1USO/ADEQUAÇÃO E APLICAÇÃO DE ROCHAS ORNAMENTAIS NA CONSTRUÇÃO CIVIL    PARTE 1

 

Irani Clezar Mattos

 

SENAI /CE  e  Pós-Graduação IGCE – UNESP – R. Júlio Pinto, 1873 – Bairro Jacarecanga – 60.035-010 – Fortaleza – CE – E-mail: icmattos@sfiec.org.br

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CONCEITUAÇÃO

 

Rocha é um agregado sólido de minerais com composição e estrutura química definidas, os quais permitem classificá-la em:

§          Rochas Magmáticas: são provenientes diretamente do magma, podem se formar de duas formas: (A) a grandes profundidades sob elevadas pressões e temperaturas. Nestas, os minerais são relativamente grandes, pois tiveram mais tempo para formarem-se e são chamadas rochas plutônicas; e (B) as de superfície, formadas a grandes temperaturas, mas sob baixa pressão. Seus minerais apresentam tamanho reduzido pelo resfriamento rápido e são denominadas rochas vulcânicas.

§          Rochas Sedimentares: são formadas pela desagregação de outras rochas, estes sedimentos sofrem compactação e cimentação, transformando-se, assim, em rocha novamente.

§          Rochas Metamórficas: originam-se pela transformação de outras rochas (vulcânicas, plutônicas ou sedimentares) sob variadas condições de temperatura e de pressão.

 

ROCHAS ORNAMENTAIS

 

São Rochas que possuem determinadas propriedades para serem utilizadas como material para revestimento em diversas aplicações: pisos, paredes, bancadas, pias, balcões, mesas, etc. Para que uma rocha seja considerada ornamental, devem ser obedecidas duas exigências básicas:

§       apresentar beleza estética (ornamental), um padrão contínuo, ou seja devem ser homogêneas (sem manchas ou buracos que ocorram de modo irregular) e

§       possuir características tecnológicas, índices físicos, índices de alterabilidade dentro dos padrões aceitáveis pelas normas técnicas.

 

As Rochas Ornamentais abrangem diversos tipos litológicos que podem ser extraídos em blocos ou placas e utilizados em formas variadas. Seus principais campos de aplicação incluem, principalmente, as edificações da construção civil, com destaque para os revestimentos internos e externos de paredes, pisos colunas, soleiras, arte funerária, entre outros.

 

 

OS TIPOS DE ROCHAS ORNAMENTAIS

Os principais tipos de rochas utilizados como ornamentais são mármores (rochas metamórficas) e granitos (rocha plutônica). Esta classificação que predomina no mercado, é bastante genérica, e nem sempre corresponde à classificação correta da rocha. Atualmente no interior do Brasil, estão sendo explorados outros tipos de rochas, como quartzitos, ardósias (rochas metamórficas de origem sedimentar),  basaltos (rocha vulcânica) e conglomerados (rochas sedimentares).

 

O termo Rocha Ornamental também engloba outros tipos de rochas, conhecidas genericamente no mercado como Pedras Naturais, nas quais estão incluídos: ardósias, quartzitos, arenitos, gnaisses e calcários, utilizados em placas rústicas, in natura não requerendo acabamento superficial para a aplicação em revestimento.

 

A seguir são apresentadas de modo simplificado, as principais características, desses materiais

 

OS GRANITOS

 

Para o setor de rochas ornamentais o termo "granito" designa um amplo conjunto de rochas silicatadas, compostas predominantemente por quartzo e feldspato. Abrangem rochas homogêneas (granitos, sienitos, monzonitos, dioritos, charnoquitos, diabásios, basaltos, gabros, etc.) e as chamadas "movimentadas" (gnaisses e migmatitos), que são produzidas em blocos e utilizadas, principalmente, em placas e/ou ladrilhos polidos.

 

As cores das rochas são fundamentalmente determinadas pelos seus constituintes mineralógicos.

Os minerais formadores dos granitos (lato sensu) são definidos por associações variáveis de quartzo, feldspatos, micas, piroxênios e anfíbólios, com diversos minerais acessórios em proporções reduzidas. O quartzo normalmente é translúcido, incolor ou fumê; os feldspatos conferem a coloração avermelhada, rosada, branca, creme-acinzentada e amarelada nos granitos. A cor negra, variavelmente impregnada na matriz das rochas, é conferida por teores de mica (biotita), piroxênio e anfibólio, principalmente.

 

A resistência à abrasão dos granitos é geralmente proporcional à dureza e quantidade dos seus minerais constituintes. Entre os granitos, a resistência ao desgaste será, normalmente, tanto maior quanto maior for a quantidade de quartzo na rocha.

 

OS MÁRMORES

 

As rochas comercialmente designadas por mármores (lato sensu) englobam as rochas carbonatadas, incluindo calcários, dolomitos e seus correspondentes metamórficos (os mármores, propriamente ditos) que são produzidas em blocos e utilizadas, principalmente, em placas e/ou ladrilhos polidos, São rochas metamorfisadas de origem sedimentar, com pouco ou às vezes, sem nenhum teor de quartzo, o que as tornam mais “macias” em relação aos granitos e consequentemente, sofrem maior desgaste

 

Os calcários são rochas sedimentares compostas principalmente de calcita (carbonato de cálcio), enquanto os dolomitos são rochas também sedimentares formadas sobretudo carbonato de cálcio e magnésio. Os mármores, propriamente ditos, resultam das modificações ocorridas em calcários e dolomitos e relacionadas à variações nas condições de pressão e temperatura, do ambiente geológico de origem - metarnorfismo.

 

Nos mármores, o padrão cromático é definido por minerais acessórios e ou impurezas, pois os constituintes principais (calcita e dolomita) são normalmente brancos. A dureza (resistência ao risco) é sensivelmente menor nos mármores do que nos granitos.

 

Para se distinguir um mármore de um granito, dois procedimentos simples são recomendados: os granitos não são riscados por canivetes, chaves ou pregos, à exemplo dos mármores - e estes mármores reagem ao ataque do ácido clorídrico ou muriático, efervescendo tanto mais intensamente quanto maior o seu teor em calcita.

 

Os travertinos, a exemplo dos calcários, são rochas carbonatadas, geralmente de origem sedimentar, essencialmente calcíticas (carbonato de cálcio) que podem apresentar-se pouco ou não metamorfizados e são definidos pela sua coloração, geralmente bege-amarelada. Apresentam características físicas muito heterogêneas, marcadas por bandamento tabular, cavidades, estruturas alveolares, feições brechóides e freqüentes impurezas argilosas e silicosas. No Brasil os travertinos são comumente referidos como mármores e diversas ocorrências são exploradas em seu território, como é o caso dos depósitos da Formação Caatinga (Mármore Bege Bahia) em Ourolândia - BA e da Formação Jandaíra (Mármore Crema Porto Fino) na Chapada do Apodi - CE, que são produzidos em blocos e utilizados em placas e ou ladrilhos polidos.

 

OS CONGLOMERADOS E OS QUARTZITOS

 

Conglomerados são rochas sedimentares clásticas, compostas de seixos de diferentes cores, tamanhos e composição, dispersos numa massa mais fina (matriz). Tais  constituintes principais, referidos como seixos  e matriz são  compostos dos mais variados tipos de rochas e fragmentos de minerais. Os conglomerados que hoje em dia estão sendo bastante procurados e utilizados como rocha ornamental, geralmente acham-se afetados por processos metamórficos, o que confere maior coesão aos seus constituintes primários e permitem à rocha suportar todo o processo de beneficiamento.

 

Os quartzitos são rochas metamórficas originadas de arenitos (rochas sedimentares), têm uma estrutura mais coesa e resistente que estes últimos e são bastante utilizados em revestimento. São explorados de duas maneiras: na produção de blocos paralelepípedos de dimensões métricas que são transformados em placas e ou ladrilhos; ou obtidos pelo desplacamento da rocha em seus planos preferenciais de foliação ou acamadamento para a produção de placas e ladrilhos rústicos (não polidos), como no caso dos quartzitos flexíveis e finamente bandados.

 

"AS PEDRAS NATURAIS"

 

Esta denominação é empregada pelo mercado para as rochas geralmente utilizadas em placas e ou lajotas não polidas, como: ardósias, arenitos, calcários, gnaisses milonitizados e quartzitos foliados e utilizados in natura. A utilização destas rochas em revestimentos internos e externos só é possível pela facilidade que elas apresentam de separação das placas nos seus planos de fraqueza e foliação.

 

Ardósias são rochas metamórficas de baixo grau, pelíticas que têm a clivagem originada pela orientação planar preferencial de seus minerais placóides. Por causa disto partem-se segundo supefícies notavelmente planas. Compõem-se essencialmente de mica (muscovita-sericita), quartzo e clorita. São homogêneas, apresentam dureza baixa e podem ser encontradas nas cores cinza, preta, roxa e amarronzada.

 

Os arenitos são rochas sedimentares com estruturas estratificadas que podem permitir o desplacamento ao longo de suas camadas (geralmente sobrepostas e paralelas entre si) e conseqüentemente sua utilização em revestimentos. São rochas compostas essencialmente por quartzo geralmente, originadas do acumulo e consolidação de sedimentos de granulação areia: (0,02 a 2,0 mm). Em razão de sua gênese, os arenitos são normalmente porosos e sua composição quartzosa lhes confere alta resistência ao risco e ao desgaste abrasivo

 

Os calcários laminados tipo Pedra do Cariri, são igualmente rochas sedimentares finamente estratificadas e igualmente utilizadas in natura como rochas de revestimento.

 

Os gnaisses milonitizados utilizados em placas são rochas metamórficas com bom desplacamento ao longo dos planos de foliaçâo e direção de milonitização, que são exploradas in natura.

 

Os quartzitos utilizados in natura são rochas metamórficas incipientes, originárias de arenitos que apresentam facilidades de desplacamento ao longo de estruturas acamadadas de origem sedimentar. São utilizadas em placas e lajotas sem polimento, apresentando cores variadas.

As características ornamentais  das rochas são específicas para cada tipo, pois cada tipo possui composição mineralógica diferentes e cada mineral por sua vez, possui composição química e estrutura cristalina particular. Portanto, se cada tipo de rocha for composta por minerais diferentes, sua caracterização e por conseqüência sua utilização deverá ser própria para cada tipo de material.

 

PLACAS

 

Tipos de Placas

 

As operações realizadas nas marmorarias estão destinadas ao acabamento do material serrado, com o objetivo de obter aspecto e forma exigidos para a utilização final.

 

Esta seqüência de operações é realizada em grande parte da produção de placas brutas, visando a obtenção de produtos acabados para uso em revestimento na construção civil. No entanto, uma parte da produção de placas é submetida a tratamento mais rústico, exigido para utilizações específicas de acordo com o requerido pelos consumidores, obtêm-se assim diferentes tipos de placas de acordo com o tipo de acabamento:

 

Serrada Simples: Placa simples com sinais de serra resultantes das operações de desdobramento do bloco, efetuada no tear, sem qualquer outro trabalho de beneficiamento.

 

Serrada Retificada: Placa plana e áspera, sem sinais de serra, obtida com a operação de retificação ou levigamento utilizando máquinas polietrizes com  abrasivos nº 0 e nº 1.

 

Apicoada: Superfície obtida quando, sobre uma face da placa retificada, executa-se o tratamento com pícola (várias pontas metálicas finas). As placas apicoadas normalmente apresentam uma cor homogênea e clara, pois durante o trabalho, processa-se o esmagamento de cristais, fazendo com que a rocha adquira uma cor correspondente ao seu traço.

 

Levigada ou desengrossada: Aplainamento da superfície das placas é executado com a utilização de polietrizes que utilizam abrasivos grossos .

 

Polida: A partir da placa já levigada (plana), a operação de polimento é realizada com a utilização de polietrizes com abrasivos sucessivamente mais finos. As seqüências são: nos 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, e 7

 

Cuidados com as Placas

 

As rochas de um modo geral, são muito sensíveis ao contato com substâncias de cores escuras, como tintas, graxas, ferro (ferrugem), pois são materiais porosos e absorvem estas substâncias facilmente. As rochas claras, como os granitos brancos e principalmente os mármores de cores claras estão mais sujeitas ao manchamento (por serem claras). Por isto deve-se tomar todo o cuidado durante o transporte, manuseio, e principalmente no armazenamento da placa. Principais cuidados com as placas :

·          Armazenar placas de cores claras em cavaletes de madeira ou concreto em áreas cobertas, de modo que não tenham contato com água. No caso de cavalete de Ferro, deve-se proteger as placas do contato com a superfície de ferro do cavalete, utilizando madeira, papelão ou borracha (sem tinta).

 

·           Evitar batidas, pancadas ou choques das placas nas bancadas, nos carrinhos ou nos cavaletes durante o transporte e movimentação. Cada rocha possui um determinado limite de resistência ao impacto, passando-se deste limite ela quebra e os danos são irreversíveis, gerando um elevado custo e atraso na produção.

 

Principais defeitos encontrados nas placas:

 

Defeito

Causa

Conseqüência

Prevenção

Conserto

Superfície rugosa com sulcos

falta de controle no tensionamento nas lâminas

flambagem das lâminas

Utilizar tensionamento hidráulico

Usar abrasivo grosso por maior tempo até a superfície ficar lisa

Variações de espessura  de até 5 mm na placa.

falta de controle no tensionamento das lâminas

flambagem das lâminas

Utilizar tensionamento hidráulico

Utilizar a placa no sentido das espessuras iguais

 

Trincas

Rocha frágil, blocos fraturados, transporte ou embalagem inadequados

Fraturas que atingem parte ou atravessam toda a placa

Para rocha frágil, usar telas de proteção. Controle no transporte e movimentação.

Nenhum. Na “colagem” de pedaços a placa perde a resistência e a sua beleza.

 

Pés de galinha

Uso de explosivos inadequados na pedreira durante o corte dos blocos

Pequenas fraturas radiais ao redor dos furos

Diminuir a potência (velocidade de expansão) do explosivo

cortar a parte afetada para que as fraturas não aumentem.

Mulas ou barbante

Falta de controle de qualidade dos blocos durante a extração

variações na composição da rocha

Selecionar as placas durante o recebimento e devolver

Cortar as partes fora do padrão e reclassificá-las para outro fim

Cantos quebrados

Transporte ou embalagem inadequados

Extremidades das placas quebradas

Controle no transporte e seleção durante o recebimento.

Nenhum

Ferrugem  e Manchas avermelhadas

Placas com restos de granalha ou em contato com substâncias contendo ferro e água

Oxidação do ferro ou da granalha e absorção pela rocha

Limpeza profunda em cada placa e impermeabilização  das placas no contato com o ferro

Uso de produtos especiais para remoção(depende da intensidade da mancha)

Ferrugem  e Manchas avermelhadas

Rocha com minerais de Ferro

Minerais com Ferro oxidado

Rejeitar este tipo de rocha

Nenhum.

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Grande parte dos defeitos apresentados acima podem ser controlados durante a chegada de placas. Deve ser realizada uma seleção de placas com defeitos, fora do padrão cromático ou fora do tamanho e espessura no momento do descarregamento das placas. As placas com problemas devem ser devolvidas para a empresa de origem sem custo nenhum para a empresa que recebe e deve ser descontado o valor destas placas tanto na nota quanto no frete.

 

MOVIMENTAÇÃO E ESTOCAGEM DAS PLACAS POLIDAS

 

As peças de rochas ornamentais, após o polimento, devem receber um tratamento cuidadoso. Sua movimentação e estocagem ainda na marmoraria requer cuidados especiais, de extrema importância para a qualidade final do produto. Quando as peças chegam à obra, devem ser tomadas providências para que a sua movimentação e estocagem no canteiro da obra ocorram de modo a não expô-las a riscos de quebras e agressões externas.

 

Deve-se ter o máximo de cuidado ao retirar uma placa da máquina, ao transportar as placas, principalmente os materiais frágeis com tela e mármores importados. O cuidado deve ser redobrado na movimentação de peças prontas, pois o custo sobre esta é em torno de três vezes maior que a placa, visto que envolveu tempo, mão de obra, insumos e matéria prima.

 

 

A área de movimentação das peças deve ter um pavimento liso, regular, sem buracos ou imperfeições. Pisos irregulares, com buracos ou com inclinações podem gerar acidentes, quebra de placas e atraso na movimentação das peças.

 

É importante que as placas de rochas, primordialmente, quando transportadas, estejam apropriadamente embaladas. Quando da impossibilidade disto ocorrer, recomenda-se os seguintes cuidados:

§          As peças, durante o transporte para o canteiro da obra, devem ser mantidas na posição vertical;

§          As peças não devem estar em contato, em qualquer de suas extremidades, verso ou anverso, com água ou umidade, ou qualquer tipo de substância agressiva, até o momento do assentamento;

§          As placas devem ser armazenadas verticalmente (figura 1), com duas ou mais tiras de espaçadores (filmes ou laminados plásticos; isopor; poliuretano expandido; polipropileno ou plástico polibolha; papéis incolores, como por exemplo: papel manteiga, papel de seda, etc.) entre elas. Quando houver impossibilidade de utilização destas tiras, deve-se evitar de algum modo o acúmulo de poeira sobre e entre as partes polidas das placas de rochas;

 

 

 

 

Caixa de texto:

 

 

FIGURA 1

 

§          Sugere-se que o ambiente de estocagem das placas, seja de acesso restrito e controlado, tendo-se em vista a integridade e a preservação das peças, bem como sua segurança;

§          Sugere-se também que as peças sejam colocadas em local elevado em relação ao solo; e apoiadas sobre uma base ou lastro de madeira inerte (Pinus), para evitar infiltrações nas placas e a liberação de pigmentos, que manchem as peças;

§          As peças de dimensões maiores, quando houver impossibilidade de estarem embaladas, devem ser armazenadas em cavaletes, feitos com madeira inerte ou envolvidos por materiais plásticos (Foto 1);

 

 

FOTO 1

 

 

§          Não é recomendada a estocagem das peças de rochas ornamentais, horizontalmente em pilhas altas, que não tenham estabilidade ou possam provocar empenamentos nas placas,

§          Placas especiais (pouco espessas, com rasgos, furos, etc.), mais frágeis e delicadas, requerem cuidados adicionais para o seu armazenamento e manuseio. Neste caso, as peças devem ser embaladas individualmente e as áreas rasgadas ou perfuradas, devem ser protegidas internamente com materiais semiflexíveis (isopor, poliuretano expandido, polipropileno, ou similares) (Figura 2).

 

 

 

 

 

 

FIGURA 2

 

O tipo de estocagem recomendável para qualquer tipo de placa é sempre em pé. A posição vertical facilita a retirada da placa e faz com que uma placa não pese sobre a outra, gerando riscos de quebra. As placas ou peças importadas, de cor verde ou com minerais de Ferro, devem ser armazenadas em locais cobertos, evitando assim a mudança de cor  ou manchamento gerados pela incidência do sol e da chuva.

 

O apoio ideal para acomodar as placas é de madeira clara, pois diminui o risco de gerar trincas com o atrito das placas; O cavalete de concreto também pode ser utilizado, mas seu contato com as rochas deve ser cuidadoso para evitar fraturas. O cavalete de ferro apresenta um elevado risco de oxidação e manchamento das placas (principalmente materiais claros) e deve ser revestido com madeira, papelão ou borracha nos locais onde as placas encostam no cavalete. 

 

CARACTERÍSTICAS TECNOLÓGICAS

 

Os avanços tecnológicos, observados nos processos de assentamento, permitiram o aproveitamento e o emprego de rochas anteriormente não comercializadas, enquanto que as novas utilizações, demandadas pelo mercado, viabilizaram soluções estéticas e funcionais muito interessantes e confiáveis na construção civil.

 

As rochas ornamentais e de revestimento, quando em uso, são submetidas às mais variadas solicitações (naturais e artificiais) que provocam desgaste, perda de resistência mecânica, fissuração, manchamento, eflorescência de sais e mudanças de coloração.

 

A melhor maneira, preventiva, de evitar-se problemas na utilização da rochas ornamentais, é a sua correta especificação diante dos usos pretendidos, observando-se o efeito estético desejado, porém respeitando-se as características tecnológicas dos materiais e sua adequação às condições ambientais.

 

A caracterização das rochas deve ser realizada logo na etapa de pesquisa do jazimento e nessa fase já se deve ter conhecimento dos tipos de aplicações pretendidos. Muitos insucessos tem ocorrido no emprego das rochas ornamentais, não só devido à falta de conhecimento das características naturais e intrínsecas que o material traz, como também, daquelas induzidas pelos métodos de lavra, beneficiamento e aplicação empregados, que podem, em última análise, provocar alterações no comportamento natural das rochas e consequentemente nas suas propriedades.

 

Enfim, conhecendo-se as condições ambientais às quais os revestimentos e os produtos estarão submetidos, e as respostas das rochas aos ensaios técnicos normalmente efetuados, pode-se, através análises conjuntas, reunir valiosos subsídios para a seleção daquelas que melhor se adeqüem aos requisitos do projeto pretendido.

 

As características tecnológicas das rochas, bem como a previsão do seu desempenho em serviço, são obtidas através de análises e ensaios, executados segundo procedimentos rigorosos, normalizados por entidades nacionais - Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, ou estrangeiras - American Society for Testing and Materials - ASTM, Deutsch Institut für Normung - DIN, Association Française de Normalization - AFNOR, Enti Nazionali in Unificazion Normazione di Italia - UNI, Associación Española de Normalización y Certifícación - AENOR, entre outras.

 

O entendimento das variáveis tecnológicas constitui fator primordial de proteção e garantia para fornecedores, especificadores, construtores e consumidores, além de representar a forma mais efetiva de valorização das rochas como materiais de ornamentação e revestimento.

 

Para a definição desses e de outros parâmetros igualmente importantes, recomenda- se que todos os materiais rochosos de ornamentação e revestimento sejam submetidos aos ensaios de caracterização tecnológica.

 

Os ensaios mais importantes designados como "índices de qualidade" são: análise petrográfica; índices fisicos (porosidade, absorção d'água e densidade)- desgaste abrasivo Amsler; dilatação térmica linear; resistência à tração na flexão; resistência à compressão unlaxial simples e após gelo e degelo.

 

A partir dos resultados desses ensaios, podem ser definidas as possibilidades de utilização das rochas para diferentes ambientes e finalidade. Tais possibilidades incluem o uso em revestimentos de pisos, fachadas, bancadas, pias, colunas, arte funerária, e muitos outros.

 

                É de extrema importância que sejam feitos caracterização física, análise petrográfica e ensaios tecnológicos nas rochas que estão sendo comercializadas e utilizadas. As rochas, apesar de apresentarem colorações semelhantes, podem possuir composição mineralógica bastante diversa. Estas análises permitirão uma margem de segurança durante as especificações das rochas para suas utilizações.

 

POSSIBILIDADES DE UTILIZAÇÃO

 

As rochas ornamentais são materiais nobres, tipificadas por uma longa lista de características que valorizam seu uso. Entre outros, destacando-se: o efeito estético, a durabilidade, a resistência mecânica, e a flexibilidade no uso, permitindo assim a obtenção de peças de grande durabilidade e facilidade de conservação, com formatos e dimensões variáveis em projetos arquitetônicos..

 

Normalmente as rochas ornamentais são materiais adequados para projetos de urbanização, arte funerária e edificações ou residências, sendo a infinidade de usos e características seu ponto marcante, fato este que confere uma personalidade única a cada peça ou conjunto de peças utilizada. O possível emprego destes materiais e os locais de sua aplicação são tão diversos como suas cores. A seguir, citamos algumas aplicações mais comuns:

 

• Revestimento de Pisos;

• Revestimento de Escadas; • Revestimento de

  Paredes--

• Revestimento de Fachadas;

• Bancadas de Pias e Lavatórios; • Móveis e Tampos;

• Peças de Decoração; • Colunas Maciças; • Arte

  Funerária.

*Urbanização de Praças e Jardins

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Fonte: SENAI.DN.Cartilha de aplicação de rochas ornamentais.Brasília2000.v.1. 37p.