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Palestras proferida
na abertura da Semana da Exército, 18.04.2001 no auditório
da FIEC
Coordenação
Centro de Documentação, Informação e Pesquisa
- CEDIP - cedip@sfiec.org.br |
DESPERTAR DE CONSCIÊNCIAS
Afinal, o que é globalização e quais seus objetivos?
Ela se restringe à área econômica ou poderá
expandir-se a outros setores, envolvendo a soberania nacional?
As interrogações
sobre esse processo que já se incorporou aos debates e às
conversas do dia-a-dia do brasileiro encontram resposta na magnífica
palestra que o General Paulo Roberto Laranjeira Caldas, Comandante
da 10a Região Militar, proferiu na abertura da Semana do
Exército, dia 18.04.01, no auditório da Federação
das Indústrias.
Didático
nas observações e preciso na análise, o General
conseguiu despertar a consciência dos que ouviam para uma
tomada de posição quanto ao dia de amanhã,
já que a globalização veio para ficar
e o Brasil não pode satisfazer-se com um papel subalterno
no jogo de forças dessa Nova Ordem Mundial.
E qual o papel,
diante dela, das Forças Armadas? Esse ponto é abordado
pelo General Laranjeira com rara lucidez, quando ressalta que uma
coisa é aceitar a incidência da globalização
na economia, outra é admitir que, por isso, o Estado nacional
deve abrir mão de seus valores fundamentais.
A exposição
do General Laranjeira, pela sua oportunidade e clarividência,
deve ser objeto de meditação por parte de todos aqueles
interessados nos destinos do País, pois só assim poderão
estar preparados para enfrentar os problemas que advierem desse
processo que a todos preocupa.
Com estas palavras, convido-o a ler e reler a exposição
do eminente Comandante da 10a Região Militar sobre O
Exército Brasileiro e a Soberania Nacional.
Fortaleza, maio de 2001
Humberto Bezerra
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A ORIGEM DO EXÉRCITO BRASILEIRO
Trezentos e cinqüenta e três anos depois dos históricos
embates dos Montes Guararapes, em terras pernambucanas, seu significado
e sua transcendência ainda convidam à reflexão.
No quadro da
disputa entre as potências mundiais da época pelo domínio
da importante riqueza agrícola, representada pela produção
açucareira, forças holandesas ocupavam, desde 1630,
larga extensão territorial no nordeste brasileiro.
Naqueles distantes
dias do Século XVII, um punhado de homens da terra decidiu
romper com a exploração. Apesar de equipados de forma
primitiva, carregavam, no peito, a mais eficaz de todas as armas:
o sentimento pátrio ferido.
No dia 19 de
abril de 1648, nos Montes Guararapes, a bravura e os ardis dos patriotas
sobrepujaram as pesadas couraças e armas mais modernas do
invasor incauto, atraído às armadilhas fatais.
Aquela jornada
foi plena de simbolismos.
Índios,
brancos, negros e mestiços se uniam, pela primeira vez para
um empreendimento genuinamente nacional. Pela primeira vez, também,
a palavra Pátria era aplicada para referir-se ao Brasil.
Usando táticas e técnicas de guerrilha, um povo oprimido
lograva impor sua vontade ao dominador. Prevaleceram a autodeterminação
e a integridade do Território.
A partir dessa epopéia, já não havia, apenas,
filhos de um mesmo solo em torno de um de um simples ideal de libertação,
mas sim, as bases do Exército Brasileiro e da própria
Nação.
Componente da
formação de nossa nacionalidade, o Exército
foi partícipe, juntamente com outros segmentos da sociedade,
de todos os movimentos de afirmação do sentimento
nacional, o que explica a sua legitimidade.
Pensamos, neste
momento, nos homens darmas de outrora e nos inúmeros
exemplos de abnegação, destemor e sacrifício
para ajudar na incrível obra de unificar um país com
dimensões continentais, costurar seu imenso território
e dar-lhe identidades lingüística e cultural. Sentimentos
muito fortes de dever, honra e disciplina permitiram erigir uma
Nação íntegra, da Serra do Caburaí ao
Chuí, da Ponta das Seixas às nascentes do Moa.
Foi no estrito
respeito aos limites definitivos deste vasto País, que os
soldados brasileiros lutaram, sofreram e deram tudo de si pelo que
lhes constituía crença e causa. Jamais tomaram terras
alheias ou ambicionaram riquezas de outrem, demonstrando, na origem,
a vocação pacifista e a ordeira índole, afinal,
deste povo.
Nem por isso
foram ou são mais fracos ou vulneráveis que os radicais,
os invasores e os ambiciosos. Porque a coragem que tiveram e têm
foi e é acompanhada de amadurecimento calcado em exemplos
de liderança integradora, como nos ensinaram e ainda nos
ensinam Caxias e Rondon. Ambos foram destacados em seu tempo são
nossas referências.
Se Caxias foi o Pacificador, Rondon foi o Integrador. Se o quadro
da época de um levou-o a impor a paz, enfrentando sediações
para unir a Nação, o do outro fê-lo fundir os
interiores remotos às demais cidades deste País, no
absoluto sentido pátrio, numa epopéia reconhecida
por toda a humanidade.
Seguimos imaginando
as dores dos feridos nas lutas da Revolução Farroupilha,
da Balaiada e de tantas batalhas do formidável Duque e as
febre endêmicas que assolavam os desbravadores do outro intrépido
Marechal.
Homens de farda
os seguiram por algo que é o segredo da profissão
militar: Comanda quem aprendeu a obedecer, tem experiência,
é capaz, conquista pelo exemplo e persegue um objetivo nobre.
Obedece aquele que reconhece o chefe capaz de conduzi-lo, a despeito,
para isto, de empenhar a própria vida.
É assim
que soldados seguem cumprindo a sua missão, com hierarquia
e disciplina, sem servilismo, cativos, tão somente, da nobreza
de sua servidão.
Esse passeio
histórico, relembrando nossas origens e participações
em alguns grandes momentos nacionais, bem como o recordar de vultos
referenciais, teve o objetivo de conceituar e identificar as centenárias
vocação e missão de grandeza do Exército
Brasileiro, profundamente comprometidas com a Soberania e com a
função de Defesa da Pátria.
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A SOBERANIA E A AUTODETERMINAÇÃO
DAS NAÇÕES DENTRO DO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO
A globalização da economia é, hoje,
uma tendência mundial real e crescente. A tentativa de criar
um único mercado no globo terrestre pressupõe a livre
competição entre todos os atores intervenientes, o que,
desde logo, põe em evidência as dificuldades dos países
não desenvolvidos para enfrentarem a competição
com os mais desenvolvidos que possuem tecnologia e capacidade de gerenciamento
superiores e um acesso mais fácil ao capital. Por outro lado,
a não aceitação do processo deixaria o país
optante fora da economia mundial e condenado a um isolamento empobrecedor
e frustante. No Brasil, gostemos ou não, temos que nos ajustar
a esse novo modelo. Isto significa aproveitar as suas boas coisas
e encontrar soluções que representem o autêntico
interesse nacional, para resistir aos seus maus princípios
e aos seus maus ditames.
No campo militar,
o que mais preocupa são as questões de segurança
que, no rastro do processo globalizante, estão
deixando o enfoque geopolítico para se ater ao geoeconômico.
Há, em conseqüência, um enfraquecimento do chamado
Estado-Nação, já que os princípios básicos
de soberania e autodeterminação perdem, cada vez mais,
espaço para os chamados Interesses Coletivos da Humanidade,
determinando uma Nova Ordem Mundial, onde o segmento
internacional mais poderoso sobrepuja o nacional. É o Estado
Supranacional das grandes potências impondo soberania
relativa, ou limitada, às demais nações.
Esses Interesses
Coletivos da Humanidade são de fácil identificação,
pois são, exaustivamente, orquestrados pela mídia.
Quem ainda não ouviu falar de proteção dos
direitos humanos, preservação do meio ambiente, questões
indígenas, narcotráfico, controle sobre a proliferação
de armas de destruição em massa, entre outros, e que,
quase sempre de forma oportunista, funcionam como grandes chavões,
utilizados pelos países do Primeiro Mundo, para interferirem
em nações soberanas e tentarem, nessa interferência
injusta, garantir seus interesses econômicos? O que convém
destacar, dentro deste quadro, é que alguns desses problemas
estão, efetivamente, presentes no Brasil e, em particular,
na nossa Amazônia.
Também
é fato que já existe uma tensão no relacionamento
de países desenvolvidos com não desenvolvidos. Aproveitando
exemplo caseiro, no mês de fevereiro passado, quando contrariado
um interesse na área comercial de aviões, o Canadá
não pensou duas vezes para proibir, com a aprovação
de seus aliados do NAFTA, de forma abusiva e truculenta, a entrada
da carne bovina brasileira naquele país, utilizando um argumento
que não sobreviveu diante dos primeiros exames técnicos
e científicos. A livre competição tem aumentado,
substancialmente, o desnível entre países ricos e
pobres. Mesmo internamente, entre esses últimos, constata-se
o alargamento da distância entre classes sociais. Esse é
um efeito mordaz que desafia as elites dirigentes a encontrarem
soluções próprias.
O Princípio
da Não-Intervenção, que rege, basicamente,
as relações entre países, um dos pilares da
diplomacia brasileira, começa a ser posto de lado. É
notória, neste contexto dinâmico, a diferença
de atitudes tomadas nas áreas de fricção entre
as nações, em função do interesse e
de cada poder nacional envolvido. São soluções
diferenciadas frente a situações semelhantes.
Têm ocorrido,
também, resoluções da ONU sendo utilizadas
para legalizar intervenções de caráter pretensamente
humanitário. O protocolo de Washington, que modifica a carta
da OEA, consagra intervenções em países com
a finalidade de preservar a democracia. Sabemos que as palavras
democracia e direitos humanos ficam muito
ao critério e ao sabor de quem as interpreta; na prática,
acabam servindo aos interesses daqueles que querem promover, com
a intervenção, a sua ingerência. Os Organismos
Internacionais estão, como se pode observar, cada vez mais
a serviço das grandes potências.
Neste momento,
recordamos o ilustre patrício, Rui Barbosa, que dizia com
muita sabedoria: Uma nação que confia em seus
direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma
e prepara a sua própria queda.
Fica evidente
que estão sendo delineadas uma nova noção de
soberania, no direito internacional, e um redimensionamento do papel
do Estado, revogando conceitos anteriormente aceitos nas negociações,
com conseqüências ainda não previsíveis.
O que se constata
é que o Poder Militar, nitidamente pendente para os que são
autorizados a dominar a tecnologia nuclear, que sempre foi um instrumento
do Poder Político, vem sendo empregado como único
argumento da ação política e, até, como
se fosse a própria política.
O Tratado
de Não-Proliferação de Armas Atômicas,
do maior interesse de toda humanidade, longe de afastar o perigo
do holocausto nuclear, criou um privilegiado grupo que, além
de possuir armas desse tipo, prossegue com novas experiências
e com aumento de seus arsenais, em flagrante desrespeito ao que
foi acordado.
Ao contrário
do que se proclamava no final da década dos anos oitenta,
a Expressão Militar prossegue como moeda de comparação
decisiva nas relações internacionais, conforme exemplos
recentes ocorridos em Ruanda, Iraque, Bósnia, Kosovo, Timor
Leste e Chechenia, entre outros, tudo sem entrar, logicamente, no
mérito de cada um.
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A
COBIÇA INTERNACIONAL PELA AMAZÔNIA, UMA AMEAÇA
CRESCENTE
A Amazônia,
ao contrário do que se pensava, em passado não muito
distante, é, hoje, sim, objeto de grande preocupação
face à cobiça internacional. Existe uma campanha sistemática,
insidiosa e permanente buscando convencer a opinião pública
mundial de que os brasileiros são destruidores da flora e da
fauna e que as questões da Amazônia são do interesse
da humanidade e não do Brasil.
Conforme a exposição
do Gen. Ex Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, ex-Comandante Militar da
Amazônia, para a CPI da FUNAI, algumas autoridades, bastante
conhecidas, assim se manifestaram:
Al Gore, ex-Vice-Presidente
norte-americano: ...ao contrário do que os brasileiros
pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos
nós.
Gorbatchov,
ex-Presidente da Rússia: O Brasil deve delegar parte
dos seus direitos sobre a Amazônia aos Organismos Internacionais
Competentes.
O falecido presidente
da França, François Mitterrand, foi o criador daquelas
doutrinas esdrúxulas, doutrina da soberania relativa
e doutrina do direito de ingerência, estabelecendo
reflexões que se aplicam, como uma luva, à Amazônia.
Margaret Thatcher,
a Dama de Ferro inglesa, também advogando a internacionalização
da área: ...se os países subdesenvolvidos não
conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam suas riquezas,
seus territórios e suas fábricas.
Em qualquer
situação, mesmo que enfrentando alguns brasileiros
que insistem em considerar o alarme exagerado ou improcedente, julgamos
ser imperativo refletir sobre a Amazônia e a Nova Ordem
Mundial. Admitimos como pouco provável a hipótese
de guerra de conquista, embora o Sr. Clinton, ainda como presidente
dos EUA, tenha declarado: ...quando necessário, quando
não houver concordância dos interesses da Nação
Americana com os da ONU, os EUA intervirão, mesmo sem aprovação
do Conselho de Segurança daquela Organização.
Vemos, porém, como ameaça concreta, a mudança
substancial que as grandes potências querem dar ao conceito
de soberania nacional e o decorrente direito de ingerência
que toma vulto nunca antes alcançado, em nome da violação
dos direitos humanos ou do meio ambiente devastado, tudo dentro
de uma conjuntura denominada globalização.
Recentemente,
a imprensa publicou, do Secretário Geral da ONU, o africano
Kofi Annan, a seguinte mensagem lida em Sessão Plenária
da Comissão de Direitos Humanos: ...o mundo não
mais vai permitir que as nações que praticam a violência
contra o homem possam esconder-se atrás da soberania nacional.
É a tese da soberania relativa, ou do imperialismo
dos direitos humanos, com as suas duas facetas: o homem e
a ecologia. O ex-Secretário de Estado norte-americano, Warren
Christopher, foi claro em discurso na ONU: ...em matéria
de direitos humanos violados e de ecologia degradada, não
há soberania absoluta.
As razões maiores da cobiça pela Amazônia são,
na verdade, aquelas que a fazem ser a mais rica região do
mundo: suas riquezas vegetais, abundantes recursos minerais, biodiversidade
e, sobretudo, a água doce, que deve se tornar, neste início
de Século XXI, a moeda mais forte nas trocas internacionais.
Convém lembrar que, naquela área, estão cerca
de 20% da água potável existente no globo, com valor
estratégico extraordinário.
O que era, no
passado, uma mera ambição de expansão imperialista,
hoje representa uma real necessidade de sobrevivência no cenário
internacional. Fortaleceu-se, assim, a chama da internacionalização
da Amazônia, como bem de propriedade e usufruto de toda humanidade.
Para manter
nossa soberania na área, é fundamental e urgente:
- a implantação
de uma estratégia de defesa da região, que permita
desenvolver ações governamentais, de forma a possibilitar
a sua mais rápida integração ao restante do
País, em todos os campos do poder nacional;
- conferir tratamento
privilegiado e prioritário para desenvolvimento da área;
- estabelecer
incisiva oposição diplomática a qualquer intenção
internacionalista; e
- manter as
Forças Armadas com expressivo poder de dissuasão.
Como vemos, a responsabilidade de defesa daquele território
não é exclusividade da Expressão Militar, mas
de diversos segmentos da sociedade brasileira, para não dizer,
de todos os brasileiros.
Os Pelotões
Especiais de Fronteira, mantidos pelo Exército Brasileiro,
são, hoje, pequenos e, quase sempre, únicos pontos
de civilização junto à nossa fronteira Amazônica,
de mais de 11.000 km de extensão, com a esperança
de que, no futuro, se transformem em pequenas vilas e, até,
prósperos municípios, como aconteceu com Tabatinga
e São Gabriel da Cachoeira. Esses brasileiros, cerca de 80
pessoas por pelotão, incluindo familiares, apoiados pela
Força Aérea e pela Marinha de Guerra, são verdadeiros
heróis contemporâneos que têm por lema: Vida,
Combate e Trabalho, a nos mostrar, conforme palavras do General
de Exército Rodrigo Otávio, ex-Comandante Militar
da Amazônia, que ...árdua é a missão
de desenvolver e defender a Amazônia, mas muito mais difícil
foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.
O Brasil será
grande potência quando a Amazônia se desenvolver e for
permitido utilizar, como poder nacional, todo o expressivo potencial
de recursos que ela nos oferece.
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FORÇAS
ARMADAS NÃO SE IMPROVISAM
As Forças
Armadas Brasileiras vivem uma situação peculiar na atual
conjuntura. Ao mesmo tempo em que se tornaram um alvo
dos mecanismos e da propaganda globalizante , de forma
a torná-las inertes diante do processo, elas são mantidas
como réus da história e permanentemente
questionadas, diante da opinião pública, sobre seu papel,
quer nas últimas intervenções históricas,
que a vontade nacional forçou-as a realizar, quer na sua própria
destinação constitucional. Nos últimos anos,
essas Forças Armadas, prioritariamente voltadas para as funções
de defesas da Pátria e de fiel intérprete das aspirações
do povo de onde se originam, passaram a sofrer pressões externas
para se direcionarem para os problemas internos do País, assumindo
missões policiais que, constitucionalmente, não lhes
cabem. A lógica da tese parece irretorquível; não
existindo ameaças externas, é necessário repensar
o papel do segmento militar, tradicionalmente voltado para segurança
externa.
No caso de surgir
uma ameaça deste tipo, muito pouco provável, segundo
essas mesmas pressões externas, tropas multinacionais, pasmem,
garantiriam a defesa do País. O projeto serviria, também,
para o restante da América Latina e para o Terceiro Mundo.
Sem o ônus da defesa externa as Forças Armadas seriam
empregadas:
- no combate
ao crime organizado, em especial contra o tráfico de drogas,
que é considerado pelos norte-americanos como a maior ameaças
a sua própria segurança;
- na proteção
ao meio ambiente;
- na participação
em obras de infra-estrutura, etc.
Na verdade,
estejam os brasileiros atentos, a globalização,
que atende prioritariamente às grandes potências, não
tem interesse em Forças Armadas nacionais comprometidas com
a soberania ou com as funções de defesa, nos países
em desenvolvimento. Alguns brasileiros, por falta de esclarecimento
sobre o assunto ou por comprometimento com interesses duvidosos,
advogam este objetivo já indisfarçável do processo
globalizante e procuram desfigurar, dia mais, dia menos,
essa função instrumental, prevista no Art. 142 da
Constituição da República Federativa do Brasil.
Os militares
deste País sempre deram prioridade à Pátria,
antes de se preocuparem com suas próprias necessidades, em
todas as intervenções que a história registra.
Por isso mesmo se tornaram um fator de resistência nacional
aos interesses externos e puderam, nos momentos críticos,
exercer a função instrumental em benefício
da Nação e da preservação do Estado,
como, também, atuaram em vários campos afins às
suas atividades, participando do desenvolvimento sócio-econômico
do País. Por tudo isso, vêm recebendo, há muitos
anos, o mais alto grau de credibilidade em todas as pesquisas de
opinião pública realizadas em nosso território.
O vetor militar,
como toda Nação, precisa, urgentemente, crescer e
modernizar-se, de modo a dissuadir qualquer aventura intervencionista
em solo pátrio. Os gastos orçamentários com
ele, cerca de 0,7% do PIB, são pequenos para um País
com expressiva população e imensa área física.
É preciso ver que nenhuma nação moderna, que
pretende ser soberana, pode prescindir de Forças Armadas
sempre prontas, ainda que passe, muitos anos, sem entrar em guerra.
Faz-nos lembrar a justeza da frase, aparentemente paradoxal, que
diz: se queres paz, prepara-te para a guerra. A propósito,
assim se pronunciou, recentemente, o Comandante da Marinha e de
Guerra, Almirante Chagasteles: ...o surgimento de conflitos
no sistema internacional prescinde de ameaças previamente
vislumbradas. Conflitos nascem de interesses que entram em colisão
e que, em algum momento, perdem a capacidade de acomodação
negociada pela via diplomática. E, então, o diálogo
entre os atores prossegue com a aplicação de amplo
espectro de instrumentos de pressão, que alcança o
seu paroxismo na ação armada. Foi assim nas guerras
em que participamos e tem sido ao longo da história.
Rui Barbosa,
em sua obra Cartas de Inglaterra, já dizia: ...A
fragilidade dos meios de resistência de um povo acorda, nos
vizinhos mais benévolos, veleidades inopinadas, converte,
contra ele, os desinteressados em ambiciosos, os fracos em fortes
e os mansos em agressivos.
O nosso Comandante,
General de Exército Gleuber Vieira, quando da saudação,
em nome das Forças Armadas, ao Exmo. Sr. Presidente da República,
por ocasião da passagem do ano 2000, transmitiu àquela
autoridade, a consciência que têm todos os militares:
...uma Força Armada perde rapidamente sua qualidade
quando, por ingenuidade ou visão curta, o papel do estamento
militar na projeção de uma Nação é
subestimado. Sabem, igualmente, que muito custa, em tempo, esforços
e recursos, resgatar memória, reciclar conhecimentos, requalificar
pessoas, renovar auto-estima e recuperar eficácia.
Forças
Armadas com credibilidade não se improvisam.
Usar Forças
Armadas, compostas, em sua maioria, por jovens recrutas não
profissionais, no combate aos assaltos, seqüestros, roubos
e violência de toda a ordem é uma irresponsabilidade,
quando não leva em conta a natureza diferente entre a atividade
policial e a atividade militar, e é um desrespeito à
lei, quando não considera a destinação constitucional
da mesma.
Repensar o papel
constitucional das Forças Armadas, unicamente para legalizar
sua utilização no combate à criminalidade,
é demagogia que não vai resolver o problema da segurança
pública e, ainda, vai destruir suas estruturas organizacionais
e especificidades técnicas e profissionais, bem ao gosto
dos interesses internacionais, que não precisam, repetimos,
de Forças Armadas Nacionais comprometidas com a soberania
ou com a função de defesa. É mais conveniente
colocá-las na condição de Forças Policiais,
bem afastadas do contexto das definições políticas
do governo.
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CONCLUSÃO
O destino e a grandeza
do nosso Exército têm sido, desde a expulsão do
invasor holandês, nos Montes Guararapes, em 19 de abril de 1648,
quando nasceu, o de exercer o papel que espera e necessita a Nação
Brasileira: o braço forte na garantia de suas soberania e segurança;
e a mão amiga na solidariedade em todos os momentos.
Seus quadros,
hoje, como durante toda a sua história, estão diuturnamente
vigilantes na missão de defesa, inclusive diante do pretendido
desaparecimento da noção de pátria e da ilusória
prescrição da guerra, pelo advento do processo de
globalização da economia mundial.
Mas a globalização veio para ficar e o
Brasil não pode satisfazer-se com um papel subalterno no
Jogo de forças dessa Nossa Ordem Mundial. O nosso
desafio, neste momento, é saber, de forma patriótica,
colocar os interesses nacionais acima de tudo, aproveitar as oportunidades
que ele cria e combater a lógica perversa do sistema de relações
de poder, que rege um mercado elaborado pelo privilegiado Grupo
dos 7 e não por consenso de todos os povos.
As estratégias
de inserção do Brasil têm que ser definidas
por nós, levando em conta nossas realidades, nossos valores
e nossos ideais. Mas, para isso, precisamos resolver nossos principais
deveres de casa: crescer, crescer e crescer. O recente
resultado do PIB 2000, divulgado pelo IBGE, na ordem de 4,46%, alguns
outros índices econômicos satisfatórios e nosso
imenso potencial devem servir de estímulo a todos os brasileiros
na busca de um maior bem-estar para toda a Nação.
Mas uma coisa
é aceitar a incidência da globalização
na economia, outra é admitir que, por isso, o Estado Nacional
deve abrir mão de seus valores fundamentais. No quadro global,
fica evidente que soberania e autodeterminação são
princípios que passam a ser desconsiderados progressivamente,
dando lugar aos chamados Interesses Coletivos da Humanidade,
que acabam representando os interesses dos países do Primeiro
Mundo. As intervenções armadas, respaldadas ou não
pelo Conselho de Segurança da ONU, têm ocorrido com
frequência.
A nossa Amazônia,
com seus 5.000.000 de km2, possui 1/5 da água potável
do planeta, o que representa, hoje, uma preocupação,
pois já se fala, abertamente, que as próximas guerras
serão pela água. Sua floresta representa 1/3 das florestas
do mundo e possui o maior banco genético da terra, atrativo
permanente à cobiça internacional. São abundantes,
ainda, recursos econômicos, como petróleo, gás
natural e reservas mineralíferas. A par disso, existem, na
área, sérios problemas que se enquadram entre os rotulados
Interesses Coletivos da Humanidade, tais como a preservação
do meio ambiente, a questão dos índios, a exploração
desordenada do garimpo, que conduz a ilícitos e violenta
toda a natureza, e a agressiva atividade do narcotráfico,
além de conflitos fundiários, da presença de
cerca de 10.000 estrangeiros, dos quais 10% são clandestinos,
e, finalmente da ONGs que nem sempre têm caráter
eminentemente humanitário. Tais problemas precisam ser enfrentados
com vontade política e com muita determinação
por toda a sociedade.
O projeto Calha Norte, que muitos pensam ser um programa militar,
é, na verdade, uma ação integrada do governo,
que pode ser, desde que plenamente implementado, o início
de uma estratégia de defesa, bastante capaz de impedir que
as reflexões e preocupações relatadas se transformem,
no futuro, numa realidade extremamente amarga para o Brasil. Enquanto
isso, a bem da verdade, a presença brasileira na área
depende, quase que exclusivamente, de suas Forças Armadas.
Evidenciou-se,
de forma clara, que as Forças Armadas, mais do que nunca,
se fazem indispensáveis na defesa de nossos interesses. Não
devem ser afastadas de sua destinação constitucional,
sob pena de comprometimento dos princípios basilares de soberania
e autodeterminação, e necessitam de urgente modernização,
para que atinjam níveis de operacionalidade condizentes com
a estatura estratégica e com os compromissos internacionais
de um País que tem vocação para ser potência
mundial.
Neste início de século, quando são passados
353 anos da histórica vitória na Batalha de Guararapes,
marco do nascimento do Exército Brasileiro e da própria
Nação, a Força Terrestre, segundo diversos
pronunciamentos de seu Comandante, General de Exército Gleuber
Vieira, reafirma seu secular compromisso de garantir a soberania
e manter íntegro nosso País, participando, ao mesmo
tempo, do esforço solidário com os demais segmentos
da sociedade, na busca do desenvolvimento sócio-econômico
do Brasil, tudo dentro dos mais nobres princípios da Democracia,
objetivo permanente da Nação.
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