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As notícias desta seção são oriundas da Revista da FIEC, FIEC On Line e outras fontes
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Empresa cearense comercializa crédito de carbono no mercado internacional

Foto: Lourival Tavares, Carlos Minc e Marcelo Tavares, durante visita do ministro à cerâmica do Grupo Tavares, em 2009

A Cerâmica Assunção (Aquiraz/CE), integrante do Grupo Tavares, acaba de ingressar no mercado de carbono. Em janeiro, ela comercializou com o banco norte-americano J.P. Morgan 71.036 Unidades de Redução de Emissões Verificadas (VER’s), que correspondem a 71.036 toneladas de CO² que deixaram de ser emitidas na atmosfera graças ao investimento contínuo da empresas em  tecnologia ambientalmente responsável.
 
Os créditos de carbono resultam de projeto ambiental desenvolvido pela cerâmica, que substitui a lenha por biomassa renovável na queima da cerâmica vermelha. A expectativa é que o projeto evite a emissão de 568 mil toneladas de CO² na atmosfera nos próximos dez anos.
 
De acordo com Lourival Tavares, diretor do Grupo Tavares, o projeto ambiental da cerâmica Assunção destaca-se por adotar um sistema de produção que substitui a lenha na queima da cerâmica por combustível feito a base da mistura de resíduos de bagaço de cana, casca de castanha de caju, borra da mamona, quenga de coco, oiticica e pó de serragem. “Semanalmente, utilizamos em média 3.400 kg dessa mistura na queima da cerâmica. A vantagem é que esses resíduos são renováveis e facilmente encontrados no Ceará. E antes dessa finalidade ecológica eram simplesmente descartados pelas indústrias”, reforça.
 
O empresário conta que, com os recursos adquiridos na transação comercial dos créditos de carbono com o J.P. Morgan, o Grupo Tavares incrementará o projeto ambiental que já estava sendo expandido para a unidade de Itaitinga com recursos próprios e nos mesmos moldes da cerâmica Assunção. Naquela unidade, já estão em funcionamento novos equipamentos que permitem o sistema de queima com a biomassa renovável. “Também já está em funcionamento um novo forno, que batizamos de Liberola e que permite o reaproveitamento de até 75% do calor nas diversas câmaras de combustão existentes nele. Isso significa que economizaremos em até 75% o combustível renovável utilizado”, complementa Lourival Tavares, também diretor do Grupo e administrador direto da cerâmica Assunção.
 
Além de incrementar o projeto ambiental na unidade de Itaitinga e dar continuidade à política de preservação ambiental e de sustentabilidade do Grupo Tavares, os recursos provenientes da comercialização dos créditos de carbono com o J.P. Morgan serão aplicados na reforma de moradias, incentivo ao esporte e na construção de uma biblioteca infantil dentro da cerâmica Assunção. “Tudo para beneficiar a comunidade do entorno da cerâmica, pois entendemos que um projeto ambiental precisa estar diretamente ligado a ações de cunho social”, destaca Lourival Tavares.
 
Filosofia ambiental
 
A filosofia ambiental é uma postura adotada pelo Grupo Tavares desde 2006 e perseguida bem antes desta data. Ainda em 1993, Lourival Tavares, diretor do Grupo Tavares e administrador direto da cerâmica Assunção, iniciou os estudos de utilização de energia vegetal renovável em substituição à lenha. Até que no início de 2006 chegou-se à mistura ideal de biomassa renovável o que possibilitou a posterior substituição integral da lenha por essa mistura na cerâmica Assunção.
 
Marcelo Tavares, diretor de Marketing do Grupo Tavares,  lembra que a busca alternativas à lenha iniciou com a utilização experimental do LCC, óleo da castanha de caju. Na unidade IV da Cerâmica Assunção, em Aquiraz, o projeto modelo do sistema de queima ecológica iniciou em 2006 e hoje já é 100% renovável.
“Adaptamos nossas máquinas e substituímos a queima da lenha nativa pela queima de matéria-prima renovável, como raspa e pó de serraria, borra de oiticica, quenga de coco, casca de castanha e borra da mamona. Além de deixarmos de emitir gases poluente para a atmosfera, passamos a aproveitar esses resíduos que antes eram jogados fora e acabavam poluindo o solo”, explica.

Aproveitar o material, antes colocado no lixo, significa queimar gás metano, que é vinte e uma vezes mais gerador de efeito estufa que o gás carbono. As mudanças também garantem maior controle dos produtos, já que o sistema é automatizado, desde a trituração e mistura dos resíduos, até a alimentação das bocas para a queima.

Segundo o presidente do Sindcerâmica, Fernando Ibiapina, a Cerâmica Assunção é a segunda empresa do setor ceramista cearense a ingressar no mercado de carbono. A primeira foi a Cerâmica Gomes de Mattos, do Crato, que deixou de emitir 114 mil toneladas de CO² na atmosfera entre 2007 e 2008. No ano passado, uma negociação com o Banco Mundial rendeu à empresa o montante de R$ 1,3 milhão em crédito de carbono.

Defensor do meio ambiente e do processo produtivo sustentável no setor cerâmico, Ibiapina, que foi presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da FIEC (Cotema), acredita que a conquista é uma vitória para todo o setor. “Isso demonstra como o nosso segmento está preocupado com a questão ambiental e evidencia o quanto nossas cerâmicas estão investindo para preservar o meio ambiente”.
 
Parceria com a Carbono Social
 
A parceria com a Carbono Social iniciou no fim de 2006. Desde então, a instituição presta serviço de consultoria ao Grupo Tavares no processo de aperfeiçoamento do projeto ambiental de substituição da lenha por biomassa renovável no processo de queima da cerâmica. Foi a Carbono Social que atuou na verificação e comercialização dos créditos de carbono da cerâmica Assunção.
 
Como o processo requer diversas auditorias e fiscalizações rigorosas para comprovar a veracidade do projeto ambiental, feitas por empresas internacionais como a TÜV NORD (credenciada como Entidade Operacional Designada), houve uma demora para se concretizar a comercialização do carbono, só sendo possível agora no início de 2010. Essa fiscalização, por vezes burocrática, existe para evitar que o mesmo crédito não seja comercializado mais de uma vez.
 
Entenda o mercado de carbono
 
A comercialização internacional de créditos de carbono iniciou em 2005, resultado das resoluções acordadas pelos países signatários do Protocolo de Kyoto. Os projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE) foram criados para conter o crescimento do aquecimento global. Na lógica do mercado de carbono, as empresas que passam a emitir menos gases poluentes podem vender créditos às demais, tendo como objetivo estimular todo mundo a começar a pensar como reduzir as emissões. Atualmente, a comercialização de créditos de carbono se revela uma tendência irreversível no mercado e um passaporte para a economia sustentável.
 
O mercado de carbono também funciona a partir de programas voluntários de redução das emissões. O mercado voluntário abrange projetos de menor escala que seriam inviáveis para os critérios de Quioto. As negociações são guiadas por regras comuns de mercado, podendo ser efetuadas em bolsas, por intermediários ou diretamente entre os interessados. A convenção para a transação dos créditos é o CO2 equivalente.
 
No caso da Cerâmica Assunção, do Grupo Tavares, a negociação se deu a partir do Assunção Ceramic Fuel Switching Project, tendo como intermediário a Carbono Social. A instituição prestou consultoria ao Grupo Tavares no processo de aperfeiçoamento do projeto ambiental acima citado, realizando inclusive diversas auditorias de processo que garantiram a comercialização do crédito de carbono no mercado internacional.
 
Ao desenvolver o projeto ambiental com iniciativa e recursos próprios, a cerâmica  Assunção está protegendo o meio ambiente, ajudando a cumprir as metas internacionais de emissão de gases poluentes na atmosfera e ainda está se capitalizando para realizar novos investimentos ambientais a partir da comercialização dos créditos de carbono. Para Lourival Tavares investir em tecnologia ambientalmente responsável tornou-se além de uma postura empresarial um negócio promissor no mercado internacional.
 
Conheça o Grupo Tavares
 
Com 37 anos de trajetória no mercado e sede em Itaitinga (Região Metropolitana de Fortaleza), o Grupo Tavares possui 21 unidades produtivas distribuídas nos municípios cearenses de Aquiraz (12), São Gonçalo do Amarante (03), Caucaia (02), Itaitinga (03) e Horizonte (01). Com uma variedade de mais de 50 produtos ativos, estas unidades têm capacidade máxima produtiva de 120 milhões de peças/mês. Juntas geram mais de 1.300 empregos diretos e quase 1.000 indiretos. O Grupo também tem negócios ligados a postos de combustíveis, agropecuária e extração mineral – todos interligados estrategicamente com processo cerâmico.
 
Saiba mais sobre o JP Morgan
 
O J.P. Morgan é um banco norte-americano de atacado e de investimentos, resultado da fusão entre o J.P. Morgan e o Chase Manhattan em setembro de 2000. Presente no Brasil desde a década de 60, abriu um escritório local de representação em 1966, enquanto o Chase Manhattan iniciou suas atividades no País em 1960, por meio do Banco Lar Brasileiro. Recentemente, o banco comprou 322.042 mil toneladas créditos de carbono SOCIALCARBON gerados em 19 cerâmicas brasileiras.
 
Cerâmicas que comercializaram carbono com o JP Morgan/2010
 
Assunção (CE), Barbosa (PA), Barro Forte (PE), Bom Jesus (PE), Cavalcante (PA), Cenol e Telha Forte (PA), Guaraí (RJ), Itabira (RJ), Santa Izabel (RJ), JL Silva (PE), Kamiranga (PA), Lara (SP), Menegalli (PA), Panorama (SP), Pôr do Sol (SP), Santorini (MG), Sol Nascente (SP), União e Dois Companheiros (SP) e Velotex (SE).

Cronologia do comércio de créditos de carbono
 
1997 – Assinatura do Protocolo de Kyoto, que prevê a redução dos gases de efeito estufa.
2000 – Criação do Prototype Carbon Fund, primeiro fundo destinado à compra de créditos de carbono. Resultante de uma parceria entre 17 companhias e seis governos. O PCF é administrado pelo Banco Mundial.
2002 – Criação do The UK ETS, primeiro esquema de comércio de emissões do mundo, no Reino Unido.
2003 – Início das operações da Chicago Climate Exchange (CCX), a primeira bolsa do mundo a negociar reduções certificadas de emissões de gases do efeito estufa no mercado voluntário.
 2005 – Governo do estado australiano de New South Wales introduz um esquema de comércio de emissões atrelado à concessão de licenças para concessionárias de energia.
 2005 – Protocolo de Kyoto entra em vigor com a ratificação da Rússia, mas sem a participação dos Estados Unidos, detentor do maior volume de emissões.
2005 – Lançamento da Asia Carbon Exchange, primeira bolsa de valores do mundo a comercializar créditos de carbono em uma plataforma on-line.
2008 - Bolsa de Mercadorias & Futuros realiza 1° leilão de créditos de carbono no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo a partir de emissões evitadas pelo Projeto Bandeirantes de Gás de Aterro e Geração de Energia.
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