Cajucultura é tema de discussão em seminário técnico
Produtor terá crédito de R$ 10 milhões 

Adriana Guarda do Recife

Produtores, técnicos agrícolas e especialistas se reúnem hoje em Garanhuns (230 km do Recife), durante o III Seminário da Cajucultura em Pernambuco, para discutir a expansão da cultura no Estado. No encontro, o Comitê Estadual do Caju aproveita para anunciar uma linha de crédito no valor de R$ 10 milhões para os cajucultores. O evento é uma parceria da Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária (SPRRA), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Sebrae-PE.

O seminário é parte da estratégia do Governo de Pernambuco de ampliar a área plantada no Estado de 15 mil para 35 mil hectares nos próximos quatro anos. Durante o evento, os cerca de 300 participantes vão discutir novas tecnologias no cultivo do cajueiro anão precoce e perspectivas para a cajucultura, além de assistirem a um vídeo sobre o manejo adequado do cajueiro.

Atualmente, a área plantada em Pernambuco é de 15 mil hectares, respondendo por uma produção de 3,5 mil toneladas de castanha/ano. Os principais pólos de cultivo estão localizados nos municípios de Belmonte (Sertão) e Buíque (Agreste), serras de Pesqueira e Belo Jardim, além de Garanhuns, São João e Santa Terezinnha.

No mês passado, técnicos da Empresa de Abastecimento e Extensão Rural de Pernambuco (Ebape) acompanharam bolsistas do CNPq numa visita ao município de Surubim (134 km do Recife), onde foram analisadas as condições de desenvolvimento da cultura. No local, foi constatada a existência de uma área aproximada de 1.300 hectares de caju, que se constitui na principal fonte de renda para mil famílias da região. Os três bolsistas do CNPq foram contratados para reforçar o andamento do programa no Estado.

Exterior
O presidente estadual do Comitê do Caju, Cosmo Joaquim da Silva, adianta que as principais metas do programa são aumentar a produtividade dos pomares, instalar pequenas indústrias de beneficiamento nos municípios e organizar a comercialização de olho no mercado internacional.

Hoje, o principal gargalo para o desenvolvimento da cultura no Nordeste é a baixa produtividade. Enquanto em regiões como o Semi-Árido piauiense produtores conseguem atingir 1.240 quilos por hectare, em outras áreas a produtividade não ultrapassa 200 kg/ha. O caju também é apontado como alternativa para a Zona da Mata pernambucana. "Enquanto a precipitação pluviométrica de 800 milímetros é insuficiente para a produção da cana-de-açúcar, consegue-se boa produtividade com a fruta", diz Silva.

Às 15h, o Comitê Estadual do Caju faz uma reunião para explicar a linha de financiamento para a cajucultura, que dispõe de R$ 10 milhões em recursos. O crédito tem juros de 8,75% ao ano e três anos de carência para pagar.

Fonte: Gazeta Mercantil Digital Nordeste – 05.12.01