| FIEC defende
volta de políticas públicas ao NE
A
apresentação do projeto de recriação da Superintendência
do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, representa uma vitória do setor industrial cearense,
tendo à frente a Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (FIEC). Luta que teve início ainda no
primeiro semestre de 2001, quando o presidente da FIEC, Jorge Parente
Frota Júnior, decidiu criar uma comissão para estudar o
assunto.
A comissão foi composta por Alcântara Macedo, Francisco José
Lima Matos e Fernando Castelo Branco (diretores da entidade), por Danilo
Pereira (assessor da presidência da FIEC) e Torres de Melo (presidente
da Federação da Agricultura do Estado do Ceará),
além dos economistas Firmo de Castro e Raimundo Padilha.
Na época, o trabalho da comissão chegou à conclusão
de que a região nordestina necessitava de investimentos públicos
de até R$ 10 bilhões anuais, devido à falta de recursos
para infra-estrutura hidráulica, transportes, energia, portuária
e turismo.
A estimativa integrava o conjunto de estudos econômicos apresentado
como subsídio para propostas de emenda à Medida Provisória
(MP) que extinguia a Sudene e criava a Agência do Desenvolvimento
do Nordeste (Adene).Como proposta principal, a comissão da FIEC
defendia a volta das políticas públicas para o Nordeste.
Para isso, entendia ser necessário que os bancos oficiais destinassem
parcelas de seus recursos proporcionais à população
nordestina. Como exemplo, foi citado o resultado do posto avançado
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico-Social (BNDES) na
Casa da Indústria, que, em quatro meses, demandou R$ 440 milhões
em projetos, quase a dotação anual da Sudene.
Desses, 52% foram projetos do setor industrial. Segundo declarou Jorge
Parente, na época, o governo federal havia perdido o foco do desenvolvimento
regional. A questão, no entanto, não estava dissociada de
uma política de desenvolvimento regional, visto que as desigualdades
persistiam no Brasil. O presidente da FIEC reconheceu que houve desvios
na Sudene, como também o envelhecimento da instituição
e a necessidade de modernizá-la.
Mas frisou que, em 41 anos de existência da Sudene, dos três
mil projetos aprovados, apenas 500 tiveram irregularidades. “Outro
dado que merece reflexão é que mais de 60% do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) no Nordeste provêm de empresas incentivadas
pela Sudene”, disse Jorge Parente.
No momento em que se discutia a vinculação da Sudene à
Presidência da República, Jorge Parente declarou à
imprensa: ‘’É inquestionável, se queremos conferir
força política às decisões de uma nova Sudene,
que a instituição seja vinculada diretamente ao Presidente
da República. Não há como negar, porém, que
possa ser vinculada ao Ministério da Integração Nacional,
e assim exercer, com plenitude e independência política,
a sua missão, quando se tem à frente desse Ministério
a figura do experiente Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, ex-ministro
da Fazenda, conhecedor da realidade brasileira, das diferenças
regionais e das políticas necessárias ao desenvolvimento
do Nordeste, e que exerce larga interação com as principais
lideranças políticas da região’’.
A luta da FIEC pelo desenvolvimento do Nordeste não terminou com
o estudo elaborado pela entidade. Através do presidente Jorge Parente,
o fortalecimento da Sudene foi debatido na CNI, em Brasília. No
encontro, a conclusão tirada foi propor novas formas de atuação
da Sudene e da Sudam, para que elas voltem a ser agências de fomento
de desenvolvimento regional, uma vez que há dez anos o Brasil não
tem política de desenvolvimento regional. Os empresários
pediram uma Sudene forte, como foi implantada na época do economista
Celso Furtado, “quando atuava como instrumento de desenvolvimento
regional e procurando reduzir as desigualdades regionais”, disse
Jorge Parente.
A FIEC participou, ainda, de várias discussões sobre o tema,
como, por exemplo, do seminário A Nova Sudene e o Nordeste, realizado
em Recife, onde se chegou ao consenso que o foco de atuação
da indústria nordestina deve ser o internacional.
Durante o painel sobre a participação da indústria
no processo de desenvolvimento da região, o presidente da FIEC
defendeu a instalação de uma refinaria de petróleo
no Nordeste, que funcionaria como um indutor para a instalação
de novos projetos industriais, como ocorreu na Bahia, com a criação
do pólo petroquímico de Camaçari.
Já este ano, com a disposição do presidente Lula
de reativar a Sudene, o presidente da FIEC entregou ao ministro Ciro Ferreira
Gomes o documento A Extinção da Sudene e uma Nova Política
de Desenvolvimento do Nordeste – A Contribuição da
FIEC. Na solenidade de entrega, Parente reforçou o que já
havia dito em outra ocasião: o novo governo não deve esquecer
que, em 41 anos, a Sudene desenvolveu 3.058 projetos, dos quais 2.184
foram concluídos satisfatoriamente; 221 ainda se encontram em implantação
regular, sendo que, dos 653 projetos excluídos do sistema, apenas
53 registraram irregularidades constatadas. “Um percentual pequeno,
se compararmos com o fato de que mais de 60% do IPI arrecadado, hoje,
pelo governo, vêm de empresas incrementadas pela Sudene”,
arrematou.
Leia na íntegra, na página seguinte, o documento A Extinção
da Sudene e uma Nova Política de Desenvolvimento do Nordeste –
A Contribuição da FIEC.
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