AVALIAÇÃO DE GRANITOS
ORNAMENTAIS DO NORDESTE ATRAVÉS DE SUAS CARACTERÍSTICAS TECNOLÓGICAS Francisco Wilson Hollanda
Vidal Engº de
Minas, DSc. Centro de Tecnologia Mineral – CETEM/MCT ABIROCHAS
– Rua Barão de Studart, 2360 – sala 406 – Bairro Aldeota – 60.120-002 –
Fortaleza-CE Fone:
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A
importância da caracterização tecnológica das rochas ornamentais começa desde a
pesquisa mineral, passando pela lavra e beneficiamento até suas aplicações,
onde não só estão interessados os pesquisadores e produtores de rochas ornamentais,
mas também os engenheiros projetistas, arquitetos, decoradores, demais
especificadores de materiais e construtores que na maioria das vezes não
conhecem as características tecnológicas das rochas ornamentais com as quais
estão trabalhando e consequentemente seu desempenho e durabilidade ao longo do
tempo.
Muitos
insucessos tem ocorrido com as rochas ornamentais devido a falta de
conhecimento das características naturais que o material possui e também
aquelas induzidas pelos métodos de lavras e processos de beneficiamento e que
podem provocar alterações. Inúmeros investimentos em edificações, têm sido
prejudicados quanto a utilização de rochas ornamentais.
Devido
à importância das propriedades tecnológicas na escolha e uso correto das rochas
ornamentais é apresentado neste trabalho um estudo de caracterização
tecnológica de maior interesse para sua aplicação: densidade, porosidade,
absorção d’água, resistência à compressão e flexão, desgaste e impacto.
As rochas ornamentais e de revestimento, também designadas pedras naturais, rochas lapideas, rochas dimensionadas e materiais de cantaria, abrangem os tipos litológicos que podem ser extraídos em blocos ou placas, cortados em formas
variadas e
beneficiados através de esquadrejamento, polimento, etc. Seus principais campos
de aplicação incluem tanto peças isoladas, como esculturas, tampos de mesa,
balcões, lápides e arte funerária em geral; quanto as edificações, nesse caso,
destacam-se os revestimentos internos e externos de paredes, pisos, pilares,
colunas soleiras, etc.
Do
ponto de vista comercial, as rochas ornamentais e de revestimento são
basicamente classificados em granitos (rochas silicáticas) e mármores (rochas
carbonatadas), que perfazem cerca de 80% da produção mundial. Embora esta
classificação nem sempre, em termos geológicos, seja correta, haja visto outras
rochas vêem sendo utilizadas ardósias, quartzitos, pedra sabão, serpentinitos,
basaltos, conglomerados, também se
destacam setorialmente.
O conhecimento das propriedades
físicas, físico-mecânicas e das características químico-mineralógicas das
rochas usadas como rochas ornamentais e de revestiimento são fatores econômicos
que influenciam na formação de preço de mercado, além da estética e beleza do
material.
Conhecendo-se as condições
ambientais as quais os revestimentos estarão sujeitos e efetuando-se uma
análise das características dos materiais disponíveis, pode-se reunir valiosos
subsídios para a seleção daqueles que melhor se adequem aos requisitos do projeto
pretendido.
As características tecnológicas
das rochas, bem como a previsão do seu desempenho em serviço, são obtidos
através de análises e ensaios executados, segundo procedimentos rigorosos,
normalizados por entidades nacionais e internacionais.
A
caracterização tecnológica deve ser realizada logo na etapa da pesquisa mineral
e nessa fase já se deve ter conhecimento das características do material e da
aplicação para o qual os produtos obtidos servirão como rocha ornamental e de
revestimento em edificações, arte funerária, trabalhos especiais e/ou
estruturais, dentre outros casos.
Os
principais ensaios realizados pelos diversos países participantes da produção e
comercialização de rochas ornamentais e de revestimento, através de
procedimentos padronizados por órgãos normalizadores, constando como itens
obrigatórios para balizar os campos de aplicação desses materiais são:
Petrografia, Índices Físicos (massa específica, porosidade e absorção d’água),
Desgaste Amsler, Resistência à Compressão Uniaxial, Resistência à Flexão
(módulo de ruptura), Coeficiente de
Dilatação Térmica Linear, Resistência ao Impacto, Congelamento/Degêlo e
Alterabilidade.
O
presente trabalho restringe-se às rochas ornamentais silicáticas do Nordeste,
Brasil, onde foram estudados cerca de 101 (cento e um) diferentes tipos de
granitos do Nordeste (AL, BA, CE, PB, PE e RN) e
os resultados obtidos comparados com aqueles estabelecidos pela norma ASTM
C-615 e os propostos por FRAZÃO & FARJALLAT (1995).
CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA
A caracterização tecnológica das
rochas para fins ornamentais pode ser determinada através da execução de
ensaios, onde são conhecidas suas peculiaridades. Para que se possa classificar
um determinado tipo de rocha como
ornamental, deve-se considerar os índices físicos, a resistência
físico-mecânica e o grau de polimento, além da forma e dimensão dos blocos que
podem ser extraídos, e, principalmente, a viabilidade de aproveitamento na
lavra. Dessa forma, todo material empregado no setor da
construção, como rocha ornamental e de revestimento, deve possuir certas
características técnicas que permitam sua aplicação. Tais características são
índices determinados em laboratórios através de ensaios específicos que, quando
executados, orientam o uso principal da rocha. As propriedades mecânicas são
imprescindíveis para o emprego da rocha em geral, incluindo as que influenciam
na lavra e beneficiamento e na utilização do produto acabado. Assim, a
necessidade de se dispor de uma caracterização tecnológica rigorosa das rochas
ornamentais é condição indispensável, pois embora tenha surgido no passado, na
Itália, desponta hoje como fator preponderante para atender as exigências
técnicas ligadas às grandes obras realizadas nos principais mercados de
produtos acabados (Estados Unidos, Alemanha, Japão, etc.).
A fim de minimizar os problemas
resultantes do pouco conhecimento do comportamento das rochas utilizadas para
fins ornamentais, ensaios de caracterização tecnológica vêm sendo executados
pelos diversos países envolvidos na produção e comercialização desses materiais
lapídeos, através de procedimentos padronizados por órgãos normatizadores,
entre os quais se destacam: American Society for Testing and Material – ASTM,
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, Deutsches Institut für Normung
– DIN, Association Français du Normalisation – AFNOR e Enti Nazionali in
Unificazion Normazione di Italia – UNI, e Associación Española de Normalización
y Certificación – AENOR. No caso das normas para as rochas ornamentais e de
revestimento, no Brasil adotam-se as da ABNT e ASTM conforme apresentado na
Tabela 1.
TABELA 1 – Normas Técnicas para
Caracterização
de Rochas Ornamentais
|
Ensaio |
NORMA ABNT |
NORMA ASTM |
|
Análise
Petrográfica |
ABNT NBR 12768 |
ASTM C-295 |
|
Índices Físicos |
ABNT NBR 12766 |
ASTM C-97 |
|
Resistência à
Flexão |
ABNT NBR
12763 |
ASTM C-99 / C-880 |
|
Resistência ao Impacto de Corpo Duro |
ABNT NBR
12764 |
ASTM C-170 |
|
Resistência à Compressão |
ABNT NBR
12767 |
ASTM D-2938 / C-170 |
|
Coeficiente de Dilatação Térmica
Linear |
ABNT NBR 12765 |
ASTM E-228 |
|
Congelamento e Degelo Conjugado à
Compressão |
ABNT NBR
12769 |
nd |
|
Desgaste Amsler |
ABNT NBR 6481 |
ASTM C-241 |
|
Módulo de Deformabilidade Estática |
nd |
ASTM C-3148 |
|
Micro Dureza Knoop |
nd |
nd |
A
Comunidade Econômica Européia sentiu a necessidade da unificação de normas para
as rochas ornamentais com o objetivo de
facilitar a comercialização de tais produtos. Neste sentido foi criado o Comitê
Europeu de Normalização – CEN, que preparou e submeteu à apreciação do Conselho
Técnico um programa normativo no domínio da construção e obras públicas, que
irá brevemente ser divulgado. Tão logo esse documento seja aprovado, os
resultados serão apreciados pelo Comitê Internacional, que, através de uma
avaliação comparativa com novas normas adotadas em outros países, deverá chegar
a um consenso geral, e, posteriormente, elaborar um documento final de
aceitação internacional. Os resultados de ensaios regidos por essas normas
visam fornecer elementos que permitam atender a especificações menos empíricas,
e, consequentemente, mais eficazes, seguras e econômicas, evitando
insatisfações e/ou reclamações dos consumidores, gerando uma imagem negativa
das empresas de projetos arquitetônicos e fornecedora desses materiais.
Os principais ensaios adotados
no Brasil para a qualificação das rochas ornamentais direcionados ao mercado
interno ou externo são: petrografia, índices físicos (massa específica,
porosidade, e absorção d’água), dilatação térmica linear, desgaste abrasivo,
impacto de corpo duro, resistência à flexão (módulo de ruptura), resistência à
compressão uniaxial, congelamento e degelo conjugado à compressão. A Tabela 2
apresenta os valores limites estabelecidos pela Norma ASTM C-615 e aqueles
propostos por FRAZÃO & FARJALLAT.
PROPRIEDADES VALORES FIXADOS PELA ASTM C -615 VALORES SUGERIDOS POR FRAZÃO & FARJALLAT Massa específica Aparente (Kg/m3) ≥ 2.560,00 ≥2.550 Porosidade Aparente (%) n.e. ≤1,0 Absorção D’água (%) ≤0,4 ≤0,4 Velocidade de Propogação de Ondas
(m/s) n.e. ≥4.000 Dilatação Térmica Linear (103/mm.ºC) n.e. ≤12,0 Desgaste Amsler (mm) n.e. ≤1,0 Compressão Uniaxial (MPa) ≥131,0 ≥100,0 Flexão ( módulo de ruptura) (MPa) ≥10,34 ≥10,0 Módulo de Deformabilidade
Estático (GPa) n.e. ≥30,0 Impacto de Corpo Duro (m) n.e. ≥0,4 Fonte: American Society for Testing and
Materials - ASTM. Frazão & Farjallat
(1995) Nota:
n.e. = não especificado
A Tabela 3 mostra os resultados de caracterização tecnológica das rochas
silicáticas da região Nordeste estudadas.
Dentre as amostras
analisadas encontram-se
granitos SS, leucogranitos, gnaisses,
TABELA 3 – Resultado da Caracterização
Tecnológica das Rochas Silicáticas da Região Nordeste Classificação Petrográfica Massa Especif. (k/m3) Porosidade (%) Absorção (%) Compressão
(MPa) Flexão (MPa) Desgaste
Amsler (mm) Impacto (m) Red Symphony Biotita – Granito Tectonizado 2670 0,37 0,24 207,0 14,2 0,69 0,60 Yellow Symphony Biotita – Granito 2620 0,58 0,22 120,0 15,8 0,69 0,59 Branco Cotton Albita – Granito 2619 0,68 0,26 127,0 17,2 0,83 0,63 Super Branco Albita – Granito 2611 0,76 0,29 105,9 8,3 1,16 0,96 Branco Ceará Albita – Granito 2623 0,65 0,25 112,5 16,8 0,65 0,60 Branco Amazonas
(V) “ 2640 0,48 0,18 146,2 8,1 0,69 0,58 Branco Tapajós
(V) “ 2622 0,58 0,15 110,4 14,8 0,74 - Branco Cecy (V) “ 2622 0,38 0,15 - - 0,74 - Branco Cristal
Quartzo Monzogranito ou Biotita – Granito 2614 0,42 0,16 157,2 17,7 0,40 0,56 Cinza Prata Granodiorito 2678 0,43 0,16 146,5 12,85 0,91 0,80 Coliseum Green Biotita – Granito ou Granito
“sense strict” 2599 0,60 0,23 122,3 15,7 0,73 - Coliseum Gold
(V) “ 2599 0,60 0,23 122,3 15,7 0,73 - Dourado Sobral Biotita – Granito 2620 0,34 0,13 155,3 16,5 0,92 - Green Galaxy Molonito de coposição
sienogranítica 2691 0,25 0,10 90,3 19,9 0,74 0,72 Juparaná
Montiel Granito Pegmatóide 2635 0,63 0,24 80,5 8,8 0,81 0,57 Mont Blanc Granada Leucognaisse 2620 0,73 0,28 119,7 13,8 0,78 0,53 Gran Caramelo
(V) “ 2610 0,48 0,18 94,8 9,5 0,72 0,53 Rosa Iracema Monzogranito ou Biotita – Granito 2611 0,82 0,31 145,0 13,3 0,61 0,66 Branco Savana
(V) “ 2580 0,80 0,30 135,5 12,32 0,72 - Verde Ceará Biotita – Granito ou Granito
“Sense strict” 2615 0,59 0,23 134,0 15,0 0,82 - Vermelho
Filomena Biotita – Granito 2575 0,27 0,64 101,0 8,6 0,60 0,55 Branco Santa
Quitéria Biotita – Granito 2591 0,57 0,22 106,1 13,9 0,91 - Amarelo Massapê Biotita – Granito 2600 0,76 0,79 84,6 20,0 0,71 0,70 Branco Fuji Biotita – Monzo – Granito
Pegmatóide 2643 1,36 0,52 52,27 8,52 0,98 0,35 Relíquia Quartzo – Monzonito 2633 0,50 0,19 121,9 19,02 - - Grampôla Sienogranito 2610 1,13 0,43 110,54 20,08 0,77 - Preto São Marcos Piroxênio – Biotita – Diorito 2902 0,28 0,10 131,67 19,28 1,41 - Amarelo Cabaças Sienogranito 2616 0,70 0,27 136,6 10,57 0,59 - Havana Biotita - Granito 2620 0,88 0,34 - 16,18 0,83 - Ouro Branco Monzogranito 2610 0,61 0,23 - - 0,76 - Casablanca Granada Leucognaisse 2659 0,36 0,14 96,3 6,6 0,95 0,60 Falésia Granada Leucognaisse 2626 0,53 0,20 92,1 9,4 0,97 0,55 Juparaná
Delicato Granada – Biotita – Gnaisse 2648 0,30 0,11 133,9 12,4 0,83 0,50 Rain Forest Biotita – Hornblenda – Granada ou
Granito “sense strict” 2621 0,46 0,18 87,4 11,50 0,81 0,50 Yellow Tropical
(V) “ 2624 0,49 0,19 84,6 8,90 0,78 0,56 Verde Meruoca Biotita – Granito 2620 0,33 0,13 135,14 14,49 0,68 0,70 Meruoca
Clássico Biotita – Hornblenda – Granito 2601 0,21 0,08 116,7 12,47 0,72 0,67 Rosa Silvestre Monzogranito 2584 1,30 0,502 100,25 12,65 0,19 - Branco
Pernambuco Monzogranito 2636 1,08 0,41 120,89 17,12 0,39 - White Bee Albita - Granito 2631 0,79 0,30 103,22 15,88 0,67 0,70 Branco São
Paulo Albita - Granito 2611 0,68 0,26 104,66 14,89 0,74 0,90 Rosa Algodão Sienito 2610 0,49 0,19 90,32 19,77 - - Taperoá Biotita – Granito 2650 0,46 0,16 151,0 19,7 - - Branco
Imaculada Biotita - Granito 2554 1,82 0,78 106,0 17,8 - - Marrom Imperial Sienito – Monzonito 2700 0,77 0,29 78,47 11,83 0,40 0,35 Carnaval Ortognaisse migmatizado 2680 0,75 0,29 87,1 - - - Florença Sienogranito 2630 1,26 0,48 80,64 9,37 1,08 - Rosa Goitis Migmatito 2640 0,53 0,20 145,75 18,52 - - Vermelho
Ipanema Granito Álcali-feldspato 2610 0,75 0,29 113,74 17,01 0,82 - Vermelho
Venturosa Monzosienito Pórfiro 2660 0,80 0,30 100,35 11,45 0,47 - Biancastro Monzogranito ou Biotita-Granito 2619 0,42 0,16 112,1 11,10 0,90 0,71 Vermelho
Ventura Biotita – Granito Pórfiro 2631 0,40 0,15 108,51 12,85 0,69 - Verde Fuji Quartzito 2657 0,75 0,28 151,37 24,08 0,50 - Rosa Imperial Ortognaisse migmatizado 2616 0,68 0,26 148,15 15,93 0,65 - Juparaíba Biotita – Sienogranito 2600 1,18 0,45 111,14 10,05 0,77 -
Nome
Comercial
leucognaisses,
migmatitos, monzogranitos, sienitos, charnockitos, dioritos, entre outros, no total de
101 tipos de rochas silicáticas que vêm sendo produzidas e comercializadas.
A Figura 1 mostra a distribuição
dos resultados de massa específica aparente seca obtidos com as rochas
silicáticas (granito) da Região Nordeste.

Classes Massa Específica Percentual Acumulada 2550 2,0 0,020 2600 7,9 0,099 2650 62,4 0,723 2700 19,8 0,921 2750 6,9 0,990 2800 0 0,990 2850 0 0,990 2900 0 0,990 2950 1,0 1,000
FIGURA 1 – Distribuição dos Resultados de Massa
Específica Aparente Seca
Obtidos
com as Rochas de Tipos Granitos da
Região Nordeste

Conforme
pode ser observado no gráfico da Figura 1, as rochas silicáticas (granito)
estudadas apresentou resultados de massa específica aparente variando no
intervalo de 2550 a 2950 Kg/m3, com uma frequência de concentração
maior em 2660 Kg/m3. Observa-se que cerca de 62% das amostras
estudadas estão situada na classe de 2650 Kg/m3. A Norma ASTM C-615
estabelece que os granitos para serem utilizados como revestimentos exteriores
de granitos estruturais, devem apresentar densidade de massa específica
aparente seca de 2560 Kg/m3.
Verifica-se então que a grande maioria das rochas silicáticas (granito)
da Região Nordeste em estudo atendem perfeitamente à especificação estabelecida
na Norma ASTM C-615. Apenas 2% das rochas estudadas situa-se abaixo desse
limite não sendo significativo do ponto de vista estatístico.
A Figura 2 apresenta a
distribuição dos resultados de porosidade aparente obtidos com as rochas
silicáticas (granito) da Região Nordeste.

Classes Porosidade Percentual Acumulada 0,4 23,5 0,235 0,6 35,7 0,592 0,8 24,5 0,837 1 6,1 0,898 1,2 5,1 0,949 1,4 4,1 0,990 1,6 0 0,990 1,8 0 0,990 2 1,0 1,000 acima 0 1,000
Porosidade Aparente Obtidos com
as Rochas
de Tipos Granitos da
Região Nordeste
Com relação ao gráfico da Figura 2, pode ser observado que
as rochas silicáticas (granito) estudadas apresentam resultados de porosidade
aparente variando no intervalo de 0,4 – 2,0%, com frequência de concentração
maior em 0,6%, com cerca de 35%.
A Norma ASTM C-615 não
especifica limites; no entanto, FRAZÃO & FARJALLAT (1995) através de um
estudo estatístico relativo às características tecnológicas das rochas
silicáticas (granito) do Brasil, sugerem o valor limite máximo de 1% para essa
propriedade de rochas utilizadas como rochas ornamentais e de revestimento. Na
Figura 2 verifica-se que cerca de 90% dos materiais analisados encontram-se
abaixo desse limite, ou seja, dentro da
especificação proposta pelos autores FRAZÃO & FARJALLAT.
A Figura 3 mostra a distribuição
dos resultados de absorção d’água obtidos
com as rochas silicáticas (granito) da Região Nordeste.
Percentual Acumulada 0,1 7,1 0,071 0,2 42,4 0,495 0,3 32,3 0,818 0,4 8,1 0,899 0,5 4,1 0,940 0,6 3,0 0,970 0,7 1,0 0,980 0,8 2,0 1,000 acima 0,0 1,000
Classes
Absorção
FIGURA 3 – Distribuição
dos Resultados de
Absorção D’água Obtidos com as
Rochas de Tipos
Granitos da
Região Nordeste
Conforme pode ser observado no gráfico da Figura 3, as
rochas silicáticas (granito) estudadas apresentam resultados de absorção d’água
variando no intervalo de 0,1 a 0,8%, com uma frequência de maior concentração
em 0,2%. Observa-se que cerca de 75% das amostras estudadas estão situadas no
intervalo de 0,2 a 0,3%. A Norma ASTM C-615 estabelece que os granitos para
serem utilizados como rochas ornamentais e de revestimento, devem apresentar
valor de absorção d’água abaixo de 0,4%. O mesmo valor também é sugerido por
FRAZÃO & FARJALLAT. Tomando como base os valores fixados pela ASTM C-615 e
FRAZÃO & FARJALLAT, constata-se que as rochas silicáticas (granito)
estudadas apresentam resultados de absorção d’água abaixo de 0,4%, o que nos
permite dizer que esses materiais apresentam boa durabilidade e considerável
resistência mecânica ao longo do tempo.
A Figura 4 apresenta a
distribuição dos resultados dos ensaios de resistência à compressão uniaxial
obtidos com as rochas silicáticas (granito) da Região Nordeste.



Classes
Compressão
|
Percentual |
Acumulada |
|
75 |
2,1 |
0,021 |
|
100 |
14,6 |
0,167 |
|
125 |
31,2 |
0,479 |
|
150 |
21,9 |
0,698 |
|
175 |
14,6 |
0,844 |
|
200 |
11,4 |
0,958 |
|
225 |
4,2 |
1,000 |
FIGURA 4 – Distribuição dos Resultados dos
Ensaios de Resistência à Compressão Obtidos com as
Rochas de Tipos
Granitos da Região Nordeste
De acordo com os resultados
apresentados no gráfico da Figura 4, as rochas silicáticas (granito) mostram
que a resistência à compressão uniaxial está mais concentrada no intervalo de
100 a 175 MPa, faixa em que situam-se cerca de 82% das rochas silicáticas
analisadas. Segundo FRAZÃO & FARJALLAT (1995), o valor mínimo considerado
para essa propriedade é de 100 MPa; enquanto que para a ASTM C-615 esse limite é de 131 MPa. Neste caso
verifica-se, então, que os resultados obtidos para esse ensaio se adequam
melhor ao limite estabelecido pelos referidos autores, uma vez que a freqüência
de maior concentração está situada em 125 MPa, um pouco abaixo do limite
determinado pela Norma ASTM C-615. É importante ressaltar que essa
característica físico-mecânica representa um valioso índice de qualidade dos
materiais para uso como rochas ornamentais e de revestimento, estando, ao mesmo
tempo, diretamente relacionada com outras propriedades tecnológicas que depende
da estrutura, textura, estado microfissural e grau de alteração das rochas.
Estruturas orientadas, ou bandadas, conduzem a resultados de resistências
diferentes, conforme as solicitações se dêem no plano paralelo ou perpendicular
a essas estruturas.
A Figura 5 mostra a distribuição
dos resultados dos ensaios de resistência à tração na flexão ( módulo de
ruptura) obtidos com as rochas silicáticas (granito) da Região Nordeste.

|
Classes Flexão |
Percentual |
Acumulada |
|
10 |
12,8 |
0,128 |
|
15 |
25,5 |
0,383 |
|
20 |
44,7 |
0,830 |
|
25 |
14,9 |
0,979 |
|
acima |
2,1 |
1,000 |
FIGURA 5 – Distribuição
dos Resultados dos
Ensaios de Resistência à Flexão
Obtidos com as Rochas de Tipos
Granitos da Região Nordeste
Com relação ao gráfico da Figura
5, pode ser observado que as rochas silicáticas (granito) estudadas para a
resistência a flexão no intervalo de classe de 10 a 15 MPa variam com a
frequência entre 13 a 25%, respectivamente, sendo que quase todas as amostras
estão todas acima dos valores limites mínimos estabelecidos pela Norma ASTM
C-615 (≥ 10,34 MPa) e o sugerido por FRAZÃO & FARJALLAT (≥ 10,0 MPa), que é praticamente coincidente. No intervalo de
15 a 20 MPa, registra-se uma frequência de 70%. Nesse caso verifica-se que as
rochas silicáticas (granito) analisadas neste estudo podem ser consideradas
como sendo de boa qualidade, sob o ponto de vista de sua aplicação para
revestimentos. Essa característica físico-mecânica assim como a compressão,
também é muito dependente de estrutura, textura, estado microfissural e grau de
alteração das rochas. Dessa forma, as mesmas observações sobre as estruturas de
rochas feitas para os ensaios a resistência à compressão deverá ser levada
também para os ensaios a resistência à tração na flexão (módulo de ruptura) ou
seja: estruturas orientadas, ou bandadas, conduzem a resultados de resistências
diferentes, conforme as solicitações se dêem no plano paralelo ou perpendicular
a essas estruturas.
A Figura 6 apresenta a
distribuição dos resultados dos ensaios de resistência ao impacto obtidos com
as rochas silicáticas (granito) da Região Nordeste.

|
Classes Impacto |
Percentual |
Acumulada |
|
0,4 |
7,7 |
0,077 |
|
0,5 |
15,4 |
0,231 |
|
0,6 |
46,2 |
0,693 |
|
0,7 |
15,4 |
0,847 |
|
0,8 |
9,6 |
0,943 |
|
0,9 |
1,9 |
0,962 |
|
acima |
3,8 |
1,000 |
FIGURA 6 – Distribuição
dos Resultados dos
Ensaios
de Resistência ao Impacto
Obtidos com as
Rochas de Tipos
Granitos
da Região Nordeste
Conforme pode ser observado no
gráfico da Figura 6, as rochas silicáticas (granito) estudadas apresentam
resultados para resistência ao impacto variando no intervalo 0,4 – 0,5 m, com
frequência de 23%; em 0,6 m, com frequência de 46% cujo resultado situa-se
cerca de 70% das rochas analisadas; no intervalo de 0,6 – 0,7 m, a frequência
cai para 15%. Verifica-se que a maior frequência das rochas analisadas está em
0,6 m. A Norma ASTM C-615 não especifica limites; no entanto, FRAZÃO &
FALJALLAT (1995), propões um limite mínimo de 0,4 m, dentro do qual estão
inseridas 100% dos resultados obtidos, o que sugere que essas rochas possuem
boa resistência ao impacto. Dessa forma, podem ser dimensionadas nas espessuras
normais de uso sem grandes riscos de trincamento e/ou rompimento, suportando
melhor as ações mecânicas instantâneas.
A Figura 7 mostra a distribuição
dos resultados dos ensaios de resistência ao desgaste Amsler obtidos com as
rochas silicáticas (granito) da Região Nordeste.

Classes
Desgaste Amsler
|
Percentual |
Acumulada |
|
0,2 |
6,0 |
0,060 |
|
0,4 |
8,3 |
0,143 |
|
0,6 |
23,8 |
0,381 |
|
0,8 |
38,1 |
0,762 |
|
1 |
19,0 |
0,952 |
|
1,2 |
2,4 |
0,976 |
|
1,4 |
0,0 |
0,976 |
|
acima |
2,4 |
1,000 |
FIGURA 7 – Distribuição
dos Resultados dos
Ensaios de Resistência ao Desgaste
Amsler Obtidos com
as Rochas de
Tipos Granitos da Região Nordeste
Com base nos resultados
apresentados no gráfico da Figura 7, pode ser observado que as rochas
silicáticas (granito) estudadas estão, a grande maioria, concentrada entre 0,6
– 0,8 mm, com cerca de 62% de frequência. A Norma ASTM C-615 não especifica
limites; FRAZÃO & FARJALLAT (1995) através de um estudo estatístico
relativo às caracteristicas tecnológicas das rochas silicáticas (granito) do
Brasil, sugerem o valor limite máximo de 1,0 mm para o desgaste Amsler (≤ 1,0 mm), ou seja para a resistência ao desgaste Amsler nesse caso é de
1 mm. Tomando como base esse valor, constata-se que 95% das rochas analisadas
atendem a esse limite, o que recomenda sua aplicação também em áreas de
trânsito mais intenso, no caso para piso de alto tráfego.
ü
Das rochas
silicáticas (granito) da região Nordeste estudadas, 62% estão dentro dos
limites estabelecidos para massa específica aparente seca (classe de 2650 Kg/m3),
cerca de 90% para porosidade (abaixo de 1%) e mais de 90% satisfazem aos
índices de absorção d’água (≤ 0,4%). Esses dados, quando comparados aos valores fixados
pela norma ASTM – C-615 e por FRAZÃO & FARJALLAT (1995), podem ser
considerados satisfatórios;
ü
Com relação a
resistência à compressão uniaxial, 82%
das rochas silicáticas (granito) analisadas estão dentro do intervalo de
100 e 175 MPa, sendo, portanto
aceitáveis para utilização como rocha ornamental e de revestimento, sob o ponto
de vista do limite mínimo (100 MPa)
proposto por FRAZÃO & FARJALLAT (1995);
ü
Para os ensaios de
resistência à flexão, verifica-se que quase todas as amostras analisadas
encontram-se na classe acima de 10 MPa com uma frequência de maior concentração
no intervalo de 15 a 20 MPa (70%). Tais resultados podem ser considerados como
sendo de ótima qualidade, uma vez que os mesmos estão inseridos nos limites
estabelecidos pela norma ASTM C-615 e por FRAZÃO & FARJALLAT (1995);
ü
No
que se refere aos resultados obtidos para a resistência ao impacto, verifica-se que 7% das rochas
estudadas encontram-se acima do valor mínimo proposto por FRAZÃO &
FARJALLAT (1995);
ü
Quanto ao desgaste
Amsler, pode-se constatar que cerca de 95% dos resultados obtidos encontram-se
abaixo do valor máximo proposto por FRAZÃO & FARJALLAT (1995), conferindo um alto índice de resistência
ao desgaste.
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