ZONEAMENTO PEDOCLIMÁTICO PARA A
CULTURA DO
CAJUEIRO (Anacardium occidentale L.) NO NORDESTE DO BRASIL
Maria de Jesus Nogueira AGUIAR[1], Nestor C. de SOUSA NETO[2],
Célia Campos BRAGA[3],
José Ivaldo Barbosa BRITO3, Eyres
Diana Ventura SILVA3, Mário Adelmo Varejão
Silva[4],
Carlos Antonio Reinaldo COSTA1
Jedaías Batista de LIMA5, Fernando Barreto Rodrigues e SILVA2,
Lúcia Raquel Queiroz Pereira da LUZ2
e Alexandre Hugo Cesar BARROS[5]
A cajucultura tem um papel importante na sócio-economia da
região Nordeste destacando-se os estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte
como responsáveis por 93% da produção, sendo o Ceará o maior produtor. Nas
exportações, a castanha desponta como um dos principais produtos. A baixas
produtividades (220kg/ha) inviabilizam o cultivo auto-sustentável (PIMENTEL,
1988).
Por meio do melhoramento genético foram desenvolvidos clones com características de nanismo, precocidade e alta produtividade, que garante produção durante o ano inteiro ( ARAÚJO & SILVA, 1995).
O objetivo deste trabalho foi orientar as ações de
recuperação da cajucultura, mediante o uso de alta tecnologia na instalação de
novos plantios com base na aptidão pedoclimática.
Foram desenvolvidos estudos sobre as exigências da cultura,
quanto às exigências climáticas e edáficas, tendo em vista a preservação deste
recurso e a obtenção de maiores rendimentos da cultura de forma sustentada. O
trabalho está apresentado em forma de CD ROM.
Foram considerados os fatores climáticos e
pedológicos e analisadas as necessidades da cultura
Os parâmetros
do clima e do solo que definiram os requerimentos da cultura do cajueiro foram:
altitude, precipitação, temperatura, umidade relativa, relevo, profundidade do solo, profundidade do lençol freático, textura e drenagem
(RAMOS et al., 1994)
O zoneamento climático foi estabelecido com base
em dados de temperatura do ar, cedidos pelo DNMET e de precipitação, cedidos
pela SUDENE. Neste trabalho utilizou-se a distribuição gama incompleta,
seguindo a conceituação de THOM (1951). Balanços hídricos foram estabelecidos para três cenários pluviométricos: anos secos,
regulares e chuvosos de acordo com THORNTWAITE & MATHER(1957), para a
capacidade de armazenamento de água pelo solo de 125 mm, conforme recomendado
por VAREJÃO SILVA et al. (1984). Os dados de temperatura são restritos em todo
o Nordeste. Para estimá-los em todos os locais onde há dados de chuva, foi
feita uma regressão linear.
A carta do zoneamento climático, na escala de 1:2.000.000, dividiu
o Nordeste em seis zonas, de acordo com a aptidão climática para a cultura do
caju: A- inaptas por excesso de
umidade; B- restrita por excesso de
umidade; C- aptidão plena para o
plantio do cajueiro; D- restrita por
deficiência de água; E- inapta por
deficiência de água; e F- inapta
limitada pela temperatura baixa.
No
zoneamento pedológico utilizou-se, como material básico, o mapa do Zoneamento
Agroecológico do Nordeste do Brasil (Silva et al.1993), que divide a região em
172 unidades geoambientais (UGs). Os solos componentes de cada UG foram
avaliados quanto a sua aptidão (Preferencial, regular, restrita e inapta) para
a cultura, considerando o nível de manejo C (cultivo com emprego de alta
tecnologia).
O zoneamento pedoclimático resultou da avaliação conjunta
das cartas de zoneamento de climático e pedológico, indicando as classes de
aptidão preferencial, regular, marginal e não indicada para a cultura.
Os resultados apresentados (Tabela 1), mostram
que do total das terras do Nordeste, aproximadamente 30% são terras apta para o
cultivo do cajueiro com emprego de alta tecnologia (nível de manejo C). Deste
total, cerca 18% são consideradas com aptidão preferencial e em torno de 11%
são consideradas com aptidão regular.
Terras com aptidão marginal somadas às terras não indicadas para a
cultura somam cerca de 71%.
Tabela 1. Classes de
aptidão pedoclimática com suas áreas e percentuais para o Nordeste do Brasil.
Recife– PE, 1998.
|
Classe de aptidão pedoclimática |
Área (km2) |
Porcentagem (%) |
|
Preferencial |
301.718,58 |
17,65 |
|
Regular |
197.077,54 |
11,57 |
|
Marginal |
380.353,49 |
22,33 |
|
Não
Indicada |
823.942,70 |
48,37 |
|
Água |
1.295,61 |
0,08 |
|
Total |
1.704.387,92 |
100,00 |
O trabalho, elaborado na escala de 1:2.000.000
(Figura 1), constitui-se num instrumento básico para o planejamento da
exploração da cajucultura em nível regional. Estudos mais detalhados,
utilizando escalas maiores certamente definirão outras áreas aptas para o
desenvolvimento
da cultura.
O trabalho é apresentado em CD-ROM. Na sua
concepção, além dos mapas de aptidão pedoclimática, foram elaborados diversos
planos geográficos de estradas, drenagem, divisão estadual e municipal. Ao
selecionar um município é possível visualizar as seguintes informações: área,
latitude, longitude e percentual de
terras com aptidão para cultura.

Os registros de produção apontam como maior produtor o
estado do Ceará, seguido pelos estados do Piauí e Rio Grande do Norte. como
pode ser observado no mapa da Figura 1, Entretanto, o Maranhão e o Piauí destacam-se
como os estados com maiores áreas aptas para o desenvolvimento da cultura do
cajueiros no Nordeste, para onde certamente poderá ser expandida a fronteira
agrícola do cajueiro nos próximos anos.
4. CONCLUSÕES
Das terras do Nordeste, aproximadamente 30% são
terras apta para o cultivo do cajueiro com emprego de alta tecnologia (nível de
manejo C). Deste total, cerca 18% são consideradas com aptidão preferencial e
em torno de 11% são consideradas com aptidão regular. Terras com aptidão marginal somadas às terras não indicadas para
a cultura somam cerca de 71%.
As áreas com maior aptidão para a cultura do
cajueiro no Nordeste concentram-se nos Estados do Maranhão e do Piauí.
5. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, J. P. P. de; SILVA, V.V.,
orgs. Cajucultura: modernas técnicas
de produção. Fortaleza: Embrapa-CNPAT, 1995. 292p.
IMENTEL, C. R. M. Aspectos da distribuição e produção de caju
no Estado de Ceará: Fortaleza: CNPCa, 1988. 12p (Embrapa-CNPAT. Documentos,
01).
RAMALHO FILHO, A. ;
BEEK, K.J. Sistemas de avaliação da
aptidão agrícola das terras. 3a
ed. Rio de Janeiro: Embrapa –
CNPS, 1994. 65p.
RAMOS, A. D.;
OLIVEIRA, F. N. S.; LIMA, A. A. C. Solos
cultivados com cajueiro no Piauí. Fortaleza: Embrapa-CNPAT, 1994. 24p.
(Embrapa-CNPAT. Boletim de Pesquisa, 11).
SILVA, F. B. R. e;
RICHE, G. R.; TONNEAU, J. P.; SOUSA NETO, N. C. de; BRITO, L. T. de L.; CORREIA, R. C.; CAVALCANTI, A. C.;
SILVA, F. H. B. B. da; SILVA, A. B. da; ARAÚJO FILHO, J. C. de. Zoneamento agroecológico do Nordeste:
caracterização dos recursos naturais e socioeconômico das unidades
geoambientais. Brasília: Embrapa-CPATSA/SNICS, 1992. 194p.
CAVALCANTI, A. C.;
SILVA, F. H. B. B. da; SILVA, A. B. da; ARAÚJO FILHO, J. C. de. Zoneamento Agroecológico do Nordeste:
diagnóstico do quadro natural e agrossocioeconômico. Petrolina:
Embrapa-CPATSA/Recife: EMBRAPA-CNPS., 1993.2v.il. no prelo.
THOM, H. S. C. A note on the gamma distribution. Monthly Weather Review,
v.8, n.4, p.117-121, 1951.
THORNTHWAITE, C. W.;
MATHER, J. C. Instructions and
tables for computing potential evapotranspiration and water balance. Logan:
Drexel Institute of Technology, 1957 Publications in Climatology, X:3. Centertan.
VAREJÃO-SILVA, M.
A., BRAGA, C. C., AGUIAR, M. J. N.,
NIETZCHE M. H. e SILVA, B. B. Atlas climatológico do Estado da Paraíba,
Campina Grande: UFPB/FINEP/BNB, 1984.
[1] Embrapa- Agroindústria
Tropical. Rua Dra. Sara Mesquita, 2270 – Bairro Pici. 60.511-110 – Fortaleza,
CE. E-mail: juju@cnpat.embrapa.br.
[2] Embrapa Solos – UEP/Recife.
[3] Universidade Federal da
Paraíba (UFPb), Campina Grande, Paraíba.
[4] Professor e Pesquisador
aposentado da Universidade Federal Rural de Pernambuco – (UFRPE), Recife, PE.
5
Estagiário do MAA/FENATEC/CNPAT