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16 de Agosto de 2004  


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Cooperação Sul-americana - Darc Costado (Vice-Presidente - BNDES)


 

''Fortuna perdida? Pouco se perdeu. Coragem perdida? Muito se perdeu. Honra perdida? Tudo se perdeu.'' Provérbio irlandês

Própolis de Abelha para Fins Medicinais


O Brasil exporta setenta toneladas de própolis de abelha por ano para fins medicinais. Um mercado que movimenta 25 milhões de dólares. Os principais compradores são o Japão, Estados Unidos, Alemanha e China.

O extremo interesse internacional é por causa de um tipo de própolis pouco conhecido: a própolis verde. O repórter Ivaci Matias fez uma reportagem especial sobre a própolis.

A própolis verde é especial porque mais de setenta compostos químicos diferentes já foram isolados a partir dessa própolis. Alguns estão sendo usados com sucesso no tratamento do câncer.

Para a fabricação da própolis verde, a abelha comum, a mesma usada na produção comercial do mel, ela retira da planta a resina, como a coleta de resina de tronco de árvore, que forma aquela gosma.

Para entender melhor o processo, o Globo Rural faz um passeio po r dentro do broto desta planta milagrosa explorada pela abelha.

Uma imagem ampliada no microscópio mostra os canais internos da planta. O objetivo das abelhas é atingir as bolsas vermelhas, onde existem poderosas essências em formas de resina.

Elas são produzidas por uma planta muito comum em Minas, o alecrim-do-campo. A resina serve para defender os brotos do alecrim das doenças e repelir insetos como as formigas. A abelha fica trabalhando, roendo, buscando a parte líquida da brotação. É possível observar que ela deposita a resina nas suas patinhas. É essa mesma resina que é verificada na própolis pronta.

Num enxame comum vivem aproximadamente 100 mil abelhas, isso favorece o aparecimento de doenças causadas por vírus fungos e bactérias. Para proteger o lugar onde vivem, elas fabricam a própolis. O nome vem do grego: "pró" quer dizer a favor e "pólis" quer dizer cidade.

O homem conhece os poderes medicinais da própolis desde a antiguidade. A novidade é a descoberta da própolis verde, fabricada com a resina do alecrim-do-campo.

Em Minas Gerais, a vassourinha, ou alecrim-do-campo, é encontrada em grande quantidade nas pastagens. Ela é considerada como uma planta invasora, uma verdadeira praga na região. Ela gosta de lugar de terra fraca, solo ácido. Ela aparece próxima ao "Rabo de burro" que é uma planta indicadora de solo ácido.

Antes da descoberta de suas virtudes medicinais, o alecrim-do-campo era usado na fabricação artesanal de vassouras e também para limpar as cinzas do forno a lenha, deixando seus odores nos biscoitos de polvilho. Por isso é chamado também de vassourinha. Ela pertence a mesma família da camomila e do girassol.

A vassourinha é nativa da região central do Brasil, mas pode ser encontrada em quase todas as regiões do país. Os portugueses lhe deram o nome de alecrim-do-campo, porque é muito parecido com o alecrim trazido da Europa, para ser usado como tempero.

É fácil identifi car as plantas masculinas e as femininas, as femininas possuem flores fechadas em forma de taças e as masculinas, abertas. Hoje existe um interesse mundial da própolis verde, produzida a partir da resina do alecrim-do-campo.

No município de Cotia, na Grande São Paulo, uma empresa japonesa investiu muito dinheiro na instalação de um laboratório que beneficia própolis verde. Eles compram dos produtores mineiros. Depois de beneficiada, a própolis é analisada em laboratório e exportada para o Japão. A empresa possui própolis em pó. Yoko Schimizo, gerente da empresa, diz que nesse processo, a própolis mantém todas as suas qualidades e perde o gosto forte característico do produto. "Fica bem mais leve e fácil de tomar".

Na cidade de Campinas, interior de São Paulo, através do trabalho da bióloga Maria Cristina Marcucci, a Fapesp, Fundação de Amparo à Pesquisa, registrou duas patentes de medicamentos extraídos da própolis do alecrim-do-campo. Um desses remédios pode ser us ado com muita eficiência para matar bactérias que causam infecção hospitalar, o outro combate bactérias que causam a cárie. "A partir da própolis verde cerca de 30 compostos foram patenteados, incluindo a atividade biológica que cada um apresenta", diz a bióloga.

Quando questionada se as patentes são brasileiras, ela responde: "Infelizmente, não posso dizer isso, a maior parte vem do Japão. Os japoneses têm esse interesse todo porque a própolis verde apresenta inúmeras propriedades terapêuticas e biológicas, a começar pela atividade antibacteriana, ela atua contra microrganismos, atua no sistema imunológico, prevenindo o aparecimento de doenças e atua também em tumores".

Os compostos do alecrim-do-campo também estão sendo estudados em Minas Gerais, na Fundação Ezequiel Dias, de Belo Horizonte. A bióloga Ester Bastos, especialista no assunto, acrescenta outras razões para o interesse de laboratórios estrangeiros na própolis verde do alecrim. Segundo ela, essa própolis tem uma grande quantidade de ácidos, do grupo dos terpenos, que são muito eficientes na prevenção e no tratamento do câncer. "No Japão, foi isolada uma substância dessa própolis que tem ação ativa contra células tumorais, que já foi patenteada no Japão, apesar do produto ser brasileiro. É provável que em breve seja lançado medicamento à base dessa substância e nós teremos que pagar os direitos para usá-lo".

Para ver de perto o interesse dos japoneses na própolis verde, o Globo Rural foi até o outro lado do mundo. Na cidade de Yokohama, perto de Tóquio, o repórter Mitsuo Kawasaki conversou com o doutor Kaoru Maeda, professor da faculdade de Medicina de Tóquio, especialista em câncer. "A primeira vez que usei a própolis no tratamento de câncer foi há 25 anos. Nós tínhamos vários pacientes sendo submetidos ao tratamento de quimioterapia, receitamos própolis a apenas dois deles, e só eles não apresentaram os efeitos colaterais do tratamento, como queda do cabelo e perda de resis tência do organismo. Mas nós não receitamos de qualquer jeito, antes, fazemos o teste de ressonância molecular e entramos com uma dieta alimentar para aumentar a resistência imunológica do paciente. É nessa dieta que entra a própolis verde. Ela não é remédio, mas se você me perguntar onde ela age, eu vou dizer que ela ataca células do câncer e mata bactérias e vírus que aparecem junto com os tumores. Com esse método, nós tratamos vários tipos diferentes de câncer e conseguimos a cura de mais de 90% dos casos".

Aos pés do monte Fugi, na parte central do Japão, vive o professor Hyrofume Naito, membro da Sociedade japonesa de Apiterapia, ciência que usa os produtos das abelhas na cura das doenças. Além da própolis, o professor Naito usa veneno de abelha. Ele tira o ferrão que vem junto com uma bolsinha de veneno e faz a acupuntura em todo o corpo do paciente. O professor explica por que os ácidos do grupo dos terpenos, presentes na própolis verde do alecrim combatem o câncer. Ele diz que de uns quinze anos para cá, a causa de várias doenças dos seres humanos têm sido atribuída à oxidação das células, como exemplo, o câncer de estômago e de fígado. "Muitos produtos naturais são eficientes no combate aos radicais livres que causam as oxidações das células, são os chamados anti-oxidantes, mas nenhum deles até agora mostrou mais eficiência do que a própolis verde".

Shuzo Assumassa é um dos pacientes do professor Naito. Ele diz que tem câncer de próstata e que a própolis tem ajudado muito seu organismo a resistir ao tratamento quimioterápico. "Estou me sentindo bem e até agora nem perdi os cabelos", revela ele.

A senhora Stsuco Kobaiachi se diz fã incondicional da própolis verde, ela diz que toma duas cápsulas por dia para um tratamento de asma. Ela diz que está ótima e acrescenta que várias pessoas da sua família fazem uso da própolis brasileira para combater outro mal, o envelhecimento precoce.

Mas no Brasil, também existem pesquisas visando a prevenção e o tratamento do câncer através das essências da própolis. Na faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, a pesquisadora Deisy Salvatori coordena um trabalho que testou a própolis em ratos que apresentavam tumores cancerígenos no esôfago. O câncer foi provocado por injeção de produtos químicos. "Nós observamos que os animais do grupo que recebeu a própolis apresentaram uma menor freqüência de lesões, tanto de DNA, que são lesões que iniciam o processo do câncer, quanto nas lesões após a cirurgia no animal em que é exposto intestino, é possível perceber que diminuem as alterações nas mucosas do cólon".

Segundo a bióloga, isso significa que a própolis teve uma ação inibidora na formação do câncer. "Ela previne a ação de compostos que são cancerígenos, mas esses resultados são preliminares para que a gente possa dizer que a própolis tem um efeito terapêutico. Ela tem efeito de prevenir e não de curar o câncer".

Mais e mais produtores

Em princípio qualquer região do país pode produzir própolis verde. Basta ter a planta que fornece a resina para as abelhas, que é o alecrim-do-campo. Hoje já são dez mil produtores em todo o país e há mercado para o produto.

Itapecerica tem 20 mil habitantes, fica a 200 quilômetros de Belo Horizonte. Junto com outros três municípios vizinhos, a região produz trinta toneladas de própolis por ano, própolis verde, produzida pelas abelhas coma resina do alecrim-do-campo. O maior produtor de Itapecirica é Adomar Carvalho, criador do coletor de própolis inteligente, mais conhecido como CPI. Uma idéia simples que revolucionou a produção de própolis no Brasil.

Adomar partir do princípio que se as abelhas usam a própolis para vedar frestas na caixa, nada mais natural que criar frestas de propósito para que elas acelerem a produção. No sistema antigo, os produtores conseguiam, no máximo, 25 gramas de própolis por m6es de cada colméia, com a CPI se consegue 350 gramas por cada caixa por mês, quase 14 vezes mais. Por essa razão, o sistema é usado por todos os produtores de própolis do Brasil.

A CPI é na verdade uma melgueira que produz própolis nas aberturas laterais e mel nos quadros, mas a maioria dos produtores da região aproveita só a própolis e deixa todo o mel para a alimentação das abelhas. Adomar tem 300 colméias e produz quase 500 quilos de própolis por ano. "Não produzo nada de mel, as minhas colméias são direcionadas para a própolis, por isso eu consigo uma boa produção. Porque quando há a produção de mel, a produção de própolis cai".

O preço compensa, os produtores vendem a própolis a R$140 o quilo. Cada caixa pode produzir de um e meio a três quilos de própolis por ano, vai depender basicamente da quantidade de alecrim-do-campo existente na região, que é a fonte de resina usada pelas abelhas na produção da própolis verde. Vai depender também da qualidade da rainha.

Na Universidade Federal de Viçosa, o biólogo Dejair Message está selecionando rainhas para melhorar a produção da própolis verde. "Nós vamos testá-las em ambiente comum à todas e das melhores serão produzidas as filhas para serem distribuídas aos produtores".

O apicultor Hélio Oliveira, do município de Senador Firmino, só produzia mel e agora é um dos entusiastas da própolis. "Hoje não tem nada que dê mais renda do que a própolis. Hoje o mel dá mais lucro num mês só, mas a própolis é o ano todo. Só com própolis eu tiro quase dois mil por mês".

Uma parte da própolis produzida em Minas é beneficiada na Serra da Piedade, município de Caetés. No alto da serra fica o santuário de Nossa Senhora da Piedade, a padroeira de Minas. Num dia claro, do alto se vê a cidade de Belo Horizonte. Na região, o dia todo tem movimento de produtores de própolis entregando o produto. Seu Elton, que era produtor d e mel, agora só trabalha com própolis. Ele entrega uma média de trinta quilos por semana.

Primeiro a própolis passa por uma seleção manual para tirar as impurezas, depois é analisada em laboratório e misturada em um equipamento e só então é embalada para exportação. O alecrim-do-campo que antes era uma praga está sendo multiplicado para repovoar os campos.

José Alexandre, que é um dos pioneiros na exportação de própolis, está cultivando mudas para distribuir aos produtores. As mudas são plantadas próximas dos apiários, para aumentar a quantidade de resina usada pelas abelhas na fabricação da própolis verde. "A trezentos metros dos apiários é uma área bem ensolarada o solo é bastante ácido, exatamente o tipo de terreno propício ao alecrim".

Os japoneses não estão de olho só na própolis verde, eles querem explorar também, as poderosas essências produzidas pelo alecrim-do-campo. Alguns pesquisadores já tentaram cultivar essa planta no Japão, mas não tiveram sucesso, enquanto isso, aqui no Brasil, essa planta que estava condenada a ser erradicada dos campos, aos poucos ganha título de cultura nobre.

Em Campinas, a Fapesp está investindo num trabalho que envolve a Unicamp na parte agronômica e a USP de Ribeirão Preto na análise química da folha do alecrim-do-campo. "Identificamos uma riqueza enorme no metabolismo dessa planta. Tendo vários grupos diferentes de substâncias que atestam a riqueza desse metabolismo e o grande potencial que essa planta tem não só na produção da própolis, mas na busca de outros princípios ativos de interesse para vários tratamentos", confirma o farmacêutico, Jairo Kenupp.

Hoje em dia, praticamente toda a produção nacional da própolis verde é exportada.
Fonte: Globo Rural

Marketing de Persepção

Tom Coelho*

“Aparentar ter competência é tão importante
quanto a própria competência.”
(Chuck Lieppe)

Primeiro foi a Enron, gigante do setor energético e 7ª maior empresa dos EUA em faturamento, arrastando consigo a Arthur Andersen, uma das “Big Five” em consultoria e auditoria no mundo. Depois veio a WorldCom, 2ª maior operadora de telefonia a distância no país de Tio Sam, acionista com 25% de participação na verde-amarela Embratel. Agora somos surpreendidos, nós e mais 36.000 funcionários em 30 países, pela insolvência de uma multinacional reconhecida pela qualidade de seu leite, sucos, biscoitos, molhos e derivados. O elefante, não é mais, fã de Parmalat.

Maquiar balanços contábeis não virou moda. Sempre foi. Empresas fraudam, executivos mentem, auditores omitem, analistas recomendam. Como diz o velho adágio popular, papel aceita tudo.

O mundo de Narciso

Vivemos num mundo governado pela ditadura da imagem; o triunfo da estética sobre a moral. Não são apenas as empresas encasteladas em suntuosas sedes, dotadas de marcas, logos e slogans cativantes, com suas campanhas publicitárias milionárias, seus demonstrativos financeiros reluzentemente azuis, suas estratégias comerciais expansionistas e suas políticas de incentivo que convertem, por decreto, “recursos humanos” em “talentos humanos” – até que a cortina de fumaça seja desanuviada –, que logram a sociedade.

O mundo de Narciso afeta as pessoas como as corporações. Você é tão belo quanto seus trajes e seu último corte de cabelo possam sinalizar. Tão bom quanto a procedência dos diplomas e a fluência em inúmeros idiomas possam indicar. Tão valorizado quanto a competência demonstrada e os resultados apresentados possam parecer.

Em tempos passados, ocasião que meus olhos não se atrevem a enxergar, a “embalagem” era menos representativa. As empresas eram aquilo que produziam. As pessoas eram o que demonstravam. A palavra valia tanto que bastava limitar-se ao “fio do bigode”. Éramos mais essência. E mais essenciais.

Os tempos modernos trouxeram a velocidade da comunicação, o excesso de informação, a imprescindibilidade dos contratos. Estradas mais largas, carros mais rápidos pelo preço de imóveis, em trânsitos mais congestionados e caóticos. Condutores perfumados com fragrâncias que custam o equivalente a três salários mínimos, vestindo ternos de valor similar a um ano de serviço árduo de um trabalhador braçal.

Houve uma época na qual os preços eram formados para remunerar custos e proporcionar uma margem de lucro. Havia mais oferta do que demanda. A equação inverteu-se e o preço passou a ser ministrado por esta entidade denominada consumidor. Hoje, preços são dados por pedaços minúsculos de tecido chamados etiqueta, marcas grafadas nas hastes de óculos, grifes estampadas no visor e na pulseira de relógios.

O mundo de Quimera

Por extensão, nossos relacionamentos pessoais espelham este mundo midiático que nos cerca. Como nos ensina um provérbio russo, “não amamos as pessoas porque elas são bonitas, mas porque nos parecem bonitas porque as amamos”. O segredo da conquista é, singelamente, contemplar a fantasia.

O poeta francês André Breton dizia: “o que a gente esconde é mais ou menos o que os outros descobrem”. Bem adequado para quem escreveu o Manifesto Surrealista...

Balanços fraudados, currículos forjados, amores burlados. Vidas vividas na ilusão, imaginadas como devaneios à luz de uma quimera.

A Quimera era um monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão. Imagem nada agradável. Imagem que, mais cedo ou mais tarde, materializa-se, ao cair do véu da percepção que não carrega consigo conteúdo, sinceridade e paixão.

*Tom Coelho, com graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário, consultor, escritor e palestrante, diretor da Infinity Consulting, diretor do Simb/Abrinq e membro executivo do NJE/Fiesp. Contatos pelo e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br/

A Sogra

João, sujeito trabalhador e honesto, adquiriu, com muito sacrifício, um burro para auxiliá-lo nas suas tarefas na roça.
A sua velha sogra, ao passar por trás do burro levou dele um coice e morreu.
Dia seguinte, a casa de João era pequena para tanta gente no velório.
Um amigo, ali presente, observou a grande quantidade de gente no velório, disse:
.........- João, como a sua sogra era querida nesta cidade!!
......... .João, matuto sincero, foi logo dizendo:
.........- Querida não, amigo, todos estão aqui é querendo comprar o meu burro!
Fonte: O Direito de Rir de Giovani Oliveira

 
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