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NOVEMBRO / 2004
ANO XIV - Nº 200
Jornal da FIEC é uma publicação mensal editada pela Núcleo de Comunicação do Sistema FIEC
 
 
Jornal da FIEC chega ao número 200
Jornal da FIEC
chega ao nº 200

Abril de 1988. O Brasil se preparava para aprovar a “Constituição Cidadã” e vivia momentos de turbulência econômica e política sob a presidência do maranhense José Sarney, na primeira gestão após o processo de redemocratização do país. Nesse contexto, era veiculada a primeira edição do Jornal da FIEC, na época presidida pelo empresário Luiz Esteves Neto. Com tiragem de 3 mil exemplares e periodicidade mensal, o veículo continha desde uma entrevista com Esteves, traçando o perfil do futuro presidente da República, até matéria com o alagoano Albano Franco, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), criticando José Sarney.
Criado como órgão de veiculação das ações do Sistema FIEC, a publicação chega, após 16 anos, ao seu número 200. Por suas páginas, muito mais do que o registro de assuntos ligados à indústria, o Jornal da FIEC se tornou referência em termos de publicação de entidades de classe no Estado, abrindo espaço para manifestações que envolvem outros segmentos da sociedade. Além disso, recebeu a colaboração de jornalistas hoje consagrados no meio da comunicação cearense.
O veículo também serviu de caixa de ressonância para lutas encabeçadas pelos empresários que tiveram reflexos no próprio desenvolvimento do Estado, como debates sobre os temas integração universidade-indústria, alerta contra o fim de incentivos fiscais ao Nordeste, reativação do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI), bem como já antecipava, na sua 13ª edição, em novembro de 1989, sobre um possível colapso no abastecimento de energia elétrica.
A história também pode ser revisitada em suas páginas, como na 24ª edição, de março de 1990, quando um editorial avalia a eleição de Fernando Collor de Melo como presidente do Brasil. Um mês depois, o veículo abre espaço para um debate sobre os reflexos do Plano Collor com especialistas internacionais. Em dezembro do mesmo ano, a publicação destina duas páginas e o editorial para discutir as grandes questões do Nordeste.
Mas não somente os aspectos políticos e econômicos foram alvo de matéria nessas 200 edições do Jornal da FIEC. Em outubro de 1991, na edição 42, a principal matéria tratava sobre relações de trabalho. A preocupação e a sensibilidade dos responsáveis pela publicação fizeram com que temas ainda tabus na sociedade, como Aids, problemas de surdez nas linhas de produção, programas de alimentação e formação profissional, passassem a ser assuntos cativos nas edições seguintes.
A posse de Fernando Cirino Gurgel na FIEC, como sétimo presidente da entidade, é o principal destaque da edição 53, em setembro de 1992. Foi em sua gestão, através de matéria de capa da 79ª edição, que o tema Transposição do São Francisco foi apresentado em reunião na FIESP. Na ocasião, vários empresários, segundo o texto do jornal, admitiram que “estavam despreparados para defender a idéia e que, neste aspecto, a reunião tinha sido proveitosa”. O tema gerou uma edição especial de oito páginas, contando com gráficos e opiniões de especialistas e autoridades públicas.
Foi também na gestão de Fernando Cirino que o Jornal da FIEC promoveu uma série de reportagens com os ex-presidentes da FIEC ainda vivos, dentre os sete que até então haviam ocupado o cargo. Tiveram sua trajetória registrada na publicação, através de entrevistas, José Flávio Costa Lima, Luiz Esteves Neto, Francisco José Andrade, José Raimundo Gondim, bem como Fernando Cirino Gurgel.
A 103ª edição, publicada em dezembro de 1996, tornou-se histórica por ter coberto, junto com os maiores veículos de comunicação do Brasil e da América do Sul, a Reunião do Mercosul, que aconteceu em Fortaleza nos dias 16 e 17 daquele mês. O encontro contou com a participação dos presidentes Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Frei (Chile), Juan Carlos Wasmosi (Paraguai), Gonzalo Sánchez de Lozada (Bolívia) e Carlos Menem (Argentina).
O presidente Fernando Henrique Cardoso seria outra vez retratado no Jornal da FIEC em sua 118ª edição, em fevereiro de 1998, por ocasião da inauguração do Aeroporto Internacional Pinto Martins. Em duas páginas, além de ter sido abordada a importância do novo terminal aéreo, uma reportagem especial mostrou empreendimentos que consolidaram o potencial do Estado em relação ao turismo, como também a inauguração da rodovia Solpoente.
Em março de 1997, a edição de número 106 mostra que as frutas tropicais cearenses podem ser exportadas por empresários chilenos. A matéria é a primeira publicada através de profissional enviado pelo jornal ao exterior. Nos dias 18, 19 e 20 daquele mês, o jornalista Bruno Stéfano acompanhou uma missão de empresários cearenses coordenada pela FIEC àquele país, durante a participação no II Encontro Frutícola Agroindustrial Brasil-Chile, realizado em Santiago.
Setembro de 1999 marca a posse de Jorge Parente Frota Júnior na presidência da FIEC e, na capa da 137ª edição do Jornal da FIEC, o oitavo presidente da entidade expõe sobre o que seria sua gestão, através da frase: ‘’Pobreza se combate é com educação e produção, gerando emprego e renda, promovendo o desenvolvimento”. Ele diria ainda, na ocasião, que o sistema tributário é anacrônico, anárquico e excludente.
A gestão Jorge Parente traria inovações no formato do Jornal da FIEC, que, já na 142ª edição, de janeiro de 2000, passaria a contar com 12 páginas e impressão totalmente em cores. Também nesse número, uma nova reportagem especial debate com especialistas a transposição do Rio São Francisco. Duas edições depois, uma nova matéria especial aborda o cinqüentenário de criação da FIEC, retratando as várias ações que a entidade vinha desenvolvendo.
Em outubro de 2000, Gobind Nankani, diretor do Banco Mundial para a América Latina, visita a FIEC e é alvo de matéria do jornal de número 150. Na edição seguinte, a capa do veículo indica o caminho a ser seguido pela gestão Jorge Parente, com o título: FIEC: Meta Agora é a Aliança. Através desse mote, o presidente da entidade diz que essa meta passa a ser o grande impulsionador da instituição a partir de 2001. Nessa linha, o conceito de responsabilidade social é o principal assunto ventilado em fevereiro de 2001, na 154ª edição, tendo sido destinadas quatro páginas para abordar o assunto.
Na edição de número 158, em junho de 2001, um estudo elaborado pela FIEC, propondo a revitalização do Nordeste, é amplamente tratado, com a publicação do documento A Extinção da Sudene e uma Nova Política de Desenvolvimento do Nordeste. Em setembro de 2002, Jorge Parente toma posse pela segunda vez na FIEC, pregando a conciliação, para que a Casa da Indústria continue a ser “uma família na busca do desenvolvimento cearense”. O apelo é feito na capa da 173ª edição do Jornal da FIEC.
O Jornal da FIEC registra, também, de forma histórica, em março de 2003, na 179ª edição, a primeira reunião da entidade fora de Fortaleza. O evento aconteceu em Sobral, no auditório da prefeitura. Em outubro do mesmo ano, uma equipe do Jornal da FIEC esteve em Juazeiro do Norte, cobrindo a primeira reunião de diretoria da entidade na região do Cariri. O tema foi tratado na 188ª edição.
Outra grande cobertura aconteceu em agosto de 2003, na 184ª edição, quando o presidente Lula relançou, no BNB, o projeto da nova Sudene. O tema foi abordado em quatro páginas. Somente nos últimos dois anos, seis ministros do governo Lula passaram pelo Jornal da FIEC, mostrando, além do prestígio da entidade, a sensibilidade do veículo em relação à divulgação das ações do novo governo e abrindo espaço para que os temas fossem discutidos amplamente.

Gols espetaculares
Fonte documental muito rica, retrato de paisagens do dia-a-dia de um sistema de entidades coesas e compartilhadas, todas visando o mesmo horizonte. É assim como vejo o Jornal da FIEC, luzentemente atingindo a sua ducentésima edição, perpassando cinco mandatos de três Diretorias da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, democraticamente eleitas.
Na gestão do atual presidente, Jorge Parente Frota Júnior, responsável por um terço da vida editorial do jornal – 64 edições, até agora – o esmero foi no sentido de aprimorar cada vez mais, não somente o conteúdo, bastante diversificado com suas reportagens cobrindo o universo do Sistema FIEC, como também no aspecto gráfico, na paginação, na utilização de cores vivas, na correção dos textos, na beleza de sua apresentação.
Os pesquisadores do amanhã, ao se debruçarem sobre os arquivos à procura de subsídios para os seus estudos acerca do Sistema FIEC, hoje formado por um universo de entidades integradas, todas exibindo importante portfólio de ações estratégicas em benefício da sociedade cearense, por certo hão de encontrar um rico manancial de informações, capazes de retratar, com toda sua inteireza, as atividades, os ganhos, a experiência obtida, os saltos dados para a confirmação de uma referência nacional, enfim a ocorrência de fatos que formam a historicidade da FIEC e de todo o elenco de entidades por ela lideradas, como o SESI, o SENAI, o IEL, o INDI, além do FIRESO, entidade recém-criada para gerir as ações de responsabilidade social.
Registro, com satisfação, haver sido o jornalista Luiz Carlos Cabral de Morais, atualmente coordenador da Assessoria de Imprensa e Relação com a Mídia (AIRM), o criador e único editor responsável pelo Jornal da FIEC, desde o primeiro projeto gráfico, em 1988, na gestão do presidente Luiz Esteves Neto, até aos dias atuais. Com sua equipe, formada por jornalistas competentes, tem sido possível propiciar à FIEC o desenvolvimento de um excelente instrumento de comunicação com o público interno e com a sociedade cearense.
Em seus duzentos meses de existência, o Jornal da FIEC marcou, com muita competência, gols espetaculares na área da comunicação social da entidade máxima representativa dos interesses da indústria cearense.
Danilo Pereira é superintendente Técnico-Operacional da FIEC.


Uma história construída e em construção

Com satisfação incontida falo desse instrumento de informação que, 16 anos depois de sua criação, vem se mostrando absolutamente necessário, não só para nós que fazemos parte do Sistema FIEC. mas, inclusive, para toda a classe empresarial e institucional de nosso Estado.
O Jornal da FIEC é um registro irretocável de nossas ações. Fotografia de tempo e pensamento, podendo ser pesquisado e pensado sempre que se fizer necessário.
Há pouco tempo, o Centro Cultural Dragão do Mar trouxe uma exposição de arte contemporânea que tinha, entre suas inúmeras atrações, um labirinto de jornais. O apreciador, que visitasse a exposição, era convidado a caminhar sobre e entre as informações de ontem.
Essa imagem me voltou ao escrever este pequeno depoimento, homenageando a ducentésima edição deste jornal. As informações de ontem fazem parte do nosso crescimento e de nossa história, e as informações de hoje constróem o que será. Por isso, parabenizo o idealizador do nosso Jornal da FIEC, jornalista Luiz Carlos Cabral de Morais; a presidência e a Diretoria desta Casa, pela continuidade do periódico, e cada leitor que, também, é parte dessa história.
Francisco das Chagas Magalhães é diretor regional do SENAI-CE e superintendente do SESI-CE


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