CENTRO INDUSTRIAL DO CEARÁ-CIC
CICLO DE DEBATES – CANDIDATOS À PREFEITURA DE FORTALEZA
Dep. LUIZIANNE LINS
AUDITÓRIO LUIZ ESTEVES – FORT. 26.10.04

Dr. ALEXANDRE PEREIRA (PRESIDENTE DO CIC)

Eu queria convidar aqui prá mesa aqui o Pinheiro, que é o presidente do PT municipal (APLAUSOS); O José Airton, presidente do PT estadual (APLAUSOS); e o deputado Artur Bruno, que tem sido o constante canal (APLAUSOS), tem sido o permanente contato, o canal de interlocução do meio empresarial com o Partido dos Trabalhadores, e é sempre muito bem vindo à nossa casa.

Um bom dia a todos! O CIC, como tradicionalmente vem fazendo, vem debatendo com os candidatos a prefeitura de Fortaleza, governador; e exercendo o processo democrático e a pluralidade que o CIC sempre exerce junto com seus associados e diretores. Nós, no primeiro turno, convidamos os principais candidatos prá debater e agora, no segundo, deixamos prá essa última semana, exatamente quando os debates já estão esquentando e as opiniões estão se firmando, nós achamos que era importante, nesse momento, trazer os candidatos.

Então, hoje, nós estamos conversando, vamos conversar aqui com a deputada Luizianne Lins, hoje terça-feira; e quinta-feira, com o deputado Moroni Torgan. Então, todos estão convidados também prá próxima quinta, quinta-feira próxima, estarem aqui no CIC.

O nosso debate, aqui no CIC, ele tem tido, deputada, uma dinâmica de 30 minutos pro candidato expor as principais idéias, e 1 hora para as perguntas. Como nós estamos aqui ½ hora atrasados e a senhora tem um debate na TV, logo mais; a gente já vai entrar direto nas perguntas, que eu acho que, prá poder agilizar, tá ok?

Antes eu queria ler um breve perfil da deputada Luizianne Lins: Luizianne de Oliveira Lins, 36 anos, natural de Fortaleza – 35? 35 (RISOS PLATÉIA). (COMENTÁRIO: aumentar a idade dela é complicado). O Artur disse que 36, é quando ela for prefeita (RISOS). Luizianne de Oliveira Lins, 35 anos, natural de Fortaleza, obteve 22,3% dos votos válidos no primeiro turno, tinha 6% das intenções de voto na primeira pesquisa do IBOPE em 24 de junho. O crescimento da candidata petista, a candidatura petista deslanchou na reta final. Em 24 de setembro ela foi a 11% e chegou a 18% na véspera da eleição, dia 2 de outubro. Luizianne é solteira, feminista e socialista; filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 1989 e milita nos movimentos de esquerda desde 1987. É jornalista, formada pelo curso de Comunicação Social da UFC; presidente do Centro Acadêmico (CA), em 1990; dois anos depois, Luizianne é eleita presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFC; e em 1993, diretora da União Nacional dos Estudantes, a UNE. Com a militância no movimento estudantil se credencia para o cargo de secretária estadual da juventude do PT. Logo que ingressa na faculdade, ingressa como funcionária pública, concursada, na Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (EMLURB), onde permanece durante dez anos; também trabalhou como pesquisadora e supervisora de campo no Instituto de Pesquisa Datafolha, assumindo por sete anos a vice-coordenação do Instituto do Ceará. Foi professora de fotografia do Colégio Batista Santos Dumont, entre 90 e 94; cumpriu, também, o curso de pós-graduação em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda na UNIFOR. É professora concursada no curso de Comunicação Social da UFC. Atualmente licenciada para o mandato de deputada estadual, como rege nossa constituição.

Foi a vereadora mais votada do Partido dos Trabalhadores em 96, eleita com 5.336 votos. E no ano 2000, reeleita. Na Câmara Municipal ocupou o cargo de presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto; e de presidente da Comissão de Defesa da Mulher, da Juventude e da Criança; criada na Câmara Municipal a partir de um projeto de resolução de Luizianne. Em 2002, foi eleita deputada estadual, tendo sido a quarta mais votada no Estado, e a mulher mais votada entre todas, com 60.821 votos.

Na Assembléia ocupa o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania; e é titular da Comissão de Agropecuária e Recursos Hídricos. É ainda suplente das Comissões de Orçamento/Finanças/Tributação; Educação, Cultura e Desporto; Ciência e Tecnologia; e de Defesa Social.

Sua atividade parlamentar prioriza, dentre as áreas de atuação, a educação, a juventude, a cultura, a sexualidade, o movimento popular; as questões de gênero, de meio ambiente, e de defesa dos direitos humanos.

Deputada, é um prazer tê-la aqui conosco. Eu vou iniciar a primeira pergunta, enquanto os convidados passam as perguntas prá gente. Nós estamos com duas moças aqui nas laterais, quem quiser ir passando, já pode ir passando.

Mas, a primeira pergunta, deputada, é a seguinte: nos preocupa muito, aqui no CIC, aqui na FIEC também, a questão da governabilidade. E nós sabemos que para se governar é preciso, principalmente, a questão do diálogo e a questão do entendimento com as diferenças, e a senhora, tradicionalmente, faz parte da democracia socialista que é a ala mais à esquerda do PT, que tem posições muito fechadas; inclusive, dificuldades de interlocução até dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. A pergunta é a seguinte: a senhora governando Fortaleza, como é que vai ser a formação de sua equipe, não só com a ala centro do PT – a ala mais moderada do PT –, como com os outros partidos políticos, com a sociedade civil, com os empresários. Como é que a senhora pensa na formação de sua equipe de trabalho?

Dep. LUIZIANNE LINS

Em primeiro lugar, bom dia! A todas e a todos. As mulheres aqui, parecem que estão em maioria, é uma alegria vê-las aqui e poder participar desse debate, ainda que curto. Parece que é a segunda vez que a gente vem prá cá, e pelo mesmo motivo que tinha um debate exatamente na TV Jangadeiro nós, não foi suspensa nossa conversa aqui, eu acabei conversando com uma pequena parte da diretoria da FIEC.

Mais eu quero dizer, que é uma alegria a gente tá aqui, porque a gente vem conversando com todos os setores da sociedade civil, com a sociedade de uma forma geral, com as pessoas organizadas nos bairros e desorganizadas também. E também com os chamados setores produtivos, onde a gente teve a oportunidade, já, de dialogar com alguns setores tão importantes prá economia do nosso Estado e da nossa cidade.

Bom! Eu acho até importante essa pergunta que o Alexandre me faz, porque desmistifica um pouco essa coisa das alas do PT, né? Que tem gente que tem até medo! Porque a forma que muitas vezes é trabalhado isso. De fato, eu componho um grupo, não só eu, o Zé Airton compõe um grupo, o Pinheiro compõe outro, o Bruno compõe outro. Então, assim, na verdade, todos nós somos de grupos diferentes. Prá vocês terem uma idéia, dos quatro petistas aqui, cada um faz parte de um grupo diferente. Tem gente que pensa que eu sou do mesmo grupo do Pinheiro, mas eu não sou do grupo do Pinheiro, né? (RISOS) – Já tá me chamando pro grupo dele aqui. Quer dizer, o Bruno é de um grupo e o Zé Airton é de outro, tem gente que pensa que o Bruno e o Zé Airton são do mesmo grupo.

Querendo dizer com isso, que essa dinâmica do PT é uma dinâmica muito particular, muito própria de como o partido se constitituiu. É uma dinâmica de muito, é... das singularidades que o partido foi adquirindo e a forma como ele foi conseguindo caminhar, mesmo com as diferenças internas, tendo uma perspectiva maior.

Então, a gente sempre diz que o PT ele pode ter a sua diversidade de posições, mas ele pretende ser um partido com unidade e ação. No entanto, essa nossa candidatura, desde o primeiro momento – deixando isso claro, Alexandre –, ela não teve esse corte de setores mais à esquerda e de setores mais moderados, não foi isso não! Foi uma, gente de cá foi prá lá, gente de lá veio prá cá. Gente que, muita gente dos setores mais à esquerda, que chamados, né? Foram apoiar a candidatura do Inácio. Outros setores das alas mais moderadas entenderam que eu era a candidata do PT, e vieram.
Então, não houve esta definição a partir daí. E isso prá mim é muito tranquilo, assim, porque a minha história de vida, de trabalho, a minha vida profissional, a minha vida, a militância na UFC, na militância na EMLURB, onde eu fui funcionária; sempre foi de muito diálogo. Eu sou uma pessoa que gosto muito de conversar, eu aposto na democracia como método. Acho que a democracia não é fim, ela é meio também. Ela precisa ser exercitada, eu digo que é difícil, é complicado; mas não inventaram coisa melhor prá você sintetizar, da melhor forma; uma proposta política, um projeto de vida, do que você abrir espaços democráticos. E aí você vê o que vai dar, a partir daí, das posições, enfim.

Então assim, rapidamente, depois desse primeiro momento, dessa vitória que nós tivemos no primeiro turno, o próprio Partido dos Trabalhadores tratou de se recompor; fui procurada por lideranças, como o Guimarães, o deputado Artur Bruno, o Zé Airton, que colocaram a perspectiva de que nossa candidatura, ela era uma candidatura absolutamente já unificada no partido, até porque a gente nunca, não tem esse esgarçamento de relação pessoal, né? É até difícil explicar mesmo! Que é uma coisa muito dinâmica do partido. E que nós estávamos agora para construir essa unidade do PT, aqui no Estado. Além disso, a executiva nacional do partido nos chamou, o presidente nacional do PT e as lideranças também unificaram a disputa, virou uma disputa nacional com o PFL, essa nossa candidatura. E, por fim, na semana, mais ou menos na semana retrasada, o presidente Lula me chamou em Brasília para dar apoio como petista militante e também prá dizer que tá torcendo por Fortaleza e colocou o governo federal, né? Com uma força! Na reconstrução da nossa cidade, né? Claro que, não só porque serei candidata, qualquer um outro candidato, certamente o governo federal estaria empenhado.

Mas, certamente, eu vou com a mesma garra que candidata, que mantivemos a candidatura, que chegamos no segundo turno, nós vamos começar um grande trabalho de reconstrução por Fortaleza. E aí não tem partido, e aí não tem corrente, aí não tem grupo, aí não tem setor social. É todo mundo que quiser vir, que queira contribuir prá que a gente possa começar reconstruir Fortaleza. Esse é meu critério, não é à toa que além do PT e do PSB, que foi a nossa coligação original, nós já temos o apoio de mais de sete partidos, né?

Nós tivemos, e eu fui pessoalmente, fiz questão de ir na sede de todos os sete partidos, como uma demonstração simbólica do respeito por esses partidos. Nós procuramos o PPS, procuramos o PCB, fomos à sede do PC do B – ontem o deputado Inácio Arruda veio prá campanha, mas até então, o PC do B, já tinha se posicionado –, fomos à sede do PV, a sede do PHS, a sede do PRP, e o PDT. Então, esses sete partidos, juntamente com os dois primeiros, hoje compõem um grande movimento da sociedade civil que a gente chama de “Movimento por Amor à Fortaleza”, que transcende esses interesses menores, né?

E aí eu posso dizer a vocês com toda franqueza, quem manda é a prefeita! E aí não tem dúvida, viu Alexandre. Porque na dúvida, na confusão, ou numa divergência, seja na sociedade civil, seja onde for quem manda é a prefeita! Né? Por que? Porque no final das contas tem que ter uma posição, a gente sabe que um governo não é uma coisa que pode se dar ao luxo de tá o tempo todo discutindo. Eu digo muito assim, quem me conhece sabe: sou assim. Eu gosto do diálogo, eu gosto do debate, eu adoro fazer debate filosófico-ideológico. Mas, eu gosto de ver as coisas acontecendo, eu sou objetiva em relação a isso. Quem acompanhou os meus mandatos como vereadora e deputada estadual, vê o tempo todo que são coisas que a gente tá sempre fazendo coisas, propondo alguma coisa prá sociedade, com campanha na rua, com debate, com projeto de lei. Quer dizer, tenho essa vontade de fazer, essa vontade de ver as coisas acontecendo.

E prá finalizar, eu digo que governar de uma forma alternativa, uma cidade. Eu digo alternativa ao que tá aí, porque a gente sabe que não é essa Fortaleza que a gente quer prá gente e nem pros nossos filhos. É preciso iniciativas de pequeno, médio e longo prazo. Ou seja, algumas coisas devem ser feitas imediatamente, outras nós vamos nos organizar prá isso; e outras a gente vai começar, vai iniciar nessa nossa gestão. Porque 15 anos de destruição do sentido da cidade, enquanto polis, a sua condição enquanto cidade ou polis, ela foi absolutamente agredida nos últimos 15 anos em Fortaleza. Ou seja, a questão das condições sócio-espaciais de Fortaleza, hoje, que nos últimos anos sofreu intervenções drásticas, de fragmentação da cidade; com determinados setores, cada um desenvolvendo uma política a partir dos seus próprios interesses; administração municipal sem... – me perdoem aqui a franqueza –, mas sem moral política nenhuma prá poder exigir, e organizar, e regulamentar a cidade nesse sentido, de construir uma cidade prá todo mundo. Então, eu acho que isso tudo vai fazer com que a gente não vai perder tempo com pequenas discussões, nem internas do PT e nem desse grupo que tá, desse grupão que tá aí.

Eu finalizo dizendo prá você Alexandre, que nós – inclusive com minha preocupação, fui vereadora dois mandatos e saí. Quando a Câmara Municipal quer, atrapalha e muito a vida de um prefeito, no caso de uma prefeita. Então, o que é que nós estamos fazendo: nós já estamos dialogando, construimos uma maioria. Já estamos dialogando com 30 vereadores da Câmara Municipal dos – inclusive – que teve 60% de renovação e nós – dos 41 –, nós já temos compromisso de 30 vereadores que vão apoiar, né? Claro que ninguém quer, ninguém quer, incondicionalmente, gente baixando a cabeça – que eu sempre fiz crítica a isso –, a uma Câmara subserviente. Mas, 30 pessoas que nós vamos ter um patamar de diálogo e um patamar de respeito na relação política. Porque não é porque o cara não é do meu partido que eu vou negligenciar o pedido dele, se ele tá sendo o representante legítimo de uma comunidade. Então, eu acho que a governabilidade começa pela Câmara Municipal. Você ter uma Câmara aliada de um projeto político de reconstrução da cidade.

Dr. ALEXANDRE PEREIRA

Muito bem! Bom! Fazer aqui uma pergunta, aqui da Wânia Dummar, que é vice-presidente do CIC. Ela pergunta o seguinte: independentemente do rank que a população criou. Na sua opinião quais são os três maiores problemas de Fortaleza? Em que a senhora vai atuar mais rapidamente, estando à frente da prefeitura?

Dep. LUIZIANNE LINS

Essa discussão toda, né? Que a Dra. Wânia aí, prazer! Essa discussão toda que se criou em torno. Por exemplo, eu vou citar o exemplo da segurança pública, que eu digo que virou a panacéia eleitoral, né? – do primeiro turno e uma tentativa no segundo, né? Onde se tenta criar vários livros aí – eu tou com um agora: lendo um, que é essa história da cultura do medo. A quem interessa a cultura do medo, a quem interessa a cultura do medo, a quem interessa que a gente viva com medo! E a segurança veio à tona nesse processo eleitoral por um motivo muito simples: todas as pesquisas internas, externas, qualitativas, quantitativas, todas! Apontam a segurança pública, junto com a saúde, e a questão do desemprego como os principais problemas da cidade. Isso aí, em todo o canto, aí não tem mágica nenhuma. Pode ser a pesquisa mais mal feita do mundo, ela vai apontar essas três questões.

Então, qual é a nossa prioridade diante disso? Ninguém pode negligenciar. Por exemplo, a segurança pública é uma função constitucional do Estado. Todo mundo sabe disso. Efetivamente, a segurança pública, ela é movimentada toda pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. No entanto, eu acho que a prefeitura não pode lavar as mãos prá isso. E essa questão da guarda municipal ela pode sim, ser uma guarda municipal. Hoje você tem, 1.100 homens. 1.100 homens para uma cidade como Fortaleza, é muito pouco. A gente pode dobrar, isso custa pouco, a gente pode dobrar. Isso custa em torno de 18 milhões de reais por ano, prá manutenção da guarda municipal. É possível dobrar o contingente de homens. Mas, só que, constitucionalmente, a tarefa da guarda municipal é proteger o patrimônio público. E aí você pode imaginar esses guardas municipais nas praças; nos terminais de ônibus, onde é um grande número de roubo que acontece, são nos terminais de ônibus – onde poucos frequentam aqui. É uma coisa muito grave! Seis horas da manhã você tá sendo assaltado em terminal.

A questão também das escolas. A gente sabe da violência nas escolas públicas, onde alunos, infelizmente, acabam andando armados nas escolas.

E, também, esses guardas municipais estarem nos parques públicos. Fortaleza tem pouquíssimos parques públicos e ainda assim, os que têm, você não pode andar, porque são abandonados.

Eu falei da segurança Wânia, porque, prá dizer que a gente vai se preocupar com isso, nós queremos imediatamente integrar o núcleo da guarda municipal com a segurança pública do Estado, prá exigir do governo do Estado o efetivo necessário prá Fortaleza. Porque não dá prá gente imaginar que vai resolver só por aqui os problemas de segurança pública e também atacando a questão social. Essa é o, é a grande saída contra a violência.

E eu vou citar a saúde, porque a saúde tem sido um querer importante prá mim nessa... – eu finalizo com isso. Porque que eu acho que a saúde pública deve ser prioridade. Vocês já devem ter ouvido muito o povo dizer assim: – não! A gente tendo saúde, a gente corre atrás do resto, né? É muito comum. É um ditado popular muito sábio. E isso por que? Porque 62% do nosso povo não tem acesso a um plano de saúde particular, como nós aqui que temos acesso a um plano de saúde particular, a grande maioria aqui. 62%, mais da metade da população não conta com isso. Então, a saúde pública tem que funcionar! E pode funcionar! Não é gasto pouco dinheiro na saúde em Fortaleza não – diferente do que se pensa, ele é mal empregado. Só o IJF, por exemplo, ele consome – tava orçado agora prá 2004 – 103 milhões de reais no IJF. O que ocorre é que o Sistema Único de Saúde, no momento em que ele surge, ele tem, a perspectiva dele é: Atenção Básica, que se constitui nos postos de saúde e nos chamados UBASF (Unidade Básica de Atenção à Saúde da Família); você tem a Atenção Secundária, que entraria o que? As consultas especializadas etc; e a Atenção Terciária, que é a chamada “alta complexidade”, que é, no caso, o IJF. Como nós só temos 15,4% de atendimento do Programa de Saúde da Família, ou seja, pessoas que são atendidas. O que é o Programa de Saúde da Família? – prá quem não sabe – a OMS, a Organização Mundial da Saúde, estima que prá cada 4.500 habitantes você tem uma equipe multidisciplinar, que tenha médico, enfermeiro, dentista, agentes comunitários, agentes de saúde; prá que eles possam tá visitando, mesmo, as pessoas em casa; orientando as pessoas em casa e tratando problemas assim, muito básicos, que podem conviver. Doenças que podem ser convividos em casa, por exemplo. Vou dar um exemplo bem, vocês vão entender bem rapidinho: se você pegar, por exemplo, a população que tem diabetes, ou que tem hipertensão, ela deveria tá sendo cuidada em casa, com acompanhamento sistemático, inclusive com a distribuição dos remédios que controla a pressão; como isso não acontece, essas pessoas vão convivendo com a doença de forma, da pior forma possível, aí ele complica a situação delas e elas vão já quase em situação terminal para a “alta complexidade” IJF. Como nunca tem leito suficiente, exatamente por isso, que a Atenção Básica ela não é priorizada. Ou seja, a pessoa morre esperando uma fila na UTI do IJF.

Então, o que nós estamos pretendendo na saúde? – viu Wânia – nós estamos pretendendo fazer uma verdadeira inversão dessa lógica. Nós estamos pretendendo implantar, e nós podemos fazer isso. Nosso orçamento permite, que em dois anos a gente possa – no primeiro e no segundo ano – ampliar de 95 equipes do Programa de Saúde da Família, que é atualmente 15,4%, para aumentar 60% disso aí, chegar a 300 equipes. E com a ajuda do governo federal, que nós vamos batalhar – nós temos aqui, essa semana, a presença do ministro que participou de um comício conosco. Nós vamos batalhar prá que a gente chegue, nesses quatro anos, a 100% de cobertura do Programa de Saúde da Família.

No interior do Ceará, gente! Muitos locais já resolveram esse problema de ingresso na saúde pública, que acabou a humilhação das filas. Tá aqui, Sobral é 100% de universalização – onde o Odorico tava trabalhando, 100% universalizada. Então, isso daí é bom prá todo mundo, porque, eu acho que não ter direito a você ter uma vida saudável, você não ter direito a tratar uma doença que tá no seu próprio corpo, isso é muito forte! Dá baixa estima – digo, né? Nem auto-estima –, é para baixa-estima de muita gente. Você tá com uma doença que você – uma mulher – vai prá uma consulta ginecológica, minha gente! É, três, quatro meses, prá ela voltar lá prá ser atendida. Se ela tiver com algum problema, a doença vai avançar. Então, eu acho que a pior indignidade, hoje, o direito humano fundamental, prá mim, é o direito a saúde.

Então, viu Wânia. Tem tantos outros aí, se eu for falar, educação é qualidade, que a educação tem um acesso relativamente grande no ensino fundamental, o problema agora é a quantidade que vai ter que melhorar. E por aí vai. São muitos problemas.

A questão do trânsito que é caótica. É tanto problema que essa cidade acumulou, que é difícil você apontar assim qual é a prioridade.

E por fim, a prioridade que eu acho que a sociedade vai ter que fazer uma grande mobilização, além dos 60 dias, né? Vocês sabem que nós temos em 60 dias um plano: “Fortaleza Bela”, né? Nós vamos limpar a cidade e tapar os buracos. Agora, não vamos tapar buracos, eu já disse pro setor – inclusive, já disse prá, esse setor que trabalha com essa questão da asfaltagem e tudo –, que nós não queremos tapar buraco prá no ano que vem tá tapando buraco de novo. Prá depois, no terceiro ano, tá tapando de novo não! Tem que fazer bem feito. Aí nós vamos ter uma fiscalização rigorosa, porque nós queremos pagar direitinho, atrasar ninguém, acho isso, é correto. Essa relação tem que ser respeitosa: do empresário com o poder público. Mas também, nós vamos exigir o melhor serviço, porque se eu gasto o dinheiro tapando os buracos no primeiro ano, eu tenho que, pelo menos, não gastar nos anos seguintes, quero gastar com outra coisa. Não ficar fazendo uma coisa mal feita, uma porcaria, que quando é no ano seguinte tem que fazer de novo.

Então, essa questão de limpeza em 60 dias, nós vamos viabilizar; e as áreas de risco, que nós vamos mobilizar a sociedade toda! Prá buscar imediatamente, pelo menos, atenuar a chuva que vem em abril. E que a gente não tenha ninguém! Sendo, ou morrendo, ou passando por humilhação, ou perdendo as coisas por uma, que eu chamo crônica – não sei se vocês já viram esse filme, né? – que era “Crônica de uma morte anunciada”, eu digo que a questão das áreas de risco é “Crônica de uma tragédia anunciada”. Então, já que tá anunciada, a sociedade toda tem a responsabilidade da gente se mobilizar, prá tentar minimizar os efeitos das chuvas sobre as áreas de risco.

Dr. ALEXANDRE PEREIRA

Deputada, eu sei que é difícil, mas vou pedir prá senhora responder em cinco minutos, porque eu tenho mais umas 25 perguntas aqui. Só se a senhora não for pro seu debate. (RISOS PLATÉIA)

Dep. LUIZIANNE LINS

Deixa eu lhe dá uma sugestão: faça as perguntas... (Dr. ALEXANDRE PEREIRA: em bloco?). Em bloco, que eu anoto e depois...

Dr. ALEXANDRE PEREIRA

Eu já tou aqui juntando três ou quatro, (é porque essas primeiras eu sabia que ia demorar um pouco mais).

Bom! Vamos aqui falar então sobre a questão de atração de investimentos. A pergunta é do Eduardo Arraes, que é diretor do CIC. E, juntamente com a pergunta do José Dias, que é presidente do Sindquímica, aqui da FIEC. A pergunta deles é o seguinte: Fortaleza perdeu para o Euzébio um núcleo de 14 empresas de informática, por falta de acordo quanto a ISS; se a senhora tem algum plano de atração, de incentivo a empresas e, se tem, prá quais setores. E aí, nós também perdemos diversas indústrias ali da área Barra do Ceará, né? Jacarecanga que foi para Maracanaú.

E o José Dias, do Sindquímica, pergunta: qual a posição da senhora, sendo prefeita, em relação às empresas industriais instaladas na área metropolitana de Fortaleza, quando sabemos que as últimas administrações têm resistido à presença dessas empresas em Fortaleza, forçando a relocalização prá distritos industriais em cidades próximas. E ele complementa, pergunta se o setor de compras da prefeitura dará prioridade ao consumo de produtos fabricados em nosso Estado, especialmente em Fortaleza.

Dep. LUIZIANNE LINS

Bom! Primeira coisa que a gente tem que pensar estrategicamente prá administrar uma capital, é pensar no seu “em torno”, ou seja, na sua região metropolitana – quero cumprimentar Ana Lúcia, empresária lá daquele setor, lá do Maracanaú; já tive oportunidade de tá com ela por lá. E o que a gente observa é que nós temos cidades importantíssimas aqui, no “em torno” de Fortaleza. Uma região metropolitana relativamente... primeiro, acesso fácil e que tem um Produto Interno Bruto alto, como Maracanaú, como Caucaia e que a gente não vê integração nenhuma. Hoje, gente! Não se planeja cidade nenhuma se não se pensar o planejamento dela todo, de forma estratégica com a região metropolitana. Então, isso daí a gente inclusive, já tá organizando, né? A gente não pode fazer isso prá – porque eu digo que eleição só se ganha depois que contam os votos, né? Então, você não pode, em nenhum momento, tá avançando aí. Mas assim, já está pensado, né? A gente ia fazer até isso, até prá entrar no nosso, nessa segunda parte do programa de governo, um fórum de prefeitos das regiões metropolitanas. Porque eu acho que tem que ser um fórum permanente, que possa tá o tempo todo trocando exatamente essas dificuldades, inclusive, essa discussão da carga tributária, porque eu acho que isso, em cada setor tem uma especificidade, sabe Alexandre! Não dá prá você dizer que... eu até prá... cada setor tem uma especificidade que precisa ser tratada nesse plano de justiça fiscal, de justiça tributária.

Eu sou daquele pensamento que eu acho que, não dá prá você sempre, você resolver a crise fiscal do Estado, ou da prefeitura, ou do governo federal nas costas de quem não pode mais pagar, porque quebra. É uma questão lógica, é uma soma absolutamente óbvia. Então, é claro que a gente quer o setor produtivo gerando emprego. Porque emprego? Tem 165 mil pessoas em Fortaleza que estão desempregadas – pelo SINE –, mas isso é prá quem tá procurando emprego, porque deve ter muito mais, né? Esse peso aí é só o que é registrado no SINE. Então, a gente vai ter que facilitar a inclusão dessas pessoas no trabalho. E aí nós estamos – se existe uma coisa que eu quase não durmo mais pensando e lendo, são experiências de geração de emprego e renda dentro do município. Ou seja, a sua parte a prefeitura vai fazer e quer que o setor empresarial, ele faça bem a sua.

Então, eu digo isso, eu não tenho medo! Fiquem tranquilos, que nós vamos ter todo o espaço do mundo prá dialogar. Nós estamos brigando com o setor produtivo, até porque nós precisamos do setor produtivo prá fazer a cidade dar certo. Os pequenos e médios negócios, prá nós, serão tratados também com prioridade. Vocês sabem que tem um deslocamento forte de muito comércio prá os bairros, no caso da periferia da cidade; e muita gente aí, qual é o grande problema deles, hoje? O grande problema é segurança. Toda semana são saqueadas as... não tem, toda e toda semana, pequeno negócio, médio negócio eles sofrem um roubo, eles sofrem. As pessoas estão gradeadas, mas não tem jeito!

E só prá finalizar, com relação a proposta de – é assim, eu sou muito bairrista nesse aspecto. Eu acho o que nós pudermos produzir no interior do Estado do Ceará prá ser comprado pela prefeitura de Fortaleza, nós vamos fazer, inclusive incentivar isso, por exemplo – vou dar um exemplo –, nós estamos discutindo junto com a Universidade Federal do Ceará. Fui ao Centro de Tecnologia da UFC, discutir, porque tem um professor-doutor aqui, que tá, veio prá cá exclusivamente prá pesquisar a questão da biodiesel, a partir da mamona, né? Você pode extrair o biodiesel de outras plantas. Mas, enfim, a mamona aqui prá nós tem tudo a ver, porque? Porque você pode constituir um pólo no interior do Estado de produção de mamona. O que você não pode fazer, é começar e depois não ter mais a matéria-prima prá você dar continuidade. Então, tem que ser uma coisa sustentável, absolutamente sustentável. Porque aí você, você mantém o homem e a mulher no campo, ou seja, evita de que muitos irmãos nossos venham prá Fortaleza prá escapar, a verdade é essa. Eu digo isso, porque sou deputada estadual e, no ano passado, eu visitei 30 municípios do interior, e a pobreza é, gente! É uma coisa absolutamente absurda! Nós temos 55% do nosso povo ainda vivendo a baixo da linha da pobreza, principalmente localizados no interior do Estado do Ceará.

Então, quando esse pessoal vem prá áreas de risco, é a mesma coisa que, quer dizer, eu ainda digo que tem muito mais gente pobre aqui do que no interior, é bem verdade. Por que? Porque lá tem o sentido de comunidade, as pessoas estão ali, tem um vizinho que se solidariza, tem um outro ali que arranja. Quando na verdade vêm prá Fortaleza, vão prá uma área de risco e acaba virando um “mundo cão” prá essas pessoas. Então, essa parceria com prefeitura/ incentivos fiscais – também não tenho medo de falar em incentivo fiscal –, isso aí vai ser tratado, a gente vai conversar sobre isso, inclusive vendo setor a setor.

Eu tenho muita vontade de – por exemplo – trazer uma discussão prá cá, prá Fortaleza, que é a questão. Por que que a gente não pensa, por si, fazer aqui um grande pólo produtor de sorvete? Né? Uma coisa... – eu gosto muito de sorvete, né? Mais não é por causa disso não! – é porque eu acho que nós temos já uma tradição nessa questão de sorvete de vários sabores diferentes, onde a gente podia ter uma marca aqui do Ceará que pudesse ser exportada – outro dia eu conheci um empresário que eu fiquei super feliz, no aeroporto, quando eu estava voltando de Brasília, ele veio, se apresentou, e me disse que era um empresário exportador de artesanato. Quer dizer, tem muita coisa que a gente pode pensar, apostar no nosso povo, apostar nos empresários. Porque do jeito – é que nem político –, o pessoal diz assim: – Ah! Mas tem gente que tem preconceito com empresário etc e tal. Do mesmo jeito que tem político que não vale nada, também tem empresário que não vale nada, né? Me perdoem aqui a franqueza.

Mas a gente tem que buscar o que tem de melhor! Essa é a questão. Pessoas que estão, e tenho certeza que tem empresário muito sério e que tá “a fim” que essa cidade seja outra, porque cria sua família aqui, tem seus filhos aqui... (PAUSA) ...o filho em casa porque não pode sair com medo da violência que tá estabelecida.

Então gente! Vai ter muito diálogo e com relação não tão fechada prá questão de isenção, da isenção, de você está trazendo atrativos. A minha crítica, que eu tenho perguntado isso, por causa disso, se eu faço uma crítica, essa questão do FDI, do Estado, mas por que? Porque muitas empresas vieram prá cá, elas se utilizaram do FDI e depois elas foram embora e deixaram aqui o rombo. Isso é verdade. Não tou dizendo que são empresas cearenses, cearenses, não! Mas vieram de fora, tudo que puderam extrair aqui de incentivos, extrairam e depois “se mandaram”. Isso daí não é uma política correta.

Então, prá uma empresa que tem um balanço social efetivo, que possa tá contribuindo com a cidade. Olha gente! O diálogo é completamente, tá completamente aberto, todos eu vou receber muito bem. Não tem confusão, briga de... – primeiro que eu quero governar, não vou querer passar quatro anos administrando conflito. Eu tou disposta a colocar Fortaleza noutro patamar de civilização urbana. Acho que nós temos todas as condições prá fazer isso, e nada melhor do que a gente conviver com as diferenças e ao mesmo tempo, conviver bem! Onde todo mundo possa ganhar com uma cidade melhor.

Dr. ALEXANDRE PEREIRA

Deputada, o CIC tem um programa de formação de líderes, se chama Escola de Formação de Gestores Públicos e Privados, que é uma continuidade da Escola de Formação de Governantes, que foi fundada aqui no Ceará a 12 anos atrás. E ela estava num processo de fechamento e o CIC, então, trouxe prá cá. Então, nós temos aqui alguns alunos dessa escola, são diretores do CIC e convidados. A pergunta é de um aluno da Escola, o Sérgio, que pergunta o seguinte: na página 5 do seu programa de governo a senhora diz que o capitalismo vem se exaurindo que tem plena consciência de sua superação. Se a senhora despreza o capital, como ousa prometer solucionar os graves problemas de Fortaleza. E complementa perguntando, o que significa “marxismo-esotérico”. (RISOS PLATÉIA)

Dep. LUIZIANNE LINS

(RISOS) Ah! Essa... Eu vou... Essa é muita engraçada! Essa do marxismo. Não! Eu tou achando engraçado essa história do marxismo-esotérico, né? Que o... (RISOS)

Bom! O que eu quero deixar também muito claro prá vocês, até porque ficar se utilizando de má fé na televisão, principalmente o adversário do PFL; tentando confundir as pessoas criar, na minha opinião, “chifre em cabeça de cavalo”, como o povo diz, né? Do ponto de vista ideológico-filosófico, eu sou uma cidadã, que sonho com uma sociedade de igualdade social. Esse é o meu projeto estratégico mais global – eu até fiz especialização em Publicidade e Propaganda, mas hoje eu sou mestranda (o mestrado tá trancado) em Filosofia Contemporânea pela UFC. E, então, no ponto de vista de uma sociedade, eu acho que a sociedade global, ela vai ter cada vez mais globalizar as coisas que dizem respeito aos seres humanos: a solidariedade, o amor, a verdade, as relações mais humanas, o cuidado com o outro. Eu acho que isso daí é a sociedade avançada, que a gente tem que perseguir. Então assim, isso é um propósito que eu tenho, global, de vida, de vida, de militância, por isso eu tou no PT e não no PFL e etc e tal.

Agora, uma coisa é isso, outra coisa é administrar uma cidade – como é o nome do jovem? (Dr. ALEXANDRE PEREIRA: Sérgio) Sérgio. Outra coisa, Sérgio, é você administrar uma cidade. Eu tenho plena consciência de que, eu não posso fazer Fortaleza uma cidade socialista, nós estamos nos marcos de uma sociedade capitalista e eu vou ter que gerir uma cidade nos marcos, nos marcos dessa economia. Eu não tenho dúvida, quando a gente tem aqui, é porque a gente quer deixar claro, a gente não precisa tá enganando ninguém! Do que é – a gente pensa pro futuro, né? –, de vida, de perspectiva histórica que eu possa não ver, meus filhos pode não ver. Mas, um dia eu acredito que a humanidade vai ser muito mais feliz do que é hoje. Porque nós temos seis bilhões de pessoas, tem três bilhões pobres miseráveis. Dos seis bilhões tem... – oi! Alô! – Seis, três bilhões que tão morrendo de fome.

A tecnologia permite tudo, até – eu sou professora de fotografia, vídeo; fotografia, vídeo, foto-publicidade e foto jornalismo. A tecnologia da imagem gente! Da imagem digital é uma coisa absolutamente, a velocidade dela é impressionante. É tudo maravilhoso, assim de deixar o olhar cada vez mais absorvido, fascinado. Em contrapartida, nós temos que conviver com a fome no mundo. Tem uma coisa errada! Então, isso é um ponto de vista meu, geral. O PT se define como um partido socialista e nem por isso o Lula foi fechar, acabar com as empresas, ao contrário, tá é se relacionando muito bem, inclusive tem um núcleo de empresários do PT – que eu já conheci uma grande parte deles – que hoje atua entendendo isso, gente! Uma coisa é o governo, uma coisa é governo de uma cidade como Fortaleza, né? Outra coisa é uma perspectiva histórica-filosófica-política que a gente defende, que a gente sonha. Todo mundo tem o direito de sonhar. Agora, seu eu não vou dizer: – Ah! Eu vou brigar com os capitalistas da cidade, eu não! Eu quero é que eles me ajudem a diminuir o desemprego. Porque eu tenho esse desafio como prefeita. É essa minha missão. Então, eu não tenho que tá batendo cabeça com ninguém. Eu tenho que dá resposta pro povo de Fortaleza. E, se eu preciso do setor empresarial prá isso, eu vou contar com o setor empresarial, pode ter certeza disso! Porque a gente não pode assim, a gente tem que entender o que nós estamos fazendo: é governando Fortaleza. E governar Fortaleza nós vamos ter que dialogar com todo mundo, respeitando o setor produtivo. Porque, prá mim, atraso em conta, é não sei quanto, isso aí não é respeito com o setor produtivo. E eu, não se preocupe não, que eu sou uma boa pagadora. Eu acho, se prestar um serviço bem feito tem que ser devidamente remunerado. Agora, claro, que sempre a gente não agrada – o povo não diz, né? Nem Cristo agradou todo mundo, né? Quem dirá eu, uma reles mortal. Mas, quero dizer prá vocês que, com relação a isso, fiquem tranquilos, que vocês não vão ter surpresas, tudo que vai acontecer, ou que vai deixar de acontecer, vai ser conversa mesmo!

Esse mesmo espaço aqui, podem me convidar quantas vezes for necessário, que eu venho debater com vocês. Eu acho que isso é princípio da democracia. (Dr. ALEXANDRE PEREIRA: muito bem! Deputada...) E o marxismo-esotérico (RISOS). Deixa eu explicar aqui. (RISOS PLATÉIA).

Toda minha formação acadêmica, lia muito, né? – apesar de fazer jornalismo – os teóricos de jornalismo, né? O Marx, o Adorno, o Horkheimer, o Matteucci; todos eles eram marxistas, nessa compreensão, eles transformaram – já que eu estudei os meios de comunicação de –, eles faziam essa coisa de capital, né? O capital e o trabalho, eles transpunham um pouco para essa visão de mídia, né? Que era os que, até o Humberto Eco disse que era os “apocalípticos” e os “integrados”, né? O Humberto Eco tem um livro que chama exatamente assim.

Então, eu digo que eu tenho. Eu, do ponto de vista da leitura, da sociedade, eu sou marxista. O que Marx diz do ponto de vista filosófico? O que Marx diz, que a sociedade é dividida em classes sociais e que, essas classes sociais, é que movimentam, são o motor da história. É isso.

Então assim, a partir disso, eu entendo a sociedade também assim, por isso eu me digo marxista nesse sentido da leitura, de Filosofia. Agora, o marxista clássico, né? O geral, aquele que se diz marxista clássico, do ponto de vista teórico! Aquele comerdozinho de livro e tudo, ele é dogmático, ou seja, ele não consegue entender as mudanças. Porque antes você tinha uma linha de produção, que era o que? Era fordismo, o taylorismo, né? Que era a produção em série, hoje tá totalmente diferente. Então só não vê quem é doido! Então, esse marxista dogmático, quer dizer, eu me coloco bem longe dele. Primeiro que eu não gosto. Isso aí é porque o pessoal insiste tanto na pergunta, que você tem que dá uma resposta.

Mas assim, eu não gosto nem de ter nem um tipo de. Não gosto nem de ter... (MEMBRO DA PLATÉIA: rótulo) rótulo. Rótulo, rótulo, rótulo. Se existe, qual é o rótulo da Luizianne? Não ter rótulo. Prefiro ser exatamente livre de qualquer rotulação, apesar de você... – é difícil, né? Todo mundo tem uma prá dá prá você, mas, enfim. Então, não gosto de, mais aí, isso aí prá mim foi uma forma de eu dizer o seguinte: o marxista clássico é voltado, aquele ateu ele, ateu que, ele é mais cético em relação à questão mesmo da espiritualidade e tudo. Então, esse é o marxista clássico, é como Marx faz, é exatamente.

Mas, eu digo que sou esotérica, por que? Porque eu sou uma pessoa de fé, eu acredito em Deus, eu acredito nas forças, nas energias positivas, né? Eu tenho um sentimento diante da vida, de que a vida humana ela é muito mais do isso que tá aqui, eu tenho um sentimento de que – o que eu tenho ganho de “Nossa Senhora”, de escapulário e de coisas que as pessoas têm me dado, eu tenho certeza que tem ajudado na caminhada da gente, tenho certeza disso! Né? Só prá vocês terem uma idéia, eu não conto isso, senão o pessoal vai dizer que, se eu disser aí, nos meios de comunicação, vão dizer que eu tou apelando, né?

Mas, quando o galpão do nosso comitê. Tava um galpão abandonado, quando começamos a escavar, prá limpar, prá pintar e tudo, tinha uma “Nossa Senhora” que foi, tava enterrada lá. E, hoje, essa “Nossa Senhora”, até hoje, tá lá; todo mundo cuida dela prá ninguém carregar. Tá lá a “Nossa Senhora"!

Então, esses sinais, prá mim; essas coisas eu acredito piamente nisso. Então, eu não posso dizer, se eu disser, simplesmente que sou marxista, eu estou deixando de dizer que eu não sou uma dogmática, que eu não sou uma incapaz de perceber as transformações na sociedade. Então eu sou esotérica por isso, porque eu acredito na força, na espiritualidade, da vida, de Deus. É só isso. É uma brincadeira prá dizer que não sou dogmática, que aí – me perdoem aqui –, ou por má fé, ou por ignorância, o adversário do PFL tem usado isso como se fosse muito, muito (RISOS). E aí, o que o povo não sabe, e aí... (COMENTÁRIO DA PLATÉIA – INAUDÍVEL). É isso! (COMENTÁRIO DA PLATÉIA: uma coisa completa a outra). Isso! (COMENTÁRIO DA PLATÉIA: ...complementariedade). Isso! É como se a gente tivesse trabalhando com a dialética da vida, né? É aquela coisa mesmo que... – tem uma coisa muito clara disso, eu gosto muito de ler, é o Leonardo Boff, né? Ele fala muito disso, nessa questão da espiritualidade. Então é isso aí! Ai vem essa coisa tentando transformar. Eu disse que (RISOS), daqui a pouco vão dizer que quando eu tiver fazendo alguma coisa na prefeitura: – Tá vendo! Ela não disse que era aquilo, né? (RISOS).

Dr. ALEXANDRE PEREIRA

Tá bom! Deputada, a pergunta aqui do Ricardo Sales, que é presidente do Sindpan, aqui da Federação das Indústrias, e tá dentro daquela linha que a senhora tava falando, ele pergunta como será o entendimento da prefeitura com as entidades sindicais, se haverá canais de diálogo permanente.

E eu vou lhe explicar exatamente o que ele tá dizendo: hoje o Governo do Estado, logo que o governador Lúcio Alcântara assumiu o governo, ele montou uma câmara de acompanhamento permanente. Ele convidou a Federação das Indústrias, juntamente com o CIC e algumas entidades. Criou uma câmara de acompanhamento permanente das decisões governamentais, uma espécie de Conselho Informal, mas ao mesmo tempo, formalizado pelo governo, informal. Porque ele não tem uma gestão sobre as ações, mas ele tem uma gestão sobre aconselhamento. A pergunta dele: como é que vai ser esse entendimento. E complementando a pergunta, se a senhora vai manter o modelo descentralizado de gestão através das Secretarias Executivas Regionais, ou se a senhora vai mudar. O que a senhora acha desse modelo.

Dep. LUIZIANNE LINS

Eu vou pedir prá você avançar um pouco mais nas perguntas. Sou tou preocupada com o adiantado da hora, tá certo? (Dr. ALEXANDRE PEREIRA: Certo). Em função, é porque é debate ao vivo, gente, e aí daqui a pouco o outro corre prá lá prá dizer que eu não vou. E aí eu tenho que tá preocupada também com isso. Eu tenho que tá preparada prá tudo.

Dr. ALEXANDRE PEREIRA

Então. Então complementando, a questão da corrupção. O Magalhães, que é diretor do SESI/SENAI pergunta: suspeitas de corrupção foram lançadas sobre a atual administração em diversas ocasiões. De que forma a senhora pretende dar transparência a sua gestão, caso eleita, e como procederia em casos envolvendo pessoas de primeiro escalão. (Dep. LUIZIANNE LINS: essa é boa!).

Então, nós estamos falando aí de três perguntas: o entendimento efetivo com a sociedade civil, através das entidades de classe; a forma de gestão, se vai ser através de secretarias executivas; e a questão da corrupção. A senhora tem cinco minutos.

Dep. LUIZIANNE LINS

Bom! Então eu vou tentar aqui ser breve. Com relação essa questão da... eu acho que a gente pode criar esse conselho sim. Pode permanecer um conselho da prefeitura aqui, se realmente for, de forma sistemática, e possa ter o conselho dos empresários. Tanto dos empresários que prestam serviço à prefeitura, como também dos empresários que vivem na cidade, que sofrem com qualquer política que a cidade possa alterar.

Então, eu me comprometo diante mão, com vocês aqui, a isso. Eu acho que isso aí é o que vai resolver grande parte dos nossos problemas e das desconfianças que possam haver em relação a nossa postura.

Com relação à questão da forma das regionais, veja bem! O princípio de descentralização das regionais foi correto. O princípio fundamental era: descentralizar prá que a sociedade tenha mais perto dela o poder público e, ao mesmo tempo, criar a intersetorialidade das políticas, ou seja, saúde tá interligada com educação, que tá ligada com transporte, que tá ligada com saneamento. Então, a intersetorialidade e a descentralização são corretas do ponto de vista da estrutura administrativa. Mas o que que aconteceu? O que aconteceu é que acabou se criando feudo de poder político de vereador nas regionais. Então, determinado empresário, ou determinado usuário Poder Público, eles precisam tá intermediando por isso. Isso é um escândalo! Isso nós não vamos aceitar! Porque eu acho que a regional, ela tem que tratar o usuário ou o empresário que participa de uma licitação, se já o que for, de forma respeitosa e sem ter jogo de “carta marcada” minha gente! Eu me lembro demais, que o pessoal diz assim: – eu tou com problema lá na minha área, porque o esgoto, não sei o que, estourou, qual é a sua regional? Ah! A regional II! É do fulano de tal – fulano de tal era vereador, né? Então, ou seja, falar com fulano de tal que tu vai ser atendido. Gente! Nós temos que acabar com isso! Na quinta capital do país se manter esse tipo de relação! Feudal! Porque isso é relação de feudo. Isso aí nós temos que imediatamente superar.

E, com relação. Nós vamos ter que montar essa estrutura. Estamos avaliando se ficam as seis regionais ou se elas podem ser mais... e porque, e sim, outra coisa também que a regional prejudicou: acabou que não tem uma linha de gestão que possa se desenvolver com orientação prá todas regionais. E aí acontece que você tá aqui numa regional, tá tudo direitinho, tá limpinha, calçamento e pá, na hora que você passou e aí já tem um lado que tá todo quebrado, buraco na rua etc e tal. Então, e quando você vai atrás é que acabou o limite na regional. Minha gente! Pelo amor de Deus! Isso é uma visão... ao invés de ser uma visão sistêmica, integrada de cidades, você tem uma visão fragmentada de cidade. Parece que você tem seis cidades diferentes. Então isso não pode acontecer. O secretário regional ele... se ele há de continuar como, nessa forma que tá. Nós estamos estudando a possibilidade de aumentar a descentralização e aumentar, ao mesmo tempo, essa visão total de cidade. Porque cada regional dessa, abarca em torno de 350 mil pessoas, ainda é muita gente prá ser atendida pelo Poder Público, né?

Nós fizemos um trabalho, esse nosso projeto, de governo – programa de governo – ele prescindiu d’um trabalho entre professores, mas também do povo, em 22 regiões da cidade. Nós pegamos o mapa de Fortaleza e dividimos por perfil sócio-econômico do bairro, ou pelas afinidades das lutas, ou pelas afinidades históricas que os bairros tiveram, né? Ou da origem, de quem veio do interior e tudo. E essas 22 áreas que nós... foi muito interessante porque você conseguiu ter a dimensão toda da cidade. Porque, hoje, a regional ela é tão grande! Que um bairro, às vezes, não tem nada a ver com o outro, e ele é tratado da mesma forma. Então, nós vamos avaliar, vamos manter a descentralização e a intersetorialidade dos serviços; mas, certamente, noutro patamar, que não esse aí de clientelismo, de assistencialismo, de tráfico de influência. Vocês que são empresários, acho que interessa muito que eu diga prá vocês, que não vai ter tráfico de influência, não vai ter gente sendo favorecida em licitação nenhuma.

E aí, eu termino aqui dizendo prá vocês, que nós temos um capítulo só tratando sobre transparência e combate a corrupção, que isso interessa para os empresários, em especial àqueles que estão querendo contribuir com a cidade.

A questão, por exemplo, de uma, uma... as contas da prefeitura na internet, aí todos... divulgar todos os processos licitatórios na internet, como também a questão do pregão eletrônico que a gente quer adotar, uma forma de transparência também nas compras governamentais, onde puder nós vamos fazer o pregão eletrônico.

Outra coisa, vamos enviar à Câmara Municipal um Projeto de Lei com código de ética da gestão municipal; realizar a nomeação de cargo comissionado, mediante critério de compromisso com princípios e valores da gestão democrática e popular, com competência técnica, experiência e eficiência. Eu digo muito o seguinte – prá quem acha que a esquerda – os primeiros programas que saiu das onze candidaturas do 1o turno, mas sabe por que? Prá já quebrar o discurso, dizer: – ah! A esquerda não tem proposta! – Tem proposta sim! E muito boas, por sinal. Foi a primeira do programa de governo que saiu. O adversário aí, nosso, tive que ir lá no cartório pegas as três folhinhas dele, que eu tive foi vergonha de ver aquilo ali! E mandar ele fazer um programa de governo, por isso que eles correram prá fazer, né? Ainda bem! Né? Porque você chegar na beira da eleição e não ter um programa de governo!

E aí, gente, isso aqui são linhas gerais de atuação que eu acho que dão, dar a idéia de que você tá querendo administrar a partir do que tem, sem tá, sem tá construindo ilusão na cabeça de ninguém e avançar no que pode ser feito.

Então, a transparência, a questão de todo o combate à corrupção, o combate ao favoritismo, a você tá com jogo de carta marcada. Eu acho que interessa a todo empresário sério, que as coisas sejam feitas da melhor forma possível.

Então, prá finalizar, o critério de composição da equipe – que muita gente se preocupa com isso. Isso prá nós não será um critério. Ah! Porque o fulano quer do meu partido. Não! Não é esse o critério que nós vamos tratar. O que nós estamos querendo, inclusive, quando eu visitei os partidos, que eu tinha usado a palavra “incondicional”, né? Iche! Então e foi todo mundo falando e as notinhas, e eram as colunas de jornal dizendo que o apoio incondicional. Eu no começo: – será que eu digo, será que eu devia ter usado outra palavra? E tudo. Mas, depois, sabe de uma coisa? Sabe, gente? Eu fiquei pensando aqui cá com meus botões: foi bom! Sabe! Foi bom, por que? Não deixou de vir um apoio que tivesse querendo ajudar a cidade, ou ajudar nesse projeto político.Todo mundo que teve que vir, veio. Esses partidos vieram. Claro, que quando você convida esses partidos, eles estão no processo, é lógico! É óbvio! Que tá participando vai ter espaço na nossa gestão, todos vão ter espaço na gestão. Todos os setores que a gente puder. Porque só é assim que dá certo! Certo? Todo mundo tendo seu espaço prá, inclusive, contribuir.

Agora, em todos os partidos que eu fui, eu pedia: gente! Claro que vocês vão ter espaço na nossa administração. Não negociei um cargo minha gente! Era um candidato, aliás, com um vereador, nem com um candidato a vereador. Esses que nós, esses 30 que nós negociamos cargo, nós não negociamos secretaria, nós não negociamos nada! Absolutamente nada! Só, eles têm a certeza que vão fazer parte, esses partidos políticos, de uma nova gestão prá Fortaleza. Foi dado esse recado, mas também foi dado outro recado: não me venham com gente incompetente! Não me venham com gente incompetente. Já pensou! Você diz que o...vou dar um “chute” aqui: um partido, vamos dizer que o PHS ou PPS, ou sei lá, qualquer desses aí, queira participar da administração – ai, porque, qual é o partido que têm que decidir, que ninguém também não vai ficar botando o dedo no partido dos outros –, chega com um incompetente prá toda semana eu tá tendo que trocar. Não vai ficar gente incompetente na minha gestão não! Desculpem, mas nesse ponto eu sou extremamente exigente. Eu quero fazer a melhor administração que essa cidade já viu. E isso, não é uma tarefa fácil e não é uma tarefa minha, da Luizianne não, vai ser de um monte de gente, torcendo prá dar certo, com competência. Que eu digo muito: a esquerda tem que ser ousada, tem que ser criativa, tem que ser propositiva mas, acima de tudo, tem que ser competente. Porque todos os olhares estão ali prá o que tá certo, prá ver o que tá errado.

Então, nós não podemos abrir mão da competência.O que fizer tem que ser muito bem feito. Não é só fazer, é fazer bem feito.E eu tou disposta a isso. Se os empresários estiverem dispostos a me ajudar (APLAUSOS) nós vamos seguir em frente! (APLAUSOS).

Dr. ALEXANDRE PEREIRA

Bom! Nós temos aqui, ainda, várias perguntas, mas eu escolhi aqui um bloco de perguntas finais, antes, e depois a gente faz só comentariozinho final, deputada. A pergunta é a seguinte... a pergunta aqui, dos dois diretores do CIC, do Inácio e do Emílio Abifadel, na área de urbanismo. Pergunta o seguinte: no seu programa de governo está escrito que a senhora poderá desapropriar terrenos, bastando que isso seja decretado que esses terrenos estejam situados em áreas com infra-estrutura; quer dizer, ter um terreno, por menor que seja, pode perder sua posse? Quais são os critérios para as desapropriações.

E o Emílio comenta o seguinte: a ação de maior impacto social do Comitê de Revitalização do Centro de São Paulo, foi a construção – e tá sendo –, a construção de edifícios populares onde estão localizados diversos edifícios públicos sem utilização ou sub-utilizados. O impacto seria desde o aumento de bens de consumo e serviços no local, como a utilização de transportes, a otimização da utilização do transporte coletivo, assim como revitalização cultural. Sabedor da existência de prédios públicos em Fortaleza, no centro, sub-utilizados, pergunto se existe algum planejamento em relação a essa questão.
Bom! Em seguida a pergunta sobre a Praia de Iracema, que é uma preocupação da área turística do ponto de vista cultural da cidade de Fortaleza, que transformou-se, hoje, num ponto de prostituição infantil e turismo sexual; o que a senhora pretende fazer prá revitalização específica daquela área, da Praia de Iracema?

E uma pergunta da Manoela Queiroz, que é diretora do CIC e da Comissão de Cultura da OAB; e do Gonzaga Vale, que é do partido político PP, sobre cultura. Pergunta: que políticas culturais a senhora pensa implementar em Fortaleza, se haveria uma pasta própria prá Cultura. E o Gonzaga Vale pergunta se a senhora, como é que a senhora vai conciliar a cultura erudita com a cultura popular.

Dep. LUIZIANNE LINS

Só isso que vocês querem saber em cinco minutos? (Dr. ALEXANDRE PEREIRA: Só isso em cinco minutos). Tá certo? Eu vou tentar. Depois posso até levar e tentar, antes da eleição, responder por e-mail aí prá quem não puder responder tudo. Mais eu queria falar um pouco sobre essa questão do centro da cidade, isso aí me interessa muito!

Eu acho que o nosso centro, hoje, é muito largado. Ele perde uma função... tava vendo outro dia aqui, um relatório que saiu, do Sebrae, o centro de Fortaleza arrecada mais ICMS do que qualquer município do interior do Ceará. Em 2003 o centro contribuiu com 5,36% dos impostos do Ceará, né? Equivalente a 148 milhões, segundo o Sebrae.

A cada dia, 250 mil clientes circulam pelo centro de Fortaleza. E aí, quais são os principais problemas que as pessoas apontam: segurança, limpeza e poluição sonora. Foram apontados como os grandes problemas do centro da cidade.

Então, a primeira coisa: um corredor cultural no centro. É necessário um corredor cultural no centro. A nossa história tá toda ali! Desde o Forte de Nossa Senhora da Assunção; a nossa igreja que é maravilhosa, a Catedral; aquela parte da Praça da Estação, ali gente Aquilo é belíssimo! Ali é EMCETUR que tá abandonado, o restaurante da EMCETUR, tá fechado há sete anos. Ou seja, um espaço que precisa, urgentemente, ser revitalizado. Isso vai ser bom prá todo mundo, criar esses corredores turísticos que a gente chama, bem iluminados, limpos, com a reconstrução do patrimônio histórico e cultural de Fortaleza. Eu acho isso fundamental – acho que toda cidade que se preza tem que ter a sua história contada, cuidada, que possa, inclusive, não ser só prá quem mora aqui, mas prá quem vem de fora. Nós temos que ter esse sentimento. Prá isso, vai precisar revitalizar. E é isso mesmo.

Tem uma quantidade de prédios que hoje poderia está servindo de moradia no centro e estão abandonados, né? O São Luiz, há quanto tempo estão querendo tirar o São Luiz dali. Porque não construir um centro cultural, ao invés de acabar com o São Luiz, manter o cinema, e aí pega aquele prédio e faz um tratamento ali, um centro cultural que movimente, né?

Porque o problema do centro é o que? Como não mora ninguém, muito pouca gente ainda mora, mora em torno; cada vez mais tá ficando afastado, a moradia das pessoas não tem segurança! Por isso as pessoas não andam por lá, né? E acaba virando um espaço já mesmo de quem, ou seja, vai buscar, sei lá, o que no centro?

Então assim, nesse sentido, eu acho que nosso centro tem que ser muito valorizado, do mesmo jeito que outros espaços da cidade. Fortaleza tem 23 km de costa, né? De litoral, se você imaginar que cada pedaço desse tá feio, tá, cada um tem, cada um tem um tratamento diferenciado. São intervenções urbanas muito bruscas na cidade, né? Nós vamos ter que cuidar disso, de revitalizar também esses espaços. E aqui entra a Praia de Iracema, que é um grande debate. A Praia de Iracema é um grande debate.

Eu fui relatora da CPI do turismo sexual, né? E a gente detectou, de fato, uma rede organizada – inclusive o adversário do PFL falou tanto de uma CPI do narcotráfico, mas quando eu relatei a CPI do turismo sexual, cinco denunciados pela CPI do turismo sexual tinham sido denunciados na CPI do narcotráfico e estão alegres e satisfeitos andando por Fortaleza, como se nada tivesse acontecido, né? É tanto que tou tendo a oportunidade até prá dizer isso, né? (RISOS) Porque nós cruzamos com esse mesmo grupo, grupo organizado, criminalidade organizada. E Fortaleza passou a ser também, talvez por uma falta de um cuidado maior com a questão do turismo. Porque eu acho que turismo – olhe! Vou logo dizer, aqui quem for empresário do setor de turismo! Turismo prá nós é muito importante. Fortaleza tem uma vocação forte para o turismo, nossa cidade é bela! Muito bonita! A natureza foi muito generosa com ela.

Então, nós temos todo o interesse que o turismo dê certo, agora um turismo em altíssimo nível, que valorize o povo, valorize os nossos valores e que, também, seja incluído dentro de uma perspectiva do povo. A gente não faz só cidade prá turista, a gente faz cidade pro povo viver! E aí, consequentemente, porque eu digo muito: o que faz a diferença no turismo é o turismo da diferença. Não é um resort que você constrói numa praia, que você acaba, destrói tudo, tira a comunidade, larga tudo, constrói um resort. Porque esses resorts qualquer turista encontra em qualquer lugar do mundo! A tecnologia permite que ele construa do que quiser, e você perde até a noção espacial de onde você tá.

É completamente diferente quando você agrega os valores da diferença, da cultura da gente, né? Da vila de pescadores que tá ali, quer dizer, é uma outra perspectiva gente! Porque essa perspectiva de turismo muito – não tou dizendo de todos não! Tem muita gente séria nessa parte de turismo – mas é turismo sabe de que? De país pobre! Vocês me desculpem, mas é turismo de país pobre!

Eu já tive a oportunidade de ver experiências – todos vocês já devem ter, também, viajado muito e tudo –, onde você ver que onde tem turismo que funciona a cidade, ela é, ela é, o que é cuidado na cidade são suas singularidades. Não é a coisa de destruir tudo prá fazer do jeito que quiser, um mega edifício, não sei o que. Não é isso! Quer dizer, isso é uma visão ignorante do turismo.

Então, nós vamos ter que qualificar isso. Nós vamos ter que chamar todo mundo prá conversar sobre isso, porque eu acho que nós temos tudo para fazer uma grande cidade turística, que não precisa de turismo sexual para poder fazer um turismo decente pro nosso povo. Prá quem tá, mora, e prá quem vem, sabe? Porque o turismo sexual foi comprovado sim, que estava havendo uma rota prá cá, por que? Prá um monte de coisa. E a Praia de Iracema entra nesse aspecto aí.

Eu tentei, como presidente da Comissão de Direitos Humanos – eu encerro por aqui, porque realmente eu tou preocupada aí com o tempo, são? (INTEGRANTE DA MESA: dez horas). Eu tenho que tá lá, a gente tem que tá lá 10 e meia, meia hora antes de começar, foi pedido.

Mas, com relação a essa questão da Praia de Iracema. O problema da Praia de Iracema é que a Praia de Iracema virou um “não lugar” prá nós daqui de Fortaleza. Ela foi um lugar, eu me lembro, por exemplo, me lembro, jovem, ali era o lugar de boemia, lugar do debate, lugar das pessoas irem lá, e dos jovens se interagirem, de conversar. Era uma riqueza cultural muito grande. Hoje, é um “não lugar”, ninguém se reconhece mais naquele pedaço de praia. E aí, vem o problema maior: – Luizianne e aí? Tira as prostitutas de lá? Como é? – que muita gente tem essa dúvida. Eu digo muito o seguinte: no Brasil prostituição não é crime. Não é crime você ser prostituta. E nós, não podemos tá, por exemplo, massacrando mais ainda quem já vive numa situação massacrada, que são essas, que se chama profissionais. Elas se auto-intitulam assim.

Mas, nós vamos ter que resolver o problema! Nós vamos ter que resolver o problema, entendeu? Ou seja, o que é que é o problema? É uma... – como foi até a Secretaria da Cultura quando eu puxei essa luta, ela denominou um projeto chamado “Iracema de todas as tribos”, né? E que era a convivência de todo mundo e tal. Só que, ali não foi isso que aconteceu. Aconteceu foi uma verdadeira expulsão de todo o comerciante do local e, hoje, só tem os estrangeiros tomando conta – nada contra eles. Agora, não dá prá gente abrir mão daquele espaço, como nada tivesse acontecido.

A prefeitura trata aquilo ali, e daquilo ali vai avançar prá outros setores da sociedade. Nós vamos ter que sentar com a sociedade e dizer: – e aí? Que, que nós vamos fazer aqui? Nós vamos reservar um espaço da cidade prá esse tipo de coisa que acontece na Praia de Iracema. Nós vamos... porque senão, minha gente! Ali é uma briga eterna que não tem fim. Você não resolve! Não vai deixar de ter... não se preocupe que não vai deixar de ter prostituta, porque desde que o mundo é mundo que tem prostituta (PERGUNTA DA PLATÉIA: elas têm uma associação, né?). Tem a associação que é a APROCE e tudo. O que nós podemos fazer e até, nesse sentido, nós vamos ter é que ter uma cidade, ter nossos espaços, os espaços, por exemplo, que é a Praia de Iracema; ela tem que ser requalificada gente! Ela ter que ter cultura. Eu disse que, nessa luta, nós perdemos. Porque você tem o que impor ali? são shows, são debates. Ali é uma... a vida de... aquela vida noturna ali na Praia de Iracema perdeu, era prá ponde a gente ia, mas a sociedade de Fortaleza abandonou também, não conseguiu conviver, e abandonou, né?

Então, só prá finalizar, isso é um tema muito polêmico, não é uma coisa que se resolve aqui, mas o que eu quero dizer prá vocês é o seguinte: nós queremos revitalizar a Praia de Iracema. Eu fiz uma luta como presidente da Comissão de Direitos Humanos, juntei todos os comerciantes de lá, o pessoal dos restaurantes, chamei todo mundo, tava todo mundo muito a fim. Não conseguimos. Não conseguimos! Não conseguimos. Por que não conseguimos? Porque a gente promoveu vários shows, promovemos vários teatros e tudo, a população não vai mais! Ou a gente junta o povo de Fortaleza prá voltar estar na Praia de Iracema, né? Mesmo prá ocupar aquele espaço ali, que é um espaço que é sempre ocupado por crianças, por jovens.Nós vamos ocupar aquele espaço num outro patamar e aí vamos ver se faz o que é atrativo fazer ali, se faz botar um atrativo público prá juventude, se a gente vai trabalhar a terceira idade, alguma... prá gente voltar... (PAUSA) …e ali nós perdemos. E ali nós perdemos. Hoje, ela serve prá outra coisa, não que a cidade queria, porque ali tem uma... Praia de Iracema! Da nossa Iracema! Né? Logo exatamente um lugar simbólico da cidade.

Como eu finalizo? Dizendo assim: revitalizar lá e revitalizar também outro pólo importantíssimo que o Morro de Santa Terezinha, minha gente! Que também faz pena e dó, né? (COMENTÁRIO DA PLATÉIA: a Barra do Ceará também). A Barra do Ceará também, e tudo. Mas o Morro de Santa Terezinha tá abandonado, a Barra tá, pelo menos ainda, você tá vendo movimentação lá, as pessoas frequentam. O Morro de Santa Terezinha só serve à violência, só! Porque tá desprezado. É um lugar lindo da cidade!

Então, nós temos muito que fazer. Só quero dizer a vocês que vocês têm uma prefeita que tá disposta, a partir de 205, arregaçar as mangas e começar reconstruir Fortaleza. (APLAUSOS)

Dr. ALEXANDRE PEREIRA

Deputada, encerrando, eu... ficou duas perguntas aqui que, com certeza, nessa câmara que a senhora vai criar – sendo eleita – de entendimento, a gente vai discutir, que nos preocupa a questão da desapropriação de terrenos, que a gente conversa numa próxima oportunidade. E a questão da cultura também.

Dep. LUIZIANNE LINS

(...) seu terreno vai ser desapropriado, viu Inácio? Pode ficar calmo. (RISOS)

Dr. ALEXANDRE PEREIRA

Agora, eu também queria, encerrando, parabenizar a deputada Luizianne Lins que realmente ela surpreende com essa vontade que ela tem de acertar. Ela começou, como foi dito no começo, com quatro pontos percentuais e empolgou uma candidatura – que empolga – porque mostra a tenacidade, a vibração e a vontade que essa mulher tão forte tem. Então, isso é muito importante, nós precisamos realmente de pessoas, na frente de nossa administração, que tenham essa vontade.
E, eu queria deixar um recado aqui pedir, porque seus companheiros de partido e da base aliada deixar, Luizianne, de lhe atrapalhar. Porque eu ouvi um comentário do ministro de... Ciro Gomes dizendo que vota na senhora por imposição (sic) do PPS, mas que teme pelo futuro de Fortaleza, numa eventual administração da senhora. Eu acho um absurdo! Eu queria deixar aqui um protesto, enquanto presidente CIC, que eu acho se o ministro quer apoiar a senhora, que dê uma declaração com responsabilidade e não, uma declaração que pode prejudicá-la na sua campanha. Então, eu acho que chega de prejudicar. O PT já lhe prejudicou muito e a base aliada. Tá na hora, agora, de lhe ajudar prá vê se a senhora consegue seus objetivos. Parabéns! (APLAUSOS)

Dep. LUIZIANNE LINS

Obrigada!

FIM

Fita transcrita por:
Marly Rodrigues Maia
mmaia@sfiec.org.br