FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO CEARÁ
Home FIEC  
 
       segunda-feira - 06/09/2010
 
-- clique e amplie --
MARÇO / 2005
ANO XV - Nº 204
Jornal da FIEC é uma publicação mensal editada pela Núcleo de Comunicação do Sistema FIEC
 
 
Propriedade intelectual diferencia os grandes centros

Propriedade intelectual diferencia
os grandes centros


Com base nisso, o consultor e ex-diretor geral adjunto da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), Roberto Castelo Branco Coelho de Souza, entende que o Brasil precisa avançar muito nesse campo

O consultor e ex-diretor geral adjunto da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), Roberto Castelo Branco Coelho de Souza, disse, durante o seminário “A Economia do Conhecimento, o Brasil e o Comércio Multilateral”, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), que a propriedade intelectual é o fator responsável por distinguir os grandes centros industriais, como China e Estados Unidos, dos pequenos.
Com base nisso, ele alertou que o Brasil precisa avançar muito no campo da propriedade intelectual. “O nosso país tem grandes cientistas, mas não possui ainda aquela cultura de registrar suas patentes. E isso é desastroso!”, exclamou. Roberto Castelo Branco citou a empresa Microsoft, que em apenas cinco anos se tornou uma potência mundial em produção de softwares, o que considera um exemplo vivo da importância do registro da inovação tecnológica.
“É preciso distinguir, viabilizar e proteger os ativos intangíveis para manter a competitividade dos produtos no mercado externo”, ressaltou o consultor. Segundo ele, cerca de 80% do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos (US$ 9 trilhões) são de ativos intangíveis protegidos pela propriedade intelectual: patentes, marcas, direitos autorais, desenhos e segredos industriais.
Ainda em relação ao Brasil, ele acredita que a queda do PIB brasileiro, que passou da 8ª para a 15ª posição, em apenas cinco anos, é reflexo da falta de estratégia do governo para incorporar a economia do conhecimento e se desenvolver. “Os países que nos ultrapassaram souberam investir em tecnologia inovadora, penetrar em mercados globalizados e agregar valor aos seus produtos”, contou, lembrando que o Brasil ainda exporta commodities, como café e soja.
Para o consultor, a educação é uma condição e um requisito que nunca devem ser negligenciados. Adiantou, entretanto, que o Brasil já tem potencial industrial e base tecnológica prontos para se expandir. No caso da biotecnologia, por exemplo, o governo brasileiro está despertando agora para a importância dessa fonte enorme de desenvolvimento nas áreas de medicamento, ambiental, produção de energia e outras.
“ No final dos anos 70 do século passado, tínhamos uma revolução em marcha, que foi o surgimento dos microcomputadores”, informou. Essas máquinas, acrescentou, levaram inovação para o procedimento cotidiano de empresas e das próprias residências. Já uma década depois, com o aparecimento da internet, essa revolução ganhou um novo impulso tecnológico. “O mais importante é que, com a internet, as informações se globalizaram”, disse.
Em paralelo a essa revolução tecnológica, Roberto Castelo Branco destaca que os mercados internacionais se tornaram cada vez mais interligados. “Os países que não perceberam isso, no início, entraram em situação difícil, porque não se estruturam para tal. E agora estão sentindo o quanto ficaram para trás”, assinalou.
Roberto Castelo Branco destacou que, atualmente, se um país, um setor produtivo ou uma empresa não se adequarem aos processos relacionados à produção intelectual, “vão perder o bonde da história”. No caso do Brasil, ele acha que o empresário deve perceber, também, que o atendimento às normas internacionais não representa um diferencial que coloca o seu produto no chamado nível de qualidade internacional. “É apenas a condição mínima para satisfazer o mercado externo”, acrescentou.
Na visão do consultor, em plena era da economia do conhecimento, que, desde o “boom tecnológico” da década de 80, tomou o lugar da economia formal – baseada em terra, capital e trabalho –, imperam valores, como inovação, conhecimento e criatividade, que são intangíveis, agregando valor inestimável ao produto.

Crescimento sustentado

Para garantir o crescimento sustentado e superar as diferenças regionais, Roberto Castelo Branco acredita que o Ceará precisa utilizar os instrumentos da propriedade intelectual. Mesmo reconhecendo o esforço da economia cearense, que “tem batido recordes de desempenho em relação aos resultados nacionais”, ele afirmou, em sua palestra, que isso ainda não é suficiente para assegurar o desenvolvimento sustentado do Estado.
Segundo o consultor, no atual ciclo econômico, os mercados globalizados exigem que sejam agregados aos produtos valores regionais, além da inovação. Ele citou, como exemplo, a consolidação da exportação de frutas de “excelente qualidade”, apenas atendendo as normas internacionais. Ao perceberem que outros exportadores estavam tomando uma fatia desse mercado, os produtores do Vale São Francisco decidiram adicionar valor agregado à produção.
A partir de um estudo demonstrando que as águas do vale são mais puras que água mineral, adotaram tal qualidade como distinção, padronizaram o processo de cultivo e conseguiram o título de indicação geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), com o reconhecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Procedimento semelhante, na opinião de Roberto Castelo Branco, deve ser adotado pelo Ceará. “A propriedade intelectual é transversal a todos os setores de produção, podendo ser aplicada ao turismo, artesanato, floricultura, couro, mineração e muitas outras atividades do Estado”, argumentou. De acordo com o consultor, a propriedade intelectual permite que todas as inovações acrescidas ao produto sejam patenteadas para obter proteção em nível mundial. “Isso evitará que uma inovação feita aqui no produto seja copiada lá fora”, arrematou.

:: IMPRIMIR ::

 

NOTÍCIAS
 
Comunique-se Conosco