SEMINÁRIO “AMAZÔNIA É VIDA. AMAZÔNIA É BRASIL”.

FIEC - AUDITÓRIO WALDYR DIOGO DE SIQUEIRA

Data  24/09/01

 

Palestra do Prof. José Walter Bautista Vidal

 

 

Desejo agradecer ao presidente e à diretoria da FIEC a oportunidade e a honra de convidar-me para participar de reunião tão importante. Sinto-me aquém da dimensão dos objetivos deste seminário. No quê um professor aposentado pode contribuir para um auditório deste calibre? E, depois da exposição brilhante, ampla e serena do General Figueiredo, que me ajuda substancialmente, ao falar depois dele, inclusive a simplicidade com que o General disse coisas tão sérias sobre a Amazônia. Eu vou procurar seguir a mesma linha dele, me conter, pois tenho sangue espanhol. Vou procurar colocar-me no mesmo tom de serenidade e de prudência com que V. Exª. colocou as questões.

 

Realmente, estamos vivendo momento difícil para o Brasil e para o mundo. Procuraremos, dentro de meus parcos conhecimentos, colocar questões que lamentavelmente não são divulgadas, debatidas, como precisariam ser e, quando se trata da Amazônia, então existe um bloqueio absoluto, o que é muito ruim porque, no momento em que as informações não fluem, no momento em que não há o contraditório, a poderosa mente humana fica incapacitada de discernir, de julgar, de tomar posição e de agir.

 

Recentemente, na Escola Superior de Guerra, tive oportunidade de debater a questão da formação da opinião pública. No momento em que não há um fluxo de informações acerca da verdade, quando não há um debate em que todos possam participar, não é possível a construção de uma opinião pública e ela é a essência do poder nacional. Quando há um pensamento único dirigido de fora do país contra nós, fica muito difícil. Temos um Estado nacional, que tem enorme responsabilidade, mas está profundamente enfraquecido e não tem o suporte da opinião pública, o que seria crucial. O Estado está dominado pelo governo que serve a interesses que não são os nacionais. Estamos submetidos à tirania de um sistema financeiro internacional que nos está levando à ruína. Assim, vivemos um processo perverso contra o Brasil ao não haver um debate leal, franco, justo, correto, sereno como o General fez aqui. Não é preciso ter emoções(risos), embora tenha sangue espanhol. O importante são as idéias, o patriotismo e a coragem.

 

Estrategicamente, vou colocar em primeiro lugar uma questão conceitual antes de falar sobre a Amazônia, porque a analise do que ela representa vem como conseqüência. Essa questão é fundamental e vincula-se ao universo físico, é a questão energética.  O primeiro princípio da termodinâmica diz que nada se move ou se transforma no universo sem energia, ou seja, sem energia o universo morre; o sol apaga. Isso vai ocorrer dentro de 5 bilhões de anos por isso ainda temos um tempo razoável.

 

O Cosmos não existiria, com bilhões de galáxias e cada galáxia com centenas de bilhões de astros e estrelas, sem energia. O átomo também, ele entraria em colapso. A vida não existiria nem se manteria nessa “poeira” cósmica que é a Terra sem energia. Se nós não ingerirmos diariamente calorias, alimentos, energia, morreríamos. Agora imaginem o fato econômico sem energia, ele não é possível. Sem energia não é possível nenhum movimento, nenhuma transformação. Uma rocha não se transforma em um avião supersônico, em um  computador ou em uma central petroquímica sem energia. A indústria, a agricultura, as comunicações, os transportes, não existiriam sem energia. O mundo físico não existe sem energia. A matéria é energia concentrada. Vejam que conceito fundamental. É quase um absoluto. A energia precede a tudo que é importante.  Lamentavelmente ele não é conhecido ou difundido na sua extensa abrangência. Há um estranho vácuo cultural acerca dessa crucial questão. Os principais dirigentes da sociedade o ignoram. No passado essa ignorância fundamentava-se na aparente abundância do petróleo considerado infinito. Hoje tudo mudou com a proximidade do colapso de combustíveis fósseis, especialmente do petróleo. Não há poder sem energia, nem há trabalho. Pela ciência física energia é a capacidade de produzir trabalho, qualquer tipo de trabalho.

 

Sem energia, as Forças Armadas desaparecem, até as Forças Armadas de defesa, de persuasão, como são as nossas. Naturalmente ainda mais aquelas que servem para atacar.

 

 A nossa situação é essa, temos o suficiente para viver, precisamos defender o que é nosso, isso sim, mas sem nenhuma pretensão de tomar nada dos outros. Então essa questão da energia é absolutamente crucial ser conhecida e defendida, pois está na base de tudo o que é importante na vida dos povos. Do fato econômico, nem se fala. Neste caso toma conotações graves porque as teorias econômicas, que regem o mundo econômico, ignoram a questão energética. Esse instrumento crucial não faz parte da estrutura das teorias econômicas, como também a questão tecnológica. O que é tecnologia? É a capacidade do homem de usar a energia que está sempre na natureza nas transformações dos bens naturais em bens e serviços em geral. A energia é sempre geograficamente localizada e é elemento crucial para todas as transformações, movimentos e produção de trabalho.

 

Os gregos, com aquela cultura fantástica, aqueles valores sobre a beleza e a arte, não só no teatro, como na arquitetura, na escultura, escravizavam os vizinhos que conseguiam subjugar pela guerra, para coloca-los para trabalhar para eles. O que era isso? Era um projeto energético de usar o músculo do escravo para realizar trabalho, trabalho muscular.

 

A questão da escravidão no Brasil, dos negros, também foi um projeto energético. Os índios se recusavam a trabalhar, por isso os portugueses foram buscar os negros na África. Era um projeto energético. O Brasil transformou-se no maior exportador de açúcar, energia nobre, para a Europa. Sem energia não existe o trabalho humano, nem o trabalho das máquinas. Acontece que, à medida que o homem foi dominando a energia que está na natureza, o trabalho muscular do homem ou do animal faz-se menos necessário. O homem não cria nem destrói a energia, ele apenas a transforma de uma em outra forma. A energia vem sempre da natureza. Então a capacidade de produzir trabalho, todas as formas de trabalho, vem da energia que primariamente está na natureza. A energia muscular do homem e do animal tem sua origem nos alimentos que ingerem, ela era usada extensamente porque não se dominava as leis e os princípios da natureza relacionados com a questão energética. Isso porém é coisa do passado á medida que o homem  foi dominando  as regras científicas que regulam a energia natural. Hoje, toda forma de trabalho poderia ser obtida por meio dessa energia que está originalmente na natureza, no mundo físico, pelo uso das máquinas. Hoje, é injustificável qualquer tipo de escravidão humana, de usar o músculo do homem, de usar a energia química das suas células para produzir trabalho.  Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de cientistas, tecnólogos e técnicos já é maior do que o número de operários. Os operários braçais não serão necessários no futuro, serão substituídos pelas máquinas e pela automação. A tendência é essa. Então, conhecer essa questão de fundamental importância é essencial quando nós vamos discutir a Amazônia e o seu papel no futuro da humanidade.  Por dia, cai sobre a bacia amazônica uma quantidade de energia solar equivalente à energia liberada na explosão de seis milhões de bombas atômicas do porte da lançada sobre Hiroxima.

 

 A segunda questão a considerar é que a fonte primária de todas as formas energéticas usadas pelo homem é o Sol, com três exceções apenas. Quais são as exceções? A) Energia das marés, que resulta do campo gravitacional Terra/Lua. Têm pouca aplicação, às vezes complicadíssima por causa da natureza fluida das massas de água envolvidas. Não se tem conseguido grandes resultados com a energia das marés; B) Energia geotérmica. O núcleo da Terra é uma liga de ferro/níquel fundida, a altíssima temperatura. Então, quando algum lençol d´água chega próximo, a água aflora aquecida, águas quentes existem em Caldas Novas em Goiás, nos gêiseres nos Estados Unidos e  norte da Europa. Mas também tem aplicação reduzida, às vezes dá para tomar um bom banho quente, mas não passa muito disso e C) Energia nuclear nas suas duas formas, a energia que resulta da fissão do núcleo do átomo pesado e a fusão nuclear Quando se fissiona o núcleo pesado, a energia de ligação é liberada em grande quantidade. Há uma geração gigantesca de energia, que é posta a serviço do homem, (a serviço entre aspas), pelos reatores de fissão nuclear. Na verdade, entretanto, as tecnologias são muito inseguras. Os Senhores todos têm conhecimento dos dois grandes acidentes, o de ‘Three Miles Island”, nos Estados Unidos, e o acidente tenebroso de Chernobyl, na ex-URSS. Por sorte, os ventos estavam na direção do Pólo Norte, porque se estivessem na direção Oeste, provavelmente grande parte da Europa teria sido contaminada por radioatividade. Ainda hoje existem áreas enormes na Rússia que por longo período não terão vida, talvez por séculos.

 

Essa insegurança é demonstrada principalmente por esses dois terríveis acidentes. Os reatores de Chernobyl eram considerados muito seguros e um dia, por descuido humano, estourou. Como profissional da área, conheço grande parte dos reatores de quase todo o mundo. A gente chega à Europa para visitar um reator, na Alemanha, por exemplo, ou na França, e vê um verdadeiro encouraçado, com arame farpado protegendo o edifício, defendido como algo muito perigoso. Um terrorista explode um coquetel Molotov dentro do núcleo de um reator e explode um continente. Quer dizer, na realidade, os reatores de fissão nuclear exigem sociedades policiais e, mesmo assim, não há garantia devido à extrema falibilidade humana.

 

Acontece que o plutônio, que é o mais perigoso produto radiativo, que não existe na natureza, surge da fissão nuclear. Um micrograma de plutônio mata uma pessoa. Seis (6) Kg  de plutônio matam os 6 bilhões de habitantes sobre a Terra. Cada reator produz 120 Kg de plutônio por ano e ninguém sabe o que fazer com esse plutônio, que não existe na natureza e tem uma vida média de 130 mil anos. Vida média é quando a radioatividade cai à metade, ou seja, dentro de 500 mil anos o plutônio artificialmente produzido continuaria matando, 500 mil anos para frente. O homem Neanderthal tem 100 mil anos para trás. Eu reneguei os estudos que fiz de pós-graduação na energia nuclear voltando para a minha Bahia, com aquele sol maravilhoso, aquele mar. O que eu iria fazer, meu Deus, com energia nuclear naquele paraíso energético tropical? Mudei, me dediquei à Geofísica, coordenei o treinamento dos geofísicos da Petrobrás que descobriram a plataforma continental, na Universidade Federal da Bahia. Hoje sou contundente crítico da questão da fissão nuclear, porque é algo que atinge o campo ético, o campo sagrado da vida da espécie humana. Não há o direito de criar-se um monstro de um milhão de cabeças que pode destruir a vida sobre o planeta. Não há esse direito. A Alemanha, por exemplo, -- 30% da sua energia elétrica hoje vem de reatores nucleares --, já tomou a decisão, uma decisão impressionante, de fechar todos os seus reatores a medida que termine sua vida útil de geração de energia. Uma decisão sábia. A França, coitada, está envolvida nisso, vai pagar um preço descomunal, como o Japão também. No nosso caso, houve aqueles reatores de Angra dos Reis. Quero deixar muito claro que estou falando da energia nuclear para fins de geração de energia elétrica. Agora, em relação à bomba, a minha posição é diferente, eu não posso admitir um mundo em que meia dúzia de privilegiados tenham bombas capazes de matar o mundo inteiro e nós, um continente, não termos a possibilidade de nos defender. Eu não tenho vocação para virar torresmo, então, sou a favor de que ninguém tenha bombas.  Nós não temos, mas uns terem e outros não, não, é uma questão de princípio, apesar de, no campo da utilidade da fissão nuclear, na verdade, o uso para gerar energia elétrica não faz sentido, especialmente nos trópicos onde estamos localizados como povo.  A fissão nuclear é uma temeridade e uma opção estúpida ante tantas alternativas que nós temos.

 

Outra coisa é a fusão nuclear. É a transformação de matéria em energia pela relação de Einstein: energia é igual à massa (m)  vezes a velocidade da luz ao quadrado, E=m x v². A velocidade da luz é de 300 mil Km por segundo. Então um quilograma de massa produz uma quantidade descomunal de energia. Multiplique-se pelo quadrado de 300 milhões de metros/segundo e temos uma quantidade gigantesca de energia. Só que o processo da fusão nuclear ocorre a temperaturas de milhões de graus, na qual toda matéria sólida e líquida vaporiza-se. Cheguei a trabalhar na Universidade do Texas em fusão nuclear. Quando ocorre, é uma explosão gigantesca que se dá no vácuo, com um campo magnético gigantesco e não se consegue administrar porque toda a matéria sólida e líquida vaporiza-se e não há como administrar aquela energia. Considero que jamais o homem vai ter, -- é um pouco temerário dizer “jamais”, temos que ser mais prudentes, mas as leis da ciência são imutáveis, não se brinca com a ciência. A ciência é ou não é, e dentro da ciência que nós conhecemos nunca o homem vai dominar um reator a fusão nuclear. A Nação porém que dominar a fusão nuclear dominará o mundo. Com o fim da era dos combustíveis fósseis, com o colapso energético desses combustíveis, com o colapso ambiental do efeito estufa provocado pela queima exacerbada desses combustíveis fósseis, a fusão nuclear transforma-se na única grande alternativa.

 

 Meus amigos, já existe porém no mundo uma nação que tem um reator a fusão nuclear, é o continente brasileiro, que tem o Sol, que está a suficiente distância, 145 milhões de Km, para não nos incomodar sendo ademais a razão da vida e o promotor inicial de todas as formas de trabalho. No núcleo do Sol, ocorre transformações de hidrogênio pesado em hélio e uma parte é transformada em energia. Essa energia se espalha pelo Cosmos em grandes proporções e  em direção a esta “poeira” que é a Terra emite um feixe insignificante de radiação que chega ao hemisfério terrestre. A energia vinda do Sol que chega à Terra por dia equivale à energia de todas as reservas de petróleo descobertas em todos os tempos, incluindo as não descobertas, apenas inferidas.

 

Ou seja, essa civilização do petróleo, aparentemente rica, equivale a uma civilização de um dia de energia solar, uma quantidade imensa de luz e de energia  diária. No Brasil, -- esses valores são calculados por profissionais de altíssima competência, na ponta do lápis,-- cai sobre o nosso continente, repito, por dia, uma quantidade de energia equivalente à energia gerada em 24 horas de 360 mil usinas do porte da hidrelétrica de Itaipu, até hoje, a maior do mundo. É o que cai de energia solar sobre o continente brasileiro. Uma grande parte da energia que incide sobre a bacia amazônica promove a formação da apoteótica floresta e, uma outra parte importante, a floresta evapotranspira e é transportada para os pólos por meio de gigantesca quantidade de vapor d’água. A floresta amazônica troca calor com os pólos, regulando os climas do planeta Terra.

 

Então a Amazônia é o dínamo do clima do planeta Terra, por meio de trocas de calor com os pólos. Por isso que o General HUGHES, norte-americano, falou que “se os brasileiros não impedirem esses incêndios, nós vamos invadir a Amazônia”, porque perturbaria o clima do Meio-Oeste americano e do  resto do mundo. Ele se fundamentava no falso incêndio que a imprensa mundial e nacional promoveu em Rondônia. Ali existem campos gerais e não florestas úmidas. Houve sobre isso divulgação mundial e ameaçaram com a vinda dos “boinas verdes” para ajudar a apagar o incêndio da floresta. Era como se fosse uma invasão militar lá chegando, nunca mais sairiam.

 

A fonte primária principal de toda energia é o Sol, com as três exceções referidas, todas as demais vêm do Sol, incluindo os combustíveis fósseis: petróleo, carvão mineral, xisto, gás natural, entre outros. A energia hidrelétrica vem do Sol, a eólica vem do Sol; no caso  da energia hidrelétrica, o Sol evapora a água, o vapor d’ água resultante forma as nuvens que se deslocam pela ação do vento e caem como chuva nas montanhas e em cotas mais altas de terreno. As quedas d’água resultantes sob a ação do campo gravitacional permitem mover as pás de um gerador que produz energia elétrica.

A eólica resulta de diferenças de pressões e temperatura provocadas pelo aquecimento solar que promove a circulação do ar. O vento resultante move moinhos e tem-se a energia eólica. A forma energética mais abundante  e importante resulta de uma reação química endotérmica  por captação de energia solar pelas plantas, pela fotossíntese. As plantas captam radiação solar, CO2 e água e formam os hidratos de carbono. Os ingredientes mais estratégicos são radiação solar e água. Sem água não se dá a acumulação energética nos hidratos de carbono. Eles armazenam energia solar sob a forma química. O que são os hidratos de carbono? São os açúcares, os amidos, os óleos vegetais e a celulose. Um dos açúcares é a sacarose da cana de açúcar, origem do etanol, o chamado álcool combustível. As plantas têm maior ou menor capacidade de captação da radiação solar e de conversão em energia química. Algumas são excepcionais conversores. Então, cada planta, cada capim, cada arbusto, é um pacote de energia solar armazenado nesses hidratos.

 

Os microorganismos –hidratos de carbono - vegetais e os animais que deles decorrem, ao se acumularem ao longo de milhões de anos no fundo de lagos e mares, em eras geológicas, durante 400, 600 milhões de anos, perdem o oxigênio que o compõem e se transformam em hidrocarboneto, petróleo. Todos os combustíveis fósseis passam primeiro pela fase de hidratos de carbono -biomassa, e têm todos sua origem na energia do Sol. Essa conversão em hidratos de carbono toma dimensões extraordinárias nas regiões tropicais especialmente pela elevada intensidade de radiação solar e quando existe água abundante. O continente brasileiro está predestinado portanto a construir a grande civilização dos hidratos de carbono, permanentes e limpos, em vez da hoje em fase terminal civilização dos hidrocarbonetos, finitos, não renovável e ambientalmente sujos. Podemos usar a analogia monetária em que os hidratos de carbonos são os dividendos da energia solar enquanto os combustíveis fósseis são o capital que para se formar leva eras geológicas

 

Vejam a importância do Sol, o nosso reator a fusão nuclear. XVI século antes de Cristo, os egípcios – Akenathon IV - criaram a primeira religião monoteísta e o Deus era o Sol. Nós somos a Nação do Sol. Escrevi um livro para crianças de 2 a 102 anos que tem o título de “A Nação do Sol.” Era uma homenagem a Barbosa Lima Sobrinho, que estava com 102 anos. Nós somos a Nação do Sol, não é o Egito, apesar deles terem sentido a importância do sol há muito tempo. Nós somos o único continente tropical e temos a maior proporção de água doce do planeta, por isso somos a grande potência energética futura da Terra com o ocaso dos combustíveis fósseis. O sol é limpo e “eterno” – embora deva apagar-se em cinco bilhões de anos - enquanto os combustíveis fósseis são finitos e sujos, emporcalham a atmosfera, provocam câncer, criam o efeito estufa e a chuva ácida. Os combustíveis renováveis derivados das plantas levam pouco tempo para se formarem e são limpos. Os fósseis levam milhões de anos. O girassol  cujo óleo substitui o óleo diesel de petróleo leva apenas três semanas para se formar. Houve um equívoco fundamental na humanidade que foi o abandono da opção de uso da energia abundante extensiva e renovável dos trópicos. Ao invés do uso extensivo da energia eterna e limpa que vem em curto período do Sol e que as plantas captam e armazenam, foram usar formas porcas, finitas e não renováveis. Quando acabar, ter-se-ia que esperar 400 milhões de anos para que venha a formar-se, se isso ocorrer.

Então vejam em que equívoco brutal a humanidade entrou. No fundo, as nações hegemônicas, muito pobres de energia, criaram um projeto suicida. Montou-se um projeto de civilização cujos combustíveis extensivos são fósseis: primeiro o carvão mineral, que é aquela barbaridade, e depois o petróleo, que suavizou um pouco, mas mesmo assim, nos Estados Unidos, por exemplo, 82% da energia elétrica vêm da queima de combustíveis fósseis, principalmente do carvão mineral. Por isso que George Bush não assinou o Protocolo de Quioto. Ficou sozinho, mas não assinou, porque 82% da energia elétrica nos EUA vem principalmente da queima de carvão mineral. Eles queimam 600 milhões de toneladas de carvão mineral por ano. Eles são grandes poluidores e agora vêm as organizações ambientais norte-americanas dizer que precisa-se reduzir a queima  do carvão mineral em 80%, vem o Protocolo de Quioto e propõe redução de apenas 10% nas emissão dos gases de C02. O presidente norte-americano diz não. Só que essa queima de carbono vai arrebentar com o equilíbrio termodinâmico da ecosfera e vamos ter problemas tremendos para o futuro, porque os Estados Unidos queimam 25% da energia consumida no planeta Terra. É claro que o Japão também queima muito carvão mineral, a Alemanha também, a China, que tem algum petróleo, mas a base deles é o carvão mineral com um bilhão e 200 milhões de chineses necessitando elevar seus níveis de vida. Sem energia não é possível, qual a energia que eles têm? Carvão mineral. Vai passar os Estados Unidos em níveis de poluição, porque a população deles é muito maior do que a americana, hoje a China é o segundo em poluição do mundo, o primeiro são os Estados Unidos.

 

Segundo  o Instituto Worldwatch no seu Relatório anual de 1997, somos uma das três superpotências ecológicas do mundo e o principal membro não poluidor  do E-9 (E, de Environment ou de Ecológico), que substituirá o atual G-7 do decadente poder financeiro.

 

Então, na realidade, essa imensa potencialidade energética, que inicialmente era muito difícil de ser usada por causa da imposição hegemônica dos combustíveis fósseis, é a única solução para os colapsos que antevemos. Como a energia solar é muito distribuída, como capta-la?  Com células de silício, silício é areia, tem que fundir a mil e tantos graus, aí a gente consegue captar essa energia para produzir calor, dá para tomar um banho quente, para esquentar a piscina. Já estão aí nas casas captando energia solar para esquentar água, não passa muito disso. Conheço algumas centrais elétricas de insolação solar direta, são monstros negros, horríveis, e a energia produzida é reduzida, precisa-se de superfícies imensas de células solares que gastam muita energia para fundir o silício, porque tem-se que fazer a célula de captação a partir do silício. Imaginem comparar isso com as folhas das plantas que, pela fotossíntese, recolhem o CO2 e a água -  tem que ter água - e armazenam a energia solar nos açúcares, amidos etc.. Tendo o açúcar, sacarose, por exemplo, fermento-o e tenho o álcool etílico, substituto ideal da gasolina.

 

No caso do  óleo vegetal do dendê, por exemplo, o caboclo esmaga o côco num artefato mecânico, tira o óleo, filtra-o e coloca-o no motor de ciclo diesel, não precisa refinaria, não precisa nada mais. Esses motores chegam a fazer cerca de 40 quilômetros por litro de óleo vegetal. Rudolph Diesel desenvolveu o ciclo termodinâmico que leva seu nome com óleo vegetal tropical, de amendoim.

Só para adiantar o nosso potencial, o programa do álcool está aí em carros circulando. Foi destruído, chegou a 98% em carros novos, hoje não é nem 1%, é inferior, foi massacrado, talvez na fase dos debate eu conte um pouco como isso aconteceu. Mas vamos falar do óleo vegetal, pois nós estávamos preparados para substituir todos os derivados do petróleo por combustíveis de origem vegetal tropical. Nós não íamos fazer um programa de alternativas energéticas para substituir um só derivado do petróleo, a gasolina, porque nós não importamos gasolina, nós importamos petróleo, importávamos 60% do nosso consumo em 1974, quando o programa foi criado. Graças à PETROBRAS, nós conseguimos reservas de petróleo muito importantes e hoje importamos menos, mas importávamos uma quantidade enorme ainda, uma coisa perigosa e, é claro, o petróleo, qualquer que seja a circunstância, acaba. Se a PETROBRAS não partir para uma forma energética mais permanente, ela vai fechar, porque ela funciona em cima do petróleo. O petróleo acaba, como o gás natural também acaba, então como é que nós vamos viver sem energia? Como é que o mundo hegemônico, que vive do petróleo, vai busca-lo em outras partes do mundo, vai viver sem energia? Vão viver de cuspe, com a moratória que existe na fissão nuclear?

 

Então, quero refletir com os senhores, qual a situação energética futura, especialmente das nações hegemônicas. Dez países do mundo consomem mais de 80% da energia gerada no mundo. Na realidade, os que estão em real perigo são as nações hegemônicas, que têm aquelas gigantescas estruturas industriais, militares, de transportes, estão em regiões frias, têm que se proteger do frio no inverno, precisam de calor, uma demanda enorme, consomem 80% da energia mundial. Sem petróleo vão viver de que? É claro que vão partir para o carvão mineral, mas o carvão mineral arrebenta o equilíbrio termodinâmico da ecosfera, cria tufões, tornados, o efeito “el niño”. Houve um tufão há dois anos que não destruiu a cidade de New Orleans por um erro de 40 Km. Se aquele tufão tivesse ocorrido 40 Km para a esquerda, a cidade de New Orleans não existiria mais. Aqueles tornados no Sul dos Estados Unidos; o efeito “el niño”, que desloca as chuvas da Amazônia para o Pacífico, cria a seca no Nordeste e as inundações no Sul de país, lembrem-se de Blumenau. O que é o efeito “el niño”? É o resultado dessa elevação da temperatura do planeta, que inverte as correntes marítimas do oceano Pacífico. As energias envolvidas no efeito “el niño” são equivalentes à energia de 600 milhões de bombas nucleares. É coisa de grande porte a energia da natureza. Essa situação desesperadora das nações hegemônicas tem como contrapartida a grande solução permanente e limpa do planeta, que são as energias das regiões tropicais. Quais regiões tropicais? Aí surge de modo apoteótico o continente brasileiro. A África Central tem o deserto do Saara, um bocado de países em nível tribal, não se pode esperar muita coisa; o Sudoeste da Ásia, uma região relativamente tropical, com problemas tremendos; a Austrália, com três quartos de seu território com desertos. O que sobra nas regiões intertropicais? O continente brasileiro e dentro do continente brasileiro a apoteose da Amazônia.

 

Então meus amigos, com o colapso energético, a impossibilidade de sobrevivência das nações hegemônicas, ainda poderosíssimas do ponto de vista militar, diante da necessidade de sobrevivência delas, elas precisam nos massacrar, para tomar o que é nosso, porque a energia da biomassa é uma energia que ocupa todo o nosso território e é a solução para os dois maiores colapsos que o mundo já sofreu: O DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS E O ECOLÓGICO, DO EFEITO ESTUFA .

 

Eu não estou prevendo, mas reparem o seguinte: pela lógica da questão, essa gente fogosa que manda, que resolve tudo pelo poder militar, e nós que poderíamos estar preparados para rapidamente resolver o problema deles, o que deveria ser o nosso papel para evitar outras conseqüências, recuamos no processo e estamos ignorando essa imensa potencialidade energética que nós temos e que é a única solução do problema crucial do futuro da humanidade.

 

Estou falando nessas coisas enfaticamente, nesse tom porque estou me fundamentando essencialmente na ciência, aqui não há julgamento pessoal, aqui não há ideologia, só há ciência e a nossa realidade. Enquanto os princípios da termodinâmica forem válidos - eles são os dois pilares das ciências naturais - e enquanto o Sol não for deslocado para Nova Iorque, o que acho difícil, o que falei aqui está exposto a qualquer tipo de julgamento em qualquer país do mundo, são as leis da Física, são as leis da natureza. A energia sempre existe na natureza, ou não existe.

 

Citemos alguns números. A EMBRAPA levantou na região Amazônica 70 milhões de hectares aptos para a produção do dendê, uma palmácea, mas na Amazônia existem centenas de palmáceas, com uma variedade até difícil de citar, porque são muitas. Nós chegamos, há 27 anos, a estudar, no Instituto Nacional de Tecnologia, que era a mim subordinado, quando fui Secretário de Tecnologia Industrial, mais de cem tipos de óleos vegetais tropicais diferentes. Não vou falar da mamona, que coisa fantástica, além de lubrificante excepcional, o conhecido CASTROIL, ela é excepcional combustível, substitui o óleo diesel de petróleo, sem poluição e de modo renovável. No nordeste brasileiro, a mamona é mato, cresce de maneira espantosa. Mas vamos falar do dendê, 70 milhões de hectares que a EMBRAPA já levantou na Amazônia ocidental. Nós formamos um grupo ligado à EMBRAPA, lá em Manaus, que depois foi desativado, mas aqueles brasileiros continuaram trabalhando nesse domínio. Nós não conhecíamos o ciclo vegetal do dendê, fomos à África, que tinha uma instituição francesa trabalhando com óleos vegetais tropicais. Fomos aprender com eles, mas eles não sabiam muita coisa, então esse grupo começou a estudar o ciclo do dendê. Hoje esse grupo, -- no ano passado tive uma alegria imensa --, esses homens estão dominando completamente o ciclo, estão conseguindo sementes, produzindo a quantidade que for necessária, com produtividade de oito toneladas por hectare/ano de dendê, quer dizer, nas condições da área disponível, dá para produzir cerca de 8 milhões de barris/dia de óleo diesel limpo que é a produção de petróleo da Arábia Saudita hoje, que não vai ser o mesmo dentro de dez anos, quando as reservas vão cair pelo consumo mundial de petróleo. E, dentro de um milhão de anos, nós estaremos produzindo muito mais óleo de dendê que os 8 milhões de barris possíveis hoje , porque nós vamos melhorar as técnicas agrícolas e a produtividade. Os Senhores imaginem as centenas de variedades de óleos, mantendo a árvore na floresta. É claro que nós temos que fazer isso com inteligência, temos que manter a biodiversidade, a árvore preserva a umidade, esse papel de estabilizador dos climas do planeta Terra tem que continuar, se não nos invadem, como o General norte-americano ameaçou, se nós perturbássemos a ecologia norte-americana, seríamos invadidos militarmente. Então, vejam só, o programa do álcool é bem conhecido. O álcool, além de limpo, tem um nível de octanas o dobro daquele da gasolina comum. O importante nos motores a explosão não é o poder calorífico do combustível mas o nível de octanas, que mede a potência do combustível, e o álcool é mais potente do que a gasolina. O programa foi praticamente destruído, por tecnocratas estúpidos, mas isso a gente recupera.

 

A questão ecológica, por outro lado, é muito perigosa, porque o efeito estufa está elevando a temperatura da Terra; com a chuva ácida nós conhecemos seus efeitos devastadores etc.. A fusão da calota polar Antártida pela elevação da temperatura do planeta pode elevar em 100 metros o nível dos mares. Todas as cidades e localidades que estão abaixo de 100 metros desaparecerão inundadas. São montanhas gigantescas de gelo na Antártica que ao fundir-se elevam o nível dos mares. Eu já participei de reunião sobre o efeito estufa nos Estados Unidos, reuniões secretas, com 500 cientistas. Eu não sei como é que se pode manter segredo em reunião que envolve 500 pessoas. Mas a razão é a seguinte: havia a intenção de que as informações não extrapolasse para o grande público, para não criar um clima de pavor. Não houve esse pavor em Nova Iorque agora com os atentados de Manhattan? Vocês imaginem todas as cidades abaixo de 100 m inundadas. Coitada da minha Salvador, da nossa Fortaleza. Vai tudo para  debaixo d’água. pelo efeito estufa.

 

A chuva ácida é outro desastre, provocado pelos combustíveis fósseis, principalmente pelo carvão mineral. Recentemente, o Estadão falava, na primeira página, do desmoronamento de encostas da Emigrantes e da Anchieta, que é a comunicação de São Paulo com o porto, com Santos. Quer dizer, as encostas desmoronando porque a chuva ácida mata a árvore que segura as encostas, então elas desmoronam e as duas vias de acesso ao porto somem. Que tragédia,  São Paulo sem comunicação com o mar ou com o porto. Primeira página do Estadão.

 

O Brasil tem em suas mãos, o povo brasileiro tem em suas mãos as soluções dos dois colapsos, os maiores que jamais houve na história da humanidade: o energético dos combustíveis fósseis e o ambiental do efeito estufa e da chuva ácida. Sem a substituição dos combustíveis fósseis por combustíveis renováveis e limpos, não é possível resolver esses problemas. Vejam os Senhores o imenso significado que isso pode ter para a humanidade e, evidentemente, para o povo brasileiro. Imaginem nós, o grande exportador de energia sólida, líquida e gasosa e até de produtos de alta intensidade energética, nós, o grande exportador mundial de energia, viramos a grande potência energética e vamos ficar muito ricos, a maior potência do mundo, isso pode estar em nossas mãos. Agora, vejam em que encruzilhada nos encontramos. Nós temos a chance de virar a maior potência energética do planeta e claro, quem domina a energia, domina o mundo, não para conquista-lo, mas em termos de peso. Mas como nós não estamos respondendo a isso, nós ignoramos essas cruciais questões, destruímos o pouco que já fizemos, o quê vão fazer conosco as nações – potências nucleares - que dependem vitalmente de nossas soluções?

 

Eu não quero nem pensar, pelo amor de Deus, não está aqui quem falou... Dentro dessa concepção, não tenho a menor dúvida, embora o número de elementos que dispomos seja ainda preliminar etc.. Corremos, sem dúvidas, grandes riscos. Ou o esplendor ou a tragédia. O atentado das torres de Manhattan, qualquer que tenha sido o responsável, decorre da questão petróleo, não há a menor dúvida, por que entram os árabes em termos genéricos nessa história? Agora essa guerra, a guerra do Iran, a guerra do Iraque, são guerras da energia do passado, porque o petróleo está acabando. Como resolver o problema do petróleo nesses próximos vinte e poucos anos. Vamos ter a guerra da energia do futuro, onde ela irá ocorrer? Guerra não é nunca uma coisa boa. Sou primeira geração de espanhóis, a guerra civil na Espanha foi uma coisa muito feia. Então, por quê nós não nos preparamos para dar uma resposta positiva para essas nações hegemônicas no fim da era do petróleo? Está aqui a solução. “Sentem aqui e conversemos”, podemos falar para as nações hegemônicas, “nós podemos resolver o problema de vocês”. Mas para isso precisa-se de um estadista na direção do país, de uma sociedade consciente, sabendo o que se está fazendo e por quê, com opinião pública poderosíssima. Claro, querer que o Exército venha a resolver isso, não é razoável, não é?, O Exército tem um papel fundamental, mas restrito a suas funções constitucionais. Quer dizer, a ciência brasileira, as universidades parecem nada ter a ver com essas cruciais questões da nossa sobrevivência. Como é possível?

 

Há uma definição perfeita de Ortega y Gasset, o grande pensador espanhol, sobre a mente colonizada: “é aquela que ignora o seu espaço e o seu tempo”. Ao não tomarmos conhecimento que o nosso espaço é o território da maior potência energética do planeta, somos todos mentes colonizadas, não é? E estamos fora do tempo ao não sabermos que a energia é o tema crucial de nosso tempo. O Brasil, com o colapso do petróleo, tem a maior oportunidade histórica que jamais nenhum povo ou nação teve. Ele é hoje uma questão militar. Já invadiram o Oriente Médio, onde está localizado 80% do que sobra do petróleo e não vão sair nunca mais de lá. Ainda que os dias do petróleo estão contados, o acesso a ele está condicionado ao controle do poder militar norte-americano. Os Eua e demais potências nucleares poderão decidir, a qualquer momento, que o uso desse petróleo que sobra será reservado para o consumo de seus povos, qualquer que seja o preço ofertados pelos  demais povos. O preço será o da sobrevivência dos militarmente fortes, pois quando o petróleo acabar, aonde é que eles vão procurar seu substituto? Para onde eles irão? Eles irão para onde está a solução energética do futuro. Estou certo, General? Sobre esse futuro, numa postura altaneira, de esperança brasileira, nós podemos conversar com as nações ainda hegemônicas. Senta aí, vamos conversar. Por quê não podemos resolver o problema deles? Por que não? Nós somos uma nação imensa e todo mundo que aqui chega é bem recebido, eu sou primeira geração de emigrantes espanhóis, meu pai voltou para a Espanha com seis filhos brasileiros mas, não agüentou, retornou para o Brasil porque já não era mais espanhol, era brasileiro por opção não por nascimento. É essa raça cósmica a que se referiu o General Andrada Serpa, resultado de magnífica miscigenação, que forma a nação brasileira, onde convergem todas as culturas, todas as raças e todos convivemos muito bem. Isso aqui está 500 anos na frente dos países de raça pura. Raça pura é para bicho, é para cachorro e gato, não é para gente, negócio bonito não é? Quer dizer, esse desafio é um desafio atual, é um desafio para a gente sair cantando, alegres, mas trabalhando, adquirindo competência e afirmando cada vez mais a nossa nacionalidade. O importante porém é dar condição de vida a todos os brasileiros, dar-lhes escola, saúde e trabalho para todos.

 

Eu vejo aqui a presença de empresários de várias partes do Brasil, líderes, dirigentes de federações de indústrias de vários Estados brasileiros. Como seria fácil prever um futuro magnífico para todos os produtores nacionais se resolvermos montar juntos um vigoroso projeto que, em primeiro lugar, vá ao encontro aos interesses e necessidades brasileiras mais legítimas, se resolvermos confrontar aos atuais malignos desígnios conduzidos por agentes a serviço de interesses externos que nos levam à ruína. Vamos fazer isso arrastando e levantando o nosso povo para o bem estar e a garantia de um futuro consistente para os seus filhos. Vamos recolher essa massa de miseráveis que esses malignos interesses externos criaram com a ajuda de agentes internos –maus brasileiros - e transformá-los em cidadãos úteis, felizes com a pátria em que nasceram. Vamos, no uso legítimo de nossas imensas e legítimas riquezas, criar as condições para levantar o povo brasileiro formando um exército de patriotas – um exército de biólogos, agrônomos, engenheiros, educadores - preparados e com vigorosa saúde, para enfrentar o grande desafio de construir um futuro grandioso para seus filhos, uma grande civilização, a maior e melhor que o mundo já viu, humanista, próspera e poderosa, neste nosso planeta de infortúnios. E as Forças Armadas como o braço armado do nosso povo defendendo a integridade do Brasil continental, seu território, seus patrimônios naturais estratégicos e suas enormes riquezas. É um sonho, sim.  Cabe-nos construir uma cultura que sendo genuinamente brasileira não abre mão de todas as contribuições que aqui aportaram ou que já fundamentavam os povos que aqui viviam há milênios.

 

Para isso é necessária a recuperação do Estado nacional, extremamente combalido com o neoliberalismo e a globalização. Não faz qualquer sentido para                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  indispensável, sim, o Estado necessário a nossas necessidades e aspiração, com um braço armado preparado para defender o que é nosso, historicamente consolidado.

 

Perguntei para João Pedro Stédile quantos “sem terra” existem e ele me respondeu que eles são quatro milhões e eu disse que era pouco. Tem que aumentar esse negócio porque vamos precisar de muita gente trabalhando. Pegar essa gente e levar para a Amazônia, devidamente treinada e capacitada para produzir óleo de dendê numa “marcha para o Norte”. Nessa hipótese, nós viramos uma potência energética, para sempre, produzindo 8 milhões de barris/dia de óleo diesel natural. Simultaneamente, tenho falado isso com os meus amigos militares, na hora em que a Amazônia for ocupada por brasileiros, acaba o risco de perde-la. A melhor maneira de defendê-la é ocupa-la com brasileiros. O general Andrada Serpa defendia essa tese. Isso de ter um habitante por km quadrado, que o general Figueiredo aqui falou, não pode continuar. É uma temeridade. É um convite à invasão. Aqueles formigueiros humanos asiáticos, daqui a pouco, enlouquecidos por falta de espaço vêm para cá. Nós temos que ocupar a Amazônia com brasileiros. Olhem aí a solução e com as nossas Forças Armadas dando o apoio que sempre deram às populações dessas extensas áreas do nosso sagrado território. Devemos nos lembrar que antes da criação do Estado de Israel na Palestina não faltaram defensores que pretendiam criá-lo na nossa Amazônia. Talvez a enorme pujança da floresta e sua adversidade para o homem despreparado fizeram esquecer então essa perigosa idéia.

 

Foi a marcha para o Oeste americano que transformou os Estados Unidos na maior potência. As grandes cidades americanas eram um inferno cheias de desocupados e delinqüentes. A nossa marcha porém seria sem a presença de  pistoleiros, como eles fizeram. Vamos faze-la com escolas, com educação, com saúde, por que não? Com o respeito e o conhecimento dessa pujante natureza tropical úmida. Com a manutenção da essencial biodiversidade. A riqueza é enorme, esse é o país que não pode ter um pobre, enquanto tiver um só pobre, temos fracassado, não se justifica a pobreza neste continente dos trópicos. Não há problema que haja ricos em nosso país. Deixa haver ricos, agora o pobre tem que deixar de ser pobre, tem que ter tudo para viver com dignidade e para poder servir a sua pátria. Quantos gigantescos problemas nós resolveremos, aproveitando essa terra abençoada por Deus, que deu a este continente condições excepcionais de resolver previamente os nossos problemas  e também resolver o problema das nações hegemônicas. Hoje querem resolver tudo pela guerra, pela capacidade de matar. Não é o nosso departamento, nós amamos a vida, somos um povo alegre, nós podemos ajudá-los, mas eles vão ter que sentar aqui e conversar, não é? Querer nos “ajudar” na base de usar uma moeda falsa para nos roubar, não dá mais.. Hoje 70% do PIB brasileiro já é de propriedade de não residentes. Esses 70% são os que têm maior poder, por isso daqui a pouco serão 95%. Os brasileiros então não serão donos de nada. Isso não pode continuar. Sistema de competição, livre comércio, tudo bem, o americano paga de juros 5%, o francês 4%, o japonês 0% e o brasileiro paga 40, 60, 150%. Somos um povo de idiotas? Não sabemos aritmética? Essas taxas de câmbio malucas, jogo de delinqüentes internacionais.

 

Acabei de terminar um livro sobre a Petrobrás, o título é: “PETROBRÁS, UM CLARÃO NA HISTÓRIA”. Que realização extraordinária o da nossa principal empresa! Qualquer povo do mundo teria o maior orgulho de ter construído uma empresa desse porte, especialmente dessa competência. Uma empresa não colonizada que procurou os nossos caminhos. É a única empresa no mundo que detém tecnologia de prospecção em grandes profundidades marítimas, nenhuma outra tem. Eu era estudante na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, quando a Petrobrás estava sendo construída. 70% dos meus colegas de turma foram para a PETROBRÁS, tornaram-se engenheiros de petróleo. A gente olhava e se perguntava: mas como é que nós, tupiniquins, vamos construir uma Shell, uma Exxon? A PETROBRAS é melhor do que elas embora tenha menos de meio século de existência e esteja restrita basicamente ao Brasil.

 

Isso prova que nós somos gente, nós não somos uma raça inferior, colonizada, como a grande mídia procura insinuar. Agora, nós precisamos de organização, precisamos de um Estado forte porque a nossa tarefa é hercúlea. Meus amigos, eu acho que nós temos tudo para levantar a cabeça, para traçar um projeto que reflita nossas peculiaridades e nossas verdadeiras riquezas. Precisamos de um Projeto Nacional. Onde estão os partidos políticos? Nenhum tem projeto, como é que é isso? Um projeto nacional, colocando o Brasil no contexto do mundo, na solução dos dois grandes colapsos que afligem a humanidade. Vamos preparar gente para responder a esse imenso desafio? Haja brasileiros. O General Serpa dizia: “Tudo pode acontecer contra nós pois  reverteremos tudo. Uma única coisa não pode acontecer: é parar de nascer brasileiros”. Viva o Brasil.

 

Muito obrigado.