WORKSHOP DO AGRONEGÓCIO CAJU

19 de Setembro de 2000

ABERTURA SOLENE

 

“Aspectos Políticos Institucionais do P & D”

 

Apresentação da Plataforma Regional do Agronegócio Caju

Dr. Carlos Prado

Coordenador do Comitê Gestor da Plataforma do Caju

 

 

SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS:

 

         Boa-noite a todos. É com muita alegria que o Ministério de Ciência e Tecnologia, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC, a Embrapa Agroindústria Tropical, e a Federação da Agricultura do Estado do Ceará – FAEC, recebem a todos para a realização do evento: WORKSHOP DO AGRONEGÓCIO CAJU, que tem como principal objetivo dar continuidade aos trabalhos, visando a recuperação e o desenvolvimento da cadeia produtiva do caju. Foi iniciado em 1998, quando o Sindicaju, Sincaju, a gerência setorial da castanha de caju, CAMEX, com apoio da FIEC e Sebrae, reuniram cerca de 80 empresários e líderes desse segmento para realizar o planejamento estratégico da castanha de caju no Ceará.

 

         Ao longo do período de quase 2 anos, muitas ações concretas foram realizadas, a exemplo deste Workshop, que ora iniciamos.

 

         A regionalização dos trabalhos, com a participação do Estado do Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco, a integração com vários ministérios e instituições criam a esperança de que a soma de esforços e a prioridade para os temas comuns a todos os Estados nos levem ao caminho do sucesso.

 

         Este evento é uma promoção do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e do Ministério de Ciência e Tecnologia. A realização é das seguintes Instituições: Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC, Embrapa Agroindústria Tropical, Federação da Agricultura do Estado do Ceará – FAEC. O apoio é das seguintes Instituições: Banco do Nordeste, Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Rio Grande do Norte, Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Piauí; Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria de Agricultura Irrigada e Secretaria de Desenvolvimento Rural; Sebrae/Ce; Sindicaju, Sindicato da Indústria de Caju do estado do Ceará; Sincaju, Sindicato dos Produtores de Caju do Estado do Ceará; Secretaria de Agricultura da Bahia, Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco; Subgerência de Planejamento do Maranhão – GEPLAN. A essas empresas e Instituições, os nossos agradecimentos em especial.

 

         Para iniciarmos nossos trabalhos, convidamos para compor a Mesa, as seguintes autoridades:

 

         Dr. Almiro Blumenshein, Diretor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, representando aqui o Exmo. Sr. Ronaldo Mota, Ministro da Ciência e Tecnologia. (Aplausos).

 

         Sr. Pedro Sisnando Leite, Secretário de Desenvolvimento Rural do Estado do Ceará, aqui representando o Exmo. Sr. Tasso Ribeiro Jereissati, Governador do Estado do Ceará. (Aplausos).

 

         Sr. Francisco Férrer Bezerra, chefe geral da Embrapa Agroindústria Tropical, aqui representando o Sr. Ministro da Agricultura e do Abastecimento, Marcos Vinícios Pratini de Moraes, e o Presidente da Embrapa, Sr. Alberto Duque Portugal. (Aplausos).

 

         Deputado Federal, Exmo. Sr. Marcelo Costa e Castro, Secretário de Agricultura do Estado do Piauí. (Aplausos).

 

         Sr. Carlos Matos Lima, Secretário de Agricultura Irrigada do Estado do Ceará. (Aplausos).

 

         Sr. Manoel Jamir Fernandes Júnior, Secretário adjunto da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Norte, aqui representando o Governador do Rio Grande do Norte, Exmo. Sr. Garibaldi Alves Filho. (Aplausos).

 

         Sr. Jorge Parente Frota Júnior, Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC. (Aplausos).

 

         Sr. José Ramos Torres de Melo Filho, Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Ceará – FAEC. (Aplausos).

 

         Sr. Carlos Prado, Coordenador do Comitê Gestor da Plataforma do Caju. (Aplausos).

 

         Sr. Cosmo Joaquim da Silva, representante da Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco. (Aplausos).

 

         Sr. Mário Rogério Araújo Sousa, representante da Subgerência de Planejamento do Maranhão – GEPLAN. (Aplausos).

 

         Sr. Augusto Sávio Mesquita, Diretor de Desenvolvimento da Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia. (Aplausos).

 

         Gostaríamos de citar, com  muito prazer, a presença de algumas autoridades: Sr. Francisco Régis Cavalcante Dias, Diretor Superintendente do Sebrae/Ce; Dr. Euvaldo Bringel, Presidente do Sindifrutas, Sindicato dos Produtores de Frutas do Estado do Ceará; Dr. Paulo de Tarso, Presidente do Sindicato dos Produtores de Caju do Estado do Ceará, Sincaju; Dr. João Hudson, Presidente do Sindicaju, Sindicato das Indústrias de Caju do Estado do Ceará; Sr. Francisco Eduardo Costa Magalhães, representando aqui o Banco do Brasil; Sr. Carlos Antonio Morais Cruz, representando o Banco do Nordeste.

 

         Recebemos a justificativa do Senador Sérgio Machado, que não pôde comparecer, e deseja votos de muito sucesso a este evento.

 

         Composta a nossa Mesa de trabalhos, abrindo oficialmente esta Solenidade, ouviremos as palavras do Dr. Almiro Blumenshein, Diretor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, aqui representando o Exmo. Sr. Ministro Ronaldo Mota, da Ciência e Tecnologia.

 

 

SR. ALMIRO BLUMENSHEIN:

 

 

         Senhores secretários, senhores dirigentes de sindicatos e federações; senhoras e senhores. Sem muito formalismo nós queríamos manifestar o interesse e a satisfação do Sr. Ministro em estar presente aqui – ele nos disse isso – mas infelizmente, por compromissos assumidos anteriormente à organização deste Workshop ele não pôde estar aqui presente, e nos pediu que o representasse neste momento.

 

         Nossa presença aqui se enche de toda satisfação, é grande a nossa satisfação em estar aqui, por vários motivos. O primeiro deles é porque estamos no Ceará e dentro de uma atividade do agronegócio, que na verdade é aqui que sempre motivou a nossa vida. E porque temos aqui ao nosso lado direito, alguém que representa uma instituição, que é a Embrapa, da qual nos orgulhamos – e nos orgulhamos muito – por termos sido um dos iniciadores dessa Instituição, que  tanto tem feito pelo nosso País, em especial, pelo nosso Nordeste, e em especial ainda, pelo caju. Então,  permitam-se, de maneira destacada, cumprimentar essa Instituição, não só pela minha ligação a ela, mas a minha homenagem pelo que ela tem realizado, principalmente nesse produto com o qual estamos trabalhando hoje aqui.

 

         Quando visitamos o Ceará, há mais ou menos 2 meses, ou um pouco menos, numa reunião em que me pegaram de surpresa – mas eu estava preparado para surpresas – e fui muito bem recebido, me serviram um lauto almoço, conversamos muito e no final, quando já estávamos nos despedindo, na hora da sobremesa, me fizeram uma pergunta: “E agora, o que o CNPq tem para o caju do Estado do Ceará?” Mas, os cabelos brancos nos deram uma saída, na hora! Sabendo de tudo o que vinha sendo feito, entendendo todo o esforço do empresariado, dos órgãos administrativos não só do Ceará, mas de toda Região Nordeste, dos pesquisadores, enfim, de todo esse universo de setores, nós respondemos: o que o CNPq pode fazer é apoiar a realização de uma Plataforma do caju, mas com uma condição, que essa Plataforma seja extensiva a toda a Região, e não restrita, e que ela culmine com a discussão, também, da formação de um fundo que seja administrado, que seja resultado da contribuição de produtores, de empresários, enfim, de Governo, para que ele seja administrado de uma maneira criativa, de uma maneira bastante eficiente pelo setor do empresariado, ou por todos os componentes dessa cadeia produtiva. Imediatamente acionamos os nossos grupos que já têm uma certa experiência nesse aspecto, e foi com  grande satisfação que vimos os representantes locais trabalharem de uma maneira inteligente, de uma maneira eficiente, e hoje estamos chegando a este Workshop, que é uma das fases extremamente importantes, mas não a mais importante; é aquela em que a gente começa um processo ou testemunha a integração dos diversos setores.

 

A filosofia ou estratégia da Plataforma, que o CNPq vem desenvolvendo é justamente essa. Não é simplesmente um Workshop, um trabalho onde a gente detecta pura e simplesmente os gargalos, mas é um trabalho de convencimento, é um trabalho de muita conversa, trabalho de muita negociação, a fim de que o enfoque da cadeia seja muito bem claro. Nós, durante muito tempo neste País, aliás, no mundo inteiro, até 30 anos atrás, dávamos um enfoque na produção agrícola, muito grande na produção. Lembro-me, e os colegas da Embrapa que estão aqui também, que quando falávamos em pesquisa, em produção, nós falávamos na propriedade agrícola, em aumentar produtividade, em aumentar a produção; e esquecíamos, ou pelo menos não víamos, que esse é só uma porcentagem, é só um componente, e um componente que às vezes não passa de 30% de toda a cadeia produtiva. Data de mais ou menos 10 anos esse enfoque do Brasil, em que a produção não é suficiente e que é preciso que a gente olhe todo o universo fora, antes, depois e dentro da porteira, para que as coisas realmente funcionem e que as coisas caminhem no processo, com eficiência e que traga os resultados que todos queremos, em termos de economia, e em termos sociais, de divisão de riquezas, de criação de riquezas, de criação de empregos, enfim, o componente econômico e social. É preciso que a gente pense no transporte, em todos esses componentes, como a tecnologia, é preciso que a gente pense no Governo, com as suas ações, é preciso que o empresário encare o processo com sua união, seu entendimento; é preciso que ele trabalhe junto, naturalmente sem descuidar da competitividade, que faz com que as coisas caminham no mundo e dentro da sociedade.

 

Isso foi muito bem entendido aqui, e esse trabalho, nesses 90 dias, nós estamos acompanhando de longe, com nosso pessoal participando, foi muito bem feito, e estamos chegando a uma posição extremamente interessante, culminando com este Workshop, onde vamos, durante 3 dias, ouvir a participação, a palavra, a opinião, as sugestões dos diversos setores, e daqui tirarmos, definirmos como, para onde nós vamos, e que ações tomar.

 

É com grande satisfação que acompanhamos os entendimentos sobre a criação do fundo. Nos parece uma iniciativa extremamente importante que hoje o Brasil está olhando com um certo carinho, e com muita criatividade. Em outras eu já disse, em minha visita, na primeira vez, que empresários de outras regiões do Brasil têm procurado maneiras criativas de darem contribuição de criarem e administrarem essas formas de fundo, de maneira a se tornar um parceiro do Governo, e não simplesmente um receptor de ações ou contribuições desse Governo.

 

A maneira como a cosia está se desenvolvendo me parece extremamente importante, não é algo que se cria de um dia para outro, é preciso muito envolvimento, criatividade. Eu acho que agora estamos num ponto extremamente importante, de vermos como é que o Governo pode participar disso como um parceiro, e não como um determinante de ações dentro desse processo. De que maneira podemos colocar dinheiro público dentro de um processo como esse, em contrapartida do dinheiro privado, de que maneira, juntos, podemos administrar isso, para que toda cadeia funcione, para que todos os gargalos sejam decididos.

 

O CNPq vai continuar a apoiar, vai continuar a estar presente na sua função, que agora é um pouco diferente da sua função do passado. O CNPq muitas vezes é visto como um órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia, um banco de bolsas, um banco de recursos que pode financiar pesquisas ou ações de tecnologia. Essas ações com relação ao caju, estão mostrando que o CNPq pode ser muito mais do que isso; o CNPq pode ser um órgão catalisador, pode ser um órgão que apoia, pode ser alguém que entra no momento exato, para que as coisas funcionem, para que as coisas se integrem, e para que haja realmente um esforço conjugado de ações. E é dessa maneira que o Ministério pretende que o CNPq seja visto.

 

Nós estamos vivendo hoje – eu disse outro dia – um momento extremamente importante na ciência e tecnologia no brasil: finalmente nós temos uma vontade política definida neste Brasil. A vontade política que vem do Senhor Presidente da República apoiado, ou receptivo pelo nosso Ministro de Ciência e Tecnologia e naturalmente, pelo Poder legislativo, que tem permitido criar os chamados Fundos Setoriais, que vão duplicar, e quiçá, triplicar os recursos para pesquisa em ciência e tecnologia neste País. Então, há a vontade política e já há ações, com a criação dos fundos, que são bastante importantes e bastante alvissareiras para todo mundo que tem envolvimento nesse processo.

 

Estamos indo um bocadinho além, sob a orientação do senhor Ministro, do que simplesmente a busca de recursos. Há uma busca – e uma busca intensa – de parcerias, uma busca intensa de integração, de se unir a outros Ministérios, ao setor privado, às Universidades, para que  juntos possamos fazer mais eficiência. Nós estamos assinando com o Ministério da Agricultura um convênio através do qual vamos apoiar que o Ministério e o CNPq desenvolvam o programa de produção integrada de frutas neste País. Essa produção de frutas, naturalmente vai atingir a produção de caju, por ser uma das prioridades da Região Nordeste.

 

Dentro desse processo vamos ter condições de atacar, ou se ajudar num processo extremamente importante, que é qualidade para competitividade e para exportação. A criação de protocolos, a criação de laboratórios de análises, a criação de uma rede nesse sentido certamente será extremamente útil, mesmo dentro dessa cadeia, que é a cajucultura, ou o Agronegócio Caju no Brasil.

 

Nós estamos trazendo, como contribuição do CNPq, e os senhores vão ver amanhã, uma proposta da criação de um Portal do Caju, na rede de Internet. O que está sendo trazido a vocês é um piloto, mas que naturalmente só poderá se desenvolver com a ajuda e com a participação do setor empresarial, da academia, dos pesquisadores de modo geral. O que nós estamos trazendo é a idéia, e já um piloto das coisas. Vocês vão ver que são ações extremamente importantes que inclusive terá repercussão na comercialização internacional, na venda por Internet, enfim, dentro dessa era de informações, o CNPq, através do Prossiga, tem possibilidades de realizar isso, e de auxiliá-los. Agora, isso não pode ser feito sozinho. O piloto será colocado e se isso for de interesse, se isso for julgado pelos empresários, pela comunidade, pelos elos da cadeia como importante, o CNPq dará o seu apoio, continuará dando todo apoio técnico para que isso seja colocado e implantado.

 

 

Vamos um pouco mais longe do processo, porque estamos  interessados no apoio, estamos oferecendo ao grupo, ao Agronegócio da cajucultura, a participação do CNPq no processo de criação de normas, na criação de processos de certificação de frutas e de material que é extremamente importante para a competitividade e  principalmente em nível internacional.

 

 

Então, essas são as ações, e a maneira como o CNPq pretende agora trabalhar e participar do processo; vamos continuar a agir, ser o elemento catalisador, a apoiar aquilo que for decidido pelo grupo gestor, a participar das discussões, a intervir – quando necessário – para ajudar, colaborar. Porque a filosofia da Plataforma é essa, ela não pára hoje, ela apenas é iniciado, continua e torna-se agora quase que eterna e quase que contínua dentro desse prosseguimento de desenvolvimento e manutenção do Agronegócio.

 

Gostaria então de parabenizar os participantes desta reunião, as autoridades, aos presidentes das associações de toda Região Nordeste, dentro do Agronegócio, pela maneira como estão encarando, pela maneira como estão agindo e participando desse processo.

 

O que poso dizer é que podem contar com a presença, a participação e apoio do CNPq nessa empreitada, que é extremamente importante para a Região e extremamente importante para o Brasil. Muito obrigado. (Aplausos).

 

 

SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS:

 

         Gostaríamos também de citar a presença do Dr. Paulo Frota, chefe administrativo da Embrapa Agroindústria Tropical; Dra. Maria Pinheiro, chefe da Embrapa Meio Norte; Dr. Jaime Aquino, maior produtor de caju do mundo; Dr. Ronaldo Fontenele, gerente setorial da castanha de caju – PEE/CAMEX; Dr. Humberto Fontenele, vice-presidente da FIEC; Dr. Ésio do Nascimento Silva, Presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Ceará.

 

         Ouviremos agora as palavras do Dr. Jorge Parente Frota Júnior, Presidente  da Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC.

 

 

SR. JORGE PARENTE FROTA JÚNIOR:

 

 

         Uma boa noite a todos. Gostaria de saudar o Dr. Almiro, representante do Ministro de Ciência e Tecnologia, aqui à Mesa; saudar o Secretário Pedro Sisnando Leite e Secretário Carlos Matos, do Desenvolvimento Rural, e da Agricultura Irrigada, respectivamente, do Governo do Estado do Ceará; os companheiros de entidades de classe aqui presentes, na pessoa do companheiros Torres de Melo; dos visitantes, na pessoa no Deputado Manoel Castro; os técnicos, na pessoa do Dr. Francisco Férrer, diretor da Embrapa Agroindústria Tropical; companheiro Carlos Prado, Coordenador da Plataforma do caju, representando aqui também a FIEC;  os empresários, nas pessoas dos companheiros Humberto Fontenele e João Hudson, também, colegas da FIEC;  as entidades, gostaria de saudar o Dr. Régis Dias, diretor superintendente do Sebrae/Ce; todos os técnicos, na pessoa da Dra. Teresa Elenice Mota, essa técnica de tanta expressividade no cenário de tecnologia do Ceará; minhas senhoras, meus senhores.

 

         As minhas primeiras são de cumprimentar os realizadores do evento, e saudar os presentes de outros estados, quando temos aqui, como disse Dr. Almiro, a seqüência de um empreendimento, de um movimento que surgiu há menos de 3 meses; surgiu a partir de uma discussão realizada no Fórum da Tecnologia, que é uma discussão ampla dos setores que envolvem toda a produção, a  tecnologia, envolve o meio produtivo, o meio universitário, o Governo, enfim, essa busca da solução compartilhada, que já é uma marca que nós todos temos, aqui no Ceará, em função dessa filosofia que nós temos, emanada a partir do Pacto de Cooperação.

 

         Então, há menos de 3 meses essa semente foi lançada, e hoje temos aqui a realização de tanta expressividade, com apoio de 6 Ministérios do País. Seis Ministérios! Dificilmente se vê um movimento neste País, com tão curto tempo de lançado, com apoio tão expressivo de 6 Ministérios. Com a presença de 6 Estados da Região Nordeste; isso denota a característica de que esse movimento, de fato, já nasceu grande; movimento que busca a competitividade de um setor, onde os Estados Nordestinos já demonstravam sua vocação, e onde nós, através da tecnologia que temos tido apoio da Embrapa desde muitos anos, e vem evoluindo cada vez mais, é um dos suportes básicos para que tenhamos a competitividade internacional, já que hoje temos que buscar o mercado em todos os setores em nível da globalização. E mais especificamente, a castanha de caju, produto com foco expressivo da sua participação no mercado internacional, haja vista que cerca de 90% da produção de castanha de caju brasileira é exportada. Isso demonstra claramente a importância que isso tem para o Brasil, em primeiro lugar, do ponto de vista da exportação da geração de divisas, tão importante para suprir a situação da balança comercial brasileira; e em segundo, não menos importante que o primeiro, a forte geração de emprego que a castanha de caju possibilita no Nordeste, uma região carente de emprego, e sobretudo o emprego que possibilita, no Interior do Estados, onde há essa forte migração da população rural em busca dos centros urbanos. E a castanha de caju possibilita, na sua sazonalidade de produção, cerca de 600 mil empregos na Região Nordeste, e com a geração de divisas, que hoje representa apenas 200 milhões de dólares. Mas, temos certeza de que, com esse esforço que está sendo implementado, a partir do apoio extraordinário do Governo federal, nós teremos em breve, e num curtíssimo prazo, nos próximos 4 ou 5 anos, dobrar as exportações de castanha de caju no Nordeste.

 

Para tanto, nós temos que analisar o tripé básico necessário hoje, na globalização, para que tenhamos competitividade: a tecnologia, que no caso da castanha de caju, tanto do ponto de vista do setor primário, como do setor secundário, da parte industrial, nós temos tecnologia de ponta, para competir internacionalmente. No caso do financiamento, é o grande gargalo que nós temos hoje. E aí nós temos o apoio de 6 Ministério do País, mas gostaríamos de deixar uma mensagem, que fosse levada a Brasília, para o Ministério da Fazenda: para que os órgãos financiadores, no caso, o BNDES, o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste procurassem facilitar as linhas de exportação da castanha de caju, e não se mantivessem na burocracia do crédito que existe neste País, em relação a fixar limites para o setor industrial, baseado nos limites simplesmente cadastrais, que seja considerada a parte realmente importante, que é a capacidade de exportação da castanha de caju, seja linhas de financiamento para exportação liberadas dos limites e tetos implantados na burocracia que existe no setor financeiro brasileiro. Com esse gargalo do financiamento sendo superado, nós  teremos então, com certeza, o sucesso do setor, porque na área comercial, que é outro problema que vínhamos tendo para o setor, nós tivemos apoio extraordinário da Ministra Dorotéia Wernek e da APEX, que aqui esteve, também nesse movimento da Plataforma do caju, e apoiada pelo Sebrae, ao apoiar uma atividade que devemos processar no próximo mês de novembro, que é trazendo os importadores de castanha de caju do exterior, para virem conhecer de perto a situação tanto da produção no campo como o setor industrial, que somos o setor mais competitivo do mundo.

 

Completando esse tripé da tecnologia e o financiamento, a comercialização com marketing garantido, um dos problemas graves que nosso País tem, nosso País não exporta, nosso País é comprado, não temos nenhum produto de marca internacional neste País; e um País como a Suécia, de proporções  tremendamente inferiores ao Brasil, tem pelo menos 5 marcas internacionais. Com a castanha de caju, nós poderemos pensar, nesse movimento que já nasceu grande, pensar que castanha de caju, no futuro, não venha a ser uma comoditie, e venha a ter sua condição de marketing de produto de castanha de caju do Brasil, comercializada nos grandes supermercados do mundo afora.

 

É nesse movimento nós, desde o começo colocamos a FIEC como elo integrador do desenvolvimento do Estado do Ceará. Nós não temos nenhuma vaidade de levar para a FIEC os louros de qualquer vitória, nós temos é um trabalho em conjunto, com o Presidente da FAEC, Torres de Melo, com o setor terciário do Ceará, em um movimento de sinergia, que é esse movimento moderno que está aqui no Ceará. Que o Dr. Almiro leve essa mensagem, de que aqui já estamos trabalhando com esse elo da cadeia produtiva, porque se qualquer um dos elos estiver frágil, a cadeia toda não funcionará.

 

Em relação à parceria, que o Dr. Almiro também coloca, fique certo, Dr. Almiro, que é outro tema básico. Nós somos a parceria com o setor primário, porque se não tivermos o suprimento adequado de matéria-prima, não teremos um setor industrial forte e competitivo.

 

Com  essas palavras, gostaria de encerrar dizendo que é muito comum empresário e linha empresaria criticar o Governo, mas neste momento eu gostaria de fazer um elogio ao Governo, pelo apoio que tem dado a esse setor nos últimos tempos, porquanto, há menos de 3 meses temos aqui um movimento que já nasce grande e com certeza estará dando resultado.

 

Ao mesmo tempo em que elogio o Governo, conclamo o setor financeiro aqui representando pelo Banco do Nordeste, Banco do Brasil – e o BNDES em breve vai ter um posto avançado aqui no Ceará – para que mudem a forma de financiar o setor da castanha de caju do Nordeste Brasileiro. E só assim teremos então, não só a esperança –  como disse a Enid, quando fez a abertura –  de que esse evento terá resultado, mas a certeza de que sairemos, num breve tempo, para um sucesso total do setor da castanha de caju no Nordeste Brasileiro. Muito obrigado. (Aplausos).

 

 

SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS:

 

 

         Prestigia-nos também o Sr. José Wellington, Delegado Federal da Agricultura do Estado do Piauí; Sr. Wilson de Pinho, vice-presidente da FAEC.

 

         Ouviremos agora as palavras do Sr. Francisco Férrer Bezerra, chefe geral da Embrapa Agroindústria  Tropical, aqui representando o Ministro da Agricultura e do Abastecimento, Exmo. Sr. Marcos Vinícios Pratini de Moraes, e o Sr. Alberto Duque Portugal, Presidente da Embrapa.

 

 

SR. FRANCISCO FÉRRER BEZERRA:

 

 

         Boa-noite. Dr. Almiro, nosso Presidente do CNPq; Dr. Pedro Sisnando, em nome do qual saúdo todos os componentes da Mesa; senhores empresários, técnicos, federações aqui presentes, colegas da Embrapa, senhoras e senhores.

 

Como dever de Justiça, e como que pagando uma conta, gostaria de fazer aqui uma referência ao Dr. Almiro Blumenshein, pessoa com a qual trabalhei durante 10 anos. com ele aprendi a filosofia da Embrapa, com ele aprendi a gerenciar a pesquisa na Embrapa. E hoje, o que a Embrapa é deve-se muito à primeira diretoria da empresa, da qual ele participou; foi ele o responsável – alguns da Embrapa sabem, mas eu gostaria que todos soubessem – pela formação da primeira equipe técnica-científica da Embrapa. Nós trabalhamos por um período juntos, ele como diretor e eu como presidente da Epace; em outro período, eu, como gerente de um departamento da administração central da Embrapa, e ele como chefe do centro de arroz e feijão em Goiânia. Porquanto, Dr. Almir, eu queria lhe dizer isso há muito tempo, e acho que este é o momento certo, muito importante: aprendi muito com você, e hoje estamos começando um segundo batente da história das nossas ações em função de uma geração e transferência de tecnologia para um determinado segmento.

 

         Vim aqui, gente, com uma missão melindrosa. Se representar o presidente da Embrapa já era difícil, que dirá  representar o Sr. Ministro Pratini de Moraes! Isso me orgulha por ser eu um técnico daquela empresa e ter recebido essa confiança da representação.

 

Gostaria de falar rapidamente da ação do nosso Ministério da Agricultura, e também da Embrapa, no que diz respeito à primeira demanda da Região Nordeste capitaneada pelo Estado do Ceará, que foi o pedido feito em 1986/87, para a criação de um Centro de Pesquisas do Caju, para exatamente atender às necessidades tecnológicas do setor do Agronegócio caju da nossa região. Esse pleito foi feito por uma força do setor empresarial, pelos técnicos, pelo setor político e pelo setor executivo. E aqui faço uma referência: quem capitaneou, sem desmerecer os demais, esse processo – e eu sempre tenho dito isso – foi o Dr. Humberto Fontenele. O nosso Ministro passou então de imediato a missão à Embrapa e dentro de 100 dias mais ou menos criou o centro e aqui deu os primeiros passos. Começamos em 1987, e hoje, depois de 13 anos, a gente já viu o grande efeito que trouxe a ação do Ministério da Agricultura para uma demanda real da região nessa atividade do caju, que era a mais importante, a principal do Ceará, do Piauí e do Rio Grande do Norte.

 

Posteriormente a Embrapa começou a trabalhar junto ao setor privado, e inicialmente esse trabalho foi feito com a Itaueira Agropecuária, que é de propriedade do Sr. Carlos Prado; posteriormente, também com outras instituições, como a Capisa e a Coopan. Então, o Ministério da Agricultura e a Embrapa criaram uma credibilidade perante os atores do setor da agroindústria do caju.

 

Em 1998, capitaneado pela própria FIEC, através do Dr. Ronaldo Fontenele, se elaborou o primeiro programa de trabalho, o PEE/CAMEX, que foi apresentado em fevereiro deste ano, na Câmara Federal, com a participação, presente em plenário, mais de 100 deputados federais da região e alguns senadores – os 3 do Estado do Ceará estavam lá presentes. A proposta era incluir no PPA, Plano Plurianual, a atividade caju. nós conseguimos isso, o Estado, a região conseguiu isso. Apesar de ter sido capitaneado pelo Estado do Ceará esse processo, a ordem foi estender aos outros Estados, e assim, o Estado do Ceará, sem nenhum orgulho, deu toda a experiência aos outros Estados que aqui estão presentes.

 

De imediato, um grande resultado dessa interferência do Estado junto à Câmara Alta do País, e também junto ao Ministério da Agricultura, foi um destaque no plano safra 2000/01, 50 milhões de reais para atender ao custeio investimento da atividade caju na Região Nordeste. eu acho que essa aí foi uma grande contribuição e um grande resultado do esforço dos nossos empresários, nossos produtores, nossos industriais, nossos exportadores, da classe técnica, dos políticos, junto à administração superior do País.

 

Vejam bem, foi uma sorte porque sem esperar tivemos o prazer de receber no nosso Estado o Dr. Almiro Blumenshein, que propôs a criação dessa Plataforma que ora estamos iniciando aqui, e tivemos também a sorte do estado já ter um certo preparo nessa organização de um programa especial para a cajucultura, que culminou com este Workshop, e dele vamos tirar bons resultados.

 

Não tenham dúvidas, todos aqui presentes, que é de suma importância essa integração dos Ministérios. Veja bem que o nosso CNPq alocou para ele a possibilidade de articular as ações junto aos Ministérios e de lá tirar proveito, em função desses trabalhos que vamos desenvolver daqui por diante.

 

Gostaria de cumprimentar todos os atores da cadeia produtiva do caju pela sua organização, pela sua dedicação e pela sua confiança à proposta. O Ministério e a Embrapa se comprometem neste momento a continuar dando apoio a essas ações emanadas dos estados, para que tenhamos no final de 5 anos, um resultado positivo, consoante com essa proposta que se faz.

 

Nós esperamos em todos os momentos, a  Embrapa, para ser coerente com a sua posição de 1987, que ela receba o prestigio de vocês, também se compromete a reagir com soluções tecnológicas para as atividades de produção, de processamento, e as atividades mercadológicas do Agronegócio Caju. seriam as palavras do Ministério e da nossa Embrapa para este evento. Muito obrigado. (Aplausos).

 

 

SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS:

 

 

         Citamos também a presença do Sr. José de Anchieta Moura Fé, representando o Ministério da Ciência e Tecnologia.

 

         Ouviremos as palavras do Dr. José Ramos Torres de Melo Filho, Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Ceará – FAEC.

 

 

SR. JOSÉ RAMOS TORRES DE MELO FILHO:

 

 

         Permitam-me todos os membros da Mesa, que eu saúde todas as autoridades federais aqui presentes na pessoa do Dr. Almiro; todas as autoridades estaduais na pessoa do nosso Secretário de Desenvolvimento Rural, Dr. Pedro Sisnando. Todas as autoridades de outros Estados na pessoa do meu prezado e distinto amigo, Deputado Marcelo castro, cuja atuação na Câmara Federal tive a oportunidade de presenciar e admirar; na pessoa do Jorge, todo o empresariado, seja do setor primário ou secundário, irmanados aqui com um único objetivo; saudar o Carlos Prado e o Wilson de Pinho, pela demonstração de competência ao organizarem este evento com o brilho que estamos assistindo; ao meu amigo Régis Cavalcante, Superintendente do Sebrae, parceiro de todas as horas; ao Sr. Eduardo Magalhães e ao Sr. Carlos Cruz, que já estiveram conosco no café da manhã do Agropacto, às 7h30min, representando respectivamente o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste.

 

         Tivemos o sonho muitas vezes, algumas vezes entrecortado de pesadelos; hoje, estamos vendo ser realizado esse sonho. Os entreveros entre os nossos sindicatos de produtores e de indústria forma inúmeros, muitas páginas de jornal foram ocupadas. A participação das federações na solução desses problemas foi fundamental; o Humberto e o Fernando Cirino, juntamente conosco, muitas vezes juntamos o João Hudson e o Paulo de Tarso, para chegarmos a esse resultado ao qual finalmente estamos chegando, em torno da beleza do caju, que duplique-se, que deverá crescer em função da permanente parceria que a Embrapa tem conosco.

 

         Amanhã faremos uma pequena exposição e não deveríamos cansá-los, mas tem outro sonho que eu tinha e que estou também hoje vendo realizado: o reestabelecimento do sentimento de nordestinidade. Seis Estados estão aqui presentes, o Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Maranhão e Ceará, deixando de lado a guerra fiscal, lembrando-se que somente unidos superaremos a nossa fragilidade, que os nossos problemas são comuns e que o que nos separa é muito pouco e o que nos une é muito, principalmente essa origem comum, cultural, esse sentimento de receber bem, esse sentimento de hospitalidade que permeia todos os nossos Estados.

 

         Amanhã trataremos de assuntos técnicos. Hoje, Dr. Almiro, trataremos apenas daquilo que nos faz felizes, porque temos certeza de que este Workshop será o coroamento de tudo aquilo que nós  imaginamos.

 

         Quero pedir ao Férrer que transmita ao Ministro Pratini, o nosso reconhecimento pela capacidade que ele demonstrou de, num prazo tão curto, perceber que a cultura do caju é realmente de grande significado econômico para o Nordeste e para o Brasil. Muito obrigado. (Aplausos).

 

SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS:

 

         Encerrando esta Solenidade de abertura, ouviremos agora as palavras do Dr. Pedro Sisnando Leite, Secretário de Desenvolvimento Rural do Estado do Ceará, aqui representando o senhor Tasso Ribeiro Jereissati, Governador do Estado do Ceará.

 

SR. SECRETÁRIO PEDRO SISNANDO:

 

         Boa-noite a todos. Antes de mais nada gostaria de apresentar as desculpas de S.Exa. o Governador Tasso Jereissati, que foi, muito honradamente, convidado pelo Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq para presidir esta reunião, mas não pôde estar aqui presente, como era o seu desejo. Os senhores podem supor, neste momento prévio de lides  políticas muito acirradas, S.Exa. está no momento, inclusive, cumprindo compromissos de seu Governo. Por esse motivo pediu que eu aqui o representasse e desse o seu abraço a todas as pessoas que participam deste Workshop sobre a cultura do caju.

 

E é com muita satisfação e honra que saudamos o representante do Ministério de Ciência e Tecnologia, do CNPq, Dr. Almiro Blumenshein, a quem também quero agradecer, na pessoa do Secretário Pedro Sisnando, a grande ajudar que o CNPq me deu na minha vida  científica, pois fui pesquisador do Workshop durante esse período eu tive o ensejo de  fazer estudos no campo do Agronegócio da Indústria do Caju. Inclusive, fiz uma carta ao CNPq revelando esses nossos agradecimentos.

 

Queremos saudar nosso colega, Carlos Matos, Secretário de Agricultura Irrigada, que será, certamente, um dos grandes parceiros nessa esquema de desenvolvimento da cultura do caju, do ponto de vista de áreas que possam vir a ser aproveitadas em irrigação. De modo que sei que nos planos dele constam prioridades relacionadas com a análise e estudos dessas possibilidades.

 

Permitam-me as autoridades da Mesa, saudar o colega Marcelo Costa Castro, Secretário de Agricultura do Estado do Piauí, que tem nos proporcionado oportunidades de relacionamento e trabalho ao nível do Conselho do Fórum dos  Secretários de Agricultura, onde um dos temas regionais têm sido exatamente a cultura do caju.

 

Queremos saudar o Dr. Francisco Férrer Bezerra, chefe da Embrapa, representante de S.Exa. o Ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que inclusive em recente audiência com Dr. Carlos Matos em Brasília – nós dois conversamos com ele – ele fez uma séria indagação: “o Nordeste vai ter condição e capacidade para aplicar adequadamente esses recursos que o Governo Federal está colocando à disposição da cultura do caju?” De modo que essa será uma responsabilidade de nossa parte, não só a concessão, e a definição do Governo Federal de colocar recursos, mas vamos ter que dar uma resposta a essa iniciativa do Governo Federal.

 

Manoel Jamir, Secretário Adjunto de Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Norte, também colega presente em todos os fóruns de secretários de agricultura.

 

Dr. Jorge Parente Frota, Presidente da FIEC, especialmente quero dizer que hoje falei em seu nome, no Agropacto, em que mencionamos a posição e a contribuição dele na posição de Presidente da FIEC com relação ao apoio à cajucultura nesse novo momento.

 

Meu cada vez mais estimado amigo Torres de Melo, que de vez em quando estamos com um relacionamento de muita amizade, e até recebi um presente dele hoje no Agropacto, e já rezei inclusive por ele, para a conversão dele. (Risos).

 

Dr. Carlos Prado, também uma pessoa que modestamente vem participando dos encontros do Agropacto, passou gradativamente a cada dia, a ser um líder, como coordenador, como ativador das coisas relacionadas com a cultura do caju. ele merece realmente um abraço muito especial por esse trabalho que está desenvolvendo como coordenador do Comitê Gestor, relacionado com a Plataforma do caju.

 

Sr. Cosmo Joaquim da Silva, representante da Secretaria de Produção e Reforma Agrária de Pernambuco, que também nos sentimos honrados em estar aqui no Ceará, prestigiando este encontro; Sr. Mário Rogério Sousa, representante da Subgerência de Planejamento do Maranhão; Dr. Ronaldo Fontenele, Gerente Setorial da castanha de caju, em relação a todos os assuntos  que o Dr. Jorge Parente mencionou, que vamos certamente, nos próximos meses cuidar com muito zelo, na questão do apoio financeiro para financiamento das exportações da castanha de caju; Sr. Augusto Sávio Mesquita, diretor da Secretaria de Agricultura da Bahia.

 

Desculpem-me se esqueci alguma autoridade aqui presente, mas faço a elas agora extensivos meus cumprimentos.

 

Dos discursos e das apresentações, ouvimos aqui hoje à noite, na abertura deste Workshop, ficou muito claro que estamos vivendo um momento novo com relação ao desenvolvimento e apoio à cajucultura do nosso Estado. Eu sou ainda da velha geração, que tive oportunidade de me dedicar ao estudo dos produtos, talvez desde 1968/69 e 1973, em visitas que fizemos a vários países para estudarmos as possibilidades de utilização dos conhecimentos aqui no caso do Nordeste.

 

Estivemos até há pouco conversando com o Dr. Eduardo Bezerra, que estivemos na Nigéria, Moçambique, posteriormente na Índia e outros países interessados, sempre como representante do Banco do Nordeste, instituição que colocou em sua agenda um dos produtos muito importantes. E também, acompanhamos durante esses longos anos, os trabalhos que foram desenvolvidos por vários setores, sempre procurando ajudar e colaborar com o desenvolvimento dessa cultura a partir do setor empresarial, do setor de industrialização. Muitas vezes nós olhamos para esse setor como uma coisa acabada, mas foi produto de muito esforço. Recordo-me da conquista do mercado internacional e de todo o desenvolvimento da sua capacidade de marketing, realmente, de competição do mercado, aparentemente simples, mas muito acirrado do ponto de vista dos nossos concorrentes do outro lado do mundo, especialmente liderados pela Índia. De modo que esse setor merece trato todo especial.

 

Como o Dr. Torres de Melo mencionou, há um trabalho do ponto de vista dos produtores, do Sindicato dos Produtores de Caju, os pequenos produtores, e das Federação da Agricultura, que todo o tempo, muitos anos, sempre atenta a procurar dar uma colaboração a esses produtores, a essas pessoas ligadas ao setor da cajucultura.

 

Sobretudo, Dr. Blumenshein, uma contribuição de grande significado que todos nós devemos sempre ter em nossa mente, com sinceridade agradecendo, é o trabalho do Governo Federal, através da Embrapa, que colocou a sua capacidade científica, o seu trabalho, o seu empenho em descobrir, juntamente com outros pesquisadores isolados, inclusive que vinham trabalhando no próprio Estado do Ceará nas suas agências de pesquisas, no sentido de desenvolver novas variedades, novos clones que pudessem possibilitar recursos naturais extraordinários, que aqui no litoral, um milhão e meio de hectares disponíveis, que podem ser perfeitamente aproveitados com a cultura do caju. realmente eles conseguiram um feito extraordinário, que foi realmente desenvolver essas novas variedades que hoje estão marcando essa nova fase da renovação, da mudança da produtividade aqui do nosso Estado.

 

Poderíamos então enumerar muitas pessoas, pesquisadores isolados, que vieram pesquisando, analisando e estiveram contribuindo para que tivéssemos realmente uma atividade que fosse competitiva, gerasse renda, que contribuísse para o desenvolvimento econômico. Porque o desenvolvimento econômico é esse complexo de iniciativas que não vem de um só lugar; não é um só setor, não é um só nível governamental, é necessário que tenha o Governo Federal, o Governo Estadual, municipal, as instituições privadas, todos estejam juntos, pensando no mesmo objetivo, no mesmo foco, com a mesma intenção de prosperidade e de mudança. É assim que se faz o desenvolvimento econômico! E eu vejo, portanto, nesta noite, como que uma exemplificação desse momento importante que o Ceará vive, que há muitos anos vem dando prioridade a essa atividade. Eu mesmo, como secretário de agricultura, desde 1995, tenho recebido muitas orientações, tenho recebido muito apoio do senhor Governador, muitas viagens que fui a Brasília, muitas audiências, muitos documentos, muitos discursos, muitas tentativas de conseguir melhoramentos e apoio ao setor. E essas iniciativas nem sequer são conhecidas, porque elas são feitas ali, naquela lide própria da administração pública e do se relacionamento.

 

É, portanto, o produto de tudo isso que eu, hoje, como representante do senhor Governador, quero agradecer a esse estado de lideranças que pensam tanto nas atividades que são importantes para o Estado. E agora, renovadamente, nesse espírito de cooperação regional, em que a cultura da castanha de caju, e outras iniciativas estão sendo apoiadas rigorosamente, com todo entusiasmo pelos outros Estados.

 

Uma das limitações, uma das exigências, uma das condicionantes que o próprio Banco do Nordeste colocava em dar um apoio maior a essa cultura, e também o próprio Ministério da Agricultura, naquelas longas audiências, eles sempre nos colocavam na visão de que a questão tem que ser tratada com os outros Estados, como região, porque vocês, isoladamente, não vão conseguir resolver os problemas, pois é problema de grande complexidade. E mencionavam vários desafios, que tomo a liberdade de citar, e que são desafios que os senhores terão que superar esse objetivo. O setor privado, o Governo, os pesquisadores, os cientistas, as pessoas têm que ter capacidade criativa; são problemas aparentemente simples, mas de grande complexidade, que têm desafiado no mundo inteiro, produtores de castanha de caju, de modo especial aqui do Nordeste.

 

A primeira coisa é realmente o aumento da produtividade. Com essa produtividade que estamos aí, de 200 quilos, 250, 300 quilos, realmente é uma cultura sem competitividade, ela não tem condições de competir internacionalmente, não tem condições de competir com outras atividades, não tem condições de oferecer aquilo que é elemento essencial, que é um nível de renda para as pessoas que cultivam o produto, que é a base de tudo, relacionado ao setor do Agronegócio. Porque a indústria, sem a matéria-prima boa, adequada, não vai existir, e não vai existir o ciclo de relacionamentos que começa na produção da matéria-prima.

 

O Dr. Carlos Prado, até, muitas vezes conversando sobre o assunto... ele se preocupa muito, do ponto de vista mesmo da irrigação, com relação a um produto como esse, que hoje... Carlos, com um rendimento, mesmo num ano de normalidade climática, como é o ano de 1999/2000, nós temos assim, 250 reais/hectare, da renda bruta da castanha de caju. não é possível! Não tem competitividade, não pode resistir. Temos que acelerar rapidamente o aumento da produtividade, para dar essa capacidade de sobrevivência, de vida, de dignidade às pessoas que estão trabalhando. Temos necessariamente, que é outro ponto de apoio da Embrapa, de outros pesquisadores do NUTEC e da Secretaria de Ciência e Tecnologia dos outros Estados, a questão de descobrir usos alternativos para o pedúnculo. Não pode ficar como está, sem ser utilizado. E não vamos guardar a ilusão de que hoje, a  floresta que temos de caju, 350 mil hectares do Ceará e de outros Estados vão ser motivo de aproveitamento do pedúnculo; como ele está aí, é meramente romantismo, porque tecnologicamente não é possível, pela forma que é coletado esse material, pelo custo de apanha desse subproduto da castanha, não é possível, 90% vai continuar sendo inutilizado, porque não há economicidade nisso, tem que marchar para obras futuras, para os novos plantios, para as novas áreas de substituição de copas. Aí é que estará a grande solução! E certamente eu teria a ousadia de deixar aqui como desafio, o aumento da área cultivada de caju, nessa nova tecnologia, nessa nova capacidade competitiva. Por exemplo, será impossível, aqui, no Estado do Ceará, dentro de 2 ou 3 anos, ampliarmos a área de 50 mil hectares novos de produção de caju, em áreas irrigadas ao longo do Canal do Trabalhador ou em outras áreas do litoral que têm capacidade de irrigação. Então, o grande desafio econômico, social, tecnológico e de criatividade vai ser como convivermos com a competição internacional, porque com a competição da Índia, da África, que não têm praticamente, custo de produção de mão-de-obra, onde não há seguridade social, onde há sistemas de apoio à atividade econômica de garantia de renda à custa do Governo, institucionais, em que a vida das pessoas que cultivam a castanha de caju é admissível do mais frágil sentimento de humanismo; como se vê na Índia, como se vê em Moçambique, hoje. Realmente não é admissível que possamos querer criar aqui para a atividade do nosso meio, um sistema de exploração e relações de produção como têm os nossos competidores. Então, nós temos que resolver isso pela criatividade, pela competência e pela tecnologia. Nós vamos imaginar que vamos conseguir isso à custa da cristalização do trabalho para outros setores produtivos, então, teremos que resolver rapidamente essa questão, porque só aí teremos o desenvolvimento econômico. Esse é o grande desafio de todos nós: o desenvolvimento do campo e da cidade. Isso fazendo com que esse filho de pobreza que hoje prevalece inclusive na área de caju, possa ser superado.

 

O Governo tem feito muito, e pode fazer mais, através exatamente desse tipo de relacionamento que está sendo feito, desde que ele entenda que as coisas estão sendo construídas adequadamente, é a preocupação grande do Governo em aplicar bem os seus recursos.

 

         Do ponto de vista do crédito para o custeio agrícola, esse assunto está resolvido. Hoje mesmo, o Dr. Torres de Melo mencionava, lá no Agropacto, que está realmente resolvido. Do ponto de vista do crédito para o grande e para o médio, com taxas de juros de 8,75%, com 8 anos para pagar, 3 anos de carência, ou então de 80% dos produtores de castanha de caju do Nordeste que estão na agricultura familiar, em que temos o Pronaf, com financiamentos extraordinários, financiamento de até 8 anos, com 3 de carência. Realmente é o crédito mais barato do mundo, não existe um crédito igual a esse que o Pronaf está proporcionando aos pequenos produtores do Nordeste, no tocante à cultura do caju.

 

         Estamos com meio caminho andado, mas estamos sobretudo com a capacidade de superar rapidamente essas limitações, essas dificuldades. E este Workshop é muito oportuno, porque temos todas as condições: a tecnologia e o crédito que virá também para o setor exportador, a indústrias, que funciona com competência, pode melhorar, com os produtores interessados, com todos nós, o Governo Federal, Estadual, Municipal, todos interessados em fazer dessa cultura realmente uma grande atividade econômica para o nosso Estado. Tanto que eu, pessoalmente, como Secretário de Desenvolvimento Rural, me sinto muito confiante de que chegou o momento de solucionarmos essas questões relacionadas com a cajucultura. Obrigado.

(Aplausos).

 

SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS:

 

         Neste momento, convidamos as autoridades da Mesa para ocuparem as primeiras filas do auditório, para que possamos dar início à primeira palestra da programação técnica, dentro do MÓDULO I: “Aspectos Políticos e Institucionais de P & D”.

 

         Dando continuidade aos nossos trabalhos, para fazer a apresentação da Plataforma Regional do Agronegócio Caju, convidamos o Dr. Carlos Prado, Coordenador do Comitê Gestor da Plataforma do Caju.

 

 

MÓDULO I:

Aspectos Políticos e Institucionais de P & D”.

Dr. Carlos Prado

Coordenador do Comitê Gestor da Plataforma do Caju

 

SR. CARLOS PRADO:

 

         Senhoras e senhores, boa-noite. Inicialmente desculpem-me a quebra do protocolo, mas acho que já houve os cumprimentos necessários, e assim, vou direto ao assunto, para que realizemos rapidamente a mensagem que trouxemos aos senhores.

 

         O que vou tentar explicar, transmitir, primeiro é uma noção do que aconteceu conosco nos últimos tempos, para que a gente estivesse aqui hoje, falando sobre caju, para os senhores. Então, vou passar algumas fotos e dar uma noção daquilo que nós já tentamos, dos erros que cometemos durante esses últimos anos, para tentar fazer com isso alguma coisa de positivo.

 

         Em seguida, dar aos senhores uma idéia dos antecedentes, para a gente chegar até essa reunião e servir de elemento para as reuniões de depois de amanhã.

 

         O Workshop do Caju, então, tem como antecedente, no nosso caso, a Itaueira Agropecuária, que é uma empresa estabelecida em Canto do Buriti/Pi e que se dedica ao plantio do caju. É uma caminhada que fizemos durante os últimos anos, e aqui eu cito alguns dos companheiros que participaram conosco – os nomes incompletos são nomes dos amigos que conosco participaram – de entidades como a Epace, a Universidade Federal do Ceará, a Embrapa; com nomes como Levi, Almeida, Edson e outros, da Epace; da UFC, Aécio e Célio; da Embrapa, Pratagil, Levi, Maria Pinheiro, Evino, Kelser, Adroaldo, João Crisóstomo, Renis, Férrer, Paulo Frota, Emilson, Freire e outros, que me desculpem as omissões, mas a memória também não ajuda. Finalmente, o grande alicerce, em termos de companheiro, nessa grande caminhada,  Hermano Bonaspetti – que eu pediria que se levantasse, para que todos conhecessem – que é o nosso companheiro, agrônomo italiano que fez um trabalho de pesquisa numa mata semi-árida do sertão do Piauí durante 9 anos, todos meses estando lá durante 15 dias, sem energia elétrica, sem televisão, sem rádio, sem o conforto a que ele estava acostumado, e durante esses 9 anos, pesquisou, criando alicerce para que nós fizéssemos daquilo ali um projeto que eu considero projeto vencedor.

 

         Nesse período, nós tivemos como conquistas uma boa produtividade em chapadas semi-áridas sem irrigação – este é um detalhe importante. A grande população rural do Nordeste, a grande população miserável está em regiões que dificilmente serão irrigadas; a irrigação vai cobrir pequena parcela do território, então, o problema social é muito sério, e nós só poderemos resolver no momento em que viabilizarmos essa área semi-árida. E essa boa produtividade foi conseguida. No ano passado nós conseguimos em plantios, 100 clones plantios, com sementes de caju anão precoce, 500 quilos/ha, em áreas sem irrigação, lá no Piauí, com 600mm de chuvas; a mesma  área, com 600mm, com clones da Embrapa, nós produzimos cerca de 800 kg/ha. Este ano, essas áreas vão produzir seguramente, as de clone, mais de mil quilos por hectare, e as outras, mais de 800, isso já com base numa colheita que está em andamento, e que alguns dos presentes aqui já estiveram lá conosco, conferindo recentemente, como o Dr. Humberto Fontenele, que é um dos nossos amigos e vizinhos, que continuam lá, naquela chapada semi-árida do Piauí, com seu projeto a todo vapor.

 

Nós conseguimos viabilizar o caju resfriado, e vou mostrar algumas fotos para os senhores, conseguimos antecipar e alongar o ciclo de produção, conseguimos definir um modelo para manutenção de pomares e com novas máquinas e implementos, e conseguimos a sustentabilidade, melhorando aquele solo muito pobre da chapada. O secretário conhece bem a região, porque é lá daquela região de São Raimundo Nonato. Nós estamos conseguindo isso ao longo de 20 anos de trabalho.

 

Esse é um caju plantado por semente, que se mostra bem produtivo, lá no semi-árido, só para simbolizar alguma coisa que vamos tentar demonstrar para os senhores, que é, por exemplo, a limpeza da copa, feita com máquinas, e o centro da linha sempre coberto de vegetação, para se criar o ambiente necessário para que os insetos ali continuem vivendo e se alimentando, para que tenhamos o bom e o mau inseto, criando o ambiente ecológico favorável.

 

Durante esses anos, nós fizemos várias tentativas ali. Aqui é para simbolizar tentativa de produção de ração animal, partindo do pedúnculo do caju seco. Aqui, junto ao NUTEC, chegamos a produzir a ração do caju, com enriquecimento através de uma fermentação de um dia para o outro, elevando a 18% o teor de proteína bruta desse produto. E chegamos a guardar esse produto em buracos feitos no chão e cobertos com plástico, até um ano, sem problemas. Fizemos experiências que vimos em Israel, durante viagem no ano passado, tentando produzir também o chorume, como alternativa para melhorar as condições orgânicas do solo. Fizemos também a compostagem, e o João Eduardo, que está aqui presente, esteve lá, acompanhando esse início de trabalho em que a gente  misturava um pouco de esterco, mais a sobra das embalagens do nosso processo, e mais o caju in natura, tentando fazer disso também, um material para melhorar o solo. Tentamos o feno, no capim plantado no meio das linhas, recolher o feno com enfardadeiras para viabilizar também uma pecuária, através de uma exploração adicional, aproveitando já o capim que estava no meio dos cajueiros. Bem, isso é para dar aos senhores uma idéia do tipo de trabalho executado.

 

Todos os anos, durante o período que antecede o início da colheita, até uns dias após a colheita, nós mantemos uma equipe que colhe diariamente 18 quilômetros, para podermos definir, desde o primeiro dia, até o último dia, alguns dias após a colheita, diariamente, o que um cajueiro me dá de produção. Então, isso é feito religiosamente todos os anos, durante os últimos 5, 6 anos. Então, nós notamos que algumas variedades têm um pique de produção que acontece aqui como 101 dias; os outros têm um pique que começa aqui, com mais ou menos 80 dias; outro já tem um pique mais bem distribuído... então são variedades que nós vimos que precisaríamos definir bem para conseguir, no momento em que nós queremos explorar o pedúnculo, nós temos que ter uma produção bem distribuída, porque se eu quero uma indústria,  uma exploração comercial, se eu não tiver uma distribuição dessas, eu não consigo. Só que para isso tem que haver investimento, e esse investimento foi feito com suor e lágrimas, mas lágrimas de sangue, porque sobrevivemos a uma crise muito grande, no setor de máquinas agrícolas, e ao mesmo tempo em que a gente convivia com as execuções dos nossos financiamentos, nós tínhamos também que fazer com que isso funcionasse até o final. Porque se a gente parasse na metade, todo o trabalho estaria perdido.

 

Chegamos então à conclusão – já há alguns anos – que se quiséssemos alguma coisa, nós teríamos que ter um padrão; para conseguir um padrão, a base seriam as mudas. Então, começamos a produzir as mudas há mais de 12 anos, e alguns anos atrás, já estávamos produzindo as mudas já com tubetes, procurando definir um padrão, e com mudar enxertadas para produzir um fruto mais uniforme. Para isso, fizemos os viveiros rústicos, usando madeira daquela mata da própria chapada e a própria mão-de-obra local. Isso para chegar ao padrão de frutos homogêneos, que hoje vendemos, desde 1994, no Centro-Sul do Brasil. É um produto que agrada demais ao consumidor, mas que também deveria ser objeto de discussão deste seminário, porque o mercado é pequeno, mas potencialmente muito grande. Mas, não sou eu, sozinho, que vou fazer a abertura de um grande mercado que vai caber todo mundo. Então, nós temos muita gente entrando, muita gente querendo entrar, mas só com trabalho conjunto de promoção de um produto que é símbolo do Nordeste, é que vamos fazer com que isso realmente se transforme em um produto de largo consumo no Centro-Sul do País. É um produto que realmente tem um destaque extraordinário nas prateleiras dos supermercados do Centro-Sul.

 

Fizemos uma tentativa com caju congelado, o ano passado ainda produzimos uma determinada quantidade, de acordo com os compradores lá do Sul, que acabaram não sendo cumpridas. Então, foi mais uma tentativa que não deu resultado.

 

Finalmente, esse é o carro-chefe da nossa empresa, que é o caju, que vendemos sob a marca Gaia e Do Norte, criamos um dispositivo para embalagem em que conseguimos fazer com que o produto chegue em boas condições e transportado por caminhões; esse produto chega nas principais capitais do Centro-Sul do Brasil, e hoje é um produto que nos traz uma satisfação muito grande, porque com endereço da Internet nas caixas, faz com que os consumidores comecem a se manifestar com facilidade. O sistema de embalagem permite que o frio atravesse pelas caixas e dê a devida conservação. Ao final da viagem, a carga está inteira, as caixas perfeitas e esse produto é encontrado até no Rio Grande do Sul. Aqui já no Ceagesp, os distribuidores, já desmanchando as caixas, observando que o produto chega sempre em perfeitas condições.

 

Nossa segunda marca, é o Do Norte. Trabalhamos com duas marcas, uma de primeira qualidade e outro já de segunda qualidade. E aqui nas prateleiras dos supermercados, vocês vêem como o produto se destaca, pois tem colorido bonito, é exótico, é um produto que realmente agrada a vista. E, se você oferece um produto de qualidade, que seja doce, com pouco tanino, com pouco travo – e aquele clone 76 da Embrapa trouxe essa contribuição – e hoje já estamos trabalhando variedades desenvolvidas lá na fazenda.

 

Aqui uma foto que é praticamente uma vida de trabalho. Essa foto  foi uma das grandes descobertas nossas, como fazer com que o ciclo de produção do caju se antecipasse. Esses dois cajueiros são do mesmo tipo, são do mesmo clone, só que essas são algumas poucas plantas que ficaram isoladas do lote normal. As máquinas passando, e fazendo a limpeza, mantinham limpo esse lote aqui, e o outro aqui ficou no meio do capim. O pessoal soube que eu ia para a fazenda e mandou limpar; só que limparam já tarde e não deu tempo para a planta reagir, e a planta, se você não mantiver limpa durante toda estação das chuvas, ela não vai produzir antes da época normal, mas se eu fizer uma limpeza constante, eu consigo antecipar a produção em pelo menos 60 dias. Isso eu vim aprender com o Dr. Guervino, da Embrapa, que fazia seus ensaios com pragas e doenças, mas que o pomar dele era sempre o primeiro a produzir, e o último a parar de produzir durante o ciclo. Ele fazia simplesmente essa prática de manter limpo o pomar, de cuidar do pomar dele. Ele, que é um técnico de pragas me trouxe talvez uma das maiores contribuições  em termos de pesquisa.

 

Recentemente, aquela linha que estava seca, 60 dias depois já começando a s preparar para produzir, mas 60 dias depois da outra já estar produzindo. Então, quer queira ou não, vamos sempre ter uma diferença não só de ciclo, mas de produtividade.

 

Para fazer esse trabalho, nós fomos desenvolvendo alguma técnica. A primeira delas é essa capinadeira, que passando por baixo da copa, vai deixando a copa limpa e mantendo sempre uma área com vegetação. Essa é uma máquina fabricada aqui no Ceará, ainda não em série – nós fizemos algumas, só atendendo a pedido do Dr. Humberto Fontenele e do Dr. Jaime Aquino, excepcionalmente – porque eu tenho que interromper uma produção para fazer uma máquina ou duas, até que eu tenha condições de fazer um lançamento. Essa máquina já está definida como modelo e já vem fazendo seu trabalho, limpando bem junto ao tronco, com profundidade de 5 cm, vai incorporando aquele material verde que estava ali, concorrendo com o caju, tomando água e alimento da planta, e ajudando a reter a água, para que a planta possa produzir durante a seca. Nós cortamos sempre uma linha sim e uma não, porque quando a cortada vier a crescer um pouco, eu venho e corto esta aqui. Então, os insetos sempre vão ter um alimento ali naquela área.

 

Aqui a segunda máquina, uma roçadeira, modelo inglês que nós adaptamos, que vocês vêem o capim crescido e ela vai produzindo palha, para ficar recobrindo o centro da linha. Então, temos a passagem da roçadeira, já deixando a palha, que no dia seguinte já estará murcha e ocupando uma altura muito pequena, com relação ao solo. Temos então sempre alguma coisa verde aqui debaixo da planta sempre limpa, e esse verde permanece no semi-árido, mesmo durante essa época; se vocês forem lá em outubro, a mata estará toda seca, sem folhas, mas a vegetação interna lá estará verde.

 

Um pomar novo formado, a linha recém cortada, e a outra já ficando verde, o que permitiu que eu cortasse essa, que já estava com o mato meio grande. Novamente um caju mais desenvolvido, mas sempre com a característica de limpo debaixo da planta e alguma vegetação no meio, para proteger da incidência dos raios solares, para proteger do impacto das chuvas tropicais.

 

Chegamos então à plataforma regional. Com esse conhecimento acumulado, naturalmente a gente começou a questionar uma série de coisas que vêm acontecendo com relação à cajucultura, porque quando dói na própria carne é que a gente realmente sente o problema.

 

A Plataforma Regional do Caju, como já foi dito aqui, me deixa pouco espaço para complementar, mas é o que o Dr. Almiro explicou e é o que está acontecendo aqui conosco. Isso é a plataforma, a reunião de todos nós, de todo o segmento, tentando construir alguma coisa em benefício daquele item que foi escolhido, que no nosso caso é o caju, e aqui estamos trabalhando com essa coordenação, na FIEC, do CNPq, a Embrapa Agroindústria Tropical e a FAEC que, por sinal, através do Dr. Wilson de Pinho, principalmente, nos últimos dias, prestou um trabalho extraordinário para organizar este Workshop. E a gente dizia hoje de manhã que o Dr. Wilson é daqueles que falam bem calmos, tranqüilos, a primeira impressão é que as coisas, com ele, vão andar com muita lentidão, mas  é justamente o contrário, é justamente com ele que as coisas funcionam na hora e com resultado.

 

A Plataforma, conceito que nos foi transmitido inicialmente pelo CNPq, “É uma atividade que reúne representantes de uma área específica, para identificar novas oportunidades de projetos cooperativos, promover negócios e/ou criar parcerias”. Qualquer grupo de interesse específico pode se propor a organizar Plataforma. Então, no caso, o Dr. Almiro aceitou o nosso desafio, na ocasião, e em poucos dias estamos aqui, trabalhando para tentar construir alguma coisa, dentro desse modelo. Do que foi dito aqui está a figura para ilustrar que toda a cadeia se integra dentro desse modelo, que é o nosso sistema agroindustrial do caju.

 

O Comitê Gestor da Plataforma, estou eu aqui, como coordenador; do Piauí, nós temos como representante o Milton Paula Costa; do Rio Grande do Norte, o Manoel Jamir; do Maranhão, o Mário Rogério de Araújo Souza; da Bahia, Augusto Sávio Mesquita; de Pernambuco, Cosmo Joaquim da Silva. Naturalmente os dois últimos, Bahia e Pernambuco, entraram na última reunião, fortalecendo ainda mais o nosso trabalho.

 

Um breve histórico, esse relacionamento que também foi citado, porque o Dr. Torres de Melo que, por sinal, está adoentado e mesmo assim veio aqui, pelo menos para participar da Mesa, ele sempre teve a idéia, ali dentro do Agropacto e da FAEC, de tentar uma integração maior entre o setor primário e o industrial. Isso coincidiu com a política do novo presidente da FIEC, que criou os grupos de ação e, tentando também, através do grupo de ação agroindústria que praticamente o Dr. Humberto Fontenele acabou me colocando nessa função de coordenador desse grupo, acabou também se voltando para essa integração entre o setor primário e o setor industrial. E aí, somado com a Embrapa, se criou o núcleo necessário para essa coordenação e para essa realização. O dia 16 de junho foi o início do processo, com essa visita que o Dr. Almiro nos fez, almoçando lá na FIEC, dando início ao processo. De 16 de junho para 19 de setembro tenho aí resgatado o dado correto, 93 dias. Em 20 de junho, numa reunião do Agropacto com o Fórum de Tecnologia – é bom lembrar a presença da Dra. Teresa Elenice aqui, que foi quem nos ajudou no início, na articulação e na vinda do CNPq para essas ações – tivemos o Dr. Paulo César Alvin que, pelo Ministério de Indústria e Comércio nos trazia mensagem dos fóruns de competitividade e  aceitava o desafio para que a cadeia do caju fosse talvez o primeiro, ou um dos primeiros a compor um fórum de competitividade dentro da cadeia do agronegócio. No dia 30 de junho tivemos a reunião na FIEC, do PEE/CAMEX, e Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, onde houve o anúncio dos recursos para a cajucultura; só agora é que o dinheiro começa a chegar, por causa das regulamentações, etc. Mas o fato é que já começa a existir o recurso para o pequeno e médio produtor, a juros competitivos, 8,75% de juros fixos, ao ano, para que se possa investir no setor. Em 6 de julho, ainda na FIEC, no Fórum de Tecnologia  e Grupo de Ação agroindústria, mais uma equipe do CNPq, e representantes – a primeira reunião já com representantes de outros Estados – do Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte. Quando colocamos que a Plataforma seria regional, e a integração com os outros Ministérios, iniciou-se a discussão do Fundo do Caju e Comitê Gestor. No dia 18/7, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte, num trabalho de apresentação da agricultura no Maranhão e preparando a organização do Agronegócio do caju no Maranhão. Dia 20/7, na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Norte tivemos participação do plano de desenvolvimento da cajucultura do Rio Grande do Norte. Em 8/8, em Teresina, na Secretaria de Agricultura do Piauí, com  participação do Rio Grande do Norte, vimos o Piauí considerando sua cadeia, quais os anseios, quais os planos, e fomos surpreendidos inclusive pela forma agressiva com que o Deputado Marcelo Castro está tocando o assunto, ali no Piauí, e um Piauí que está, a cada dia plantando mais caju, mais caju... enquanto nós estamos discutindo, ele está discutindo, mas também está indo para a frente. Em 11 de agosto a FIEC encaminhou ao CNPq o projeto Plataforma, elaborado pela Embrapa CNPAT, para financiar os trabalhos até o Workshop, previsto para agora. Recursos previstos na época, 88 mil 590, sendo 9 mil 950 pela FIEC. A execução financeira a cargo da FAEC, com o Dr. Wilson de Pinho, e no CNPq, com o Dr. Osvaldo Padovani Filho. Isso está andando, funcionando, e o resultado está aqui. Em 18 de agosto, a primeira reunião do Comitê Gestor da Plataforma, na FIEC em Fortaleza, também, com a presença de 5 Estados participantes e representantes do CNPq, do Ministério de Ciência e Tecnologia, do Ministério da Indústria e Comércio, da Sudene, para avaliação da Plataforma e definição da estrutura do Workshop, a data, o local, a adesão, pelos Estados da Bahia e Pernambuco, apresentação pelo CNPq, da proposta de criação do Fundo do Caju, com os presidentes do Sincaju e do Sindicaju, se declarando de acordo com a proposta e se propondo a cooperar e levar o tema para discussão com seus associados. De 19 de agosto até esta data, a preparação deste Workshop, lista de convidados, etc., até chegarmos a este evento.

 

         Como resultado dessas reuniões nos Estados,  mais o plano estadual e o programa apresentado pelo nosso Secretário Pedro Sisnando, como resultado do Fórum de Secretários Estaduais de Agricultura, e foram definidos os gargalos comuns para recuperação do desenvolvimento da cajucultura regional. O Ceará já havia saído na frente, já havia feito o sue trabalho de reunião da cadeia e descobriu os seus gargalos, em 1998, e já havia apresentado num seminário em Brasília, em fevereiro deste ano, a sua proposta, que era conduzida mais na busca de recursos financeiros para resolver todo um elenco de problemas que haviam sido diagnosticados.

 

         Apresentou o Ceará o seguinte projeto, para o Estado do Ceará: projeto para execução em 5 anos:

 

-         Substituição de copas em 50 mil hectares

-         Novos plantios de 40 mil hectares de sequeiro e 10 mil irrigados

-         Produção de propágulos e mudas, 3 milhões de garfos e 12,7 milhões de mudas

-         Recuperação de cajueiros em produção

-         Geração e difusão de tecnologia

-         Sistema de pós-colheita e processamento

-         Novo sistema de comercialização

-         Aproveitamento múltiplo do pedúnculo

-         Promoção comercial

 

No caso do Ceará, a proposta foi apresentada, foi trabalhada e acabou resultando nesse Plano de Safra do Ministério da Agricultura, incluindo a cajucultura e distribuindo recurso de acordo com a proposta do Ceará. Só que em vez do recurso ser só para o Ceará, que havia feito a proposta, o Ministério apresentou como sendo recurso para toda a Região Nordeste.

 

Na reunião com o Maranhão, já encontramos um trabalho e andamento. O curioso é que cada um dos Estados tem o seu trabalho já, de avaliação, de estudos, de procurar um caminho para solucionar o problema da sua cajucultura. No Maranhão, o título já diz bem: “Reorganização do agronegócio do caju no Maranhão”:

 

-         Aumentar a participação do Maranhão no sistema agroindustrial do caju.

 

Porque o problema do Maranhão é diferente dos outros, porque é um Estado que está praticamente começando com a cajucultura, a maioria dos plantios são novos, então os desafios deles são diferentes dos nossos do Ceará, do Rio Grande do Norte ou do Piauí. Então, eles propuseram:

 

-         Algumas ações públicas

-         Pesquisas locais sobre a qualidade da castanha e pedúnculo

-         Criar programa para formação de jardins clonais

-         Sensibilização de produtores

-         Aproximação com o CIMPRA

 

CIMPRA é um Consórcio Intermunicipal, que está aqui representado, que tem tido muito sucesso, unido vários municípios, seus secretários municipais de agricultura, projeto para desenvolver cajucultura e outras atividades, em nível municipal, e que vem sendo já apresentado como modelo, com muito bons resultados.

 

Dentro das ações públicas proposta pelo trabalho da Universidade de São Paulo, a GEPLAN está indo em seminários, visitas técnicas, missões internacionais, linhas de financiamento. E um destaque foi feito aqui: A produção é mais determinada pelas condições de preço que pelos problemas climáticos. É a situação, hoje, lá do Maranhão.

 

No Rio Grande do Norte encontramos o Plano de recuperação e desenvolvimento da cajucultura, há uma reunião de todos os meses de todo o setor, de tosa da cadeia envolvida, para trabalhar essa evolução.

 

Tudo o que estou falando aqui, cada Estado vai fazer a sua apresentação com detalhes amanhã, para que a gente possam , com elementos, conduzir os trabalhos da reunião dos grupos temáticos, que deverão discutir e chegar a alguma conclusão com relação a cada tema, e propiciar as ações que devemos empreender daqui para a frente.

 

No caso do Rio Grande do Norte, o objetivo principal é aumentar a produtividade, com o uso de técnicas racionais, visando elevar o emprego e a renda. Foi elaborado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Emparn e Emater. Ações:

 

-         Capacitar 3 mil e 600 produtores

-         Implantar 42 hectares de jardins clonais

-         Substituição de copas, e adensamento de 26 mil hectares

-         Recuperação de 15 mil hectares improdutivos

-         Consórcio com feijão e mandioca em pelo menos 40% das áreas trabalhadas

-         94 eventos, envolvendo 5 mil 680 participantes

 

Período de 4 anos para execução, a partir deste ano.

 

No Piauí, quando fizemos isto ainda não tínhamos o relatório definitivo em mão, mas o objetivo maior é sempre o aumento da produção e da produtividade, buscar a industrialização o caju no próprio Estado (documento em laboração). Ações em andamento:

 

-         Produção e distribuição de mudas pelo Secretaria

 

E aqui fiz um destaque, até na reunião  do Piauí, porque na ocasião em que o secretário lançou um, grande programa de plantio com mudas não enxertadas, eu pessoalmente fui contra aquela atitude, porque achava que o plantio deveria ser só com mudas enxertadas; só que atualmente, já com os relatórios da Itaueira, comparações de produtividade anuais, naquele dia dei “a mão à palmatória” ao secretário pela estratégia adotada por ele, que tem custo muito baixo e possibilitou que se plantasse uma área muito grande e se continue plantando, e com a tecnologia disponível pela Embrapa, depois com pequenos jardins clonais em cada região, em cada propriedade, cada um fosse fazendo seus enxertos, e com isso, o Piauí dá um salto muito grande, usando um volume de recursos muito menor. Claro que retardando um pouquinho o resultado final, mas isso acaba justificando a forma adotada.

 

Temos então no Piauí:

 

-         Incentivos fiscais na implantação de agroindústrias

 

Um trabalho que estamos fazendo com o Secretário da Fazenda, para equalizar o ICMS sobre caju in natura, com os demais Estados produtores.

 

-         Melhora das relações trabalhistas via integração da própria forma, com o Ministério do Trabalho

-         Divulgação do plano safra

 

O Fórum de Secretários Regional, apresentou um programa da Região Nordeste, elaborado por 4 Estados: Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará. Os objetivos daquele plano:

 

-         Promover aumento de produção e produtividade da cultura do cajueiro, através do uso de técnicas avançadas, visando elevar o nível de renda dos produtores

 

E específico, uma soma dos planos dos 4 Estados, substituir copas, adensar, aquisição de 16 milhões de mudas, Recuperação integral de 25 mil hectares... é quase uma repetição daqueles outros planos somados.

 

Instituições envolvidas naquele plano, as secretarias dos 4 Estados, os parceiros Banco do Brasil e Banco do Nordeste, bancos estaduais, cooperativas, sindicatos. Assistência técnica e capacitação pelo sistema de extensão e pela Embrapa. E como recursos necessários, 150 milhões, num prazo de 4 anos. Então, esse primeiro programa do plano safra, praticamente já atende a essa reivindicação inicial.

 

Após essas primeiras reuniões havidas, já chegamos a uma primeira conclusão que pode balizar um pouco o trabalho do nosso Workshop. A baixa produtividade dos pomares é o problema principal em toda a cadeia regional. Nós não podemos admitir que sobreviva uma agricultura que produza 150  reais por hectare, porque o custeio para se manter limpa uma área como essa chega a isso ou mais que isso. Então, não há dignidade hoje, com o pequeno produtor, que sobreviva, que queira sobreviver com a cultura do caju comum, com rendimento baixo como esse. E nenhuma cadeia, nem a indústria, vai sobreviver se não tiver um fornecimento de matéria-prima a custos competitivos, e dando dignidade a quem produz. Então, esse é o ponto principal que concluímos das reuniões havidas até agora em todos os Estados e é um problema que temos que resolver se quisermos sobrevier como cadeia.

 

A tecnologia existe, a necessidade de recursos a custos competitivos é uma constante, mas o Governo já enxerga. Nós temos o Ministro da Agricultura, que já reagiu rapidamente, já tomou atitude com relação a isso e o resultado já começa a aparecer.

 

As estratégias escolhidas pelos Estados, de modo geral, têm muitos pontos em comum.

 

Com relação à área plantada aqui do Nordeste, o IBGE nos apresenta o seguinte quadro: área plantada praticamente se mantém, com um pequeno acréscimo ao longo de 1989 a 1998. Os senhores notam que alguns Estados permaneceram com posição mais ou menos definida, alguns – segundo estatística do IBGE – diminuíram um pouco, e os outros aumentaram. Eu não vou contestar a estatística do instituto nacional, mas esse é o quadro. E aqui está representada essa estatística do último ano, que foi prejudicado por uma seca. Nós todos sabemos que quando vier o novo gráfico ele já vai ter uma elevação natural aqui. Mas os senhores notam que já há uma oscilação realmente muito grande, e o que nós sentimos na nossa prática e que as estatísticas mostram esse caminho, é que fazendo a manutenção adequada, aproveitando bem os elementos... porque vejam bem, 600mm de chuvas, que é o mínimo e que tivemos, são 600 litros de água por metro quadrado. É muita água! Se nós gerenciarmos bem isso, com técnicas já disponíveis no mundo todo – que é o que estamos fazendo na Itaueira – então nós temos condições de ter resultado imediato., eu estou falando de práticas já adotadas em uma área de pouco mais de mil hectares. Quer dizer, não é mais um ensaio; ensaio foi quando fizemos com a Embrapa. Hoje já não é mais um ensaio, já é uma produtividade em escala.

 

O que e como fazer? A primeira atitude que nós temos que fazer neste Workshop é achar forma em conjunto para que cada Estado faça a divulgação urgente dos recursos do BNDES, que estão postos à disposição, pelo Ministério da Agricultura no plano safra 2000/01, que são esses 200 milhões, 50 milhões por ano. Porque se nós não utilizarmos os 50 milhões no primeiro ano, no segundo ano não terá 50 milhões, ou pode ter mais, se conseguirmos agir direito. Então, o que temos que fazer, também dentro do Workshop como uma das tarefas, é encontrar os meios de fazer com que o pequeno e médio agricultor saiba que o recurso existe, saiba que a tecnologia realmente está disponível, e que podemos deslanchar.

 

Outra coisa a fazer é a união de todos os elos da cadeia, integrando com os ministérios e instituições para o êxito da Plataforma. Cada Ministério que vem aqui tem a sua contribuição a dar, agora, eles só vão dar essa contribuição se nós soubermos como puxar isso. Então, essa articulação que o CNPq nos proporciona faz com que haja esse intercâmbio, essa troca de idéias, porque todo mundo quer construir, e se nós oferecermos aqui um campo fértil para que esses ministérios coloquem seus recursos, suas habilidades  vejam o resultado rápido, todos eles vão quer participar conosco.

 

O Workshop do Caju. Ele terá como objetivo:

 

-         Definir as ações necessárias para que  o Agronegócio do Caju volte a crescer com velocidade, para criar mais empregos, gerar divisas, melhorar a renda do agricultor, e assim desenvolver a Região. Só depende de nós, do nosso trabalho da nossa capacidade.

-         Definir como responsáveis pelos destinos do agronegócio todos nós participantes da cadeia produtiva na região.

 

Os grupos de trabalho, em resumo,  terão a responsabilidade de priorizar a proposição de soluções que sejam viáveis e de retorno rápido. Porque não podemos nos perder! Podemos encontrar milhões de soluções, mas temos que conseguir ter o critério suficiente para encontrar algumas que sejam de retorno rápido, que possam ser trabalhadas e apresentadas com retorno realmente rápido.

 

 Do Workshop deveremos sair com projetos definidos para que os pleitos possam ser encaminhados.

 

A criação do Fundo ou Instituto do Caju é um dos principais projetos que se espera possa sair estruturado para ser implementado. Claro que não esperamos sair daqui com o Fundo do Caju pronto e acabado. Ainda ontem tivemos um debate, uma discussão, lá no sindicato das indústrias, presidida pelo Dr. João Hudson, e naquela discussão ficou claro, ao final da reunião, que já se começa a se criar um consenso do setor, de que há necessidade do fundo. Naturalmente que o grupo temático que vai tratar do assunto é que vai nos trazer uma definição, mas a idéia é que está se caminhando para isso. Ora, nós, saindo daqui com a idéia de que esse fundo tem que existir, é necessário, que ele vai contar com a participação dos industriais, dos produtores, que nas reuniões anteriores já se manifestam a respeito, nós teremos dado um grande passo. O detalhamento, a operacionalização desse fundo vai depender dos respectivos participantes, naturalmente. E o CNPq poderá dar uma contribuição na condução desse trabalho.

 

Só com a participação de todos alcançaremos o sucesso almejado.

 

Gostaria de lembrar aqui, Leslie Swindale, que é pesquisador americano que esteve aqui em 1992, fazendo uma palestra brilhante, mostrando toda experiência d vida dele trabalhando o semi-árido, e deixou para nós algumas reflexões: “desde que feitas as pesquisas em cada uma de suas microrregiões, com duração de no mínimo 6 a 10 anos, o semi-árido é viável; se produzir o exótico para o mundo desenvolvido, ele é viável; com taxas nulas de crescimento demográfico, consumo de produtos comuns, estará estabilizado o negativo no primeiro mundo”. Então, nós temos que produzir aquilo que nós sabemos que eles vão procurar, que é o produto exótico, com sabor interessante, que leve esse pessoal a provar algo novo. Porque maçã, para eles, a produção já é mais do que suficiente, então temos que produzir alguma coisa realmente diferente, e é o que temos condição de produzir. A nossa condição não é para maçã, a nossa condição é para caju, para pinha, para graviola, para esses frutos que realmente são exóticos e podem vir a conseguir um bom nicho de mercado. E o caju se insere aí porque ele já está aí, é produzido e tem todas as condições para isso.

 

Quando a esmola foi substituída pela difusão do conhecimento, com a correspondente oferta de recursos financeiros a custo competitivo, o semi-árido é viável”. (Aplausos).

 

SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS: A coordenação do evento agradece a participação de todos vocês, convidando para  coquetel que será servido agora em seguida.