
Etiqueta Empresarial - Sabotadores da Carreira
*Maria Aparecida A. Araújo
As exigências do mercado corporativo estão
cada vez mais voltadas para as atitudes corretas das
pessoas e sua capacidade de criar um bom ambiente de
trabalho. Mais valorizada que o saber técnico
é a habilidade de relacionamento interpessoal.
Todos devem conscientizar-se das novas competências
necessárias para construir uma carreira de sucesso.
Começamos por elencá-las: flexibilidade,
liderança, pró-atividade, criatividade,
confiabilidade, atuação solidária,
ética e assertividade. Sem dúvida há
outras, mas essas são as mais importantes.
Desenvolver essas competências pode até
parecer tarefa fácil, mas não é.
Cada uma delas exige que lutemos contra as nossas deficiências
de caráter, que são, em última
instância, os grandes sabotadores de nossas carreiras.
Quando um profissional é preterido ou se depara
com uma carta de demissão, juntamente com o choque
e total sensação de desamparo vem a rápida
necessidade de buscar um culpado para o fato. Esse culpado
sempre é o "outro". O chefe que não
gostava dele, um colega que lhe roubou o cargo, decisão
injusta da diretoria, corte absurdo de verba, reengenharia
burra, política equivocada do governo etc.
Seria também bastante conveniente lançar-se
a um minucioso exame de consciência, identificando
quais deficiências próprias teriam levado
ao dramático desenlace. Após identificar
essas deficiências, deve-se imediatamente iniciar
uma luta cotidiana e sem trégua para eliminá-las
e buscar nova oportunidade com ânimo e vontade
renovados.
Uma pesquisa da Universidade de Harvard, realizada
pelo Dr. Albert Wiggan, entrevistou 10 mil pessoas que
haviam sido demitidas e constatou que somente 15% fracassaram
por falta de aptidão técnica. A maioria
esmagadora de 85% perdeu seu emprego por não
saber se relacionar com o semelhante. O que também
chama a nossa atenção é o fato
de que em suas avaliações essas pessoas
sempre achavam que tinham feito tudo certo. Mais uma
vez, colocando a culpa em fatores externos.
Um dos maiores mestres e estudiosos do comportamento
humano, Carlos Bernardo González Pecotche, elaborou
um estudo lapidar sobre as deficiências e propensões
dos seres humanos, que recomendamos a todos que buscam
o auto-aprimoramento. (*)
Nessa obra ele reuniu, de forma didática e objetiva,
44 deficiências (Falta de Vontade, Impulsividade,
Indiscrição, Orgulho, Vaidade, Rigidez,
Verborragia, Brusquidão...) e 22 propensões
(ao engano, ao fácil, à dissimulação,
a confiar no acaso...) que se instalam no caráter
das pessoas, influenciam negativamente suas atitudes,
comprometendo seus relacionamentos pessoais, sociais
e profissionais. Aponta, também, os caminhos
para eliminá-las.
Com o objetivo de levar você a uma reflexão
sobre sua carreira, selecionamos alguns desses sabotadores,
que consideramos os mais prejudiciais ao seu desempenho
no trabalho e na vida pessoal:
1. Impulsividade
É o pensamento impetuoso que provoca reação
imediata da mente, ante qualquer incitação
ou motivo. Em todos os casos se manifesta como ato irrefletido
do indivíduo. Essa deficiência também
influi sobre as demais, em especial à indiscrição,
suscetibilidade, orgulho e presunção.
O impulsivo não mede as conseqüências
dos impactos que produz no semelhante. Seus desplantes
produzem atitudes que destoam do trato exigido pela
convivência profissional, social e familiar. Geralmente
as pessoas ficam prevenidas contra o impulsivo.
Poucos seres humanos têm consciência do
mal que a impulsividade traz para sua vida, carreira
e relacionamentos.
Antideficiência: contenção
Significa o domínio de uma reação.
Conhecendo a forma como a impulsividade nos faz reagir,
teremos condição de acionar o pensamento
da contenção (contar até dez antes
de reagir), que nos poupará de inúmeros
constrangimentos.
2. Indiscrição
É o pensam ento que impele o seu possuidor a
falar e a agir irrefletidamente sem acerto nem responsabilidade.
O indivíduo torna-se um falador em excesso e
uma fonte emissora de juízos inoportunos. É
desleal para consigo mesmo e para com o semelhante.
Exterioriza, por hábito, o que pertence ao âmbito
privado. Pelo uso da indiscrição malogram
homens, empresas, governos e povos. Ela tem sua origem,
quase sempre, nos descuidos da educação.
Antideficiência: discrição
Pensamentos e atitudes que preservam o que deve ser
íntimo. Deve ser usada junto à reserva.
Aprenda a dizer-se: "Devo ser discreto", e
então saberá medir palavras e atos, a
se expandir ou se conter conforme lhe aconselhem o juízo
e a prudência.
3. Orgulho
É a soberba. Mostra seu rosto, às vezes,
com bastante crueza já na infância e na
juventude. Mas adquire seu ápice quando seu possuidor
se vê respaldado por um cargo de importância,
uma função de mando ou a posse de riquezas
e bens materiais . Nessas posições de
privilégio, onde se ostentam e se fazem valer
a categoria social, a hierarquia e o poder, é
que o orgulho se manifesta com mais força.
Nota-se, também, na pessoa de condição
modesta, que se rebela ante a autoridade do superior
e que quando ascende às funções
de maior responsabilidade é dura e de escassa
consideração para com os subordinados,
desafogando contra eles sua arrogância, altivez
e desdém, que sufocou quando de sua forçada
situação de dependência.
Muitas vezes buscam ocupar posições de
importância ou pretendem alcançar riquezas
sem esforço pessoal. Como geralmente fracassam,
transformam-se em ressentidos sociais. Por isso, quando
surge uma situação em que devem servir
quem se encontra acima deles, mostram-se altivos. Não
toleram que seus méritos não sejam reconhecidos
e por mais insignificante que seja sua pessoa, não
admitem ser desconsiderados ou não destacados.
O orgulhoso gosta de humilhar e menosprezar os outros
e muitas veze s o faz com atitudes das quais nem se
apercebe. É ganancioso e aspira ao trono material,
não vacilando em para isso utilizar meios pouco
dignos, em detrimento do próximo. Nada de positivo
ele consegue com isso, pois mesmo ocupando o posto mais
elevado, fica patente sua pequenez moral e espiritual.
Antideficiência: humildade
4. Vaidade
É aquela que faz o seu possuidor ser movido
pela necessidade de exaltar, ante parentes, amigos e
colegas de trabalho, suas próprias luzes, méritos
e qualidades.
Pela sua característica, a vaidade não
se manifesta sem que o ser procure diminuir os méritos
alheios e geralmente denuncia-se por sutis ofensas aos
semelhantes que sempre são colocados em inferioridade
de condições pelo vaidoso.
Quem vive cercado dessa falha não concebe para
si a modéstia, mas acha que os outros devem ser
modestos e propensos a aceitarem sua constante vanglória.
Acham que ser modestos os faz diminuírem de valor.
Antideficiência: modéstia
Os valores que em verdade possuímos não
carecem de ser exibidos. Eles se evidenciam por si sós.
A modéstia deve ser natural, jamais afetada.
Ela surge espontaneamente da alma, fazendo com que nos
sintamos seguros e cômodos onde quer que nos encontremos.
5. Falta de vontade
Essa é uma das mais comuns deficiências
e a que mais prejuízos causa, porque influi sobre
todas as outras, deixando que se apossem de nós.
Quase sempre começa na infância. Geralmente
pela falta de incentivos ou de necessidades que desenvolvem
no ser a capacidade de iniciativa ou espírito
empreendedor. Sem necessitar enfrentar obrigações
e dificuldades, a vontade não tem espaço
para ser exercitada e só se manifesta para conseguir
coisas fáceis de fazer e sempre do agrado da
criança.
O jovem acometido dessa deficiência só
usará sua vontade quando a necessidade o obrigue
ou quando algo lhe apetecer. Acostuma-se a fazer só
o indispensável e a postergar as outras coisas
indefinidamente.
Na idade madura essa deficiência torna-se crônica,
propiciando o robustecimento de todas as outras.
Antideficiência: decisão
Devemos ser capazes de contrapor à falta de
vontade a decisão de combatê-la. "Não
deixe para amanhã o que você pode fazer
hoje".
(*) Extraído e adaptado do livro Deficiências
e Propensões do Ser Humano. Carlos Bernardo Gonzalez
Pecotche (RAUMSOL). Editora Logosófica. São
Paulo. 10ª edição. 2001.
*Maria Aparecida A. Araújo é consultora
de Comportamento Profissional, Etiqueta Social e Internacional,
Marketing Pessoal, Cerimonial e Protocolo; palestrante
e facilitadora de cursos especiais; consultora do Instituto
Brasileiro da Qualidade Nuclear. É graduada em
Letras, com Licenciatura em Língua e Literaturas
de Língua Portuguesa. Diretora da Etiqueta Empresarial
Executive Manners Consulting, com 21 anos de experiência
em ate ndimento de excelência ao cliente.
Envie suas dúvidas para ee@etiquetaempresarial.com.br
Fonte: catho.com.br!  |