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Uma publicação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará
Ano 8 - Edição 82 - março de 2014
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Publicada em 29.08.2009

Reciclagem

Sindverde e INDI vão promover Recicla Nordeste

Sindverde e INDI vão promover Recicla Nordeste 
Evento deve trazer a Fortaleza as principais empresas da região e mostrará a evolução de máquinas e equipamento, além de soluções para a reciclagem industrial 
 

 
O Sindicato das Empresas de Reciclagem de Resíduos Domésticos e Industriais do Estado do Ceará (Sindverde) e o Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará (INDI), órgão da FIEC, vão promover em Fortaleza, com data prevista para novembro de 2010, no Centro de Convenções, a Feira Recicla Nordeste. O anúncio foi feito durante a 1ª Mostra de Reciclagem e Meio Ambiente, realizada em junho no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A feira será uma oportunidade de as empresas exporem o que o Ceará e o Nordeste fazem em termos de reciclagem e preservação ambiental.

Segundo o presidente do sindicato, Marcos Augusto Nogueira de Albuquerque, uma pessoa gera em nossa capital por dia uma média de 0,8 quilo de lixo. Considerando a população de Fortaleza, esse montante significa que a cidade produz mais de 2,5 milhões de quilos de resíduos sólidos diariamente. No Brasil, são 150.000 toneladas diárias, mais de 60 milhões por ano. Caso esse lixo fosse reciclado, seriam criados mais de dois milhões de empregos e auferida uma renda de R$ 40 bilhões para o país. “O lixo é uma fonte de riqueza e de renda muito grande, mas ainda não tem sua importância reconhecida devidamente”, frisa Marcos Augusto.

Números do sindicato mostram que no país são reciclados apenas 12% dos restos não-orgânicos. Nos lixões, encontram-se pilhas de garrafas, sacos plásticos e latinhas, dentre outros itens, que, acumulados, poluem o meio ambiente. No Ceará, de acordo com o Sindverde, somente 84 indústrias trabalham com reciclagem em Fortaleza, dentro de um universo de mais de 11.000 empresas industriais existentes. No total, as recicladoras são responsáveis pela compra mensal de cerca de 2.500 toneladas de sucatas plásticas, 1.500 toneladas de sucatas de papel e papelão e mais de 15.000 toneladas de resíduos ferrosos.

Para Marcos Augusto, são grandes as dificuldades por que passam as empresas do estado. No meio delas está a necessidade de equipamentos modernos destinados à reciclagem de embalagens que hoje vão para os lixões, como as da Tetra Pak – por ser composta de plástico, papel e alumínio, necessita de uma máquina de tecnologia alemã, ainda muito cara para a realidade local. “Estamos com 100% de utilização da nossa capacidade instalada e necessitamos do apoio do governo para adquirir novos equipamentos. Infelizmente, as dificuldades de acesso ao crédito impedem a entrada de novos investidores no setor e a ampliação dos já existentes”, afirma.

Outro problema que afeta os empresários do ramo é a dupla tributação sobre os negócios. “Pagamos impostos na compra das sucatas e também quando vamos revender para as indústrias beneficiadoras. É um peso difícil de suportar, razão pela qual pedimos a compreensão das autoridades para rever essa situação”, reivindica Marcos Augusto.

Falta de mão de obra qualificada e de incentivos fiscais também atrapalha o setor. Marcos Augusto argumenta que, por contribuírem com a limpeza e a preservação do meio ambiente, seria justo algum tipo de compensação relativa a impostos. “Por diversas vezes, procuramos os órgãos competentes, mas não obtivemos retorno quanto ao nosso pleito de ser instituído, por exemplo, um ICMS ecológico, reduzindo a tarifa de impostos para os recicladores”, afirma o líder sindical.

Na opinião do presidente da FIEC, Roberto Proença de Macêdo, a reciclagem dos resíduos industriais para fins de preservação do planeta é estratégica. “O estado precisa ampliar esse processo”, diz. E ressalta: “Tanto em casa como nas indústrias ainda temos muito que crescer nesse sentido. Portanto, todo o esforço visando criar uma consciência ecológica é bem-vindo para que haja equilíbrio ambiental e sustentabilidade dos negócios”.

Experiência de sucesso

A 1ª Mostra de Reciclagem e Meio Ambiente divulgou projetos de coleta seletiva e algumas experiências bem-sucedidas promovidas em Fortaleza e em algumas cidades do interior do estado. Já estão programadas mais duas outras exposições: uma em novembro próximo e outra em junho de 2010. O Programa Ecoelce é uma das experiências com bom resultado expostas na primeira mostra. Trata-se de uma iniciativa desenvolvida pela Companhia Energética do Ceará (Coelce) que dá desconto na conta de energia elétrica para clientes que levem material reciclável a postos autorizados. A ideia é simples, mas muito eficaz. Em vez de jogar no lixo os resíduos sólidos que aparentemente não têm mais utilidade, os resíduos são levados aos postos de coleta espalhados pelo estado. O material coletado – vidro, papel, metal e outros produtos – não é trocado por dinheiro. O consumidor ganha da Coelce descontos na conta de energia.

O projeto registra atualmente acima de quatro milhões de resíduos arrecadados para reciclagem, tendo ultrapassado a marca dos 80.000 clientes beneficiados. São mais de R$ 503.000 em descontos, e há casos de clientes que conseguiram, com as constantes trocas, zerar suas faturas de energia. O programa começou em Fortaleza, mas agora se estende por vários municípios: 31 pontos na capital, 11 na região metropolitana e 20 no interior, totalizando 62 locais de coleta. E está disponível para clientes de todas as faixas de renda.

A iniciativa foi a única de nosso país entre as dez vencedoras do World Business and Development Awards (Prêmio Empresas Globais e Desenvolvimento), em 2008, concedido em Nova York pela Câmara do Comércio Internacional, Fórum Internacional de Líderes de Negócios e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A premiação destaca ações do setor privado que contribuam para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) das Nações Unidas. Nessa edição, foram inscritos 104 projetos de 44 países.

Contradição

No Brasil, são mais de 150.000 toneladas de lixo urbano geradas diariamente. 55% a 60% vão para os lixões. Apenas cerca de 12% desse total, de acordo com o último levantamento do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), é enviado à reciclagem. Segundo a entidade, ainda não existem no país sistemas de incineração de lixo urbano com controle ambiental e recuperação de energia. Só 1% do lixo é incinerado, incluindo aí os resíduos de serviços de saúde. Quanto ao lixo orgânico, a compostagem também é muito incipiente, não ultrapassando os 3% de reaproveitamento para a produção de fertilizantes.

Ao ano, a indústria de reciclagem movimenta aproximadamente R$ 10 bilhões, mantendo cerca de 550 cooperativas e emprego formal para mais de 50.000 pessoas em indústrias que reaproveitam o lixo seco. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) diz que pelo menos outros 500.000 brasileiros tiram seu sustento do lixo produzido nas grandes cidades. Em 2008, o número de municípios brasileiros com programas de coleta seletiva foi de 405 – em torno de 7% do total.

Apesar do baixo número de municípios engajados, o Brasil é campeão mundial em reciclagem de latas de alumínio. O último levantamento divulgado pela Associação Brasileira do Alumínio (Abal), em agosto de 2008, constatou que em 2007 o país reciclou 96,5% do total de latas de alumínio para bebidas comercializadas no mercado interno. Segundo a entidade, foram recicladas naquele ano mais de 160.000 toneladas de sucata de latas, o que corresponde a 11,9 bilhões de unidades – 32,6 milhões por dia ou 1,4 milhão por hora. Trata-se do maior resultado registrado pelo índice, desde que ele passou a ser calculado em 1990, mantendo o Brasil na liderança mundial, pelo sétimo ano consecutivo, em reciclagem de latas de alumínio. A atividade movimentou em 2007 cerca de R$ 1,8 bilhão. Somente a etapa de coleta (compra de latas usadas) injetou cerca de R$ 523 milhões na economia nacional, o equivalente à geração de emprego e renda para 180.000 pessoas.

Muito mais do que benefícios socioeconômicos, a reciclagem de latas de alumínio favorece o meio ambiente. O processo de reciclagem de latinhas libera somente 5% das emissões de gás de efeito estufa, quando comparado com a produção de alumínio primário. Ao substituir um volume equivalente de alumínio primário, a reciclagem das 160.000 toneladas de latinhas proporciona uma economia de 2.329   GWh/ano (gigawatt hora/ano) de energia elétrica ao país, o suficiente para abastecer por um ano uma cidade com mais de um milhão de habitantes, como Campinas, em São Paulo.

 

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