PROCESSOS DE ASSENTAMENTO DE
ROCHAS ORNAMENTAIS COMO REVESTIMENTOS
Eleana Patta Flain
Engª Civil,
MSc, Chefe do Departamento de Técnicas de Arquitetura da Faculdade de
Arquitetura da Universidade Mackenzie; Profª dessa Faculdade; Profª Elegida do
Instituto Tecnológico da Aeronáutica – Dep. de Infra-estrutura Aeronáutica
Rua Itambé,
45 – Higienópolis – 01239-902 – São Paulo – SP
Fone: (11)
236-8392 - Fax: (11) 236-8435
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RESUMO
Neste trabalho, são descritos os processos de assentamento
das placas pétreas em fachadas de edifícios de múltiplos pavimentos adotados no
País. Tais processos são: com argamassa convencional, chamado de processo tradicional e com componentes
metálicos, chamado de processo
racionalizado. Mostram-se alguns aspectos relevantes sobre a elaboração de
projetos desses revestimentos. Finalmente, são feitas algumas considerações
acerca dos revestimentos pétreos aqui tratados.
INTRODUÇÃO
Os revestimentos com placas de rocha são cada dia mais
utilizados no País, principalmente, em fachadas de edifícios residenciais e ou
comerciais. A grande utilização desse tipo de revestimento deve-se, entre
muitos fatores, a maior durabilidade, quando comparados com os revestimentos de
argamassas, por exemplo, e ao efeito estético que proporcionam ao conjunto.
Buscando-se contribuir para o desenvolvimento dos
revestimentos com placas pétreas é que neste trabalho procura-se salientar
alguns aspectos relevantes do processo de produção dos revestimentos de
fachadas de edifícios com placas pétreas, ressaltar a importância da adoção de
inovações tecnológicas e da implantação da racionalização nos métodos
construtivos destes revestimentos. Procurando-se obter finalmente níveis de
qualidade e desempenho satisfatórios para esses revestimentos.
CARACTERIZAÇÃO
DOS PROCESSOS DE EXECUÇÃO DE REVESTIMENTOS PÉTREOS
A fixação da camada de acabamento com placas de pedra nas
fachadas de edifícios pode se dar de duas maneiras básicas: por colagem (adesão
físico-química ou aderência mecânica) com ou sem ancoragem de segurança
(grampos[1])
e por ancoragem mecânica. Na primeira utiliza-se argamassa convencional,
argamassas colantes ou colas especiais, e na segunda, componentes metálicos. Atualmente,
no Brasil, as
técnicas mais utilizadas para a
fixação dos revestimentos pétreos em vedações verticais exteriores, são por
colagem, com ou sem grampos, utilizando argamassa convencional (processo
tradicional), e por ancoragem mecânica com auxílio de dispositivos de fixação
(processo racionalizado).
Processo
tradicional
No Brasil é, ainda hoje, um processo de execução muito
utilizado, principalmente nas regiões mais afastadas dos grandes centros, onde
há maior dificuldade de obtenção de novos materiais e mão-de-obra
especializada. Estendendo este conceito aos revestimentos pétreos, FLAIN
(1995), conceitua o revestimento modular convencional como método tradicional de assentamento de revestimentos que consiste do
assentamento dos componentes empregando-se argamassa convencional. O sistema de
fixação com argamassa convencional, chamado por FLAIN (1995) de sistema de
fixação por colagem, constitui-se do suporte, de uma tela previamente fixada a
este, da camada de fixação e da camada de acabamento (placas de pedra e
juntas). O suporte é responsável pela sustentação das camadas subseqüentes, a
tela, segundo BS 5262 (BSI, 1976), tem por função proporcionar maior aderência
entre a camada de fixação e o suporte, bem como servir de ancoragem para as
placas de pedra que posteriormente serão amarradas à mesma. A camada de
fixação, por sua vez, é responsável pela ligação da camada de acabamento ao
suporte, proporcionando a aderência do conjunto. A última camada é a de
acabamento, que constitui o próprio revestimento.
Processo
racionalizado
Processos racionalizados segundo FOSTER (1973) apud
SABBATINI (1989), são processos nos quais as técnicas organizacionais
utilizadas nas indústrias manufatureiras são empregadas na construção, sem que
disto resultem mudanças radicais nos métodos de produção. Segundo TARALLI
(1984) apud SABBATINI (1989), incorporam princípios de planejamento e controle
tendo como objetivo: eliminar desperdícios de mão-de-obra e materiais; aumentar
a produtividade; planejar o fluxo de produção e centralizar e programar as
decisões.
Segundo FLAIN (1995), a aplicação de componentes cerâmicos
com adesivos (cola ou argamassa colante) é um processo racionalizado por
significar um avanço na tecnologia de produção dos revestimentos.
Fundamenta-se, principalmente, no fato de dissociar os serviços de produção, ou
seja, separar a execução da camada de regularização da de fixação. Da mesma
forma, pode-se considerar como sendo um processo racionalizado o assentamento
de placas de pedra com argamassas colantes ou colas. As argamassas colantes
especiais para assentamento de placas pétreas estão em fase inicial de
utilização no país, pois as mesmas ficaram disponíveis recentemente no mercado
nacional o que faz com que até o presente momento, essas argamassas tenham sido
utilizadas, no Brasil, em apenas uma fachada (3.000 m2
aproximadamente), localizada na cidade de Curitiba, estado do Paraná.
Tomando-se o conceito formulado pelos autores citados,
pode-se considerar o assentamento das placas de pedra, através de componentes
metálicos, como sendo também um processo racionalizado. Pois, quando da
utilização de componentes metálicos, a fixação dos mesmos dá-se no momento do
assentamento das placas, sendo que a camada de regularização, quando existente,
foi previamente executada. Também pode ser considerado racionalizado pelo fato
da utilização de componentes metálicos, fabricados fora do canteiro de obra e
previamente definidos em projeto aumentar o nível de organização do processo.
Acredita-se que pode-se obter através da racionalização dos
processos construtivos e da adoção de inovações tecnológicas, associadas a
consolidação nos canteiros de obras, uma maior qualidade, desempenho e
produtividade, e menores desperdícios de materiais e mão-de-obra.
CONSIDERAÇÃO SOBRE A ELABORAÇÃO DE PROJETO
FLAIN e CAVANI (1994) recomendam que para se chegar a etapa
final da fase de projeto, que é a do desenvolvimento propriamente dito, os
profissionais (arquiteto ou projetista) envolvidos com a elaboração do mesmo,
considerem todos os fatores importantes, principalmente no que diz respeito a
qualidade, ao desempenho e ao custo do produto final. Aliado a isso, é
necessário o conhecimento de parâmetros, que poderão interferir de forma direta
ou indiretamente no resultado final do projeto.
É importante enfatizar que, além de um projeto bem
elaborado, torna-se imprescindível o acompanhamento da execução dos serviços,
por parte dos projetistas, e o treinamento da mão-de-obra para a obtenção de um
produto final com qualidade e menor custo. (FLAIN, 1995). A seguir faz-se uma
abordagem de alguns destes parâmetros para o projeto de revestimento de
fachadas com placas de pedra descritos por FLAIN e CAVANI.
Solicitações
de projeto
As solicitações a que as placas de rocha, assim como seus
componentes de fixação estarão sujeitos durante a obra e a vida útil do
revestimento são as seguintes:
a)
cargas paralelas ao plano das placas;
- peso próprio das placas;
- peso próprio de
eventual camada de
isolamento térmico.
b)
cargas perpendiculares ao plano da placa;
- ação do vento;
- impactos acidentais.
c) solicitações devidas ao
movimento relativo do suporte e do revestimento:
- deformações devidas a variações
higrotérmicas;
- deformações permanentes devidas à
retração e à deformação lenta do
concreto.
Peso próprio
Em ambos os processos de assentamento das placas, com
componentes metálicos ou com argamassa, o peso próprio das placas é relevante
pois, no primeiro definirá as cargas verticais que atuarão nos componentes
metálicos de fixação, sendo um dado para seu dimensionamento, e no segundo vai
solicitar menos ou mais a camada de fixação, neste caso, necessitando de maior
aderência ao suporte quanto maior for o peso próprio por unidade de área.
Choques
As placas de rocha, principalmente aquelas situadas em
níveis mais baixos estão mais sujeitas aos choques acidentais.
Quando
da execução do revestimento em grandes alturas, o balancim utilizado poderá
provocar choques nas placas.
Deformações térmicas
Para os revestimentos exteriores, no cálculo das deformações
relativas entre o suporte e a camada de revestimento, devidas à dilatação térmica diferencial, deve-se
considerar a diferença de temperatura que poderá ocorrer, entre a superfície do
revestimento (levando-se em consideração a sua cor) e a camada de fixação.
Efeitos da umidade e chuva
As pedras normalmente utilizadas como revestimento de
fachadas apresentam maior ou menor porosidade. Certas pedras absorvem
praticamente pouca água enquanto outras podem absorver até 20% de sua massa.
A rapidez com que as construções atualmente são executadas
explica a grande quantidade de umidade residual no interior das vedações
verticais, que evaporam normalmente pouco a pouco para o exterior. Somando ainda
a este fato, há a ocupação das edificações e o aquecimento dos locais o que
gera uma abundante quantidade de vapor d'água que migra parcialmente para o
exterior. A água pode ainda penetrar através das vedações verticais exteriores
por capilaridade.
Recomenda-se deixar aberturas na camada de revestimento, em
locais por onde não ocorra a penetração de água de chuva ou de lavagem, para
permitir a evaporação da água que eventualmente tenha penetrado entre o suporte
e a camada de revestimento. Quando o revestimento apresenta-se aderido ao
substrato a água existente nas camadas do revestimento ao percolar pode carrear
os sais solúveis da argamassa até a superfície do revestimento provocando o
aparecimento de eflorescência.
Ação do vento
Os esforços devido ao vento devem ser calculados de acordo
com a NBR 6123.
Retração e deformação lenta da
estrutura
Devem ser consideradas as deformações causadas pela retração
da estrutura e da alvenaria e a deformação lenta do concreto, passíveis de
ocorrerem após a execução do revestimento. Para evitar patologias posteriores
no revestimento, recomenda-se que se aguarde o maior intervalo de tempo
possível entre a execução do suporte e as camadas subseqüentes, de maneira que
as deformações iniciais dos mesmos não venham solicitar o revestimento.
Aspectos a
serem considerados no dimensionamento
O
dimensionamento das placas de rocha restringe-se a determinação de sua
espessura em função de suas dimensões (comprimento e largura), das
características mecânicas da rocha, do sistema de fixação a ser empregado e das
cargas atuantes. A determinação da espessura das placas pode também ser feita
através de ensaios do conjunto placa componentes metálicos de fixação. Os
componentes metálicos de fixação devem ser projetados de forma que resistam aos
esforços a que serão submetidos e permitam a livre movimentação das placas.
As
juntas que compõem o revestimento podem ser: entre componentes, de movimentação
ou construtivas e estruturais. As juntas tem funções de acabamento estético, de
estanqueidade e de absorver as deformações passíveis de ocorrerem no
revestimento. O acabamento estético é exigido principalmente quanto a
horizontalidade, verticalidade e uniformidade de espessura das juntas. As
juntas entre componentes devem ter dimensões suficientes para absorver as
movimentações diferenciais das camadas constituinte do revestimento.
Para
que as juntas de movimentação exerçam suas funções e apresentem o desempenho
esperado é necessário primeiramente que sejam devidamente projetadas (dimensionadas),
sendo que devem ser consideradas, para o dimensionamento, as diversas
solicitações a que as camadas do revestimento estarão sujeitas durante a vida
útil do mesmo, bem como as características dos materiais utilizados nessas
camadas.
Deverão
ser previstas ainda juntas nos encontros de materiais distintos e em elementos
que se projetem para além do plano do revestimento. As juntas estruturais
quando previstas devem ser respeitadas em posição e largura no revestimento.
Os
materiais utilizados para acabamento das juntas são os selantes e as
argamassas. Recomenda-se a utilização das argamassas para o rejuntamento das
juntas entre componentes quando a camada de revestimento não estiver sujeita a
ação de solicitações de grande intensidade, como por exemplo, nos revestimentos
interiores. Quando para a fixação das placas utilizar-se argamassa convencional
o rejuntamento das juntas entre os componentes poderá ser feito com nata de
cimento ou com selante. Para melhorar à estanqueidade e a estética do rejuntamento
pode-se rejuntar com argamassa de cimento e areia fina no traço 1:1 (em
volume), com eventual adição de corante.
Para as
juntas entre placas, quando fixadas com componentes metálicos, as mesmas devem
ser rejuntadas com selantes.
Para o
exterior, independente do processo de assentamento utilizado, recomenda-se os
selantes, para o rejuntamento das juntas entre componentes e de movimentação,
devido, principalmente, as suas características de deformabilidade. Quando do
emprego de selantes no rejuntamento das juntas de movimentação, o fator de
forma (proporção largura/profundidade) deve estar compreendido entre 2 e 1,
conforme recomendações do fabricante do selante. Deve-se prever a utilização de
material de enchimento quando for necessário adaptar o perfil das juntas às
dimensões ideais do cordão de selante.
Escolha dos
materiais
A
escolha dos materiais mais adequados para o revestimento das vedações verticais
deve estar ligada, principalmente, às características dos mesmos
considerando-se a sua utilização, no caso da pedra, se exterior ou interior.
Características
das rochas
Nas
obras de vulto, previamente ao projeto, é importante que seja efetuada uma
pesquisa da jazida para verificar a capacidade de fornecimento da mesma
levando-se em consideração o atendimento ao cronograma da obra e a
homogeneidade litológica e estética da rocha.
Na
escolha da rocha o projetista deve considerar além dos aspectos estéticos, os
seguintes:
a) as características petrográficas que eventualmente possam
influir na durabilidade da rocha, tais como: estado microfissural e presença de
materiais deletérios e alterados;
b) as propriedades físico-mecânicas da rocha, determinadas
de acordo com as normas NBR 12.763, NBR 12.764 e NBR 12.767;
c) a porosidade e a absorção da água, determinadas de acordo
com a NBR 12.766;
d) a viabilidade da rocha ser submetida aos processos de
beneficiamento necessários à obtenção dos efeitos desejados (superfície polida,
serrada, apicoada, flamejada, etc.)
e) as alterações na aparência a que as placas estão sujeitas
quando:
· submetidas à lavagens e à ação de produtos químicos de
qualquer natureza (produtos de limpeza e outros);
· expostas às intempéries, no caso de revestimentos
exteriores, no tocante, principalmente, à poluição atmosférica e a morfologia
da fachada, de modo a garantir que as águas das chuvas proporcionem uma lavagem
uniforme;
· assentadas com argamassa.
Características
dos componentes metálicos para a fixação
Os
componentes metálicos de fixação devem ser constituídos de metais inalteráveis,
isto é, que não sofram degradação devido ao ataque de substâncias existentes na
atmosfera, em forma de gás ou vapor, dissolvidos na água da chuva ou na água de
limpeza. Os principais metais que poderão ser utilizados para os componentes metálicos
de fixação, são: aço inoxidável; cobre e suas ligas e alumínio, com as
seguintes características.
a) Aço inoxidável:
· Tipo ABNT 302 - apesar de não ser recomendado por algumas
normas, ele é utilizado principalmente pelo seu baixo custo. Acredita-se que a
sua utilização deva ser restrita a ambientes interiores, pois apresenta uma
maior quantidade de carbono, e este elemento diminui sua resistência aos
agentes agressivos.
· Tipo ABNT 304 - para atmosferas urbanas e industriais
isentas de cloretos;
· Tipo ABNT 316 - para atmosferas urbanas, marítimas e
industriais que contenham cloretos;
b) Cobre e suas ligas:
O cobre
e suas ligas possuem excelente resistência à corrosão atmosférica, bem como uma
boa resistência à ação química provocada pelas argamassas. Mas, sua resistência
mecânica depende essencialmente de suas ligas e do tratamento que recebe
durante a sua fabricação.
· Cobre - recomendado para uso somente em grampos e não deve
ser utilizado em ambientes que contenham H2S (gás sulfídrico) e
amônia.
O cobre,
quando carreado pela água da chuva, poderá provocar manchas de cor verde
(azinhavre ou zinabre) na superfície da rocha; este é um dos motivos, para a
sua não utilização em componentes metálicos, além de sua baixa resistência
mecânica.
· Latão - é uma liga de cobre e zinco que deve ser usada
somente com teor de Zn inferior a 15%, pois quando em maiores quantidades estão
sujeitas a dezincificação (perda de zinco) e, como conseqüência, há uma
diminuição de resistência mecânica.
· Bronze alumínio - recomendado para atmosferas marítimas.
c) Alumínio - apresenta boa resistência quanto a corrosão,
no entanto sua utilização é limitada devido principalmente ao seu alto custo.
Em atmosferas marítimas e industriais devem ser utilizadas as ligas 653-T6,
6061-T6 ou equivalente.
Na elaboração do projeto dos componentes metálicos para a
fixação das placas é importante a observação dos metais a serem utilizados,
pois deve-se escolher metais que sejam compatíveis entre si, de modo a evitar a
corrosão galvânica.
Características
da argamassa de assentamento
A
argamassa a ser empregada na fixação das placas de rocha deve ser de cimento e
areia média no traço 1:3 (em volume), podendo ser utilizados aditivos
plastificantes ou super-plastificantes, a fim de obter-se argamassa de
consistência fluída.
Características
dos selantes
Os
selantes devem:
a) ser resistentes
aos agentes atmosféricos;
b) apresentarem boa aderência aos materiais nos quais são
aplicados;
c) ser estanques ao ar e à água e não causar manchas ou
alterações nos materiais aos quais são aplicados;
d) ser inertes em presença de substâncias químicas
normalmente encontradas nos edifícios (alcalinidade das argamassas e produtos
de limpeza);
e) ter elasticidade suficiente e mantê-la ao longo do tempo.
Elementos de
projeto
O
projeto de revestimento de vedações verticais com placas de rocha deve ser
constituído pelos seguintes elementos:
a) vista frontal dos suportes a serem revestidos com a
distribuição (paginação) das placas e a posição dos componentes de fixação, em
escala adequada;
b) detalhes construtivos dos encaixes, ranhuras e furos das
placas, componentes metálicos, juntas de dilatação, fixações ao suporte, entre
outros;
c) memorial descritivo com especificações dos materiais e
serviços, apresentando inclusive a tolerância máxima permitida para os desvios
de prumo e planeza do revestimento com placas de rocha e as exigidas para os
suportes.
Deverá
constar do memorial descritivo, ainda, um roteiro e a periodicidade para a
realização das inspeções, que deverá abranger os seguintes aspectos:
a) estado dos selantes (continuidade, adesão às superfícies
das juntas, coesão e presença de fissuras);
b) existência de corrosão dos componentes metálicos de
fixação;
c) indícios de falta de aderência (som cavo ao serem percutidas)
das placas fixadas com argamassa;
c) eventual deslocamento das placas, entre outros aspectos
relevantes para o revestimento.
ASPECTOS RELEVANTES NO PROCESSO
DE ASSENTAMENTO DO REVESTIMENTO
A
mão-de-obra utilizada na execução tem, assim como os materiais empregados e o
projeto, importância decisiva no desempenho e durabilidade do revestimento.
Para
minimizar os desperdícios e evitar os problemas patológicos é necessário o
treinamento de equipes, o que é possível a partir da definição clara dos
procedimentos de execução do assentamento das placas de rocha considerando-se
os processos ainda hoje utilizados.
Fixação com componentes metálicos
Preparo do suporte
É comumente utilizada, quando da execução de revestimentos
com placas de rocha fixados com componentes metálicos, a impermeabilização das
estruturas de concreto armado, com duas demãos de tinta betuminosa. Para as
vedações verticais executadas com componentes de alvenaria, como por exemplo
blocos de concreto ou cerâmicos, recomenda-se executar um revestimento de
argamassa do tipo emboço e impermeabilizar como nas estruturas de concreto.
Observar que, em se suprimindo a camada de emboço, somente a impermeabilização
não garantirá a estanqueidade das vedações verticais.
Execução do
revestimento
Os
componentes metálicos são fixados ao suporte por meio de chumbadores de
preferência de aço inoxidável. Os furos para a fixação dos chumbadores são
feitos com auxílio de uma furadeira de impacto com broca de vídea. Durante a
execução dos furos, deve-se estar atento para detectar se este não coincidiu
com algum furo de travamento das fôrmas ou com eventual falha de concretagem,
pois nestas condições, pode haver comprometimento da fixação. Recomenda-se que
seja retirado do interior dos furos os resíduos, provenientes da furação, antes
da colocação do chumbador.
A posição dos chumbadores deverá ser sempre, perpendicular
ao suporte. Para a colocação dos parafusos recomenda-se a utilização de um
rosqueador. E para o ajuste e a verificação do aperto, a utilização de um
torquímetro. Recomenda-se, que quando houverem dúvidas das cargas (condições
desfavoráveis do suporte) que suportarão os parafusos, sejam solicitados
ensaios para a verificação dessas cargas.
Os componentes de fixação poderão eventualmente, ser
incorporados à estrutura de concreto. Nesse caso, quando da concretagem da
estrutura os mesmos já deverão estar colocados na posição definida em projeto.
A precisão no posicionamento desses componentes deve ser garantida, pois após o
endurecimento do concreto haverá muita dificuldade em mudá-lo de posição ou
mesmo retirá-los do local.
Após o posicionamento dos componentes metálicos os maiores
cuidados deverão ser tomados no momento da concretagem, para que durante o
adensamento do concreto o vibrador não altere a posição dos mesmos. O seu mau
posicionamento traria dificuldades na posterior colocação das placas de rocha.
Devido principalmente aos cuidados necessários no posicionamento desses
componentes é que este procedimento está sendo deixado de lado e estão sendo
cada vez mais utilizados os chumbadores (parafusos de expansão) para a fixação
dos componentes metálicos ao substrato.
Posicionados os componentes tipo sustentadores, as placas de
rocha são instaladas, estando os seus rasgos inferiores, preenchidos com
selante. Para a colocação do selante nos rasgos das placas as mesmas deverão
estar secas. A seguir são instalados os componentes tipo retentores,
ajustando-se a posição da placa e preenchendo-se previamente os rasgos
superiores das placas com selante. Neste caso a função do selante é evitar a
penetração de água proveniente da chuva ou da limpeza do revestimento nos furos
e ranhuras das placas.
Quando do interrompimento do assentamento, recomenda-se
fazer uma proteção com uma manta plástica fixada no suporte com grampos
metálicos e fita adesiva. É recomendada essa proteção sempre que a próxima
fiada não for ser executada no mesmo dia ou quando houver possibilidade de
chuvas. Essa proteção deverá envolver a borda da placa e sua função é evitar a
entrada de água nos furos e rasgos das placas, assim como a penetração de água
entre o suporte e a camada de acabamento. Quando do uso de camada de isolamento
essa proteção tem uma importância bem maior.
Execução das juntas
Entre componentes
Antes do rejuntamento recomenda-se que sejam retirados do
interior das juntas qualquer material que possam prejudicar a aderência do
selante ou sua continuidade, favorecendo posteriormente à infiltração de água
para o interior do revestimento. Após esse serviço recomenda-se que as juntas
sejam devidamente limpas, com pano ou estopa embebido em um solvente do tipo
isopropanol. Recomenda-se a aplicação de um primer às faces laterais das juntas
de maneira que melhore a aderência do selante. O selante deve ser aplicado
antes da secagem completa do primer.
Deve-se tomar cuidado para que o selante e ou primer não
manchem as placas de rocha. Para isso recomenda-se a colocação, antes do
rejuntamento, de fita crepe faceando as juntas para evitar o contato do selante
e ou primer com a superfície das placas. Após a aplicação do selante limpar, as
bordas das juntas, cuidadosamente, para a retirada dos excessos do mesmo. A
limpeza dos excessos deverá ser feita também com um solvente do tipo
isopropanol.
Construtivas ou de movimentação
Após a limpeza o fundo de junta deverá ser colocado sob
pressão, de tal forma que fique adequadamente posicionado.
Para o posicionamento adequado do fundo da junta
recomenda-se a utilização de um componente com largura suficiente para a penetração
na junta e que pressionará o cordão até a profundidade desejada.
Para um melhor acabamento da junta, após a colocação do
selante com a bisnaga, o operário poderá alisar a superfície da junta com o
próprio dedo, de preferência com luva de borracha.
Assentamento com argamassa
Preparação do suporte
Quando do assentamento das placas de rocha com argamassa a
camada de fixação deverá ser aplicada sobre suportes isentos de partículas
soltas, até mesmo de resíduos de argamassa, provenientes de outras atividades.
Quanto à textura do suporte, este deverá ser do tipo áspero.
Para alvenarias recomenda-se que estas recebam uma camada de chapisco no traço
1:3 (em volume), cimento e areia grossa. Quando o suporte for de concreto
recomenda-se o apicoamento da superfície ou aplicação de uma camada de
argamassa colante espalhada com desempenadeira de aço dentada.
Ainda como parte da preparação do suporte, utiliza-se uma
tela aço galvanizada soldada (# 15x15 cm), fixada ao suporte com chumbadores
também em aço galvanizado. A posição dessa tela deverá ser o mais próximo do
suporte. A posição dos chumbadores, deverá formar uma malha quadrada, com
dimensão de 50 x 50 cm. A tela deverá ficar posicionada entre o parafuso e duas
arruelas, de preferência do mesmo material.
Assentamento das placas
Com base nos eixos de referência já marcados sobre as
superfícies a serem revestidas, as placas são posicionadas com um afastamento
do suporte de aproximadamente 4 cm para o preenchimento com a argamassa fluida.
Os arames presos ao dorso das placas devem ser fixados à tela e as placas devem
ser calçadas de forma que não saiam de suas posições durante o preenchimento
com a argamassa. Uma maneira de fazer com que a placa de rocha fique na posição
após o posicionamento é utilizando barras de ferro apoiadas na parte superior
da placa e fixadas ao suporte com uma pasta de gesso.
Antes da colocação da argamassa de assentamento, entre a
placa de pedra e o suporte, recomenda-se que nas extremidades das fiadas sejam
colocados papel e uma pasta de gesso, para evitar a saída da argamassa.
A argamassa de assentamento deverá ser colocada em camadas
de aproximadamente 20 cm, a fim de se evitar esforços consideráveis que possam
provocar o desprendimento das mesmas. Recomenda-se esperar a pega do cimento da
argamassa, para que se execute a camada subseqüente até atingir a meia altura
da placa. Após atingida essa altura pode-se completar o preenchimento em uma
única camada.
Para o assentamento das fiadas seguintes, recomenda-se a
colocação de espaçadores (galgas) entre as placas. As galgas têm a função de
definir a junta entre as placas, evitando também que a placa posterior apoie-se
na anterior. Nos encontros, dos vértices das placas, fixá-las com o auxílio de
uma pasta de gesso e meio tijolo maciço. A colocação da argamassa se dará da
mesma forma, que anteriormente descrito, para o assentamento das fiadas
seguintes.
A argamassa é então despejada no espaço entre o substrato e
a placa de tal forma que não flua para a superfície da placa vindo a provocar
manchas. Após a execução de cada camada, deve-se limpar com pano úmido os
eventuais respingos de argamassa que ficaram aderidos à superfície das placas.
Execução das juntas
Antes da execução das juntas deve-se retirar a pasta de
gesso e os tijolos, que auxiliaram no assentamento das placas, tomando-se
cuidados para não prejudicar o lustro da placa.
Quando do uso de nata de cimento para o rejuntamento, após o
assentamento das placas, recomenda-se a limpeza das juntas para a remoção do
excesso de argamassa retida no seu interior. Quando do uso de selante, o
procedimento a ser adotado é o mesmo descrito anteriormente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS E
PERSPECTIVAS PARA A UTILIZAÇÃO DE ROCHAS ORNAMENTAIS COMO REVESTIMENTO
O assentamento das placas de pedra, pelo processo
tradicional, muito utilizado em regiões afastadas, apresenta-se, geralmente,
sem um projeto específico e com controle da produção pouco ou nada eficiente.
Observa-se, nas obras que adotam tal procedimento, um grande desperdício de
materiais e de mão-de-obra, decorrentes, principalmente, da ausência de um
projeto construtivo, de controle da produção e do desconhecimento das técnicas
de produção desse revestimento.
O processo racionalizado (com fixação metálica), já
apresenta um projeto específico, no entanto o controle dos serviços geralmente
se apresenta deficiente.
A autora entende que os aspectos científicos e tecnológicos
são importantes na evolução desses dois processos (racionalizado e
tradicional). Para contribuir na reversão da atual situação dos revestimentos
pétreos de fachadas de edifícios de múltiplos pavimentos, torna-se necessário o
desenvolvimento tecnológico dos processos construtivos utilizados no país.
Acrescendo-se a isso, deve-se também investir em pesquisas, no treinamento da mão-de-obra,
no controle dos serviços e finalmente na implantação, em canteiros de obras,
dos processos e das técnicas desenvolvidas.
O levantamento e a análise das patologias existentes nos revestimentos pétreos de fachadas de edifícios também são importantes para o desenvolvimento do processo de produção destes revestimentos, vindo a contribuir na retroalimentação da etapa de projeto. Além disso, podem, ainda, auxiliar na escolha das rochas mais adequadas, levando à minimização das patologias, como as eflorescências e o destacamento das placas, que afetam, não somente a estética do revestimento, mas também a estabilidade do conjunto.
Considerando-se que o Setor Rochas Ornamentais está há muito
tempo instalado no País e a importância que os revestimentos pétreos
representam para a Construção Civil pode-se afirmar que esses revestimentos
ainda tem baixa utilização comparados, por exemplo aos revestimentos cerâmicos.
A fim de contribuir para o aumento da utilização, para a
valorização das rochas ornamentais disponíveis no mercado brasileiro é que são
apresentadas a seguir algumas perspectivas que poderão contribuir para o
aumento da utilização de revestimentos na Construção Civil.
Há
necessidade de se investir em uma maior divulgação das características e propriedades
das rochas ornamentais para revestimentos já que há uma grande variedade de
rochas ornamentais comercialmente disponíveis no mercado brasileiro passíveis
de serem utilizadas.
Necessidades de maiores investimentos em estudos e pesquisas
já que há Universidades e Institutos de Pesquisas reconhecidos no país que
podem dar apoio técnico e científico para o setor.
Empresas e profissionais altamente capacitados no setor que
podem contribuir para a divulgação e a utilização de rochas ornamentais como revestimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS. Projeto de revestimento de
paredes e estruturas com placas de rocha: procedimento - NBR 13707. São
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formulação e aplicação de uma metodologia. São Paulo, 1989. Tese (Doutorado) -
Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.
[1]Segundo NBR 13707 (ABNT, 1996), são tipos de dispositivos de
fixação compostos por uma única peça fabricada com barra de seção circular ou
retangular, podendo ter uma das extremidades dobrada em L ou em gancho.