Redação
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Uma publicação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará
Ano 8 - Edição 82 - março de 2014
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Publicada em 01.07.2013

Textil/confecção

Cadeia produtiva têxtil/confecção discute desafios



Seminário aborda na FIEC o contexto atual da acirrada participação da China no segmento e busca possíveis respostas por meio de investimentos em inovação

A indústria têxtil brasileira movimenta anualmente cerca de 60 bilhões de dólares e paga mais de 12 bilhões de reais somente de salários. No entanto, apenas em impostos, em 2012 – como o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) –, foram mais de 3,6 bilhões de reais. Além disso, com encargos sobre faturamento de folha serão pagos este ano cerca de 600 milhões de dólares em contribuições patronais e, para a Previdência, mais 1 bilhão de dólares.

Os dados, que apontam o poder do segmento no país, revelam, ao mesmo tempo, a dificuldade em ser competitivo se comparado a concorrentes como a China e Bangladesh, os quais, graças a generosos subsídios e mão de obra barata, entram com força no mercado brasileiro e dominam o setor pelo mundo afora.

Esse quadro, por si só, não desestimula o empresariado nacional, que procura alternativas de se diferenciar no mercado. Foi com esse objetivo que o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Estado do Ceará (Sinditêxtil), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), promoveu em maio, na Casa da Indústria, o 1º Seminário Internacional de Inovação Têxtil. Estiveram presentes representantes de governos nas esferas federal e estadual, além de empresários e líderes do setor, que discutiram o contexto atual da acirrada participação da China no segmento têxtil e de confeccionados, além de buscar possíveis respostas por meio de investimentos em inovação.

O presidente da FIEC, Roberto Proença de Macêdo, que abriu o evento, disse que a entidade incentiva a inovação como forma de se contrapor aos desafios que chegam ao mercado. Segundo ele, durante o lançamento, em Brasília, da Agenda Legislativa da Indústria, o setor têxtil foi colocado como estratégico para o país, mas tal avanço só será possível fomentando ações inovadoras: “Falta ao Brasil um projeto ousado de nação, mas, por meio de ações setoriais, se está contribuindo para fazer despertar nos dirigentes essa necessidade”.

Para o presidente do Sinditêxtil, Germano Maia, o custo sistêmico no Brasil impede o empresário de ser competitivo da porta da fábrica para fora. "Temos bons produtos, qualidade e know-how, mas nossa competitividade cai quando enfrentamos as condições estruturais que nos são impostas." Esse quadro, afirmou, precisa ser mudado rapidamente: “E a inovação é um dos passos fundamentais na busca de alternativas para oferecer produtos e processos diferenciados”.

Cobranças e desafios
A aposta em inovação não é a única saída proposta pelo setor têxtil e de confecção para alcançar competitividade no mercado. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, é preciso cobrar os governos, principalmente em relação à alta carga tributária que onera o setor. "A China dá subsídios de 80% na produção do algodão, impactando no valor de finalização dos têxteis. A concorrência se torna desleal."

Outro fator que necessita de atenção tanto do governo federal quanto da cadeia produtiva é o investimento em qualificação de mão de obra e maquinário de ponta. "Estamos trabalhando com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) para capacitar os trabalhadores. Os empresários também precisam apostar e promover uma cultura de inovação nas fábricas", diz, ressaltando que a responsabilidade também é do setor privado.

Fernando Pimentel aponta como ações estratégicas para um maior fortalecimento da cadeia produtiva a criação do Regime Tributário Competitivo para    a Confecção (RTCC) e a repetição da salvaguarda a 67 itens de vestuário, que representam 75% do total das confecções importadas no Brasil. "Não é protecionismo. A salvaguarda é um instrumento previsto para resguardar setores em risco de sobrevivência.  

O RTCC é um modelo similar ao Simples, em que tributos como PIS, Cofins, contribuição previdenciária   e imposto de renda serão pagos com 4% da receita bruta das empresas, deduzindo as vendas canceladas e mercadorias devolvidas, além das exportações", explica Fernando Pimentel.

Além desses dois pontos, fazem parte da agenda da cadeia têxtil e de confecções outros tópicos como qualidade, Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), compras governamentais e a melhoria do mercado consumidor. A Abi t defende também outras estratégias para ampliar a competitividade do segmento, melhorando a infraestrutura de rodovias, superando a deficiência dos portos, a burocracia, o sistema tributário e os atrasos das obras públicas. “Tudo isso tem de ser resolvido para garantir nossa competitividade interna”, enfatiza Fernando Pimentel.

A ameaça e o drama chinês
O modelo industrial da China e a força do segmento têxtil e de confecção foram um dos temas abordados no seminário. A apresentação coube ao pesquisador na área de internacionalização de empresas Yongjiang Shi, que atua no Institute for Manufactoring, da Universidade de Cambrigde, no Reino Unido. Segundo ele, há 35 anos estudando o modelo de industrialização têxtil posto em prática na China, a transformação ocorrida a partir dos anos 70 foi fundamental ao processo. Durante muito tempo, a China manteve as portas de seu mercado fechadas à inserção de capitais estrangeiros, por causa do regime socialista. Com a abertura ao mercado mundial, houve uma ascensão no sistema produtivo da indústria, sobretudo um aumento na produção de bens de consumo.

Shi disse que um dos fatores primordiais motivadores do fenômeno foi a atração de investimentos, acelerando o desenvolvimento industrial. Além disso, outra causa determinante está relacionada à implantação de zonas econômicas especiais. Nessas áreas, foram concedidas permissões para a entrada de capitais estrangeiros. Ao longo delas, criaram-se áreas de livre comércio, medida adotada em decorrência de leis de incentivo, como redução parcial ou total de impostos.

Mais: a redução de impostos proporcionou a atração de investimentos e inovações tecnológicas oriundas de países desenvolvidos. Os principais investidores nesses locais são japoneses e norte-americanos. O incentivo aos países para investir na China, no entanto, não é somente o fator tributário, mas a abundante e barata mão de obra, enorme potencial de mercado interno (1,3 bilhão de pessoas) e leis ambientais frágeis, dentre outros aspectos.

Segundo Shi, enquanto no período pré-capitalista 75% das empresas eram estatais, hoje esse índice gira em torno de 15%. Mas para que isso se concretizasse, a industrialização começou de forma modesta. Com o tempo, porém, empresas foram emergindo e atraindo multinacionais interessadas na mão de obra e no potencial de consumo. “Hoje, a China cresce fortemente, exigindo até mesmo das multinacionais lá instaladas certas reconfigurações de modelo. Se antes havia facilidade de terceirização de mão de obra e pouca preocupação ambiental, essas empresas começaram a cuidar melhor de tais questões. Dessa forma, ressalta Shi, a China está diante de um quadro de indefinições: “A poluição é algo terrível. Os rios e o ar têm sido devastados. Como o país lidará com a questão no futuro? É cada vez mais imperioso se pensar nisso!"

Esse crescimento desarticulado, explica o pesquisador, se deu basicamente porque antes da abertura de mercado havia muitas restrições e agora passou a valer quase tudo. Isso teria feito com que o conceito "se eu posso vender, eu posso fazer", deixando de lado questões de valores, se sobrepusesse à ética. Por outro lado, em termos de inovação, Shi considera que os processos industriais ganharam impulso, aumentando a produção, gerando a conquista de novos mercados. “A grande inovação, porém, foi a possibilidade de poder oferecer produtos a preços baratos. Dessa forma, se criou muito emprego, aumentando a base de consumo. Certamente isso não foi bom para os concorrentes, mas não deixa de ser uma inovação".

17% da indústria cearense
Nos últimos anos, a indústria têxtil brasileira, bem como a cearense, foi atacada por problemas que variaram do câmbio à invasão dos produtos asiáticos. Mesmo assim, colocada entre as cinco maiores do país,   a indústria têxtil cearense, segundo a Abit, tem projeção para 2013 de 3,7 bilhões de dólares em negócios, o que deve representar de 6,5% a 7% de toda a indústria nacional.

Na indústria da transformação cearense, os produtos têxteis representam 6,8% da produção, enquanto que   vestuário e acessórios representam 10,2%. No entanto, nossa indústria têxtil vem perdendo significativa participação no setor em todo o país. Entre 2000 e 2010, a  participação da produção sofreu uma redução de 54,5%.
A indústria têxtil e de vestuário gerou no Ceará em 2012 um total de 1 196 empregos formais, com taxa de crescimento de 1,7%. De janeiro a abril de 2013, foram 461    empregos formais gerados, com crescimento de 0,7%.

Em 2012, o setor exportou 72,9 milhões de dólares, representando 5,8% do total exportado pelo estado. No comparativo entre 2012 e 2011, houve uma queda de 16,2% em suas exportações. Em 2013 (janeiro a maio), alcançou 23,9 milhões de dólares em produtos exportados, uma queda de 9,6% em relação ao mesmo período de 2013. Os principais países-destino dos produtos cearenses são Argentina, Paraguai, Equador, Colômbia e Holanda.

Setores em números
3 213 é o número de indústrias do segmento do vestuário no Ceará.
52 134 empregos formais são gerados por essas empresas.
324 é o número de empresas do setor têxtil.
16 852 empregos formais são oriundos do setor têxtil.
Com participação de 17% na indústria da transformação, os setores têxtil e do vestuário ocupam lugar de destaque na economia do Ceará.
Fonte: Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2011), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
 

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