APROVEITAMENTO
DE RESÍDUOS DE INDÚSTRIA DE ROCHA ORNAMENTAL José Lins
Rolim Filho1*, Márcio Luiz de S. C. Barros2*, Júlio
César de Souza1*, Ana Isoíla C. F. Fonseca3*, Kilma C.
B. da Cunha3*, Antônio C. S. dos Santos3* e Gustavo
Alexandre Silva3* 1Dr., Prof. DEMINAS/UFPE 2M. Sc., Prof. DEMINAS/UFPE 3Bolsista/PIBIC, Graduanda,
DEMINAS/UFPE *Av. Prof. Moraes Rêgo, 1235 –
Cidade Universitária – CEP 50.670-901 – Recife – PE Fone: (81) 3271-8245 / 3271-8246 E-mail: mlbarros@npd.ufpe.br;
jcsouza@npd.ufpe.br
RESUMO
O trabalho realizado constitui em levantar formas de
reaproveitar os resíduos de marmoraria e de serrarias, associado a rejeitos em
geral da indústria mineral, principalmente aqueles que apresentam granulometria
apropriada e minerais que mostrem iridiscência.
O trabalho em si constitui-se em associar um aglomerante
resinoso e transparente de baixo custo com resíduos de rocha ornamental e
rejeitos de mineração de caulim.
A resina associada com os resíduos minerais apresenta uma
boa iridiscência o que salientou a estética e qualidade do material elaborado.
Como a resina epóxi apresenta um custo relativamente alto a sua finalidade é
apenas para servir de suporte, agente aglomerante e transparente para a placa
formada.
A espessura que mostrou os melhores resultados em termos de
beleza estética e resistência mecânica, sem interferir na qualidade da matéria
e custo excessivo de produção foi de 7 mm.
Posteriormente a forma foi complementada com aglomerante de
maior resistência e baixo custo de aquisição de forma a não permitir flexão,
nem ruptura na placa então formada. No que se refere a qualidade estética das
placas obtidas, estima-se grande possibilidade de uso como material de
decoração de interiores como por exemplo no acabamento de móveis e confecção de
tampos de mesa, etc.
INTRODUÇÃO
Na indústria mineral são gerados diversos tipos de rejeito
sólido em várias faixas granulométricas e em grande quantidade, com amplas
possibilidades de serem aproveitados na confecção de objetos de decoração na
indústria de construção civil.
Estes rejeitos quando relacionados
apresentam características estéticas adequadas e que mostram padrões de beleza
capazes de serem aceitos pelos consumidores, no caso obras de decoração
e mesmo obras industriais, como placas de revestimento, tampos de mesas, etc.
Com tal pensamento e associado ainda a redução dos danos
ambientais, pois todo o material utilizado é material rejeitado no processo de
fabricação de mesas e placas de rochas ornamentais, e de outras indústrias
minerais do Nordeste, fez com que o Departamento de Engenharia de Minas da
Universidade Federal de Pernambuco (DEMINAS/UFPE), dentro da disciplina
Empreendedorismo, através de seus professores e alunos, partisse para
experimentos com tais substâncias.
A princípio foram utilizados para ensaios os rejeitos
resultante de industria de beneficiamento do caulim, serrarias e marmorarias
das industrias do setor de rochas para fins ornamentais.
REJEITO DE CAULIM
Foram a analisados os rejeitos de caulim, seus componentes
básicos, e granulometrias, ficando descartado parcialmente o material mais
fino, abaixo de 20 mesh (ABNT), para posterior aproveitamento em outros
experimentos.
Do rejeito grosseiro
com elevado teor de mica (muscovita), foi associado a este, incluindo-se
aí os grãos de minerais opacos (quartzo e feldspatos), um aglomerante
transparente e obtendo-se assim placas com efeito de grande iridiscência
(minerais que apresentam uma série de cores espectrais em seu interior ou sobre
uma superfície), e beleza ornamental, Figura 01.


Figura 01 – Placas de resina com associação de rejeitos de caulim
e outros resíduos minerais
O procedimento de confecção de tais placas foi realizado
segundo as seguintes medidas:
Sobre uma superfície plana e polida (vidro), foi montada um
desmoldante pastoso de forma a não interferir na escultura (placa) formada. Em
seguida foi adicionado sobre o molde uma resina de poliester cristal até o
ponto de inicio da pega (endurecimento), foi então adicionado sobre esta
primeira camada, o material com a granulometria e coloração desejada (rejeito
de caulim mais alguns minerais coloridos: vermelho; verde; azul, etc. e,
posteriormente completado a forma com resina associada a fibras de vidro em
forma de trama (colocadas umas sobre as outras de maneira transversal), para
evitar assim a ruptura e ou a deformação da placa então formada desta forma.
Neste primeiro experimento foi obtido placas com excelentes
qualidades tecnológicas, com resistência ao impacto de corpo duro de até 50 cm,
para placas de 1 cm (um) de espessura. Tal placa quando retirada do seu molde e
dado acabamento com polimento manual apresentou a mesma uma grande
iridiscência, na muscovita e translucidez, isto demonstra uma grande beleza
quando usado em tampos de móveis, Figura 02.


Figura 02 - Placas de resina com associação de rejeitos de caulim
e outros resíduos minerais
A desvantagem de tal material reside na sua baixa dureza
superficial, sendo facilmente riscável e um pouco inflamável, entretanto tais
desvantagens, podem ser contornadas conforme a experiência seguinte na qual a
resina foi utilizada sem o desmoldante ficando assim associada ao vidro de
espessura de 1mm, conferindo a este um padrão de beleza, resistência de
segurança na ruptura.
REJEITOS DE MARMORES
Num
segundo experimento foram utilizados resíduos de placas de indústria de
marmoraria junto com aglomerantes nos mesmos moldes dos experimentos já
descritos anteriormente. Entretanto neste caso a forma passou a ser preenchida
com argamassa de cimento. Obteve-se placas com excelentes qualidades técnicas e
um belo padrão de beleza.
No experimento aqui denominado de experimentos básicos para pisos, foi utilizado como aglomerante o cimento branco em película de 3 mm (três) e preenchido a forma com cimento convencional. Neste caso obteve-se placas para ornamentação em pisos e paredes com grande atrativo comercial, Figura 03.

Figura 03 – Ladrilhos de granito
produzidos
com cimento branco
para
confecção de piso
REJEITOS DE MINERAIS DE FERRO E
GRANADAS
Neste experimento, observando a dureza decorrente de alguns
minerais em rejeito de mineração, foi ensaiado a fabricação de lixas para os
mais devidos fins.
Neste experimento usou-se rejeito de granadas moídas e
minerais de ferro, descartados dos processos de beneficiamento das indústrias.
De tal experimento resultou numa lixa de alta qualidade principalmente no uso
com madeiras, com boa aderência no filme aglomerante, provocando um menor
desgaste na lixa, Figura 4.

Figura 4 – Lixas
confeccionadas com rejeitos de granada
REJEITO DE CAULIM
Com o rejeito de caulim após lavados com escrubagem e depois
secados foi possível a confecção de placas de fulget de excelente qualidade
podendo ser associado a este material pigmento e ou mesmo minerais que
apresentem fluorescência, o que resultam num excelente revestimento de paredes
internas e ou externas, a pigmentação (minerais fluorescente), tem perspectivas
excelentes de mercado em obras de arte e em construção civil, como: boates,
casas de show, e com uso de uma iluminação incidindo diretamente sobre o
revestimento com luz ultra violeta, Figura 5.



Figura 5 – Placas de
fulget obtidas com rejeitos minerais diversos (vermiculita, granada, mármore e
ferro)
OUTROS ENSAIOS
Outros experimentos que se pretende desenvolver está
intimamente ligado aos rejeitos argilosos das minerações de gipsita do Araripe,
tal trabalho em fase inicial de processamento tende a reconduzir tal
aproveitamento em formação de pigmentos, cargas para tintas, papéis e vernizes.
CONCLUSÃO
As dificuldades iniciais são enormes devido á vários
fatores: inicialmente o projeto não conta com apoio financeiro de órgãos
oficiais, e tampouco de apoio privado; toda a compra de material para a
execução dos ensaios é fornecido pelos professores e alunos envolvidos no
projeto; além da dificuldades iniciais de se trabalhar com resinas, colantes,
vidro, papel, etc., pois isto se apresentou de uma maneira mais difícil do que
o pensado no início do projeto, além de outras dificuldades inerentes ao projeto,
mas que vão pouco a pouco sendo sanadas.
Do exposto, acima vimos, que as oportunidades de
aproveitamento de rejeitos de várias minerações com diferentes minerais
envolvidos, que hoje causam problemas ambientais. Os mesmos poderiam ser
utilizados em vários produtos que podem ser comercial e economicamente
explorados, gerando empregos em regiões carentes a contribuindo para diminuir
os problemas ambientais que ocorrem no em torno das minerações.