PROJETO DE REVITALIZAÇÃO DA COTONICULTURA
ESTADUAL NO NORDESTE DO BRASIL
Eleusio Curvêlo Freire
Chefe Geral da Embrapa Algodão
DIAGNÓSTICO:
A cotonicultura no agreste e semi-árido Nordestino é uma atividade dos agricultores
familiares, que plantam áreas médias de 1 a 2 ha por propriedade, utilizando tecnologia
rudimentar, em termos de informações, equipamentos e produtos. O produto obtido
apresenta grande percentual de contaminantes (polipropileno, penas de aves e pelos de
animais domésticos) condenados pelas industrias têxteis modernas, que apresentam grandes
restrições a aquisição da produção regional. A produção obtida, em média corresponde a
10% do volume consumido pelas industriais têxteis da região, que complementam suas
aquisições com plumas oriundas do cerrado da Bahia ou do Centro oeste, bem como de
outros países do Mercosul, Estados Unidos, Países da África, Ásia e Europa. O Algodão é
comercializado em caroço, por preços equivalentes, ou remunerado em até 20% acima do
oriundo do centro oeste, para compensar a economia de fretes e impostos. A maioria dos
governos estaduais já emitiram legislação diferindo o preço do ICMS, para aquisições
dentro do Estado, pratica esta que está protegendo o produtor interno; sem a qual o algodão
do centro oeste de melhor qualidade e preço mais competitivo, praticamente inviabilizaria a
continuidade dessa atividade no Nordeste.
Vários estados do Nordeste, a exemplo do Ceará, Alagoas , Paraiba e Rio Grande
do Norte, já prepararam projetos de revitalização da sua cotonicultura. Nestes Estados ,
apesar das dificuldades inerentes a região, como secas, produtores descapitalizados e
serviços de fomento e de assistência técnica deficientes, a cotonicultura tem apresentado
índices crescentes de produtividade e reativado a economia das regiões onde o projeto foi
implantado.
NICHOS DE MERCADO PARA OS AGRICULTORES FAMILIARES DO NORDESTE
Aproximadamente 85% do algodão brasileiro, está sendo produzido no cerrado,
com alta tecnologia e mecanização total de todas as operações. O produto obtido possui as
seguintes características: tipo 5 a 6,5 ; comprimento de fibras 30 a 34 mm ; resistência
acima de 26 gfltex e finura 4,0 a 4,5 .As industrias têxteis nacionais já sinalizam que a
produção dessa matéria prima já abastece totalmente o mercado, porem necessita-se que
sejam obtidos também outros tipos de matérias primas, quais sejam:
.Algodões de tipos bons (3,0 a 4,5) colhidos a mão e sem contaminantes externos -
possuem valor de mercado 20% acima do algodão de referencia (tipo 6);
.Algodões de fibras longas e extra-Iongas (34-36 e 36-38mm) e fibras tinas (3,4 a 4,0) e
resistentes (acima de 32 a 34 gf/tex) -possuem valor de mercado 30% acima do
algodão de referencia;
.Algodões coloridos naturalmente, nas cores marron e verde -possuem valor de
mercado 50% a 100% acima do valor de referencia.
Estes três tipos de algodão podem ser produzidos por agricultores familiares, desde que
sejam treinados, organizados e recebam as sementes e tecnologias próprias à obtenção
de cada tipo de matéria prima desejada. Além do mais, caso os produtores se organizem
em comunidades e passem a beneficiar sua produção em mini-descaroçadores (modelo
Embrapa/Arius) e comercializem a pluma separada do caroço do algodão, podem
agregar valor a sua produção entre 30 a 50%, quando comparada com o sistema
tradicional de comercialização. Após a implantação do projeto de revitalização, as
comunidades podem ser trabalhadas para abastecerem esses nichos de mercado.
PREMISSAS ESSENCIAIS DO PROJETO:
.Capacitação da assistência técnica publica e/ou privada e de todos os produtores a
serem engajados no Projeto -Responsabilidade Embrapa Algodão;
.Identificação das regiões de maior área cultivada e de maior potencialidade climática e
edáfica, para implantação do projeto -Responsabilidade Secretária de
I Agricultura/Emater;
.Discussão do projeto de revitalização, com todos os segmentos da cadeia produtiva
estadual- Responsabilidade Secretárias de Agricultura e de Industria e comercio;
.Estabelecimento de protocolo de intenções, em que toda a cadeia produtiva se
compromete a contribuir com sua parcela para a revitalização -comercialização -
I induftrialização do algodão oriundo do projeto -Resp. Todos os componentes da
cadeia;
.Alocação de recursos para a disponilibização de um kit mínimo de equipamentos e
insumos aos produtores engajados no projeto ( sementes, animais de tração,
equipamentos a tração animal, pulverizadores, defensivos, tubos mata bicudos) -
Resp: Embrapa , Secretárias de Agricultura, Banco do Nordeste, Algodoeiras;
.Acompanhamento e treinamento continuo dos produtores, durante três etapas ao longo
da safra, inclusive no período de colheita -Resp: Embrapa e Emater;
.Fornecimento de sacaria e barbante de algodão na colheita, para eliminação das
contaminações- Resp: Governo do Estado, Algodoeiras e Industria têxtilç
.Comercialização da produção apreços de mercado, junto as algodoeiras e industrias
têxteis -Resp.lndustrias têxteis do Estado.