Jornal da FIEC
chega
ao nº 200
Abril de 1988. O Brasil se preparava para
aprovar a “Constituição Cidadã” e vivia
momentos de turbulência econômica e política sob a
presidência do maranhense José Sarney, na primeira gestão
após o processo de redemocratização do país.
Nesse contexto, era veiculada a primeira edição do Jornal
da FIEC, na época presidida pelo empresário Luiz Esteves
Neto. Com tiragem de 3 mil exemplares e periodicidade mensal, o veículo
continha desde uma entrevista com Esteves, traçando o perfil do
futuro presidente da República, até matéria com
o alagoano Albano Franco, presidente da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), criticando José Sarney.
Criado como órgão de veiculação das ações
do Sistema FIEC, a publicação chega, após 16 anos,
ao seu número 200. Por suas páginas, muito mais do que
o registro de assuntos ligados à indústria, o Jornal da
FIEC se tornou referência em termos de publicação
de entidades de classe no Estado, abrindo espaço para manifestações
que envolvem outros segmentos da sociedade. Além disso, recebeu
a colaboração de jornalistas hoje consagrados no meio da
comunicação cearense.
O veículo também serviu de caixa de ressonância para
lutas encabeçadas pelos empresários que tiveram reflexos
no próprio desenvolvimento do Estado, como debates sobre os temas
integração universidade-indústria, alerta contra
o fim de incentivos fiscais ao Nordeste, reativação do
Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI), bem como já antecipava,
na sua 13ª edição, em novembro de 1989, sobre um possível
colapso no abastecimento de energia elétrica.
A história também pode ser revisitada em suas páginas,
como na 24ª edição, de março de 1990, quando
um editorial avalia a eleição de Fernando Collor de Melo
como presidente do Brasil. Um mês depois, o veículo abre
espaço para um debate sobre os reflexos do Plano Collor com especialistas
internacionais. Em dezembro do mesmo ano, a publicação
destina duas páginas e o editorial para discutir as grandes questões
do Nordeste.
Mas não somente os aspectos políticos e econômicos
foram alvo de matéria nessas 200 edições do Jornal
da FIEC. Em outubro de 1991, na edição 42, a principal
matéria tratava sobre relações de trabalho. A preocupação
e a sensibilidade dos responsáveis pela publicação
fizeram com que temas ainda tabus na sociedade, como Aids, problemas
de surdez nas linhas de produção, programas de alimentação
e formação profissional, passassem a ser assuntos cativos
nas edições seguintes.
A posse de Fernando Cirino Gurgel na FIEC, como sétimo presidente
da entidade, é o principal destaque da edição 53,
em setembro de 1992. Foi em sua gestão, através de matéria
de capa da 79ª edição, que o tema Transposição
do São Francisco foi apresentado em reunião na FIESP. Na
ocasião, vários empresários, segundo o texto do
jornal, admitiram que “estavam despreparados para defender a idéia
e que, neste aspecto, a reunião tinha sido proveitosa”.
O tema gerou uma edição especial de oito páginas,
contando com gráficos e opiniões de especialistas e autoridades
públicas.
Foi também na gestão de Fernando Cirino que o Jornal da
FIEC promoveu uma série de reportagens com os ex-presidentes da
FIEC ainda vivos, dentre os sete que até então haviam ocupado
o cargo. Tiveram sua trajetória registrada na publicação,
através de entrevistas, José Flávio Costa Lima,
Luiz Esteves Neto, Francisco José Andrade, José Raimundo
Gondim, bem como Fernando Cirino Gurgel.
A 103ª edição, publicada em dezembro de 1996, tornou-se
histórica por ter coberto, junto com os maiores veículos
de comunicação do Brasil e da América do Sul, a
Reunião do Mercosul, que aconteceu em Fortaleza nos dias 16 e
17 daquele mês. O encontro contou com a participação
dos presidentes Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Frei (Chile), Juan
Carlos Wasmosi (Paraguai), Gonzalo Sánchez de Lozada (Bolívia)
e Carlos Menem (Argentina).
O presidente Fernando Henrique Cardoso seria outra vez retratado no Jornal
da FIEC em sua 118ª edição, em fevereiro de 1998,
por ocasião da inauguração do Aeroporto Internacional
Pinto Martins. Em duas páginas, além de ter sido abordada
a importância do novo terminal aéreo, uma reportagem especial
mostrou empreendimentos que consolidaram o potencial do Estado em relação
ao turismo, como também a inauguração da rodovia
Solpoente.
Em março de 1997, a edição de número 106
mostra que as frutas tropicais cearenses podem ser exportadas por empresários
chilenos. A matéria é a primeira publicada através
de profissional enviado pelo jornal ao exterior. Nos dias 18, 19 e 20
daquele mês, o jornalista Bruno Stéfano acompanhou uma missão
de empresários cearenses coordenada pela FIEC àquele país,
durante a participação no II Encontro Frutícola
Agroindustrial Brasil-Chile, realizado em Santiago.
Setembro de 1999 marca a posse de Jorge Parente Frota Júnior na
presidência da FIEC e, na capa da 137ª edição
do Jornal da FIEC, o oitavo presidente da entidade expõe sobre
o que seria sua gestão, através da frase: ‘’Pobreza
se combate é com educação e produção,
gerando emprego e renda, promovendo o desenvolvimento”. Ele diria
ainda, na ocasião, que o sistema tributário é anacrônico,
anárquico e excludente.
A gestão Jorge Parente traria inovações no formato
do Jornal da FIEC, que, já na 142ª edição,
de janeiro de 2000, passaria a contar com 12 páginas e impressão
totalmente em cores. Também nesse número, uma nova reportagem
especial debate com especialistas a transposição do Rio
São Francisco. Duas edições depois, uma nova matéria
especial aborda o cinqüentenário de criação
da FIEC, retratando as várias ações que a entidade
vinha desenvolvendo.
Em outubro de 2000, Gobind Nankani, diretor do Banco Mundial para a América
Latina, visita a FIEC e é alvo de matéria do jornal de
número 150. Na edição seguinte, a capa do veículo
indica o caminho a ser seguido pela gestão Jorge Parente, com
o título: FIEC: Meta Agora é a Aliança. Através
desse mote, o presidente da entidade diz que essa meta passa a ser o
grande impulsionador da instituição a partir de 2001. Nessa
linha, o conceito de responsabilidade social é o principal assunto
ventilado em fevereiro de 2001, na 154ª edição, tendo
sido destinadas quatro páginas para abordar o assunto.
Na edição de número 158, em junho de 2001, um estudo
elaborado pela FIEC, propondo a revitalização do Nordeste, é amplamente
tratado, com a publicação do documento A Extinção
da Sudene e uma Nova Política de Desenvolvimento do Nordeste.
Em setembro de 2002, Jorge Parente toma posse pela segunda vez na FIEC,
pregando a conciliação, para que a Casa da Indústria
continue a ser “uma família na busca do desenvolvimento
cearense”. O apelo é feito na capa da 173ª edição
do Jornal da FIEC.
O Jornal da FIEC registra, também, de forma histórica,
em março de 2003, na 179ª edição, a primeira
reunião da entidade fora de Fortaleza. O evento aconteceu em Sobral,
no auditório da prefeitura. Em outubro do mesmo ano, uma equipe
do Jornal da FIEC esteve em Juazeiro do Norte, cobrindo a primeira reunião
de diretoria da entidade na região do Cariri. O tema foi tratado
na 188ª edição.
Outra grande cobertura aconteceu em agosto de 2003, na 184ª edição,
quando o presidente Lula relançou, no BNB, o projeto da nova Sudene.
O tema foi abordado em quatro páginas. Somente nos últimos
dois anos, seis ministros do governo Lula passaram pelo Jornal da FIEC,
mostrando, além do prestígio da entidade, a sensibilidade
do veículo em relação à divulgação
das ações do novo governo e abrindo espaço para
que os temas fossem discutidos amplamente.
Gols espetaculares
 Fonte
documental muito rica, retrato de paisagens do dia-a-dia de um sistema
de entidades coesas e compartilhadas, todas visando
o mesmo horizonte. É assim como vejo o Jornal da FIEC, luzentemente
atingindo a sua ducentésima edição, perpassando
cinco mandatos de três Diretorias da Federação
das Indústrias do Estado do Ceará, democraticamente
eleitas.
Na gestão do atual presidente, Jorge Parente Frota Júnior,
responsável por um terço da vida editorial do jornal – 64
edições, até agora – o esmero foi no
sentido de aprimorar cada vez mais, não somente o conteúdo,
bastante diversificado com suas reportagens cobrindo o universo
do Sistema FIEC, como também no aspecto gráfico,
na paginação, na utilização de cores
vivas, na correção dos textos, na beleza de sua apresentação.
Os pesquisadores do amanhã, ao se debruçarem sobre
os arquivos à procura de subsídios para os seus estudos
acerca do Sistema FIEC, hoje formado por um universo de entidades
integradas, todas exibindo importante portfólio de ações
estratégicas em benefício da sociedade cearense,
por certo hão de encontrar um rico manancial de informações,
capazes de retratar, com toda sua inteireza, as atividades, os
ganhos, a experiência obtida, os saltos dados para a confirmação
de uma referência nacional, enfim a ocorrência de fatos
que formam a historicidade da FIEC e de todo o elenco de entidades
por ela lideradas, como o SESI, o SENAI, o IEL, o INDI, além
do FIRESO, entidade recém-criada para gerir as ações
de responsabilidade social.
Registro, com satisfação, haver sido o jornalista
Luiz Carlos Cabral de Morais, atualmente coordenador da Assessoria
de Imprensa e Relação com a Mídia (AIRM),
o criador e único editor responsável pelo Jornal
da FIEC, desde o primeiro projeto gráfico, em 1988, na gestão
do presidente Luiz Esteves Neto, até aos dias atuais. Com
sua equipe, formada por jornalistas competentes, tem sido possível
propiciar à FIEC o desenvolvimento de um excelente instrumento
de comunicação com o público interno e com
a sociedade cearense.
Em seus duzentos meses de existência, o Jornal da FIEC marcou,
com muita competência, gols espetaculares na área
da comunicação social da entidade máxima representativa
dos interesses da indústria cearense.
Danilo Pereira é superintendente Técnico-Operacional
da FIEC.
Uma história construída
e em construção

Com satisfação incontida falo desse instrumento de
informação que, 16 anos depois de sua criação,
vem se mostrando absolutamente necessário, não só para
nós que fazemos parte do Sistema FIEC. mas, inclusive, para
toda a classe empresarial e institucional de nosso Estado.
O Jornal da FIEC é um registro irretocável de nossas
ações. Fotografia de tempo e pensamento, podendo
ser pesquisado e pensado sempre que se fizer necessário.
Há pouco tempo, o Centro Cultural Dragão do Mar trouxe
uma exposição de arte contemporânea que tinha,
entre suas inúmeras atrações, um labirinto
de jornais. O apreciador, que visitasse a exposição,
era convidado a caminhar sobre e entre as informações
de ontem.
Essa imagem me voltou ao escrever este pequeno depoimento, homenageando
a ducentésima edição deste jornal. As informações
de ontem fazem parte do nosso crescimento e de nossa história,
e as informações de hoje constróem o que será.
Por isso, parabenizo o idealizador do nosso Jornal da FIEC, jornalista
Luiz Carlos Cabral de Morais; a presidência e a Diretoria
desta Casa, pela continuidade do periódico, e cada leitor
que, também, é parte dessa história.
Francisco das Chagas Magalhães é diretor regional
do SENAI-CE e superintendente do SESI-CE
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