Fortaleza, CE – Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2003

CEDIP - Centro do Conhecimento, Editoração, Documentação e Pesquisa – Unidade de Clipping

 

SFIEC

- Jorge Parente entrega documento ao ministro Ciro Gomes

- Gente de Empresas – AJE

- BEC - Falta apoio para investimentos – Jorge Parente

- Nova diretoria do Conselho Regional de Administração

- People - Starlight  - Beleza, glamour, brilho: é o Festival Vida & Arte de O Povo

- De Olho no Dinheiro - Gás Natural   

- FIEC/SENAI – Cursos    

- Festival Vida & Arte  

- Festival Vida & Arte  

- Edilmar Norões - Jovens Empresários

- Sônia Pinheiro - I Feira Internacional de Negócios

- FIEC incentiva atividades culturais

- SENAI-CE promove curso de auditoria interna

- Ceará é o terceiro maior pólo têxtil do País

- Sindicouros promove curso no Ceará

- Redes de Jaguaruana - Indústrias tentam manter tradição

 

CEARÁ

- Gente de Empresas - Sincaju – Custeio Agrícola

- Vertical S/A - Griffes cearenses vão à Alemanha

- Horizonte quer capacitar trabalhadores

- Caixa amplia crédito para o Ceará

- Desenvolvimento local é tendência nas políticas públicas

- Microsoft Brasil anuncia novos centros de tecnologia

- De Olho no Dinheiro - Pecém e os 167 navios

- Vertical S/A - Pecém disputa carga de Suape

- Norton Lima Jr. – Refinaria

- Comunicado - Refinaria – Concorrente  

 

BANCO DO NORDESTE

- Balanço do BN indica perdas nas contas  

 

MERCADO DE TRABALHO

- Taxa média de desemprego foi de 11,7% em 2002

 

INDÚSTRIA

- Medicamentos - Indústria farmacêutica quer mais mercado

- Como baratear os medicamentos no Brasil?

- Algodão, 100% mais caro, pressiona margens de empresas têxteis em 2003

 

FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL

- FMI diz que governo Lula ´tem se saído muito bem´

- Lula propõe criação de fundo internacional contra a fome

- Ministro rejeita pressão do FMI

 

COMÉRCIO EXTERIOR

- Frutas tropicais

- Exportação é a esperança de muitas indústrias

- Empresariado aprova linha de continuidade

 

 

AGÊNCIA CNI     

24 de Janeiro de 2003

 

 

FIEC

 

Jorge Parente entrega documento ao ministro Ciro Gomes

Fortaleza - O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente Frota Júnior (foto), entregou ao ministro da Integração, Ciro Ferreira Gomes, o documento "A Extinção da Sudene e uma Nova Política de Desenvolvimento do Nordeste - A Contribuição da FIEC", elaborado em 2002 por uma comissão de diretores da entidade com o objetivo de oferecer soluções para a construção de uma nova política de desenvolvimento regional no Brasil.

Segundo Parente, o novo governo não deve esquecer que, em 41 anos, a Sudene desenvolveu 3.058 projetos, dos quais 2.184 foram concluídos satisfatoriamente; 221 ainda se encontram em implantação regular, sendo que, dos 653 projetos excluídos do sistema, apenas 53 registraram irregularidades constatadas. "Um percentual pequeno, se compararmos com o fato de que mais de 60% do IPI arrecadado, hoje, pelo governo vêm de empresas incrementadas pela Sudene", declarou.

Mais informações: (85) 466-5434.

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DIÁRIO DO NORDESTE      

25 de Janeiro de 2003

 

 

Gente de Empresas 

 

AJE 

No próximo dia 30, às 19h30min, no auditório da FIEC, será empossada a nova coordenação da Associação de Jovens Empresários de Fortaleza para a gestão 2003, tendo à frente como Coordenadora Geral, a empresária Emília Buarque. Em 2003, a AJE pretende dar continuidade aos projetos iniciados em 2002, com ênfase na formação de jovens lideranças, para que possam disseminar a cultura empreendedora, como agentes empreendedores, contribuindo mais diretamente com o desenvolvimento do Estado.

AJE 2
Projetos como Empreendedorismo na Escola Pública e Programas de Formação serão ampliados, proporcionando maior conhecimento aos associados através de debates e palestras, envolvendo temas da atualidade local, nacional e internacional. No âmbito da responsabilidade social, a AJE pretende estimular e divulgar os projetos realizados pelos associados dentro das empresas, além de lançar uma campanha sobre o consumo consciente, que vai valorizar o trabalho de empresas comprometidas com o social.

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O POVO        

25 de Janeiro de 2003

 

 

BEC 

 

BEC - Falta apoio para investimentos – Jorge Parente

Compete ao Estado, juntamente com a sociedade e a iniciativa privada, assegurar à classe produtora o esteio ao desenvolvimento de suas atividades, como por exemplo a manutenção, de um banco estatal.

Jorge Parente Frota Júnior
Empresário

O segmento industrial do Ceará vem se ressentindo, nos últimos 20 anos, da carência do necessário e adequado apoio financeiro para custeio dos investimentos e do capital de giro de suas atividades. O crédito bancário, quase inacessível a empresas de pequeno e médio porte, cada vez mais se faz ausente, inibindo o seu desenvolvimento e comprometendo a saúde financeira desses empreendimentos.

A massa de poupança formada no Estado, historicamente, é de reduzida significação. Por outro lado, não se avançou ainda na cultura dos negócios próprios do mercado de ações conduzidos pelas Bolsas de Valores, de reconhecido poder na alavancagem da estrutura do capital das empresas.

A riqueza monetária que circula no sistema bancário local é dirigida com absoluta prioridade para as regiões do Sul e Sudeste do país, mais prósperas e, por isso mesmo, melhor remuneradoras do capital dos investidores.

Ali se localizam as matrizes e sedes dos bancos. De lá, bem longe do foco das ações das empresas locais pleiteantes dos financiamentos, se irradiam as decisões sobre o objeto dos pedidos, quase sempre desfavoráveis ao interesse dos proponentes.

É de se ponderar, de outra parte, que após o desaparecimento e retirada do mercado de importantes equipamentos oficiais voltados à assistência creditícia, principalmente na área de investimentos, como era o caso da Codec e do Bandece - no passado, de relativa importância no apoio à indústria cearense -, restou, na estrutura do Estado, como agente indutor do desenvolvimento, apenas o Banco do Estado do Ceará (BEC), ainda assim voltado mais para as operações comerciais.

Ao contrário da não estadualização dos recursos aqui captados pelos bancos privados, que não os aplicam no Ceará, mas transferem-nos para as regiões mais ricas, debilitando e tornando frágil a fonte local dos meios pecuniários, o BEC, pela própria essência de sua rede de agências, internaliza os depósitos no repasse a financiamentos concedidos às empresas, suas clientes.

Se a privatização do BEC vier a ocorrer, o seu controle acionário fatalmente passará para mãos de banqueiros sediados fora do Estado. Novamente, falecerá ao empresário cearense a disponibilidade dos recursos aqui captados, no tempo e no volume requeridos. Mais uma vez se afiguraria prejudicial a privatização.

A experiência tem revelado, no entanto, que, em muitos casos de bancos oficiais, não têm sido salutar a sua gestão, quase sempre atropelada por interesses escusos de certos políticos não comprometidos com a ética que deve prevalecer nas coisas do Estado. Não considero, todavia, impossível a correção dessas atípicas distorções. Um acompanhamento rigoroso na aplicação do ideário estabelecido para o banco afastaria essa indesejável intromissão.

De qualquer sorte, compete ao Estado, juntamente com a sociedade e a iniciativa privada, encontrar soluções alternativas que assegurem à classe produtora o esteio necessário ao desenvolvimento de suas atividades econômicas, como por exemplo a manutenção, sob a órbita governamental, do banco estatal, atrelado a uma agência de desenvolvimento, instituída em aliança do Governo e segmento empresarial, com espaço para o apoio a micro e pequenas empresas, à semelhança de um banco popular.

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), fiel à sua vocação de liderança empresarial, já participa, juntamente com outras federações e Estados, de uma agência de fomento, que se compromete apoiar empresas emergentes da região. A Fiec também pode disponibilizar ao Governo do Estado, para uma nova parceria, projeto em já formulação para criação de uma agência cearense de fomento e desenvolvimento de sua economia. A entidade manifesta-se aberta e favorável a apoiar entendimentos visando à formação de uma estrutura financeira própria, do Governo e da sociedade, qualificada para atrair recursos a serem destinados ao fortalecimento das empresas cearenses.

Jorge Parente Frota Júnior é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)

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DIÁRIO DO NORDESTE      

25 de Janeiro de 2003

 

 

CRA

 

Nova diretoria do Conselho Regional de Administração

Juazeiro do Norte (Sucursal) - A nova diretoria do Conselho Regional de Administração (Ceará/Piauí) foi apresentada aos administradores do Cariri numa reunião que serviu para debater assuntos ligados à categoria. Na oportunidade, o Coordenador do Pacto de Cooperação do Cariri, Cícero Pereira de Souza, foi eleito delegado regional. O presidente do CRA, Marcos Eliano Tavares Ribeiro, que é filho da região, adiantou a pretensão de ampliar os quadros do Conselho a partir de amplo cadastramento.

A posse oficial da nova diretoria ocorreu no dia 15 de janeiro em Brasília, estando a posse festiva marcada para o dia 17 de fevereiro no auditório da FIEC (Federação das Indústrias do Estado do Ceará). O Conselho Regional de Administração é uma autarquia pública federal com sede em Fortaleza e delegacias regionais em Juazeiro, Sobral, Terezina e Parnaíba (PI). Marcos Eliano lembrou que Juazeiro possui um curso de administração, na Faculdade Leão Sampaio, com 100 acadêmicos que concluirão no ano 2005.

Representando o prefeito Carlos Cruz, o secretário de finanças, Odval Limeira Lima, prometeu apoiar as iniciativas do CRA em torno da promoção de jornadas e fortalecimento do curso juazeirense. Já o delegado eleito, Cícero Pereira, chamou a atenção para o potencial da região e defendeu esforços no sentido da criação da Universidade Federal do Cariri, cuja proposta do senador Reginaldo Duarte tramita no Congresso Nacional. Ele prometeu mobilizar e articular a categoria, além de estabelecer um link entre o Cariri e Fortaleza.
 

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O POVO        

26 de Janeiro de 2003

 

 

People - Starlight 

 

Beleza, glamour, brilho: é o Festival Vida & Arte de O Povo

O Presidente de O Povo, Demócrito Dummar, recebeu, no Centro de Convenções, autoridades, empresários e artistas para o cocktail de avant-première do Festival Vida & Arte, que movimentou a mil o CE ao juntar em seu script cultura (em suas formas mais abrangentes) e diversão e unir na imensa platéia comuns & celebridades.

Wânia Dummar, Jorge Parente e Adrísio Câmara Jr.

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O POVO        

26 de Janeiro de 2003

 

 

De Olho no Dinheiro

 

Gás Natural  

ATRASO NAS TERMO
As reservas brasileiras de gás natural são modestas. As principais fontes são o gás associado, na bacia de Campos, e o gás importado da Bolívia. Apesar dos incentivos, a capacidade de consumo do País é inferior à disponibilidade, devido ao atraso do Programa de Termoelétricas. A avaliação é do técnico da Petrobras, Francisco Pellegrini, que participou na Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) do encontro ''UFC e Indústria do Petróleo e Gás Natural''. De acordo com Francisco José de Lima Matos, responsável na Fiec pela área de Tecnologia, o objetivo do encontro foi inserir a entidade na discussão sobre projetos energéticos e provocar a discussão entre os segmentos envolvidos com o assunto. Pellegrini, o atraso no Programa de Termoelétricas pode vir a comprometer o PIB do país por escassez de energia elétrica em um futuro bem próximo. Para ele, a incompatibilidade entre o preço do gás natural e a tarifa de energia seria outro impasse a ser superado o mais rapidamente possível. Na briga energética, falta neste País legislação segura para o setor elétrico, uma regulamentação que dê confiança a investidores não só de termelétricas, mas de energia eólica, solar e biomassa, por exemplo, que são fontes alternativas e limpas. A Petrobras é, hoje, a que mais investe em atividades de pesquisa e desenvolvimento nas universidades brasileiras.

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O POVO        

26 de Janeiro de 2003

 

 

Cursos 

 

FIEC/SENAI – Cursos   

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O POVO       

26 de Janeiro de 2003

 

 

Festival Vida & Arte   

 

Festival Vida & Arte 

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O POVO       

26 de Janeiro de 2003

 

 

Festival Vida & Arte   

 

Festival Vida & Arte 

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DIÁRIO DO NORDESTE      

27 de Janeiro de 2003

 

 

Edilmar Norões  

 

Jovens Empresários

Tendo à frente Emilia Buarque, como Coordenadora Geral, a Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza - AJE - empossa sua nova diretoria em solenidade marcada para esta quinta-feira, as 19h30min., no auditório da FIEC. O evento marcará, também, a entrega da comenda ´Jovem Mentalidade Empresarial 2002´ ao ex-governador Beni Veras.

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O POVO       

27 de Janeiro de 2003

 

 

Sônia Pinheiro   

 

I Feira Internacional de Negócios

MEETING
Para troca de figurinhas, Lúcio Alcântara recebeu a Sociedade Consular do CE, representada pelo Presidente e Vice, Luciano Montenegro e João Soares, neto, e Edgar Sá (entre outros).
No papo, ficou acertado que a SCC, a Fiec e o Sebrae pilotarão e I Feira Internacional de Negócios, em Fortaleza.
Ítens que Alcântara disse ao grupo que priorizará, no quesito turismo: bom tratamento ao turista, combate à prostituição infantil e recuperação da Praia de Iracema.

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AGÊNCIA CNI       

27 de Janeiro de 2003

 

 

FIEC 

 

FIEC incentiva atividades culturais

Fortaleza - A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) fortalecerá, este ano, as ações na área cultural. Segundo o presidente da entidade, Jorge Parente Frota Júnior, essa ampliação é exigida em função da própria posição alcançada pela FIEC junto à sociedade. A ordem é interagir mais diretamente com o público externo.

Dentro desse contexto, uma das primeiras ações será a promoção da FIEC 5a. Cultural, que será realizada de início bimestralmente no auditório Waldir Diogo, da Casa da Indústria, consistindo na apresentação de números artísticos, exposição de arte e obras e lançamentos de livros.

A primeira 5a. Cultural vai ser realizada no próximo dia 31, excepcionalmente numa sexta-feira. Vão se apresentar grupos artísticos mantidos pelo Sistema FIEC, como a Big Band, e um grupo de dança afro do Estado de Alagoas, entre outras atrações.

Mais informações: 466-5434/35/36.

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AGÊNCIA CNI       

27 de Janeiro de 2003

 

 

SENAI

 

SENAI-CE promove curso de auditoria interna

Fortaleza - O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Ceará (SENAI-CE) inicia hoje o curso de "Auditores Internos da Qualidade".

O treinamento, que terá duração de uma semana, abordará entre outros temas, as Normas ISO da Série 9000; auditoria da qualidade; objetivos da auditoria da qualidade; responsabilidade dos auditores e dos auditados; etapas de uma auditoria da qualidade; perfil do auditor; comunicação na auditoria e implementação de programas de auditorias da qualidade.

O evento é destinado a profissionais das áreas de recursos humanos, multiplicadores e/ou facilitadores da qualidade. Mais informações: (85) 466-5900.

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AGÊNCIA CNI       

27 de Janeiro de 2003

 

 

Indústria Têxtil

 

Ceará é o terceiro maior pólo têxtil do País

Fortaleza - O Ceará possui o terceiro maior pólo têxtil do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo e Santa Catarina. O faturamento para 2002, ainda não fechado, é estimado em R$ 2 bilhões. Cerca de 15% da produção destina-se à exportação.

O setor investiu nos últimos 10 anos cerca de R$ 1,5 bilhão em equipamentos e tecnologia. Atualmente, responde por 16,5% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual; é o segundo maior importador de algodão do País; utiliza, por ano, cerca de 170 mil toneladas de algodão e 15 mil toneladas de poliéster; gera 20 mil empregos diretos e cerca de 40 mil indiretos; e consome cerca 40% da energia industrial do Estado. Grande parte das empresas está concentrada em Maracanaú, Pacajus e Horizonte.

Integrado verticalmente na importante cadeia produtiva do algodão, o setor têxtil tem como linha de produção a fiação, tecelagem, malharia, lycra, etiquetas, aviamentos diversos, acabamento, tingimento e estampagem.

Mais informações pelo telefone da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC): (85) 466-5434.

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AGÊNCIA CNI       

27 de Janeiro de 2003

 

 

Sindicouros

 

Sindicouros promove curso no Ceará

Fortaleza - O Sindicato da Indústria do Couro do Ceará (Sindicouro/CE), filiado à Federação das Indústrias do Estado (FIEC), está promovendo hoje treinamento destinado a profissionais que atuam nas indústrias do ramo no Estado.

O evento teve início às 13h, na FIEC, e se estende até o final da tarde. Mais informações: (85) 466-5434.

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DIÁRIO DO NORDESTE      

27 de Janeiro de 2003

 

 

Redes   

 

Redes de Jaguaruana - Indústrias tentam manter tradição

A decadência do setor industrial de rede e a falta de uma política que incentive os produtores a permanecerem na atividade, estão afetando drasticamente a vida da população de Jaguaruana. O município, a 175 quilômetros de Fortaleza, já foi o maior pólo industrial de rede do País. Hoje, restam pouco mais de cinco indústrias, algumas delas funcionando com teares manuais, cuja produção não ultrapassa 20 mil unidades ao mês

A indústria de rede já faz parte da tradição do povo de Jaguaruana. Pelo menos um terço da população urbana da cidade depende diretamente da fabricação de rede. Estima-se que a atividade seja responsável pelo sustento de cerca de 600 famílias, sendo o setor que garante a ocupação e renda da população, principalmente a feminina.

No início da década de 90, segundo o chefe de gabinete da Prefeitura, e também fabricante, João Batista Rebouças, praticamente toda a população urbana trabalhava na confecção de redes. Naqueles anos, o setor teve um crescimento tão positivo que, sozinho, respondia por 60% da economia local e, segundo cadastro feito pela Prefeitura Municipal, mais de 800 famílias trabalhavam diretamente na atividade, tanto na fabricação, quanto no acabamento das peças.

Porém, com a falta de organização dos fabricantes em cooperativas que garantisse a comercialização do produto, e a falta de uma política voltada para o incremento da área, houve um entrave tecnológico nas indústrias. ‘‘Foram poucas as que conseguiram acompanhar a tecnologia e trocar seus teares manuais por máquinas’’, diz Rebouças.

Se por um lado não houve um acompanhamento da tecnologia de ponta, do outro, a produção de redes da Paraíba começou a invadir o mercado cearense, enterrando de vez a hegemonia jaguaruanense. ‘‘Começamos a perder espaço, até porque a produção deles (da Paraíba) era em grande escala. Além do mais, os paraibanos estavam devidamente organizados’’, observa Rebouças.

Ele diz ainda que, além da concorrência, os empresários de Jaguaruana pagam o Imposto de Substituição Tributária (similar ao Imposto Sobre a Circulação de Mercadoria e Serviço - ICMS), que é cobrado na fonte de produção, ficando liberado no restante da cadeia comercial. Este imposto não é cobrado na Paraíba, pelo menos diretamente ao produtor. ‘‘Este imposto é nosso grande encalço e nossa luta é para extingüí-lo e, assim, tornar possível a competição com outros mercados’’, completa Rebouças.

 

REDES
Desorganização no setor prejudica linhas de financiamentos

Aldemir Costa Lima, um dos principais fabricantes de rede de Jaguaruna, explica que o setor passa por uma crise sem precedente. Conta que atualmente sua produção chega a cinco mil unidades mensais - o que poderia ser bem maior, se existisse uma política que assegurasse o escoamento do produto. ‘‘A gente se limita a trabalhar com pedidos e, como o produto é sazonal, não é sempre que temos encomendas em grande escala’’, diz Lima.

Ele ressalta que a desorganização do setor inviabiliza até mesmo as linhas de crédito que, segundo ele, são voltados para as micro-empresa. ‘‘A alternativa é a gente se organizar em cooperativa ou associação e tentar, através da entidade, vender a produção e conseguir investimentos’’.

Atualmente a produção de rede de Jaguaruana se resume ao padrão popular e de qualidade. O produto abastece o mercado de Fortaleza e dos municípios da região Jaguaribana. ‘‘O ideal era que Jaguaruana voltasse a abastecer o mercado do Norte e Nordeste, como acontecia há 15 anos’’, diz Lima.

‘‘No bairro do Dió, por exemplo, quase todas as pessoas trabalham fazendo varanda e/ou empunhando redes. A atividade é coletiva e gera dezenas de emprego’’, observa José Petronílio Sobrinho. Ele tenta manter uma fábrica em sua casa, onde trabalha toda a família e mais 18 pessoas.

Petronílio Sobrinho explica que manter a atividade está cada vez mais díficil. ‘‘A falta de investimentos não permite que a gente compre máquinas modernas. Por outro lado, estamos endividados’’, diz. O empresário informa que fez um empréstimo para comprar máquinas usadas e hoje deve um “absurdo” ao banco. ‘‘Não sei nem como vou pagar e o caso está na justiça’’. Para ele, a decadência no setor está prejudicando o município como um todo.

 RESGATE
Empresários recebem treinamento

Na tentativa de resgatar a atividade, a Prefeitura de Jaguaruana implantou o Núcleo de Geração e Ocupação e Renda que trabalha a cadeia produtiva do município, incluindo o setor de rede.

O Núcleo, juntamente com a Fiec, Sebrae, e o Centro Nacional da Indístria (CNI) realiza no próximo dia seis de fevereiro o I Workshop com a participação de 12 empresários, dos setroes formal e informal, de rede da região.

Na ocasião, será apresentado o Projeto Setorial Integrado, desenvolvido no município através de parcerias com a Fiec, Sebrae e CNI. Estes empresários participaram de um curso de capacitação realizado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e, durante seis meses, receberam treinamentos na área de marketing, design e comercialização.

O curso, segundo João Batista Rebouças, traz ao setor uma luz no fim do túnel. ‘‘Acredito que depois do I Workshop, a categoria decidirá pela organização. Porque se não se estruturarem, o setor acabará de vez’’, diz Rebouças. Para ele, somente uma cooperativa será capaz de criar políticas e garantir o incremento do setor de redes em Jaguaruna.

TRABALHO FAMILIAR
Famílias artesãs respondem pelo serviço de acabamento

Para as artesãs, responsáveis pelo acabamento da rede, a decadência no setor significa desemprego para praticamente todas as famílias da zona urbana. ‘‘Este é o nosso único ganha pão e a única coisa que sabemos fazer. Se a produção parar, a economia de Jaguaruana entra em crise’’, diz Maria do Carmo Oliveira.

Segundo a artesã, famílias inteiras dependem da fabricação de rede. ‘‘O chefe da família trabalha na fábrica e a esposa e filhos no acabamento das peças. As famílias que não trabalham na confecção, atuam na comercialização’’, diz Maria do Carmo.

A ocupação, explica ela, rende a cada família, dependendo da produção, mais de um salário mínimo. Cada peça, dependendo do que tem para ser feito, rende cerca de R$ 3,00 e como toda a família é envolvida na atividade, a produção chega a render um lucro relativamente bom.

Eliane Damasceno e sua filha, Karina Damaceno, também sobrevivem do trabalho artesanal de acabamento da rede. Explica que se o setor acabar muitas famílias serão prejudicadas. ‘‘Na minha casa, por exemplo, a gente depende em tudo da fabricação. Meu marido, trabalha na fábrica, e nós no acabamento’’, completa.

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DIÁRIO DO NORDESTE      

25 de Janeiro de 2003

 

 

Gente de Empresas 

 

Sincaju – Custeio Agrícola

O Sindicato dos Produtores de Caju do Ceará (Sincaju) enviou ofício à Superintendência Estadual do Banco do Brasil defendo autorização para que as agências que operam com a cajucultura a iniciarem o cadastramento dos produtores. O Sincaju pede ao BB a liberação da primeira parcela de recursos para o custeio agrícola, ou seja, os tratos culturais do cajueiro nos 42 municípios produtores de caju. Usando a tecnologia mínima para a obtenção de produtividade média de 2450 kg/ha, em plantações de cajueiro comum adulto, há necessidade da realização das seguintes operações agrícolas: roçagem mecânica, acabamento de roçagem, poda, coroamento e colheita, explica Paulo de Tarso Meyer, presidente do Sincaju. O custo total por hectare é da ordem de R$ 204,00.

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O POVO       

27 de Janeiro de 2003

 

 

Vertical S/A  

 

Griffes cearenses vão à Alemanha

Sete marcas cearenses estarão na Feira CPD, em Düsseldorf, na Alemanha, de 2 a 4 de fevereiro. Manotropo, Colméia, Ferrovia, Zignum, Off, Amarelô e Aviarte embarcam com o apoio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE), Agência de Promoção de Exportações (Apex), do Governo Federal, e Sebrae-CE. A feira é uma das maiores do mundo. Lá, serão apresentadas 6.500 coleções em uma área de 17 pavilhões, com cerca de 8 mil m cada. O evento é restrito para compradores profissionais de 80 países e declara uma expectativa oficial de movimentação em torno de 1 bilhão de euros. Durante a permanência na Alemanha, os empresários cearenses terão com o diretor de compras do magazine local Kaufhof, Von Malotki. O roteiro prevê ainda uma reunião com o prefeito da cidade sobre possíveis negócios entre os dois mercados. O apoio às griffes não se destina a financiar investimentos de base, como máquinas. Limita-se a qualificar as empresas para o mercado externo. Muitas delas nunca exportaram e nem teriam como fazê-lo isoladamente.

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DIÁRIO DO NORDESTE       

25 de Janeiro de 2003

 

 

Horizonte

 

Horizonte quer capacitar trabalhadores

MUNICÍPIO ARRECADA R$ 1,5 MILHÃO POR MÊS
 Entre as potencialidades de Horizonte, Dário Rodrigues aponta a criação de empresas suporte para suprir os componentes e serviços terceirizados pelas indústrias já instaladas na região. O Município responde hoje pela sétima economia do Estado, com uma arrecadação de R$ 1,5 milhão por mês, gerada principalmente pelas 30 indústrias instaladas no Distrito Industrial.

A capacitação profissional é uma das necessidades apontadas pelo secretário do Desenvolvimento Econômico, Dário Rodrigues para atrair novos investimentos para Horizonte. O Município responde hoje pela sétima economia do Estado, com uma arrecadação de R$ 1,5 milhão por mês, gerada principalmente pelas 30 indústrias instaladas no Distrito Industrial.

Hoje as indústrias geram 8 mil empregos, dos quais só 1.600 trabalhadores são de fora devido à carência de profissionais capacitados em Horizonte. “Queremos reverter esse quadro, incentivando a qualificação da mão-de-obra local e este seminário avaliará as potencialidades e as dificuldades que precisam ser superadas para alcançar este objetivo”, afirmou o secretário durante o seminário “Parceria pelo Empreendedorismo”, promovido pela Prefeitura Municipal de Horizonte.

Entre as potencialidades de Horizonte, Dário Rodrigues aponta a criação de empresas suporte para suprir os componentes e serviços terceirizados pelas indústrias já instaladas no distrito industrial. Segundo ele, a Vulcabrás compra de fora o salto, a palmilha e o cadaço usados em seus calçados. “Podíamos produzir esses produtos no município”, propõe o secretário de Desenvolvimento Econômico de Horizonte.

Ele defende a atração de novos negócios, já que o distrito industrial de Horizonte de 63 hectares tem apenas 4 hectares ocupado com indústrias. Dário Rodrigues disse que está negociando a ida de mais quatro indústrias, mas não quis divulgar o nome enquanto o negócio não tiver fechado. Adiantou, porém, que duas são do setor de alimentos, uma de transporte e outra de cilindros. Atualmente, o distrito comporta indústrias do setor têxtil, de tintas, refrigerantes, automóveis, petroquímica, confecção e da avicultura.

O secretário Dário Rodrigues disse ainda que pretende incentivar a expansão do artesanato, potencialidade natural do município, já que existem artesão de crochê, tapeçarias, embarcações de madeira e de doces caseiros.

Outra meta da SDE de Horizonte para 2003 é estimular a organização dos lojistas do município. O secretário diz que o comércio local não teve o mesmo crescimento que a indústria. “Não há em Horizonte uma Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e a criação dessa entidade é fundamental para trazer a capacitação para os comerciários do município”, salientou o secretário.

COMPRA - Estimular o poder de compra das indústrias de Horizonte para dinamizar as microempresas do Município. Esta foi uma das propostas aprovadas no seminário “Parceria pelo Empreendedorismo” destacadas pelo secretário do Trabalho e Empreendedorismo, Roberto Matoso, que participou ontem do evento. Ele disse que pretende participar de várias reuniões no Interior do Estado para avaliar as potencialidades de cada município e ouvir as propostas da comunidade para gerar trabalho e renda.

No caso específico de Horizonte, ficou acertado ainda a criação de um Comitê de Qualificação Profissional para resolver a carência de mão-de-obra qualificada na Região. “A Secretaria vai dinamizar e harmonizar essas ações´, frisou Roberto Matoso. O secretário do Trabalho e Empreendedorismo afirmou ainda que a Prefeitura de Horizonte vai marcar duas reuniões com o setor industrial para divulgar a proposta de incentivar o intercâmbio de negócio.

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O POVO        

27 de Janeiro de 2003

 

 

Ceará

 

Caixa amplia crédito para o Ceará

A Caixa Econômica Federal vai aumentar em 45% os investimentos para o comércio e indústria no Ceará em relação a 2002. Está prevista a aplicação de R$ 93,2 milhões ao longo desse ano. As linhas de crédito são destinadas à aquisição de máquinas e equipamentos, financiamento de investimentos, capital de giro e antecipação do 13º salário. Para ter acesso ao serviço, o empresário deve apresentar 12 faturamentos, ter conta na Caixa e não possuir restrições cadastrais.

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DIÁRIO DO NORDESTE      

26 de Janeiro de 2003

 

 

Desenvolvimento Local   

 

Desenvolvimento local é tendência nas políticas públicas

ALTERNATIVA PRIORIZA COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS
 
O economista e professor do Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da UFC, Osório Viana, aponta três tendências para o desenvolvimento local. Uma delas acontece nos Estados Unidos, tendo ligação com o movimento ambientalista e a construção de comunidades sustentáveis.

O crescimento da pobreza, exclusão social e da degradação ambiental são indicadores da falência do modelo de desenvolvimento baseado na industrialização, no grande capital e na globalização dos mercados. Nesse contexto, surge com toda força no mundo e toma corpo no Brasil e no Ceará um novo modelo de desenvolvimento baseado no fortalecimento da escala local. São as comunidades, as pequenas e microempresas e a agricultura familiar.

As políticas de inclusão anunciadas pelo Governo Lula, que tem como principal ícone o Programa Fome Zero, e o novo programa de desenvolvimento que o governador Lúcio Alcântara se prepara para lançar, redirecionando o foco para o comércio, serviços, o pequeno e microempreendedor são sinalizadores da tendência para o desenvolvimento local.

A tendência, porém, não é tão nova assim. Já na década de 60, o então presidente do Banco Mundial, Robert McNamara, declarou que os 40 anos de desenvolvimento como sinônimo de crescimento econômico não resolveram o problema da pobreza no mundo. Desde então, a instituição multilateral vem redirecionando o apoio para programas de distribuição de renda com ênfase nos programas locais.

Na opinião do economista Manuel Osório Viana, também professor do Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Ceará (Prodema-UFC), o que se tem feito para redução na pobreza ainda é muito pouco. O caminho tende mesmo a potencializar as comunidades para que tomem nas mãos o próprio desenvolvimento. “Se não houver o esforço para que as comunidades se tornem sujeitos de seu próprio desenvolvimento, as políticas de combate à pobreza serão paliativos”.

TENDÊNCIAS — Osório Viana historia que o desenvolvimento local têm origem em três tendências. Duas delas verificam-se na Europa. Nos últimos trinta anos a ascensão da economia na chamada Terceira Itália (nordeste do país), baseada em pequenas empresas e na formação de clusters (agrupamento de pequenas unidades) foi uma primeira tendência. A segunda verifica-se na experiência de comunidades da Espanha, França e Portugal, também através do incremento de pequenos empreendedores. O terceiro movimento acontece nos Estados Unidos, tendo ligação com o movimento ambientalista e a construção de comunidades sustentáveis.

O Brasil recebe influência das três tendências, através do conceito de desenvolvimento local sustentável, há mais de dez anos. Um dos principais disseminadores da idéia é o pesquisador Henrique Rattner, que já foi diretor geral do LEAD (em português, Programa de Lideranças para o Desenvolvimento Sustentável). Junto com a USP (Universidade de São Paulo) Rattner realizou pesquisas no desenvolvimento de associação de pequenas empresas, gerando publicações com as experiências bem sucedidas.

Osório Viana diz que a idéia também baseia-se no conceito de “comunity empowerment”, ou seja, dar poder à comunidade, para que caminhe com as próprias pernas. “Isso, sim, combate à pobreza”, aponta. Ele diz que no âmbito da idéia de capacitar a instância local, emerge a sociedade civil mobilizada nas ONGs (organizações não-governamentais), que têm como uma das principais características enfraquecer o modelo tradicional de desenvolvimento que prioriza o crescimento econômico, e disseminar um modelo alternativo, a partir da diversidade cultural e ambiental das comunidades.

 INCLUSÃO
Modelo busca superar globalização dos mercados

A lógica do desenvolvimento local segue a concepção que busca superar o modelo baseado na globalização mercadológica, para tornar as comunidades incluídas nos processos sociais e de produção. É isto que afirma o geógrafo Francisco Levi Sampaio, também professor do Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Ceará (Prodema-UFC).

Segundo Levi Sampaio, a opção para o desenvolvimento local deve basear-se numa sinergia entre Estado e comunidades, formando verdadeiras redes sociais de ações. “É preciso que a comunidade esteja atenta para os processos, de forma a obterem retorno. Deve haver um compartilhamento de ações e a participação de todos é fundamental. Não se faz desenvolvimento local de fora para dentro”, adverte.

Na sua avaliação, a idéia combina processos endógenos com fatores externos. As políticas de desenvolvimento local devem considerar a cultura, o ambiente, as raízes de cada povo. “Não dá para chegar rompendo com tudo”, afirma. E nessa perspectiva, cumpre papel de destaque a emergência das ONGs (organizações não-governamentais) que trabalham a partir da vida de cada comunidade, propondo ações de qualificação para o emprego e renda.

Projetos coordenados por ONGs têm possibilitado a formação de pequenos negócios e serviços. Um destaque fica para o chamado turismo comunitário, que desponta para a sobrevivência das próprias comunidades. Para o geógrafo, a parceria entre Estado e ONGs nesse processo torna-se importante, principalmente quando são assegurados recursos e autonomia para as organizações atuarem livremente, e não apenas serem induzidas pelo Estado.

Levi Sampaio confirma que a tendência para o desenvolvimento local origina-se a partir de orientações externas, quando instituições como o Banco Mundial condiciona a liberações de financiamento ao fortalecimento das comunidades pobres. Ele também aponta a vertente ambiental do desenvolvimento local que volta-se não só para os aspectos do crescimento e das quantidades, como número de empregos, de empresas ou quanto de crédito foi criado.

Para o professor, o crescimento econômico e do PIB (Produto Interno Bruto) podem até acontecer pelo desenvolvimento local. Mas pelo novo modelo, o que mais importa é o crescimento dos capitais humano, social e ambiental. É qualificar as populações para serem melhores não só em ganhos de salário, mas também na cultura e no ambiente também. “Essas duas variáveis são questões de valor no nível local”, diz ele. (VF)

 

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DIÁRIO DO NORDESTE      

27 de Janeiro de 2003

 

 

Informática   

 

Microsoft Brasil anuncia novos centros de tecnologia

São Paulo, Recife, Fortaleza e Porto Alegre são as mais recentes cidades atendidas pelo projeto, iniciado no ano passado em Curitiba e Petrópolis. Os Investimentos chegam a R$ 50 milhões.

A Microsoft Brasil vai inaugurar mais quatro centros de tecnologia no País. O anúncio – que contempla as cidades de São Paulo, Recife, Fortaleza e Porto Alegre – faz parte de um amplo projeto divulgado pela companhia no ano passado, para a criação de 20 centros de excelência tecnológica no País, com investimentos totais de R$ 50 milhões.

O principal objetivo é capacitar e certificar profissionais de empresas, governo e instituições de ensino, além de acelerar o desenvolvimento e colaboração da indústria brasileira de software para o desenvolvimento de novos modelos de negócios e oferta de serviços. A iniciativa como base o XML (eXtensible Markup Language), padrão aberto que permite a comunicação entre diferentes computadores e aparelhos portáteis, integrando a infra-estrutura de tecnologia da informação de grandes corporações, órgãos públicos, pequenas e médias empresas.

As novas cidades, que serão inauguradas até março, somam-se a Curitiba e Petrópolis, que já contam com centros desde o ano passado. São Paulo será a primeira, em 28 de janeiro. Recife e Fortaleza recebem seus centros em fevereiro (veja matéria abaixo). Em março, é a vez de Porto Alegre. “Estamos reforçando nosso compromisso com o Brasil, investindo em mão-de-obra local e fornecendo subsídios para que os profissionais tenham maior envolvimento com novos padrões tecnológicos”, afirma Emilio Umeoka, presidente da Microsoft Brasil.

Os investimentos da empresa no projeto englobam as instalações, equipamentos, suporte técnico, capacitação e material de apoio. Em conjunto com instituições de pesquisa e desenvolvimento, universidades e parceiros da indústria de tecnologia, cada unidade contará com uma equipe para capacitar profissionais a desenvolver projetos e soluções voltadas a necessidades específicas de mercados, tais como telecomunicações, comércio eletrônico, mobilidade, educação, turismo, indústria, saúde, manufatura e varejo. “As capitais nordestinas têm pólos bastante maduros em tecnologia, especialmente no desenvolvimento de software”, afirma.

 

Ceará será contemplado com uma unidade
A data para a instalação do Centro Tecnológico da Microsoft no Ceará já está definida: dia 7 de fevereiro. O parceiro no Estado é o Instituto Atlantico, leia-se Eduardo Bernal, que esteva em Brasília tratando do assunto. Nesta segunda, o diretor do Instituto reúne o seu staff para definir as estratégias de divulgação. Bernal informa que a HP também está participando do projeto. O centro tecnológico formará profissionais especializados e treinados para atender a demanda de tecnologia da região de acordo com a sua especialização.

Segundo a gerente de segmento acadêmico da Microsoft Brasil, Márcia Teixeira, já foram realizadas atividades teóricas para a formação de professores em Curitiba e Petrópolis, que trabalharão na capacitação de novos participantes. Este grupo também atuará na coordenação de projetos pilotos de software para empresas da região, englobando a iniciativa privada e as instituições de ensino. “Fornecemos 800 horas de treinamento em cursos Microsoft e começamos agora a fase de desenvolvimento dos projetos pilotos”, complementa diz Márcia Teixeira. “Até o momento, registramos 1,5 mil participantes em eventos técnicos. Em 2003, deveremos acelerar tanto os treinamentos como os projetos.,” afirma.

A empresa espera dobrar o número de pessoas certificadas em três anos. Isto representa 7,5 mil novos profissionais, ampliando o quadro de mão-de-obra especializada e certificada com padrões internacionais.

PERFIL - A Microsoft Corporation ocupa a primeira posição no ranking mundial das empresas de software. A empresa investe anualmente US$ 5,2 bilhões de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento. A subsidiária brasileira foi inaugurada em setembro de 1989 e, nesses 13 anos, conseguiu atingir a marca de 45 mil pessoas que, de alguma forma, desenvolvem software, prestam serviços, treinam e capacitam profissionais na plataforma. Esse contingente está espalhado por 10 mil empresas brasileiras, gerando transferência de tecnologia e capacitação profissional para a população. Somente nos últimos três anos, a Microsoft Brasil investiu R$ 30 milhões em projetos sociais no país para levar a tecnologia a comunidades carentes, em parceria com organizações como o CDI, Instituto Ayrton Senna e Projeto Aprendiz.

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O POVO        

26 de Janeiro de 2003

 

 

De Olho no Dinheiro

 

Pecém e os 167 navios

O Terminal Portuário do Pecém registrou, em 2002, a circulação de 167 navios que movimentaram 30,020 mil TEU's. Atualmente, oito linhas de navegação passam todos os meses pelo terminal. Foram exportadas, de janeiro a dezembro, 157,607 mil toneladas de carga geral e importadas 229,382 mil toneladas, consolidando um total de carga de 386,990 mil toneladas entre bobinas de aço, derivados de petróleo, frutas diversas, castanha de caju, camarão, calçados, têxteis, dentre outros. Segundo informou a Cearaportos, responsável pela administração do terminal, o crescimento no volume de carga mês a mês vem surpreendendo já que o porto foi inaugurado oficialmente há apenas um ano e dois meses. E cresceu por que o Terminal Portuário do Pecém oferece condições especiais para isso, como agilidade e baixos preços. Os custos chegam a ser 30% menores que os registrados nos seus principais concorrentes - Suape (PE), Salvador (BA) e Itaqui (MA). A principal carga importada que desembarca no Pecém são bobinas de aço, que representam 45% do que chega ao Ceará. Do que tem origem no Estado, a principal mercadoria exportada é a castanha de caju, representando 11% dos produtos que aqui se originam. Das cargas que saem do Ceará, pelo Pecém, a maior participação é da carga de banana oriundas do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte - 15,5% da carga total exportada. O mel também vem crescendo no mercado europeu. Foram exportadas, em 2002, 2.185 toneladas do produto.

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O POVO       

27 de Janeiro de 2003

 

 

Vertical S/A  

 

Pecém disputa carga de Suape

Pernambucanos estão inquietos com a concorrência cearense no segmento portuário. Vêem o risco de perderem empresas que hoje operam no Porto de Suape. O principal rival para Suape é Pecém. Sábado, a armadora dinamarquesa Maersk reuniu empresários que exportam pescados e frutas por Suape para conhecer as instalações no Ceará e um de seus navios. A Maersk é uma das maiores operadoras de contêineres do mundo.
Os convidados visitaram uma embarcação com capacidade de transportar 3,5 mil contêineres. A Netuno, mega-exportadora de camarão por Suape, é uma que estuda transferir a carga para Pecém, em função dos custos mais atraentes. O presidente do Porto de Suape, Alexandre Albuquerque, declarou a jornalistas que não teme a perda de negócios para Pecém ou mesmo Mucuripe. Ele diz que o custo agregado para transferir as mercadorias para o Ceará inviabilizaria a operação. No entanto, reconhece que para as empresas do Vale do São Francisco Pecém é uma opção viável. No Estado, a Maersk Brasil, Unilink Transportes Integrados e V. Castro & Cia compõem em consórcio a Ceará Terminal Operation (CTO).

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O ESTADO       

27 de Janeiro de 2003

 

 

Norton Lima Jr.  

 

Refinaria 

Refinaria cá

O Ceará vem se preparando mal há anos para receber a refinaria. Localizou muito mal o porto, distante do litoral do Rio Grande do Norte, e não consegue unificar o discurso pelo empreendimento.

 

Refinaria cá 2

Falam em localização geográfica – quando todos sabem que Pernambuco é melhor localizado; falam em proximidade com a Europa e EUA – quando a refinaria destina-se ao mercado interno, falam em parceira internacional – quando os outros estados também têm.

 

Refinaria cá 2

Falam em infra-estrutura – quando não há trilhos nem grandes estradas entre o Ceará e o RN ( de onde vem o nosso petróleo); falam que o Ceará produz petróleo – quando 85% do petróleo que o Ceará produz vem do RN, que ainda tem um parque petroquímico maior que o cearense.

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DIÁRIO DO NORDESTE       

25 de Janeiro de 2003

 

 

Comunicado 

 

Refinaria – Concorrente 

A governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB), assinou convênio para viabilizar o estudo técnico-econômico para instalação de uma refinaria de petróleo no Estado. A parceria foi feita com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte. O estudo dará base técnica para a bandeira política do Governo estadual, a fim de captar a refinaria para terras potiguares.

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O POVO        

27 de Janeiro de 2003

 

 

Banco do Nordeste

 

Balanço do BN indica perdas nas contas 

O balanço patrimonial do Banco do Nordeste divulgado na segunda-feira passada aponta lucro no exercício e uma requalificação dos ativos por conta do maior rigor no provisionamento para eventuais perdas, entretanto expõe a baixa liquidez do banco e queda nas operações de crédito em relação a 2001.

Marília Cordeiro
da Redação

Mesmo com o lucro de R$ 160 milhões no exercício de 2002, o balanço do Banco do Nordeste (BN) apresenta fragilidades em termos de liquidez e revela que as operações de crédito da instituição feitas com recursos próprios caíram. O índice que mede se a instituição tem capacidade de pagar obrigações a curto prazo com os recursos de curto prazo (menos de um ano) que dispõe, o chamado índice de liquidez corrente não está bem. O índice, resultado da divisão do passivo circulante (dívidas para pagar no curto prazo) pelo ativo circulante (recursos de curto prazo) caiu de 1,24 para 0,93.

Isso quer dizer, que para cada R$ 1 que o banco tem de dívida a curto prazo tem apenas R$ 0,93 correspondente para pagar. A queda de um ano para outro é explicada pela reclassificação de títulos que deixaram de ser registrados no ativo circulante para ir para o realizável a longo prazo. Ainda sim, ressalta o consultor financeiro Francisco Assunção, essa liquidez baixa é preocupante e se a reclassificação - exigida pela resolução 3068 de 2001 - tivesse sido feita já em 2001, o índice de liquidez corrente daquele ano possivelmente não teria chegado a 1,24.

O auditor e professor Manoel Salgueiro, da Marpe Auditores, ressalta que não foi instituído nenhum provisionamento para empréstimos com recursos do Fundo Constitucional do Nordeste para eventuais perdas por inadimplência, como destaca a nota explicativa 4 do próprio banco. ''O ativo do FNE pode estar superestimado'', diz Salgueiro. A rentabilidade operacional (numa divisão do lucro pelo ativo total) o ativo é de 1,46%. Já o retorno sobre o capital próprio está em 13,75%.


Rever as condições para liberação de crédito e continuar apostando na clientela de micros e pequenos, na avaliação de Assunção, é o caminho para se livrar do percentual elevado de chamados créditos podres - aqueles, traduzindo, que se desconfia que não vão ser reavidos. Desde que resolveu cumprir as normas da resolução 2682 de 1999 da Comissão de Valores Mobiliários que exigem mais rigor na reserva para perdas, o banco aumentou significamente a provisão para créditos de liquidação duvidosa.

De um lado, o rigor revelou - tardiamente, é verdade - a má qualidade dos créditos que o BN tinha para receber, de outro enxugou o ativo. Em 2001, o BN fez reserva para perdas equivalentes a 68,8% do total de R$ 2.682 bilhões emprestados. Em 2002, a provisão passou a 35% das operações de crédito (R$ 1.465 bilhão). Guardadas as proporções já que o BN é uma instituição de desenvolvimento, uma instituição como o Bradesco reconhece provisão de 4,9% para uma carteira de R$ 52,184 bilhões.

O balanço mostra ainda que as operações de crédito do BN com recursos próprios caiu. Somando os créditos de longo e curto prazo, foram emprestados R$ 1,585 bilhão a menos de 2001 para 2002. O total emprestado em 2001 foi de R$ 7,001 bilhão e em 2002, foi R$ 5,415 bilhão. O incremento de operações e clientes veio do recebimento de recursos do Banco Interamericano de Desenvolviemnto (BID) e do aumento de recursos do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE).

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DIÁRIO DO NORDESTE       

25 de Janeiro de 2003

 

 

Mercado de Trabalho

 

Taxa média de desemprego foi de 11,7% em 2002

NOVA METODOLOGIA DE CÁLCULO GERA POLÊMICA
 
Em dezembro, o desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas foi de 10,5%. Segundo a economista do departamento de emprego e rendimento, Shyrlene Ramos de Souza, o mercado de trabalho no País está “estável”. Ela explicou que a introdução de nova metodologia na pesquisa impossibilita análises comparativas do ano passado em relação a iguais períodos do ano anterior.

Rio - A taxa média de desemprego atingiu 11,7% em 2002, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cálculo da desocupação foi feito de acordo com a nova metodologia utilizada desde novembro pelo instituto. Em 2001, segundo o método antigo, a taxa havia sido de 6,2%. Em dezembro, o desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas foi de 10,5%.

Segundo a economista do departamento de emprego e rendimento, Shyrlene Ramos de Souza, o mercado de trabalho no País está “estável”. Ela explicou que a introdução de nova metodologia na pesquisa impossibilita análises comparativas do ano passado em relação a iguais períodos do ano anterior.

Para tentar driblar essa limitação, ela avaliou os dados de janeiro a novembro de acordo com a metodologia antiga. Eles mostram, segundo a economista, que o mercado de trabalho “não piorou”, mesmo que a taxa de desemprego média tenha subido de 6 2% em 2001 para 7,3% até novembro do ano passado. “A ocupação cresceu, embora tenha sido puxada pelo emprego informal. Mas é melhor o emprego sem carteira do que o desemprego”, disse.

Segundo ela, os dados de dezembro, de acordo com a metodologia antiga, estão sendo calculados e serão divulgados dentro de duas semanas, mas não deverão mudar esse cenário. Shyrlene argumenta que a ocupação no ano passado cresceu 1,7% de janeiro a novembro, porcentual superior ao registrado em 2001 (0,7%). Ela considera a evolução do número de ocupados o principal indicador de tendência do mercado de trabalho.

No ano passado, ainda de acordo com a metodologia antiga e levando em conta dados até novembro, o número de empregados com carteira assinada cresceu 2%, enquanto os sem carteira aumentaram 3,8%, engrossando o contingente de trabalhadores informais.

No que diz respeito a dezembro, Shyrlene também diagnosticou “estabilidade”. A taxa no mês, de acordo com a nova metodologia, foi de 10,5% ante 10,9% em novembro. Ao contrário dos meses anteriores, a análise dos dados do mês foi feita apenas no confronto com novembro, eliminando as comparações com igual mês do ano passado, também como resultado da introdução da nova metodologia.

A pesquisa revelou que a população em idade ativa, ou de 10 anos ou mais, somava 36,53 milhões em dezembro nas seis regiões (São Paulo, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador). Desse total, 18 milhões estavam ocupadas. Entre os ocupados, 0,4% tinham entre 10 e 14 anos de idade e o maior porcentual (64,1%) estavam na faixa etária entre 25 e 49 anos.

Segundo o IBGE, a população não economicamente ativa (não trabalha nem está procurando trabalho) somava 16,3 milhões em dezembro. Desse total, 3,5 milhões gostariam de trabalhar, mas outros 12,8 milhões não gostariam, ou seja, são aposentados, estudantes ou donas de casa. Entre os que gostariam de trabalhar 41 mil formavam o grupo dos “desalentados”, que procuraram emprego por pelo menos seis meses e desistiram porque não encontraram colocação ou não havia vaga com remuneração ou qualificação adequada.

RENDA - Os números do rendimento médio real, relativos a novembro, confirmaram a tendência de queda. Houve redução de 2 3% na renda habitualmente recebida - sem bonificações - na comparação com outubro, totalizando R$ 879,79. No que diz respeito ao rendimento real efetivamente recebido (que inclui horas extras, gratificações e demais extras como 13º salário), houve crescimento de 0,7% ante outubro.
 

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DIÁRIO DO NORDESTE      

27 de Janeiro de 2003

 

 

Indústria farmacêutica   

 

Medicamentos - Indústria farmacêutica quer mais mercado

Ana Cristina Cavalcante
Da Editoria de Economia

Um negócio de US$ 7 bilhões por ano, divididos por 370 empresas, das quais as 30% estrangeiras detêm nada menos que 70% do mercado. Em rápidas pinceladas, esse é o setor responsável pelo primeiro acordo de manutenção de preços da Era Lula. A indústria farmacêutica concordou em adiar, até março, o aumento de 8,63% previsto para os medicamentos, agora em janeiro. Também aceitou conversar com o governo, pelos próximos seis meses, sobre os principais entraves para a expansão do setor.

As negociações resultaram no que a nova equipe de governo pretende para o País: o pacto social. Por outro lado, evidenciaram a necessidade de ampliação do consumo para um setor delicado: o de produção de remédios. Num país onde a saúde pública enfrenta sérias dificuldades, encontrar o ponto de equilíbrio entre as políticas públicas e os interesses de mercado é um enorme desafio. Tanto para o governo marcadamente social que se instalou no Brasil, em janeiro, como para a indústria de medicamentos que, apesar de fabricar um produto essencial, precisa sobreviver na economia de mercado. O presidente da Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica), Ciro Mortella, falou, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, sobre o acordo fechado com o governo Lula e sobre os rumos desse setor que produz, na sua linha de montagem, o remédio nosso de cada dia.

Diário do Nordeste - O seu setor fez o primeiro acordo de manutenção de preços do governo Lula. A indústria farmacêutica vai segurar o aumento de 8,63% sobre os preços dos medicamentos até março. Qual é o significado real disso: a disposição do setor para negociar uma questão delicada como é o preço do remédio ou o vislumbre de uma possível contrapartida do governo?

Ciro Mortella- Acumulamos uma defasagem por conta da variação cambial. O setor farmacêutico importa a maior parte de seus insumos e, quando há variação cambial forte, tem-se também variação de custo acentuada. Foi o que aconteceu no ano passado. Com o agravante de que tínhamos os preços congelados e isso impactou o setor fortemente. Em novembro, tivemos reajuste — da ordem de 8,63% — que pretendia atenuar um pouco esse impacto. Mesmo reajustando, chegamos ao final do ano ainda com uma defasagem grande. Em 31 de dezembro, nós tivemos o esgotamento da legislação de regulação econômica que estava em vigor, naquele momento. E tornou-se necessário instituir algum acordo para que pudéssemos garantir ao setor recuperar pelo menos parte dessa defasagem. Isso por um lado; por outro, era para evitar que tivéssemos, logo no início do governo, remarcação de preços que criasse uma situação difícil para todos os lados. Afinal, medicamento é uma coisa muito sensível. Também quisemos observar um pouco o comportamento da inflação e do câmbio.

Diário - Mesmo com uma defasagem de preços acumulada, vocês estão dispostos a negociar, então?

Mortella - Esta é a questão mais importante! Iniciamos um processo de diálogo com o novo governo porque nós precisamos encontrar uma fórmula de regulação econômica do setor, que seja eficaz não só para controle de preços mas, principalmente, para ampliar o acesso da população aos medicamentos. E esse é, na verdade, o objetivo da política pública.

Diário - A indústria farmacêutica estaria indo ao encontro da proposta de ampla negociação do novo governo?

Mortella - O acordo, basicamente, mostra esse aspecto. O de conseguir formalizar algumas condições para que nós possamos ter um diálogo com o governo, na busca de uma regulação de mercado eficaz.

Diário - O setor já tem alguma sinalização do governo de que essa regulação adequada do mercado possa virar realidade?

Mortella - Sem dúvida. O ministro da Fazenda [N.R.: Antonio Palocci] fez algumas declarações nesse sentido, no final do ano passado. Nelas ele utilizava, exatamente, essa expressão que você utilizou: que o setor precisa ter uma regulação de preços “adequada”. Isso quer dizer: que se consiga, por meio da regulação de preços, garantir condições de mercado, competitividade... e, ao mesmo tempo, fazer a combinação dessa regulação com políticas públicas com foco na ampliação do acesso por parte da população carente.

Diário - A feição desse novo governo é marcadamente social. A indústria farmacêutica — pelo menos a que está ligada à Febrafarma — parece também estar adotando uma postura de compatibilização entre suas políticas de mercado e a ampliação do acesso da população carente brasileira aos medicamentos. Até que ponto o setor está disposto a ceder para atender à demanda social?

Mortella - Primeiro, a disposição do governo de trabalhar fortemente na área social vem ao encontro do setor porque isso sempre foi uma reivindicação nossa. Sempre dissemos que o setor de fabricação de remédios precisa ter um tratamento estratégico voltado, exatamente, para a ampliação do acesso da população aos serviços de saúde e ao medicamento. Por que isso? Porque o setor industrial depende fundamentalmente dessa ampliação do acesso. Nós somos fabricantes de medicamentos, medicamento é um componente essencial da saúde, e nós precisamos estar integrados às políticas públicas, não só da área de saúde, como também as de desenvolvimento industrial. Todas essas partes têm que estar articuladas e isso é possível de ser feito.

Diário - Como?

Mortella - A partir do diálogo do setor público com o setor privado e de formas de cooperação e colaboração.

Diário - Até que ponto o setor vai colaborar?

Mortella - Acho que, muito mais do que ceder alguma coisa, é preciso encontrar caminhos nos quais possamos compatibilizar vários problemas e várias necessidades. Por exemplo: a necessidade de a população carente ter acesso a esses serviços; a dificuldade que o governo tem de dispor de recursos públicos para destinar a isto; a dificuldade que o setor privado tem, hoje, de ampliar o seu mercado. Esse é um mercado que depende de renda da população. Portanto, todos nós temos possibilidades de colaboração; e todos nós temos os nossos problemas também, que precisam ser contemplados por essas políticas.

Diário - Dentro dessa perspectiva de compatibilização das políticas públicas para área de saúde com os interesses de mercado da indústria farmacêutica, não haveria espaço para recolocar em pauta uma reivindicação antiga do setor: a cesta básica de medicamentos?

Mortella - Existem vários modelos que podem ser seguidos. A cesta básica é uma discussão que já se faz há algum tempo. A questão é fornecer esses medicamentos. Daí, vêm dois problemas. Primeiro: como fazer isso? Segundo: como obter recursos para financiar esse fornecimento? Eu acho que nós podemos colaborar muito, nos dois lados. Na área da distribuição e da disponibilização desses medicamentos, o setor farmacêutico e seus parceiros do atacado e do varejo conhecem tudo. Depois, o setor que fabrica medicamentos pode, através do ganho de escala, reduzir drasticamente os custos e, portanto, disponibilizar esses medicamentos a preços bastantes acessíveis. Aí, vamos ao encontro da dificuldade que o governo tem de dispor de recursos para ampliar o acesso. Podemos colaborar.

 

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DIÁRIO DO NORDESTE      

27 de Janeiro de 2003

 

 

Indústria farmacêutica   

 

Como baratear os medicamentos no Brasil?

BAIXO PODER AQUISITIVO RESTRINGE ACESSO
De acordo com levantamento da Febrafarma, 15% da população com renda superior a 10 salários mínimos responde por 48% do consumo de medicamentos. A entidade também apurou que quase a metade (49%) dos brasileiros não tem renda suficiente para consumi-los, por menor que seja o preço cobrado.

A carga tributária incidente sobre os medicamentos, no Brasil, é da ordem de 25%. O peso dos impostos e o seu repasse para o preço do produto vendido no varejo são duas das principais causas das enormes restrições de acesso aos remédios, por parte das parcelas mais carentes da população brasileira. Mas não são os únicos impedimentos. Oitenta por cento dos insumos utilizados na fabricação desses produtos dependem, de alguma forma, da cotação do dólar. Mesmo obedecendo a uma política de controle de preços, a cada “sim” do governo, os reajustes aplicados assustam as pessoas que dependem do uso permanente de medicamentos ou as que têm a sorte de ir à farmácia apenas esporadicamente. “Não queremos reinventar a roda, mas fazer com que as rodas da engrenagem social girem em única direção”, comenta Ciro Mortella.

Diário do Nordeste- O setor também propôs a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) dos medicamentos que compusessem a cesta básica. Isso ainda estaria em pauta para uma possível implementação do projeto?

Ciro Mortella - Isto é fundamental! A carga tributária que incide sobre os medicamentos no Brasil é talvez a mais alta do mundo. São 25%. Se nós estamos falando de políticas públicas e população carente, não faz sentido ter essa carga de tributos elevadíssima. É necessário e fundamental rever isso. Até já existe uma proposta tramitando no Congresso Nacional para que medicamentos destinados a programas públicos de acesso a medicamentos tenham total isenção de impostos. Agora, independente disso, é preciso se pensar um pouco em como trabalhar a questão tributária, considerando também a população que pode pagar. Um bem essencial como é o medicamento não pode ter uma carga tributária tão elevada porque o consumidor é que está sendo penalizado.

Diário - Como o setor lida diariamente com as altas e as baixas da cotação do dólar, no mercado brasileiro? A moeda norte-americana é o principal indexador do remédio?

Mortella - O medicamento não é indexado ao dólar. O que acontece é que o medicamento tem 80% dos componentes usados na sua fabricação, de uma forma ou de outra, dependentes do dólar. Ou porque são importados; ou porque são commodities que seguem a cotação dessa moeda. Portanto, toda vez que se tem uma variação cambial, o custo do medicamento é fortemente impactado. Até o ano passado, quando tínhamos o congelamento de preços, o que acontecia: o setor acabava absorvendo isso e, em muitos casos, essa absorção é dramática. Os genéricos são um exemplo disso: já trabalham com margens muito reduzidas; igualmente aos outros medicamentos, também têm seus componentes importados. As empresas ficavam praticamente sem nenhuma possibilidade de operar no mercado e, também, não podiam perder mercado porque esse é um segmento que está crescendo. Veja que situação complicada!

Diário - Os genéricos detêm que parcela do mercado de medicamentos?

Mortella - São 9% em valores e 6% em unidades. A variação cambial é, de fato, uma questão fundamental para nós. É evidente que a economia toda espera que a moeda não tenha essas flutuações e que passemos a ter um ambiente de estabilidade. E, se elas vierem a acontecer, o setor precisa ter liberdade para administrar essas questões.

Diário - Administrar significa ajustar preços de acordo com a variação cambial? Ou seja, aumentar o preço quando o dólar estiver caro e também baixar, quando estiver mais barato?

Mortella - Administrar é poder, como você disse, aumentar, quando precisar aumentar, e reduzir quando há condições para reduzir. E isso só é possível quando se tem um mercado que funciona livremente.

Diário - Mas, medicamentos são produtos de uma natureza diferenciada....

Mortella - O mercado de medicamentos é um mercado especial, mas isso não quer dizer que ele não seja um mercado. Nós temos que encontrar, e voltamos à questão central aqui, formas adequadas de regular esse mercado sem ter criar aberrações. Congelar preços com câmbio variável é uma aberração.

Diário - O mercado de medicamentos precisa de flexibilidade, certo? Então, a concessão de descontos no varejo pode ser uma alternativa para ampliar o acesso?

Mortella - O desconto é típico da concorrência entre os agentes. Por que eles existem? Porque os agentes econômicos concorrem entre si, numa disputa pelo consumidor. O desconto é sempre a favor do consumidor. Na verdade, quando falamos em variação cambial, estamos falando de fabricação. Mas, o varejo também enfrenta esses problemas porque a variação cambial afeta toda a economia. Os descontos só vão favorecer o consumidor na medida em que o mercado tiver um funcionamento concorrencial. Quando se começa a inibir a possibilidade de concorrência entre os agentes econômicos, se prejudica o consumidor.

Diário - Como está o Ceará no mapa do setor farmacêutico? Existe uma proposta de implantar um pólo químico no Estado. Nele, estaria também a indústria de remédios. Há condições para que esse pólo seja implantado aqui?

Mortella - É possível... A situação local não está desvinculada da visão de caráter nacional. Se nós tivermos a ampliação do mercado, políticas públicas federais e também — por que não? — estaduais.... se tivermos condições de desenvolver os centros locais, não só de produção mas também de pesquisa e desenvolvimento (com a integração do setor acadêmico às empresas), existe uma grande possibilidade de nós desenvolvermos pólos de produção, que ainda estão tentando se estabelecer. A ampliação do acesso é fundamental. Se tivermos o desenvolvimento do mercado — em âmbitos local e nacional —, teremos a possibilidade de trazer investimentos para o setor. Mas, quando se pensa em estabelecer um pólo de produção, é preciso pensar na atração de investimentos. Só se consegue captar investimentos, se tiver um mercado promissor. Ninguém investe em mercado sem futuro.

Diário - O mercado do Ceará tem futuro, na sua avaliação?

Mortella - Eu considero o mercado brasileiro um mercado de futuro. E eu sei que existe um trabalho muito árduo, por parte das empresas do Ceará, que inclui o varejo e o atacado. Assim, só posso compreender que aqui há grandes possibilidades de sucesso.

Diário - Qual é o melhor dos mundos para a indústria farmacêutica?

Mortella - É um sistema de saúde que possa atender a todos os cidadãos; que dê a possibilidade de acesso ao tratamento a todas as pessoas; e que proporcione o desenvolvimento científico e tecnológico, para que a indústria instalada no Brasil (independente da sua origem de capital) possa disponibilizar medicamentos cada vez melhores. Temos um enorme mercado no Brasil, capaz de dar escala para produzir medicamentos essenciais a um custo muito acessível. São 170 milhões de pessoas. Isso é o que nós estamos buscando, junto com uma visão estratégica desse setor. Acho que essa é a questão fundamental: entender que remédio e saúde são estratégicos para o País. E que só se faz estratégia nessa área, se forem contemplados os interesses de todos os envolvidos. Desde o consumidor, numa ponta, até o setor produtivo, na outra, com o governo fazendo o papel de regulador dessas relações. (ACC)

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O ESTADO DE SÃO PAULO       

27 de Janeiro de 2003

 

 

Setor têxtil 

 

Algodão, 100% mais caro, pressiona margens de empresas têxteis em 2003

Companhias enfrentarão dificuldade ao renovarem seus estoques neste ano

TÉO TAKAR

O aumento do preço do algodão e a dificuldade de repasse dos custos para o produto final deverão estreitar a margem de lucro das companhias do setor têxtil neste ano. Especialistas acreditam que o salto de mais de 100% na cotação da matéria-prima em 2002 começará a ser percebido nos resultados da empresas já no primeiro trimestre.

"As principais companhias fizeram grandes estoques de algodão no início do ano passado, quando o preço ainda estava baixo", lembrou Daniel Pasquali, da corretora Fator Doria Atherino. Dessa forma, elas conseguiram passar por 2002 sem sofrer o impacto da alta no preço da commodity. No entanto, encontrarão uma situação bem diferente quando renovarem seus estoques a partir deste trimestre.

A arroba de algodão em pluma no atacado de São Paulo custava R$ 28,60 em dezembro de 2001, enquanto em dezembro de 2002 o produto era negociado a R$ 60,00, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A analista da consultoria Tendências Amaryllis Romano explicou que o salto no preço do algodão foi provocado pela queda de 11% na produção mundial da safra 2002/2003 e pelo crescimento de 2,2% no consumo.

Ela comentou que a expectativa para a próxima safra não é muito animadora.

"As projeções iniciais apontam um crescimento de apenas 3% na produção mundial de algodão, isso se o clima ajudar." Amaryllis acredita que o preço da matéria-prima deverá recuar um pouco em fevereiro com o início da colheita do algodão da safra atual, mas deve voltar a subir no decorrer do ano.

Apesar do aumento dos custos, os especialistas afirmam que não há muito espaço para repasse de preços, o que deve provocar o estreitamento da margem de lucro.

"As empresas devem repassar a inflação de 2002, mas dificilmente conseguirão repassar integralmente os custos", disse Rodrigo Bonsaver, da corretora Coinvalores. "A situação do mercado não permite repasses maiores", acrescentou Basílio Ramalho, do Unibanco Research.

O presidente da Coteminas, Josué Christiano Gomes da Silva, admitiu que será difícil evitar um estreitamento de margens em 2003. "O verdadeiro patrão é o mercado. Ele é que permite ou não o repasse." Apesar do cenário desfavorável, a Coteminas é uma das empresas do setor em situação mais confortável.

"Ela registrou margens crescentes em 2002", lembrou Ramalho. "A margem bruta média de 2003 será menor do que a esperada para o quarto trimestre de 2002, mas deverá ficar próxima da média do ano passado." Para Bonsaver, as empresas têxteis devem aumentar o peso das exportações na receita para compensar o aumento nos custos. "O atual patamar do dólar permite um ganho maior com as exportações." Ele lembrou que o denin (principal produto da Santista Têxtil) tem feito sucesso no mercado europeu.

Pasquali, da Fator Doria, acrescentou que a Coteminas vendeu recentemente 4% do seu capital para a americana Springs, com a qual mantém relações comerciais. "Isso reforça o interesse das duas empresas na parceria."

 

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DIÁRIO DO NORDESTE        

25 de Janeiro de 2003

 

 

Fórum Econômico Mundial

 

FMI diz que governo Lula ´tem se saído muito bem´

 Davos - A vice-diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Anne Krueger, disse ontem em Davos (Suíça) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ´´tem se saído muito bem até agora´. Segundo ela, o presidente brasileiro lida muito bem com as expectativas e trata os problemas com responsabilidade. Krueger acrescentou que outra indicação da seriedade do governo é a política fiscal. O ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) já anunciou que a meta de superávit primário (a diferença entre arrecadação e despesas do governo) de 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2003 será elevada. ´´Os mercados não estavam convencidos de que o novo governo teria responsabilidade fiscal. Neste sentido penso que Lula já deu um passo adiante´, disse Krueger após conferência sobre os desafios latino-americanos no Fórum Econômico Mundial. Lula chega hoje à noite a Davos, na Suíça, para o que está sendo considerada a mais ambiciosa participação do Brasil no Fórum Econômico Mundial. À elite empresarial do mundo, Lula levará uma mensagem do Fórum Social Mundial, que se realiza em Porto Alegre. ´É preciso um pacto mundial que diminua a distância entre os países ricos e os países pobres´, defende Lula. Mais uma vez, porém, a discussão sobre a redução das desigualdades tende a ser superada pela agenda dos países desenvolvidos.

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DIÁRIO DO NORDESTE      

27 de Janeiro de 2003

 

 

Fórum Econômico Mundial   

 

Lula propõe criação de fundo internacional contra a fome

Davos - O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), propôs, ontem, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), a criação de um fundo internacional para o combate à fome e à miséria. Ele citou o G-7 e as nações mais industrializadas do mundo. “Precisamos nos unir em um pacto mundial pela paz e contra a fome. Fiquem certos de que o Brasil fará sua parte”, disse Lula. Questionado sobre o fundo, Lula disse que a medida seria um desafio ao mundo. “Milhares de velhos e crianças morrem por causa da fome. Se o mundo detém tecnologia, terra, capacidade de gerar alimentos, por que não cumprimos com nossa missão de seres humanos e damos a oportunidade aos outros seres humanos de comerem ao menos uma vez ao dia?”, questionou. “Esse é um desafio a Davos, ao mundo.” Lula disse que foi eleito para conduzir um país de 170 milhões de habitantes, que convive com a desigualdade social. “Trago [a Davos]

um sentimento de esperança que tomou conta da sociedade brasileira”, disse. O presidente afirmou que mais de 45 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, e que, por isso, fez do combate à fome prioridade em seu governo. Ele voltou a citar o compromisso de assegurar que os brasileiros possam “tomar café, almoçar e jantar”. Em relação ao setor econômico, Lula disse que o Brasil tem de sair do “ciclo vicioso” de contrair novos empréstimos para depois pagá-los. “Há necessidade de mudança. Queremos um livre comércio caracterizado pela reciprocidade”, disse. “Nossa política externa está orientada para a busca da paz e defesa de nossos interesses nacionais.” Lula disse ainda que os países desenvolvidos só são ricos porque tiveram oportunidades históricas. “Eles devem construir conosco uma nova agenda de desenvolvimento global e compartilhado.”

Lula chegou ontem à noite à embaixada do Brasil na Alemanha, onde ficará hospedado até o início da manhã de amanhã. Na entrada, ele cumprimentou os jornalistas que o aguardavam. Ao ser perguntado por que não havia falado da possibilidade da guerra entre os EUA e o Iraque, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, declarou que não havia abordado o tema afirmando “porque sou da paz”, e lembrou que foi muito boa a participação no fórum.

Hoje Lula almoça com o presidente alemão, Jonhannes Rau e janta com o chanceler Gerard Shroeder. Amanhã o presidente brasileiro segue para Paris, onde vai se reunir com o presidente francês Jacques Chirac e com o primeiro-ministro Jean Pierre Raffarin. Depois volta para o Brasil.

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O POVO       

27 de Janeiro de 2003

 

 

Fórum Econômico Mundial   

 

Ministro rejeita pressão do FMI

Antonio Palocci, ministro da Fazenda, disse que não se sente obrigado a cumprir o prazo previsto por acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para enviar proposta ao Congresso sobre a CPMF. A Contribuição, segundo o ministro, seria discutida na reforma tributária.

O governo brasileiro não vai correr com a discussão sobre reforma tributária só para atender ao Fundo Monetário Internacional (FMI), informou ontem (26) o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho. O acordo em vigor prevê que, até março, o governo enviará ao Congresso propostas para solucionar o ''buraco'' na arrecadação que se abrirá com a queda da alíquota da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) de 0,38% para 0,08% a partir de 2004. No entanto, Palocci mantém sua posição de que a CPMF será discutida na reforma tributária. Portanto, essa questão não necessariamente seguirá para o Congresso até março.

''Vamos dizer ao FMI que faremos de outra maneira'', disse o ministro. Ele deixou claro que não se sente obrigado a cumprir esse prazo previsto no acordo para a CPMF. O mesmo vale para outro parâmetro estrutural. A atual versão do acordo, negociado pela equipe do governo anterior, prevê também que, até março, será encontrada uma solução para o fim da Desvinculação de Receitas Orçamentárias (DRU), em 2004. A DRU é um mecanismo que permite ao governo gastar até 20% das receitas ''carimbadas'' do governo federal em finalidades diferentes das previstas.

Esses dois compromissos constam do acordo como ''parâmetro estrutural''. Não são um critério de desempenho, ou seja, não estão entre os itens que, descumpridos, implicam a suspensão dos desembolsos das parcelas do empréstimo de US$ 30 bilhões.

Amanhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá encontrar-se com o diretor-gerente do FMI, Horst Koehler, em Paris. Em fevereiro, embarca para o Brasil a missão técnica do Fundo, que deverá analisar os dados da economia brasileira no quarto trimestre de 2002 e traçar as metas deste ano. Essa revisão do acordo está sendo aguardada pelos analistas econômicos como um importante teste do novo governo.

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DIÁRIO DO NORDESTE      

27 de Janeiro de 2003

 

 

Frutas Tropicais  

 

Frutas tropicais

Os fruticultores estão-se deparando com o desafio de quintuplicar, este ano, as exportações de frutas tropicais. O esforço tem razão de ser. O Brasil, especialmente o Nordeste, tem amplo mercado comprador a ser explorado e pode concorrer com produtos de sabor apreciado e qualidade reconhecida.

Em 2002, o volume exportado superou US$ 220 milhões. A meta é elevá-lo para US$ 1 bilhão. Apoio não falta, pois o Programa de Desenvolvimento da Fruticultura (Profruta) tem respaldo do BNDES e, agora, ganha outro suporte básico: o Programa de Certificação da Produção Integrada de Frutas (PIF)

A produção agrícola vem contribuíndo, nos últimos anos, para compensar a queda da indústria, comércio e serviços na formação do Produto Interno Bruto. Em 2002, o desempenho do setor primário alcançou a taxa de 8%, de longe, o melhor resultado em relação aos demais itens da composição desse índice.

Os produtores de frutas, entretanto, não alimentam tanto entusiasmo em relação a essa meta por diversas razões. A primeira delas é o desconhecimento das peculiaridades do mercado internacional. Essa deficiência, para ser superada, exigiria a conjugação de esforços de pequenos e médios plantadores e do governo.

Outro obstáculo é o emprego de moderna tecnologia. O mercado externo prioriza a qualidade dos produtos que consome. Como as deficiências da produção primária são gritantes, está aberto um fosso entre vendedores e compradores. Mas há manifestações de boa vontade para a superação desses empeços.

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), condutor do PIF, vem rastreando o processo de produção de frutas. Aparece, nessa linha, a necessidade da introdução do manejo racional do solo e da aplicação, com parcimônia, de insumos prejudiciais ao meio ambiente.

A União Européia, traduzindo uma característica do mercado comprador internacional, tem sido cada vez mais exigente em relação às condições técnicas de plantio e colheita dos produtos agrícolas. Para garantir a qualidade, o Inmetro oferece a certificação dos produtos e o selo de qualidade, desde que sejam observados os padrões internacionais de controle da sanidade.

A produção de fruticultura dos pólos de desenvolvimento integrado no Nordeste representa avanço considerável nessa direção, ao mesmo tempo em que vem possibilitando novas frentes no agronegócio. Os pólos do Baixo Jaguaribe e Assu-Mossoró consolidaram a produção exportável de melão, banana e mamão. Os de Petrolina e Juazeiro se voltam para manga, uva e banana, enquanto o do norte de Minas prioriza a banana. Assim como estes, existem algumas áreas como o Cariri, com água abundante e excelentes condições de solo, onde a iniciativa privada vem demonstrando ser capaz de inovar na produção primária.

As manchas verdes do Nordeste, se bem exploradas com o plantio de frutas, poderiam atenuar os efeitos das secas.
 

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O ESTADO DE SÃO PAULO       

26 de Janeiro de 2003

 

 

Comércio Exterior

 

Exportação é a esperança de muitas indústrias

Retração interna leva empresas a buscar o mercado internacional

MARCELO REHDER e MÁRCIA DE CHIARA

Mais uma vez, as indústrias apostam no aumento das vendas externas para garantir bons resultados neste ano. Com a renda contida e o crédito caro, as chances de expansão do consumo no mercado interno ainda são restritas. Por isso, as empresas estão investindo na conquista de novos mercados no exterior, favorecidas pela competitividade do câmbio.

A fabricante de autopeças TRW, por exemplo, planeja aumentar as exportações em mais de 10%. Entre sistemas de freios, válvulas para motores e outros produtos, a companhia exportou US$ 80 milhões em 2002. Dessa cifra, US$ 50 milhões resultaram da venda de sistemas de freios para os Estados Unidos e Europa. "Em 2003, vamos ter um crescimento de 20% nas exportações da Divisão de Freios, graças a novos negócios fechados com montadoras americanas", diz o presidente da companhia, Marcos Zion.

No mercado doméstico, no entanto, a previsão de vendas é modesta. Segundo Zion, a produção para as montadoras deverá ficar praticamente estável em relação ao ano passado, uma vez que a indústria automobilística está prevendo a montagem de cerca de 1,8 milhão de veículos, pouco coisa a mais do que no ano passado (1,775 milhão). De origem americana, a TRW está entre as cinco maiores empresas de autopeças do mundo. Neste ano, a previsão da companhia no Brasil é de ampliar em 10% o faturamento total, que somou R$ 812 milhões em 2002.

A subsidiária brasileira da coreana LG é outra que está animada com o mercado externo. A fabricante de eletroeletrônicos acaba de transformar o País em plataforma de exportação para a América Latina. Os planos prevêem que as vendas externas passem a responder por 16% de todo o faturamento no País. No ano passado, a LG faturou R$ 1,2 bilhão. Para este ano, espera ampliar em 20% a receita, tanto de exportação como interna.

Segundo a diretora de Marketing da LG, Valéria Camarero, a escolha do Brasil como plataforma de exportação se deve a dois fatores. Um deles é a posição de liderança do País no mercado consumidor da região. Em segundo lugar, ela ressalta que a valorização do dólar tornou a exportação uma proteção ("hedge") barata para as empresas que dependem de insumos importados e estão sujeitas à flutuação do câmbio.

Para garantir as vendas no mercado interno, driblando o crédito mais restrito, a companhia aposta no lançamento de produtos com mais recursos tecnológicos, voltados para um consumidor de maior renda. Valéria pondera que a alta dos juros deverá ser revertida no segundo semestre, dando novo alento ao segmento de bens de consumo duráveis, cujas vendas dependem de financiamento.

Calçados - As exportações também são uma saída para os fabricantes de bens de consumo semiduráveis. A Beira Rio, uma das quatro maiores fabricantes de calçados femininos do País, quer ampliar em 50% as exportações neste ano. De acordo com o diretor-superintendente, Ivo Barbieri, as exportações deverão passar a responder por 12% do faturamento total da companhia. No ano passado, a empresa vendeu R$ 220 milhões, dos quais 8% (US$ 6 milhões) foram para o mercado externo.

"A nossa meta é consolidar a abertura de novos mercados no Oriente Médio e nos Estados Unidos, que até o ano passado respondiam por vendas esporádicas", diz Barbieri. No mercado interno, a perspectiva da empresa é de ampliar em 12% o volume de negócios.

Maior fabricante de meias no País, a Lupo quer crescer 15% nas vendas externas. "Já temos negócios engatilhados que nos abrem essa perspectiva", diz o diretor comercial da Lupo, Valquírio Ferreira Cabral Júnior. A companhia deve exportar este ano o equivalente a US$ 6 milhões.

Cabral Júnior conta que a Lupo vai aumentar os preços em 10%, em média, a partir do mês que vem, no mercado doméstico. Segundo ele, trata-se de um repasse da alta de custos ocorrida no ano passado. O algodão, principal matéria-prima, foi reajustado em cerca de 50% desde agosto de 2002. "Tivemos de aceitar o reajuste sob a ameaça de ficar sem o produto, porque os beneficiadores estão exportando o algodão em pluma." Por causa desse aumento de preço, a Lupo deverá ampliar o faturamento em 20%, enquanto a produção deve crescer apenas 8%. No ano passado, a companhia faturou R$ 125 milhões, 15% a mais do que em 2001.

O otimismo das empresas exportadoras se traduz em números. Pesquisa feita pelo BicBanco com 67 companhias exportadoras mostra que as vendas externas neste ano deverão crescer 10,6%, enquanto o aumento esperado para as importações é bem menor, de 4,8%. Com base nesse resultado, o economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi, projeta saldo de US$ 17, 3 bilhões para a balança comercial brasileira em 2003.

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O ESTADO DE SÃO PAULO       

27 de Janeiro de 2003

 

 

Comércio Exterior

 

Empresariado aprova linha de continuidade

'Existe mudança de forma, não de atuação', observa Oswaldo Douat, do CNI

ADRIANA CHIARINI

RIO - O governo Luiz Inácio Lula da Silva está continuando a linha seguida pelo governo anterior nas grandes negociações internacionais de comércio, mesmo com as mudanças no organização interna do Itamaraty e outras, como o maior envolvimento na crise da Venezuela. Esta é a avaliação da Coalizão Empresarial Brasileira, que reúne representantes de todas as confederações empresariais do País.

"Existe mudança de forma, mas não de atuação", observa o presidente da entidade e do Conselho de Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Oswaldo Douat. Ele lembra que, apesar de o organograma do Itamaraty estar mudando, os negociadores dos principais acordos de comércio exterior do lado brasileiro foram mantidos.

É o caso do embaixador Clodoaldo Hugueney, que continuará responsável pelas negociações para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), na atual rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC), e com o Mercosul e a União Européia (UE). Douat elogia a manutenção da estratégia de negociar simultaneamente em todas essas frentes.

Outra mostra de continuidade é que propostas elaboradas no governo anterior serão usadas como base pela missão brasileira chefiada pelo embaixador Simas Magalhães na reunião técnica do Mercosul esta semana em Assunção, no Paraguai. A reunião vai definir as ofertas iniciais dos países do bloco para a Alca, a serem apresentadas até 15 de fevereiro, e as ofertas revisadas para o acordo com UE até o dia 28 do mês que vem.

No caso da UE, a base será a proposta de oferta inicial do Brasil em outubro de 2001, bem mais ampla do que a apresentada aos europeus pelo bloco. A proposta do Mercosul ficou bem menor que a brasileira em função dos interesses da Argentina naquela época, ainda com o câmbio fixo na equivalência peso-dólar, segundo a secretária-executiva em exercício da Coalizão Empresarial, Soraya Rosar. "Por essa razão, o Brasil está muito confortável nessa revisão. A bola agora está com os argentinos", diz Soraya, lembrando que, "de lá para cá, a Argentina mudou muito".

O governo Lula até pensou em não apresentar nenhuma oferta inicial do Brasil para a Alca dentro do prazo, mas recuou da idéia após reunião co ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, com a Coalizão Empresarial.

"Defendemos que o Brasil apresentasse logo a oferta inicial de bens porque quem não apresentar não terá acesso às ofertas que os outros países fizerem entre si e o mais importante para nós é a de bens mesmo. Em compras governamentais e investimentos, os americanos têm muito mais interesse do que nós. Não tem problema atrasar um pouco", analisa Soraya.

A proposta para serviços talvez seja apresentada no prazo, mas isso dependerá da velocidade com que os novos ocupantes dos Ministérios envolvidos procedam à análise das listas preparadas no governo anterior após intensos debates com os representantes do empresariado. "Achei interessante o termo que ele estão usando no Itamaraty, que o novo governo precisa 'se apropriar' das ofertas, no sentido de tomar conhecimento e adaptar", disse Soraya.

A reunião com o ministro deixou mais clara a linha de continuidade. Não só pela decisão de apresentar pelo menos a oferta de bens no prazo, mas também pela disposição mostrada por Amorim para ouvir os empresários.

Douat, para quem nos últimos anos "o caminho da comunicação entre governo e empresários foi pavimentado", contou que Amorim lhe disse que quer não só manter como ampliar o diálogo com o setor privado. Para isso contribui também o fato de dois ministros importantes para esses acordos internacionais, o da Agricultura, Roberto Rodrigues, e o do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, Luiz Fernando Furlan, terem sido do Conselho Estratégico da Coalizão Empresarial.

 

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