Consumo dos principais
insumos no desdobramento de Granitos do Nordeste, de DIFERENTES GRAU de dureza Antonio
Augusto Pereira de Sousa1 e Ramon Rodrigues 2 1Professor do Departamento de
Química da Universidade Estadual da Paraíba – CCT/UEPB e Diretor da FUJI S/A – Mármores e
Granitos. Av. Estados Unidos, 91 – Nações –
Campina Grande/PB- CEP 58103-120 Fone: 83 341 3422 / 83 9971 7101,
Fax: 83 335 4923, e-mail: fujicomerc@uol.com.br 2Engenheiro de Produção da FUJI S/A
– Mármores e Granitos R. Ascedino Moura, 203 – Catolé –
Campina Grande/PB – CEP 58104-240 Fone: 83 337 4690 / 83 9312 8049, Fax: 83 335 4923, e-mail:
fujigranitos@uol.com.br
RESUMO
O granito é uma rocha magmática,
compacta, formada principalmente por feldspato, quartzo e mica,
predominantemente, constituída por minerais de dureza Mohs acima de 6. As
indústrias de beneficiamento de granito
utilizam escala própria de dureza de 1 a 5 como indicador de parâmetros, cujos números representam limite máximo do consumo de
granalha, conforme um fornecedor desse insumo, que é a empresa IKK Granalhas. O
presente trabalho mostra um estudo comparativo do consumo de insumos, como
granalha de aço, lâmina e energia elétrica, utilizados no processo de serragem
de 4 granitos do Nordeste, de diferentes graus de dureza.
O estudo foi realizado na
empresa FUJI S/A – Mármores e Granitos, em Campina Grande/PB, no ano de 2001,
cuja serraria possui 3 teares JUMBO (italianos), sendo 2 JS 350 e 1 JS 380. Os
granitos analisados foram os conhecidos comercialmente por: Branco Floral – Baraúnas/PB, Bordeaux –
Santa Luzia/PB, Branco Jabre – Branco Imaculada/PB e Verde Fuji – Messias
Targino/RN, na escala de dureza de 2, 3, 4 e 5, respectivamente.
Os insumos adquiridos pela FUJI S/A são de fornecedores que
atendem as normas, sendo a granalha da Sinto (São Paulo/SP), a lâmina da
Ferreira DiCittadella (Itália) e a energia elétrica da Companhia Energética da
Borborema (Campina Grande/PB). Além disso, foi analisado um indicador de
desempenho da produtividade, que foi a velocidade de corte do material,
denominado de PPT, em m2/h.
Os resultados abaixo são as
médias de 5 serradas, obtidas para cada tipo de granito, utilizando-se um
volume comercial em torno de 61-68 m3
de blocos, sendo todos da mesma frente da jazida:
|
Granito -Dureza |
Granalha kg / m2
comercial |
Lâmina kg / m2 comercial |
Energia kWh / m2
comercial |
|
Branco Floral – 2 |
1,2 |
0,7 |
10,5 |
|
Bordeaux- 3 |
2,5 |
0,8 |
13,6 |
|
Branco Jabre - 4 |
3,2 |
1,2 |
14,2 |
|
V. Fuji - 5 |
4,5 |
1,5 |
18,6 |
Os blocos de Bordeaux foram
serrados com espessura de chapa de 30 mm e nos demais granitos prevaleceu a
espessura de chapas de 20 mm.
Os percentuais de aumento no
consumo de insumos, conforme a dureza dos granitos foram os seguintes:
|
Relação de dureza |
granalha |
lâmina |
energia |
PPT |
|
kg/m² |
kg/m² |
kWh/m² |
m² /h |
|
|
2 x 3 |
108% |
14% |
30% |
-33% |
|
3 x 4 |
28% |
50% |
4% |
-2% |
|
4 x 5 |
41% |
25% |
31% |
-24% |
|
2 x 4 |
167% |
71% |
35% |
-35% |
|
2 x 5 |
275% |
114% |
77% |
-51% |
|
3 x 5 |
80% |
88% |
37% |
-26% |
Conforme os resultados obtidos nesse trabalho, pode-se
concluir que os desdobramentos de granito são influenciados pela dureza dos
mesmos em função da elevada variação no consumo dos principais insumos e que
ainda existe uma correlação direta entre os consumos e a dureza do Granito. A granalha demonstra ser o insumo que
sofre maior incremento com o aumento da dureza, exceto do Bordeaux x Branco Jabre,
onde o percentual do consumo de lâmina foi maior. O aumento percentual do
consumo de lâmina e energia é em torno de 20 a 30%, respectivamente, exceto
entre o Bordeaux x Branco Jabre. É importante salientar que os parâmetros
analisados são exceções na comparação da Dureza 3 x 4 (Bordeaux X Branco
Jabre), provavelmente, devido aos valores absolutos serem próximos,
praticamente classificando ambos como dureza 3.
O Brasil é geologicamente
privilegiado, no que diz respeito à diversidade de rochas ornamentais,
possuindo jazidas com as mais variadas cores, texturas e de excelentes
desempenhos dos aspectos físicos e mecânicos da rocha, especialmente em
granitos, com grande aceitação e aplicação em obra de elevado grau de
exigência.
A produção brasileira de rochas
ornamentais de 2001 foi superior a 5 milhões de toneladas, tendo exportado 1,1
milhão de tonelada, o que destaca o Brasil como o sexto maior exportador de
volumes do mundo, atrás apenas da Itália, China, Índia, Espanha e
Portugal. Os estados de Espírito Santo
e Minas Gerais representam 68% da
produção de rochas ornamentais brasileira e a Região Norte (exclusivamente o
Estado de Rondónia) e Nordeste 16%, com destaque para os Estados da Bahia,
Ceará e Paraíba, com 9,4%, 3,5% e 1,2% da produção nacional,
respectivamente. O granito corresponde
a 60% da produção de rochas ornamentais do Brasil, sendo exportado em blocos ,
produtos semi-acabados e acabados. O parque industrial nacional possui mais de
1.600 teares, com capacidade de desdobramento superior a 40 milhões de m2 /ano,
sendo o quarto e oitavo exportador de
granito bruto e acabado, respectivamente (CHIODI FILHO, 2002).
Nos últimos cinco anos, o Brasil
realizou grandes investimentos privados na
ampliação e modernização do seu parque industrial para beneficiamento de
granitos, através da aquisição de teares, talhas-blocos, mono-fios, máquinas de
acabamento (polimento, flameamento, jateamento, apicoado), automação dos
equipamentos, enfim, soluções que buscam a melhoria na industrialização das
rochas, aumentando a produção e agregando mais qualidade e beleza ao
produto natural.
Na exportação de produtos
acabados (chapas e ladrilhos), o Brasil apresenta potencial para exportação,
através do melhoramento de desempenho dos indicadores de competitividade
industrial.
Coutinho et al. destaca (1995,
p.19), “o desempenho competitivo de uma empresa, indústria ou nação é
condicionado por um vasto conjunto de fatores, que pode ser subdividido
naqueles internos à empresa, nos de natureza estrutural, pertinentes aos
setores e complexos industriais, e nos de natureza sistêmicas”. Dentre os
fatores internos à empresa, é importante nas indústrias de beneficiamento de
granitos, o controle de processos de desdobramento da rocha, buscando a melhor
produtividade dos teares.
A produtividade dos teares é
influenciada por muitas variáveis, sendo as mais relevantes (BEZERRA, 2000):
ü
formação geológica;
ü
composição
mineralógica da rocha;
ü
características
físico-mecânica (dureza da rocha);
ü
nível tecnológico dos
equipamentos;
ü
composição da mistura
abrasiva, constituída por granalha, cal, pó de pedra e água;
ü
sistema de
alimentação, que faz circular a lama abrasiva sobre os sulcos formados no
processo de serragem;
ü
nível de automação
dos teares – ajustador automático de biela, tensionador hidráulico, dosador
automático de cal e granalha, controlador de lama;
ü
capacidade
volumétrica útil de carga;
ü
taxa de ocupação do
tear;
ü
qualidade dos
recursos humanos;
ü
os requisitos
(qualidade e quantidade) dos insumos (granalhas, lâmina, cal, água e energia).
Com exceção das características geológica e tecnológica do
granito, as demais variáveis são passíveis de melhoria, através de
investimentos tecnológicos ou por meio de procedimentos e controle do processo
produtivo.
Como acompanhamento do controle
de processo utiliza-se parâmetro de desempenho, como produção por unidade,
custo de produção, horas trabalhadas (produzindo, em manutenção, paradas, ociosidade, etc) e especialmente
indicadores de eficiência da produtividade.
O desempenho de produtividade
dos teares determina essencialmente o indicador de velocidade de corte (em m2/hora),
fornecida pela seguinte equação (SALLES et al., 1996):
PPT = m2 serrada
Tempo efetivo
onde,
ü
PPT é a velocidade de
corte, expresso em m2/hora;
ü
m2 serrada é a área de granito obtida na
serragem, medida em m2;
ü
Tempo efetivo é o
tempo, medido em horas, que o tear está efetivamente trabalhando, não se
considerando os períodos decorrentes de paradas eventuais e obrigatórias.
A PPT é influenciada direta e
indiretamente pela variável tempo de corte, capacidade volumétrica do tear,
nível de atualização tecnológica e taxa de ocupação do tear e consumo de
insumo. O tempo de corte permiti a apropriação dos custos de uma serrada, com a energia elétrica, manutenção,
depreciação, mão-de-obra e despesas indiretas.
É importante salientar as
colocações e conclusões, de fácil percepção,
dos seguintes comentários de Bezerra (2000), concernentes à
produtividade dos teares:
·
quanto maior a
velocidade de corte, maior a produtividade;
·
quanto maior a taxa
de ocupação do tear, maior a produtividade;
·
quanto maior a dureza
do granito, menor a produtividade
O presente trabalho buscou
enfatizar a análise comparativa de duas variáveis que influenciam no
desempenho da produtividade, que são os
requisitos dos insumos e a dureza da rocha, através da comparação do consumo
dos principais insumos (granalha, lâmina de aço e energia elétrica) no
desdobramento de Granitos do Nordeste, de diferentes graus de dureza. Objetivando enriquecer os resultados da
produtividade da indústria analisada, temos os valores médios da velocidade de
corte de cada tipo de granito estudado.
MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo foi realizado na
empresa FUJI S/A – Mármores e Granitos, em Campina Grande/PB, cuja serraria
possui 3 teares GASPARI MENOTTI, dois JS 350 e 1 JS 380 (italianos), com 3,50 m
de largura, sistema de alimentação automatizado e elevado nível de
automação, tendo capacidade instalada
de aproximadamente 10.000 m2/mês.
As serradas analisadas foram realizadas no ano de 2001. Não
houve mudança dos colaboradores do setor de serraria, como engenheiro de
produção, encarregado, operadores e auxiliares, durante as serradas analisadas.
Requisitos dos Insumos
Os insumos utilizados nos desdobramentos
são de fornecedores que atendem as normas nacionais e/ou internacionais, com
sistemas de gestão da qualidade (Normas da Série NBR-ISO 9000), o que confere confiabilidade e credibilidade
para aquisição desses insumos. Os principais insumos analisados foram a
granalha de aço GR-04 da Sinto (São Paulo/SP), a Lâmina de aço, altura de 120
mm e espessura de 4,2 mm da Ferriera Di Cittadella (Itália) e a energia
elétrica da Companhia Energética da Borborema- CELB (Campina Grande/PB).
Dureza do Granito
No caso dessa pesquisa foi
adotada pela FUJI S/A a escala de dureza recomendada pela empresa IKK,
fabricante de granalha de aço, que sugere uma escala em função do consumo de
granalha, com a seguinte descrição:
dureza
1 – consumo entre 0 e 1 kg/m2
dureza
2 – consumo entre 1 e 2 kg/m2
dureza
3 – consumo entre 2 e 3 kg/m2
dureza
4 – consumo entre 3 e 4 kg/m2
dureza
5 – consumo maior que 4 kg/m2
Para ensaios de dureza em
laboratório em laboratório normalmente utiliza-se a dureza Knoop, como teste
rotineiro para avaliação de rochas. A dureza Knoop, assim como a dureza Vickers
é um teste de dureza de micro impressão, em que essa é determinada como a área
produzida por uma ponta de diamante, dividida pela carga utilizada para
produzir a impressão na superfície avaliada. Dessa forma, quanto maior a
impressão produzida, menor a dureza.
Os granitos analisados foram o
Floral, localizado no Município de Baraúnas/PB, Bordeaux no Município de Santa Luzia/PB, Jabre no
Município de Imaculada/PB e Verde Fuji no Município de Messias Targino/RN, na
escala de dureza de 2, 3, 4 e 5, respectivamente.
Capacidade Volumétrica útil de
carga e taxa de ocupação do tear
A capacidade volumétricas dos teares e a taxa de ocupação da
FUJI S/A – Mármores e Granitos é o dado pelas equações abaixo:
Capacidade
do tear = Largura x altura x
comprimento
Volume
= = 3,5 x 3,1 x 2,0 = 21,70 m3.
Portanto, a capacidade volumétrica da serraria da FUJI
S/A calculada para a determinação da
taxa de ocupação nesse trabalho é de:
Volume total = N.º
serradas (5) x 21,7 m3 =108,50 m3
A
taxa de ocupação indica o percentual do volume do tear , nesse estudo calculado
acima (108,50 m3), que está sendo ocupado com o volume líquido de
blocos de granito.
Procedimento Metodológico para
Levantamento dos Dados
Os dados apresentados nesse trabalho foram obtidos nos registros de produção dos documentos operacionais interno do Sistema de Gestão da Qualidade da FUJI S/A, referente ao setor de tear, conforme procedimento de operação, controle e registro de serrada- RQ-9.1 e RQ-9.2, onde registram os seguintes dados e parâmetros de controles do processo:
·
RQ-9.1 - dados dos
blocos, como tipo de granito, medidas dos blocos, fornecedores dos insumos,
data e hora de início e término da serrada e horas trabalhadas efetivas e horas
de paradas e/ou manutenção.
·
RQ – 9.2 – análise na
lama abrasiva, que são as inspecções da viscosidade, que serve de parâmetro de
controle da qualidade da lama abrasivas, quantidade de granalha, em g/l e peso
específico , em g/l. No painel eletrônico do tear (PLC) são fornecidas as
informações da cala (velocidade instantânea de corte, em mm/h), amperagem do
volante e da bomba, posição da Lâmina dentro do bloco (mm), produção (m2/h),
tensão da lâmina e consumo de granalha (kg/m2).
Esses dados são registrados pelos operadores e
supervisionados pelo encarregado. A disposição e ações imediatas durante o
processo são da responsabilidade dos operadores, que estão devidamente
treinados para tomada de decisão. A análise dos resultados é feitas pelo
engenheiro de produção.
APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS
RESULTADOS
As Tabelas 1 e 2
apresentam os resultados dos parâmetros estudados nesse trabalho para o
granito Branco Floral, que é considerado de dureza 2, na escala da empresa IKK
granalhas.
Tabela 1 – Resultado dos
volumes e áreas comerciais do granito Branco Floral
(F) serradas, com o tempo efetivo de corte e a velocidade de corte (PPT).
|
Granito |
m³ |
m² |
Tempo efetivo corte (h) |
PPT (m2/h) |
|
F1 |
12,0 |
395,7 |
64,6 |
6,1 |
|
F2 |
12,0 |
397,0 |
64,0 |
6,2 |
|
F3 |
13,9 |
458,7 |
63,7 |
7,2 |
|
F4 |
13,3 |
439,9 |
71,1 |
6,2 |
|
F5 |
10,4 |
343,5 |
61,4 |
5,6 |
|
SOMA |
61,7 |
2034,8 |
324,8 |
31,3 |
|
MÉDIA |
65,0 |
6,3 |
||
|
DESV.
PADRÃO |
3,7 |
0,6 |
||
Observando-se os resultados obtidos na Tabela 1 verifica-se nas cinco serradas
do granito Branco Floral, um volume de aproximadamente 62 m3 e 2.035
m2, correspondendo uma taxa de 33 m2/m3, o que
representam uma predominância de chapas com 20 mm de espessura. O indicador de
desempenho da produtividade analisado nesse trabalho, que é a velocidade de
corte (PPT), é diretamente proporcional a área e inversamente ao tempo efetivo
de corte. Portanto, a PPT depende da espessura de chapas, pois a área é função
da quantidade de chapas serradas, sendo essa dependente da espessura, pois se
nos blocos forem serradas chapas de 15
mm, obtém-se mais chapas do que se fosse de 30 mm de espessura. O tempo efetivo de corte médio foi de 65 h,
com valor mínimo e máximo de 61,4 h e 71,1 h, respectivamente. O desvio padrão
da PPT é baixo, de 0,6, tendo como valor médio de 6,3 m2/h.
Tabela 2 – Resultados do
consumo dos principais Insumos no desdobramento do granito Branco Floral (F),
classificados com grau de dureza 2 (Referência IKK).
|
Granito |
Granalha |
lâmina |
energia |
|
|
kg/m² |
kg/m² |
kWh/m² |
|
F1 |
1,0 |
0,7 |
10,6 |
|
F2 |
0,9 |
0,7 |
10,0 |
|
F3 |
1,6 |
0,7 |
8,4 |
|
F4 |
0,9 |
0,8 |
9,6 |
|
F5 |
1,6 |
0,8 |
13,8 |
|
SOMA |
5,9 |
3,6 |
52,5 |
|
MÉDIA |
1,2 |
0,7 |
10,5 |
|
DESV. PADRÃO |
0,4 |
0,1 |
2,0 |
A Tabela 2 mostra o consumo de insumos do granito Branco
Floral, o que possibilita verificar o bom controle no processamento desse
granito, conforme os valores baixos do desvio padrão nas medições de granalha e lâmina, 0,4 e 0,1,
respectivamente. O valor médio de granalha, 1,2 kg/m2 , indica um granito macio, inclusive com
valor mínimo de 0,9, o que poderia indicar uma dureza 1 e o valor máximo de
1,6, dentro do limite da dureza 2. O consumo de lâmina foi praticamente o mesmo
nas cinco serradas, de 0,7 kg/m2.
A energia elétrica apresentou um consumo médio de 10,5 kWh/m2, com
valores mínimo e máximo de 8,4 e
13,8 kWh/m2.
As Tabelas 3 e 4 mostram os resultados do granito Bordeaux, de dureza 3 (referência
IKK granalhas).
Tabela
3 – Resultado dos volumes e áreas
comerciais do granito Bordeaux (B) serradas, com o tempo efetivo de corte e a
velocidade de corte (PPT).
|
Granito |
m³
|
m²
|
Tempo efetivo corte (h) |
PPT (m2/h) |
|
B1 |
13,9 |
330,0 |
82,3 |
4,0 |
|
B2 |
14,1 |
382,7 |
79,5 |
4,8 |
|
B3 |
10,5 |
311,3 |
81,3 |
3,8 |
|
B4 |
11,2 |
298,1 |
87,0 |
3,4 |
|
B5 |
13,1 |
392,0 |
81,4 |
4,8 |
|
SOMA |
62,8 |
1714,2 |
411,4 |
20,9 |
|
MÉDIA |
82,3 |
4,2 |
||
|
DESV.
PADRÃO |
2,8 |
0,6 |
||
Observando os resultados contidos na tabela 3 temos um volume de blocos do
granito Bordeaux em torno de 63 m3, produzindo 1714 m2, o
que fornece uma taxa de aproximadamente
27 m2/m3, o que indica uma produção de chapas de 30
mm, conseqüentemente diminuindo o valor
da velocidade de corte (PPT), devido à menor produção de área por m3, comparando-se com chapas de 20 ou 15 mm,
conforme comentado anteriormente. Os
valores médios do tempo efetivo de corte e da PPT foram de 82,3 h e 4,2 m2/h,
respectivamente.
Tabela 4 – Resultados do
consumo dos principais Insumos no desdobramento do granito Bordeaux (B),
classificados com grau de dureza 3 (Referência IKK).
|
Granito |
Granalha |
Lâmina |
energia |
|
kg/m² |
kg/m² |
kWh/m² |
|
|
B1 |
2,8 |
0,9 |
15,0 |
|
B2 |
2,7 |
0,8 |
10,9 |
|
B3 |
2,3 |
0,8 |
15,1 |
|
B4 |
2,4 |
0,8 |
14,7 |
|
B5 |
2,6 |
0,8 |
12,5 |
|
SOMA |
12,7 |
4,2 |
68,2 |
|
MÉDIA |
2,5 |
0,8 |
13,6 |
|
DESV. PADRÃO |
0,2 |
0,1 |
1,9 |
Na Tabela 4 verifica-se que os dados de consumo da granalha
e lâmina apresentaram baixo desvio padrão, o que indica controle de processo
eficaz no desdobramento do granito Bordeaux. O valor médio de granalha foi de
2,5 kg/m2,
caracterizando-se dentro da dureza 3,
com mínimo de 2,3 e máximo 2,8 kg/m2. O consumo de lâmina foi
praticamente o mesmo, em torno de 0,8 kg/m2. A energia elétrica apresentou um consumo
médio de 13,6 kWh/m2, com valores mínimo e máximo de 10,9 e 15,1 kWh/m2.
As Tabelas 5 e 6 apresentam os resultados dos parâmetros
estudados nessa pesquisa para o granito Branco Jabre,
que é considerado de dureza 4, na escala da empresa IKK granalhas.
Tabela 5 – Resultado dos
volumes e áreas comerciais do granito Branco Jabre
(J) serradas, com o tempo efetivo de corte e a velocidade de corte (PPT).
|
Granito |
m³
|
m²
|
Tempo efetivo corte (h) |
PPT (m2/h) |
|
J1 |
12,4 |
357,6 |
105,6 |
3,4 |
|
J2 |
12,7 |
424,4 |
107,4 |
4,0 |
|
J3 |
13,6 |
456,1 |
103,9 |
4,4 |
|
J4 |
14,1 |
461,1 |
111,0 |
4,2 |
|
J5 |
14,7 |
472,3 |
106,0 |
4,5 |
|
SOMA |
67,5 |
2171,4 |
533,9 |
20,3 |
|
MÉDIA |
106,8 |
4,1 |
||
|
DESV.
PADRÃO |
2,7 |
0,4 |
||
Verificando os resultados apresentados na tabela 5 temos que
foi serrado 67,5 m3 de
blocos de jabre, obtendo-se 2171,4 m2, com uma relação de 32,2 m2/m3,
caracterizando a prevalência da produção de chapas de 20 mm. O tempo de corte
efetivo é próximo a 4 dias e meio, em média 106,8 h. A PPT foi próxima ao
granito Bordeaux, mesmo tendo uma dureza maior. Isso ocorreu, provavelmente,
devido à ocupação dos teares nas serradas do Branco Jabre, terem sido maior
(volume total de jabre de 4,7 m3 superior ao Bordeaux). A taxa de
ocupação do tear influir diretamente na PPT, pois quanto maior essa, maior será
a área de desdobramento. Além disso, a relação m2/m3 do
jabre foi superior ao do Bordeaux, em função das chapas do primeiro serem de 20
mm, contra as de 30 mm para o Bordeaux. Esses dois fatores, a taxa de ocupação
dos teares e a espessura da chapa, fizeram com que o indicador de desempenho da
produtividade usado nesse trabalho, a PPT, fosse praticamente o mesmo para os
granitos Jabre (dureza 4) e Bordeaux (dureza 3), em torno de 4 m2/h.
Tabela 6 – Resultados do consumo dos principais Insumos no
desdobramento do granito Branco Jabre (J), classificados com grau de dureza 4
(Referência IKK).
|
Granito |
Granalha |
Lâmina |
energia |
|
Kg/m² |
kg/m² |
kWh/m² |
|
|
J1 |
2,9 |
1,1 |
17,8 |
|
J2 |
3,2 |
1,2 |
17,0 |
|
J3 |
3,1 |
1,2 |
13,5 |
|
J4 |
3,5 |
1,1 |
12,1 |
|
J5 |
3,6 |
1,2 |
10,6 |
|
SOMA |
16,2 |
5,8 |
71,0 |
|
MÉDIA |
3,2 |
1,2 |
14,2 |
|
DESV. PADRÃO |
0,3 |
0,1 |
3,1 |
A Tabela 6 apresenta o consumo dos principais insumos
analisados para o granito Jabre, de dureza 4. A granalha apresentou valores
próximos ao limite dos granitos considerados de dureza 3, com valor mínimo de
2,9 e máximo de 3,6 kg/m2, tendo como média 3,2 kg/m2. O
consumo de lâmina continuou apresentando valores com quase nenhuma variação,
sendo o desvio padrão de 0,1 e valor médio de 1,2 kg/m2. Nesse granito, a energia elétrica mostra a
maior discrepância nos seus valores, com valor médio de 14,2 kWh/m2 e desvio padrão de 3,1, tendo 10,6 e 17,8
kWh/m2 , como valor mínimo e máximo, respectivamente.
As Tabelas 7 e 8 mostram os
resultados dos parâmetros de controle do processo para o granito Verde Fuji,
que é considerado nesse estudo como o que possuí maior dureza.
Tabela 7 – Resultado dos
volumes e áreas comerciais do granito Verde Fuji (V) serradas, com o tempo
efetivo de corte e a velocidade de corte (PPT).
|
Granito |
m³
|
m²
|
Tempo efetivo corte (h) |
PPT (m2/h) |
|
V1 |
12,1 |
378,8 |
121,1 |
3,1 |
|
V2 |
13,0 |
429,6 |
129,1 |
3,3 |
|
V3 |
12,5 |
427,6 |
135,4 |
3,2 |
|
V4 |
11,7 |
311,4 |
125,0 |
2,5 |
|
V5 |
11,7 |
396,5 |
123,0 |
3,2 |
|
SOMA |
61,0 |
1943,8 |
633,7 |
15,3 |
|
MÉDIA |
126,7 |
3,1 |
||
|
DESV.
PADRÃO |
5,7 |
0,3 |
||
Observando os resultados contidos na Tabela 7 verifica-se a
predominância das chapas de 20 mm serradas para o granito Verde Fuji, pois se
evidencia uma relação em torno de 32 m2/m3, tendo sido
serrado 61 m3, produzindo mais de 1943 m2. A velocidade
de corte (PPT) desse material é extremamente baixa, valor médio de 3,1 m2/h,
provocada principalmente pela dureza do material, pela baixa taxa de ocupação do tear e por apresentar uma das cinco serradas
(V4) de chapas de 30 mm, corroborando
para diminuição da produtividade das serradas analisadas para o Verde Fuji. O
tempo efetivo de corte médio das serradas foi de 126,7 horas.
Tabela 8 – Resultados do
consumo dos principais Insumos no desdobramento do granito Verde Fuji (V),
classificados com grau de dureza 5 (Referência IKK).
|
Granito |
granalha |
lâmina |
energia |
|
|
kg/m² |
kg/m² |
kWh/m² |
|
V1 |
4,6 |
1,4 |
19,2 |
|
V2 |
4,2 |
1,2 |
18,0 |
|
V3 |
4,2 |
1,5 |
19,0 |
|
V4 |
4,7 |
1,9 |
17,5 |
|
V5 |
4,9 |
1,7 |
19,4 |
|
SOMA |
22,5 |
7,6 |
93,2 |
|
MÉDIA |
4,5 |
1,5 |
18,6 |
|
DESV. PADRÃO |
0,3 |
0,3 |
0,8 |
A Tabela 8 mostra a
paridade do consumo dos principais insumos no desdobramento de granito duro,
onde os desvios padrões dos valores são baixos, de 0,3; 0,3 e 0,8 para
granalha, lâmina e energia elétrica, respectivamente. A granalha apresentou o valor médio de 4,5 kg/m2,
caracterizando esse granito como sendo o mais duro dentro de escala de dureza
de referência adotada nesse trabalho (IKK granalha). O consumo médio de lâmina foi de 1,5 kg/m2 . A energia elétrica mostra que o valor mínimo de 17,5 kWh/m2
é próximo ao valor máximo obtido no
granito de dureza 4 (Branco Jabre) , que foi de
17,8 kWh/m2 , tendo ainda, o Verde Fuji apresentado valor médio de 18,6
kWh/m2 e máximo de 19,4 kWh/m2 .
As Tabelas 9 e 10 apresentam os dados comparativos de
consumos dos principais insumos utilizados no desdobramento de granitos, bem
como, o indicador de desempenho da produtividade, analisado nesse trabalho, que
foi a velocidade de corte (PPT), relacionando-os com diferentes granitos do
Nordeste, quanto à dureza desses.
Tabela
9 – Comparação dos consumos de insumos
e da velocidade de corte dos granitos de diferente grau de dureza.
|
Granito - |
Granalha |
lâmina |
Energia |
PPT |
|
Dureza |
kg/m² |
kg/m² |
Kwh/m² |
m² /h |
|
Branco Floral – 2 |
1,2 |
0,7 |
10,5 |
6,3 |
|
Bordeaux -3 |
2,5 |
0,8 |
13,6 |
4,2 |
|
Branco Jabre – 4 |
3,2 |
1,2 |
14,2 |
4,1 |
|
Verde Fuji – 5 |
4,5 |
1,5 |
18,6 |
3,1 |
A
Tabela 9 apresentam os valores médios
do consumo de granalha, lâmina e energia elétrica e do indicador de
desempenho da produtividade, que foi a PPT.
Tabela 10 – Resultados
percentuais da variação dos consumos de insumos e da velocidade de corte dos
granitos de diferente grau de dureza.
|
Relação de dureza |
granalha |
lâmina |
Energia |
PPT |
|
kg/m² |
kg/m² |
KWh/m² |
m² /h |
|
|
2 x 3 |
108% |
14% |
30% |
-33% |
|
3 x 4 |
28% |
50% |
4% |
-2% |
|
4 x 5 |
41% |
25% |
31% |
-24% |
|
2 x 4 |
167% |
71% |
35% |
-35% |
|
2 x 5 |
275% |
114% |
77% |
-51% |
|
3 x 5 |
80% |
88% |
37% |
-26% |
Legenda: 2 – Floral,
3 – Bordeaux,
4 – Jabre,
5 – Verde Fuji.
A Tabela 10 mostra os percentuais de aumento do consumo de
insumos em relação à dureza do granito, bem como o comportamento do indicador
de produtividade (PPT) nos quatro tipos de material serrado. Observando o
percentual de incremento dos insumos, verifica-se que a granalha é a que mais
aumenta, com a mudança de dureza, exceto na relação entre o Bordeaux e Branco Jabre (3 x 4), onde o maior incremento é da lâmina
(50%), contra 28% da granalha.
É importante observa que provavelmente existe uma relação
indireta entre o consumo de granalha e lâmina, ou seja, quanto maior o consumo
de granalha, menor o consumo de lâmina, sendo o inverso também verdadeiro. Essa
afirmação pode ser demonstrada pelo comportamento dos percentuais entre o
granito de dureza 2 x 3 – 108% e 14% e 3 x 4 – 28% e 50%, de granalha x lâmina,
respectivamente. Por outro lado, verifica-se uma aproximação no aumento
percentual na serradas do granito de dureza 4 x 5, demonstrando um equilíbrio
no percentual de aumento da granalha x lâmina, 41% e 25%, respectivamente. A
energia elétrica apresenta um aumento percentual em torno de 30%, no aumento
gradual da dureza do granito, exceto do 3 x 4 (Bordeaux x Branco Jabre), que
foi de apenas 4%.
Comparando-se os resultados da PPT podemos analisar o
desempenho do indicador de produtividade com perdas significativas, devido o
aumento da dureza do material, com percentuais
de 24% para granito de dureza 2 x 3, e com mais de 50% do granito 2 x 5.
A perda de 2% percentual, que é quase desprezível, entre o granito de dureza 3
x 4, provavelmente ocorreu devido os
valores absolutos do consumo dos insumos serem
próximos, especialmente o de granalha, praticamente classificando-os
como de dureza 3 (ver tabela 9). Além disso, o Bordeaux (dureza 3), teria maior
velocidade de corte, caso as serradas analisadas tivessem sido de chapas de 20
mm, conseqüentemente, aumentando a área comercial e também a PPT.
Discussão
Observando os resultados das cinco serradas para cada tipo
de granito, podemos concluir que o gerenciamento do processo produtivo
possibilita o controle de consumo de granalha, lâmina e energia com certa
eficiência. A seguir faremos comentários a respeito das variáveis que
influenciam no desempenho da produtividade das serradas:
Observando as Tabelas 2, 4, 6 e 8, do granito Branco Floral,
Bordeaux, Branco Jabre e Verde Fuji, respectivamente, temos que o consumo de granalha e lâmina para cada tipo de
granito sofrem pouca variação, com
desvio padrão em torno de 0,3 e 0,1, respectivamente. A energia elétrica
mostrou ser o insumo de maior dificuldade no controle durante o processo
produtivo, com discrepância consideráveis, apresentando desvio padrão entre 0,8
e 3,1. A qualidade e quantidade dos
insumos supracitados são adequadas e apresentam inspeções e controle
satisfatório para análise de produtividade.
Nas várias serrarias com teares existem percepções distintas
do grau de dureza da rocha, o que corrobora para esconder a ineficiência de uma
empresa, pois, é comum ouvir no jargão nessa atividade industrial, a seguinte
afirmativa: “os custos de produção e o consumo dos insumos elevados são por
culpa do material, que é muito duro.” A dureza dos granitos analisada foi bem
caracterizada, apresentando resultados de desempenho e controle de processo dentro
das expectativas.
É importante observar que a qualidade dos recursos humanos
não influenciou no comportamento dos resultados, pois não sofreu mudanças
durante as serradas, levando-se em conta que os recursos humanos foi o mesmo
durante o período analisado e que são preparados e treinando na realização das
suas atividades.
A taxa de ocupação dos teares para os quatro granitos
analisados foi de 56,9% , 57,9% , 62,2% e 56,2%, para o Branco Floral,
Bordeaux, Branco Jabre e Verde Fuji, respectivamente. Isso demonstra que a
empresa, juntamente com os seus fornecedores de blocos, necessita de um melhor
planejamento na aquisição de blocos das jazidas, buscando otimizar a capacidade
volumétrica dos teares, levando os valores da taxa de ocupação acima de 70%, que
é considerado satisfatório (CETEMAG, 1995)
As variáveis que influenciam na produtividade que não foram
comentadas acima, como o nível tecnológico dos equipamentos, o sistema de
alimentação dos teares, o controle da lama abrasiva, nível de automação dos teares
não interferem na análise de produtividade da FUJI s/A, pois essa já apresenta
tecnologia de processo adequado para obtenção de resultados satisfatórios de
produtividade, totalmente competitivo para participação no mercado das
indústrias de desdobramento de granitos.
CONCLUSÕES
Com base nos resultados, pode-se concluir que o processo
produtivo de desdobramento de rochas ornamentais é influenciado pela dureza do
material, em função da elevada variação no consumo dos principais insumos
(granalha, lâmina e energia elétrica), caracterizando-se claramente a
correlação entre a dureza do granito e o consumo dos insumos, ou seja, quanto
mais duro o granito maior o consumo dos insumos. Contudo, é importante avaliar
o controle de processo, visando otimizar custos e a produtividade das serradas,
pois dessa forma, é que se justifica a busca constante do aperfeiçoamento dos
processos produtivos.
A dureza do granito também interfere decisivamente no custo
da serrada e na produtividade, este foi analisado nesse trabalho pelo indicador
de desempenho da velocidade de corte (PPT), onde se deve considerar e mencionar no seu resultado a
espessura das chapas serradas, pois interfere na quantidade de m2
serrados. A espessura das chapas obtidas no desdobramento é importante dado
para se comparar à velocidade de corte, pois caso não se tenha essa informação,
o resultado da PPT não é significativo, comprometendo a eficácia do indicador
de desempenho da produtividade.
BIBLIOGRAFIA
BEZERRA,
F. D. Competitividade
industrial: estudo da performance competitiva do setor graniteiro do Ceará no
Mercado Brasileiro. João Pessoa,PB., 2000. 162p. Tese Doutorado em
Engenharia de Produção, Centro de Tecnologia da Universidade Federal da
Paraíba.
CHIODI FILHO, C. The
dimension of stone in Brazil. 2001.12p.
Baseado no Relatório “Brazilian Dimension Stones in the 21st
Century”, preparado pela Associação Brasileira da Indústria de Rochas
Ornamentais -ABIROCHAS/CAMEX.
CETEMAG, Relatório de
assessoria técnica. Cachoeiro de Itapemirim, ES, 1995.
COUTINHO,
L ., FERRAZ, J. C. (Coord.). Estudo
competitividade da indústria brasileira. 3 ed. Campinas:Papirus, SP, 1995,
510p.
SALLES,
E. , PARIS, A. H. LOUZADA, PARIS, D. L. L.,
Análise e avaliação da produtividade relacionada com a taxa de ocupação do tear. Vitória, ES,
Universidade Federal do Espírito Santo, 1996, 47p. Monografia, Especialização
em Tecnologia de Aproveitamento e Valorização de Rochas Ornamentais.