Janeiro/10 - Nova Série - Ano 3 - nº1
OS INCENTIVOS À PESQUISA TECNOLÓGICA E INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA
PEDRO JORGE RAMOS VIANNA
A indústria cearense tem se caracterizado ao longo do tempo, basicamente, como indústria de transformação, mão-de-obra intensiva e baixo índice tecnológico.
Apesar de, alguns setores industriais cearenses, como o têxtil, por exemplo, utilizarem, maquinário e equipamento de alta tecnologia, essas indústrias não são consideradas inovadoras, porque a pesquisa e desenvolvimento em áreas estratégicas, como a nanotecnologia, ali ainda não marcam presença.
Dada a globalização acentuada dos sistemas econômicos, nenhuma indústria está protegida contra a concorrência estrangeira, mesmo em mercados internos diminutos. Assim, mesmo a indústria de transformação, normalmente voltada para o mercado interno, tem que estar preparada, primeiro para concorrer nesse mercado; depois, ganhar mercado internacional. Isto porque as crises no sistema capitalista afetam tanto os mercados internos como o mercado internacional, embora em níveis diferentes. Assim, ter acesso aos dois mercados é uma forma de criar maior proteção contra os efeitos de tais crises.
Veja-se que nesta última crise (fins de 2008 – começo de 2009) foi o mercado interno que amorteceu a tremenda retração de demanda nos mercados importadores de bens da indústria cearense. Com menor ênfase pode-se dizer o mesmo para a economia brasileira.
Mas a existência pura e simples de demanda potencial nesses dois mercados, não garante que a indústria tenha, efetivamente, demanda para seu produto. Aqui é a competitividade que dirá da existência real de tal demanda. E o que dará competitividade aos produtos industriais cearenses?
Não só para a indústria cearense, mas para qualquer setor produtivo, a competitividade do produto é fruto da junção de muitos fatores: qualidade do produto, design; resultados de P&D; boas práticas de comercialização, tempestividade na entrega e perfeito serviço de atendimento ao cliente e, talvez o mais importante, baixo custo de produção o que lhe permitirá ter preço competitivo.
Todos estes fatores, na realidade, podem ser sumariados dentro do contexto da tecnologia e inovação. Se a indústria não estiver constantemente inovando, no sentido de obter um produto cada vez melhor a custos mais baixos, não manterá o seu nível de competição no mercado, seja nacional, seja internacional.
A grande questão é: poderá o setor industrial cearense se envolver com processos de modernização tecnológica sem o apoio do setor público?
A resposta talvez seja muito óbvia: não!
Então, como o setor público poderá ser acionado para cumprir esta missão?
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