O milagre da telomerase
Os telômeros são, na verdade, os nossos relógios biológicos, que controlam o processo do envelhecimento celular.
29/11/2000

Um grupo de renomados cientistas na área da biologia molecular anunciou recentemente que existem enormes chances de termos, finalmente, descoberto a fonte da juventude: uma enzima celular denominada telomerase. Esta enzima é uma ribonucleoproteína que confere as células a espantosa capacidade de se replicarem infinitamente, driblar o envelhecimento e manter sua performance metabólica inalterada, tornando-as, deste modo, imunes ao próprio tempo.

A grande maioria das células, tecidos, órgãos, plantas, animais e seres humanos obedece a um ciclo biológico bem previsível - crescem, envelhecem, reproduzem e morrem. Existem, no entanto, três tipos de células que desobedecem estas regras. O primeiro são os organismos unicelulares chamados eucariontes (amebas), que são, basicamente, replicações do mesmo ser e permanecem imortais. Uma ameba hoje é exatamente a mesma criatura de um milhão de anos atrás. O segundo são células germinativas primordiais, que irão se transformar nos espermatozóides e óvulos. Não importa o que aconteça com o nosso corpo, essas células simplesmente não envelhecem e podem viver para sempre. O terceiro tipo de célula que demonstra imortalidade biológica e ausência de envelhecimento são as células cancerígenas, que podem viver para sempre em meios de cultura, e, na verdade só morrem porque são pouco espertas e matam o organismo invadindo e parasitando.

Por que, então, envelhecemos? Cada vez que as células do nosso corpo se dividem, uma parte do material genético necessário a estas divisões é perdido, são chamados Telômeros. A velocidade e extensão dessas perdas e que vai determinar quantas vezes cada célula vai poder se dividir, por quanto tempo irá viver e quando vai morrer. Os telômeros são, na verdade, os nossos relógios biológicos, que controlam o processo do envelhecimento celular. O grande elo perdido foi então descoberto por Carol Grieder e Elisabeth Blackburn, da Universidade de Yale em 1989: uma enzima chamada telomerase é capaz de repor indefinidamente os segmentos de telômeros perdidos nas divisões celulares, e é exatamente esse fenômeno que possibilita às amebas, células germinativas e células cancerígenas viverem para sempre. Por outro lado, as células comuns envelhecem porque a telomerase não consegue ser ativada nas mesmas.

Muitas pesquisas e estudos têm sido feitos desde então, e as notícias mais recentes nesta área são maravilhosas. A telomerase já foi replicada em células comuns, e os desdobramentos desse avanço estarão ao nosso alcance dentro de muito pouco tempo. Substâncias capazes de inibir essa enzima em células do câncer já estão sendo produzidas e estarão disponíveis dentro de cinco anos. Acena-se com a total cura do câncer dentro de quinze anos. No outro extremo, substâncias capazes de estimular a telomerase em células comuns começarão a ser usadas em 2005. Acredita-se que em 2015, a terapia com telomerase já estará completamente disponível a qualquer pessoa, e a humanidade vai entrar numa nova era de saúde e extensão de vida inimagináveis.