícaro Joathan Repórter
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| FOLHA DE SÃO PAULO |
07 de março de 2010 |
| AMPLIAÇÃO DE BENEFÍCIOS | |
| Trabalhadores ganham mais benefícios | |
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Com a retomada econômica, sindicatos ampliam reivindicações e obtêm direitos como cesta básica e plano de saúde
Avanço ocorre sobretudo nos setores mais dinâmicos, como a construção civil, que tem demanda aquecida e escassez de profissionais VERENA FORNETTI DA REDAÇÃO Passada a crise econômica, os trabalhadores têm conseguido ampliar os benefícios obtidos nas negociações com os empregadores. Sindicatos que fizeram acordo coletivo no final do ano passado ou no início deste ano melhoraram itens como auxílio-creche e vale-alimentação, reduziram a fatia descontada do salário para o vale-transporte e, em alguns casos, pela primeira vez, asseguraram cesta básica e plano de saúde. O avanço ocorre principalmente nos segmentos da economia que estão mais dinâmicos, como a construção civil, impulsionada pelas obras de infraestrutura, pela recuperação do crédito e pelo programa habitacional do governo. Em algumas cidades, com a demanda por pedreiros, carpinteiros e ferreiros em alta e a escassez de profissionais para preencher as vagas disponíveis, os sindicalistas afirmam que ficou bem mais fácil negociar. "Com a chegada das grandes construtoras para as obras das hidrelétricas do rio Madeira, conseguimos aumentar os benefícios. E, depois disso, mesmo as empresas da cidade que não fazem parte da obra tiveram que conceder benefícios para não perder os trabalhadores", afirma Clébio Roberto Lobato, assessor-executivo do sindicato dos trabalhadores da construção civil de Porto Velho, em Rondônia. No ano passado, pela primeira vez, o sindicato garantiu cesta básica e plano de saúde para os trabalhadores da construção pesada. O sindicato também melhorou as condições do plano de saúde oferecido aos trabalhadores da construção leve. Em Salvador e na Bahia, os trabalhadores da construção pesada conseguiram a inclusão do plano de saúde em acordo coletivo. José Silvestre de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), afirma que a pauta de reivindicações dos sindicatos se diversificou nos anos 2000, incluindo de distribuição de protetor solar para trabalhadores que atuam em ambientes externos a políticas específicas para mulheres e negros. Silvestre destaca que os trabalhadores ganharam poder de barganha com o crescimento econômico do país, a partir de 2004. Durante a crise, porém, a discussão dessas chamadas cláusulas sociais se estagnou. "Em 2009, negociamos no auge da crise e não conseguimos nada de cláusula social", diz Romildo Miranda, do sindicato dos comerciários de Fortaleza. A retomada da economia ajudou as negociações dos empregados da indústria de calçados. Paulo Ribeiro, do sindicato de Franca (SP), fechou no mês passado acordo com pequenas empresas para reduzir o tempo do contrato de experiência. Organização sindical O número e a diversidade de benefícios nas convenções coletivas estão relacionados a quão antigo e forte é o sindicato da categoria. Os que representam os metalúrgicos, por exemplo, incluem cláusulas sociais na negociação pelo menos desde os anos 60. Miguel Torres, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, lembra que em 1961 os metalúrgicos paulistas fizeram greve pelo então abono de Natal, que depois foi estendido a todos no país na forma de 13º salário. Desde o fim do ano passado, mesmo metalúrgicos que já têm diversos benefícios garantidos em convenção coletiva conseguiram melhorar algumas cláusulas. Entretanto, em algumas regiões ainda há categorias com dificuldades de negociar tanto a melhora dos benefícios sociais quanto reajustes salariais. Em Ipatinga (MG), o sindicato que representa os metalúrgicos da Usiminas tenta acordo desde novembro. Sindicatos ampliam ganho acima da inflação neste ano DA REDAÇÃO Sindicatos que no início de 2009 tiveram dificuldades para obter reajustes salariais acima da inflação aumentaram os ganhos neste ano. Sindicalistas afirmam que, na época, os empresários estavam relutantes em negociar, por medo da recessão que estava por vir. Poucos sindicatos fecham acordo nos meses de janeiro e fevereiro, mas muitos dos que já assinaram a convenção obtiveram resultados favoráveis. No primeiro semestre do ano passado, em cerca de metade das negociações os sindicatos só conseguiram aumentos reais de até 1%, segundo o Dieese. O sindicato que representa trabalhadores da indústria de alimentação do Rio Grande do Sul, por exemplo, que em janeiro do ano passado só repôs a inflação no acordo coletivo, em 2010 obteve 1,39% de aumento real para os funcionários da indústria de rações que ganham o piso e cerca de 2% para os que ganham acima do valor base. Na Bahia, o sindicato dos trabalhadores da construção civil fechou, em janeiro, aumento real de 6,65% para quem ganha o piso salarial e de 3,65% para os que recebem acima disso. O reajuste vale para trabalhadores do Estado, com exceção de Camaçari, cidade onde a negociação está em curso. Em 2009, o ganho real foi de cerca de 2%. Mesmo algumas das categorias que negociaram os reajustes salariais no final do ano passado aumentaram os ganhos com a melhora nas perspectivas para a economia do país. Em novembro, o sindicato dos trabalhadores da indústria têxtil de São Paulo conquistou 2,1% de aumento acima da inflação. Na data-base de 2008, o reajuste real foi de 1,7%. Os trabalhadores na indústria paulista do vidro também elevaram o ganho real. Em dezembro de 2009, conseguiram 1,72% acima da inflação, ante aumento real de 1,30% no ano anterior. | |
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