FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO CEARÁ

 

GRUPO DE AÇÃO DE INFRA-ESTRUTURA,

                                 POLÍTICA E GOVERNABILIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PROPOSTA INICIAL DE TRABALHO PARA A ÁREA DE INFRA-ESTRUTURA COMO FATOR ESTRATÉGICO DE DESENVOLVIMENTO

 

Coordenação Geral

Alcântara Macêdo

Coordenação Setorial

Adão Linhares Muniz – Energia

Antônio Nunes de Miranda – Saneamento

César Cals Oliveira Neto – Transportes

Lenardo José Saraiva de Castro – Telecomunicações

Petrônio Sá Benevides Magalhães – Portos

Roberto Sérgio Farias de Souza - Recursos Hídricos

Elaboração

Fernando P. Ramalho

Francisco J. W. Osterne

José Osvaldo Beserra Carioca

 

 

 

 

 

FORTALEZA

2002

FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO CEARÁ                           

 

 

 

Grupo de Ação de Infra-Estrutura, Política e Governabilidade

Coordenador                                                                                                                                    Alcântara Macêdo

Membros

 

Alexandre Pereira Silva

Francisco Demontiê Mendes Aragão

Hélio Perdigão Vasconcelos

João Aquino Lima Verde

José Cleber Gonzaga Silva

José Flávio Leite Costa Lima

Luís Álvaro Nóbrega Teixeira

Luiz Esteves Neto

Marcos Silva Montenegro

Verônica Perdigão

Vicente Mendes Paiva

Diretoria FIEC 2002-2006

 

DIRETORIA PLENA

Presidente:

Jorge Parente Frota Júnior


1º Vice Presidente:

Ivan Rodrigues Bezerra

Vice-Presidentes:

Alexandre Pereira Silva

João Hudson Carneiro Saraiva

Roberto Proença de Macedo


Diretor Administrativo:

Hermano Franck Júnior


Diretor Financeiro:

Álvaro de Castro Correia Neto


Diretor Administrativo Adjunto:

José Moreira Sobrinho


Diretor Financeiro Adjunto:

José Fernando Castelo Branco Ponte


Diretores:

Affonso Taboza Pereira

Fernando Antônio Ibiabina Cunha

Flávio Barreto Parente

Francisco de Assis Alves de Almeida

Francisco Demontiê Mendes Aragão

Francisco José Lima Matos

Jaime Belicanta

 

 

 

Diretores:

Jocely Dantas de Andrade Filho

Luiz Esteves Neto

Marcos Veríssimo de Oliveira

Paulo Roberto Otoch Baquit

Pedro Jackson Gonçalves de Figueiredo

Verônica Maria Rocha Perdigão

Vicente Mendes Paiva                                                                                                                            

Wânia Cysne Medeiros Dummar

 

CONSELHO FISCAL
Efetivos:

João Fernandes Fontenele
Daniela Paiva Ramos
José Apolônio de Castro Figueira

Suplentes:
 
Vanildo Lima Marcelo
Frederico Hosanan Pinto de Castro
Jose Antônio Alves de Melo Nogueira

DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À CNI

Efetivos:
Jorge Parente Frota Júnior
Manuel Cesário Filho
Suplentes:

Alexandre Castelo Sales

Ivan José Bezerra de Menezes

 

FIEC / CEDIP - Centro do Conhecimento,

Editoração, Documentação e Pesquisa

Normalização, Formatação e Revisão de Originais

Coordenação Editorial

Maria de Lourdes Lima

 

 

Revisão – Andréa Barros

 

Federação das Indústrias do Estado do Ceará

Av. Barão de Studart, 1980 – Aldeota -

60120-901 – Fortaleza, CE – Tel.: (85) 466-5400

www.sfiec.org.br


 

 

AGRADECIMENTOS

 

 

O Grupo de Ação de Infra-Estrutura, Política e Governabilidade agradece a contribuição dos colaboradores abaixo mencionados pelas valiosas idéias e sugestões específicas apresentadas para os diversos segmentos da área de infra-estrutura.

Certamente todas estas contribuições enriqueceram em muito o conteúdo deste documento.

 

Adolfo MarinhoCONSULTOR

Almir TávoraDNOCS (Transposição das águas do Tocantins)

Fernando P. RamalhoCONSULTOR

José Osvaldo Beserra Carioca CONSULTOR

Jorge Luís de MeloCFN

José Roberto Correia SerraCEARÁ PORTOS

José Wanks Meireles SalesUNIT

Jurandir PicançoARCE

Lúcio de Castro Bonfim JúniorDERT

Luis Eduardo Barbosa de MoraesMETROFOR

Marfisa Maria de Aguiar Ferreira XimenesCOMPANHIA DOCAS DO CEARÁ

Mário Fracalossi Júnior - CAGECE

Mozart de Siqueira CamposCHESF

                                                                   Norberto BenevidesCAGECE

 

SUMÁRIO

 

APRESENTAÇÃO

1    INTRODUÇÃO ........................................................................................................................  8

2    VISÃO ESTRATÉGICA E POSICIONAMENTO DA ÁREA DE INFRA-ESTRUTURA ......................  9

2.1 Requisitos para construção da visão e missão moderna da gestão

 da infra- estrutura do Estado ...............................................................................................  9

2.2  Síntese dos documentos com as recomendações setoriais ...............................................  12

2.2.1 Recursos Hídricos ..............................................................................................................  12

2.2.2 Energia ..............................................................................................................................  16

2.2.2.1  Universalização do atendimento .......................................................................................  16

2.2.2.2  Auto-suficiência de geração .............................................................................................  17

2.2.2.3  Uso do potencial renovável  ..............................................................................................  18

2.2.2.4  Gás natural ....................................................................................................................  18

2.2.3 Telecomunicações ..............................................................................................................  20

2.2.4 Saneamento ......................................................................................................................  22

2.2.4.1 Introdução ......................................................................................................................   22

2.2.4.2 Condicionantes e princípios gerais ....................................................................................  22

2.2.4.3 Índices atuais e metas .....................................................................................................  25

2.2.4.4 Programas de investimento ...............................................................................................  26

2.2.5 Transportes ........................................................................................................................  27

2.2.5.1 Rede Portuária ................................................................................................................  28

2.2.5.2 Transporte Rodoviário .......................................................................................................  34

2.2.5.3 Ferrovias .........................................................................................................................  36

2.2.5.4 Aerovias  .........................................................................................................................  37

2.2.5.5 Dutovias  .........................................................................................................................  37

2.2.5.6 Transporte Intermunicipal de Passageiros  .........................................................................  38

2.2.5.7 Transporte Metropolitano de Fortaleza  ..............................................................................  38

ANEXOS......................................................................................................................................................  41

ANEXO 1  -  Proposta inicial de Política de infra-estrutura para o Estado do  Ceará  - Área de                  Energia...................................................................................................................................  42

ANEXO 2  -  Proposta  inicial de Política de infra-estrutura para o Estado do Ceará - Área  de               Saneamento...........................................................................................................................  66

ANEXO 3  -  Proposta  inicial de Política de infra-estrutura para o Estado do Ceará - Área de          Transporte .............................................................................................................................  72

ANEXO 4  - Proposta inicial de Política de infra-estrutura para o Estado do Ceará - Área

Portuária ................................................................................................................................  99

ANEXO 5 -  Proposta inicial de Política de infra-estrutura para o Estado do Ceará - Área de

                    Recursos Hídricos ..................................................................................................................  109

ANEXO 6 -  Proposta inicial de Política de infra-estrutura para o Estado do Ceará - Área de Telecomunicação ..................................................................................................................  120

 

 

ÍNDICE DE ILUSTRAÇÕES

 

 

FIGURA 1 - Visão estratégica da área de infra-estrutura.................................................................. 

QUADRO 1 - Disponibilidade de água per capita no Brasil............................................................... 

TABELA 1 - Geração Eólica no Ceará............................................................................................... 

TABELA 2 - Geração Eólica Autorizada pela ANEEL – 2001 / 2002 – Investimento Privado .......... 

QUADRO 2 - Histórico das instalações dos TUP’s............................................................................ 

TABELA 3 - Índices de Cobertura de Serviços................................................................................. 

TABELA 4 - Série Histórica de Movimentação de Contêineres pelo Porto de Fortaleza (1992/2001) .............................................................................................................. 

TABELA 5 - Os Maiores Portos Brasileiros de Contêineres.............................................................. 

QUADRO 3 - Projeção (2002-2021) da Movimentação de Contêineres pelo Porto de  Fortaleza          (Em TEU) ..................................................................................................................

FIGURA 2 - Programa São José –  Nº de ligações no período 1996-2001....................................... 

QUADRO 4 - Projeto São José – Ligações Realizadas..................................................................... 

FIGURA 3 - Programa Luz no Campo –  Nº de ligações no período 2000-2002............................... 

QUADRO 5 - Programa Luz no Campo – Out. / 2002....................................................................... 

FIGURA 4 - Programa Luz em Casa –  Nº de ligações no período 1998-2002................................. 

FIGURA 5 - Evolução da taxa de atendimento com energia elétrica nas áreas rurais...................... 

FIGURA 6 - Evolução da taxa de atendimento com Energia Elétrica nas áreas urbanas................. 

QUADRO 6 - Energia elétrica contratada pela Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial – CBEE  para o Ceará........................................................................... 

QUADRO 7 - Resumo Sistemas Montados no Ceará  (Dez. 1999 a Nov. 2002) ............................. 

QUADRO 8 - Geração Eólica Atual no Ceará.................................................................................... 

QUADRO 9 - Geração Eólica Autorizada pela ANEEL - 2001 / 2002 Estado do Ceará – Capital privado........................................................................................................................... 

TABELA 6 - Resumo - Geração Eólica Autorizada pela ANEEL – 2001 / 2002................................ 

QUADRO 10 - Sistema de Suprimento.............................................................................................. 

QUADRO 11 - Posição Atual – Setembro de 2002............................................................................ 

FIGURA 8 - Evolução do Mercado - período de 1994 – set. 2002.................................................... 

FIGURA 9 - Novos Mercados de Gás Natural................................................................................... 

FIGURA 10 - Projeção da Evolução do Mercado – período 2001-2005............................................ 

FIGURA 11 - Transmissão de energia Elétrica Mapa do Sistema Elétrico Chesf 1999 / 2008......... 

QUADRO 12 - Obras executadas em 2002....................................................................................... 

QUADRO 13 - Construção de Linhas de Transmissão...................................................................... 

QUADRO 14 - Serviços de Distribuição de Água e Coleta de Esgoto no Ceará.............................. 

FIGURA 12 - Taxa de Crescimento da Economia – Brasil e Ceará.................................................. 

TABELA 7 - Composição  Percentual da Carga Transportada, em toneladas – quilometro por modo de transporte 1995-99....................................................................................... 

FIGURA 13 - Participação dos Modais no Mundo – Toneladas x Quilômetro útil............................ 

FIGURA 14 - Índice de Mortes nas Estruturas (1996) – por 1.000 Km de Rodovia.......................... 

FIGURA 15 - Roubo de Cargas: Total de Ocorrências Anuais......................................................... 

TABELA 8 - Rede Rodoviárias Cearense – Jurídicas ....................................................................... 

FIGURA 16 - Densidade de Transporte – Km................................................................................... 

TABELA 9 - Frota de Veículos Motorizados do Ceará ...................................................................... 

TABELA 10 - Densidade de Utilização – 1995-99............................................................................. 

FIGURA 17 -  Rodovias Federais do Ceará....................................................................................... 

TABELA 11 - Condição de Superfície – Principais Rodovias Federais – Maio/2002 ....................... 

TABELA 12 - Conservação Rod. Federais – Intervenções Urgentes – Extensão (KM) ................... 

TABELA 13 - Estado de Conservação das Rodovias Estaduais ...................................................... 

TABELA 14 - Principais Rodovias Estaduais - UMD ........................................................................ 

TABELA 15 -  Indicadores de Eficiência............................................................................................ 

TABELA 16 - Aeroportos (Ceará) ..................................................................................................... 

FIGURA 18 - Principais Aeroporto do Ceará..................................................................................... 

FIGURA 19 - Mercado Futuro de Gás Natural do Ceará................................................................... 

TABELA 17 - Ônibus Frota Intermunicipais...................................................................................... 

TABELA 18 - Município da Região Metropolitana de Fortaleza – Indicadores................................. 

FIGURA 20 - Velocidade do Transporte Industrial............................................................................. 

FIGURA 21 - Contagens Volumétricas Bicicletas - Fortaleza............................................................ 

TABELA 19 - Distribuição de Viagens Diárias.................................................................................. 

TABELA 20 - Frota de Veículo Motorizado de Fortaleza ................................................................. 

TABELA 21 - Densidade de Ocupação dos Municípios das Capitais – 1995-99 Veículos/km2........ 

TABELA 22 - Densidade de Utilização dos Municípios das Capitais – 1995-99 habitantes/veículos .................................................................................................... 

TABELA 23 - Série Histórica de Movimentação de Contêineres pelo Porto de Fortaleza (1992/2001) .............................................................................................................. 

TABELA 24 - Os  Maiores Portos Brasileiros de Contêineres.......................................................... 

TABELA 25 - Projeção (2002 a 2021) da Movimentação de Contêineres Pelo Porto de Fortaleza   (Em TEU) .................................................................................................................... 

QUADRO 15 - Disponibilidade de água per capita no Brasil [S. Paulo, 2000] ................................. 

TABELA 26 -  Balanço hídrico da Bacia Metropolitana [Ceará, 2001] ............................................. 

QUADRO 16 - Programa de Antecipação de Metas.......................................................................... 

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APRESENTAÇÃO

 

Este documento foi elaborado pelo Grupo de Ação de Infra-Estrutura, Política e Governabilidade, como uma contribuição ao novo Governo do Estado do Ceará, visando o estabelecimento de uma política para a área de Infra-estrutura, a médio e longo prazo, que atenda aos anseios da classe empresarial e da sociedade cearense.

Dentro de um contexto democrático, desenvolvimentista e de crescimento sustentável, este documento busca integrar e sumarizar as contribuições técnicas elaboradas por especialistas dos diversos setores da área.

O Grupo de Ação e Infra-Estrutura, bem como toda a diretoria da FIEC, sente-se honrado em apresentar este documento ao novo Governo eleito, ao mesmo tempo em que expressa o profundo desejo de colaboração irrestrita para a implementação das idéias aqui propostas.

A área de Infra-estrutura dá sustentação de forma real as implementações das políticas públicas setoriais, o que significa dizer, proporciona o desenvolvimento da sociedade para o atendimento da sustentabilidade e do bem estar social, criando condições para a implementação de um ambiente favorável de negócios, simultaneamente com a preservação do meio ambiente.

Deve-se sempre ter em conta que o Estado, bem como a região Nordeste como um todo, possui uma situação crítica em termos de recursos hídricos e energéticos tradicionais, fatores limitantes da sustentabilidade e do desenvolvimento sócio-econômico, fato que urge a priorização de investimentos nesse setor.

Faz-se necessário uma adequação da visão e missão estratégica da gestão da infra-estrutura do Estado, no sentido de adequar o aparelho institucional à realidade e as condições aqui reinantes.

Resta-nos, portanto, a esperança de que este documento inspire a confiança e a certeza de que uma decisão de Governo pode colocar o Ceará e seu povo num padrão de dignidade e qualidade de vida compatível com os ideais de mudanças que tem caracterizado as últimas gerações de empresários da FIEC e do CIC, em favor da erradicação do desemprego e da miséria reinante no estado do Ceará.

 

 

1       INTRODUÇÃO

Este documento sumariza um conjunto de conclusões setoriais da área de Infra-estrutura, elaboradas por diversos especialistas colaboradores do Grupo de Ação de Infra-estrutura, Política e Governabilidade da FIEC, com objetivo de colaborar com o planejamento do novo Governo do Estado do Ceará.

Ele traduz não somente a história do desenvolvimento das obras de infra-estrutura no Estado do Ceará, mas também, indica as ações que devam ser contempladas no futuro próximo segundo a ótica destes especialistas.

Mais do que conclusões, este documento coloca a disposição do novo Governo e dos seus executivos, um conjunto de reflexões sobre o papel do planejamento na área de infra-estrutura e do seu relacionamento com a sustentabilidade e o desenvolvimento de políticas públicas para o atendimento dos requisitos sociais nestes novos tempos de privatização, profundamente marcados pela globalização, esgotamento de alguns recursos naturais, da necessidade de preservação ambiental e de novas formas de relacionamento entre o governo e a sociedade.

Certamente, no fundo destas questões repousa não somente a percepção e, porque não dizer, o desafio de introdução de estratégias descentralizadoras, menos dependentes de capital mais intensivas em mão de obra e que recicla materiais, em detrimento das estratégias centralizadoras, intensivas em capital e tecnologias, fatos que contribuem fortemente para a geração de dependência externa. Em particular, é salutar destacar o papel do Estado na promoção de forma pioneira da utilização do potencial da energia eólica, a criação do Centro de Negócios em Energia visando criar um ambiente promotor de negócios, bem como na criação das obras de infra-estrutura para promoção do desenvolvimento do turismo e da agricultura irrigada no nosso Estado.

A área de Infra-estrutura dá sustentação de forma real as implementações das políticas públicas setoriais, o que significa dizer, proporciona o desenvolvimento da sociedade para o atendimento da sustentabilidade e do bem estar social, criando condições para a implementação de um ambiente de negócios favorável, simultaneamente com preservação do meio ambiente.

Neste sentido, o grupo esforça-se ainda para indicar alguns temas para reflexão mais profunda no sentido de se atingir estes resultados, através do planejamento da infra-estrutura, tais como:

§         A grande interdependência entre os diversos setores;

§         O atual contexto e dinâmica da sociedade globalizada;

§         A elevada velocidade das inovações tecnológicas;

§         A necessidade de compatibilizar as culturas regionais, nacionais e globalizadas;

§         A grande necessidade de informações ainda não disponíveis;

§         Responsabilidade pública e transparência social;

§         Percepção para uso adequado das estratégias descentralizadoras;

§         Oportunidades de geração de emprego e renda;

Importância social, econômica e ambiental do reciclo de materiais.
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2  VISÃO ESTRATÉGICA E POSICIONAMENTO DA ÁREA DE   INFRA-ESTRUTURA

 

2.1       Requisitos para construção da visão e missão moderna da  gestão da infra-estrutura do Estado

A seguir, destacam-se alguns aspectos indispensáveis a formação de uma visão e missão estratégicas para a infra-estrutura do Estado. Para tanto, a Figura 1 que se segue, mostra, de forma gráfica, a complexidade e a necessária interação entre os diversos setores de atuação, visando o atendimento das condições requeridas pelo sistema produtivo, pela sociedade e a preservação do meio ambiente. 

As principais diretrizes recomendadas são:

§         A consolidação de uma visão estratégica realista e sustentável para a área de infra-estrutura constitui papel prioritário e da maior importância para o novo governo no atual contexto da sociedade brasileira. Este fato é fundamental para a montagem de qualquer plataforma ou missão de governo nesta área.  Assim, compete ao Governo Estadual em primeira instância:

-        aperfeiçoar as atribuições e funções do aparelho institucional    responsável pela a área de infra-estrutura;

-        criar e implementar políticas públicas setoriais;

-        equipar o aparelho institucional com a legislação básica, visando a sua  regulação, controle e fiscalização;

-        garantir a universalização dos serviços públicos essenciais;

-        aprimorar a prestação de serviços;

-        sintonizar o aparelho institucional com as instituições democráticas, a  saber; Judiciário, Legislativo, e a Sociedade;

-        avaliar permanentemente o retorno social da infra-estrutura.

 

 

§         A forma de remuneração e amortização, via tarifa pública, dos investimentos efetuados, deverá ser reformulada. No modelo atual ocorre uma injeção de recursos públicos, oriundos principalmente de empréstimos externos, além de recursos do Estado e da União, que são captados e aplicados pelo governo estadual para implementação de obras de infra-estrutura. Esse capital gera as condições necessárias para que os setores produtivos e de serviços públicos se instalem e cresçam, criando, no entanto, uma enorme dificuldade para remunerar e amortizar o investimento realizado, devido ao valor irrealista das tarifas. O mesmo se aplica a remuneração dos serviços prestados pelo Estado.

Esta tarifa reduzida faz parte de um modelo, que ao tentar beneficiar os mais necessitados, por sua generalização, acaba comprometendo o Tesouro Público na sua capacidade de investimento.

Existe, portanto, a necessidade de revisão desta sistemática operacional, mediante a concepção de um novo modelo de gestão, com tarifas diferenciadas, que contemple simultaneamente aspectos econômicos e sociais. Desta forma busca-se obter a devida remuneração do investimento, deixando os recursos públicos para serem aplicados em áreas prioritárias, tais como, saúde, educação e segurança.  Um dos aspectos que parece relevante nesse novo modelo é a descentralização da implantação da infra-estrutura, que já é visível no caso da geração de energia eólica.

§         Fortalecer o monitoramento sistemático das ações relacionadas com a qualidade dos serviços públicos prestados pelas empresas que receberam concessão para a realização de serviços de energia elétrica, comunicações, água, saneamento dentre outros.

§         A qualificação e o aperfeiçoamento contínuo dos recursos humanos dos órgãos de governo é fundamental para o exercício de suas funções com eficiência e eficácia, pois tal melhoria é de primordial importância devido a velocidade das mudanças tecnológicas e estruturais que a globalização impõe no mundo moderno.

§         Faz-se necessário à criação de um banco de dados sistematizado e informatizado que proporcione ao governo e a sociedade, clareza das soluções tecnológicas empregadas e da implementação de projetos através do acompanhamento de relatórios de impacto ambiental, por se tratar de um órgão cujas atribuições estão diretamente relacionadas com recursos naturais e/ou sua utilização. Mais do que isto compete ao Estado informar de maneira permanente a sociedade sobre o grau de utilização destes recursos, dos seus impactos socioeconômicos, e do seu possível esgotamento.

§         É fundamental o desenvolvimento de relações cooperativas com a universidade, centros de pesquisas e empresas, quer para o seu assessoramento direto, quer para o desenvolvimento de pesquisas tecnológicas, por se tratar de um órgão diretamente envolvido com soluções tecnológicas. Dentro desta ótica, o Estado pode aumentar a sua capacidade de investimentos em pesquisas, devido à obrigatoriedade das empresas privatizadas de investir um percentual do seu faturamento em pesquisas aplicadas de interesse do Estado. Neste contexto, a FUNCAP teria o papel de indutora de pesquisas aplicadas nas áreas de interesse da infra-estrutura e no desenvolvimento estadual.

§         Recomenda-se ampliar e estimular a participação do maior número possível de agentes da sociedade civil na formulação, aplicação e implementação de políticas públicas.

§         Deve-se dotar a área de infra-estrutura das condições de competitividade requeridas pelos desafios da globalização.

Topo

2.2      Síntese dos documentos com as recomendações setoriais

2.2.1   Recursos hídricos

O Ceará é um estado considerado pobre em termos de disponibilidade hídrica. A oferta anual está situada na marca de apenas 2.436 m3/hab/ano (QUADRO 1).

Segundo informações fornecidas pela Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará – SRH, o Estado possui atualmente cerca de 7.200 reservatórios de águas superficiais, com uma capacidade total de armazenamento de 12 bilhões de m³ de água [Ceará, 2001], fazendo com que a oferta per capita/ano máxima atual se situe em torno de 1.617 m³, marca que muito se aproxima do limiar crítico apresentado no QUADRO 1.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


QUADRO  1                                                                                                   

GRAU DE DISPONIBILIDADE

m³/ hab/ ano

ESTADO

DISPONIBILIDADE

m³/ hab/ ano

Abundante

 

 

> 20.000

Roraima

1.747.010

Amazonas

878.929

Amapá

678.929

Acre

369.305

Mato Grosso

258.242

Rondônia

132.818

Rio Grande do Sul

20.798

Muito Rico

 

 

> 10.000

Pará

217.058

Tocantins

137.666

Rico

 

 

> 5.000

Piauí

9.608

Espírito Santo

7.235

Situação limite

 

 

> 2.500

Bahia

3.028

São Paulo

2.913

Pobre

 

 

> 2.500

Ceará

2.436

Rio de Janeiro

2.315

Alagoas

1.752

Distrito Federal

1.751

Situação crítica

 

 

> 1.500

Paraíba

1.437

Pernambuco

1.320

 

 
Disponibilidade de água per capita no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                     Fonte: Secretaria de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo

 

Estudos hidro-geológicos mostram que os aqüíferos de maior expressão situam-se nas regiões da periferia do Ceará – litoral, serra Grande e Cariri – sendo que os lençóis subterrâneos do centro do Estado têm elevadas concentrações salinas, o que, praticamente, inviabiliza a utilização da água para abastecimento humano e irrigação.

Ora, ao se conjugar as realidades do elevado teor salino de parte das águas subterrâneas, tornando-as impróprias para o consumo humano e para irrigação, com os efeitos da irregularidade pluviométrica intra e interanual causadoras de freqüentes secas, somados à constante e excessiva taxa de evaporação das águas superficiais armazenadas em açudes, pode-se concluir que a disponibilidade hídrica real do Ceará deva ser bem menor do que os 2.436 m3/hab/ano, colocando o Estado numa classificação de disponibilidade hídrica muito mais desfavorável do que apenas pobre.

 

Breve avaliação da “solução hidráulica” até agora implementada

A grande maioria dos 7.200 reservatórios de água existentes no Ceará foram construídos com recursos financeiros provenientes dos Governos Federal e Estadual. Ao longo dos anos uma quantia expressiva de recursos foi preterida de alguma outra rubrica dos orçamentos públicos, para que se minorasse o efeito das estiagens. Adotou-se à exaustão a chamada solução hidráulica, pois a crença era a de que (de certa forma ainda é), existindo poços e açudes em profusão, estariam os cearenses livres do fantasma das secas. Na verdade os fatos mostraram que a simples existência de uma fantástica rede de açudes, poços e canais não são suficientes para resolver o problema das estiagens.

 

Aspectos institucionais e gerenciais do sistema de recursos hídricos do Ceará

O aparelho estatal destinado a cuidar de todo o complexo da infra-estrutura hídrica do Ceará realiza-se na Secretaria de Recursos Hídricos-SRH, por seus programas e através de suas vinculadas: Superintendência de Obras Hidráulicas – SOHIDRA, Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos- FUNCEME e Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos - COGERH.

À SOHIDRA cabe ou caberia a execução das obras de infra-estrutura hídrica; à Funceme, com sua missão recém redesenhada, deveria ocupar-se de gerar informações da geografia física (clima, tempo, solo, vegetação e relevo) do Ceará, e a COGERH, única empresa de economia mista das três instituições vinculadas, é ou seria responsável pela gestão do sistema de águas superficiais e subterrâneas.

 

Diretrizes para o estabelecimento de uma política governamental na área de recursos hídricos

§         Caracterizar a Secretaria de Recursos Hídricos como um ente eminentemente de gestão dos recursos hídricos do Ceará, através da implementação das seguintes medidas:

                     I.                   Transferência da SOHIDRA, para a Secretaria de Infra-Estrutura, ente institucional próprio para abrigar iniciativas de execução e contratação de obras públicas de qualquer natureza;

                   II.                   Criação de uma instituição, sob a forma jurídica de agência, destinada a estudar, planejar, projetar, controlar e coordenar ações, gerar dados, indicadores de desempenho etc. referente ao sistema de recursos hídricos do Ceará;

                  III.                   Transferência da FUNCEME para o ambiente Acadêmico, locus adequado às atividades de desenvolvimento científico e tecnológico, inserindo-a como vinculada à Fundação Universitária mantenedora das Universidades locais (UECE, UVA ou URCA), ainda como um instituto independente, com alteração de sua constituição jurídica para uma Organização Social (tipo OCIP) ou Agência, e com atribuições claras de estudar o espaço geográfico do Ceará para gerar informações sobre nossa geografia física;

               IV.                   Caracterização da COGERH como uma empresa de operação e manutenção do sistema, deixando-a existir efetivamente como uma empresa de capital misto, com autonomia gerencial, financeira e administrativa, sob o peso da contrapartida das suas responsabilidades, estipuladas em contrato de gestão e com medição de seu desempenho por indicadores;

  • Negociar o início imediato das obras de transposição das águas do Rio São Francisco ou do Rio Tocantins, com base em estudos feitos pelo DNOCS;
  • Implementar uma política de conhecimento dos custos reais de cada sistema de recursos hídricos – açudes, canais, adutoras, bacias hidrográficas, etc.;
  • Desenvolver o sistema tarifário com base no custo marginal dos sistemas, como forma de sinalizar o valor da água;
  • Elaborar e implementar uma política de gerenciamento pelo lado da demanda, utilizando como ferramentas o preço da água, a adoção de equipamentos de reduzido consumo de água e, sobretudo, a educação, pela introdução obrigatória nos currículos do ensino fundamental e médio, da problemática da água no Ceará;
  • Ajustar a expansão dos sistemas de recursos hídricos, em quantidade e ritmo, às projeções e planejamento dos organismos usuários de água, tais como a CAGECE, Secretaria de Agricultura Irrigada, etc;
  • Rever o programa de expansão do sistema de recursos hídricos do estado, denominado de PROGERIRH, financiado com recursos do Banco Mundial, em função das necessidades dos organismos usuários de água;
  • Iniciar um programa de manutenção dos diversos itens que compõem o sistema de recursos hídricos, como forma de restabelece-los à condição de projeto;
  • Melhorar o sistema de informações de recursos hídricos, dotando-o com um maior número de informações consistentes, como forma de subsidiar o processo decisório;
  • Desenvolver um amplo programa de treinamento no sistema SRH, objetivando capacitar profissionais para gerenciar os sistemas, nos seguintes ramos de conhecimento, entre outros: operação de sistemas hídricos, sistema de informações gerenciais, tarifas, planejamento operacional e de expansão, gerenciamento de tecnologia, manutenção de sistemas, etc.

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2.2.2      Energia

O Governo Federal tem, constitucionalmente, a atribuição de planejar, desenvolver, executar e manter o sistema brasileiro de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Aos Estados cabe a orientação de políticas e diretrizes no âmbito estadual, com base nas características e especificidades locais e regionais, visando a adequação do pensamento central ao suporte da necessidades locais, da promoção e disponibiliazação do potencial local e da difusão e universalização do serviço com o objetivo de garantir o desenvolvimento econômico e social de forma sustentável.

O Governo do Estado, através da SEINFRA, Secretaria de Estado responsável pela área de energia, tem desempenhado este papel estabelecendo as diretrizes principais da política de energia para o Estado como:

§         Universalização do atendimento de energia elétrica;

§         Auto-sufiência de geração elétrica no Estado;

§         Uso do potencial renovável (Energia eólica);

§         Garantia do suprimento de gás natural.

Uma visão geral das ações da SEINFRA na área de energia pode ser resumida nos seguintes pontos:

 

2.2.2.1   Universalização do atendimento

Programa LUZ NO CAMPO

O Governo Federal, através do Ministério de Minas e Energia e com o apoio financeiro e técnico da Eletrobrás, criou, em 02.12.99, o maior programa de eletrificação rural já realizado no Brasil: o “Luz no Campo”.

No Estado do Ceará, de acordo com a Pesquisa por Amostragem de Domicílios do IBGE, em 1986, apenas 16% dos domicílios rurais do Estado do Ceará eram beneficiados com energia elétrica. A mesma pesquisa feita em 2001, constata que esta taxa se elevou para 72%. Considerando-se, no entanto, as obras de energia executadas em 2002, a taxa de atendimento com energia elétrica nos domicílios rurais do Ceará é, em setembro/2002, de 81%. Houve, portanto, um grande avanço no período 1986-2002.

O Programa “Luz em Casa” pretende universalizar o atendimento de energia elétrica domiciliar urbana, elevando a taxa de 97% para próximo de 100% em 2004.

 

Resulta da parceria do Governo do Estado (SEINFRA), COELCE (através dos incentivos fiscais definidos pela ANEEL) e Beneficiários que complementam os recursos das instalações elétricas internas (ramal de entrada, quadro de medição, 2 pontos de iluminação e 2 tomadas) no valor de R$ 108,00 pago em 36 vezes através da conta de luz mensal.

O Estado do Ceará desenvolve várias parcerias para utilização de Energia Solar, recurso abundante no nosso estado, visando integrar e resgatar a dívida social com as comunidades mais carentes e distantes da rede de energia elétrica convencional, apesar desta ter alcançado já mais de 80% dos domicílios rurais. Tendo à frente o apoio dos vários parceiros nesse processo, destacamos o Ministério das Minas e Energias MME através do PRODEEM dentre outros.

 
2.2.2.2   Auto-suficiência de geração
Programa de Energia Emergencial

Em virtude da necessidade de racionalização do uso de energia elétrica e o aumento, em curto prazo, da capacidade de geração de energia elétrica para suprimento ao Sistema Interligado Brasileiro, ocasionado pelos baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas do País em 2001, foi criada a Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial – CBEE.

A CBEE é uma empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, que tem como objetivo a aquisição, arrendamento e alienação de bens e direitos, a celebração de contratos e a prática de atos destinados a viabilizar o aumento da capacidade de geração e da oferta de energia elétrica de qualquer fonte, em curto prazo. Sua criação contribui para a superação da crise de energia elétrica, para o re-equilíbrio de mercado de energia necessário ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social do país.

 

Capacidade contratada pela CBEE para o Brasil e o Ceará

 

Usinas à Óleo............................................................................ 2.153,6 MW

Estado do Ceará.......................................................................... 409,2 MW

Usinas à Gás Natural................................................................ 1.912,0 MW

Estado do Ceará.......................................................................... 200,0 MW

Total............................................................................................ 4.065,6 MW

 

Geração Permanente – Termelétricas (PPT)

Com o esgotamento dos melhores potenciais hidráulicos do país as usinas termelétricas passaram a ganhar força, principalmente em virtude da evolução tecnológica, do crescimento da malha de gasodutos e da maior facilidade em se adquirir o gás natural.

O gás natural tornou-se uma alternativa importante para a necessária expansão da capacidade de geração de energia elétrica. Nesse contexto, o Governo Federal instituiu o chamado Plano Prioritário de Termelétricas (PPT), pelo Decreto no 3.371, de 24/02/2000.

 

Empreendimentos assegurados pelo Programa Prioritário de Termeletricidade – PPT

Brasil (38 usinas)     13.956,0 MW

Estado do Ceará (2 usinas) ...................................................... 626,5 MW

UTE TERMOCEARÁ ................................................................. 270,0 MW

UTE FORTALEZA ...................................................................... 356,5 MW

2.2.2.3  Uso do potencial renovável

TABELA 1

Geração Eólica no Ceará

PLANTA

POTÊNCIA (MW)

OPERAÇÃO

GWH/ANO

Mucuripe

2,4

2001

8,4

Prainha

10,0

1999

35,0

Taíba

5,0

1999

17,5

Total

17,4

 

 

 
Projeto para Construção das Usinas Eólicas de Camocim e Paracuru

O Governo do Estado, através da Companhia Energética do Ceará – COELCE, está em processo de licitação para a construção de duas usinas de energia eólica de 30 MW cada, previstas para os municípios de Paracuru e Camocim em função das condições especialmente favoráveis ali encontradas. (TAB 2)

 

 

TABELA 2

Geração Eólica Autorizada pela ANEEL – 2001 / 2002 – Investimento Privado

ESTADO

POTÊNCIA (MW)

%

Ceará

1.968,80

38,4

Rio Grande do Norte

1.936,95

37,7

Subtotal CE-RN

3.905,75

76,1

Outros Estados

1.226,65

23,9

Total Brasil

5.132,40

100,0

Fonte: ANEEL - Outubro/2002

Os empreendimentos privados autorizados pela ANEEL durante os anos de 2001 e 2002 estão aguardando a regulamentação pelo Governo Federal das regras para comercialização da energia elétrica.

 

2.2.2.4   Gás natural

O gás natural para o mercado do Estado do Ceará é produzido pela Petrobrás em pontos de produção domésticos - no Ceará (Paracuru), e no Rio Grande do Norte (Guamaré). É suprido à Companhia de Gás do Ceará – CEGAS, que tem a atribuição de distribuir aos consumidores, como concessionária de distribuição de gás, Lei Estadual 12.010 de 05/10/1992.

O mercado do Ceará, que já absorve um volume de 415 mil m3/dia, conta com 99 clientes ativos, atendidos por uma infra-estrutura de 130 km de gasoduto, nos municípios de Fortaleza, Maracanaú, Pacatuba, Eusébio, Caucaia, Horizonte e Pacajus.

Os setores atendidos estão assim distribuídos: Industrial, 209 mil m3/dia (50,4%); Comercial, 831 m3/dia (0,2%); Veicular, 119 mil m3/dia (28,7%); e Co-geração/Auto-produção, 86 mil m3/dia (20,7%).

A perspectiva de evolução do mercado de gás natural no Estado centra-se no suporte para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, para o suprimento as geradoras termelétricas: Termoceará 200 MW (ano 2001, 1.200 mil m3/dia), Termoelétrica Fortaleza 310 MW (ano 2004, 1.550 mil m3/dia), Usina Siderúrgica do Ceará – USC (ano 2004, 1.400 mil m3/dia) e o Complexo de Refinaria (ano 2005, 1.400 mil m3/dia), além do crescimento dos mercados de gás veicular, doméstico, industrial e de geração de energia por co-geração.

O atendimento a essa expansão do mercado do estado está condicionado à expansão do sistema de suprimento pela Petrobrás, através da ampliação do gasoduto Guamaré–Pecém, que hoje comporta o transporte de 2.400 mil m3/dia. O trecho GuamaréPecém faz parte do Gasoduto Nordestão, que interliga os estados da Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

As reservas domésticas de gás natural no Nordeste, conforme dados da Petrobrás, garantem o suprimento do mercado da região até 2010, considerando os projetos de geração termoelétrica para o Nordeste constantes do programa prioritário de geração termoelétrica do MME – PPT.

A Estratégia da Petrobrás é complementar o suprimento com a importação de gás natural liquefeito – GNL, através do porto de Suape, em Pernambuco. Para isso, já criou, junto com a Shell, uma empresa específica para este fim, que se propõe a importar o gás liquefeito e vender para distribuição.

Isso acarretaria o estrangulamento do suprimento para o mercado do Ceará e dos estados do Maranhão e Piauí, onde já foram criadas recentemente as companhias distribuidoras de gás natural. O crescimento destes mercados fica condicionado ao aumento contínuo da capacidade de transporte do gasoduto. Também dependeria de uma política de preço diferenciada para compensar a tarifa de transporte maior em função da distância do ponto de entrada (Suape) e os pontos de consumo (Pecém/Fortaleza, Teresina e São Luiz).

O tamanho do mercado, dividido em Nordeste Oeste e Nordeste Leste, permite dividi-lo em dois pontos de suprimento externo: pelo porto de Suape e pelo porto do Pecém. Assim, o mercado de Pernambuco seria atendido por uma planta de regaseificação, em Suape e o mercado do Ceará seria atendido por outra planta de regaseificação, em Pecém, cada uma com capacidade de 3.000 a 6.000 mil m3/dia, complementando a produção doméstica e fazendo um mix de preço para o mercado total do Nordeste.

 

Recomendações

§         Continuidade das metas de universalização de atendimento na área rural do Estado, com adequações através de programas de integração de ações dos governos federal e estadual de financiamento e disponibilização de recursos a fundo perdido.

§         Continuidade das diretrizes de auto-suficiência da geração de energia no Estado, através da diversificação da matriz energética com o uso da energia eólica de grande porte, e pela geração termelétrica, além de alternativas de geração distribuída por meio de energia solar e biomassa, objetivando alcançar uma taxa de elasticidade de pelo menos 1,5 vezes em relação ao percentual de crescimento do PIB.

§         Incentivar o uso de soluções energéticas descentralizadas de pequeno porte para aplicações produtivas (irrigação, dessalinização de água, hotéis, pousadas, hospitais).

§         Promover o uso de sistemas de energia solar de pequeno porte para comunidades isoladas e dispersas,que desempenham um papel de alto valor social para estas comunidades, levando-se em conta, neste caso o alto custo do atendimento convencional.

§         Continuidade do desenvolvimento do mercado de gás natural no Estado do Ceará, contemplando a geração termoelétrica existente e em construção, os empreendimentos industriais de grande porte (complexo industrial do Pecém, siderúrgica), o uso do gás para a industria, o uso doméstico e veicular, além da interiorização do gás como opção de insumo energético e principalmente visando a substituição do uso da lenha.

§         Continuidade do plano de instalação da planta de regaseificação do Pecém, garantindo o suprimento de gás natural ao mercado do Ceará.

§         Manutenção do ritmo de expansão do suporte de infra-estrutura de transmissão e distribuição (Chesf, Coelce).

§         Articulação com os setores produtivos (industrial, de serviços, agrícola, etc.), para a aplicação de eficiência energética e conservação de energia.

§         Criação de um programa efetivo de conservação e eficiência energética e combate ao desperdício no setor publico, através da gestão de contas de consumo de energia elétrica do setor público e implementação de contratos de performance de gestão energética para setores de alta demanda e alto potencial de redução de consumo (bombeamento de água, saneamento, etc.). 

§         Utilização da biomassa orgânica agrícola e do lixo orgânico urbano como insumo energético em soluções para geração distribuída (descentralizada).

§         Integração mais efetiva entre o suporte de infra-estrutura elétrica com os demandantes (agricultura, indústria, turismo, social, recursos hídricos, etc.).

§         Re-análise da viabilidade econômica da prospecção da mina de urânio e fosfato de Itataia.

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2.2.3     Telecomunicações

Programa “Alô Ceará”

Visando suprir as comunidades mais carentes com os serviços de telefonia pública, o Governo do Estado do Ceará assinou em dezembro de 1999, junto à Telecomunicações do Ceará S. A. - TELEMAR, o contrato que tem como objeto a interligação de 1.400 (mil e quatrocentas) localidades de municípios cearenses ao sistema de telefonia pública, atendendo a comunidades com menos de 300 habitantes. (QUADRO 2)

QUADRO 2

Histórico das instalações dos TUP’s

TELEFONES DE UTILIDADE PÚBLICA – TUP’S
Instalados em 177 municípios

Ano 2000

43

Ano 2001

1.051

Ano 2002

35

Subtotal

1.129

Autorizados

Ano 2001

93

Ano 2002

66

A indicar

Ano 2002 / 2003

112

 

 

Total Geral

1.400

 

Recomendações

O Ceará, apesar de contar com uma razoável plataforma de telecomunicações com o nível de serviço e cobertura acima da media nacional, ainda não promoveu a necessária complementação desta base para estimular as diversas atividades públicas e privadas que utilizam esta plataforma como insumo principal. Por exemplo, call centers, tele-conferência, telemarketing, centros de processamento de dados, teleportos, ensino/monitoramento/vigilância à distância, e a área médica hospitalar, assim como uma enorme gama de negócios fundamentados nesta infra-estrutura. O que se nota é que este setor ficou excessivamente restrito a transmissão de voz com grandes empresas atuando na telefonia fixa e móvel.

O papel dos teleportos, por exemplo, é de convergência e distribuição de sinais de dados, voz e imagem, sendo que o Ceará dispõe de condições favoráveis para a operação deste tipo de instalação devido a sua localização estratégica, e a infra-estrutura de telecomunicações já existente (cabos óticos, back-bone da Embratel, Eletronel e Telemar), alem do suporte acadêmico consolidado.

Portanto, nos próximos quatro anos (2003-2006), as ações do Governo Estadual nesta área, deverão ser voltadas para uma melhor e mais intensa exploração desta base, no sentido de otimizar a geração de emprego e renda, com ênfase tanto nos objetivos sociais como econômicos e financeiros. Além disto, recomenda-se também o estimulo à competição no setor, em especial na telefonia fixa, visando uma redução de preços e melhoria da qualidade dos serviços. Também o interior deverá ser contemplado com uma maior cobertura, especialmente na telefonia móvel e transmissão de dados, proporcionando assim uma melhor atratividade para os investimentos privados e fixação do homem no interior.

A seguir, algumas sugestões para discussão e avaliação pelo próximo Governo Estadual:

§         Continuação do programa “Alô Ceará” para atender o grande número de comunidades com menos de 300 habitantes antes do prazo legal estabelecido pela ANATEL.

§         Elaboração de projetos para intensificar a aplicação e a expansão do FUST - Escola e FUST - Saúde no Estado, visando atender a meta de 95% das escolas ligadas à Internet e 90% dos hospitais e, proporcionar atendimento ao público de menor renda combatendo a exclusão digital. O valor anual estimado deste projeto é de vinte e cinco milhões de reais. Sugere-se como exemplo de aplicação, a criação de bibliotecas digitais específicas que atendam a área educacional e cultural, bem como o setor produtivo.

§         Elaborar estudos e projetos de atração de investimentos para P&D e call centers, através dos serviços de telecomunicações e políticas negociadas de isenção de ICMS e de ISS. Este plano procura aumentar o número de postos de trabalho em setores que utilizem a plataforma de telecomunicações.

§         Intensificar o e-Gov (governo digital), negociando com as operadoras a contra-partida da isenção de ICMS, isenção parcial de IPI, com recursos oriundos da Lei 10.176 e Fundos Setoriais.

§         Criar a Agência Cearense de Telecomunicações, a fim de regular e fornecer subsídios do setor para o Estado, permitindo assim uma ponte entre municípios e empresas de telecomunicações, bem como a própria ANATEL. Isso permite ainda um melhor aproveitamento do plano geral de metas quanto à universalização dos serviços.

§         Estimular a criação de mecanismos de interação entre as instituições de ensino e P&D, com a iniciativa privada, para incrementar a competitividade das empresas cearenses do setor. Desta forma, propõem-se a implementação de programas de formação de recursos humanos especializados e de P&D, para atender a demanda da área.

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2.2.4  Saneamento

2.2.4.1  Introdução

Objetivos específicos:

§         Garantir a disponibilidade de abastecimento de água de boa qualidade para a população urbana.

§         Garantir a disponibilidade de água bruta e potável para indústria e empreendimentos turísticos.

§         Disponibilizar o esgotamento sanitário, onde se fizer necessário, para a população urbana.

§         Garantir o destino final de esgotos das indústrias e empreendimentos turísticos.

 

2.2.4.2  Condicionantes e princípios gerais

O clima de nossa região é caracterizado por um regime de chuvas escassas, irregulares e concentradas em um curto período de três ou quatro meses sob a forma de precipitações intensas de curta duração. Com exceção do litoral, onde predominam as formações sedimentares, a geologia é predominantemente formada por rochas do embasamento cristalino. A concentração das chuvas aliada à presença quase aflorante das rochas cristalinas faz com que os rios só escoem na estação das chuvas. Encerradas as chuvas, os rios deixam de correr, exigindo a construção de açudes para armazenamento da água que será usada no decorrer do ano.

À este quadro de fatores físico-climáticos extremamente adversos vem se somar o fenômeno da sempre presente ameaça da seca, que têm concorrido para a formação no Ceará de uma sociedade muito pobre, principalmente no interior, que somente agora começa a se beneficiar do processo de industrialização e de desenvolvimento turístico. Todos estes aspectos que em seu conjunto condicionam fortemente as ações de saneamento podem ser resumidos em:

§         Baixa renda da população em geral.

§         As tarifas de abastecimento e esgotamento cobradas das classes médias e altas já atingiram o nível de custo das soluções alternativas.

§         Baixa capacidade de absorção do solo no interior do Estado.

§         Alta capacidade de absorção dos solos arenosos da região litorânea.

§         Elevada insolação e alta evaporação.

§         Intermitência natural dos rios e reduzida vazão daqueles artificialmente perenizados.

§         Necessidade de custos reduzidos de abastecimento e esgotamento para atrair novos empreendimentos industriais e turísticos.

Com base nestas condicionantes é possível alinhar os princípios gerais que deveriam ordenar o planejamento do desenvolvimento do Estado no que diz respeito à infra-estrutura de saneamento:

§         Respeito ao meio ambiente.

§         Compatibilidade com as características físicas e climáticas do Ceará e aproveitamento destas características para redução dos investimentos e custos de operação.

§         Responsabilidade do Estado restrita aos núcleos urbanos.

§         Manutenção e desenvolvimento da Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará - CAGECE como empresa de controle público, atuante em todo o Estado e responsável por:

-        Planejamento, coordenação e controle da operação dos sistemas existentes;

-        Planejamento e busca de recursos para investimentos e implantação de novos sistemas e expansão dos existentes.

§         Desenvolvimento do SISAR – Sistema Integrado de Saneamento Rural que tem por base o associativismo como instituição responsável pela operação do saneamento nos pequenos núcleos urbanos disseminados no meio rural.

§         Compatibilização com as políticas públicas de industrialização e desenvolvimento turístico.

§         Uso abrangente e intensivo do reuso para fins industriais e agrícolas das águas residuais.

§         O esgotamento será disponibilizado à população somente onde for necessário.

Alguns destes princípios merecem ser comentados para melhor esclarecimento. O primeiro é o que limita a “Responsabilidade do Estado restrita aos núcleos urbanos”. Os núcleos urbanos se caracterizam pelos arruamento públicos e pela diversidade da propriedade dos imóveis, condições que não estão presentes nas propriedades privadas. Assim, a instalação de sistemas de água ou saneamento deve ficar restrita aos núcleos urbanos para evitar que o investimento público venha a resultar em favorecimento individual.

Outro ponto importante é o papel da CAGECE no desenvolvimento e operação dos serviços de saneamento. A empresa que opera hoje em 152 municípios vem passando por um intenso processo de desenvolvimento que a coloca hoje entre as melhores do País. A decisão do próximo governo de manter a CAGECE no âmbito da administração pública é louvável. O seu desempenho como instituição responsável pelo planejamento e atração de novos investimentos quer seja junto ao Governo Federal, quer junto aos organismos financeiros internacionais é imprescindível. Além disto, é evidente a necessidade da presença direta do Poder Público Estadual no planejamento, coordenação e supervisão dos serviços de saneamento em todo o Estado.

No entanto, a operação dos sistemas pode e deve ser otimizada por uma maior presença das empresas privadas como contratadas da CAGECE na operação dos sistemas de água e esgoto, como demonstra a experiência bem sucedida já em vigor em parte do sistema metropolitano. Esta experiência deveria ser aprimorada e gradativamente estendida a todos os sistemas do Estado desde que cercada dos necessários cuidados para garantir o caráter público da empresa e o compromisso social da ação do Estado. Outro cuidado importante deve ser tomado em relação aos empregados da CAGECE que constituem o maior patrimônio da empresa. A eles, que tanto colaboraram na construção da CAGECE, deve ser garantido o papel de importantes partícipes no planejamento e desenvolvimento deste processo.

Ainda em relação a CAGECE, deveria consistir em meta importante do próximo governo a atração de todos os municípios do Estado para o âmbito da empresa. Principalmente no que diz respeito aos grandes municípios que facilitariam a viabilização financeira da empresa no interior. Cada município deveria ser examinado individualmente e para cada um deve ser encontrado uma solução condizente com o porte e desenvolvimento de seu sistema de saneamento. Para alguns, a solução talvez seja obtida pela formação de empresa com a participação da CAGECE e da Prefeitura Municipal. No entanto, para todos eles, a realização de novos investimentos e o envolvimento direto do Governo do Estado nas negociações seriam fortes motivos de atração.

Ao lado da CAGECE, o SISAR – Sistema Integrado de Saneamento Rural que tem por base o associativismo deve ser incentivado como responsável pela operação do saneamento nos pequenos núcleos urbanos disseminados no meio rural, com população entre 250 e 1250 habitantes. O elevado custo da operação destes pequenos sistemas tem sido motivo de preocupação mesmo em países desenvolvidos que têm procurado através de sistemas automatizados de elevado custo de investimento reduzir as despesas de operação.

Em nosso caso, o SISAR permite manter o investimento em um nível razoável e ao mesmo tempo deixa o custo de operação em um patamar compatível com o nível de renda da população beneficiada. A operação através de empresas teria que

obrigatoriamente ser subsidiada pelo Governo Estadual criando um ônus tão elevado que impossibilitaria a universalização do saneamento. O SISAR através da auto-gestão dos sistemas de água e esgoto por associação de moradores, pelo baixo custo de operação, viabiliza a universalização dos serviços para pequenas comunidades. Neste modelo de operação, a CAGECE por delegação do Estado, assume o papel de auditoria e controle das atividades do SISAR, garantindo a qualidade dos serviços e evitando desmandos administrativos.

A partir de exitosa experiência na Zona Norte, a CAGECE apoiou a criação e estruturação de oito SISARs que cobrem todo o Ceará, cada um com área de atuação correspondente a uma bacia hidrográfica. Deste modo, ao ser instalado um sistema de saneamento em um pequeno povoado, a comunidade se organiza, com apoio e orientação da CAGECE, em uma associação, a qual o Estado entrega por comodato o conjunto de equipamentos. Ao mesmo tempo, esta associação recebe da Prefeitura a autorização para operação do sistema. Atendidas estas condições, a associação por sua vez se associa ao SISAR de sua bacia hidrográfica que passa a apoiá-la administrativa e operacionalmente.

Ainda, caberia comentar o último princípio proposto: “O esgotamento será disponibilizado à população somente onde for necessário”. Nas áreas de subsolo arenoso e permeável das cidades litorâneas e mesmo nos bairros de pequeno adensamento urbano das cidades e vilas do interior, as soluções individuais de esgotamento sanitários tem atendido às necessidades da população. Estas populações vêem como uma agressão a instalação de sistemas públicos de esgotamento que elas não necessitam e cujas tarifas são obrigadas a pagar. Assim, antes de executar os pesados investimentos de instalação de sistemas de esgotamento sanitários deve o Poder Público verificar se eles são efetivamente necessários e constituem-se em anseios da população.  

 

2.2.4.3  Índices atuais e metas

Apesar do grande esforço realizado pela CAGECE e pela Fundação Nacional de Saúde - FUNASA, que tem viabilizado importantes recursos do Governo Federal, os índices de cobertura de serviços de distribuição de água e coleta de esgoto no Ceará (resumidos abaixo) precisam urgentemente serem ampliados para valores compatíveis com o nível de vida que a população anseia. (TAB  3)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TABELA 3

Índices de Cobertura de Serviços

DESCRIÇÃO

UND

1998

1999

2000

2001

  População atendida - Água

hab.

3.419.512

3.637.414

3.976.006

4.385.708

População atendida - Esgoto

hab.

953.426

1.210.113

1.321.802

1.608.710

Índice de atendimento -     Água

%

76,58

77,19

78,84

79,97

Índice de atendimento – Esgoto

%

21,35

25,68

26,21

29,34

Índice de cobertura - Água

%

91,47

92,07

93,14

94,62

Índice de cobertura - Esgoto

%

24,43

29,30

30,86

33,42

Fonte: CAGECE

 

A melhoria destes índices deve ser buscada, elegendo como meta prioritária de governo o atingimento dos seguintes valores:

§         Fortaleza e áreas limítrofes conurbadas:

- 100% de cobertura de abastecimento

-   70% de cobertura de esgotamento

§           Sedes municipais:

-        100% de cobertura de abastecimento

-        50% de cobertura de esgotamento

§         Sedes de distritos e núcleos urbanos no meio rural:

-        100% de cobertura de abastecimento esgotamento somente em casos  especiais

Além disto, como meta complementar em todas as áreas urbanas não servidas por esgotamento sanitário o poder público deverá incentivar a adoção de sistemas individuais de solução (fossas sépticas com sumidouros e leitos de absorção), inclusive através de doação à população carente.

 

2.2.4.4  Programas de Investimento

Para consecução destas metas deverão ser feitos vultuosos investimentos que não poderão ser concretizados em um único mandado governamental. No entanto, desde já é preciso acelerar o andamento dos projetos de investimento em negociação (da ordem de R$ 1,0 Bilhão) e buscar outras fontes de financiamento, inclusive junto ao Governo Federal. Além destas fontes, poderiam ser procurados outros recursos através da venda de ações e debêntures desde que estas operações não afetassem o controle administrativo e financeiro por parte do Governo Estadual. A inserção da CAGECE no mercado de capitais teria como benefício complementar a necessidade da busca da excelência gerencial, sem a qual os investidores não se motivariam a investir na empresa.

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2.2.5  Transportes                                   

O Estado do Ceará, por estar geograficamente mais próximo de grandes mercados consumidores e exportadores, como os Estados Unidos e a Europa, apresenta vantagens consideráveis no comércio internacional. Do ponto de vista interno, a posição de meia distância entre norte e sudeste do Brasil também favorece o escoamento da produção e as condições de comercialização. Esses fatores, certamente, contribuíram para que centenas de empreendimentos industriais e agro-industriais aqui se instalassem; recebeu nos últimos anos significativos investimentos na área de transportes: Porto do Pecém, Aeroporto Internacional de Fortaleza, Prodetur, Metrofor, são alguns exemplos e, apesar desta realidade, a infra-estrutura de transportes do Estado está longe de ser considerada preparada para os desafios intrínsecos ao processo de globalização da economia mundial, que exige uma crescente eficiência e custos cadentes no transporte de passageiros e de cargas, de forma a trazer efetivos ganhos de bem-estar social e econômico para a população.

Por outro lado, esta globalização está trazendo, cada vez mais, transformações radicais na organização dos processos de suprimento, produção e comercialização, tendo como uma de suas conseqüências, a diminuição da importância das vantagens comparativas locacionais, anteriormente proporcionadas pela proximidade de fontes de recursos naturais e pela mão-de-obra barata. A orientação dos processos produtivos, buscando atender a estas demandas de mercados consumidores, tem feito com que a eficiência do sistema logístico se torne uma condição básica para que se mantenha e aumente a competitividade de todos os setores da economia. A implementação de novas tecnologias, estruturas regulatórias e institucionais práticas administrativas e operacionais, no setor transportes, é indispensável para proporcionar margens fundamentais em termos de competitividade.

Destaque-se ainda que empresas cearenses  são obrigadas a manter excesso de estoque ao longo das cadeias produtivas como forma de se proteger das ineficiências do transporte, conseqüência de atrasos, acidentes e roubos de carga. No Ceará, 76% das cargas que transitam em nossas rodovias, utilizam as rodovias federais que estão em péssimo e inadmissível estado de conservação. Um setor de transportes mais confiável e eficiente poderia diminuir esta deseconomia, liberando recursos extremamente significativos para serem reinvestidos em atividades produtivas.

A falta de um Plano de Transportes de longo prazo, compatível com as estratégias de desenvolvimento econômico, social e ambiental do Estado, que abranja o setor como um todo, observando-se as peculiaridades e complexidades de cada modalidade de transportes e aspectos logísticos, incluindo as rodovias, ferrovias, dutovias e o transporte aéreo e marítimo é um erro grave, que tem como conseqüência a alocação deficiente dos escassos recursos disponíveis para o setor, trazendo prejuízos em termos de desenvolvimento econômico, meio-ambiente, segurança e mobilidade.

 

Recomendações Gerais

§         Elaboração urgente de um Plano Diretor de Transportes que considere o sistema como um todo, observando-se as projeções e planos de desenvolvimento das diversas regiões do Ceará, inclusive os aspectos logísticos, aproveitando-se em todas suas potencialidades, as vantagens comparativas de cada modalidade de transporte e permitindo-se dar mais eficiência ao uso dos escassos recursos disponíveis.

§         Estabelecimento de um programa de construção e melhoria de terminais intermodais de carga.

§         Garantir que recursos da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sejam utilizados para melhoria da infra-estrutura de transportes do Ceará.

§         Incentivo à formação de parcerias com a iniciativa privada.

§         Criação de um “Banco de Dados”  sobre os transportes no Ceará.

§         Apoio à articulação dos interesses comuns tanto a nível metropolitano com também em outros aglomerados urbanos em especial, no Cariri, Maciço da Ibiapaba e na região de Sobral, através de câmaras temática, permitindo que os municípios conversem sobre projetos comuns, visando maior eficácia no aproveitamento dos recursos.

§         Uso intensivo de sistemas de tecnologia de informação.

§         Ênfase aos programas de manutenção preventiva.

§         Atenção especial às modalidades de transportes que trazem maior eficiência em termos de uso da energia e meio ambiente.

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2.2.5.1  Rede portuária

De forma geral, em termos atuais, as demandas de serviços portuários, no Ceará, vem sendo atendida em níveis de qualidade, eficiência e custos compatíveis com os padrões nacionais e internacionais, tomando em consideração os padrões tecnológicos em uso.

Análise mais detalhada desse atendimento poderá ser feita levando em conta os três principais grupos de cargas movimentadas pelos terminais cearenses: os granéis líquidos, os granéis sólidos e a carga em contêineres.

A chamada carga geral solta ou não conteinerizada, em sacos, fardos, caixas, etc, praticamente não mais se apresenta nesses portos, à exceção dos produtos siderúrgicos (bobinas e fardos de chapas de aço).

O porto comercial do estado – o porto de Fortaleza ou porto de Mucuripe – continua a desempenhar seu papel de destaque entre os portos do Nordeste, servindo de porta de entrada e saída para o comércio de vasta região, que abrange, além do Ceará, os estados vizinhos do Piauí, Rio Grande do Norte e Pernambuco, chegando até a Bahia, onde compete diretamente com os portos de Salvador e Suape.

O terminal do Pecém ainda não alcançou seu objetivo primeiro, de servir de elemento fundamental ao complexo industrial portuário que ali se deverá instalar, mais pelas dificuldades de implantação dos empreendimentos projetados que por suas características e concepção.

O porto de Mucuripe vem desempenhando de forma bastante eficiente no suprimento de insumos para a LUBNOR e a fábrica de margarina referida, papel que terá de desempenhar permanentemente, mesmo com a projetada transferência da movimentação dos combustíveis líquidos para o terminal do Pecém.

O nível de utilização da capacidade instalada, no presente e no horizonte dos próximos vinte anos, garante o atendimento em condições muito satisfatórias do tráfego projetado.

No que se refere a granéis sólidos, o principal item desse grupo, em Mucuripe, é o trigo em grão, importado pelos três moinhos instalados à retaguarda do porto.

As instalações existentes para o descarregamento de navios de grãos, em Fortaleza, estão entre as mais modernas, com indicadores de eficiência destacados: o TERGRAN é considerado o mais eficiente terminal de grãos de todo o Brasil.

Ao mesmo tempo em que propiciou a drástica redução dos custos de transporte e movimentação do trigo em grão, a implantação desse terminal especializado permitiu a solução do congestionamento sofrido pelo porto até 1998.

A carga conteinerizada é o grupo de cargas com maior potencial de crescimento para o porto de Fortaleza.

As estatísticas dos últimos dez anos apontam para os seguintes números. (TAB 4)

 

TABELA 4

Série Histórica de Movimentação de Contêineres pelo Porto de Fortaleza (1992/2001)

ANO

MOVIMENTAÇÃO VERIFICADA (TEU)

1992

21.000

1993

21.800

1994

25.400

1995

28.600

1996

33.509

1997

41.286

1998

49.783

1999

54.406

2000

69.425

2001

85.595

                                              Nota: TEU–Unidade de Medida de Quantidade de Contêineres equivalente a um contêiner de  vinte pés (6 metros) de comprimento.                                                                                     Fonte: Companhia Docas do Ceará.

 

O quadro geral dos maiores portos de contêineres no Brasil, em 2001, coloca Fortaleza em 10o lugar, sendo o segundo mais importante porto da região, superado apenas por Salvador. (TAB 5)

 

 

 

TABELA 5

Os Maiores Portos Brasileiros de Contêineres

POSIÇÃO

PORTO

MOVIMENTAÇÃO TEU/ANO

VARIAÇÃO 2001/2000

 

 

 

 

2001

2000

QUANTIDADE

%

1

Santos

1.047.675

949.300

98.375

10,4%

 

2

Rio Grande

360.966

315.093

45.873

14,6%

 

3

Paranaguá

291.589

252.679

38.910

15,4%

 

4

Rio de Janeiro

248.779

217.758

31.021

14,2%

 

5

Itajaí

243.554

171.250

72.304

42,2%

 

6

São Francisco

176.258

168.355

7.903

4,7%

 

7

Salvador

106.712

95.451

11.261

11,8%

 

8

Manaus

106.617

88.526

18.091

20,4%

 

9

Vitória

89.382

105.451

-16.069

-15,2%

 

10

Fortaleza

80.821

69.424

11.397

16,4%

 

11

Suape

73.388

62.753

10.635

16,9%

 

12

Belém

48.147

48.950

-803

-1,6%

 

13

Recife

47.096

46.162

934

2,0%

 

14

Tubarão

25.423

Nd

25.423

Nd

 

15

Sepetiba

16.651

nd

16.651

Nd

 

Total dos 15 portos

2.963.058

2.591.152

329.832

14,4%

 

 

A partir do final de 2002, com a introdução de navios de maior capacidade e calado nas linhas para a costa leste dos Estados Unidos da América, parte da movimentação de contêineres passou a ser realizada no terminal de Pecém, onde são disponíveis maiores profundidades.

As projeções para os próximos vinte anos, segundo dados da Companhia Docas do Ceará. (QUADRO 3)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUADRO 3

Projeção (2002-2021) da Movimentação de Contêineres Pelo                            Porto de Fortaleza  (Em TEU)

ANO

QUANTIDADE

 

ANO

QUANTIDADE

2002

101.702

 

2012

248.141

2003

117.165

 

2013

268.038

2004

131.557

 

2014

289.531

2005

144.614

 

2015

312.748

2006

156.210

 

2016

337.826

2007

168.735

 

2017

364.914

2008

182.266

 

2018

394.175

2009

196.881

 

2019

425.783

2010

212.668

 

2020

459.924

2011

229.721

 

2021

496.804

 

Por essas projeções, passa o Ceará a atingir, a partir deste ano de 2002, o patamar de 100.000 TEU/ano.

A projeção das demandas está a indicar a necessidade de implantação imediata de terminal adequado.

Esse novo terminal deverá dispor das condições recomendadas para atender, com eficiência e qualidade, os navios especializados e as quantidades de contêineres a serem movimentados. Essas condições abrangem os seguintes pontos principais:

§         Guindastes especializados para o embarque e desembarque de contêineres instalados nos cais (os chamados portêineres), com condições de atender navios sem equipamentos de bordo (conhecidos como gearless);

§         Áreas suficientes para a estocagem dos contêineres descarregados ou a embarcar nos navios, junto aos cais;

§         Profundidades, no acesso e abrigo aquaviário e junto aos locais de acostagem, adequadas aos tamanhos de navios projetados para atender o tráfego atual e futuro.

A implantação desse terminal, o qual deverá ter condições de ampliação de capacidade de modo a atender as projeções de crescimento do tráfego, deverá ser a principal preocupação do setor portuário do estado, no futuro imediato.

 

Fortaleza (Mucuripe) e Pecém – papéis a desempenhar

A consolidação do porto em Mucuripe, antes distante do centro urbano, atraiu a implantação de empreendimentos industriais importantes para o estado, desde as unidades de refino da Petrobrás (a LUBNOR) até a fábrica de margarinas do grupo Dias Branco, passando pelos moinhos de trigo e diversos outros, além de sediar importante núcleo de distribuição de combustíveis derivados de petróleo, entre outros produtos de importação.

O antigo sonho de atrair industrias de base, como a siderurgia e a refinação do petróleo, para o estado, esbarrava nas dificuldades de juntarem-se, ao mesmo tempo, as condições portuárias adequadas ao atendimento desses empreendimentos e a disponibilidade de áreas ou espaço físico, com terrenos de baixo custo e relativamente distantes dos grandes centros urbanos.

A solução para esse problema foi encontrada na Ponta do Pecém, onde se implantou um moderno terminal off shore, ligado à terra por ponte, reservando-se ampla área para a implantação de um complexo industrial novo, o qual teria na usina siderúrgica e na refinaria de petróleo suas grandes “âncoras”.

Não foi por esgotamento da capacidade de movimentação, nem das possibilidades de atualização ou de crescimento de Mucuripe que se fez Pecém.

Nesta perspectiva, os empreendimentos portuários do Ceará colocam-se, no máximo, como complementares – na verdade, foram concebidos para atender necessidades, de certo modo, distintas – mas não como competidores ou como substitutos um do outro.

 

As propostas para os portos

A partir da análise procedida, e nela fundamentada, são propostas as seguintes diretrizes básicas para o desenvolvimento portuário do Ceará:

§         Com relação ao porto de Fortaleza (Mucuripe) – implementar as medidas necessárias a implantação imediata de terminal de movimentação de contêineres, com todos os requisitos adequados ao atendimento do crescimento do tráfego, conforme as projeções já referidas;

§         Com relação ao terminal de Pecém – intensificar as ações para atração dos empreendimentos âncoras – usina siderúrgica e refinaria de petróleo - devendo ser estudada a possibilidade de atração das importações de óleo diesel e GLP, em grandes navios, atualmente desviadas para Itaqui e Suape.

Para o terminal de contêineres em Mucuripe, já estão em curso os procedimentos para a realização de licitação pública para o arrendamento do Terminal de Múltiplo Uso–2, o TMU –2, dentro do modelo da lei de modernização dos portos, onde caberá à iniciativa privada (o arrendatário do terminal) realizar os investimentos de reforço do cais e demais obras de adaptação do cais existente, inclusive a demolição de armazém e obras de pavimentação, assim como a aquisição e instalação dos novos equipamentos de manuseio, com destaque para dois portêineres.

Caberá à Companhia Docas do Ceará, arrendante do terminal, os investimentos em dragagem de aprofundamento (para 13 metros) do canal de acesso, bacia de manobras e junto aos cais de atracação.

Para o Pecém, continuam os entendimentos para a definição dos grupos empreendedores interessados nos dois principais projetos industriais, o que será facilitado pela necessidade que o país enfrenta pela produção insuficiente de óleo diesel e GLP.

 

A questão institucional

As empresas encarregadas da exploração de portos e terminais marítimos no estado estão necessitando, com urgência, de definição estratégica de suas identidades.

De um lado, o Governo do Estado requereu à União a delegação da exploração do porto de Fortaleza, substituindo e extinguindo a Companhia Docas do Ceará; de outro a CEARÁ PORTOS - Companhia de Integração Portuária, vive a contradição de ser, ao mesmo tempo, empresa portuária e parte de um complexo industrial.

Para a pretendida delegação de exploração, designada como estadualização, as questões fundamentais a serem respondidas nascem da definição dos possíveis objetivos pretendidos com essa iniciativa:

§         A estadualização deverá trazer maior eficiência operacional e administrativa à atividade portuária em Mucuripe;

§         Necessidade de obter maior compatibilidade e compartilhamento de informações, projetos, recursos humanos e financeiros entre os dois projetos portuários – Pecém e Mucuripe – à semelhança do ocorrido em Pernambuco, com relação a Recife e Suape;

§         Com a estadualização, Pecém passaria a integrar uma espécie de complexo de portos do Ceará, à semelhança dos estados do Pará, Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Sul;

§         Aprofundar o modelo de autoridade portuária estabelecido na lei 8.630/93, integrando a administração do porto (ou a Companhia Docas) e o Conselho de Autoridade Portuária em uma mesma e única instituição, em que o CAP assumiria o papel de órgão superior, a que se subordinaria a administração do porto, inclusive no que se refere a escolha de seus dirigentes, os quais perderiam o status de diretores passando a superintendentes (CEO, no modelo dos portos americanos);

§         Outros objetivos.

Quanto ao primeiro dos objetivos alinhados, o modelo brasileiro de reforma portuária caminha na direção da privatização dos serviços operacionais, seja através da pré-qualificação de operadores portuários privados, seja pelo arrendamento de instalações especializadas.

Neste modelo, o interesse coletivo ou público é resguardado pela Autoridade Portuária, novo ente criado pela lei 8.630/93, ao qual, através de seu conselho ou CAP, incumbe a regulação local da atividade, preservando as condições de concorrência, na direção da eficiência no atendimento aos usuários.

A delegação ao estado ou estadualização não modifica o modelo de regulação, nem substitui a competência da União na exploração dos portos, atividade de que está incumbida a ANTAQ – Agência Nacional de Transportes Aquaviários.

Todos os demais objetivos demandam a discussão mais ampla de seus fundamentos, bem como a avaliação mais completa de seus desdobramentos, não podendo cingir-se a simples mudança de esfera de poder de escolha de diretores.

Quanto à CEARÁPORTOS, a questão básica é a configuração adequada de sua identidade institucional. Ou seja, em que medida trata-se o terminal de Pecém em um porto, com as características próximas de um porto comercial, ou integra e não

se pode dissocia-lo do chamado CIPP – Complexo Industrial e Portuário do Pecém. A diferença entre as duas situações será fundamental para o posicionamento da empresa no âmbito do projeto de desenvolvimento industrial a partir da implantação de indústrias de base – siderúrgica e refinaria.

Neste sentido, a eventual implantação de um terminal de contêineres teria de atender aos mesmos requisitos daquele destinado aos produtos siderúrgicos – a importação e exportação de produtos do complexo industrial.

Iniciativas de antecipar a concepção e construção de terminal de contêineres em Pecém parece levantar a face portuária do empreendimento sobre o objeto básico do CIPP, que é o desenvolvimento de base industrial, antepondo-se ao papel que deve estar reservado ao porto de Mucuripe, o qual apresenta as condições ideais para abrigar essa estrutura.

Os aspectos de acesso marítimo estão, conforme exposição feita pela Presidente da CDC, perfeitamente dimensionados, sendo inteiramente viável a obtenção e manutenção das profundidades necessárias. Quanto ao acesso terrestre, os estudos da empresa também mostram a viabilidade de solução simples para os possíveis conflitos gerados pelos veículos de cargas no trânsito urbano de Fortaleza.

A bipartição entre essas posições – industrial e portuária – observada em Pecém, que não são (e nem devem ser) contraditórias, manifesta-se na subordinação ou vinculação institucional diferente entre a parte industrial (no âmbito da Secretaria de Desenvolvimento Econômico) e a parte portuária (ainda na área de infra-estrutura).

Parece indiscutível que ambas as partes devem estar integradas, sendo este, aliás, o sentido da denominação de complexo ao CIPP. No caso, a função de desenvolvimento industrial, que presidiu a concepção e implementação da parte portuária, deveria continuar a prevalecer, colocando a CEARÁPORTOS entre as vinculadas à SDE, onde se integraria ao órgão gestor do CIPP, aliás, ainda não definido.

A administração do porto de Fortaleza, autarquia ou empresa que venha a ser criada na hipótese de delegação de sua exploração ao estado, deveria, também se vincular a esta secretaria ou, eventualmente, a uma nova secretaria dedicada ao desenvolvimento do setor de transportes.

O objeto da Secretaria de Transportes deveria abranger, especialmente, a função transporte seja de passageiros ou de cargas, tratando especialmente dos aspectos operacionais, como a circulação dos veículos, a operação dos terminais (inclusive os portuários) e a implantação de centrais de atacado e distribuição, tratadas como verdadeiras estruturas de suporte logístico, assim como os portos secos ou estações aduaneiras interiores, montadas em pontos estratégicos do Estado (nas regiões Norte, Cariri, Centro e nas vizinhanças de Mossoró e Teresina), atribuindo visão mais estratégica ao sistema de transportes estadual, integrando-o à região de influência dos portos.

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2.2.5.2 Transporte Rodoviário

Situação Atual

O sistema básico de transportes do Ceará é formado por uma rede rodoviária de 52.307 km de rodovias, dos quais 2.796,3 km são federais, 10.622,1 km estaduais e 38.886,6 km municipais; cerca de 7.073 km, cerca de 14%, são pavimentados.

Deve-se destacar que cerca de 430 Km de rodovias federais estão em péssimas condições de conservação, entre as quais, absolutamente prioritárias, se encontram 107 na Br 116 (principal rodovia), 75 na Br 222 (acesso ao porto do Pecém), 190 na Br 020 e 26,3 no Anel Rodoviário de Fortaleza (acesso ao principal distrito industrial do Estado).

 

Recomendações

§         Recuperação imediata do sistema rodoviário federal para níveis aceitáveis.

§         Estadualização de trechos de rodovias federais considerados pertinentes.

§         Instalação de postos de pesagem nas rodovias federais.

§         Reestabelecimento de programa de contagem de tráfego nas rodovias federais.

§         Implementação de medidas indispensáveis à segurança e apoio a acidentados nas rodovias federais, estaduais e municipais, inclusive de eliminação de pontos críticos, destacando-se, que a Avenida Washington Soares (Ce-040), é a rodovia com maior nº de acidentes na região metropolitana de Fortaleza.

§         Privatização de trechos rodoviários considerados viáveis.

§         Utilização plena de mecanismos de tecnologia de informação, especialmente em termos de operação do sistema.

§         Elaboração e implantação de um plano estratégico de apoio ao escoamento dos principais produtos do estado, especialmente para a produção agro-industrial da chapada do Apodi, inclusive da área potiguar, e baixo Acaraú.

§         Extensão imediata do atual anel rodoviário federal metropolitano de forma a permitir que o  tráfego de carga gerado pelo Porto do Mucuripe minimize os  traumas e transtornos ocasionados ao sistema viário de Fortaleza.

§         Estudos de viabilidade técnica e econômica da duplicação e privatização do trecho do atual anel rodoviário federal metropolitano entre as BRs 116 e 222.

§         Implantação de anel rodoviário periférico (5º anel rodoviário) à região metropolitana de Fortaleza, se viável de forma privatizada, para facilitar o acesso ao Porto do Pecém e descongestionar o sistema de transporte metropolitano.

§         Ampliação do Prodetur e Elaboração de um plano estratégico complementar de apoio às atividades turísticas.

§         Estudo de viabilidade técnica e econômica de asfaltamento da rodovia da Confiança entre as regiões da Ibiapaba, Inhamuns e Cariri.

§         Adoção de padrões mais elevados de elaboração de projetos rodoviários, especialmente em termos de segurança, capacidade e pavimento.

§         Implementação de medidas enérgicas e urgentes contra o roubo de carga.

§         Implantação de vias de pedestres e ciclovias, integradas adequadamente com o sistema rodoviário, em apoio aos pólos de turismo religioso, particularmente às romarias com destino a Canindé e Juazeiro do Norte.

 

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2.2.5.3  Ferrovias

Situação Atual

A rede ferroviária apresenta uma extensão de 1.200 km com bitola de 1,0m e, é composta de dois eixos (linha tronco norte, que liga Fortaleza aos estados do Piauí e Maranhão e linha tronco sul, que liga Fortaleza à Paraíba) além dos ramais do Crato e Mucuripe; o sistema ferroviário cearense é operado pela Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), devendo-se destacar que o Ceará é responsável por 40% do faturamento total da empresa.

A densidade ferroviária do Ceará (1,22 km de trilhos para cada 100 km2 de área), embora superior à brasileira (0,3) e da Argentina (1,0), ainda é inferior à Índia (1,5), Bélgica (17,0) e EUA (3,5).

O sistema de trens urbanos da região metropolitana de Fortaleza conta com 46 Km de extensão e está assumindo importância cada vez maior, principalmente com a implantação do Metrofor.

 

Recomendações

§         Adaptação do pátio ferroviário do Aracapé no Distrito Industrial de Maracanaú para servir como Terminal de Containeres permitindo-se a redução substancial de custos de logística terrestre em relação aos Portos de Pecém e Mucuripe. Concomitantemente é importante a implantação de um acesso ferroviário através de um triângulo diretamente ao Pátio de Containeres do porto.

§         Acesso da Ferrovia ao futuro Centro Atacadista bem como a EADI, criando-se assim um ponto de integração intermodal, permitindo – se a conexão, com trens expressos entre Fortaleza e as demais capitais do Nordeste bem como São Paulo, ensejando-se a redução substancial custos de logística.

§         Urbanização da faixa de segurança da ferrovia na área urbana de Fortaleza (Mucuripe - Parangaba), minimizando os problemas de segurança, inclusive de vandalismo, induzindo-se uma redução de frete no trecho, e alavancando-se um projeto de grande alcance social.

§         Recuperação do trecho "Vala da Coca-Cola" em Juazeiro do Norte, através de canalização de esgotos pluvial e cloacal, reduzindo-se o risco para a operação ferroviária e para os habitantes das áreas lindeiras.

§         Estudo de viabilidade e implantação de projetos de variantes das maiores cidades do Ceará, tais como Sobral, Iguatu, Crateús e Quixadá. Além de melhorar significativamente as operações ferroviárias, eliminando-se transtornos e deseconomias, seriam liberadas as atuais faixas de domínio para projetos de valorização urbana.

§         Implantação da terceira fase da ferrovia transnordestina, trecho de cerca de 180 km (Piquet Carneiro – Crateús), que além de possibilitar o acesso ferroviário às áreas de reserva de calcários da região de Independência, seria a chave para o descongestionamento do sistema ferroviário da Grande Fortaleza.

§         Elaboração e implantação de um plano estratégico de apoio ao escoamento de produtos do estado, como por exemplo, um sistema de embarque de rochas ornamentais em Sobral.

§         Melhorias da via permanente e modernização da frota de vagões e locomotivas, de forma a aumentar a segurança, confiabilidade e o uso mais abrangente do transporte ferroviário, inclusive para o transporte de passageiros, onde houver viabilidade.

§         Estudo de viabilidade técnica e econômica de transporte de gás natural liquefeito.

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2.2.5.4  Aerovias

Situação Atual

A rede de aeroportos é constituída pelo aeroporto internacional de Fortaleza e de outros 55 aeroportos/campos de pouso, entre os quais, 14 homologados. O Aeroporto Internacional Pinto Martins, Inaugurado em fevereiro de 1998,tem capacidade de movimentação  e movimento atual de 2,5 e 2.0 milhões de passageiros por ano respectivamente, em uma área edificada de 36.000m2. São considerados aeroportos regionais: Cariri(Juazeiro do Norte), Sobral, Iguatu, Camocim, Aracati, Limoeiro, Quixadá e Tauá.

 

Recomendações:

§         Elaboração de Plano de Curto, Médio e Longo Prazo de expansão do aeroporto Pinto Martins que consolide a sua condição de competitividade e de intermodalidade.

§         Expansão e melhoramento da malha estratégica de aeroportos regionais que observe a necessidade dos pólos regionais de desenvolvimento, do turismo e exportação.

§         Consolidação de terminais intermodais de transporte, como por exemplo, Pecém e Aeroporto Pinto Martins.

§         Elaboração de plano de melhoramento do aeroporto regional de Limoeiro do Norte de forma a compatibiliza-lo com o Programa de desenvolvimento da Chapada do Apodi.

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2.2.5.5  Dutovias

Situação Atual

A rede dutoviária que serve ao Ceará representa cerca de 8,8% da rede nacional, segundo o Anuário Estatístico dos Transportes do Geipot - edição 2000, e conta com, além do gasoduto principal de 383 Km que liga Guamaré(Rn) ao Pecém, Paracurú-Fortaleza - 96 Km e a rede de distribuição de Fortaleza com cerca de 150 Km.

 

Recomendações

§         Implantação de um programa de implantação de dutovias para interiorização do gás natural, com atendimento a novos municípios especialmente, Aquiraz, Aracati, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Sobral e Limoeiro do Norte/Iguatu.

§         Incentivo ao uso Industrial, Co-geração, Geração energia elétrica.

§         Implantação de um terminal de regaseificação no Pecém.

§         Estudo de viabilidade para o transporte de gás natural liquefeito por rodovia e ferrovia como etapa precursora de novas redes de dutos.

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2.2.5.6  Transporte Intermunicipal de Passageiros

Situação Atual

O transporte intermunicipal de passageiros, com a extinção do transporte ferroviário de passageiros, passou a ser feito fundamentalmente através de ônibus. Nos 184 municípios cearenses existem, além dos terminais rodoviários João Tomé e de Antonio Bezerra em Fortaleza, outras 57 unidades. A questão do transporte alternativo ainda não está bem resolvida.

 

Recomendações

§         Estabelecimento de um programa de renovação da frota de ônibus.

§         Definição e regulamentação do transporte alternativo, como forma complementar e integrada.

§         Realização de estudo de viabilidade técnica e econômica do transporte de passageiros através de VLT (veículos leves sobre trilhos).

§         Estabelecimento de um programa de implantação de terminais nos demais municípios, se possível, em parceria com a iniciativa privada.

§         Melhorias no Terminal João Tomé em Fortaleza.

§         Melhorias nos Terminais da Região Metropolitana de Fortaleza.

 

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2.2.5.7  Transporte Metropolitano de Fortaleza

Situação Atual

A Região Metropolitana de Fortaleza é composta de 13 municípios, dentre os treze municípios da RMF, Fortaleza concentra 72,96% de sua população, ocupa uma área de 336 km², tem uma população 2,14 milhões de habitantes (29,9% da população cearense), sendo ainda o 5º município brasileiro, tendo ainda uma taxa de crescimento médio anual de 2,13%.

A Região Metropolitana de Fortaleza está recebendo investimentos na área de transportes da ordem de 0,8 bilhão de dólares e mesmo assim ainda não tem um plano compreensivo que assegure condições para que o transporte urbano venha a ser elemento de competitividade, e que propicie condições para aumento da acessibilidade dos bens e serviços públicos ofertados à população, a conseqüente redução dos custos das atividades, e o uso mais eficiente e democrático do espaço urbano.

 

Recomendações

§         Elaboração urgente de um Plano de Transportes e Uso do Solo de Longo Prazo para a Região Metropolitana de Fortaleza, que seja atualizado periodicamente, em parceria com os municípios envolvidos, com a preocupação especial de integração do Metrofor com os demais sistemas de transportes coletivos.

§         Estudo de viabilidade técnica e econômica de um sistema ferroviário regional de transporte de passageiros em especial para a nova região industrial do Pecém.

§         Estudo de viabilidade técnica e econômica do uso do ramal do Mucuripe para o transporte ferroviário de passageiros combinado com o transporte de carga.

§         Implantação imediata de trechos do anel rodoviário de Fortaleza de forma a minimizar a entrada de tráfego pesado de cargas na rede viária urbana e o estudo de viabilidade técnica e econômica da duplicação do trecho entre as Brs 116 e 222.

§         Estímulo aos municípios para melhoria dos sistemas de transporte coletivo, aumentando a sua atratividade e tornando-o mais rápido, confortável, acessível, seguro e adequado às necessidades de deslocamento da população, reduzindo-se os impactos econômicos e sociais das viagens urbanas, em termos de tempos de viagem e custos operacionais do transporte coletivo, acidentes no trânsito (especialmente com pedestres e ciclistas) e poluição atmosférica.

§         Planejamento, implantação e manutenção de infra-estrutura de circulação adequada e segura para pedestres e ciclistas.

§         Apoio a estudos e ações de modernização das relações entre órgãos gestores e empresas concessionárias do transporte público.

§         Incentivo a elaboração de planos multi-setoriais, como transporte – habitação – emprego etc e a coordenação das ações voltadas ao transporte urbano com as demais ações de gestão urbana.

§         Incentivo a formas cooperativas na gestão do transporte e trânsito e outras funções urbanas, notadamente na gestão das aglomerações urbanas, como consórcio ou associação de municípios.

§         Estímulo ao envolvimento de representantes da comunidade e do setor privado no processo de formulação e decisão relativos a problemas de circulação urbana e à construção de parcerias entre os setores público, privado, organizações não governamentais e a comunidade envolvida.

§         Desenvolvimento institucional e capacitação contínua dos agentes públicos e privados em novas técnicas de gestão, e no uso de instrumentos de planejamento urbano adequados.

§         Implementação de sistema de avaliação da política de desenvolvimento urbano.

§         Estimular a modernização tecnológica do transporte coletivo, para torná-lo mais eficiente.

§         Estímulo à utilização do transporte urbano como um instrumento da promoção do desenvolvimento sustentável das cidades.

§         Definição e regulamentação do transporte alternativo, como forma complementar.

§         Promoção de medidas de redução acidentes de trânsito, em especial através da educação e engenharia de tráfego.

§         Estabelecimento de uma política de valorização do centro e de sua periferia.

§         Reurbanização da área a ser desativada na estação João Felipe como indutora de valorização do centro.

§         Adequação de mecanismos institucionais e legislativos, através de parcerias Metrofor/PMF/Setor Privado, de fortalecimento da faixa lindeira, responsável por 65% da demanda do Metrofor.

§         Aceleração das obras de duplicação da Br – 116 no segmento metropolitano e estudo de viabilidade de privatização.

§         Adoção de padrões mais elevados de elaboração de projetos rodoviários em corredores de tráfego e vias arteriais, especialmente em termos de segurança, capacidade e pavimento

 

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