1USO/ADEQUAÇÃO E APLICAÇÃO DE ROCHAS ORNAMENTAIS NA CONSTRUÇÃO CIVIL  – PARTE 2

 

Eleno de Paula Rodrigues

 

Geólogo PhD – Escola SENAI/SP – Av.José Odorizzi, 1555 – B. Assunção – CEP 09861-000 – São Bernardo do Campo – SP – E-mail: elenopr@uol.com.br ; eleno@sp.senai.br

 

 

[1]RECOMENDAÇÕES PARA APLICAÇÃO

 

Quando se pensar em assentamento de pisos com rochas orname+ntais, deve-se inicialmente observar a subestrutura, que é a base de confecção do revestimento. Conforme se verifica nas Figuras 3 e 4, deve ser seguida uma seqüência de procedimentos que são indispensáveis à boa execução dos trabalhos de aplicação e, assim, garantir-se a integridade e a durabilidade do piso como um todo.

 

As rochas ornamentais,  têm como características relevantes a porosidade, a capacidade de absorção d'água e a presença eventual de substâncias reativas ou alteravéis em presença de água. Essas propriedades devem ser lembradas e consideradas, quando do assentamento, pois elas justificam o isolamento da rocha, em relação ao solo ou outros  fatores geradores de umidade.

 

A  Figura 3 mostra as diferentes camadas que compõem um piso normal e que  são descritas a seguir:

 

 

FIGURA 3

 

 

Para tanto, destacamos as camadas apresentadas na (Figura 3), com seus respectivos componentes e finalidades, conforme segue:

 

              Argamassa é a camada responsável pela ligação entre o contrapiso e as peças de rochas ornamentais. Como existem vários tipos de argamassas, este tema será abordado em mais detalhe no item seguinte;

 

              Contrapiso é a camada que é executada para regularizar a superfície de assentamento, bem como para proporcionar uma base estrutural de sustentação. Deve ser o mais nivelado possível e não deve estar ligado àestrutura ou às paredes da edificação. Recomenda‑se, ainda, manter um afastamento de 5 a 10 mm da superfície da borda (Figura 4);

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FIGURA 4

 

              Impermeabilização é a camada que tem por função isolar as camadas superiores da umidade proveniente do solo. É possível aplicar uma lona plástica (conhecida nas obras como plástico preto) entre o contrapiso e a camada de concreto magro, tomando os cuidados necessários para garantir a integridade da lona (ausência de perfurações, rasgos). Podem também ser utilizados produtos químicos impermeabilizantes ,neste caso  antes, deve‑se preferir os de características flexíveis (Foto 2);

 

FOTO 2

 

              Concreto magro é a camada que será utilizada para regularizar a superfície do solo e não permitir o contato direto entre a impermeabilização e o solo;

 

              Solo ou sub-base constitui a camada inferior do sistema de revestimento. Para prevenir a ocorrência de problemas na superfície rochosa (manchamentos, descamações, etc.), provocados pela migração da umidade ou sais minerais, freqüentemente presentes no solo, esta camada deverá estar perfeitamente isolada das placas de piso;

 

Alternativamente, pode-se utilizar uma camada de brita graduada, com cerca de 20 cm de espessura, em substituição à impermeabilização. Esta camada é aplicada diretamente sobre o solo ou sub-base, sendo recoberta pelo concreto magro. Tal procedimento acha-se ilustrado na (Figura 5).

 

 

FIGURA 5

 

 

RECOMENDAÇÕES PARA ARGAMASSA

 

A argamassa ,camada do piso, que faz a ligação entre a placa de rocha ornamental e o contrapiso. Sendo assim, deve‑se tomar cuidados na seleção dos componentes e no seu modo de preparo, considerando‑se as características da rocha e os ambientes e as finalidades da obra. As substâncias que compõem as argamassas, seu traço e modo de preparo, podem comprometer tanto o padrão estético, como a resistência física- mecânica das peças assentadas. Inicialmente deve‑se observar os agregados e os tipos de técnicas de assentamento que serão utilizados.

 

Na escolha de uma argamassa, deve‑se levar em conta primordialmente as propriedades tecnológicas da rocha utilizada. A priori, recomenda‑se para granitos e mármores de tonalidades claras, o emprego de argamassas claras, ou compostas por cimento branco de procedência conhecida.

 

No canteiro da obra, para confecção e preparo da argamassa, deve‑se considerar os seguintes cuidados:

 

              Utilizar areia média lavada (peneirada; isenta de impurezas argilosas, orgânicas ou ferruginosas);

              A água deve ser isenta de impurezas e quimicamente neutra. Não deverá ser transportada ou armazenada em latas ou recipientes metálicos que possam liberar resíduos oxidáveis, os quais provocam manchamento na rocha;

              O cimento deverá ser de procedência e notoriedade reconhecidas e ser do tipo CP 32. Para aplicação de rochas claras, enfatiza‑se, há necessidade de utilização de cimento branco.

 

Tradicionalmente, na construção civil brasileira, utilizam‑se dois tipos de argamassa, para aplicação de granitos e mármores, a saber:

 

1. Argamassa semi‑seca ("farofa") – como o próprio nome sugere, deve ter consistência de farofa, isto é, não pode ser seca e também não pode ser excessivamente úmida. O traço sugerido para sua aplicação é o seguinte:

 

Insumo

1 m3 de Argamassa

Areia lavada

1 m3

Cimento

400 kg

 

Deve‑se evitar a adição de cal na argamassa, pois apesar deste proporcionar maior facilidaes de aplicação da argamassa,  ele pode provocar o surgimento de eflorescências na superfície rochosa.

 

A argamassa deve ser aplicada em etapas  e as seguintes sequências de procedimentos rigorosamente obdecidas:

              Determine os níveis de referências que serão utilizados como guias ao longo do assentamento;

              Coloque  argamassa em quantidade suficiente para o nivelamento;

              Pré-compacte a argamassa;

              Desempene  a argamassa (Foto 3);

              Polvilhe  pó de cimento sobre a argamassa pré-compactada (Foto 4A);

              Asperja  água sobre o pó de cimento polvilhado (Foto 4B);

              Assente  a peça de rocha ornamental, com auxílio de martelo de borracha                           

(Foto 4C).


FOTO 3

 

FOTO 4A

 

FOTO 4B

 

FOTO 4C

 

 

 

 

 

2. Argamassa adesiva ("cimento-cola") (Foto 5) – como se trata de um produto industrializado, deve-se seguir o modo de preparo sugerido pelo fabricante. Recomenda-se, neste método, um cuidado especial no nivelamento do contrapiso, pois a camada de argamassa adesiva não pode exceder a espessura de 5 mm, devendo ficar entre 3 e 5 mm. Deve-se preferir argamassa branca para rochas de tonalidade clara.

 


FOTO 5

 

 

RECOMENDAÇÕES PARA EXECUÇÃO DE JUNTAS

 

As juntas constituem os espaços entre as placas rochosas. As denominações utilizadas no mercado incluem os termos: junta seca (para espessuras inferiores a 0,5 mm), junta fina (para espessuras entre 0,5 mm e 3,0 mm) e junta larga (para espessuras maiores que 3,0 mm). Destinam-se a permitir acomodações provocadas por dilatação térmica e deformações estruturais da rocha no ambiente. Promovem um alinhamento entre as peças e proporcionam acabamento estético, realçando a beleza das rochas.

 

Para execução das juntas, recomenda‑se os seguintes cuidados:

 

              As superfícies que fazem a interface entre a borda dos pisos e a parede próxima deverão distar de 5 a 10 mm, e seu acabamento deverá ser feito pelo rodapé (Figura 6);

              O dimensionamento das juntas depende do ambiente de aplicação, bem como das características físicas do material, especificamente do coeficiente de dilatação térmica linear.apresentado pela rocha.

 

 

FIGURA 6

 

 

RECOMENDAÇÕES PARA APLICAÇÃO DE REJUNTES

 

Na aplicação de rejuntes em pisos de rochas ornamentais, devem ser tomados vários cuidados, visando garantir efetividade e precisão na execução do serviço. Encontram-se à disposição no mercado produtos industrializados para rejuntamento (à base de cimento portland ou resina epóxi), com diversas colorações, o que possibilita combinações estéticas bastante apreciadas. Para juntas finas, as natas de cimento são comumente utilizadas em rejuntes (Figura 7).

 

 

FIGURA 7

 

 

 

Para aplicação do rejunte recomenda‑se:

 

              Aguardar 72 horas após o assentamento;

              Proceder à limpeza das juntas para remoção dos resíduos capazes de prejudicar a aderência do rejunte à rocha;

              Fazer o espalhamento da argamassa de rejuntamento (à base de cimento portland) com o auxílio de um rodo de borracha ou espátula plástica. Não utilizar espátulas metálicas, pois estas poderão riscar a rocha (Foto 6);

              Limpar  as superfícies polidas ,no mínimo 15, no máximo 40 minutos, após a aplicação do rejunte,  utilizando-se  esponja úmida e limpa;

              Para ambientes úmidos recomenda-se  a aplicação de rejuntes à base de resina epóxi (Foto 7);

 

FOTO 6

 

 

FOTO 7

 

 

RECOMENDAÇÕES PARA PROTEÇÃO DOS  PISOS DURANTE A  EXECUÇÃO DA OBRA

 

Concluído o trabalho de aplicação dos pisos, deve-se proceder à sua proteção, levando-se em conta o tipo de rocha e as características do obra, sobretudo no que se refere à intensidade do tráfego de pessoas e a movimentação de produtos, máquinas e equipamentos previstos para a obra.

 

Assim são descritos, a seguir, algumas técnicas usualmente utilizadas, durante a execução da obra, para a proteção de pisos submetidos a tráfego baixo, moderado ou intenso.

 

Tráfego Baixo: Nesta situação, a proteção poderá ser realizada apenas estendendo-se uma lona plástica (lisa ou do tipo "bolha"), nylon ou tecido impermeável sobre o piso. Deve-se cuidar para que o material utilizado não libere pigmentos capazes de manchar a rocha, recomendando-se os de tonalidade clara ou incolor.

 

Tráfego Moderado: Em ambientes sujeitos a médio tráfego, a técnica de proteção sugerida é a colocação, sobre o piso, de lona plástica (semelhante à descrita anteriormente) recoberta por tecido. Sobre o tecido deve-se aplicar uma camada, com cerca de 1 cm de espessura, de pasta de gesso (Foto 8).

 

FOTO 8

 

A aplicação de tecidos coloridos (como juta ou "sacos de estopa") e camada de pasta de gesso diretamente sobre a superfície rochosa (Figura 8) deverá ser avaliada cuidadosamente, pois poderá provocar manchamentos de difícil remoção.

 

FIGURA 8

 

 

Tráfego Intenso: Para resistir às agressões provocadas por elevado tráfego de pessoas e movimentação de produtos, máquinas e equipamentos, os pisos devem ser rigorosamente protegidos. Nestes casos recomenda-se a aplicação das camadas de lona plástica + tecido + pasta de gesso descritas no item anterior, acrescentando-se a colocação de placas de madeira compensada ou "madeirit", com espessura mínima de 5 mm. Opcionalmente, para rochas delicadas, pode-se inserir placas de isopor entre a lona plástica e as placas de madeira ou "madeirit" (Figura 9).

 

 

 

 

 

FIGURA 9

 

 

Obs .: Deve-se destacar que qualquer que seja a técnica de proteção adotada, esta só deverá ser realizada após a secagem total das placas de rocha e do rejuntamento.

 

MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO DURANTE 0 USO

 

As rochas ornamentais por sua beleza e durabilidade, constituem materiais de revestimento que conferem nobreza aos ambientes e proporcionam maior valorização financeira aos empreendimentos que as utilizam.

 

A conservação das propriedades estéticas dos revestimentos rochosos por longo período de tempo (superior a todos os demais materiais) poderá ser obtida se medidas simples de conservação forem adotadas durante o uso.

 

Por via-de-regra as medidas de conservação são estabelecidas com base no conhecimento das características físico-mecânicas e químicas das rochas, obtidas a partir de ensaios laboratoriais. Entretanto, a título de orientação geral, apresenta-se, a seguir, algumas recomendações que podem ser úteis para a conservação de pisos de granitos e mármores, em diversas situações observadas durante o uso:

              Proteger a superfície  polida do desgaste abrasivo e riscamento por metais, areia, vidros e outros materiais duros, durante e depois da obra.

              Evitar o contato das placas com óleos, graxas, materiais ferruginosos (pregos, palhas de aço, etc.), pó ou fragmentos de madeira úmidos, cigarros e outros produtos decomponíveis e pigmentantes. Mármores em geral e alguns granitos são sensíveis ao ataque químico por soluções  ácidas cítricas (especialmente limões).

              Realizar a limpeza utilizando-se  apenas  de panos úmido ou produtos de limpeza de pH neutro. Evitar produtos quimicamente agressivos (ácidos, água sanitária, amoníaco, soda cáustica, cloro, etc.) ou abrasivos (sapólio).

              Proceder sobre as peças, em ambientes constantemente úmidos, aplicações periódicas de produtos hidro-óleo-repelentes próprios para granitos e mármores.



[1] Fonte: SENAI.DN.Cartilha de aplicação de rochas ornamentais.Brasília2000.v.1. 37p.