Plano Preliminar de Reativação do Transporte Ferroviário de Passageiro de Médio e Longo Percurso e de Pequenas Cargas Nas Linhas Ferroviárias do Estado do Ceará

 

 

Termos de Referência

 

1 – Introdução

 

A política adotada pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA), quando ainda em atividade, erradicando o transporte de passageiros de médio e longo percurso, e, de pequenas cargas, em todo o Brasil, constituiu-se numa medida bastante nociva para as populações que se serviam do transporte ferroviário. A erradicação considerou, provavelmente os aspectos de rentabilidade econômica da exploração do transporte, sem contudo, levar em conta os prejuízos sociais e mesmos, econômicos que iriam se transferir para os usuários do transporte ferroviário.

 

No caso específico do Estado do Ceará, apesar dos protestos dos usuários, a erradicação do transporte ferroviário de passageiros de médio e longo percurso, e, de pequenas cargas aconteceu em dezembro de 1988. Não foi considerado o desenvolvimento tecnológico promovido pela Ferrovia Cearense, o qual se traduzia através da construção de 17 carros para passageiro modernos, sendo 7 (sete) com ar condicionado, nas Oficinas de Manutenção e Reparo de Vagões e Carros de Passageiros da RFFSA/CE. A construção dos referidos carros foi efetuada usando tecnologia e mão de obra cearense. Acreditamos que a erradicação somente deveria ter sido efetivada após análise apurada concernente a necessidade de melhorias na superestrutura da Via Permanente e de substituição da composições convencionais (locomotiva  tracionando vagões pesados e obsoletos), por outras mais modernas com veículos mais leves e dotados de tração própria.

 

Hoje, com a construção do Metrofor e a alta carência de transporte no Interior do Estado, provocada principalmente pelo estado precário das rodovias,  julgamos oportuna colocar em discussão, a reativação do transporte ferroviário de passageiros de médio e longo percurso, e, de pequenas cargas, considerando as grandes vantagens que o mesmo pode proporcionar, e, que podem ser assim resumidas:

 

·        Complementar o Sistema Metrofor

·        Transportar passageiros em trechos envolvendo a Capital e cidades de médio porte do Interior do Estado.

·        Transportar pequenas cargas entre as cidades próximas, situadas ao longo da Ferrovia, de modo a proporcionar uma melhor comercialização de gêneros alimentícios e produtos.

·        Transportar estudantes para os diversos Centros de Ensino existentes, ao interior do Estado (UVA, URCA, Campus avançados da UECE, Escolas Técnicas e Agrícolas, etc.)

·        Facilitar o Ensino Profissionalizante através do uso de composições adaptadas para treinamentos específicos.

·        Proporcionar maior assistência médica e odontológica, mediante o uso de composições devidamente adaptadas para as finalidades previstas.

 

2 – Aspectos Gerais

 

A reativação do transporte de passageiros prevista no Plano far-se-ia através de composições do tipo VLT (Veículo Leve sobre Trilho) uma vez que aquelas do tipo convencional (locomotiva rebocando carros de passageiros), seria altamente onerosa e antieconômica, conforme já comprovado pela própria RFFSA.

 

São previstas 2 (dois) tipos de composição:

 

·        Composições tipo VLT, já operando em vários países, e, mesmo no Brasil (Trecho Curitiba – Paraguai).

·        Composição denominada Trem-Bus (Trem – Ônibus), projetada no Ceará por dois ferroviários aposentados: Eng.º  Antônio Telmo Nogueira Bessa e o Técnico Mecânico Arnaud Leite Moreira.

 

As Composições tipo VLT ( 1º tipo) podem ser formadas por diferentes modelos de carros devidamente já testados, em operação normal, em vários países; porém, para vias de referência apresentamos algumas considerações sobre o tipo específico, denominado Railbus:

 

·     Veículo leve sobre trilhos movido a tração diesel, constituído  de uma unidade bidirecional, composta por 2 (dois) carros, que podem ser acoplados para formar uma composição de 4 (quatro) carros.

 

·     Cada carro pode transportar em média, cerca de 100 passageiros sentados, e as composições podem desenvolver velocidades até 90 km/h.

 

·     A CBTU já efetuou estudos sobre o Sistema Railbus para possível aplicação; comparando-o com sistema de tração ferroviário convencional e rodoviário. Os trechos estudados situam-se no seguintes Estados:

 

ü                  Rio de Janeiro

-         Saracuruna - V. Inhomirim (15 km)

-         Surucuna  - Guapamirim (40 km)

-         Niterói – Visconde de Itaboraí (32 km)

ü                  Recife

-         Cinco Pontas – Cabo (32 km)

ü                  Natal

-         Natal – Parnamirim (17,7 km)

-         Natal – Ceará Mirim (38 km)

ü                  João Pessoa

-         João Pessoa – Cabedelo (18,3 km)

-         João Pessoa – Santa Rita (11,2 km)

ü                  Maceió

-         Maceió – Lourenço de Albuquerque (32,5 km)

 

·     Os resultados  dos estudos  de pré-viabilidade técnico – econômica de utilização do Railbus nas linhas acima relacionadas, foram bastante satisfatórios.

 

 

 

·     Aspectos Técnicos do Railbus (Trem Unidade Diesel)

 

 

Bitola....................................

1000 mm

Tara (Carro Metria)..............

25.000 km

Tara (Carro Reboque)..........

20.000 km

Formação..............................

MRRM

Capacidade (Passageiros).....

400 Aprox.

Velocidade Máxima.............

90 km/h

Aceleração ( 0 a 90 km/h )..

0,2 m/s2

Desaceleração......................

1,1m/s2

Tração..................................

Motor Diesel Turbinado

Sistema de Transmissão.......

Conversor de Torque        Hidráulico

Sistema de Freio de Atrito...

Eletropneumático

 

 

As composições Tipo Trem – Bus, já foram testadas em todas as linhas da ferrovia cearense, através da operação dos protótipos n.º 1 e n.º 2, percorrendo aproximadamente 2400 km .

 

As características de construção e operacionais do veículo são apresentadas em anexo.

 

Considerando que o transporte ferroviário, para ser eficiente e seguro de pende de 3 (três) vetores principais: material rodante, superestrutura da via permanente e do controle da operação, é que apontamos para a necessidade de se estudar a reativação do transporte objeto do plano, sob o ponto de vista sistêmico.

 

3 – Alternativas de Aplicação do Plano

 

Para a aplicação do Plano, usando o veículo Railbus, colocamos em discussão duas alternativas.

 

ü      Alternativa A

 

1.      Linha Sul

1.1.    Trecho Piloto:  Vila das Flores (final  da  Linha  Metroviária  Sul) 

              Quixadá, visando 2 (dois) tipos de exploração:

1.1.1.      Transportar passageiros para alimentação do Sistema Metrofor; e

1.1.2.      Desenvolver turismo, em final de semana, baseado no potencial turístico de Guaramiranga (Integração Trem – Ônibus) e de Quixadá (Turismo religioso relacionado com o Santuário do Sertão, construído pelo Bispado de Quixadá).

 

2.      Linha Norte

2.1.   Trecho Piloto: Caucaia (final da Linha Metroviária Norte) – Itapipoca,

                        visando 2 (dois) tipos de exploração

2.1.1.      Transportar passageiros para alimentação do Sistema Metrofor; e,

2.1.2.      Desenvolver turismo, em final de semana, baseado no potencial turístico  

            da praias da costa oeste cearense (Integração trem – ônibus).

 

ü      Alternativa B

 

1.      Trecho Piloto: Missão velha – Juazeiro – Crato

 

A reativação dos trechos pilotos sugeridos, conforme a Alternativa adotada, seria seguida de avaliação  técnico – econômica para garantir subsídios para implantação gradual de outros trechos, tais como:

 

2.      Linha Sul

            2.1      Quixadá – Iguatú

2.2      Iguatú – Crato (Reativação do Trem da Feira)

 

3.         Linha Norte

            3.1       Itapipoca – Sobral

            3.2       Sobral – Crateus

            3.3       Crateus – Teresina

 

No caso do Trem – Bus, o Plano sugere que as composições, sejam operacionadas entre cidades próximas, distantes de até 200 Km, visando o transporte, principalmente, de passageiros e pequenas cargas, de conformidade com o exposto no seu Projeto anexo.

 

4 – Desenvolvimento do Plano

 

O desenvolvimento do Plano estaria condicionado ao estabelecimento de etapas, tais como:

-         Escolha do trecho piloto, segundo a alternativa adotada, através de estudos de viabilidade técnico – econômica.

-         Elaboração do Projeto para reativação do trecho selecionado, envolvendo material rodante, via permanente e operação.

-         Identificação das fontes de financiamento, ressaltando-se que a reativação do Transporte Ferroviário de Passageiros de Curta Distância foi objeto de estudos por parte do BNDES, e que a reativação de alguns trechos sugeridos no Plano, coincidem com alguns selecionados pelo Banco.

-         Execução do Projeto com a participação efetiva de Mão de Obra Cearense e do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará, o qual já mantém convênio com o Metrofor para a transferência de tecnologia proporcionada pela Implantação do Sistema de Transportes de Passageiros Urbanos.

-         Avaliação, em época adequada, do desempenho técnico – econômico do trecho piloto selecionado.

-         Tomada de decisão sobre a conveniência da implantação gradual, de outros trechos sugeridos no Plano.

 

 

 

 

 

 

5        - Resultados

 

Dentre os vários resultados vantajosos que o Plano vislumbra, podem ser destacados os seguintes:

-         Proporcionar a Reativação de um transporte barato, seguro e integrado ao Sistema Rodo – Ferroviário do Estado do Ceará.

-         Contribuir para o Desenvolvimento Econômico do Estado.

-         Facilitar através do transporte ferroviário um melhor e maior deslocamento das populações residentes ao longo das linhas ferroviárias, que desejem se profissionalizar em Centros de Treinamentos existentes (UVA, URCA, Campus Avançados da UECE e UFC, Escolas Técnicas Federais, Escolas Agrícolas, Centec´s, CVT´s, etc.)

-         Incrementar a assistência médica – odontológica no Interior, através da implantação de Trens da Saúde.

-         Facilitar o treinamento profissional das populações que não podem se deslocar para os centros mais desenvolvidos, através da implantação de Trens Volantes adaptados para  efetuar profissionalizações específicas.

-         Contribuir para o desenvolvimento da Tecnologia Ferroviária Cearense, englobando formação de Mão de Obra especializada e elaboração de projetos adequados às condições técnicas das linhas ferroviárias cearenses, e às condições econômicas do Estado do Ceará.

 

 

 

 

Antônio Telmo Nogueira Bessa