08.02.2010

Setor tem queda inferior à média da indústria e reduz déficit comercial

Produção do setor gráfico brasileiro caiu 2,39% em 2009, ante os 6,7% referentes a todo o universo da indústria de transformação. Quanto à sua balança comercial, o setor reduziu o déficit em 31,23%. O saldo negativo, que havia sido de US$ 114,43 milhões em 2008, fechou o ano passado em US$ 78,69 milhões.

A indústria gráfica brasileira encerrou 2009 com queda de 2,39% na produção física de produtos, medidos em volume de papel convertido/impresso. A redução é bem menos acentuada do que a verificada para o restante da indústria de transformação (-6,7%). O resultado decorre de queda de 12,19% na produção de cadernos e 2% na de embalagens impressas e de incremento de 2% na área de impressos editoriais.

 Tais números poderão ser retificados a partir de 15 de fevereiro, quando o IBGE fechar os dados consolidados relativos ao quarto trimestre de 2009. Todos os dados integram o Índice de Produção Física da Indústria Gráfica, originado pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física PIM-PF, fornecidos trimestralmente pelo IBGE à equipe do Departamento de Economia da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf). Análises e estimativas são da equipe da Websetorial Consultoria.

 

 

Resultados e Estimativas de Variação na Produção da Indústria Gráfica Brasileira

Variação( %): em relação ao mesmo período do ano anterior

 

jan-abr

jan - jul

jan-dez

Embalagens Impressas

-4,46

-4,22

-2,20

Cadernos

-20,79

-15,43

-12,19

Produtos Gráficos Editoriais

8,17

7,10

2,14

Total ABIGRAF

-3,54

-3,16

-2,39

 

 

Comércio

 A pesquisa mensal do comércio PMC/IBGE indica aumento de 10% nas vendas, no comércio varejista, de produtos nacionais e importados do setor gráfico, nos 12 meses contados entre dezembro de 2008 e novembro de 2009. No mesmo período, também foi de 10% o crescimento das receitas nominais decorrentes da venda desses produtos. Assim, descontada a inflação pelo INPC, de 4,11%, as receitas de livros, jornais, revistas e produtos de papelaria cresceram 5,89% em termos reais, no comércio.

Balança Comercial em 2009, déficit caiu 31,23% em relação ao ano anterior.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de janeiro a dezembro de 2009, as exportações brasileiras de produtos gráficos totalizaram US$ 219,08 milhões, representando queda de 14,3% em comparação com o ano anterior. As importações foram de US$ 297,76 milhões, o que significa redução de 19,5%.  

A crise internacional, deflagrada em setembro de 2008, teve impacto negativo tanto de exportações como nas importações. Pelo fato de o recuo nas importações ter superado o das exportações, até dezembro, houve melhora no resultado da balança comercial do setor.

Dentre os US$ 297,76 milhões de produtos gráficos importados, acumulados ao longo de 2009, destacaram-se os editoriais (livros e revistas). Estes representaram 42,7% (US$ 127,22 milhões) das importações gráficas totais, com queda de 10,2% em relação a 2008. As importações de embalagens também foram relevantes e corresponderam a 20,7% do total ou US$ 61,75 milhões - a diminuição dessas importações foi de 13,6% em 2009, em relação a 2008. As compras externas são originárias especialmente dos Estados Unidos, China e países da Europa.

No tocante aos US$ 219,08 milhões exportados, apesar da queda em quase todos os segmentos gráficos, os cartões acumularam crescimento de 52,7% em relação a 2008 - com US$ 63,04 milhões. Este segmento já é o segundo da pauta da indústria gráfica, seguindo-se ao de embalagens - com US$ 69 milhões exportados. Cabe observar que a expansão das vendas externas de cartões Inteligentes ("smart cards") ocorreu em todos os meses de 2009. As exportações brasileiras de produtos gráficos destinam-se principalmente às nações das Américas.

O saldo comercial da indústria gráfica encerrou 2009 com déficit de US$ 78,69 milhões. Isto representa melhora em relação a 2008, cujo resultado foi de déficit de US$ 114,43 milhões. O saldo negativo recuou, portanto, 31,23%.

  

 

Balança Comercial da Indústria Gráfica Brasileira por Segmento - ano de 2009

 

Exportações

US$ milhões

Importações

US$ milhões

Saldo

US$ milhões

Participação nas Exportações Totais

Participação nas Importações Totais

Cadernos

29,93

4,37

25,56

13,7%

1,5%

Cartões

63,04

42,17

20,87

28,8%

14,2%

Embalagens

68,47

61,75

6,72

31,3%

20,7%

Envelopes

0,30

0,42

-0,12

0,1%

0,1%

Etiquetas

8,26

16,37

-8,10

3,8%

5,5%

Impressos Fiscais

3,81

6,22

-2,41

1,7%

2,1%

Formulários

1,18

0,61

0,57

0,5%

0,2%

Editorial

25,22

127,22

-102,00

11,5%

42,7%

Promocional

18,87

38,66

-19,78

8,6%

13,0%

Total

219,08

297,76

-78,69

100,0%

100,0%

  
Investimentos 

Com relação aos investimentos do setor gráfico em máquinas e equipamentos, o volume acumulado entre janeiro e agosto de 2009, de US$ 659,93 milhões, é 45,1% menor em relação a igual período do ano anterior.  Em 2008, aliás, verificou-se o maior nível de investimentos do setor nos últimos cinco anos, com US$1,82 bilhão.