AGROPACTO
PACTO DE COOPERAÇÃO
DA AGROPECUÁRIA CEARENSE
Juntamente
com o
30 de Maio de
2000
ma:
“Metodologia Utilizada no Estudo de
Cluster Realizado no Âmbito do Projeto Iniciativa pelo Nordeste, e os
Resultados Alcançados pelo Cluster da Fruticultura Irrigada.”
Palestrante:
Dr.
GUSTAVO MAIA GOMES,
SRA. TERESA
MOTA (Mestre de Cerimônias):
É com satisfação que a
Federação das Indústrias do Estado do Ceará recebe a todos os senhores, para
a 7a Reunião do Fórum de
Tecnologia do Ceará do ano 2000, e a primeira Reunião conjunta, com o
Agropacto, Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense.
Para
tanto, gostaríamos de convidar o Dr. Humberto Fontenelle, Vice- presidente da
Federação e anfitrião, juntamente com o Dr. Torres de Melo, Presidente da
Federação da Agricultura e também Coordenador do Agropacto.
(Aplausos)
Convidaríamos
ainda o Dr. Lima Matos, Coordenador do Grupo de Ação da FIEC, na área de
Tecnologia Design e Informação...
(Aplausos)
Antes mesmo de convidar os nossos palestrantes de hoje, até para que, como eles nos visitam pela primeira vez, possam entender a sistemática do Fórum, nós estamos aguardando o Secretário de Desenvolvimento Rural do Estado, que o Governo integra este Fórum, junto à classe empresarial.
Convidaríamos também o Deputado João Bosco, Presidente da Comissão de Agropecuária e Recursos Hídricos da Assembléia Legislativa, aqui representando os Parlamentares; a Academia e os Institutos Tecnológicos integram este Fórum conosco e para representar as Universidades e os diversos Institutos aqui presentes, convidaríamos o Professor Fernando Sabóia, da Universidade Federal do Ceará.
(Aplausos)
A
Empresa é o nosso foco e a pequena e média empresa tem uma atenção especial, e
por isso se faz representar na Mesa dos Trabalhos de hoje o Dr. Alci Porto,
Diretor Técnico do Sebrae.
(Aplausos)
Com
muita satisfação convidaríamos o Dr. Gustavo Maia Gomes, do IPEA, um dos nossos
palestrantes de hoje, que tão rapidamente atendeu ao nosso convite.
(Aplausos)
Convidamos
também o Dr. Claude Rene Camile Mines, Gerente do Segmento Agrícola da Belgo
Mineira – Bekaert - EMBA
(Aplausos)
Composta
a Mesa, passaria a Coordenação ao Dr. Humberto, nosso anfitrião.
SR. HUMBERTO
FONTENELLE :
Senhores componentes da Mesa; meus senhores e minhas
senhoras:
A
Federação das Indústrias deseja consignar toda a sua satisfação, em ter aqui
hoje a nossa 7a Reunião do Fórum, que é uma reunião conjunta, onde
temos a presença substancial de industriais e agricultores, aqueles que manejam
o negócio da indústria, bem como também
da agricultura.
O
nosso relacionamento com o nosso companheiro Torres de Melo é um relacionamento
muito estreito; temos freqüentado ali o Fórum, naquele local do Banco do Brasil
e ele já sabe que a Federação é a continuação daquele espaço, não só o espaço
físico, mas também ele sabe que a
Federação está sempre ao lado das grandes causas que ele sempre sabe, e muito
bem, defender. De maneira que nós estamos muito satisfeitos que esta nossa
reunião esteja sendo feita neste momento.
Antes
de passarmos a palavra para o Torres de Melo, gostaríamos de passar a palavra
para o meu amigo Lima Matos, que é o Coordenador do nosso Fórum, que tem ajuda
substancial e importantíssima da Dra. Teresa.
(Aplausos).
De
maneira que, passo aqui os Trabalhos para o nosso companheiro Lima Matos,
dizendo a ele que dê ao Torres de Melo a satisfação também de abrir os nossos
trabalhos. Antes nós estávamos discutindo quem é que deveria abrir os
trabalhos? A FIEC, Humberto Fontenelle, ou o Torres de Melo? Então, geralmente
quando dá um empate, vence o mais velho. Deveria ser ele. Mas, eu peço a você
que dirija aqui. (Risos).
SR. LIMA
MATOS:
Na verdade, a palavra formal fica entendida, que é o
Dr. Torres de Melo que vai abrir. Vou sou dar alguns avisos (Depois ele briga
comigo, porque ele é valente). (Risos).
É uma
satisfação muito grande termos o Dr. Gustavo Maia Gomes aqui. Enquanto éramos
Presidente do CIC, estávamos comentando, que tentamos trazê-lo para que ele discutisse no CIC, porque sem
dúvida ele é um conhecedor profundo da nossa região. Esta reunião aqui,
agregando, como foi colocado pelo Dr. Humberto, a Federação das Indústrias; a
Federação da Agricultura; o Pacto de Cooperação, acho que o Dr. Gustavo já
sabe, no Ceará nós temos uma área informal, não política, que trata das
questões do Ceará, que é o Pacto de cooperação dividido em Fóruns e um dos
Fóruns é o Pacto de Agricultura, de forma que possamos, enquanto política não consolida, com uma reforma
política capaz de termos os nossos anseios
mais simplesmente discutidos, o Pacto serve para debater constantemente
e levar às autoridades constituídas os nossos desejos e trazer essas
autoridades para um debate conosco.
De
modo que, é uma satisfação muito grande podermos juntar essas duas áreas aqui,
com a palavra realmente de uma pessoa tão ilustre para todos nós e com
condições de nos ajudar a continuar fazendo com que o Ceará possa trilhar os
caminhos.
Sem mais delongas, passaria
a palavra ao nosso mestre Torres de Melo, que é um dos nossos grandes líderes,
uma pessoa que cada dia fica mais jovem, pela força que ele coloca nas suas
ações e na sua liderança, e tem nos
ajudado e orientado sempre, em momento difíceis em que muitas vezes se
passa, para encontrar os melhores
caminhos para o nosso Estado.
SR. TORRES DE
MELO :
Eu
acho que o Humberto acertou, dizendo na ordem etária, e isso é que justifica
esses elogios aqui de corpo presente.
Gostaria
de saudar o Deputado João Bosco, Presidente da Comissão de Agropecuária e
Recursos Hídricos da Assembléia, e dizer ao Dr. Maia Gomes, que conhecemos,
pelo menos pelas ações há muitos anos, ligadas aos interesses do Nordeste, que
nós aqui – Sebrae, Assembléia, o Lima
Matos, o Humberto, o companheiro
Fernando Sabóia, o Dr. Claude Camile, da Gerência de Segmentos da Belgo Mineira
– que constituímos essa Mesa, dizer que este é um exemplo do que é esse Pacto
de Cooperação.
Esta é a primeira reunião
conjunta de dois Fóruns ou Pactos Setoriais. O da Tecnologia e o da
Agropecuária. Isto significa o entendimento daquilo que hoje o Governo e do
próprio significado da palavra cluster. Isso é o Cluster da Fruticultura
instalado formalmente neste auditório, com a visão de cluster, com sentimento
de cluster e com a união das classes que formam o começo e fim dessa cadeia.
Nós temos uma amizade muito
grande ente todos aqueles que compõem o segmento industrial e o agrícola. O
Humberto é amigo de longas datas; o Lima Matos desenvolveu no CIC, juntamente
conosco, no Agropacto, num período muito rico que foi, quando introduzimos como
tema da maior importância, junto com a Universidade, a Biotecnologia, que foram
5 palestras, versando sobre esse assunto, com a convicção que nós temos que dar
saltos, que nós não podemos trabalhar com a velocidade costumeira, temos que avançar, sempre pensando que
estamos numa competição de fórmula 1.
Essa fruticultura tão
decantada, como alternativa para a nossa região tem que se transformar em
resultados. Infelizmente, nós aqui desta Mesa nos sentimos responsáveis pela
criação dessa Secretaria de Agricultura Irrigada, que nasceu de uma sugestão
nossa, no Conselho de Desenvolvimento Sustentável, que talvez tenha sido de
forma prática, a única proposta naquele Conselho a que foi dado conseqüência e
que agora essa conseqüência se transforma em projetos e realizações.
Infelizmente, o orçamento do ano muito perverso atrasará, cremos nós, um pouco
mais ainda, a instalação dos dois grandes projetos: Tabuleiro de Russas e Baixo
Acaraú, sem se falar no Castanhão, cujas verbas estão bastante magras, embora
ele já tenha nos alegrado com a água, com os seus 100 milhões de metros cúbicos
acumulados já em sua bacia.
Eu
creio que a abertura não pode ser tão longa, que nos prive das palestras que
vamos ouvir.
Quero,
em nome dos companheiros da agricultura aqui presentes, fazer a saudação
consentânea com aquilo que o Humberto falou, o segmento industrial. Muito
obrigado.
(Aplausos)
SRA. TERESA
MOTA ( Mestre de Cerimônias) :
Antes
de passarmos a palavra ao Dr. Gustavo,
gostaríamos de registrar a presença de várias instituições, exatamente que
integram esses dois Fóruns, e aqui mencionaria o Banco do Nordeste, na pessoa
do Dr. Mavignier França; a Embrapa, na pessoa do seu Presidente, Dr. Férrer; e
a representação Empresarial, que vem desde o caso da Cajucultura, desde os
produtores de caju, aqui representado pelo Dr. Paulo de Tarso.
Dr.
Gustavo, a palavra é sua.
SR. GUSTAVO
MAIA GOMES :
Senhores
da Mesa; Empresários e demais participantes:
Eu
devo em primeiro lugar agradecer o convite que me foi feito para participar
deste Fórum conjunto, e também manifestar de público uma desculpa, pelo não
comparecimento a um convite anterior. Espero que o custo disso tenha sido
mínimo para os senhores, mas ocorreu de fato alguns dias de antecedência,
sobreposição de um outro compromisso que foi impossível administrar. De forma
que hoje estou com prazer atendendo a um convite e que não foi possível atender
da primeira vez que fui convidado.
Eu
devo dizer, meus senhores, que talvez vocês tenham convidado a pessoa
errada para o tipo de palestra que me
está sendo atribuída. Ao lado de empresários do ramo de fruticultura irrigada
em particular, realmente, eu sou absolutamente um diletante, sem nada com
certeza a acrescentar, em relação ao conhecimento de vocês.
Eu
quero portanto deixar claro, em que condições me sinto a vontade para expor
algumas coisas para os senhores.
A
Iniciativa pelo Nordeste, é um
movimento na realidade piloto, não tem nenhuma ambição além de ser uma espécie
de demonstração de uma metodologia de organização de esforços privados e
públicos, ela, por razões históricas, o nascimento da iniciativa pelo Nordeste,
passou muito pelo IPEA, órgão do qual
sou Diretor. Nessas condições é que fiquei vinculado, ainda hoje estou
vinculado a essa iniciativa.
A Iniciativa pelo Nordeste,
adota um conceito de cluster’s, de desenvolvimento baseado em cluster, então,
nessa condição eu me sinto a vontade de falar com vocês. O papel que tenho
desempenhado na Iniciativa pelo Nordeste, é o papel de acompanhar os grandes
movimentos, de discutir em alguns momentos partes importantes de direção
estratégica, mas definitivamente, não estou em condição de debater com os
senhores os padrões tecnológicos, as
alternativas tecnológicas, seja da fruticultura irrigada, seja de outro setor
no Nordeste, em detalhe. Peço portanto uma certa compreensão, porque vou
enfatizar as questões mais gerais, algumas das quais, talvez não sejam
inteiramente do seu conhecimento.
Como
eu tinha mencionado, minha ênfase será
na exposição de alguns aspectos do que tem sido a Iniciativa pelo
Nordeste, é um Projeto Piloto, que acho que tem o mérito de ter introduzido de
uma forma sistemática no Nordeste, possivelmente no Brasil, a metodologia de
organização de clisteres, uma coisa consciente, até acho que essas coisas estavam sendo feitas em alguns lugares do
Brasil e do Nordeste, provavelmente o Ceará é o melhor exemplo disso, mas
talvez também seja verdade que, a organização de empresários que estava sendo
feita já em vários pontos do País, não estava inteiramente balizada por uma
metodologia bem clara, por uma concepção teórica também bastante clara, e isso
talvez seja a marca diferencial da Iniciativa pelo Nordeste.
Eu
sempre digo que a Iniciativa, até o presente momento, tem propósitos
extremamente limitados. Nós nunca procuramos
uma Institucionalização maior. Isso foi uma escolha consciente, que se
revelou uma escolha com certos custos e com certos benefícios. Nós nunca, por
exemplo, permitimos ou procuramos fazer com que, a Iniciativa pelo Nordeste, se
tornasse, digamos assim, um programa explícito da Superintendência de
Desenvolvimento Regional ou de outro
órgão de desenvolvimento regional. Havia a idéia de que seria mais interessante
deixar o movimento o mais espontâneo e
autônomo possível, e na medida em que houvesse uma institucionalização essa
Institucionalização deveria ser deixada aos Estados. Em alguns casos me
parece que isso começa a existir, mas a
iniciativa enquanto tal, é uma coisa meio virtual, embora a palavra tenha
ficado na moda nesses últimos tempos, mas na verdade é isto. Nós atualmente, não temos nem a pretensão de ter
uma instância deliberativa da Iniciativa pelo Nordeste. A Iniciativa pelo
Nordeste, ela é portanto, no campo prático, uma série de atividades
patrocinadas pelos Estados, nessa primeira fase sobretudo, pelos Estados de
Pernambuco, Bahia e Ceará, possivelmente, com a entrada do Rio Grande do Norte,
nessa fase seguinte agora que estamos em vias de começar, e no plano Federal,
tem o apoio do BNDES, que é apoio com pequeno aporte financeiro, na verdade,
apoio do IPEA, que é um Instituto de Pesquisa, não é de implementação de
política, não é um instituto de implementação de ações, portanto, o nosso
interesse em participar pela Iniciativa do Nordeste, enquanto tal, é um
interesse fundamentalmente de aprender com a prática de novas idéias em
desenvolvimento regional, e naturalmente contribuir também com novas idéias para esse processo.
Deixe-me
organizar um pouco melhor depois desse preâmbulo, a minha exposição, começando
por uma breve história do que é, do que tem sido a Iniciativa pelo Nordeste.
Como disse, a Iniciativa pelo Nordeste não é mais do que junção, não de nenhum
efeito executivo, mas para efeito de coordenação, de informação geral de uma
série de movimento de desenvolvimento de cluster, que foram iniciados ainda em
1997, com o apoio financeiro do Banco
Mundial, através de recursos que já estavam emprestados aos Estados, mas que o
Banco Mundial permitia uma mudança de contratos para utilização desses
recursos, recursos originalmente alocados ao antigo PAP, Programa de Combate a
Pobreza Rural, cujos contratos originais não previam esse tipo de ação que foi
feita no âmbito da Iniciativa pelo Nordeste, mas que o Banco Mundial até com ênfase promoveu essa possibilidade e
admitiu a reformulação dos contratos.
Curiosamente,
a Iniciativa pelo Nordeste, cuja filosofia é inteiramente, ou largamente
privatista, no sentido de que a própria idéia de organização de cluster’s supõe
a liderança empresarial acima de
qualquer atividade especificamente de Governo, mas curiosamente, a origem da
Iniciativa pelo Nordeste é uma origem Governamental ou política, mais do que
empresarial. Ela surgiu de fato, da inquietação de alguns Senadores da Bancada
Nordestina no Senado, ainda em 1907, que insatisfeitos com a forma de condução
de política regional, trataram por várias maneiras de promover algumas
iniciativas e ir além de meramente fazer críticas ou formular alternativas
teóricas. Na continuação dessa inquietação, os Senadores produziram alguns
documentos iniciais de postulação de
críticas, ao que o aparto normal
e Institucional existente na região, e formularam algumas sugestões. Foi
quando houve o encontro desse grupo de Senadores com o IPEA e com o Banco
Mundial e daí começou a surgir a idéia de se tentar promover ações concretas,
na linha de desenvolvimento baseada em cluster’s , e daí é que surge a
Iniciativa pelo Nordeste. Ela continua em grande parte do movimento que tem uma
liderança política mais do que empresarial. Isto eu digo como uma coisa da qual
nós tentamos nos livrar, porque o espírito efetivamente, é que essa organização
de cluster’s, ela subsista como iniciativa inteiramente empresarial em que o
Governo seja consultado, demandado mais nessa ordem e não ao contrário; não o
Governo promovendo reuniões enfim, tomando a iniciativa, efetivamente. Mas,
dada origem política do movimento, ainda hoje de fato, há uma participação
empresarial e governamental
viesadas indesejavelmente eu
diria, no sentido governamental.
A Iniciativa foi
formalmente lançada em abril de 1998,
naquele momento, contando com a adesão dos Estados do Ceará, Pernambuco e
Bahia, que concordaram em utiliza uma
parte dos recursos, originalmente emprestados do Banco Mundial, para fazer
mobilização e organização de cluster’s em 4 setores, 4 cluster’s principais que foram: fruticultura irrigada, grãos, turismo e informática.
Então, em princípio, esses
setores mais ou menos interessava aos
três Estados participantes, embora com diferentes ênfases. Quer dizer, na
ocasião há dois anos ou três, nesse momento, o setor de fruticultura irrigada
era um setor que interessava mais particularmente a Bahia e Pernambuco, em
relação ao Ceará, hoje até é possível que as proporções tenham se modificado. A
inclusão do turismo, sim, era um setor que todos os Estados do Nordeste, não
apenas os três, tinham e têm interesse, e participação com potencial grande. O
setor de grãos, mais uma vez concentrado na Bahia, dos Estados que participaram explicitamente da
Iniciativa, o setor de grãos é concentrado
na Bahia; mas aí também informalmente,
o Estado do Piauí e do Maranhão
participaram, sobretudo os empresários desses Estados participaram. E o setor
de informática, onde mais uma vez os três Estados tinham interesse.
A
Iniciativa é marcada por algumas reuniões
políticas de alto nível, com a presença de praticamente todos os
Governadores dos Estados. Houve duas reuniões dessas em Salvador. A primeira em
dezembro de 1997, a segunda, em junho de 1998; a primeira foi uma reunião eminentemente política; a
segunda, uma participação maior de empresários; e houve uma terceira reunião,
que foi feita em maio de 1999, no
Ceará, com a presença também de grande número de Governadores.
A
metodologia de atividade da iniciativa, foi com o aconselhamento do Banco
Mundial, consistiu na realização de uma licitação para contratação de uma
consultoria internacional, que deveria trazer fundamentalmente uma metodologia
mais sistemática de organização de cluster’s
para a nossa experiência. Isso foi feito, foi feita uma licitação, houve
um consórcio com a liderança de um
firma baseada em Washington e mais participação de duas firmas brasileiras, uma
com sede em Belo Horizonte e outra com sede em Recife, que participaram e
formaram o conjunto.
As atividades – acho que estou falando em um terreno que
vocês têm mais conhecimento do que eu –
fundamentais de organização de cluster’s. O Consórcio em entendimento
com os três Estados, organizou sua atividade em um período previsto de um ano e
meio, terminou sendo um pouco mais do que isso, em três etapas fundamentalmente. Uma primeira etapa seria a identificação dos subcluster’s regionais, por assim dizer, dentro desses 4
grandes setores ou desses 4 grandes cluster’s para o Nordeste como um todo,
foram identificadas subregiões dentro da Região Nordeste, onde particularmente
havia incidência importante de atividades, nesses 4 cluster’s. A partir disso,
foram feitos esforços para organização
de grupos locais, dos empresários locais, grupos de trabalhos esses que
deveriam desenvolver todos os segmentos
com interesse e potencial nos setores,
o que naturalmente envolve mais do que aqueles segmentos empresariais que estão
formalmente na cadeia produtiva.
O conceito de cluster’s,
sabemos todos, mas não me custa repetir, é mais abrangente do que o conceito de
cadeia produtiva, porque ele vai além da identificação de quem compra, quem
vende, para quem, em atividades interligadas, ele leva em conta também que,
para o funcionamento de um aglomerado de atividades afins, é muito importante o
clima empresarial vigente na região de um modo geral; é muito importante, o
funcionamento das instituições que dão apoio de fornecimento ou adaptação
de tecnologia, por exemplo; é muito
importante o bom funcionamento de
instituições que capacitam, que treinam, que educam a mão-de-obra futura ou atual dos segmentos envolvidos.
Então, a idéia inicial da
fase 1, pela Iniciativa para o
Nordeste, foi organizar grupos de pessoas, predominantemente empresários, mas
não apenas empresários, porque aí os componentes Institucionais envolvem gente de
Governo, naturalmente que a primeira fase foi organizar esses grupos de
trabalho em cada cluster’s em cada subregião. Por exemplo, fruticultura não é
um cluster no Nordeste, na visão da Iniciativa pelo Nordeste. Ele é vários
cluster’s um centrado em Petrolina e Juazeiro, um centrado em Teixeira de
Freitas e mais um, no caso; outro que foi cogitado no Vale do Açu, não entrou,
porque o Rio Grande do Norte não entrou nessa fase inicial da iniciativa.
Essa
fase 1, portanto, era uma fase de se criar uma certa consciência local, de que vários
segmentos tinham interesses comuns e que portanto, explorar as possibilidades
de ação colaborativa deveria ser alguma coisa que viesse em vantagem, em
benefício de todos eles em conjunto e da região em particular. Essa organização, e o trabalho inicial de fazer
reuniões, que as pessoas começassem a interagir, caracterizou-se o que foi a
primeira fase.
A grosso modo, cada fase
deveria tomar 6 meses e portanto, em
números redondos, há uma primeira fase
que é de levantamento, identificação dos segmentos, que levou mais ou
menos um terço do tempo que foi alocado para a iniciativa.
Uma segunda fase da metodologia que foi
implementada, era um fase de identificação de potencialidades e
identificação de problemas. Aí as potencialidades têm a ver naturalmente, com a
capacidade de expansão dos vários setores, muitos deles, os que foram
selecionados todos eles, são setores em expansão na economia nordestina, mas
que se pode identificar caso a caso, que cada caso será um caso evidentemente,
se pode identificar problemas específicos que têm limitado uma expansão ainda
mais rápida.
Esses
problemas, sobre os quais vou mencionar aqui uma lista, no caso específico das
frutas, foi objeto de avaliação por parte desses grupos. A idéia sempre é
que quem está lidando com o problema no
dia a dia, sabe muito melhor qual o problema, qual a possibilidade de solução
dele, do que quem está teorizando em
gabinete, ou tendo uma perspectiva do problema muito mais geral.
Aqui
vai uma observação muito importante, que espero me estender um pouco mais para
adiante. Todos os setores selecionados ou todos os cluster’s que foram selecionados para intervenção
nessa fase inicial da Iniciativa pelo Nordeste, ou são exportadores já, em grau significativo, ou potencialmente
exportadores. A idéia não é mera coincidência isso, a ênfase da Iniciativa pelo Nordeste é ênfase em competitividade,
ênfase de desenvolvimento baseado em cluster’s. Isso tem a ver com uma certa mudança de papéis inevitável
entre setores públicos e privados, na promoção do desenvolvimento, sobre o qual
espero voltar um pouco mais e aprofundar esse tema. Mas diria então, que para se estudar o potencial de crescimento
de um setor que é exportador, naturalmente é importante ter uma referência
externa de custos, de condições de funcionamento, de cluster’s que são
competidores em potencial ou já atualmente dos setores identificados.
A
segunda fase dos trabalhos da iniciativa, foi
fundamentalmente a fase de após colher as informações locais;
quantitativas e qualitativas de funcionamento desses vários cluster’s em cada
subregião que foi trabalhada, comparar isso com um quadro de referência
internacional, porque só depois dessa comparação é que se pode, com mais
segurança dizer: Olha, o quadro competitivo de turismo no Nordeste, ele tem uma
competitividade razoável no setor, segmento A, B, C, mas ele tem claramente uma
falta de competitividade, num determinado segmento. Vamos dizer, tudo bem, mas
para o grau de qualificação da mão-de-obra, provavelmente eu tenho um custo
mais alto do que seria aceitável à luz de padrões internacionais. A importância
dessas comparações internacionais é que naturalmente elas dão a possibilidade
de se propor ações concretas. Quer dizer, nós vamos atuar a proposta, vai ser
de atuação naqueles segmentos que foram identificados à luz de comparações
internacionais, como segmentos particularmente frágeis, onde a competitividade
está abaixo do que seria possível, dada experiência internacional. Outro exemplo talvez mais concreto, é que de
repente você tem em fruticultura, por exemplo, alta produtividade no campo,
rendimentos por hectare ótimos, qualidade também satisfatória do produto, mas
você tem o estrangulamento do transporte, porque infra-estrutura que liga o
centro produtor ao porto ou o próprio porto deixa a desejar o funcionamento, e
isso termina fazendo com que o custo do produto colocado ao consumidor final
seja mais alto do que seria desejável e isso termina atuando como um fator de
restrição ou desenvolvimento daquela atividade.
Então,
uma colocação seria interessante fazer aqui, que quando o Banco Mundial decidiu
ter uma atitude bastante positiva e enfim, presente nesse esforço da Iniciativa
pelo Nordeste, uma das coisas que eles chamaram bem atenção, foi isso, que é preciso trazer, pelo menos nessa fase
inicial, alguma experiência, algum conhecimento técnico externo de uma firma
que tenha trabalhado nisso no mundo todo, porque só com isso podemos trazer o
grau de detalhe que seria importante, o conhecimento das especificidades de
cluster’s do exterior, que tenham sido já previamente estudados por algumas
dessas firmas. Então, é um ponto fundamental da seleção nas firmas que
participaram da licitação das firmas de consultoria, foi exatamente a
experiência delas no trabalho em outros países, em trabalhos semelhantes. E o
que isso pôde trazer de informação, que
com mais dificuldade nós teríamos aqui. Eu nunca encampei a tese de que
nós não pudéssemos fazer tão bem ou até melhor, um esforço inteiramente local.
Mas, de fato, em alguns aspectos a consultoria internacional ajudou bastante,
pela experiência que trouxe já de outros países.
A Terceira Fase, na metodologia
desenvolvida pelo trabalho da iniciativa, é a fase de se identificar ações
concretas que deveriam ser implementadas e cujos resultados seria o aumento
expressivo de competitividade, portanto, de crescimento potencial do setor.
Essa fase 3, que está sendo dita aqui como estabelecimento de pauta e de ação, ela mais uma vez surgiu dos
trabalhos nos grupos locais, as pessoas que fundamentalmente estavam vivendo o
dia a dia do setor no seu local e que à luz de experiências internacionais,
então, foi possível contrastando, comparando a experiência local com parâmetros
mais gerais observados no mundo inteiro, foi possível identificar ações concretas, cuja probabilidade de trazer
retornos positivos para o funcionamento dos cluster’s fosse maior. Algumas
dessas ações vou referir ao último
relatório da iniciativa e para o caso específico do cluster de fruticultura,
mencionar algumas delas que forem
sugeridas, e isso daria então, com uma terceira fase, teríamos o fechamento do
trabalho do consórcio.
A idéia é que, ainda no
período de consultoria, que terminou em dezembro do ano passado, fosse possível
caminhar para a implementação de algumas dessas ações identificadas. Em uns poucos casos isso foi possível e foi
feito e em outros casos isso continua sendo feito, porque naturalmente, mesmo
sem o trabalho direto da consultoria, a organização dos grupos e interação com
os setores de governo que são pertinentes em cada caso, têm permitido que
alguns desses trabalhos, sobretudo nos cluser’s que se organizaram melhor e
começaram a caminhar pelas suas próprias
pernas melhor, tem permitido que esse trabalho continue. Em alguns casos se registra algumas ações, identificadas na fase do trabalho da
consultoria e começam a ser implementadas agora, não apenas no cluster de
fruticultura, mas nos outros também.
Eu
queria, antes de rapidamente indicar o que foi sugerido pelo consórcio, depois
dessa interação, no caso do cluster de
fruticultura, sobretudo como eu disse: Teixeira de Freitas na Bahia e o cluster
de Petrolina/Juazeiro, eu queria fechar esta apresentação da idéia da
Iniciativa apelo Nordeste, discorrendo um pouco mais sobre uma filosofia mais subjacente a todo movimento. Por que
exportação, por exemplo, por que
setores com vocação exportadora
foram candidatos preferenciais a serem incluídos na primeira etapa? Eu já
mencionei isso e disse que gostaria de me estender um pouco mais sobre isso.
Talvez seja eventualmente, motivo de debate para mais adiante. Não existe na
filosofia da Iniciativa pelo Nordeste, duas coisas. Primeiro, não existe
nenhuma pretensão de se estar implementando um novo modelo exclusivo e
exclusivista de desenvolvimento
regional. Em nenhum momento houve, por parte das pessoas envolvidas na
iniciativa, nenhuma reivindicação de que se estava inventando um modelo novo de
desenvolvimento, que deveria substituir tudo que tem sido feito regularmente, inclusive pelas instituições
oficialmente dedicadas ao desenvolvimento regional. Não há nenhuma pretensão
portanto, de identificar isso como uma estratégia única e exclusiva de
desenvolvimento do Nordeste, em particular. O que existe é uma idéia de que se
explora o potencial de competitividade de alguns setores que já estão
demonstrando serem competitivos na região, e é possível se obter ganhos
significativos, independente dos outros ganhos e das outras coisas que possam
ser obtidos com as ações mais convencionais. Então, em nenhum momento a
Iniciativa pretendeu ir além disso. É
um experimento piloto, que procura identificar as potencialidades de expansão
de setores que estão se demonstrando já setores competitivos. Agora, há um
pouco mais do que isso, é que de fato, todos nós sabemos e reconhecemos que as
relações de governo ou governos com o desenvolvimento econômico, com a promoção
de desenvolvimento, seja regional ou nacional, elas se modificaram, o pano de
fundo dessas relações tem se modificado
relativamente, ao longo dos últimos 5 ou 10 anos, e que portanto, muito do
aparato tradicional de implementação de política de desenvolvimento precisará
também ser revisto. A Iniciativa não é uma proposta de revisão do aparato
Institucional, mas ela parte da idéia de que de fato é preciso ter uma revisão.
E procura ser coerente com o modelo da qual ela seria no futuro uma parte, que
já seja mais adequada às condições que nós vivemos. Eu selecionaria para
exemplificar, para aprofundar um pouco mais essa idéia, o fato de que no modelo
tradicional, todos nós sabemos, o Estado desempenhava definitivamente o papel
líder. Quer dizer, o que tivemos no contexto da industrialização brasileira e
depois da industrialização regional do Nordeste por exemplo, e toda ação de
desenvolvimento do Nordeste, apontava no modelo tradicional para um papel muito
ativo do Estado. E o papel ativo do Estado se desdobrava em vários componentes.
Por exemplo, o Estado era muito ativo para fechar a economia conta a competição
externa. E isso foi, todos nós sabemos, um elemento muito importante na
industrialização brasileira. Quando se formulou a idéia original de
desenvolvimento do Nordeste via Sudene, se trouxe um pouco desse modelo e havia um pouco aquela idéia que se poderia
replicar o modelo de substituição de importações industriais, sobretudo, no
caso especial do Nordeste. Isso não funcionou nem na época em que a economia
brasileira era fechada, porque a economia brasileira era fechada, mas a do
Nordeste, não, em sendo uma região de um País maior e para um contexto
regional, aquela idéia que funcionou tão bem –
alguns acham que não, mas para todos efeitos funcionou tão bem – no desenvolvimento nacional, que é a idéia
de criar um mercado interno, quer
dizer, proteger um mercado interno atrás de barreiras tarifárias, elas, que
expressavam uma ação enérgica do Governo, ela não funcionou, no caso do
desenvolvimento regional. Mas, outras coisas funcionaram, outros aspectos de
ação intervencionista do Estado funcionaram. Funcionou por exemplo, o aspecto do
Estado ser diretamente produtor. Quer dizer, em vários aspectos do
desenvolvimento regional brasileiro, houve um papel destacado para o Nordeste,
por exemplo, porque para o Brasil nem se fala, foi um papel destacado do
Estado, enquanto produtor direto de bens e serviços. O Estado também foi ativo
enquanto implementador direto. Quer dizer, o Estado, setor público tradicional,
o Governo propriamente dito, foi muito ativo, porque tinha uma quantidade de
recurso grande para investir e investiu, criando a infra-estrutura. Então, esse
quadro de fundo, que era o quadro de fundo de um Estado forte, de uma economia
fechada e de um Estado que tinha propostas de desenvolvimento e que tinha os
instrumentos para implementar essas propostas, mais ou menos bem que funcionou
para o Brasil na década de 50, talvez até o final da década de 70, nunca tão
bem como o caso das regiões, em particular para o Nordeste, mas o fato é que,
todos nós reconhecemos isto, essa
discrição de Estado e de pano de fundo
e atuação do Estado que esbocei aqui, ela deixou de existir por várias razões,
que são muito conhecidas nossas, e que hoje não podemos contar. Qualquer
iniciativa de desenvolvimento regional não pode mais contar... com economia
fechada, nunca pôde e hoje menos ainda, porque melhorias de facilidades de
transporte reduziu ainda mais as barreiras entre regiões. E agora, a barreira que existia contra o
resto do mundo, também não existe mais, porque o mundo mudou e também o País
mudou. Não se pode contar mais com um Estado fortemente investidor, o declínio
do investimento público é um fato marcante no Brasil e no Nordeste ainda mais,
porque o Nordeste o investimento público foi ainda mais importante do que no
Brasil como um todo, não se pode contar mais com um Estado fortemente investidor,
Estado/Governo estritu sensu, porque toda crise fiscal acumulada durante
os anos, fez com que esse papel tivesse de ser abandonado paulatinamente.
Finalmente, não se pode contar com um Estado diretamente produtor, porque não
apenas ideologicamente, isso foi sendo minado ao longo do tempo como uma
possibilidade, como também porque na
esteira da crise fiscal, ficou difícil
o Estado manter um aparato produtor importante, sobretudo naqueles
setores, onde de fato tinha prejuízo, portanto, a manutenção das empresas era
uma fonte a mais de déficit público.
Então, a Iniciativa pelo
Nordeste, ela reconhece esse quadro, e como que faz uma pergunta: “Que
tipo de modelo de desenvolvimento regional nós deveríamos ter no futuro e o que
posso começar fazendo agora”?
Veja, numa economia aberta, numa economia sem barreiras com outras regiões ou com o resto do mundo,
competitividade deixa de ser uma escolha e se torna uma exigência. Quer dizer,
os setores que não tiverem competitividade não sobrevivem numa economia aberta.
Por outro lado, dizendo a mesma coisa, sobre uma perspectiva positiva: os
setores que estão hoje conseguindo ter uma presença mais forte, com base no
Nordeste, nos mercados internacionais, estão demonstrando a cada um de nós, que
têm capacidade de serem competitivos internacionalmente. É uma redundância até
dizer isto; ou seja, esses setores são setores que têm uma chance positiva grande, de triunfarem no novo mundo que
já está aí e que alguns setores provavelmente, não vão poder mais subsistir.
Setores cuja existência se baseava
talvez numa proteção governamental direta ou indireta, na existência
de barreiras tarifárias, etc.
Então, é nesse sentido que o
viés exportador da Iniciativa pelo Nordeste, ele é mais do que uma escolha
entre outras possíveis e também se aproxima de ser uma escolha para a qual
fatalmente, várias outras políticas mesmo as mais convencionais, terão que se
aproximar. Isso introduz a idéia de competitividade, introduz a idéia de
comparações internacionais, introduz a idéia de ganhar mais presença no mercado
internacional.
Deixe-me
apenas fazer uma breve informação sobre alguns aspectos específicos, para a
questão da fruticultura, que foram propostos ou identificados pela Iniciativa
pelo Nordeste. O último documento que
foi produzido pelo consórcio, foi um relatório final, que foi produzido em
inglês e está sendo traduzido e a versão inglês é uma versão preliminar, mas é
disponível para quem quiser e eu posso depois encaminhar aos senhores, e a
versão em português estará sendo disponibilizada dentro de poucos dias, está só
na fase de revisão final da tradução.
A
minha participação nas atividades da Iniciativa, foi uma participação muito
mais do geral do que do particular. Não tenho como avaliar em detalhe, se as
recomendações que estão aqui, que não foram específicas para a fruticultura no
Ceará, têm alguma utilidade para vocês, mas caba a vocês julgarem e estou
dizendo que o relatório ficará disponível e posso disponibilizá-lo, para quem
tiver interesse, ou o próprio Governo do Estado que foi parte disso, pode
também fazer a mesma coisa.
Eu
ressaltaria algumas conclusões e recomendações do relatório da Iniciativa,
relatório final, particularmente, na questão de fruticultura irrigada. Foram
examinados quatro produtos, sobretudo: uvas,
mangas, melão e o mamão papaia. Na questão por exemplo, de identificação e
avaliação de grau de competitividade desses setores, desses produtos, dentro do
cluster de fruticultura, foram feitas
então, alguns testes, com relação a alguns indicadores. Por exemplo, um
indicador importante de competitividade geral da atividade, é a capacidade
dessa atividade localizada no Nordeste, aumentar sua participação no mercado internacional. Então, se ao longo do tempo
sentimos que cada um desses produtos está conseguindo aumentar a participação no mercado internacional do mesmo, esse é um indicador que realmente
você tem um aumento de competitividade, de produtividade ali. A questão de preço, também foi usada como indicador
de competitividade, na idéia obvia de
que existe o produto e o produto com uma certa qualidade, porque produtos de
qualidade melhor, se diferenciam no mercado internacional, pela capacidade dele
ter também um preço melhor. A produtividade
física foi também avaliada nos cluster’s, nos locais que foram estudados e
foram feitas avaliações dos custos de
produção. Essas avaliações permitiram uma comparação mais detalhada de
itens com outros de outras regiões produtoras.
De uma
forma geral, o que o consórcio está dizendo sobre o cluster de frutas no
Nordeste, e mais uma vez eu ressalvo, isso só é válido para as subregiões em
que ele trabalhou, é mais ou menos o seguinte: Em relação as uvas, o
crescimento da participação das uvas nordestinas no mercado internacional, tem
sido pequeno, no período analisado, em 1985, basicamente, para cá. Entretanto
se nota que essas uvas nordestinas têm
conseguido entrar a preços melhores, o que seria um indicador de que elas estão
conseguindo qualidade melhor e isso ser reconhecido pelo mercado internacional.
Esses preços são diferenciais de
preços. Se todo preço cresce, naturalmente, da uva nordestina também cresce.
Nós estamos tentando isolar o diferencial de preço, tirando portanto do
crescimento geral que tem sido observado para a indústria como um todo para o
mercado como um todo e para todo o mundo. A produtividade das uvas no Nordeste
aumentou muito para as uvas com sementes e aumentou muito pouco para as
variedades sem sementes. Os custos de produção melhoraram, mas foi uma melhoria
abaixo da média internacional. Na realidade, em termos de custo de produção
globais, o setor de produção de frutas irrigadas no Nordeste, não se
desempenhou tão bem, durante esse período analisado. No caso da manga, enfim,
foram feitos também testes em cada um desses indicadores, e o melhor resultado
para manga, foi o resultado do crescimento na participação do mercado
internacional. Esse sim, a manga do
Nordeste tem aumentado significativamente sua participação nos mercados internacionais.
De uma forma geral, antes de
mencionar alguma coisa sobre os dois outros produtos, a visão do consórcio, é que há muito espaço ainda internacional,
para as frutas irrigadas do Nordeste, e que as participações que a região tem
tido ainda, são inexpressivas do ponto de vista internacional e portanto, em
princípio, há muito espaço para ser percorrido, para cada um desses produtos
examinados.
No caso de melões, houve
resultado mediano para cada um desses indicadores, ele não teve um bom
desempenho em conquistar novos mercados, mas teve desempenho mediano em outros
indicadores; preços, produtividade
física e custo de produção. E quase a mesma coisa para o mamão papaia. O mamão
papaia tem um desempenho ruim em produtividade, os ganhos de produtividade
foram pequenos ou inexistentes no período analisado. E note-se, sobretudo, no
caso do mamão papaia, é o cluster localizado em Teixeira de Freitas.
Vou
finalizar, dizendo que o consórcio identificou
alguns problemas mais gerais,
além desses que estão refletidos simplesmente nesses indicadores, para o caso
dos segmentos que foram analisados dos cluster’s de fruticultura no Nordeste. Primeiro, há uma certa deficiência de facilidade, de
tratamento pós-colheita e de serviços
pós-colheita, ou seja, há dificuldades no setor de comercialização, baseado
sobretudo em infra-estrutura deficiente, e há dificuldades nos setores de
serviços de beneficiamento, pós-colheita, sobretudo. Mais uma vez, se referindo
apenas aos locais que foram estudados, onde foi feita a mobilização.
Foi reconhecida uma desorganização
entre os produtores que são em geral, fragmentados e desorganizados, isso
não é verdade para granes produtores, sobretudo em Petrolina e Juazeiro, mas é
verdade, para a maioria dos médios e pequenos produtores e onde existiria, na
visão do consórcio, um grande espaço para
espaço para ganhos, através de
uma melhor coordenação. Há uma sugestão que está em fase de implementação ao
que me consta, de criação de uma cooperativa para suprir um pouco esse
problema.
Eles identificaram uma falta de foco na seleção de variedades
que foram sendo implementadas, nem sempre estava em linha com aquilo que o
mercado internacional estava indicando, quer dizer, o mercado internacional
tinha uma grande expansão de uma variedade de uvas, por exemplo, e na realidade,
o que se estava implementando aqui, eram
melhorias nas variedades que o mercado internacional não estava
considerando mais tão favoravelmente, como no passado.
Houve uma identificação de
um grande espaço para atuação em promoção
em Marketing, quer dizer, a necessidade de se gerar mais promoção no
exterior para a venda do produto
nordestino, uma coisa que eles enfatizaram muito e isso foi também muito
enfatizado no cluster de turismo. Quer dizer,
a vantagem de se criar uma marca
Nordeste. No caso do turismo senão Nordeste, pelo menos algumas subregiões
do Nordeste, no aso de frutas, sobretudo.
Foi identificado a necessidade de mais pesquisas com foco
de aumentos de produtividade naqueles setores,
particularmente, com potencial identificado e com necessidades também
identificadas.
Foi identificado também,
problema que não é surpresa para ninguém,
de dificuldade de acesso a
créditos, sobretudo dos produtores pequenos, e médios também
Foi identificado por fim, a
necessidade de melhor treinamento da
mão-de-obra, aliás, melhor especialização da mão-de-obra, com grande ganho
que possivelmente decorreria disso, se isso fosse implementado.
Eu
creio que terminaria por aqui, como disse: a minha visão da Iniciativa pelo
Nordeste, é uma visão do geral e não do particular. Espero portanto, aprender
com os senhores, na medida em que houver um espaço para debate e aparecerem
questões mais específicas. Muito obrigado.
(Aplausos)
SRA. TERESA
MOTA (Mestre de Cerimônias):
O Dr.
Claude terá a palavra, para nos apresentar uma máquina de secagem de café, que sem dúvida interessará aos empresários
aqui presentes. Ele vai explicar sobre o processo de secagem, que foi
desenvolvido para o café e que pode ser utilizado para o caju. Depois dos 15
minutos que foram cedidos ao Dr. Claude, nós abrimos então para os debates.
SR. CLAUDE RENE CAMILLE MINES :
Boa-noite a todos; é uma honra muito grande estar
aqui presente no Ceará, que já temos vindo há três anos, através do Sindifrutas
como Aquino e o resto da turma aí e recebemos convite para fazer esta palestra
aqui. aliás, não é uma palestra, é só
uma informação de uma tecnologia que nós procuramos sistematizar e que
tem dado certo no café e outras aplicações, que estamos tentando introduzir
aqui.
A Belgo Mineira Bekaert, é uma
joint venture entre a
Belgo Mineira, que é uma empresa
brasileira, nunca foi do Governo sempre foi particular, e a Bekaert, que é a
maior produtora de arames do mudo. Nós temos uma associação com eles a partir
de 1997. Hoje nós temos tecnologia para produção de arames, para vocês terem
uma idéia, tão finos quanto o meu cabelo, até cabo de aço de navio de 50
polegadas, passando aí por toda infinidade de arames para toda aplicação que se
pensar.
Dentro dessa empresa, nós
temos uma divisão agropecuária que trabalha na área de pecuária e outros
animais, hoje está se criando muitos javalis, avestruz etc. e tem também a área
agrícola pela qual sou responsável pelo desenvolvimento de novas idéias no
Brasil todo.
O Terreiro Suspenso para a Secagem de Café, ele foi desenvolvido
por um produtor do interior de São Paulo. A primeira referência aí foi feita em
1995, pela Globo Rural. Nós pegamos esse sistema de secagem de café e só
fizemos melhorá-lo no sentido de transformá-lo num sistema rápido e simples de ser montado e barato.
Essa a idéia básica do Terreiro. Foi lançado em 1997, no segundo ano triplicando as vendas e este ano nós
quintuplicamos as vendas e já sabemos de outras aplicações no Terreiro, para secar feijão, amendoim e
outras aplicações.
Vantagens do uso do Terreiro
do café suspenso. A primeira grande vantagem
a primeira grande briga que o Brasil hoje tem com relação a outros países é com a qualidade, principalmente
com o café da Colômbia. Há grande
quantidade de café. Ele custa na faixa de 5, 5 reais instalados por metro
quadrado e um terreiro tradicional de concreto, custa na faixa de 8 reais. É
bem mais fácil de fazer. Durante o manuseio do produto na chuva, ele é muito
mais vantajoso, porque não precisa fazer todo aquele amontoamento do café, a
cobertura, é só cobrir o café em cima do próprio terreiro. Rapidamente, voltou
ao sol, você descobre, já está secando,
não tem todo aquele manuseio intensivo e trabalhoso que existe no café tradicional.
Rapidez
e montagem. Um terreiro de 300 metros
quadrados, nós montamos tradicionalmente em três dias, hoje nós já temos uma
tecnologia, por exemplo, em Teixeira de Freitas, naquela região ali, que já foi
citada pelo ilustre palestrante anterior, nós conseguimos montar em um dia e meio
200 metros quadrados de terreiro,
contra o sistema tradicional de cimento, de no mínimo, 20 dias, fora a
mão-de-obra que dá.
Facilidades de revolvimento do café. Quer dizer, ergonomicamente, para o operador que faz a
secagem ou manuseio do produto sobre o secador, ele é muito melhor. Nós temos
notado em várias regiões onde temos acompanhado mais os produtores, que o peão
fica mais satisfeito, porque o trabalho dele é mais leve, mais fácil, é menos
cansativo, desgastante para a coluna e para os braços.
A
instalação é muito simples. Isso aí foi
num instalação numa cidade chamada São Roque de Minas, de um produtor tradicional de café. Nós
fazemos a marcação do terreno, furação através de um trado quando possível;
instalação dos “morães” de madeira, nós recomendamos que sejam de madeira
tratada, industrial e não madeira nativa, obviamente nós também temos essa
madeira para vender. Instalação dos “morães”;
um sistema de ancoragem, onde
retenção da estrutura, porque realmente o peso que vai em cima de um
secador desses é muito grande; o esticamento dos arames e a colocação de uma
tela de sombreamento por cima. Sobre essa tela de sombreamento é que é colocado
o café. Existe uma distância entre a tela de sombreamento e a altura dos
arames, para que propiciemos um bom revolvimento do material sobre a tela. O
esticamento da tela, para o caso do café, nós usamos uma tela de sombreamento
tradicional, que muita gente chama de sombrite, mas na verdade sombrite é uma
marca, uma tela de sombreamento de 30%,
igual a usada em viveiros, tradicionalmente. Para outros produtos, como por
exemplo, pimentão, no Norte de Minas, o pessoal já teve que usar 80%, por causa
da importância dos pequenos grãos que
tem no pimentão, que o pessoal quer que fique presente. No caso do caju, nós
não temos certeza ainda qual a tela ideal. Começaria com 30 e poderia até
recuar mais no índice de sombreamento, para tentar baratear o custo da tela,
mas isso é coisa para ser pesquisada.
Posição da tela antes do uso; a descarga do café, ou no caso provavelmente do caju, muito simples; o revolvimento. Hoje temos um padrão de revolvimento do café, ou seja, quantas vezes você deve enleirar para um lado enleirar para o outro, fazer uma leira no meio, fazer uma leira nos cantos. No caso do café, no caso do caju, isso tem que ser determinado, ainda. No caso de chuva, como eu havia comentado com os senhores, é só colocar uma lona preta por cima, com um saquinho com terra, uma coisa bem prática, para o vento não levar embora, e você já pode ir tomar uma cervejinha. Depois você volta, tira a lona e está secando de novo. No café tradicional é uma confusão danada. Aí é o caso desse mesmo produtor, ele estava alugando o terreiro dele, para outra pessoa secar a raspa de mandioca.
Seria mais ou menos isso que queríamos apresentar. Eu só queria comentar que temos trabalhado com muitas empresas no Brasil inteiro em termos de pesquisa. A Embrapa, no Rio Grande do Sul, em Jales em Petrolina, no caso de uvas; a Maguary, que é uma empresa particular, produtora de sucos, no Triângulo Mineiro; a Embrapa, na área de piscicultura, estamos desenvolvendo um trabalho também para tanque-rede, para a produção de peixe; a Embrapa, aqui de Sobral, nós trabalhamos com eles na área de telas especiais para a caprinocultura. Quer dizer, a Belgo está sempre disponível para desenvolver e apoiar essas pesquisas. A Embrapa aqui de Fortaleza, nós já fizemos contato em uma reunião, ontem, assim como uma outra empresa, que está disposta a trabalhar, justamente, no desenvolvimento dos parâmetros necessários para uma boa operação no secador com o caju. Para qualquer coisa, estamos à disposição de vocês.
(Aplausos)
SRA. TERESA MOTA (Mestre De Cerimônia) :
Antes, gostaríamos de registrar a presença entre nós, Dra. Liliane Lima, Subsecretária da Secretaria de Agricultura Irrigada, e do Dr. Francisco Eduardo Magalhães do Banco do Brasil.
Vou entregar a coordenação dos debates ao Dr. Humberto.
SR. HUMBERTO FONTENELE :
Eu passo então, para o Dr. Torres de Melo, para que ele conduza os trabalhos, os debates.
SR. TORRES DE MELO:
Agradeço a gentileza do companheiro Humberto. Vamos seguir a mesma sistemática que fazemos semanalmente lá no nosso espaço, no Banco do Brasil. As inscrições serão em bloco de três, cederíamos o microfone em seguida a palavra ao palestrante, chamado para responder as perguntas. As inscrições estão abertas.
Com a palavra o João Teixeira.
SR. JOÃO TEIXEIRA :
Dr. Gustavo, parabéns pela palestra. Realmente a Iniciativa pelo Nordeste, é um marco muito importante nesses últimos três anos. E digo, porque nós participamos de várias reuniões, inclusive a primeira lá de Salvador, com a presença do Vice- presidente, e durante todos esses debates, me deixou assim, como no ramo de empresário da agricultura irrigada, na parte da fruticultura, e como cidadão, me deixou assim muito penalizado, pela oportunidade que perdemos em fazer um diagnóstico mais profundo da fruticultura do Nordeste. Primeiro os Estados não colaboraram todos, como deveriam colaborar. Poderiam ter feito um diagnóstico mais preciso, desde o Norte de Minas até o Sul do Piauí, passando pelo Vale do São Francisco. A escolha também, por ser uma concorrência Internacional, nos deixou muito a desejar. Os contatos que nós tivemos com os técnicos estrangeiros, pela falta do conhecimento e pelo tempo que eles tiveram em preparar, principalmente o primeiro diagnóstico. Isso deixou muito a desejar. Acredito que tenha sido um recurso na ordem de alguns milhões gastos, e que os Estados vão pagar, e que o resultado em si, pelo que já tínhamos de conhecimento das nossas dificuldades, principalmente já debatido, principalmente aqui no Ceará, e também pela ausência das Universidades e ausência total, podemos dizer assim, do Banco do Nordeste. Então, foi uma oportunidade grande, mas lastimável, pela falta do entrosamento, tanto da empresa, vamos dizer assim, estrangeira e a outra nacional, mas a falta do entrosamento das grandes Universidades que poderiam ter colaborado e também como já disse, pela ausência do Banco do Nordeste. Então, é apenas uma observação que quero fazer, e perguntar ao senhor, como um dos participantes. O que o senhor acha que ficou de resultado concreto para nós, além daquele que nós já sabíamos? Muito obrigado.
SR. TORRES DE MELO:
Com a palavra a Dra. Teresa Mota.
SRA. TERESA MOTA :
Eu queria fazer uma provocação ao Dr. Gustavo, Dr. Gustavo está na Diretoria de Estudos Regionais e Urbanos e vai muito na linha do que foi colocado pelo empresário agora. Inclusive, conversamos com o Dr. Gustavo a este respeito pelo telefone. Eu acho que o interesse da sociedade cearense está demonstrado aqui neste auditório, não só pela representatividade empresarial, mas sobretudo, pelo número de instituições e as diversidades das instituições aqui presentes. E nós sabemos que o IPEA vem apoiando estudos de sistemas locais de inovação. O senhor mesmo colocou a importância dessa questão do cluster, como um trabalho de organização e mobilização da sociedade civil organizada, para ganhos de competitividade. Eu acho que esses Fóruns têm condições de dar respostas, acho que temos nas Universidades locais, pessoas inclusive, capazes de dar resposta a isso, e nós precisaríamos e gostaríamos de contar com o seu apoio neste sentido.
Nós gostaríamos de ouví-lo a este respeito, inclusive, aí vou fazer uma ponte, como será objeto da próxima reunião também conjunta de uma reunião com o Fórum de Tecnologia com o Agropacto, que é exatamente, a respeito desses Fóruns de competitividade, que o Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio está instalando, onde a cadeia do agronegócio fica totalmente esvaziada, do ponto de vista do cronograma, do ponto de vista de qualquer sinalização, e que já houve por parte dos dois Presidentes, tanto do Dr. Torres, como do Presidente da Federação, uma reivindicação ao Ministério, neste sentido. Obrigada.
SR. TORRES DE MELO:
Eu serei o terceiro perguntador.
Dr. Maia Gomes, eu acompanhei, depois do Lima Matos, que foi o primeiro talvez dos presentes a participar desse movimento da Iniciativa para o Nordeste. Nós participamos inclusive, na qualidade de representantes de um conselho que foi criado, de repente eu era conselheiro desse negócio, coincidiu com um outro evento no México, que fui junto com a CNA, eu estive em Chiuaua, num seminário que tratava do problema dos cluster’s, depois assisti de certa forma, um esvaziamento do movimento de Iniciativa pelo Nordeste, e uma forte reação do empresariado presente na reunião, em Salvador. Realmente, o apresentador que nos foi trazido por uma das empresas do consórcio, tinha pouca noção até de que era a Região Nordeste, Ilhéus ficou até no Interior, não era Porto não. Isso nos fez e ao Dr. Barone do Banco Mundial e ao Maurício, dizer a ele da nossa decepção com relação aquilo que estávamos assistindo, numa apresentação da movimentação logística, não tinha sequer um mapa onde se pudesse verificar a visão das hidrovias, das ferrovias. Realmente, uma apresentação extremamente pobre e que frustrou terrivelmente, o grande número de pessoas do Ceará que nós levamos até lá. E nós então, gradativamente fomos nos afastando.
Estivemos numa reunião no IPEA, quando o Dr. Rezende era o Presidente, o senhor estava presente à reunião. Foi exatamente no dia em que se assinava o contrato. Agora então, eu lhe formulo a questão. A Iniciativa pelo Nordeste vai se restringir a esse primeiro relatório? Ela foi uma iniciativa episódica? No momento em que nós, posteriormente a essa Iniciativa para o Nordeste, tivemos; a criação do Ministério do Desenvolvimento, com enfoque bastante forte na área de exportação; a Secretaria de Políticas Regionais foi transformada em Ministério da Integração Nacional. Ao Ministério da Agricultura foi dada uma função também bastante significativa, na hora da exportação e naquela ocasião, em que já existia a Iniciativa para o Nordeste, o Banco do Nordeste desenvolveu um trabalho nos Pólos de Desenvolvimento, iniciativa que depois foi seguida pelo Estado aqui dentro dos pólos do Banco do Nordeste.
Então, eu perguntaria ao senhor, se não era o momento, já que a iniciativa foi governamental, de se encontrar um outro abrigo para essa iniciativa, dentro das estruturas já existentes, ou ir buscar, através desses Fóruns que temos aqui em grande quantidade, sensibilizar a iniciativa privada, que dentro, como o senhor frisou, dentro da filosofia dos cluster’s é exatamente o motor do processo, e estamos a reboque de uma iniciativa, que nos parece que não foi muito bem sucedida, ou pelo menos não sensibilizou o empresariado local. O Governo Federal lançou simultaneamente um programa de fruticultura como prioridade. O Presidente da República fez o lançamento desse programa festivamente, sobre a ponte que liga a Bahia a Pernambuco, sobre o Rio São Francisco. Em suma, estou muito dentro da linha do João, embora com o preâmbulo mais longo do que o necessário, mas para mostrar que acompanhamos isso de certa forma e a Mônica, nossa Secretária de Planejamento, teve uma forte ação, no sentido de que as coisas fossem feitas como o contratado. Parece que ela chegou a ter algumas dúvidas do sucesso ou até da competência desse consórcio, e se eu estiver um tanto rude na pergunta, é apenas, porque esta é a forma como nós trabalhamos aqui nos nossos Fóruns e Pactos.
SR. LIMA MATOS :
Como Dr. Torres de Melo colocou, nos participamos também nas primeiras reuniões inclusive em Pernambuco, da discussão dos clisteres e dessa Iniciativa pelo Nordeste, e eu fiz uma pergunta na hora, ao Secretário de Planejamento, que era maioria naquela ocasião, numa reunião que fizemos em Pernambuco. Como era que os Estados deles estavam pensando na questão do financiamento do seus Estado e dos seus empresários, que recursos existiam na região, como era o financiamento da economia de cada Estado? Os Secretários quase que disseram que eu estava falando na mãe deles. Porque na verdade, nenhum tinha nenhuma noção de como se financia a economia de cada Estado naquela discussão. Esse o entendimento que percebi.
Aí vem outra questão, paralela, que a questão que o senhor já tocou, do financiamento. O BNDES pela primeira vez, teve até uma palestra aqui, ele começou a discutir uma equivalência de taxas para financiar a exportação, as taxas internacionais. Haveríamos de brincar de fazer empresas? Se quisermos fazer um esforço, que entre governo e empresa privada, se nós não estabelecermos um processo capaz de tentarmos ser equivalentes ao que o exterior tem e isso não é difícil, é uma coisa simples, desde que a Nação Brasileira queira. Eu tenho discutido com alguns investidores internacionais, é incrível como eles conseguem mobilizar recursos com uma facilidade gigantesca, quando há interesse e coisas claras, como por exemplo, você estabelecer financiamentos para a pesquisa, em que o Governo Americano por exemplo, financia a praticamente taxa zero, e aquele recurso pode até ser reaplicado, para quem está no projeto, enquanto o projeto desenvolve, sem nenhuma preocupação se a pessoa ganha dinheiro ou não naquele intervalo. Quer dizer, é uma intenção clara de você poder ajudar fazer capital ou vendas de papeis constantemente.
Então, como é também que o senhor está vendo essa questão realmente do financiamento, específico e do equilíbrio dos Estados, que deveriam trabalhar em cima desse processo, ou da discussão do próprio financiamento daquele local, porque hoje nós não temos os bancos estaduais mais, praticamente todos falidos, em nível de Nordeste, principalmente.
A terceira questão, é mesmo coisa simples de financiamento para infra-estruturas. Por exemplo, equipamento de portos. Para falarmos em fruticultura, temos que falar em containers, e outras coisas, em que você na hora que vai para um financiamento o BNDES dá apoio, se for através de um banco privado, que não tem interesse nenhum em alongar um perfil de um financiamento adequado, para novos equipamentos de portos, por exemplo, que acompanhei diretamente agora, onde estamos fazendo alguns trabalhos, em equipamentos de grãos. Mas, na área de containers que precisamos avançar, é impossível nos prazos que colocam. É num prazo de 3, 4, 5 anos, quando no mundo todo se vai fazer financiamento de 10 anos. Então, era o momento também de discutirmos isso, porque não posso trabalhar na exportação sem o financiamento para a base também e infra- estruturas, aquelas colocadas para os empresários, sem contar aí da falência do Governo Federal, do ponto de vista de outras infra-estruturas, mas rapidamente. Mas pelo menos, no financiamento, as empresas privadas brasileiras. Porque quando é para privatizar e financiar os estrangeiros, nós já sabemos que é rápido. Então, a preocupação é que, se nesse estudo também foi discutido a questão do financiamento da economia daquele Estado e desse interligamento também com a infra-estrutura.
SR. TORRES DE MELO :
Bem, fomos talvez excessivamente longos, o Dr. Maia Gomes vem com uma quantidade imensa de perguntas, mas a palavra volta a V.Sa.
SR. GUSTAVO MAIA GOMES :
Vou tentar, dentro da parte das minhas anotações, ser o mais sério, o mais completo possível nas respostas, dentro de um período de tempo razoável. Acho que deveria agrupar a intervenção do Sr. João Teixeira com a do Dr. Torres de Melo, que tiveram mais ou menos a mesma posição. A primeira coisa que eu diria, era o seguinte: eu não sou a Iniciativa pelo Nordeste e nem estou aqui como nenhum representante dela. Como eu disse, isso nunca se Institucionalizou e foi bom e ruim, foi bom para mim agora, porque ninguém pode dizer que o que não aconteceu tenha sido culpa minha. Porque eu era superintendente ou presidente de alguma coisa, mas foi ruim também, por certos aspectos, vários. Eu portanto, me sinto a vontade, para ter uma posição crítica em relação a isso. Sinceramente, eu acho que no final das contas desse contrato da consultoria, há pelo menos um ponto que deveria ser enfatizado, que acho que é uma coisa que vai ser reconhecida como uma coisa importante. A iniciativa, para o meu conhecimento, pelo menos, foi a primeira tentativa de alar a palavra cluster e ao desenvolvimento natural do que isso implicava. Quer dizer, eles procuraram desenvolver uma tecnologia, houve uma tentativa disso.
Eu nunca fui, como sugeri na minha palestra, um ardente defensor da idéia que deveríamos ter um consórcio estrangeiro. Isso foi uma coisa, para ser muito direto, foi coisa literalmente imposta pelo Banco Mundial. Não imposta, porque não era o caso, mas enfim, colocada com tanta ênfase que os Estados não se sentiram em condições, nem desejosos de desenvolver. Eu sempre achei que era importante ter uma participação de uma firma, ou mais de uma firma estrangeira num consórcio, que fosse liderado por uma firma Brasileira. A firma estrangeira, sim, traria alguma experiência internacional, que ela pudesse ter, mas a parte de mobilização empresarial, particularmente, eu nunca achei que pudesse ser feita em inglês. E naturalmente, isso foi tentado em algumas ocasiões e é obvio que não podia funcionar e muito menos com visitas espaças. Eu não tenho, sinceramente, não tive responsabilidade direta nisso, porque não quis participar de nada executivo. O IPEA é um instituto de pesquisa econômica. Agora, eu posso ter um pouco desse retrospecto. Por outro lado, eles trouxeram várias coisas positivas.
Parece-me, por azar meu, particularmente agora neste momento, que estou falando por imposição do programa, enfatizando mais fruticultura, mas fruticultura foi uma coisa que andou pior nos 4 cluser’s, infelizmente, para vocês. Parece que turismo tem algumas realizações razoáveis, a parte de informática; o pessoal de Pernambuco, talvez mais do que o de Porto Seguro. Quer dizer, o pessoal de Pernambuco, sobretudo, ele é entusiasta, o pessoal da informática da iniciativa, muito mais do que eu, particularmente. Eu acho que houve como tudo, desigualmente caminhou e talvez tenha caminhado não tão bem particularmente, no setor que é mais diretamente do interesse do público que está aqui no presente momento.
Se a iniciativa será uma coisa episódica, ou não, mais uma vez, eu tenho procurado, porque terminou a única instância em que existe ainda hoje a Iniciativa pelo Nordeste, que é a instância IPEA, por que e BNDES? Eu diria, porque IPEA e BNDES trabalham juntos com isso. Porque se houver uma outra fase agora a decisão do Banco Mundial já foi trabalhar diretamente com os Estados, um a um. Eu acho que foi uma decisão sábia, porque isso faz o seguinte: Por exemplo, se o Estado da Bahia estiver descontente com o processo, ele para na Bahia, mas não precisa parar em Pernambuco, porque todo mundo está muito satisfeito, ou no Ceará, se isso acontecer. Então, foi uma decisão adequada. Isso vai se fazer agora, se houver renovação de contrato, vai ser de estado a estado. Isso de ser estado a estado tem essa vantagem, vai permitir um processo que não funcione como um trem, que se um vagão parar os outros param, mas tem uma desvantagem, porque se perde um nome, e se perde, não vai haver mais nenhuma instância que pudesse chamar a Iniciativa pelo Nordeste. Então, acho que é importante isso, preservar um pouco de região; isso está na idéia inicial da coisa, em manter a região, tentar agregar inclusive politicamente, a região. Eu andei fazendo recentemente alguns contatos, para tentar ver se preserva uma instância de coordenação IPEA/BNDES, uma instância de informação, e que isso, nesse âmbito, permaneça o nome Iniciativa pelo Nordeste. O BNDES tem interesse nisso.
Ainda também, aprofundando questões que foram colocadas pelo Dr. Torres de Melo, o Ministério de Integração, o Ministério de Desenvolvimento, possivelmente de Agricultura que tenho menos contato, mas todos eles são fãs ardorosos da idéia de cluster’s de desenvolvimento baseado em cluster’s. O que não significa necessariamente, que daí saiam ações fantasticamente efetivas, mas há um clima favorável, para que a coisa não morra, ou com nome esse, ou com outro nome, mas que o espírito da coisa se difunda. Eu também posso dizer, aí como resultado da influência do Ministério de Integração e do próprio Ministro, a Sudene tem interesse em ser mais ativa nisso aí. Agora houve essa mudança de superintendente; com o atual não tive ainda nenhuma discussão a esse respeito. Então, eu diria, acho que não deveria parar. Chama-se Iniciativa pelo Nordeste, ou não, é uma coisa inteiramente irrelevante, mas é uma instância Nordeste, acho que é importante preservar, alguma coisa que tenha uma cara regional. Por quê? Porque a região existe e várias formas e eu acho que deveria ser preservado.
Eu só diria o seguinte: A questão da Teresa, o IPEA sim, vem trabalhando em questão de cluster’s de cadeias produtivas, etc. podemos discutir e aprofundar eventuais colaborações nisso aí. Aqui há duas diretorias, a minha e também a Diretoria Setorial, mais de Indústria mesmo, que tem trabalhado nisso aí.
As questões que o Dr. Lima Matos coloca, elas são de respostas muito difíceis. Não sei se tenho condição de dizer. Apenas diria que concordo inteiramente, que um esforço de exportação que não reflita sobre questão de que a empresa brasileira paga 4 vezes mais uma taxa de juros maior, do que eventuais competidores internacionais, é realmente muito difícil de implementação. E que, claramente, alguma coisa tem que ser feita nessa linha. Eu também concordo, que não é tão difícil assim; já fizemos coisas muito mais difíceis.
A terceira questão que você colocou, já é uma coisa mais operacional do BNDES. Todo mundo sabe que esse esquema do BNDES operar via agentes financeiros, não funciona. Mas, formule essa pergunta a alguém do BNDES, porque não tenho nenhuma coisa adicional a colocar.
Creio que mais ou menos, eu cobri o que foi colocado.
SR. TORRES DE MELO:
Passamos para o segundo bloco.
Com a palavra, Sr. Mavignier.
SR. MAVIGNIER FRANÇA :
Inicialmente, cumprimento o meu amigo Gustavo, trabalhamos juntos em algum período, nós discutimos muito sobre as questões regionais, nunca mais conversamos sobre isso e temos novidades no Banco, inclusive nessa linha desse trabalho de cluster’s. a nossa visão no Banco, é que a idéia de cluster’s é uma onde que está surgindo de uns 10 anos para cá. É muito focada na experiência da Itália, da Espanha, e aqui no Brasil chegou, sobretudo no Nordeste, de uma forma ou de outra, com uma vestimenta diferente. Só para você ter uma idéia, os pólos, começamos, o primeiro workshop dos pólos foi em outubro de 1997, logo em seguida, o estudo dos cluster’s com relação a Iniciativa pelo Nordeste; agropólo surgiu logo em seguida, que hoje o Estado do Ceará implantou essa metodologia; o programa de Fruticultura Irrigada, do Ministério da Agricultura; o Sebrae também tem algum esforço nessa linha; os Eixos Nacionais de Desenvolvimento também estão no mesmo eixo. Iniciamos estudos sobre o novo modelo de irrigação; estudo que estamos na reta final.
Então, tudo isso são esforços, dentro dessa grande onda, que é muito bom. Nós dizemos sempre aqui, “quanto mais cabras mais cabritos”, mas tem que ser organizado. Então, o que temos observado é que a idéia está aí, está surgindo, os atores conversam mas não se misturam, não se unem da forma apropriada. E não se unem porque os beneficiários finais, que são os empresários, a sociedade como um todo, não cobram. Então, isso é uma coisa que sentimos, até porque, eu coordeno o Projeto Pólo de Desenvolvimento Integrado, que é um programa oficial do Avança Brasil, e naqueles pólos, onde há uma cobrança mais forte, que está nos serrados do Nordeste, eles estão avançado muito mais rapidamente, porque os empresários assumiram que o caminho deles é esse. Então, lá o Banco é muito mais cobrável e evidentemente, que ele trabalha mais fortemente, porque está sob pressão desses empresários. Nem é o Banco sob pressão, é porque eles também contribuem, eles também estão juntos, eles se sentem donos do processo.
Então, por que o Banco, digamos assim, não entrou muito forte nesse esforço? Porque o Banco estava entrando em um e a estratégia dele era diferente, aquela estratégia dele estar junto com as liderança, estar junto ao dia a dia e também estar financiando. Então, o Banco tem várias ações nesses trabalhos. Para você ter uma idéia, nesses dois anos e meio de trabalho, o Banco promoveu nos pólos 95 mil oportunidades de capacitação; financiou 450 milhões nesses 10 pólos; está facilitando uma série de renegociação de dívidas nos pólos, porque é pólo. O FUNDEP, que é o nosso fundo de desenvolvimento de pesquisa, prioriza as demandas que estão vindo do pólo que são induzidas.
Questão de informação. Nós temos uma série. Quando um trabalho demanda um pólo, é um livro, é uma informação, é um evento, o Banco está apoiando porque está no pólo, tem o selo do pólo. Criamos agora, nós chamamos Rede do agronegócio da irrigação, quer é uma rede para juntar todos os atores e todos os estudos sobre a irrigação, dentro do novo modelo de irrigação.
O terceiro, é uma articulação, um trabalhar junto, com relação a estrutura, os elos faltantes das cadeias produtivas, com relação a estrutura, que nós estamos lá juntos, sobretudo no orçamento da União agora, nas discussões, nós participamos muito fortemente, nesse trabalho. Então, é até por isso que o Banco não entrou fortemente. Era uma consultoria internacional, que não tinha um conhecimento muito forte e não ia estar aqui junto, e o Banco está lá todo dia, mostrando a cara, com agente de desenvolvimento, com o gerente, com nós aqui do ETENE, do ambiente político. Então, é por isso que o Banco realmente, estava junto com a Iniciativa para o Nordeste, mas não trabalhamos juntos, não questionamos, achamos que tinha um enfoque diferente e que lá na frente, nos encontraríamos e caminharíamos juntos. Isso frustrou um pouco, nós sabemos que a questão do Cluster ele segmentou, é um conceito que está aí para todo lugar, mas nós no Banco encaramos mais. É a questão da mesorregião, município não se desenvolve mais pelo município isoladamente e sim pela mesorregião, porque os municípios nos últimos 50 anos, se desmembraram tanto, que perderam completamente a sua identidade econômica, social e cultural. Então, nós temos que reagrupar os municípios, em função de uma bacia, em função de um vale. Então, o pólo, o cluster tem que levar isso.
O Gustavo sabe bem disso, que tem duas escolas aí nas cátedras, que falam da escola territorialista, que diz que o território é que define o desenvolvimento, o crescimento da região. Quer dizer, se tem solo bom, se tem água, se tem sol, aquilo ali é automaticamente um determinismo geográfico, que define aquele crescimento. Tem outra que diz: “Não, é o regulacionista, a governança”. O Governo joga dinheiro, joga programa, joga linhas de créditos e desenvolve. Nós achamos que as duas coisas têm que ser muito bem casadas, você tem que definir um território homogêneo, que tenha uma característica que viabilize a competitividade a cadeia produtiva, duas ou três. Em cima dessa realidade, vamos fazer uma política para aquela realidade. Não é mais política nacional não, é política do local, política construída pelos atores lá, que é a idéia do cluster, não tenha dúvida que é.
Outro aspecto que achamos relevante levantar aqui. Qual a diferença que nós no Banco encaramos? Eu digo nós, porque estamos numa estratégia do construtivismo, fazendo e aprendendo, aprendendo e fazendo. Não estou dizendo que o modelo nosso é o modelo definitivo. Nem nas universidades, essa questão do desenvolvimento econômico local é uma coisa consolidada, ainda, há muitas controvérsias. Mas, estamos caminhando, para levar os debates, as questões, como estão fazendo aqui.
Então, eu gostaria de fazer um pequeno comentário sobre o cluster e o pólo. O cluster, pela literatura e pela experiência, ele é muito originário, baseou-se muito na indústria e países mais desenvolvidos. E nos países desenvolvidos nós sabemos que a educação do povo, o aspecto cultural é diferente do nosso; a estrutura já é soberba; o sistema de informações está lá.
Então, o cluster da Iniciativa pelo Nordeste, ele partiu desse pressuposto que essa base estava pronta. Então, eu acho que é muito em função disso que deu-se esse grande problema. Nós de um pólo, estamos começando da base, mudando a visão comportamental dos empresários, da população, juntando todos os atores, documentando, discutindo, um trabalho devagar, senão as pessoas não mudam, não tomam pé, porque estão desacreditadas demais, em tudo que está aí. Outra coisa importante, é que o cluster, de um modo geral, pelo que tenho lido, ele se restringe a uma área muito pequena, é um se industrial que é muito pequeno e é mais fácil, diferentemente de um cluster rural, como fruticultura, que deve ter sido o problema mais grave, é que lá tem MST, tem os aspectos culturais do local, uma série de outros valores culturais no local, que têm de ser levados em conta, diferentemente de um cluster industrial, que ele se restringe a uma área física muito pequena e esses aspectos culturais, essas forças da sociedade, elas atuam muito menos fortemente. Então, nós no nosso trabalho dos pólos, estamos levando isso em conta. É uma dificuldade muito grande. É difícil, a literatura até mostra que são 5 anos, se tudo correr bem, nesse aspecto.
Então, estamos aí, achamos que todo esse esforço tem que ser feito, faz parte de algo pioneiro e nós estamos aí junto e esperamos que todo esse esforço, o Banco contribua nesse trabalho participativo. Só a título de informação, o tempo está muito curto, estão surgindo aí mais dois programas de irrigação e fruticultura. O Ministério de Agricultura deverá anunciar brevemente um programa de fruticultura, talvez substituindo o PADFIN, e o Ministério da Integração também está pensando em criar um programa nacional de irrigação, e o Banco está junto, com todos nós trabalhando. Agora, o que precisa ser feito é que, trabalhe junto, mas dentro de um mesmo organismo, dentro de um mesmo corpo, no sentido de responder aos grandes anseios dos atores produtivos da região.
Então, o Banco está junto sempre que for possível. Agora, esse trabalho não funciona se for só o Banco, se for só o Estado, se for só o Ministério; tem que esta junto e se desprender, no sentido de que cada um é dono desse processo, desse trabalho. Obrigado.
SR. TORRES DE MELO :
Apesar de ter diminuído um pouco o tempo, mas como tinha informações muito importantes e representa entidade muito importante, fomos condescendentes hoje com ele. De modo que, o Clinton coitado, que trabalha na Federação, não vai ter tempo para nada. Clinton, a palavra é sua. (Risos).
SR. CLÍNTON SABÓIA :
Não sei se a minha pergunta está na hora, porque a minha se dirige ao Dr. Cláudio.
SR. COORDENADOR :
Eu acho que está na hora, porque senão, ele vai ficar sem oportunidade, porque temos que ser rápidos, porque senão, a reunião termina por decurso de prazo.
SR. CLÍNTON SABÓIA :
Na Federação de Agricultura, estamos preocupados com três regiões do Ceará que produzem cana-de-açúcar. A Ibiapaba, o Cariri e parte do Litoral. Nós estamos lançando um produto em parceria com o Sebrae e já fizemos alguns cursos para produtores rurais e já existem alguns executando essa prática, um produto que nós agora estamos denominando de farelo protéico de cana-de-açúcar. O nosso problema principal estava na secagem. Já entramos em contato com várias empresas e esses secadores que estamos encontrando, sempre são muito caros. Então, aí o processo é quase impraticável. Então, em contato com o Carlos Prado, ele nos falou da existência... inclusive foi dado também na reportagem do Globo Rural esse secador. Nós estamos achando que esse tipo de secador se prestará muito bem para esse produto que estamos pensando em lançar, não só par ele, mas também par a secagem de algumas forrageiras, como é o caso do capim elefante, que é produzido em sequeiro, durante o inverno ninguém usa ele, e se poderia fazer a secagem durante o inverno, e também de uma leguminosa, no caso o mata-pasto, leguminosa que é bastante protéica e daria uma ração muito boa par o gado.
A nossa dificuldade agora, eu faria duas perguntas: A primeira. Qual a quantidade, no caso da raspa de mandioca que se deve ter por metro quadrado para a secagem? Segundo, qual a possibilidade que teria a Belgo Mineira, de fazer uma parceria com a Federação da Agricultura, com o Sebrae e a Universidade, porque estamos envolvendo a universidade nesse trabalho também, e nós temos aqui, não digo, aquele secador de 100 metros quadrados, mas menor, que poderia ser feito na exposição do Crato, e que nós lá poderíamos dar demonstrações do fabrico desse produto, juntos com a Belgo Mineira, ela nos dando aquela assessoria para instalação desse secador nessa exposição. Muito obrigado.
SR. TORRES DE MELO :
Vamos passar a palavra ao Deputado João Bosco.
SR. DEPUTADO JOÃO BOSCO :
A minha pergunta é ao Dr. Gustavo. Dr. Gustavo, eu estive agora nesse sábado, no Projeto do Castanhão; o Castanhão já começa a sangrar e eu fui visitar. Ouvi lá uma explanação do técnico do DNOCS do que era o projeto. Eu vi coordenadoria de obra, de assentado, coordenadoria para cuidar das indenizações e me preocupou uma coisa naquele projeto: foi não existir ainda na estrutura uma coordenadoria para cuidar da questão econômica do projeto.
Nós temos hoje na Região Centro-sul, no Projeto Tabuleiro de Russas, lá na nossa Região Jaguaribana, que já está praticamente pronto para irrigar, se não me engano, 6 mil hectares. Temos aqui na Região Norte, o Baixo Acaraú também, que é outro projeto de irrigação. Temos aqui a Secretaria de Agricultura Irrigada, também do Governo do Estado, e começo a me preocupar, ver já o Castanhão seguindo os mesmos passos lá, que vai irrigar 43 mil hectares, ou mais. Quer dizer, nós estamos perdendo tempo com o Tabuleiro de Russas, perdendo tempo com o Baixo Acaraú, porque se nós paralelamente, tivéssemos cuidado a questão do projeto econômico... porque o empreendedor não vai lá, pegar uma área, tem um lote dos empresários, sem ter uma visão maior de qual a cultura que vai se produzir ali e também a questão da comercialização, porque um projeto desse de desenvolvimento, tanto pode levar para o céu o empreendedor, como pode levar para o inferno. Se o cidadão não tiver uma comercialização segura, na primeira derrota que ele tiver de safra, não tiver vendido, principalmente na fruticultura, ele simplesmente já quebrou, vai deixar de empreender. A minha pergunta é a seguinte: O IPEA já foi contatado, com a SEAGRI para auxiliar em algum projeto econômico do Tabuleiro de Russas, do Projeto Acaraú e também já do projeto Castanhão? Qual a disponibilidade que se inseriu para auxiliar nesse projeto econômico desses empreendimentos aqui do Estado do Ceará?
SR. TORRES DE MELO :
Queria pedir mais uma vez permissão ao Dr. Maia Gomes, o Zuza, da Secretaria de Agricultura Irrigada está inscrito, é o último, aí nós fecharíamos o bloco e V.S. poderia responder de uma vez só.
Com a palavra o Zuza.
SR. ZUZA :
A questão da fruticultura irrigada é um negócio que realmente precisa de maturação, é um negócio diferente de um sistema industrial, ela se integra com o sistema industrial, mas a sedimentação a maturação da agricultura irrigada, ela precisa de um tempo. Petrolina tem uns 15 ou 20 anos e está num processo de estabilização, com alguns quebrando, outros ficando, mas isso é normal, quem vende camisa também que não apodrece, também quebra.
No caso do Ceará, esse trabalho foi feito com cluster com toda dificuldade, mas dá uma luz, um direcionamento e o empresário, as pessoas que trabalham nesse setor, trabalham em cima de tendências, porque não tem uma coisa segmentada, segura. O número que é significativo que podemos lembrar, é no caso das quatro culturas exportadas pelo Nordeste, que é melão, manga, uva, principalmente as três, e está entrando banana e assim por diante.
Na “Bio Rifer”, pelo Rio Grande do Norte, porque o Ceará não tem um fluxo ainda de produção de frutas na “Bio Rifer”. Então, no ano 2000 a 2001, nós estamos já com uma produção mais ou menos acertadas, com 4 grupos de produtores que estamos organizando, com uma metodologia de formação de grupo de produção. Este ano nós estamos para 4 milhões de caixas. Em função da demanda de mercado, estamos praticamente com 80% desse melão exportado, via Porto do Mucuripe. E o mais importante, via container, porque hoje a demanda de mercado e dos supermercados é via container. Então, isso dá praticamente, quase 12 milhões de dólares que possamos a vir exportar na safra 2000, 2001. São mais ou menos 3 dólares por caixa; isso é um rumo que está se tomando e esse é o tempo da maturação deles. Muitos dos empresários do Ceará que produzem melão, sempre viabilizaram essa produção via Rio Grande do Norte. As instituições fizeram trabalho via porto, reduzimos 45% do custo do Porto de Fortaleza. Isso é um dado que dá ao empresário um segmento do ponto de vista econômico. Quanto é que custa para o produtor o frete? Nós temos aqui uma logística das melhores possíveis. Nós estamos agora negociando esta semana, a Seagri, uma fábrica de adubos para Fortaleza. Um fábrica de adubo é muito importante, porque a logística daqui é muito boa. Uma empresa Chilena, possivelmente estará se instalando aqui. Então, essa questão de fruticultura, nós precisamos ter o cuidado, para não adiantar mais do que podemos, mas temos também temos a possibilidade de não errar, porque nem a economia não permite mais isso, nem temos mis tempo. Eu acho que o Ceará está tomando um rumo muito bom, porque tem um grande número de grupo de produtores se organizando, grupos médios, sendo que esses 4 grupos de produtores de melão, só os 4 pegam quase 2 milhões e meio de caixas e de forma organizada, numa parceria com o Banco do Nordeste, onde só financiamos aquilo que está dentro dos padrões tecnológicos. Outra coisa, estamos já pensando em começar a produzir melão aqui, através de muda, quer dizer, ao invés de você planta melão, você tem um stand de 20% a menos e uma economia muito ruim. Acho que estamos num rumo muito bom e além de melão, entra abacaxi, vai entrar banana. Então são culturas que, lá para 2002, nós devemos ter aí um número significativo de banana exportado pelo Ceará. Eu acho que estamos num caminho bom, mas precisamos ter calma, ter prudência e trabalhar em cima de tendência, porque segurança, você não tem mais nesse mercado agora. Precisa ter tendência e o cuidado para trabalhar.
SR. TORRES DE MELO :
Encerramos o segmento de perguntas. Voltamos a palavra ao Dr. Maia Gomes, e logo em seguida o Claude, para a responder a pergunta do Clinton.
SR. GUSTAVO MAIA GOMES :
Serei muito breve, porque na verdade, houve assim uma exposição do Mavignier, que ouvi com atenção, ele colocou o Banco à disposição, em relação ao trabalho da iniciativa, registro, mas não foi provavelmente uma pergunta, não houve pergunta. Também o senhor Zuza deu informações bastante interessantes e importantes, mas também não há perguntas.
O que registro aqui como pergunta, efetivamente, foi feita pelo Deputado João Bosco. Não me consta que o IPEA tenha sido contatado por nenhum dos órgãos mencionados, em relação aos açudes e eventual trabalho de irrigação. Nós responderemos positivamente a um contato, o que não quer dizer que isso evolua necessariamente no sentido positivo, mas temos a máxima boa vontade em estabelecer essa relação e eventualmente estudar a possibilidade de um trabalho conjunto na direção que o senhor mencionou como necessária, no que eu concordo inteiramente.
Quanto ao mais, acho que encerro a minha participação, agradeço a paciência de todos vocês.
SR. TORRES DE MELO:
O nosso Secretário de Desenvolvimento Rural, que nos honra e nos prestigia com sua presença nesta reunião conjunta dos dois fóruns, pediu uma exceção, que obviamente não poderia ser negada.
SR. SECRETÁRIO PEDRO SISNANDO:
Obrigado pela gentileza. Não poderíamos deixar de fazer uma saudação ao Dr. Humberto Fontenelle, que certa vez eu, entusiasmado, disse que ele poderia ser meu pai, e me corrigi, porque ele é da minha idade! (Risos). Poderia ser irmão, não é? E o Dr. Torres de Melo, naturalmente, como coordenador do Agropacto; um abraço saudoso ao Gustavo Maia, colega professor da Universidade de Pernambuco, quem eu muito admiro, nós trabalhamos juntos, e de quem aprendi muito naquelas oportunidades que tivemos de conviver juntos.
Quero comentar certos aspectos que foram discutidos aqui sobre a validade, a oportunidade ou não desses estudos de cluster’s, e devo dizer que nós, do Governo, até onde conhecemos, sabemos que a decisão principal relacionada com esse trabalho da iniciativa do Nordeste, tem um reconhecimento da necessidade de mais conhecimentos sobre as questões da agriculturas, da fruticultura, sobre as questões de turismo e da questão da informática e de grãos. Havia então, necessidade de mais conhecimentos, e essa foi a primeira questão.
A segunda questão sobre a qual houve muitas discussões, foi a necessidade de uma visão regional. Cada Estado, nos últimos anos, vem, isoladamente estabelecendo seus planos de trabalho, suas metas, seus desejos de desenvolver atividades nesses 4 assuntos, separadamente. Mesmo nas reuniões dos secretários de agricultura, nós ficávamos apavorados, porque cada secretário anunciava planos fantásticos para seus Estados, que se fossem reunidos, se constituiriam pouco econômicos. Então, havia uma necessidade de ma visão conjunta. E mesmo dados comentários de incentivos fiscais, guerra fiscal, essas coisas, mas havia o reconhecimento de ter uma visão conjunta do Nordeste para esse problema.
A terceira questão era com relação à identificação dos problemas principais que causavam impedimento de desenvolvimento desse setor, e sobretudo a indicação de novas possibilidades. Aí vêm inclusive as minhas primeiras dúvidas sobre os prováveis resultados do documento, quando o Gustavo frisa enfaticamente que o estudo se refere a determinadas áreas, determinados Estados, determinadas situações. Quando nas discussões eu compreendia que se estava estudando a situação era das possibilidades todas, inclusive como essa que o Deputado aqui falou, que estamos lançando nos próximos 4 ou 5 anos, 50 mil hectares novos, só na Região do Baixo Acaraú, Tabuleiro de Russas e do Castanhão, e precisávamos saber o que fazer com essas áreas, essa era a grande dúvida.
Outro ponto, em que também foram feitas críticas, que foi bem estudado, é que se reconhecia a necessidade de consultores de alta autoridade, de conhecimento, de experiência e que tivessem sobretudo – essa foi a variável principal na avaliação dos consultores – capacidade de identificar os canais de comercialização e as formas de marketing no exterior, para realizar as exportações, coisas que nós não temos; não tivemos no passado e não temos no presente, na magnitude.
Então, era o conjunto dessas ações que esperávamos desses estudos. Por isso foi que o Estado do Ceará resolveu financiar esse estudo. O Estado do Ceará está financiando esse estudo; 30% de todas as despesas relacionadas com esses estudos foram patrocinados pelo Estado do Ceará, juntamente com a Bahia e Pernambuco, através de um projeto cuja coordenação é da Secretaria de Planejamento, e que eu represento aqui também, a Dra. Mônica Clark, que se tornou acordo entre as duas secretarias, a Secretaria de Desenvolvimento Rural e Secretaria de Planejamento, a coordenadoria do estudo, porque nos outros Estados, o Projeto PAP é orientado pela Secretaria de Planejamento. Então, para haver um melhor entendimento, e realmente era um estudo, nós combinamos que a coordenação no Estado do Ceará seria realizada pela Secretaria de Planejamento, a quem temos todo relacionamento, e ainda hoje estávamos cobrando da Dra. Mônica os resultados dos estudos, pois fomos nós que pagamos, com o nosso Projeto São José, projeto de financiamento do Banco Mundial, talvez 600 ou 700 mil dólares, não sei, não temos os números precisos, porque são muitos valores que estão envolvidos nessa particularidade. E ela me disse: “Sisnando, não tenho nenhum documento oficial, ainda, recebido; eu tenho alguns documentos ainda informais, que é da fruticultura e de turismo, e por isso não temos condições de dar opinião conclusiva sobre os resultados positivos ou não desses estudos que estou enviando”. Eu não recebi ainda, sou o financiador, mas não recebi ainda nenhum dos documentos relacionados com estudo de cluster’s, mas tenho uma expectativa muito positiva, eu não sou muito pessimista não. Acho que esse grupo, mesmo desconhecendo a natureza, a problemática, o cotidiano aqui do Nordeste, mas foi um grupo muito criteriosamente escolhido. Segundo me falaram, quando me mandaram a conta, era o melhor do mundo! (Risos). Então, se o estudo não está bom, é porque nós somos bons também, ou seja, temos inclusive a capacidade de julgar se o estudo não está adequado.
Eu acho que vai ser uma contribuição adicional a outros estudos já existentes. A Fresh Consult, nós tentamos realizar trabalhos aqui, particularmente para o Estado do Ceará, algumas poucas contribuições, e o Banco do Nordeste também deu outras contribuições importantes naqueles estudos que vocês conhecem, dos pólos agroindustriais, que nós tivemos a honra de ser um dos coordenadores dos estudos que produziram 12 volumes, que precisam ser mais conhecidos elos cearenses. São 12 volumes sobre agroindústria alimentar do Nordeste, utilizando exatamente essa idéia de desenvolvimento integrado, que eu não quero discordar do meu amigo Mavignier, mas eu acho que o Banco está fazendo aquilo que sempre professou, ou seja, que sempre entendeu, que sempre teve convicções, a questão do desenvolvimento integrado. O que está entrando são as inovações e as formas de adaptação do modelo de desenvolvimento equilibrado, de Klaus; e de Narpis, Artur Lewis e muitos que falam da concepção de desenvolvimento, com base no conjunto de atividades. Mas é aquilo que o banco sempre professou, seja regional, ou agrícola, industrial.
Acho que estamos no caminho certo, e faço votos de que possamos tirar o melhor proveito desses estudos, que foram muito custosos ao Nordeste e ao Estado do Ceará. Muito obrigado.
SR. TORRES DE MELO:
Antes de passar ao Dr. Maia Gomes, eu quero lembrar que o Estado de Pernambuco entrou de forma relutante, para financiar isso; só a Bahia e o Ceará entraram na primeira hora. Foi difícil convencer Pernambuco... talvez eles estivessem melhor informados do que nós...! (Risos). A verdade é que em fruticultura, eles foram mais para Pernambuco, em termos de dar o dinheiro, do que para o Ceará.
SR. SECRETÁRIO PEDRO SISNANDO:
Quero ainda dizer que conversei hoje com a Mônica, pelo telefone, e ela disse: “Sisnando, nós temos expectativa positiva... mas tudo o que tiver de positivo nesse estudo, agradeça ao Gustavo, porque foi ele que sustentou todos os conflitos, problemas, etc.” Foi o Gustavo quem realmente conduziu esse trabalho. De modo que quero, em nome do Governo, também agradecer esse trabalho que ele fez.
SR. GUSTAVO MAIA GOMES:
Bondade da Mônica e sua também. Mas, de qualquer forma, como disse, o consórcio produziu um relatório final, Sisnando, que está sendo traduzido para o português em edição final. Eu acho que isso será encaminhado no devido tempo. Eu resguardo novamente a minha posição, porque não tive nenhum envolvimento executivo nisso, portanto, não estou aqui para prestar contas pelo consórcio, mas tomara que a expectativa que você está formulando seja a sua opinião final, depois de examinar aquilo que foi feito. Mas, sempre o consórcio disse – é preciso reconhecer – que a atividade principal não era estudo, era mobilização e tentar começar a fazer. Portanto, o componente estudo era um componente de menor relevância relativa.
Creio então que isso encerra a nossa participação. Volto a dizer que agradeço o convite e esperando então continuar esse aprofundamento.
Volto a dizer, particularmente a quem levantou o assunto, à Teresa e ao deputado, que o IPEA está aberto para contato, no sentido de se estabelecer pauta de estudos, etc. Nossos recursos são limitados, evidentemente, mas não o interesse pela região e pela temática de desenvolvimento regional em particular. Muito obrigado.
SR. TORRES DE MELO:
Nós agradecemos ao Dr. Maia Gomes, nesse encerramento o faremos com mais propriedade, e passamos a palavra ao Dr. Claude, para a resposta.
SR. CLAUDE RENE CAMILE MINES:
Em relação à mandioca, não temos nenhuma informação, aliás, a informação mesmo técnica, nós só temos de café. Agora, a Belgo Mineira Bekaert - EMBA está aberta a qualquer tipo de trabalho de pesquisa integrado com a Universidade, instituto de pesquisas, tipo Embrapa e pelo Brasil afora, que eu tenha coordenado. Estamos dispostos a fazer um trabalho disso, que seja bem estruturado tecnicamente; uma pesquisa cientificamente conduzida a colaborar em qualquer tipo de pesquisa que se queira fazer. Basta entrar em contato comigo, que podemos debater isso e fazer o trabalho em conjunto em qualquer região.
SR. TORRES DE MELO:
Nós gostaríamos de agradecer, depois o Dr. Clinton entraria em contato com o Dr. Claude, após a nossa reunião.
Quero dizer que foi uma reunião extremamente rica, porquanto além do nosso palestrante, com sua competência reconhecida por todos nós. Tivemos contribuições bastante interessantes da platéia, inclusive a do nosso Secretário, que nem poderíamos deixar de ter, de maneira nenhuma, depois que ele volta de uma peregrinação religiosa... quem ousaria discordar de alguma coisa que ele dissesse? (Risos).
Queremos dizer ao Dr. Humberto, nosso companheiro e amigo, e à Teresa, que foi uma experiência muito interessante, a reunião dos nossos dois movimentos, e a próxima reunião, já marcada aqui, creio que isso seja o início de um casamento que possa gerar inúmeros filhos, todos tão ardorosos no cumprimento das suas obrigações, como os atuais pais.
A palavra é do companheiro e vice-presidente desta Casa, a qual volto sempre com muita alegria e satisfação.
SR. HUMBERTO FONTENELLE:
Eu gostaria de saudar aqueles que ficaram, no caso, Torres de Melo, Secretário Pedro Sisnando, Lima Matos; nosso palestrante, Gustavo Maia; Dr. Claude Rene; e saudar de modo especial a vocês que aqui vieram.
Como disse o Torres de Melo, realmente já estaremos marcando uma próxima reunião, que eu espero, em nome da FIEC, que tenha o mesmo brilho que tivemos aqui. Nós ficamos muito honrados com a presença dos senhores aqui. estamos aqui às ordens, podem dispor da Federação das Indústrias.
Muito obrigado aos senhores. Está encerrada a reunião.