Produção do setor gráfico brasileiro caiu 2,39% em 2009, ante os 6,7% referentes a todo o universo da indústria de transformação. Quanto à sua balança comercial, o setor reduziu o déficit em 31,23%. O saldo negativo, que havia sido de US$ 114,43 milhões em 2008, fechou o ano passado em US$ 78,69 milhões.
A indústria gráfica brasileira encerrou 2009 com queda de 2,39% na produção física de produtos, medidos em volume de papel convertido/impresso. A redução é bem menos acentuada do que a verificada para o restante da indústria de transformação (-6,7%). O resultado decorre de queda de 12,19% na produção de cadernos e 2% na de embalagens impressas e de incremento de 2% na área de impressos editoriais.
Tais números poderão ser retificados a partir de 15 de fevereiro, quando o IBGE fechar os dados consolidados relativos ao quarto trimestre de 2009. Todos os dados integram o Índice de Produção Física da Indústria Gráfica, originado pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física PIM-PF, fornecidos trimestralmente pelo IBGE à equipe do Departamento de Economia da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf). Análises e estimativas são da equipe da Websetorial Consultoria.
|
Resultados e Estimativas de Variação na Produção da Indústria Gráfica Brasileira
|
|
Variação( %): em relação ao mesmo período do ano anterior
|
|
|
jan-abr
|
jan - jul
|
jan-dez
|
|
Embalagens Impressas
|
-4,46
|
-4,22
|
-2,20
|
|
Cadernos
|
-20,79
|
-15,43
|
-12,19
|
|
Produtos Gráficos Editoriais
|
8,17
|
7,10
|
2,14
|
|
Total ABIGRAF
|
-3,54
|
-3,16
|
-2,39
|
Comércio
A pesquisa mensal do comércio PMC/IBGE indica aumento de 10% nas vendas, no comércio varejista, de produtos nacionais e importados do setor gráfico, nos 12 meses contados entre dezembro de 2008 e novembro de 2009. No mesmo período, também foi de 10% o crescimento das receitas nominais decorrentes da venda desses produtos. Assim, descontada a inflação pelo INPC, de 4,11%, as receitas de livros, jornais, revistas e produtos de papelaria cresceram 5,89% em termos reais, no comércio.
Balança Comercial em 2009, déficit caiu 31,23% em relação ao ano anterior.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de janeiro a dezembro de 2009, as exportações brasileiras de produtos gráficos totalizaram US$ 219,08 milhões, representando queda de 14,3% em comparação com o ano anterior. As importações foram de US$ 297,76 milhões, o que significa redução de 19,5%.
A crise internacional, deflagrada em setembro de 2008, teve impacto negativo tanto de exportações como nas importações. Pelo fato de o recuo nas importações ter superado o das exportações, até dezembro, houve melhora no resultado da balança comercial do setor.
Dentre os US$ 297,76 milhões de produtos gráficos importados, acumulados ao longo de 2009, destacaram-se os editoriais (livros e revistas). Estes representaram 42,7% (US$ 127,22 milhões) das importações gráficas totais, com queda de 10,2% em relação a 2008. As importações de embalagens também foram relevantes e corresponderam a 20,7% do total ou US$ 61,75 milhões - a diminuição dessas importações foi de 13,6% em 2009, em relação a 2008. As compras externas são originárias especialmente dos Estados Unidos, China e países da Europa.
No tocante aos US$ 219,08 milhões exportados, apesar da queda em quase todos os segmentos gráficos, os cartões acumularam crescimento de 52,7% em relação a 2008 - com US$ 63,04 milhões. Este segmento já é o segundo da pauta da indústria gráfica, seguindo-se ao de embalagens - com US$ 69 milhões exportados. Cabe observar que a expansão das vendas externas de cartões Inteligentes ("smart cards") ocorreu em todos os meses de 2009. As exportações brasileiras de produtos gráficos destinam-se principalmente às nações das Américas.
O saldo comercial da indústria gráfica encerrou 2009 com déficit de US$ 78,69 milhões. Isto representa melhora em relação a 2008, cujo resultado foi de déficit de US$ 114,43 milhões. O saldo negativo recuou, portanto, 31,23%.
|
Balança Comercial da Indústria Gráfica Brasileira por Segmento - ano de 2009
|
|
|
Exportações
US$ milhões
|
Importações
US$ milhões
|
Saldo
US$ milhões
|
Participação nas Exportações Totais
|
Participação nas Importações Totais
|
|
Cadernos
|
29,93
|
4,37
|
25,56
|
13,7%
|
1,5%
|
|
Cartões
|
63,04
|
42,17
|
20,87
|
28,8%
|
14,2%
|
|
Embalagens
|
68,47
|
61,75
|
6,72
|
31,3%
|
20,7%
|
|
Envelopes
|
0,30
|
0,42
|
-0,12
|
0,1%
|
0,1%
|
|
Etiquetas
|
8,26
|
16,37
|
-8,10
|
3,8%
|
5,5%
|
|
Impressos Fiscais
|
3,81
|
6,22
|
-2,41
|
1,7%
|
2,1%
|
|
Formulários
|
1,18
|
0,61
|
0,57
|
0,5%
|
0,2%
|
|
Editorial
|
25,22
|
127,22
|
-102,00
|
11,5%
|
42,7%
|
|
Promocional
|
18,87
|
38,66
|
-19,78
|
8,6%
|
13,0%
|
|
Total
|
219,08
|
297,76
|
-78,69
|
100,0%
|
100,0%
|
Investimentos
Com relação aos investimentos do setor gráfico em máquinas e equipamentos, o volume acumulado entre janeiro e agosto de 2009, de US$ 659,93 milhões, é 45,1% menor em relação a igual período do ano anterior. Em 2008, aliás, verificou-se o maior nível de investimentos do setor nos últimos cinco anos, com US$1,82 bilhão.
|